A resposta curta
Porque Jesus quis perdoar também por meio de homens enviados por Ele. Depois de ressuscitar, disse aos discípulos: "Àqueles a quem perdoardes os pecados, eles lhes estão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, estão retidos" (Jo 20,23). Só Deus perdoa, e o padre perdoa em nome de Cristo, não em nome próprio; para perdoar ou reter, precisa ouvir o pecado, e é obrigado a um segredo absoluto.
A objeção
O que se costuma dizer
Só Deus perdoa pecados. Até os escribas que discutiam com Jesus sabiam disso: "Quem pode perdoar pecados, a não ser um só, Deus?" (Mc 2,7). E há um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo (1Tm 2,5). A Bíblia diz que, se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar (1Jo 1,9): é a Ele que se confessa, direto, sem intermediário. Contar os pecados a um homem, que também é pecador, não faz sentido. A confissão ao padre foi inventada na Idade Média, no Concílio de Latrão, em 1215.
Parte dessa objeção é verdade, e a Igreja concorda com ela. Vale começar por aí.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa objeção?
Antes de tudo, o ponto de acordo: a Igreja Católica ensina que só Deus perdoa os pecados (Catecismo 1441). E o católico também pede perdão diretamente a Deus, como no Pai-Nosso; o Catecismo ensina que a contrição perfeita, nascida do amor a Deus, obtém o perdão até dos pecados graves, se incluir o propósito firme de se confessar logo que possível (n. 1452).
A objeção, na forma de hoje, vem da Reforma do século XVI, quando os reformadores negaram que Cristo exigisse a confissão de todos os pecados graves a um padre. Mas nem todos abandonaram a confissão: a Confissão de Augsburgo, dos luteranos, de 1530, manda manter a absolvição particular nas igrejas, embora sem exigir a enumeração de todos os pecados (artigo 11; o artigo 25 diz que entre eles a confissão não foi abolida).
Há ainda quem diga que tudo começou em 1215, e quem desconfie por causa de uma ferida real, os abusos cometidos por membros do clero. As duas questões aparecem mais abaixo, na história e no sigilo.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
A pergunta não é se só Deus perdoa: nisso todos concordam. A pergunta é como Deus quis dar o seu perdão. Ele quis dá-lo também por meio de homens que Ele mesmo enviou? E, se quis, como esses homens saberiam o que perdoar e o que reter sem ouvir o pecado?
A resposta passa pelo que Jesus fez, pelo que Ele disse aos seus enviados e pelo que as primeiras Igrejas praticaram.
O que diz a Bíblia
O que a Bíblia diz sobre o poder de perdoar pecados?
Jesus perdoa como Deus. Quando Jesus diz a um paralítico "Filho, os teus pecados estão perdoados", alguns escribas pensam:
Por que este fala assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados, a não ser um só, Deus? (Mc 2,7)
Tinham razão num ponto: perdoar pecados é coisa de Deus. Jesus cura o homem "para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados" (Mc 2,10). Ao contar a mesma cena, Mateus registra a reação do povo com um plural que chama a atenção: as multidões "glorificaram a Deus, que deu tal poder aos homens" (Mt 9,8). Sozinho, o versículo não prova a confissão, mas mostra que o Evangelho não opõe os dois poderes.
Jesus passa esse poder aos seus enviados. Na tarde da Páscoa, com as portas fechadas, Jesus aparece aos discípulos:
Jesus lhes disse de novo: A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio. Dito isso, soprou e lhes disse: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, eles lhes estão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, estão retidos. (Jo 20,21-23)
Três detalhes. O envio é o mesmo que Jesus recebeu do Pai, e Ele tinha na terra o poder de perdoar. O verbo "soprou" só aparece aqui no Novo Testamento, e é o mesmo que a antiga tradução grega do Antigo Testamento usa em Gênesis 2,7, quando Deus sopra a vida no primeiro homem. E Jesus fala de duas coisas, perdoar e reter. A Igreja tira daí uma conclusão simples: para decidir entre perdoar e reter é preciso saber o que se perdoa, e isso supõe que o pecador o diga. O Concílio de Trento, em 1551, ensinou que essas palavras falam do poder de perdoar e de reter os pecados no sacramento da penitência, e não do poder de pregar o Evangelho, como alguns as liam (sessão XIV, cânon 3).
Um cuidado honesto: João diz que Jesus apareceu "aos discípulos" (Jo 20,19), e Tomé, "um dos Doze", não estava (Jo 20,24). A Igreja entende que esse poder foi dado aos apóstolos e passa aos seus sucessores, tema da aula A sucessão apostólica está na Bíblia?.
Ligar e desligar. Jesus promete a Pedro as chaves do Reino e o poder de ligar e desligar (Mt 16,19), e depois diz a todos os discípulos: "tudo o que ligardes na terra estará ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra estará desligado no céu" (Mt 18,18). O contexto é o pecado: logo antes, Jesus ensina o que fazer quando um irmão peca e não ouve a correção, "dize-o à Igreja" (Mt 18,15-17). O Catecismo explica que ligar e desligar quer dizer excluir da comunhão e receber de novo nela (n. 1445). As chaves são explicadas na aula Por que o papa é o líder da Igreja?.
O ministério da reconciliação. Paulo escreve:
Tudo vem de Deus, que nos reconciliou consigo por Cristo e nos deu o ministério da reconciliação. [...] Somos, pois, embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por meio de nós. (2Cor 5,18.20)
O Catecismo cita esse texto para dizer que o poder de absolver foi confiado ao ministério apostólico (n. 1442).
Confessar em voz alta. A Bíblia conhece a confissão dos pecados diante de outra pessoa. Na Lei de Moisés, o culpado confessava aquilo em que tinha pecado, levava um sacrifício, "e o sacerdote fará por ele a expiação do seu pecado" (Lv 5,5-6). Em Éfeso, muitos que tinham abraçado a fé "vinham confessar e declarar as suas práticas" (At 19,18). E Tiago escreve:
Confessai, pois, uns aos outros os pecados e orai uns pelos outros, para serdes curados. (Tg 5,16)
É honesto não fazer o versículo dizer mais do que diz: ele fala de confissão mútua entre os fiéis. Os versículos de antes falam dos presbíteros que ungem o doente, cujos pecados serão perdoados (Tg 5,14-15), e a Igreja vê ali a unção dos enfermos (Catecismo 1510).
E 1 João 1,9? "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados." O versículo não diz a quem se confessa: diz que Deus perdoa quem reconhece o pecado, contra os que diziam não ter pecado algum (1Jo 1,8). A Igreja concorda com cada palavra. O único Mediador de 1 Timóteo 2,5 também não está em jogo: o padre não salva ninguém, é ministro do único Mediador, como mostra a aula Por que rezar a Maria se Jesus é o único mediador?.
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego e, no Antigo Testamento, do hebraico. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Marcos 2, Mateus 9, João 20, Gênesis 2, Mateus 16, Mateus 18, 2 Coríntios 5, Levítico 5, Atos 19, Tiago 5, 1 João 1 e 1 Timóteo 2.
O que diziam os primeiros cristãos
O que faziam os primeiros cristãos?
Os textos antigos mostram duas coisas: a confissão dos pecados tinha lugar na vida da Igreja desde muito cedo, e a forma de fazê-la mudou bastante.
A Didaqué, fim do século I ou começo do II. Esse pequeno manual cristão, de data discutida, ensina:
Na assembleia confessarás as tuas faltas, e não irás à tua oração com má consciência. Este é o caminho da vida. (Didaqué 4,14)
E pede que, no dia do Senhor, os fiéis partam o pão "depois de terdes confessado as vossas faltas, para que o vosso sacrifício seja puro" (14,1). É uma confissão feita na comunidade, provavelmente em termos gerais; o texto não fala de um padre que ouve cada pecado.
Inácio de Antioquia, por volta de 110. "A todos os que se arrependem o Senhor perdoa, se o arrependimento os leva à unidade de Deus e ao conselho do bispo" (Carta aos Filadelfienses 8,1). O perdão passa pela volta à comunhão da Igreja.
Tertuliano, entre 200 e 206. Descreve a exomologese, palavra grega para confissão: o penitente se veste de saco e cinza, jejua, chora, prostra-se diante dos presbíteros e pede aos irmãos que rezem por ele (A penitência 9,4). E responde a quem fugia disso por vergonha:
Será melhor ficar escondido e condenado do que ser absolvido às claras? (A penitência 10,8)
A Tradição Apostólica, começo do século III. Na oração para ordenar um bispo, que o Catecismo atribui a Hipólito de Roma (autoria e data são discutidas pelos estudiosos), pede-se que o novo bispo tenha "o poder de perdoar os pecados segundo o vosso mandamento" (Catecismo 1586).
Cipriano de Cartago, em 251. Depois da perseguição de Décio, Cipriano elogia os cristãos que, sem terem negado a fé, só por terem pensado nisso, o confessam aos sacerdotes de Deus, com dor e simplicidade, e buscam remédio até para feridas pequenas (Os que caíram 28). E pede:
Confesse cada um, eu vos peço, irmãos caríssimos, o seu pecado, enquanto quem pecou ainda está neste mundo, enquanto a sua confissão pode ser recebida, enquanto a satisfação e o perdão dados pelos sacerdotes são agradáveis ao Senhor. (Os que caíram 29)
Um pecado só de pensamento não era público; já em 251 havia quem o confessasse aos sacerdotes.
Ambrósio e Crisóstomo, fim do século IV. Contra os novacianos, que negavam à Igreja o poder de reconciliar quem tinha caído em pecados graves e diziam reservá-lo só a Deus, Ambrósio responde que ninguém ofende mais a Deus do que quem rejeita o encargo que Ele confiou (A penitência I,2,6). Por volta de 386, João Crisóstomo escreve: "Os sacerdotes receberam um poder que Deus não deu nem aos anjos nem aos arcanjos", e cita Mateus 18,18 e João 20,23 (O sacerdócio III,5, citado no Catecismo, n. 983).
As frases da Didaqué e de Inácio estão em tradução nossa a partir do grego; as de Tertuliano e de Cipriano, a partir do latim. A de Ambrósio foi resumida a partir da versão inglesa; a de Crisóstomo segue o texto do Catecismo (n. 983), e a da Tradição Apostólica também (n. 1586).

O que a Igreja ensina
O que a Igreja ensina sobre o perdão e o padre?
O Catecismo começa exatamente onde começa a objeção, e não esconde nenhuma das duas metades da resposta:
Só Deus perdoa os pecados […]
[…] em virtude da sua autoridade divina, concede este poder aos homens para que o exerçam em seu nome.
[…] confiou o exercício do poder de absolvição ao ministério apostólico.
A reconciliação com a Igreja é inseparável da reconciliação com Deus.
[…] os bispos e os presbíteros é que têm, em virtude do sacramento da Ordem, o poder de perdoar todos os pecados […]
O confessor não é dono, mas servidor do perdão de Deus.
E o pecado do padre não anula o perdão: nos sacramentos, "nem mesmo o pecado do ministro pode impedir o fruto da graça" (n. 1550).
Vale distinguir o que é dogma e o que é disciplina. O Concílio de Trento definiu, em 1551, que a penitência é um sacramento instituído por Cristo, que as palavras de João 20,22-23 se referem a ele e que, por direito divino, é preciso confessar todos os pecados mortais (graves) de que se tem lembrança (sessão XIV, cânones 1, 3 e 7). Já a obrigação de confessar os pecados graves ao menos uma vez por ano é um mandamento da Igreja (Catecismo 1457), e a confissão dos pecados leves é recomendada, sem ser estritamente necessária (n. 1458). Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
O que a história mostra
A confissão era pública ou secreta? E o que mudou em 1215?
O que era público. Nos primeiros séculos, quem cometia um pecado muito grave depois do batismo, como a idolatria, o homicídio ou o adultério, fazia penitência pública, muitas vezes durante anos, antes de ser reconciliado. O Catecismo lembra que a essa "ordem dos penitentes" só raramente se era admitido e, em certas regiões, só uma vez na vida (n. 1447).
O que nem sempre era público. Os historiadores discutem até que ponto a própria confissão era feita diante de todos. Cipriano, como vimos, fala de pecados de pensamento confessados aos sacerdotes. E o papa Leão Magno (440 a 461) proibiu, como contrária à regra apostólica, a leitura em público de listas escritas de pecados, porque basta manifestar a culpa da consciência só aos sacerdotes, em confissão secreta (Carta 168, segundo a Enciclopédia Católica).
A passagem para a confissão privada. No século VII, conta o Catecismo, missionários irlandeses levaram à Europa continental a penitência privada, celebrada entre o penitente e o sacerdote, que podia ser repetida. "Nas suas grandes linhas, é esta forma de penitência que a Igreja tem praticado até aos nossos dias" (n. 1447).
E 1215? O IV Concílio de Latrão não inventou a confissão. O seu cânon 21 supõe que ela existe, manda que todo fiel, chegado à idade da discrição, se confesse ao menos uma vez por ano, e decreta que o padre que revelar um pecado ouvido em confissão seja deposto e fechado num mosteiro pelo resto da vida. Em 1551, o Concílio de Trento lembrou que Latrão não mandou os fiéis se confessarem, coisa que a Igreja sabia ser de direito divino, mas fixou a frequência mínima (sessão XIV, cap. 5).
O que a Igreja ensina
O padre pode contar o que ouviu na confissão?
Não, nunca. É uma das regras mais firmes da Igreja:
[…] todo o sacerdote que ouve confissões está obrigado a guardar segredo absoluto sobre os pecados que os seus penitentes lhe confessaram […]
Este segredo, que não admite excepções, é chamado «sigilo sacramental» […]
O sigilo sacramental é inviolável; pelo que o confessor não pode denunciar o penitente nem por palavras nem por qualquer outro modo nem por causa alguma.
O padre também não pode usar o que ouviu contra o penitente, mesmo sem revelar nada (cân. 984). O confessor que viola diretamente o sigilo é excomungado pelo próprio ato, e só a Santa Sé pode levantar a pena; o intérprete e os outros que souberem do que foi confessado e violarem o segredo recebem pena justa (cân. 1386, § 1 e § 2, na numeração do Código reformada em 2021; no texto em português do site do Vaticano, anterior à reforma, é o cânon 1388).
Em 2019, uma nota da Penitenciaria Apostólica, aprovada pelo papa Francisco, lembrou que esse segredo vem do direito divino e não admite exceção, nem na Igreja nem diante do Estado. A mesma nota lembra que o perdão exige arrependimento sincero e pede que, quando quem se confessa é vítima de um crime, o padre a oriente sobre como denunciá-lo à justiça.
A Igreja também pune quem abusa da confissão: o padre que, na confissão ou a pretexto dela, solicita o penitente a pecar contra o sexto mandamento deve ser punido e, nos casos mais graves, expulso do estado clerical (cân. 1385, na numeração de 2021); e a absolvição do cúmplice nesse pecado é inválida, fora do perigo de morte, e o padre que a dá é excomungado (cân. 977 e 1384).
No Brasil, o acordo com a Santa Sé, promulgado em 2010, garante "o segredo do ofício sacerdotal, especialmente o da confissão sacramental" (art. 13).
Lado a lado
A objeção e as fontes, lado a lado
| O que se diz | O que a Bíblia e a história mostram | Onde conferir |
|---|---|---|
| Só Deus perdoa pecados. | A Igreja concorda; e Deus quis dar esse perdão também pelo ministério que Jesus confiou aos seus enviados. | Mc 2,7; Jo 20,21-23; Catecismo 1441 |
| Jesus só mandou anunciar o perdão. | Ele falou de perdoar e de reter, o que supõe discernir cada caso. | Jo 20,23; Trento, sessão XIV, cânon 3 |
| A confissão foi inventada em 1215. | Em 251 Cipriano já fala de pecados confessados aos sacerdotes; Latrão fixou a frequência mínima. | Cipriano, Os que caíram 28-29; Latrão IV, cânon 21 |
| Um padre pecador não pode perdoar. | Quem perdoa é Deus; o pecado do ministro não impede o fruto do sacramento. | Catecismo 1466 e 1550 |
Os frutos
O que a confissão faz por quem se confessa?
O Catecismo observa que, mesmo de um ponto de vista só humano, dizer os próprios pecados liberta e facilita a reconciliação com os outros (n. 1455). E há uma diferença entre saber, em tese, que Deus perdoa e ouvir, de alguém enviado em nome de Cristo: "Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo" (n. 1449).
Com um irmão evangélico há muito em comum: os dois creem que só Deus perdoa e que Cristo é o único Mediador. A diferença está numa pergunta que vale ler juntos, com calma, em João 20: o que Jesus quis dar aos seus enviados quando soprou e lhes falou de perdoar e de reter?
Para guardar
Só Deus perdoa, e foi Ele quem quis perdoar também pelo ministério que confiou aos apóstolos: "Àqueles a quem perdoardes os pecados, eles lhes estão perdoados" (Jo 20,23). O padre não perdoa em nome próprio, e o que ouve fica selado para sempre.
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Teste o que você aprendeu
5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Em que passagem Jesus diz aos discípulos que os pecados que eles perdoarem estarão perdoados?
Na tarde da Páscoa, Jesus soprou sobre os discípulos e disse: "Àqueles a quem perdoardes os pecados, eles lhes estão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, estão retidos" (Jo 20,22-23).
2. O que diz o Catecismo no número 1441?
O número 1441 começa com "Só Deus perdoa os pecados" e termina dizendo que Cristo, em virtude da sua autoridade divina, concede esse poder aos homens para que o exerçam em seu nome.
3. Em 251, Cipriano de Cartago elogia cristãos que confessavam aos sacerdotes:
Em Os que caíram (28), Cipriano fala dos que, só por terem pensado em negar a fé, confessavam isso aos sacerdotes de Deus, com dor e simplicidade.
4. O que o IV Concílio de Latrão, em 1215, decidiu sobre a confissão?
O cânon 21 de Latrão supõe a confissão, fixa a frequência mínima anual e manda depor o padre que revelar um pecado ouvido em confissão. Trento lembrou que Latrão não inventou a confissão.
5. O que diz o cânon 983 do Código de Direito Canônico?
O cânon 983, § 1, diz que o sigilo sacramental é inviolável e que o confessor não pode denunciar o penitente de nenhum modo nem por causa alguma.
Perguntas frequentes
Posso me confessar direto com Deus?
Pode e deve pedir perdão a Deus na oração, como no Pai-Nosso. A Igreja ensina que a contrição perfeita, nascida do amor a Deus, perdoa os pecados leves e obtém também o perdão dos graves, se incluir o propósito firme de se confessar logo que possível (Catecismo 1452). Para quem tem consciência de pecado grave, a confissão individual com a absolvição é o único modo ordinário de reconciliação (n. 1484).
O padre pode contar a alguém o que ouviu na confissão?
Não. O sigilo sacramental é inviolável: o confessor não pode revelar o penitente de nenhum modo nem por causa alguma (Código de Direito Canônico, cân. 983), e o confessor que o viola diretamente é excomungado (cân. 1386). Também não pode usar o que ouviu contra o penitente (cân. 984).
O padre pode negar a absolvição?
O Código de Direito Canônico diz que, se o confessor não duvidar da disposição do penitente e este pedir a absolvição, não deve negá-la nem adiá-la (cân. 980). A disposição pedida é o arrependimento: a dor do pecado cometido, com o propósito de não pecar mais (Catecismo 1451).
Em perigo de morte, qualquer padre pode absolver?
Sim. Em perigo de morte, qualquer sacerdote, mesmo sem a faculdade de ouvir confissões, pode absolver de qualquer pecado e de toda excomunhão (Catecismo 1463; Código de Direito Canônico, cân. 976). Fora desse caso, além da ordenação, o padre precisa da faculdade de confessar, dada pelo próprio direito ou pela autoridade competente (cân. 966).
A criança se confessa antes da primeira comunhão?
Sim. O Catecismo diz que as crianças devem receber o sacramento da Penitência antes de comungar pela primeira vez (n. 1457), e o Código pede que os pais e o pároco as preparem para a primeira comunhão, "feita previamente a confissão sacramental" (cân. 914).
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1441 a 1467, 1484 e 1510
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 983 (com a frase de Crisóstomo, O sacerdócio III,5)
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1550 e 1586
- VaticanoCódigo de Direito Canônico, versão portuguesa, cân. 914, 966, 976, 977, 980, 983, 984, 1378, 1387 e 1388
- VaticanoCódigo de Direito Canônico, livro VI reformado em 2021, cân. 1384, 1385 e 1386 (inglês)
- VaticanoFrancisco, constituição apostólica Pascite Gregem Dei (2021), que reforma o livro VI do Código
- Sala de Imprensa da Santa SéNota da Penitenciaria Apostólica sobre o foro interno e o sigilo sacramental (2019, em italiano)
- Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão XIV (1551), capítulos e cânones sobre a penitência (inglês)
- Fordham UniversityIV Concílio de Latrão (1215), cânon 21 (inglês)
- Book of ConcordConfissão de Augsburgo (1530), artigos 11 e 25 (inglês)
- Bible HubJoão 20, texto grego e interlinear
- Blue Letter BibleGênesis 2,7 na Septuaginta
- CCELDidaqué, 4 e 14 (texto grego e tradução inglesa de K. Lake)
- CCELInácio de Antioquia, Carta aos Filadelfienses 8,1 (texto grego e tradução inglesa de K. Lake)
- The Latin LibraryTertuliano, De paenitentia, 9 e 10 (texto latino)
- Bibliothek der Kirchenväter (Universidade de Friburgo)Cipriano, De lapsis, 28 (texto latino da Patrologia Latina e tradução inglesa)
- Bibliothek der Kirchenväter (Universidade de Friburgo)Cipriano, De lapsis, 29 (texto latino da Patrologia Latina e tradução inglesa)
- New AdventAmbrósio de Milão, A penitência, livro I (tradução inglesa)
- New AdventJoão Crisóstomo, O sacerdócio, livro III (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaSacrament of Penance: a carta 168 de Leão Magno e a história da confissão
- Presidência da RepúblicaDecreto 7.107/2010, que promulga o acordo Brasil e Santa Sé (art. 13)

