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Imagem gerada por IA: numa casa simples iluminada por uma lamparina, dois anciãos rezam por um homem doente deitado numa cama baixa; um deles unge a testa do doente com óleo, enquanto a mulher e o filho rezam ajoelhados.

Os sete sacramentos estão na Bíblia?

A Bíblia não traz uma lista de sete sacramentos. Traz os sete ritos, e a lista foi o modo como a Igreja os reconheceu ao longo dos séculos, como fez com os livros da própria Bíblia.

13 min de leitura

Imagem gerada por IA: Os presbíteros da comunidade ungem um doente com óleo, como pede a Carta de Tiago (Tg 5,14-15). Em estilo de pintura renascentista

A resposta curta

Os sete ritos estão no Novo Testamento: alguns com palavras claras de Jesus (batismo, Eucaristia, perdão dos pecados), outros na prática dos apóstolos (imposição das mãos, unção dos doentes, ordenação); o casamento, Jesus o devolve ao plano do princípio, e Paulo o chama de "grande mistério". O que veio depois foi a lista fechada: ela se firmou no século XII, foi ensinada no Concílio de Florença (1439) e definida no de Trento (1547). As Igrejas ortodoxas também contam sete.

A objeção

O que se costuma dizer

Jesus deixou só duas cerimônias para a Igreja: o batismo (Mt 28,19) e a Ceia (Lc 22,19). O resto foi acrescentado na Idade Média. A lista dos sete sacramentos foi montada por um teólogo do século XII e imposta pelo Concílio de Trento. Na Bíblia não existe a palavra "sacramento", e muito menos uma lista de sete.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa ideia?

A objeção vem da Reforma do século XVI, mas os reformadores não falavam todos a mesma língua.

João Calvino, nas Institutas (edição final de 1559), aceitava como sacramentos instituídos pelo Senhor só dois, o batismo e a Ceia, e dedicou um capítulo inteiro aos outros cinco, que chamava de "falsamente chamados" sacramentos (livro IV, capítulo 19). A Confissão de Westminster, dos presbiterianos, no século XVII, diz o mesmo: há só dois sacramentos ordenados por Cristo no Evangelho (capítulo 27, 4).

Os luteranos foram mais cautelosos. A Apologia (defesa) da Confissão de Augsburgo, escrita por Filipe Melanchthon logo depois de 1530, diz que o batismo, a Ceia e a absolvição dos pecados "são verdadeiramente sacramentos", que a ordenação também pode ser chamada assim se for entendida como o ministério da Palavra, e que "nenhum homem prudente" vai brigar muito por causa do número ou do nome (artigo 13).

Hoje, muitas igrejas evangélicas, como as batistas, preferem a palavra "ordenança": batismo e ceia são mandamentos de Cristo, que o crente cumpre em obediência e como sinal da fé. Não é desprezo pelos ritos: é outra ideia do que eles são. Por isso a conversa não pode ficar só na contagem.

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

A palavra "sacramento" não está na Bíblia com o sentido técnico de hoje, assim como "Trindade" também não está. A pergunta honesta é outra: os ritos que a Igreja chama de sacramentos vêm de Cristo e dos apóstolos, ou foram inventados depois? E uma segunda: quem reconhece quais ritos têm esse peso?

O Catecismo compara essa segunda questão a outra bem conhecida. Assim como a Igreja, guiada pelo Espírito, reconheceu aos poucos quais livros formam a Bíblia, ela também discerniu, ao longo dos séculos, quais das suas celebrações são sacramentos em sentido próprio (n. 1117). Quem aceita o cânon do Novo Testamento já aceita que a Igreja dos primeiros séculos soube reconhecer o que recebeu (veja a aula Por que a Bíblia católica tem sete livros a mais?).

O que diz a Bíblia

Onde cada um aparece no Novo Testamento?

Um sacramento, para a Igreja, é um sinal visível (água, óleo, mãos, pão e vinho, palavras) que Cristo ligou a um dom invisível (perdão, Espírito Santo, vida). Veja onde cada um aparece. Os versículos estão em tradução nossa, a partir do grego.

1. Batismo.

Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. (Mt 28,19)

O tema tem três aulas próprias nesta seção: "O batismo salva ou é só um símbolo?", "Batizar criança vale, se ela não escolheu?" e "O batismo tem de ser por imersão?".

2. Confirmação (crisma).

Então lhes impunham as mãos, e eles recebiam o Espírito Santo. (At 8,17)

Pedro e João impõem as mãos sobre samaritanos que já tinham sido batizados. Veja a aula A crisma está na Bíblia?.

3. Eucaristia.

Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. (Lc 22,19)

Veja a aula A Eucaristia é símbolo ou o corpo de Cristo?.

4. Penitência (confissão).

Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, estão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, estão retidos. (Jo 20,22-23)

Veja a aula Por que confessar os pecados a um padre?.

5. Unção dos enfermos.

Alguém entre vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja, e que rezem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. (Tg 5,14-15)

Nos Evangelhos, os Doze já "ungiam com óleo muitos doentes e os curavam" (Mc 6,13).

6. Ordem.

Por isso te lembro de reavivar o dom de Deus que está em ti pela imposição das minhas mãos. (2Tm 1,6)

Veja a aula A sucessão apostólica está na Bíblia?.

7. Matrimônio.

Este mistério é grande; eu o digo em referência a Cristo e à Igreja. (Ef 5,32)

Veja a aula O casamento é sacramento ou invenção da Igreja?.

Os sete aparecem do mesmo jeito?

Não, e é honesto dizer. O batismo, a Eucaristia e o perdão dos pecados vêm com palavras diretas de Jesus. A imposição das mãos e a unção dos doentes aparecem na prática dos apóstolos; o casamento, Jesus o devolve ao plano do princípio (Mt 19,6), e Paulo o chama de "grande mistério" (Ef 5,32). A própria Igreja usa linguagem cuidadosa: citando o Concílio de Trento, o Catecismo diz que o sacramento da unção dos enfermos foi «insinuado por São Marcos, mas recomendado aos fiéis e promulgado por São Tiago» (n. 1511): sugerido num texto, anunciado com clareza no outro. A fé de que os sete vêm de Cristo não depende de cada um ter um versículo com a palavra "instituo".

E a palavra "sacramento"?

"Sacramento" é a palavra latina que traduziu o grego mystḗrion, mistério. A Vulgata, a Bíblia latina, usa as duas: põe sacramentum em Efésios 1,9, 3,3 e 5,32, e mysterium em 1 Coríntios 4,1, onde Paulo chama os apóstolos de "administradores dos mistérios de Deus". Até hoje os cristãos do Oriente chamam os sacramentos de "santos mistérios". A palavra, sozinha, não prova nada nem a favor nem contra. O que conta é o rito e a promessa ligada a ele.

Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Mateus 28, Atos 8, Lucas 22, João 20, Tiago 5, Marcos 6, 2 Timóteo 1, Efésios 5, Mateus 19 e 1 Coríntios 4.

O que diziam os primeiros cristãos

Os primeiros cristãos contavam sete?

Não. Não se conhece, dos primeiros séculos, nenhuma lista de sete. Isso não quer dizer que os ritos não existissem: quer dizer que a palavra "sacramento" ainda tinha um sentido largo.

Tertuliano, entre 200 e 206. Em Cartago, ele abre o seu tratado sobre o batismo falando "do sacramento da nossa água, pela qual, lavados os pecados da cegueira antiga, somos libertados para a vida eterna" (O batismo 1,1). No mesmo livro descreve o que vinha logo depois do banho: a unção com óleo e a imposição da mão que chama o Espírito Santo (7 e 8), como mostra a aula A crisma está na Bíblia?.

Cipriano de Cartago, por volta de 256. Numa carta ao bispo Jubaiano, ele fala do cristão que nasce "de ambos os sacramentos", lembrando a palavra de Jesus sobre nascer "da água e do Espírito" (Jo 3,5), e conta que os batizados eram apresentados aos que presidem a Igreja para receber, pela oração e pela imposição das mãos, o Espírito Santo (Carta 73,9 e 21). O Catecismo usa a expressão de Cipriano: nos primeiros séculos, batismo e confirmação formavam um "sacramento duplo" (n. 1290).

Agostinho, por volta de 400. Respondendo a um bispo maniqueu, Agostinho escreve uma frase que vale para toda religião:

Em nenhum nome de religião, verdadeira ou falsa, os homens podem se reunir, se não estiverem ligados por alguma participação em sinais ou sacramentos visíveis. (Contra Fausto 19,11)

E explica que, com Cristo, os ritos da antiga Lei deram lugar a outros, "maiores em força, melhores no proveito, mais fáceis de fazer, menos numerosos" (19,13). Mas, por séculos, como registra a Catholic Encyclopedia, a palavra "sacramento" serviu para muitos sinais sagrados, e não só para os ritos que hoje contamos.

Os ritos estavam lá. Desde o Novo Testamento, a Igreja batizava, celebrava a Eucaristia, impunha as mãos para enviar ministros (At 6,6; 2Tm 1,6), ungia doentes (Tg 5,14) e perdoava pecados em nome de Cristo (Jo 20,23). Por volta de 110, Inácio de Antioquia pede que os cristãos se casem com o parecer do bispo, "para que o casamento seja segundo o Senhor" (Carta a Policarpo 5,2). O que faltava era a classificação, não as coisas classificadas.

A própria Apologia luterana reconhece isso, com outro objetivo: os padres antigos "não contaram do mesmo modo" (artigo 13, 2). A Igreja Católica concorda com o fato. A diferença é o que se conclui dele.

As frases de Tertuliano e de Agostinho estão em tradução nossa a partir do latim; a de Inácio, a partir do grego; Cipriano, a partir da versão inglesa indicada nas fontes.

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina sobre os sacramentos?

O Catecismo trata dos sacramentos em geral nos números 1113 a 1134. O resumo cabe numa frase:

Os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, pelos quais nos é dispensada a vida divina.

Catecismo da Igreja Católica, n. 1131

Há na Igreja sete sacramentos: Baptismo, Confirmação ou Crisma, Eucaristia, Penitência, Unção dos enfermos, Ordem e Matrimónio […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1113

[…] a Igreja discerniu, no decorrer dos séculos, que, entre as suas celebrações litúrgicas, há sete que são, no sentido próprio da palavra, sacramentos instituídos pelo Senhor.

Catecismo da Igreja Católica, n. 1117

[…] «o sacramento não é realizado pela justiça do homem que o dá ou que o recebe, mas pelo poder de Deus».

Catecismo da Igreja Católica, n. 1128

Três observações para não exagerar nem diminuir o que a Igreja diz.

O que é dogma. O Concílio de Trento, em 1547, definiu que os sacramentos da Nova Lei foram todos instituídos por Cristo e que são sete, nem mais nem menos (sessão VII, cânon 1). O Catecismo retoma essa fé no número 1114.

O que não foi definido. Trento não definiu o modo como Cristo instituiu cada um: se deu o rito em todos os detalhes ou se deixou aos apóstolos determinar alguns deles. Antes do concílio, teólogos como Pedro Lombardo e Hugo de São Vítor achavam que alguns sacramentos tinham sido instituídos pelos apóstolos, com o poder recebido de Cristo, como registra a Catholic Encyclopedia. É questão de escola, não de fé.

O que não é mágica. A expressão latina ex opere operato quer dizer que o sacramento age pela obra de Cristo, e não pela santidade do padre. Mas o Catecismo acrescenta, no mesmo número 1128, que os frutos do sacramento dependem também das disposições de quem o recebe. Por isso eles se chamam "sacramentos da fé" (n. 1123): supõem a fé e a alimentam. Os trechos acima são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

Linha do tempo

Dos apóstolos a Trento, em datas

A lista se firmou no século XII, mas os ritos que ela reúne são todos dos primeiros séculos, e vários deles estão no próprio Novo Testamento.

  1. séc. IOs ritos no Novo TestamentoBatismo, Ceia, perdão dos pecados, imposição das mãos, unção dos doentes e casamento no Senhor aparecem nos Evangelhos, em Atos e nas cartas.
  2. c. 110Casar segundo o SenhorInácio de Antioquia pede que os cristãos se casem com o parecer do bispo (Carta a Policarpo 5,2).
  3. c. 200 a 206"O sacramento da nossa água"Tertuliano chama o batismo de sacramento e descreve a unção e a imposição da mão logo depois dele.
  4. c. 256O "sacramento duplo"Cipriano conta que os batizados recebiam do bispo, pela imposição das mãos, o Espírito Santo.
  5. c. 400Sinais visíveisAgostinho escreve que nenhuma religião se mantém sem sinais ou sacramentos visíveis (Contra Fausto 19,11).
  6. meados do séc. XIIA lista de setePedro Lombardo, nas Sentenças, define o sacramento como sinal que causa a graça e enumera os sete.
  7. 1274II Concílio de LiãoA profissão de fé do imperador bizantino Miguel Paleólogo enumera os sete sacramentos.
  8. 1439Concílio de FlorençaO decreto para os armênios, de 22 de novembro, resume a doutrina dos sete sacramentos.
  9. 1530Confissão de AugsburgoOs luteranos apresentam a sua confissão de fé; logo depois, a Apologia reconhece como verdadeiros sacramentos o batismo, a Ceia e a absolvição.
  10. 1547Concílio de Trento, sessão VIIEm 3 de março, o concílio define que os sacramentos são sete, instituídos por Cristo.

O que a história mostra

Quem fechou a conta em sete, e o que pensam os ortodoxos?

A palavra. Em latim, sacramentum era o juramento sagrado, como o dos soldados romanos. Os cristãos de língua latina passaram a usá-la para as coisas santas e escondidas que os gregos chamavam de mystḗria. Por muitos séculos, como registra a Catholic Encyclopedia, todo sinal de algo sagrado podia ser chamado de sacramento, e as listas variavam.

O século XII. Foi então que os teólogos começaram a distinguir os sacramentos em sentido largo dos sacramentos em sentido próprio. Pedro Lombardo, mestre em Paris, definiu nas Sentenças o sacramento como um sinal que não só significa, mas também causa a graça, e enumerou os sete (livro IV, distinções 1 e 2). Segundo a mesma enciclopédia, provavelmente foi ele o primeiro a fixar a lista com clareza; alguns autores dão a honra a Oto de Bamberg, bispo morto em 1139. O que pesa é o que veio depois: segundo a mesma enciclopédia, a definição e a lista foram aceitas logo, e nas negociações de união com os gregos não há registro de objeção ao número sete.

Os concílios. A lista aparece na profissão de fé do imperador Miguel Paleólogo, no II Concílio de Lião, em 1274, e no decreto para os armênios do Concílio de Florença, em 1439, que a apresenta "para a instrução mais fácil dos armênios". Em 1547, diante da Reforma, Trento a definiu solenemente.

Os ortodoxos. As Igrejas ortodoxas também contam sete "santos mistérios": batismo, crismação, Eucaristia, penitência, matrimônio, ordem e unção dos doentes. O texto de catequese The Orthodox Faith, publicado pela Igreja Ortodoxa na América, é franco: o costume de contar os sacramentos veio do contato com os católicos, não é antigo, e pode dar a impressão de que só esses sete ritos são sagrados, quando para a tradição oriental tudo na Igreja tem algo de mistério. A Igreja Católica, por sua vez, ensina que essas Igrejas, embora separadas, "têm verdadeiros sacramentos" (Unitatis Redintegratio, n. 15).

Os reformadores. Como se viu acima, a discussão da Reforma foi menos sobre o número e mais sobre quais ritos têm ordem de Cristo e promessa de graça. A Confissão de Augsburgo (1530) diz que os sacramentos são "sinais e testemunhos da vontade de Deus para conosco", instituídos para despertar e confirmar a fé (artigo 13).

Imagem gerada por IA: numa igreja renascentista, um papa idoso, sentado num estrado com cardeais de vermelho, recebe um grupo de clérigos armênios de barba longa e capuz escuro, que lhe entregam um documento selado.
Imagem gerada por IA: Cena imaginada: enviados armênios diante do papa Eugênio IV no Concílio de Florença, em 1439, quando o decreto para os armênios resumiu a doutrina dos sete sacramentos. Em estilo de pintura renascentista

Lado a lado

A objeção e os documentos, lado a lado

O que se dizO que os documentos mostramOnde conferir
Jesus deixou só dois ritos.Os Evangelhos trazem também o poder de perdoar os pecados; Atos e as cartas mostram a imposição das mãos, a unção dos doentes e o casamento no Senhor.Jo 20,22-23; At 8,17; Tg 5,14-15; 2Tm 1,6
A lista foi inventada no século XII.A lista se firmou no século XII; os ritos que ela reúne são dos primeiros séculos.Tertuliano, O batismo 1 e 7 a 8; Catecismo, n. 1117
Trento criou os sete sacramentos.Trento definiu em 1547 o que Lião (1274) e Florença (1439) já ensinavam.Catecismo, n. 1113 e nota 25
Só os católicos têm sete.As Igrejas ortodoxas também contam sete mistérios, embora não deem ao número o mesmo peso.Igreja Ortodoxa na América; Unitatis Redintegratio 15
Todos os reformadores ficaram com dois.A Apologia luterana chamava de sacramento também a absolvição, e aceitava o nome para a ordenação.Apologia da Confissão de Augsburgo, artigo 13

Os frutos

Por que isso importa para a vida?

Os sete sacramentos acompanham a vida inteira. O Catecismo diz que eles tocam todas as etapas e momentos importantes da vida do cristão e dão à vida de fé nascimento e crescimento, cura e missão, com uma certa semelhança com as etapas da vida natural (n. 1210). Cristo não quis salvar só por ideias. Quis tocar o corpo, com água, óleo, pão, mãos e palavras ditas em voz alta, como fazia quando curava.

Com um amigo evangélico, há bastante terreno comum. Os dois creem que o batismo e a Ceia vêm de Cristo, e os dois leem os mesmos textos sobre a imposição das mãos, a unção dos doentes, o perdão e o casamento. A pergunta que fica é se Cristo ligou a esses gestos uma promessa de graça. Vale ler juntos João 20, Atos 8 e Tiago 5, com calma, e perguntar o que aqueles cristãos faziam e esperavam quando faziam isso.

Para guardar

A Bíblia não traz uma lista de sete sacramentos, mas traz os sete ritos: água, imposição das mãos, pão e vinho, perdão, óleo para os doentes, ordenação e casamento no Senhor. A Igreja reconheceu ao longo dos séculos quais deles são sacramentos em sentido próprio, como reconheceu os livros da Bíblia.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Em que concílio a Igreja definiu solenemente que os sacramentos são sete, nem mais nem menos?

  2. 2. Que texto do Novo Testamento descreve os presbíteros ungindo um doente com óleo?

  3. 3. O que dizia a Apologia da Confissão de Augsburgo, dos luteranos?

  4. 4. Com o que o Catecismo compara o discernimento dos sete sacramentos (n. 1117)?

  5. 5. O que quer dizer que os sacramentos agem ex opere operato?

Perguntas frequentes

Todo católico precisa receber os sete sacramentos?

Não. O Concílio de Trento ensina que os sacramentos são necessários para a salvação, mas que nem todos são necessários para cada pessoa (sessão VII, cânon 4). A Ordem é para os chamados ao ministério, o Matrimônio para quem se casa, e a unção é para quem começa a estar em perigo por doença ou velhice (Catecismo, n. 1514). Batismo, Confirmação e Eucaristia formam a iniciação de todo cristão (Catecismo, n. 1212).

Quais sacramentos só se recebem uma vez?

O batismo, a confirmação e a ordem. O Catecismo explica que eles imprimem um "carácter", um selo espiritual que não se apaga, e por isso nunca podem ser repetidos (n. 1121). O Concílio de Trento já tinha ensinado isso (sessão VII, cânon 9). Os outros quatro podem ser recebidos de novo: a Eucaristia e a confissão muitas vezes, a unção numa nova doença grave ou quando o mal se agrava (n. 1515), e o matrimônio depois da morte do cônjuge (1Cor 7,39).

Água benta, bênçãos e o sinal da cruz são sacramentos?

Não. São sacramentais: sinais sagrados instituídos pela própria Igreja, que imitam de algum modo os sacramentos e obtêm efeitos espirituais pela oração da Igreja (Catecismo, n. 1667). A diferença está na origem e no modo de agir: os sacramentos vêm de Cristo e agem pela obra dele; os sacramentais dependem da oração da Igreja e preparam para receber a graça. Veja a aula Por que fazer o sinal da cruz?.

Os ortodoxos celebram os sacramentos do mesmo jeito?

Os sete ritos são os mesmos, e a Igreja Católica reconhece neles verdadeiros sacramentos (Unitatis Redintegratio, n. 15), embora os ortodoxos não deem ao número o mesmo peso. Há também diferenças de costume. No Oriente, a criança recebe a crismação e a comunhão logo depois do batismo, pelas mãos do padre, como mostra a aula A crisma está na Bíblia?. E as Igrejas ortodoxas admitem, com um rito penitencial, um segundo casamento, o que a Igreja Católica não faz (veja O casamento é sacramento ou invenção da Igreja?).

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1113 a 1134 (e a nota 25, com Lião, Florença e Trento)
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1210 a 1212 e 1290
  3. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1510, 1511, 1514 e 1515 (a unção dos enfermos)
  4. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1667 (os sacramentais)
  5. VaticanoConcílio Vaticano II, decreto Unitatis Redintegratio, n. 15
  6. Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão VII (3 de março de 1547), cânones 1, 4, 8 e 9 (tradução inglesa)
  7. Papal Encyclicals OnlineConcílio de Florença, sessão 8 (22 de novembro de 1439), bula de união com os armênios (tradução inglesa)
  8. Catholic EncyclopediaSacraments: o sentido largo da palavra, Pedro Lombardo, Oto de Bamberg, Lião, Florença e a instituição imediata ou mediata
  9. Tertullian ProjectTertuliano, O batismo, texto latino da edição de E. Evans (1964), capítulos 1, 7 e 8
  10. Tertullian ProjectCronologia das obras de Tertuliano: O batismo, depois de 198 e antes do período montanista
  11. New AdventCipriano de Cartago, Carta a Jubaiano (73 na numeração crítica; 72 na tradução inglesa), 9 e 21
  12. New AdventAgostinho, Contra Fausto, livro 19, 11 e 13 (tradução inglesa)
  13. Catholic EncyclopediaSanto Agostinho: a refutação de Fausto, o bispo maniqueu, em 400
  14. CCELInácio de Antioquia, Carta a Policarpo, 5 (texto grego e tradução inglesa de K. Lake)
  15. Bible HubTiago 5,14, texto grego
  16. Bible HubJoão 20,23, texto grego
  17. Bible HubEfésios 5,32, texto grego
  18. Bible HubVulgata, Efésios 5 (sacramentum) e 1 Coríntios 4 (mysterium)
  19. Book of ConcordConfissão de Augsburgo (1530), artigo 13 (tradução inglesa)
  20. Book of ConcordApologia da Confissão de Augsburgo, artigo 13 (tradução inglesa)
  21. WikipediaApologia da Confissão de Augsburgo: escrita por Melanchthon durante e depois da Dieta de 1530
  22. CCELJoão Calvino, Institutas, livro IV, capítulo 19 (tradução inglesa)
  23. Catholic EncyclopediaJoão Calvino: a edição latina final das Institutas, de 1559
  24. Catholic EncyclopediaSão Cipriano: as cartas a Jubaiano na controvérsia do batismo dos hereges, em 256
  25. Orthodox Presbyterian ChurchConfissão de Fé de Westminster, capítulo 27 (inglês)
  26. Southern Baptist ConventionBaptist Faith and Message (2000), artigo 7: o batismo como ordenança
  27. Igreja Ortodoxa na AméricaThe Orthodox Faith, volume II, The Sacraments: os sete mistérios e a origem da contagem
  28. WikipediaPedro Lombardo: vida e as Sentenças
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