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Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: numa sala de pedra iluminada por lamparinas, Jesus ressuscitado, com as marcas dos cravos nas mãos, sopra suavemente na direção dos discípulos, que o olham de joelhos e de pé.

Por que confessar os pecados a um padre?

A Igreja concorda que só Deus perdoa. A questão é como Ele quis perdoar: Jesus deu aos seus enviados o poder de perdoar e de reter pecados, e para isso é preciso ouvi-los.

14 min de leitura

Imagem gerada por IA: Jesus ressuscitado sopra sobre os discípulos e lhes dá o poder de perdoar e de reter os pecados (Jo 20,19-23), em estilo de pintura renascentista

A resposta curta

Porque Jesus quis perdoar também por meio de homens enviados por Ele. Depois de ressuscitar, disse aos discípulos: "Àqueles a quem perdoardes os pecados, eles lhes estão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, estão retidos" (Jo 20,23). Só Deus perdoa, e o padre perdoa em nome de Cristo, não em nome próprio; para perdoar ou reter, precisa ouvir o pecado, e é obrigado a um segredo absoluto.

A objeção

O que se costuma dizer

Só Deus perdoa pecados. Até os escribas que discutiam com Jesus sabiam disso: "Quem pode perdoar pecados, a não ser um só, Deus?" (Mc 2,7). E há um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo (1Tm 2,5). A Bíblia diz que, se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar (1Jo 1,9): é a Ele que se confessa, direto, sem intermediário. Contar os pecados a um homem, que também é pecador, não faz sentido. A confissão ao padre foi inventada na Idade Média, no Concílio de Latrão, em 1215.

Parte dessa objeção é verdade, e a Igreja concorda com ela. Vale começar por aí.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa objeção?

Antes de tudo, o ponto de acordo: a Igreja Católica ensina que só Deus perdoa os pecados (Catecismo 1441). E o católico também pede perdão diretamente a Deus, como no Pai-Nosso; o Catecismo ensina que a contrição perfeita, nascida do amor a Deus, obtém o perdão até dos pecados graves, se incluir o propósito firme de se confessar logo que possível (n. 1452).

A objeção, na forma de hoje, vem da Reforma do século XVI, quando os reformadores negaram que Cristo exigisse a confissão de todos os pecados graves a um padre. Mas nem todos abandonaram a confissão: a Confissão de Augsburgo, dos luteranos, de 1530, manda manter a absolvição particular nas igrejas, embora sem exigir a enumeração de todos os pecados (artigo 11; o artigo 25 diz que entre eles a confissão não foi abolida).

Há ainda quem diga que tudo começou em 1215, e quem desconfie por causa de uma ferida real, os abusos cometidos por membros do clero. As duas questões aparecem mais abaixo, na história e no sigilo.

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

A pergunta não é se só Deus perdoa: nisso todos concordam. A pergunta é como Deus quis dar o seu perdão. Ele quis dá-lo também por meio de homens que Ele mesmo enviou? E, se quis, como esses homens saberiam o que perdoar e o que reter sem ouvir o pecado?

A resposta passa pelo que Jesus fez, pelo que Ele disse aos seus enviados e pelo que as primeiras Igrejas praticaram.

O que diz a Bíblia

O que a Bíblia diz sobre o poder de perdoar pecados?

Jesus perdoa como Deus. Quando Jesus diz a um paralítico "Filho, os teus pecados estão perdoados", alguns escribas pensam:

Por que este fala assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados, a não ser um só, Deus? (Mc 2,7)

Tinham razão num ponto: perdoar pecados é coisa de Deus. Jesus cura o homem "para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados" (Mc 2,10). Ao contar a mesma cena, Mateus registra a reação do povo com um plural que chama a atenção: as multidões "glorificaram a Deus, que deu tal poder aos homens" (Mt 9,8). Sozinho, o versículo não prova a confissão, mas mostra que o Evangelho não opõe os dois poderes.

Jesus passa esse poder aos seus enviados. Na tarde da Páscoa, com as portas fechadas, Jesus aparece aos discípulos:

Jesus lhes disse de novo: A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio. Dito isso, soprou e lhes disse: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, eles lhes estão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, estão retidos. (Jo 20,21-23)

Três detalhes. O envio é o mesmo que Jesus recebeu do Pai, e Ele tinha na terra o poder de perdoar. O verbo "soprou" só aparece aqui no Novo Testamento, e é o mesmo que a antiga tradução grega do Antigo Testamento usa em Gênesis 2,7, quando Deus sopra a vida no primeiro homem. E Jesus fala de duas coisas, perdoar e reter. A Igreja tira daí uma conclusão simples: para decidir entre perdoar e reter é preciso saber o que se perdoa, e isso supõe que o pecador o diga. O Concílio de Trento, em 1551, ensinou que essas palavras falam do poder de perdoar e de reter os pecados no sacramento da penitência, e não do poder de pregar o Evangelho, como alguns as liam (sessão XIV, cânon 3).

Um cuidado honesto: João diz que Jesus apareceu "aos discípulos" (Jo 20,19), e Tomé, "um dos Doze", não estava (Jo 20,24). A Igreja entende que esse poder foi dado aos apóstolos e passa aos seus sucessores, tema da aula A sucessão apostólica está na Bíblia?.

Ligar e desligar. Jesus promete a Pedro as chaves do Reino e o poder de ligar e desligar (Mt 16,19), e depois diz a todos os discípulos: "tudo o que ligardes na terra estará ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra estará desligado no céu" (Mt 18,18). O contexto é o pecado: logo antes, Jesus ensina o que fazer quando um irmão peca e não ouve a correção, "dize-o à Igreja" (Mt 18,15-17). O Catecismo explica que ligar e desligar quer dizer excluir da comunhão e receber de novo nela (n. 1445). As chaves são explicadas na aula Por que o papa é o líder da Igreja?.

O ministério da reconciliação. Paulo escreve:

Tudo vem de Deus, que nos reconciliou consigo por Cristo e nos deu o ministério da reconciliação. [...] Somos, pois, embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por meio de nós. (2Cor 5,18.20)

O Catecismo cita esse texto para dizer que o poder de absolver foi confiado ao ministério apostólico (n. 1442).

Confessar em voz alta. A Bíblia conhece a confissão dos pecados diante de outra pessoa. Na Lei de Moisés, o culpado confessava aquilo em que tinha pecado, levava um sacrifício, "e o sacerdote fará por ele a expiação do seu pecado" (Lv 5,5-6). Em Éfeso, muitos que tinham abraçado a fé "vinham confessar e declarar as suas práticas" (At 19,18). E Tiago escreve:

Confessai, pois, uns aos outros os pecados e orai uns pelos outros, para serdes curados. (Tg 5,16)

É honesto não fazer o versículo dizer mais do que diz: ele fala de confissão mútua entre os fiéis. Os versículos de antes falam dos presbíteros que ungem o doente, cujos pecados serão perdoados (Tg 5,14-15), e a Igreja vê ali a unção dos enfermos (Catecismo 1510).

E 1 João 1,9? "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados." O versículo não diz a quem se confessa: diz que Deus perdoa quem reconhece o pecado, contra os que diziam não ter pecado algum (1Jo 1,8). A Igreja concorda com cada palavra. O único Mediador de 1 Timóteo 2,5 também não está em jogo: o padre não salva ninguém, é ministro do único Mediador, como mostra a aula Por que rezar a Maria se Jesus é o único mediador?.

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego e, no Antigo Testamento, do hebraico. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Marcos 2, Mateus 9, João 20, Gênesis 2, Mateus 16, Mateus 18, 2 Coríntios 5, Levítico 5, Atos 19, Tiago 5, 1 João 1 e 1 Timóteo 2.

O que diziam os primeiros cristãos

O que faziam os primeiros cristãos?

Os textos antigos mostram duas coisas: a confissão dos pecados tinha lugar na vida da Igreja desde muito cedo, e a forma de fazê-la mudou bastante.

A Didaqué, fim do século I ou começo do II. Esse pequeno manual cristão, de data discutida, ensina:

Na assembleia confessarás as tuas faltas, e não irás à tua oração com má consciência. Este é o caminho da vida. (Didaqué 4,14)

E pede que, no dia do Senhor, os fiéis partam o pão "depois de terdes confessado as vossas faltas, para que o vosso sacrifício seja puro" (14,1). É uma confissão feita na comunidade, provavelmente em termos gerais; o texto não fala de um padre que ouve cada pecado.

Inácio de Antioquia, por volta de 110. "A todos os que se arrependem o Senhor perdoa, se o arrependimento os leva à unidade de Deus e ao conselho do bispo" (Carta aos Filadelfienses 8,1). O perdão passa pela volta à comunhão da Igreja.

Tertuliano, entre 200 e 206. Descreve a exomologese, palavra grega para confissão: o penitente se veste de saco e cinza, jejua, chora, prostra-se diante dos presbíteros e pede aos irmãos que rezem por ele (A penitência 9,4). E responde a quem fugia disso por vergonha:

Será melhor ficar escondido e condenado do que ser absolvido às claras? (A penitência 10,8)

A Tradição Apostólica, começo do século III. Na oração para ordenar um bispo, que o Catecismo atribui a Hipólito de Roma (autoria e data são discutidas pelos estudiosos), pede-se que o novo bispo tenha "o poder de perdoar os pecados segundo o vosso mandamento" (Catecismo 1586).

Cipriano de Cartago, em 251. Depois da perseguição de Décio, Cipriano elogia os cristãos que, sem terem negado a fé, só por terem pensado nisso, o confessam aos sacerdotes de Deus, com dor e simplicidade, e buscam remédio até para feridas pequenas (Os que caíram 28). E pede:

Confesse cada um, eu vos peço, irmãos caríssimos, o seu pecado, enquanto quem pecou ainda está neste mundo, enquanto a sua confissão pode ser recebida, enquanto a satisfação e o perdão dados pelos sacerdotes são agradáveis ao Senhor. (Os que caíram 29)

Um pecado só de pensamento não era público; já em 251 havia quem o confessasse aos sacerdotes.

Ambrósio e Crisóstomo, fim do século IV. Contra os novacianos, que negavam à Igreja o poder de reconciliar quem tinha caído em pecados graves e diziam reservá-lo só a Deus, Ambrósio responde que ninguém ofende mais a Deus do que quem rejeita o encargo que Ele confiou (A penitência I,2,6). Por volta de 386, João Crisóstomo escreve: "Os sacerdotes receberam um poder que Deus não deu nem aos anjos nem aos arcanjos", e cita Mateus 18,18 e João 20,23 (O sacerdócio III,5, citado no Catecismo, n. 983).

As frases da Didaqué e de Inácio estão em tradução nossa a partir do grego; as de Tertuliano e de Cipriano, a partir do latim. A de Ambrósio foi resumida a partir da versão inglesa; a de Crisóstomo segue o texto do Catecismo (n. 983), e a da Tradição Apostólica também (n. 1586).

Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: numa sala iluminada por lamparinas, um homem vestido de saco, com cinza na cabeça, ajoelha-se diante de presbíteros idosos, enquanto a comunidade reza por ele de mãos erguidas.
Imagem gerada por IA: A penitência pública na Igreja antiga, como Tertuliano a descreve entre 200 e 206 (A penitência 9), em estilo de pintura barroca

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina sobre o perdão e o padre?

O Catecismo começa exatamente onde começa a objeção, e não esconde nenhuma das duas metades da resposta:

Só Deus perdoa os pecados […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1441

[…] em virtude da sua autoridade divina, concede este poder aos homens para que o exerçam em seu nome.

Catecismo da Igreja Católica, n. 1441

[…] confiou o exercício do poder de absolvição ao ministério apostólico.

Catecismo da Igreja Católica, n. 1442

A reconciliação com a Igreja é inseparável da reconciliação com Deus.

Catecismo da Igreja Católica, n. 1445

[…] os bispos e os presbíteros é que têm, em virtude do sacramento da Ordem, o poder de perdoar todos os pecados […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1461

O confessor não é dono, mas servidor do perdão de Deus.

Catecismo da Igreja Católica, n. 1466

E o pecado do padre não anula o perdão: nos sacramentos, "nem mesmo o pecado do ministro pode impedir o fruto da graça" (n. 1550).

Vale distinguir o que é dogma e o que é disciplina. O Concílio de Trento definiu, em 1551, que a penitência é um sacramento instituído por Cristo, que as palavras de João 20,22-23 se referem a ele e que, por direito divino, é preciso confessar todos os pecados mortais (graves) de que se tem lembrança (sessão XIV, cânones 1, 3 e 7). Já a obrigação de confessar os pecados graves ao menos uma vez por ano é um mandamento da Igreja (Catecismo 1457), e a confissão dos pecados leves é recomendada, sem ser estritamente necessária (n. 1458). Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

O que a história mostra

A confissão era pública ou secreta? E o que mudou em 1215?

O que era público. Nos primeiros séculos, quem cometia um pecado muito grave depois do batismo, como a idolatria, o homicídio ou o adultério, fazia penitência pública, muitas vezes durante anos, antes de ser reconciliado. O Catecismo lembra que a essa "ordem dos penitentes" só raramente se era admitido e, em certas regiões, só uma vez na vida (n. 1447).

O que nem sempre era público. Os historiadores discutem até que ponto a própria confissão era feita diante de todos. Cipriano, como vimos, fala de pecados de pensamento confessados aos sacerdotes. E o papa Leão Magno (440 a 461) proibiu, como contrária à regra apostólica, a leitura em público de listas escritas de pecados, porque basta manifestar a culpa da consciência só aos sacerdotes, em confissão secreta (Carta 168, segundo a Enciclopédia Católica).

A passagem para a confissão privada. No século VII, conta o Catecismo, missionários irlandeses levaram à Europa continental a penitência privada, celebrada entre o penitente e o sacerdote, que podia ser repetida. "Nas suas grandes linhas, é esta forma de penitência que a Igreja tem praticado até aos nossos dias" (n. 1447).

E 1215? O IV Concílio de Latrão não inventou a confissão. O seu cânon 21 supõe que ela existe, manda que todo fiel, chegado à idade da discrição, se confesse ao menos uma vez por ano, e decreta que o padre que revelar um pecado ouvido em confissão seja deposto e fechado num mosteiro pelo resto da vida. Em 1551, o Concílio de Trento lembrou que Latrão não mandou os fiéis se confessarem, coisa que a Igreja sabia ser de direito divino, mas fixou a frequência mínima (sessão XIV, cap. 5).

O que a Igreja ensina

O padre pode contar o que ouviu na confissão?

Não, nunca. É uma das regras mais firmes da Igreja:

[…] todo o sacerdote que ouve confissões está obrigado a guardar segredo absoluto sobre os pecados que os seus penitentes lhe confessaram […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1467

Este segredo, que não admite excepções, é chamado «sigilo sacramental» […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1467

O sigilo sacramental é inviolável; pelo que o confessor não pode denunciar o penitente nem por palavras nem por qualquer outro modo nem por causa alguma.

Código de Direito Canônico, cân. 983, § 1

O padre também não pode usar o que ouviu contra o penitente, mesmo sem revelar nada (cân. 984). O confessor que viola diretamente o sigilo é excomungado pelo próprio ato, e só a Santa Sé pode levantar a pena; o intérprete e os outros que souberem do que foi confessado e violarem o segredo recebem pena justa (cân. 1386, § 1 e § 2, na numeração do Código reformada em 2021; no texto em português do site do Vaticano, anterior à reforma, é o cânon 1388).

Em 2019, uma nota da Penitenciaria Apostólica, aprovada pelo papa Francisco, lembrou que esse segredo vem do direito divino e não admite exceção, nem na Igreja nem diante do Estado. A mesma nota lembra que o perdão exige arrependimento sincero e pede que, quando quem se confessa é vítima de um crime, o padre a oriente sobre como denunciá-lo à justiça.

A Igreja também pune quem abusa da confissão: o padre que, na confissão ou a pretexto dela, solicita o penitente a pecar contra o sexto mandamento deve ser punido e, nos casos mais graves, expulso do estado clerical (cân. 1385, na numeração de 2021); e a absolvição do cúmplice nesse pecado é inválida, fora do perigo de morte, e o padre que a dá é excomungado (cân. 977 e 1384).

No Brasil, o acordo com a Santa Sé, promulgado em 2010, garante "o segredo do ofício sacerdotal, especialmente o da confissão sacramental" (art. 13).

Lado a lado

A objeção e as fontes, lado a lado

O que se dizO que a Bíblia e a história mostramOnde conferir
Só Deus perdoa pecados.A Igreja concorda; e Deus quis dar esse perdão também pelo ministério que Jesus confiou aos seus enviados.Mc 2,7; Jo 20,21-23; Catecismo 1441
Jesus só mandou anunciar o perdão.Ele falou de perdoar e de reter, o que supõe discernir cada caso.Jo 20,23; Trento, sessão XIV, cânon 3
A confissão foi inventada em 1215.Em 251 Cipriano já fala de pecados confessados aos sacerdotes; Latrão fixou a frequência mínima.Cipriano, Os que caíram 28-29; Latrão IV, cânon 21
Um padre pecador não pode perdoar.Quem perdoa é Deus; o pecado do ministro não impede o fruto do sacramento.Catecismo 1466 e 1550

Os frutos

O que a confissão faz por quem se confessa?

O Catecismo observa que, mesmo de um ponto de vista só humano, dizer os próprios pecados liberta e facilita a reconciliação com os outros (n. 1455). E há uma diferença entre saber, em tese, que Deus perdoa e ouvir, de alguém enviado em nome de Cristo: "Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo" (n. 1449).

Com um irmão evangélico há muito em comum: os dois creem que só Deus perdoa e que Cristo é o único Mediador. A diferença está numa pergunta que vale ler juntos, com calma, em João 20: o que Jesus quis dar aos seus enviados quando soprou e lhes falou de perdoar e de reter?

Para guardar

Só Deus perdoa, e foi Ele quem quis perdoar também pelo ministério que confiou aos apóstolos: "Àqueles a quem perdoardes os pecados, eles lhes estão perdoados" (Jo 20,23). O padre não perdoa em nome próprio, e o que ouve fica selado para sempre.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Em que passagem Jesus diz aos discípulos que os pecados que eles perdoarem estarão perdoados?

  2. 2. O que diz o Catecismo no número 1441?

  3. 3. Em 251, Cipriano de Cartago elogia cristãos que confessavam aos sacerdotes:

  4. 4. O que o IV Concílio de Latrão, em 1215, decidiu sobre a confissão?

  5. 5. O que diz o cânon 983 do Código de Direito Canônico?

Perguntas frequentes

Posso me confessar direto com Deus?

Pode e deve pedir perdão a Deus na oração, como no Pai-Nosso. A Igreja ensina que a contrição perfeita, nascida do amor a Deus, perdoa os pecados leves e obtém também o perdão dos graves, se incluir o propósito firme de se confessar logo que possível (Catecismo 1452). Para quem tem consciência de pecado grave, a confissão individual com a absolvição é o único modo ordinário de reconciliação (n. 1484).

O padre pode contar a alguém o que ouviu na confissão?

Não. O sigilo sacramental é inviolável: o confessor não pode revelar o penitente de nenhum modo nem por causa alguma (Código de Direito Canônico, cân. 983), e o confessor que o viola diretamente é excomungado (cân. 1386). Também não pode usar o que ouviu contra o penitente (cân. 984).

O padre pode negar a absolvição?

O Código de Direito Canônico diz que, se o confessor não duvidar da disposição do penitente e este pedir a absolvição, não deve negá-la nem adiá-la (cân. 980). A disposição pedida é o arrependimento: a dor do pecado cometido, com o propósito de não pecar mais (Catecismo 1451).

Em perigo de morte, qualquer padre pode absolver?

Sim. Em perigo de morte, qualquer sacerdote, mesmo sem a faculdade de ouvir confissões, pode absolver de qualquer pecado e de toda excomunhão (Catecismo 1463; Código de Direito Canônico, cân. 976). Fora desse caso, além da ordenação, o padre precisa da faculdade de confessar, dada pelo próprio direito ou pela autoridade competente (cân. 966).

A criança se confessa antes da primeira comunhão?

Sim. O Catecismo diz que as crianças devem receber o sacramento da Penitência antes de comungar pela primeira vez (n. 1457), e o Código pede que os pais e o pároco as preparem para a primeira comunhão, "feita previamente a confissão sacramental" (cân. 914).

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1441 a 1467, 1484 e 1510
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 983 (com a frase de Crisóstomo, O sacerdócio III,5)
  3. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1550 e 1586
  4. VaticanoCódigo de Direito Canônico, versão portuguesa, cân. 914, 966, 976, 977, 980, 983, 984, 1378, 1387 e 1388
  5. VaticanoCódigo de Direito Canônico, livro VI reformado em 2021, cân. 1384, 1385 e 1386 (inglês)
  6. VaticanoFrancisco, constituição apostólica Pascite Gregem Dei (2021), que reforma o livro VI do Código
  7. Sala de Imprensa da Santa SéNota da Penitenciaria Apostólica sobre o foro interno e o sigilo sacramental (2019, em italiano)
  8. Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão XIV (1551), capítulos e cânones sobre a penitência (inglês)
  9. Fordham UniversityIV Concílio de Latrão (1215), cânon 21 (inglês)
  10. Book of ConcordConfissão de Augsburgo (1530), artigos 11 e 25 (inglês)
  11. Bible HubJoão 20, texto grego e interlinear
  12. Blue Letter BibleGênesis 2,7 na Septuaginta
  13. CCELDidaqué, 4 e 14 (texto grego e tradução inglesa de K. Lake)
  14. CCELInácio de Antioquia, Carta aos Filadelfienses 8,1 (texto grego e tradução inglesa de K. Lake)
  15. The Latin LibraryTertuliano, De paenitentia, 9 e 10 (texto latino)
  16. Bibliothek der Kirchenväter (Universidade de Friburgo)Cipriano, De lapsis, 28 (texto latino da Patrologia Latina e tradução inglesa)
  17. Bibliothek der Kirchenväter (Universidade de Friburgo)Cipriano, De lapsis, 29 (texto latino da Patrologia Latina e tradução inglesa)
  18. New AdventAmbrósio de Milão, A penitência, livro I (tradução inglesa)
  19. New AdventJoão Crisóstomo, O sacerdócio, livro III (tradução inglesa)
  20. Catholic EncyclopediaSacrament of Penance: a carta 168 de Leão Magno e a história da confissão
  21. Presidência da RepúblicaDecreto 7.107/2010, que promulga o acordo Brasil e Santa Sé (art. 13)
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