A resposta curta
Os sete ritos estão no Novo Testamento: alguns com palavras claras de Jesus (batismo, Eucaristia, perdão dos pecados), outros na prática dos apóstolos (imposição das mãos, unção dos doentes, ordenação); o casamento, Jesus o devolve ao plano do princípio, e Paulo o chama de "grande mistério". O que veio depois foi a lista fechada: ela se firmou no século XII, foi ensinada no Concílio de Florença (1439) e definida no de Trento (1547). As Igrejas ortodoxas também contam sete.
A objeção
O que se costuma dizer
Jesus deixou só duas cerimônias para a Igreja: o batismo (Mt 28,19) e a Ceia (Lc 22,19). O resto foi acrescentado na Idade Média. A lista dos sete sacramentos foi montada por um teólogo do século XII e imposta pelo Concílio de Trento. Na Bíblia não existe a palavra "sacramento", e muito menos uma lista de sete.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa ideia?
A objeção vem da Reforma do século XVI, mas os reformadores não falavam todos a mesma língua.
João Calvino, nas Institutas (edição final de 1559), aceitava como sacramentos instituídos pelo Senhor só dois, o batismo e a Ceia, e dedicou um capítulo inteiro aos outros cinco, que chamava de "falsamente chamados" sacramentos (livro IV, capítulo 19). A Confissão de Westminster, dos presbiterianos, no século XVII, diz o mesmo: há só dois sacramentos ordenados por Cristo no Evangelho (capítulo 27, 4).
Os luteranos foram mais cautelosos. A Apologia (defesa) da Confissão de Augsburgo, escrita por Filipe Melanchthon logo depois de 1530, diz que o batismo, a Ceia e a absolvição dos pecados "são verdadeiramente sacramentos", que a ordenação também pode ser chamada assim se for entendida como o ministério da Palavra, e que "nenhum homem prudente" vai brigar muito por causa do número ou do nome (artigo 13).
Hoje, muitas igrejas evangélicas, como as batistas, preferem a palavra "ordenança": batismo e ceia são mandamentos de Cristo, que o crente cumpre em obediência e como sinal da fé. Não é desprezo pelos ritos: é outra ideia do que eles são. Por isso a conversa não pode ficar só na contagem.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
A palavra "sacramento" não está na Bíblia com o sentido técnico de hoje, assim como "Trindade" também não está. A pergunta honesta é outra: os ritos que a Igreja chama de sacramentos vêm de Cristo e dos apóstolos, ou foram inventados depois? E uma segunda: quem reconhece quais ritos têm esse peso?
O Catecismo compara essa segunda questão a outra bem conhecida. Assim como a Igreja, guiada pelo Espírito, reconheceu aos poucos quais livros formam a Bíblia, ela também discerniu, ao longo dos séculos, quais das suas celebrações são sacramentos em sentido próprio (n. 1117). Quem aceita o cânon do Novo Testamento já aceita que a Igreja dos primeiros séculos soube reconhecer o que recebeu (veja a aula Por que a Bíblia católica tem sete livros a mais?).
O que diz a Bíblia
Onde cada um aparece no Novo Testamento?
Um sacramento, para a Igreja, é um sinal visível (água, óleo, mãos, pão e vinho, palavras) que Cristo ligou a um dom invisível (perdão, Espírito Santo, vida). Veja onde cada um aparece. Os versículos estão em tradução nossa, a partir do grego.
1. Batismo.
Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. (Mt 28,19)
O tema tem três aulas próprias nesta seção: "O batismo salva ou é só um símbolo?", "Batizar criança vale, se ela não escolheu?" e "O batismo tem de ser por imersão?".
2. Confirmação (crisma).
Então lhes impunham as mãos, e eles recebiam o Espírito Santo. (At 8,17)
Pedro e João impõem as mãos sobre samaritanos que já tinham sido batizados. Veja a aula A crisma está na Bíblia?.
3. Eucaristia.
Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. (Lc 22,19)
Veja a aula A Eucaristia é símbolo ou o corpo de Cristo?.
4. Penitência (confissão).
Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, estão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, estão retidos. (Jo 20,22-23)
Veja a aula Por que confessar os pecados a um padre?.
5. Unção dos enfermos.
Alguém entre vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja, e que rezem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. (Tg 5,14-15)
Nos Evangelhos, os Doze já "ungiam com óleo muitos doentes e os curavam" (Mc 6,13).
6. Ordem.
Por isso te lembro de reavivar o dom de Deus que está em ti pela imposição das minhas mãos. (2Tm 1,6)
Veja a aula A sucessão apostólica está na Bíblia?.
7. Matrimônio.
Este mistério é grande; eu o digo em referência a Cristo e à Igreja. (Ef 5,32)
Veja a aula O casamento é sacramento ou invenção da Igreja?.
Os sete aparecem do mesmo jeito?
Não, e é honesto dizer. O batismo, a Eucaristia e o perdão dos pecados vêm com palavras diretas de Jesus. A imposição das mãos e a unção dos doentes aparecem na prática dos apóstolos; o casamento, Jesus o devolve ao plano do princípio (Mt 19,6), e Paulo o chama de "grande mistério" (Ef 5,32). A própria Igreja usa linguagem cuidadosa: citando o Concílio de Trento, o Catecismo diz que o sacramento da unção dos enfermos foi «insinuado por São Marcos, mas recomendado aos fiéis e promulgado por São Tiago» (n. 1511): sugerido num texto, anunciado com clareza no outro. A fé de que os sete vêm de Cristo não depende de cada um ter um versículo com a palavra "instituo".
E a palavra "sacramento"?
"Sacramento" é a palavra latina que traduziu o grego mystḗrion, mistério. A Vulgata, a Bíblia latina, usa as duas: põe sacramentum em Efésios 1,9, 3,3 e 5,32, e mysterium em 1 Coríntios 4,1, onde Paulo chama os apóstolos de "administradores dos mistérios de Deus". Até hoje os cristãos do Oriente chamam os sacramentos de "santos mistérios". A palavra, sozinha, não prova nada nem a favor nem contra. O que conta é o rito e a promessa ligada a ele.
Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Mateus 28, Atos 8, Lucas 22, João 20, Tiago 5, Marcos 6, 2 Timóteo 1, Efésios 5, Mateus 19 e 1 Coríntios 4.
O que diziam os primeiros cristãos
Os primeiros cristãos contavam sete?
Não. Não se conhece, dos primeiros séculos, nenhuma lista de sete. Isso não quer dizer que os ritos não existissem: quer dizer que a palavra "sacramento" ainda tinha um sentido largo.
Tertuliano, entre 200 e 206. Em Cartago, ele abre o seu tratado sobre o batismo falando "do sacramento da nossa água, pela qual, lavados os pecados da cegueira antiga, somos libertados para a vida eterna" (O batismo 1,1). No mesmo livro descreve o que vinha logo depois do banho: a unção com óleo e a imposição da mão que chama o Espírito Santo (7 e 8), como mostra a aula A crisma está na Bíblia?.
Cipriano de Cartago, por volta de 256. Numa carta ao bispo Jubaiano, ele fala do cristão que nasce "de ambos os sacramentos", lembrando a palavra de Jesus sobre nascer "da água e do Espírito" (Jo 3,5), e conta que os batizados eram apresentados aos que presidem a Igreja para receber, pela oração e pela imposição das mãos, o Espírito Santo (Carta 73,9 e 21). O Catecismo usa a expressão de Cipriano: nos primeiros séculos, batismo e confirmação formavam um "sacramento duplo" (n. 1290).
Agostinho, por volta de 400. Respondendo a um bispo maniqueu, Agostinho escreve uma frase que vale para toda religião:
Em nenhum nome de religião, verdadeira ou falsa, os homens podem se reunir, se não estiverem ligados por alguma participação em sinais ou sacramentos visíveis. (Contra Fausto 19,11)
E explica que, com Cristo, os ritos da antiga Lei deram lugar a outros, "maiores em força, melhores no proveito, mais fáceis de fazer, menos numerosos" (19,13). Mas, por séculos, como registra a Catholic Encyclopedia, a palavra "sacramento" serviu para muitos sinais sagrados, e não só para os ritos que hoje contamos.
Os ritos estavam lá. Desde o Novo Testamento, a Igreja batizava, celebrava a Eucaristia, impunha as mãos para enviar ministros (At 6,6; 2Tm 1,6), ungia doentes (Tg 5,14) e perdoava pecados em nome de Cristo (Jo 20,23). Por volta de 110, Inácio de Antioquia pede que os cristãos se casem com o parecer do bispo, "para que o casamento seja segundo o Senhor" (Carta a Policarpo 5,2). O que faltava era a classificação, não as coisas classificadas.
A própria Apologia luterana reconhece isso, com outro objetivo: os padres antigos "não contaram do mesmo modo" (artigo 13, 2). A Igreja Católica concorda com o fato. A diferença é o que se conclui dele.
As frases de Tertuliano e de Agostinho estão em tradução nossa a partir do latim; a de Inácio, a partir do grego; Cipriano, a partir da versão inglesa indicada nas fontes.
O que a Igreja ensina
O que a Igreja ensina sobre os sacramentos?
O Catecismo trata dos sacramentos em geral nos números 1113 a 1134. O resumo cabe numa frase:
Os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, pelos quais nos é dispensada a vida divina.
Há na Igreja sete sacramentos: Baptismo, Confirmação ou Crisma, Eucaristia, Penitência, Unção dos enfermos, Ordem e Matrimónio […]
[…] a Igreja discerniu, no decorrer dos séculos, que, entre as suas celebrações litúrgicas, há sete que são, no sentido próprio da palavra, sacramentos instituídos pelo Senhor.
[…] «o sacramento não é realizado pela justiça do homem que o dá ou que o recebe, mas pelo poder de Deus».
Três observações para não exagerar nem diminuir o que a Igreja diz.
O que é dogma. O Concílio de Trento, em 1547, definiu que os sacramentos da Nova Lei foram todos instituídos por Cristo e que são sete, nem mais nem menos (sessão VII, cânon 1). O Catecismo retoma essa fé no número 1114.
O que não foi definido. Trento não definiu o modo como Cristo instituiu cada um: se deu o rito em todos os detalhes ou se deixou aos apóstolos determinar alguns deles. Antes do concílio, teólogos como Pedro Lombardo e Hugo de São Vítor achavam que alguns sacramentos tinham sido instituídos pelos apóstolos, com o poder recebido de Cristo, como registra a Catholic Encyclopedia. É questão de escola, não de fé.
O que não é mágica. A expressão latina ex opere operato quer dizer que o sacramento age pela obra de Cristo, e não pela santidade do padre. Mas o Catecismo acrescenta, no mesmo número 1128, que os frutos do sacramento dependem também das disposições de quem o recebe. Por isso eles se chamam "sacramentos da fé" (n. 1123): supõem a fé e a alimentam. Os trechos acima são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
Linha do tempo
Dos apóstolos a Trento, em datas
A lista se firmou no século XII, mas os ritos que ela reúne são todos dos primeiros séculos, e vários deles estão no próprio Novo Testamento.
- séc. IOs ritos no Novo TestamentoBatismo, Ceia, perdão dos pecados, imposição das mãos, unção dos doentes e casamento no Senhor aparecem nos Evangelhos, em Atos e nas cartas.
- c. 110Casar segundo o SenhorInácio de Antioquia pede que os cristãos se casem com o parecer do bispo (Carta a Policarpo 5,2).
- c. 200 a 206"O sacramento da nossa água"Tertuliano chama o batismo de sacramento e descreve a unção e a imposição da mão logo depois dele.
- c. 256O "sacramento duplo"Cipriano conta que os batizados recebiam do bispo, pela imposição das mãos, o Espírito Santo.
- c. 400Sinais visíveisAgostinho escreve que nenhuma religião se mantém sem sinais ou sacramentos visíveis (Contra Fausto 19,11).
- meados do séc. XIIA lista de setePedro Lombardo, nas Sentenças, define o sacramento como sinal que causa a graça e enumera os sete.
- 1274II Concílio de LiãoA profissão de fé do imperador bizantino Miguel Paleólogo enumera os sete sacramentos.
- 1439Concílio de FlorençaO decreto para os armênios, de 22 de novembro, resume a doutrina dos sete sacramentos.
- 1530Confissão de AugsburgoOs luteranos apresentam a sua confissão de fé; logo depois, a Apologia reconhece como verdadeiros sacramentos o batismo, a Ceia e a absolvição.
- 1547Concílio de Trento, sessão VIIEm 3 de março, o concílio define que os sacramentos são sete, instituídos por Cristo.
O que a história mostra
Quem fechou a conta em sete, e o que pensam os ortodoxos?
A palavra. Em latim, sacramentum era o juramento sagrado, como o dos soldados romanos. Os cristãos de língua latina passaram a usá-la para as coisas santas e escondidas que os gregos chamavam de mystḗria. Por muitos séculos, como registra a Catholic Encyclopedia, todo sinal de algo sagrado podia ser chamado de sacramento, e as listas variavam.
O século XII. Foi então que os teólogos começaram a distinguir os sacramentos em sentido largo dos sacramentos em sentido próprio. Pedro Lombardo, mestre em Paris, definiu nas Sentenças o sacramento como um sinal que não só significa, mas também causa a graça, e enumerou os sete (livro IV, distinções 1 e 2). Segundo a mesma enciclopédia, provavelmente foi ele o primeiro a fixar a lista com clareza; alguns autores dão a honra a Oto de Bamberg, bispo morto em 1139. O que pesa é o que veio depois: segundo a mesma enciclopédia, a definição e a lista foram aceitas logo, e nas negociações de união com os gregos não há registro de objeção ao número sete.
Os concílios. A lista aparece na profissão de fé do imperador Miguel Paleólogo, no II Concílio de Lião, em 1274, e no decreto para os armênios do Concílio de Florença, em 1439, que a apresenta "para a instrução mais fácil dos armênios". Em 1547, diante da Reforma, Trento a definiu solenemente.
Os ortodoxos. As Igrejas ortodoxas também contam sete "santos mistérios": batismo, crismação, Eucaristia, penitência, matrimônio, ordem e unção dos doentes. O texto de catequese The Orthodox Faith, publicado pela Igreja Ortodoxa na América, é franco: o costume de contar os sacramentos veio do contato com os católicos, não é antigo, e pode dar a impressão de que só esses sete ritos são sagrados, quando para a tradição oriental tudo na Igreja tem algo de mistério. A Igreja Católica, por sua vez, ensina que essas Igrejas, embora separadas, "têm verdadeiros sacramentos" (Unitatis Redintegratio, n. 15).
Os reformadores. Como se viu acima, a discussão da Reforma foi menos sobre o número e mais sobre quais ritos têm ordem de Cristo e promessa de graça. A Confissão de Augsburgo (1530) diz que os sacramentos são "sinais e testemunhos da vontade de Deus para conosco", instituídos para despertar e confirmar a fé (artigo 13).

Lado a lado
A objeção e os documentos, lado a lado
| O que se diz | O que os documentos mostram | Onde conferir |
|---|---|---|
| Jesus deixou só dois ritos. | Os Evangelhos trazem também o poder de perdoar os pecados; Atos e as cartas mostram a imposição das mãos, a unção dos doentes e o casamento no Senhor. | Jo 20,22-23; At 8,17; Tg 5,14-15; 2Tm 1,6 |
| A lista foi inventada no século XII. | A lista se firmou no século XII; os ritos que ela reúne são dos primeiros séculos. | Tertuliano, O batismo 1 e 7 a 8; Catecismo, n. 1117 |
| Trento criou os sete sacramentos. | Trento definiu em 1547 o que Lião (1274) e Florença (1439) já ensinavam. | Catecismo, n. 1113 e nota 25 |
| Só os católicos têm sete. | As Igrejas ortodoxas também contam sete mistérios, embora não deem ao número o mesmo peso. | Igreja Ortodoxa na América; Unitatis Redintegratio 15 |
| Todos os reformadores ficaram com dois. | A Apologia luterana chamava de sacramento também a absolvição, e aceitava o nome para a ordenação. | Apologia da Confissão de Augsburgo, artigo 13 |
Os frutos
Por que isso importa para a vida?
Os sete sacramentos acompanham a vida inteira. O Catecismo diz que eles tocam todas as etapas e momentos importantes da vida do cristão e dão à vida de fé nascimento e crescimento, cura e missão, com uma certa semelhança com as etapas da vida natural (n. 1210). Cristo não quis salvar só por ideias. Quis tocar o corpo, com água, óleo, pão, mãos e palavras ditas em voz alta, como fazia quando curava.
Com um amigo evangélico, há bastante terreno comum. Os dois creem que o batismo e a Ceia vêm de Cristo, e os dois leem os mesmos textos sobre a imposição das mãos, a unção dos doentes, o perdão e o casamento. A pergunta que fica é se Cristo ligou a esses gestos uma promessa de graça. Vale ler juntos João 20, Atos 8 e Tiago 5, com calma, e perguntar o que aqueles cristãos faziam e esperavam quando faziam isso.
Para guardar
A Bíblia não traz uma lista de sete sacramentos, mas traz os sete ritos: água, imposição das mãos, pão e vinho, perdão, óleo para os doentes, ordenação e casamento no Senhor. A Igreja reconheceu ao longo dos séculos quais deles são sacramentos em sentido próprio, como reconheceu os livros da Bíblia.
Teste
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5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Em que concílio a Igreja definiu solenemente que os sacramentos são sete, nem mais nem menos?
Na sessão VII, de 3 de março de 1547, Trento definiu que os sacramentos da Nova Lei são sete e foram instituídos por Cristo (cânon 1). Lião (1274) e Florença (1439) já tinham ensinado a mesma lista.
2. Que texto do Novo Testamento descreve os presbíteros ungindo um doente com óleo?
Tiago manda chamar os presbíteros da Igreja para rezarem sobre o doente, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. O Catecismo vê ali a unção dos enfermos (n. 1510 e 1511).
3. O que dizia a Apologia da Confissão de Augsburgo, dos luteranos?
No artigo 13, Melanchthon chama de verdadeiros sacramentos o batismo, a Ceia do Senhor e a absolvição, e aceita chamar assim a ordenação, se entendida como ministério da Palavra.
4. Com o que o Catecismo compara o discernimento dos sete sacramentos (n. 1117)?
O Catecismo diz que a Igreja foi precisando a "dispensação" dos sacramentos tal como fez com o cânon das Sagradas Escrituras e com a doutrina da fé.
5. O que quer dizer que os sacramentos agem ex opere operato?
O Catecismo explica que o sacramento não é realizado pela justiça de quem o dá ou recebe, mas pelo poder de Deus, e acrescenta que os frutos dependem também das disposições de quem o recebe (n. 1128).
Perguntas frequentes
Todo católico precisa receber os sete sacramentos?
Não. O Concílio de Trento ensina que os sacramentos são necessários para a salvação, mas que nem todos são necessários para cada pessoa (sessão VII, cânon 4). A Ordem é para os chamados ao ministério, o Matrimônio para quem se casa, e a unção é para quem começa a estar em perigo por doença ou velhice (Catecismo, n. 1514). Batismo, Confirmação e Eucaristia formam a iniciação de todo cristão (Catecismo, n. 1212).
Quais sacramentos só se recebem uma vez?
O batismo, a confirmação e a ordem. O Catecismo explica que eles imprimem um "carácter", um selo espiritual que não se apaga, e por isso nunca podem ser repetidos (n. 1121). O Concílio de Trento já tinha ensinado isso (sessão VII, cânon 9). Os outros quatro podem ser recebidos de novo: a Eucaristia e a confissão muitas vezes, a unção numa nova doença grave ou quando o mal se agrava (n. 1515), e o matrimônio depois da morte do cônjuge (1Cor 7,39).
Água benta, bênçãos e o sinal da cruz são sacramentos?
Não. São sacramentais: sinais sagrados instituídos pela própria Igreja, que imitam de algum modo os sacramentos e obtêm efeitos espirituais pela oração da Igreja (Catecismo, n. 1667). A diferença está na origem e no modo de agir: os sacramentos vêm de Cristo e agem pela obra dele; os sacramentais dependem da oração da Igreja e preparam para receber a graça. Veja a aula Por que fazer o sinal da cruz?.
Os ortodoxos celebram os sacramentos do mesmo jeito?
Os sete ritos são os mesmos, e a Igreja Católica reconhece neles verdadeiros sacramentos (Unitatis Redintegratio, n. 15), embora os ortodoxos não deem ao número o mesmo peso. Há também diferenças de costume. No Oriente, a criança recebe a crismação e a comunhão logo depois do batismo, pelas mãos do padre, como mostra a aula A crisma está na Bíblia?. E as Igrejas ortodoxas admitem, com um rito penitencial, um segundo casamento, o que a Igreja Católica não faz (veja O casamento é sacramento ou invenção da Igreja?).
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1113 a 1134 (e a nota 25, com Lião, Florença e Trento)
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1210 a 1212 e 1290
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1510, 1511, 1514 e 1515 (a unção dos enfermos)
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1667 (os sacramentais)
- VaticanoConcílio Vaticano II, decreto Unitatis Redintegratio, n. 15
- Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão VII (3 de março de 1547), cânones 1, 4, 8 e 9 (tradução inglesa)
- Papal Encyclicals OnlineConcílio de Florença, sessão 8 (22 de novembro de 1439), bula de união com os armênios (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaSacraments: o sentido largo da palavra, Pedro Lombardo, Oto de Bamberg, Lião, Florença e a instituição imediata ou mediata
- Tertullian ProjectTertuliano, O batismo, texto latino da edição de E. Evans (1964), capítulos 1, 7 e 8
- Tertullian ProjectCronologia das obras de Tertuliano: O batismo, depois de 198 e antes do período montanista
- New AdventCipriano de Cartago, Carta a Jubaiano (73 na numeração crítica; 72 na tradução inglesa), 9 e 21
- New AdventAgostinho, Contra Fausto, livro 19, 11 e 13 (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaSanto Agostinho: a refutação de Fausto, o bispo maniqueu, em 400
- CCELInácio de Antioquia, Carta a Policarpo, 5 (texto grego e tradução inglesa de K. Lake)
- Bible HubTiago 5,14, texto grego
- Bible HubJoão 20,23, texto grego
- Bible HubEfésios 5,32, texto grego
- Bible HubVulgata, Efésios 5 (sacramentum) e 1 Coríntios 4 (mysterium)
- Book of ConcordConfissão de Augsburgo (1530), artigo 13 (tradução inglesa)
- Book of ConcordApologia da Confissão de Augsburgo, artigo 13 (tradução inglesa)
- WikipediaApologia da Confissão de Augsburgo: escrita por Melanchthon durante e depois da Dieta de 1530
- CCELJoão Calvino, Institutas, livro IV, capítulo 19 (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaJoão Calvino: a edição latina final das Institutas, de 1559
- Catholic EncyclopediaSão Cipriano: as cartas a Jubaiano na controvérsia do batismo dos hereges, em 256
- Orthodox Presbyterian ChurchConfissão de Fé de Westminster, capítulo 27 (inglês)
- Southern Baptist ConventionBaptist Faith and Message (2000), artigo 7: o batismo como ordenança
- Igreja Ortodoxa na AméricaThe Orthodox Faith, volume II, The Sacraments: os sete mistérios e a origem da contagem
- WikipediaPedro Lombardo: vida e as Sentenças

