A resposta curta
Não. A Bíblia não exige que os ministros sejam celibatários, e a Igreja reconhece isso, mas também não manda que sejam casados: Jesus elogia quem renuncia ao casamento por causa do Reino (Mt 19,12), e Paulo, que vivia sem esposa, recomenda essa vida a quem recebeu o dom (1Cor 7,7). O versículo sobre "proibir o casamento" (1Tm 4,3) condena quem trata o casamento como coisa má, e a Igreja ensina que ele é sacramento.
A objeção
O que se costuma dizer
A Bíblia é clara: os primeiros líderes da Igreja eram casados. Jesus entrou na casa de Pedro e curou a sogra dele (Mt 8,14); se tinha sogra, Pedro tinha esposa. Paulo conta que os outros apóstolos viajavam com as esposas (1Cor 9,5). E, quando lista as qualidades do bispo, manda que ele seja "marido de uma só mulher" e que governe bem a própria casa e os filhos (1Tm 3,2-4; Tt 1,6).
Pior: Paulo avisa que viriam mestres enganadores que "proíbem o casamento", e chama isso de ensinamento de demônios (1Tm 4,1-3). A Igreja Católica proíbe os padres de casar. Então o celibato obrigatório não só não está na Bíblia: ele vai contra ela.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa objeção?
A objeção ganhou a forma de hoje na Reforma. Em 1530, a Confissão de Augsburgo, a principal confissão de fé luterana, dedicou um artigo ao casamento dos padres. Lá estão quase todos os argumentos de hoje: cada um tenha a sua mulher (1Cor 7,2); nem todos são capazes de viver sem casar (Mt 19,11); Deus criou o ser humano para gerar filhos (Gn 1,28); o bispo deve ser "marido de uma só mulher" (1Tm 3,2); e proibir o casamento é "doutrina de demônios" (1Tm 4,3).
O texto começa por uma queixa da época, que tinha fundamento: o mau exemplo de padres que não viviam a castidade. Em 1563, o Concílio de Trento mandou criar seminários para formar melhor os futuros padres (sessão XXIII, capítulo 18), reafirmou a lei do celibato e rejeitou a ideia de que mantê-la fosse o mesmo que condenar o casamento (sessão XXIV, cânon 9).
Hoje, como as igrejas evangélicas permitem pastores casados, a pergunta aparece com naturalidade, e merece resposta com a Bíblia aberta.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
Antes de abrir os versículos, vale separar duas coisas.
Uma é o que a Bíblia exige. Ela manda que todo ministro seja casado? Ou proíbe que algum deles fique sem casar por causa do Reino?
Outra é o que a Igreja faz. Na Igreja latina, a de rito romano, os padres são normalmente escolhidos entre homens que vivem o celibato e querem continuar nele. Isso é uma lei da Igreja, e não um dogma: nas Igrejas católicas orientais há padres casados, e a própria Igreja diz que o celibato não é exigido pela natureza do sacerdócio. Essa parte, com a história e os motivos, está na aula Os padres deveriam poder casar?.
Aqui a pergunta é mais estreita: uma Igreja que escolhe os seus padres entre homens celibatários contraria algum texto da Bíblia?
O que diz a Bíblia
O que a Bíblia diz, lida no contexto?
1 Timóteo 4: o que aqueles mestres proibiam
Paulo escreve a Timóteo:
O Espírito diz expressamente que, nos tempos futuros, alguns se afastarão da fé, dando atenção a espíritos enganadores e a ensinamentos de demônios, levados pela hipocrisia de mentirosos que têm a consciência marcada a ferro. Eles proíbem o casamento e mandam abster-se de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ação de graças pelos que creem e conhecem a verdade. (1Tm 4,1-3)
E o versículo seguinte dá a razão:
Pois tudo o que Deus criou é bom, e nada deve ser rejeitado, se é recebido com ação de graças. (1Tm 4,4)
O alvo são mestres que proibiam o casamento e certos alimentos como se fossem maus em si mesmos. A resposta de Paulo é sobre a criação: o que Deus fez é bom. No século II, grupos como os encratitas ensinaram que o casamento era impuro, e os padres da Igreja leram este texto contra eles (veja mais abaixo).
A Igreja Católica ensina o oposto: Deus é o autor do casamento, e Cristo o elevou a sacramento (Catecismo, n. 1601 e 1603). Quem quer casar, casa. O que a Igreja latina faz é chamar ao sacerdócio homens que, antes da ordenação, escolheram livremente não casar, e que assumem esse compromisso como quem casa assume o seu. E o próprio Paulo vivia sem esposa e recomendava essa vida (1Cor 7,7-8): não chamaria de doutrina de demônios o conselho que ele mesmo dava.
"Marido de uma só mulher"
É preciso, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, sensato, digno, hospitaleiro, capaz de ensinar. (1Tm 3,2)
A mesma expressão aparece em Tito 1,6. No grego, miâs gynaikòs ándra, "homem de uma só mulher". O sentido fica claro dois capítulos depois, quando Paulo fala das viúvas que a comunidade sustentava:
Seja inscrita na lista das viúvas a que tiver pelo menos sessenta anos e tiver sido mulher de um só marido. (1Tm 5,9)
A viúva não tem marido; a expressão diz que ela foi casada uma só vez. Do mesmo modo, a regra do bispo é um limite: quem casou mais de uma vez não deve ser escolhido. Não é uma ordem de casar; se fosse, ficariam de fora o ministro sem filhos (o versículo 4 fala dos filhos) e o próprio Paulo. Os cristãos antigos entenderam assim: no começo do século III, Tertuliano conta que a regra de só ordenar homens casados uma vez era seguida com tanto rigor que ele se lembrava de clérigos afastados por terem casado de novo (Exortação à castidade, 7).
Pedro e os apóstolos casados
Jesus foi à casa de Pedro e viu a sogra dele deitada, com febre. (Mt 8,14)
Pedro era casado: o primeiro papa foi um homem casado (veja a aula O papa existe na Bíblia?). Paulo fala disso ao defender o seu direito de ser sustentado pelas comunidades:
Não temos o direito de levar conosco uma mulher, irmã na fé, como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor e Cefas? (1Cor 9,5)
A palavra grega gyné pode significar "mulher" ou "esposa". Jerônimo, no fim do século IV, entendeu que se tratava das mulheres que serviam os apóstolos com os seus bens, como faziam com Jesus (Lc 8,3). Muitas traduções modernas, inclusive católicas, como a New American Bible, da conferência dos bispos dos Estados Unidos, preferem "esposa". Para esta aula, tanto faz: Pedro, ao menos, era casado (Mt 8,14), e Paulo, que tinha o mesmo direito, preferiu não usá-lo (1Cor 9,12.15).
O que Jesus disse
Depois de ensinar que o casamento não se desfaz, os discípulos reagem: se é assim, não convém casar. Jesus responde:
Nem todos são capazes de acolher esta palavra, mas só aqueles a quem foi dado. Pois há eunucos que nasceram assim do ventre da mãe, há eunucos que foram feitos eunucos pelos homens, e há eunucos que se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem é capaz de acolher, acolha. (Mt 19,11-12)
"Eunuco", aqui, é a imagem forte de quem não se casa. Jesus fala de uma renúncia livre, "por causa do Reino", e diz que ela é um dom, dado a alguns e não imposto a todos. O próprio Jesus viveu assim, como ensina a Igreja (Sacerdotalis caelibatus, n. 21): os Evangelhos não falam de nenhuma esposa dele. (O versículo também aparece na aula Maria continuou virgem depois de Jesus?.)
O que Paulo aconselha
Eu queria que todos fossem como eu; mas cada um recebe de Deus o seu próprio dom, um de um jeito, outro de outro. Aos não casados e às viúvas digo: é bom para eles que fiquem como eu. (1Cor 7,7-8)
A palavra de Paulo para "dom" é chárisma: o casamento é dom, e o celibato também. Mais adiante, ele explica a vantagem de ficar sem casar para servir:
Quero que vocês fiquem livres de preocupações. Quem não é casado se ocupa das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor; quem é casado se ocupa das coisas do mundo, de como agradar à esposa, e fica dividido. […] Digo isto para o bem de vocês, não para lhes pôr um laço, mas para que vivam com dignidade e se dediquem ao Senhor sem distração. (1Cor 7,32-35)
Paulo não impõe nada, e no mesmo capítulo diz que quem casa não peca (1Cor 7,28). Mas é dele a ideia de servir ao Senhor com o coração não dividido. É uma das razões que a Igreja dá para pedir o celibato aos seus padres, ao lado da imitação de Cristo e do sinal do mundo que virá (Presbyterorum Ordinis, n. 16).
Em resumo
O Novo Testamento não exige que o ministro seja casado nem que seja celibatário. Mostra os dois caminhos e elogia o celibato por causa do Reino como um dom. Escolher os padres entre os que receberam esse dom é uma escolha que a Bíblia permite.
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: 1 Timóteo 4, 1 Timóteo 3, 1 Timóteo 5, Tito 1, Mateus 8, 1 Coríntios 9, Mateus 19 e 1 Coríntios 7.

O que diziam os primeiros cristãos
Os primeiros cristãos proibiam o casamento?
Os cristãos antigos honravam o casamento, condenavam quem o desprezava e honravam também quem renunciava a ele por amor a Cristo.
Inácio de Antioquia, por volta de 110. Numa carta a Policarpo, bispo de Esmirna, ele pede que as mulheres amem o Senhor e vivam contentes com os maridos, e que os maridos amem as esposas "como o Senhor amou a Igreja". E logo depois:
Se alguém é capaz de permanecer na castidade, em honra da carne do Senhor, que permaneça, sem se orgulhar. Se se orgulhar, está perdido. (Carta a Policarpo, 5,2)
E pede que os que se casam se unam com a aprovação do bispo, para que o casamento seja segundo o Senhor. Os dois caminhos aparecem lado a lado.
Ireneu de Lyon, por volta de 180. Descreve os encratitas, ligados a Taciano, que "pregavam contra o casamento", e alguns deles também contra comer carne. Para Ireneu, isso era desprezar a obra do Criador, que fez o homem e a mulher (Contra as heresias, I,28,1). É o mesmo par de proibições de 1 Timóteo 4.
Clemente de Alexandria, por volta de 200. Respondendo a quem rejeitava o casamento, perguntou: “Ou vão rejeitar até os apóstolos?”, e lembrou que Pedro teve filhos (Strómata, III,6). No mesmo trecho, achava que também Paulo tinha esposa, mas não a levava consigo. Em outro livro da mesma obra, conta, como coisa que se dizia, que Pedro, ao ver a esposa levada ao martírio, a animou chamando-a pelo nome: “Lembra-te do Senhor” (Strómata, VII,11). Por volta de 325, Eusébio de Cesareia copiou os dois trechos na sua História Eclesiástica (III,30).
O Sínodo de Gangra, no século IV. Um grupo de ascetas ligado a Eustáquio, provavelmente o bispo de Sebaste, ensinava que os casados não tinham esperança de salvação, e havia quem recusasse a comunhão oferecida por padres casados. Os bispos reunidos em Gangra, na atual Turquia (a data exata é discutida), responderam assim:
Se alguém condenar o casamento, ou desprezar e condenar a mulher fiel e piedosa que dorme com o próprio marido, como se ela não pudesse entrar no Reino, seja anátema. (cânon 1)
Se alguém sustentar que não é lícito participar da oblação quando um presbítero casado a oferece, seja anátema. (cânon 4)
E condenaram também quem vive virgem por aversão ao casamento (cânon 9) e quem, vivendo virgem, trata os casados com arrogância (cânon 10).
João Crisóstomo, no fim do século IV. Comentando 1 Timóteo 4, diz que Paulo fala dos maniqueus, dos encratitas e dos marcionitas. E pergunta:
E nós, não proibimos o casamento? De modo nenhum. Não proibimos os que querem casar; mas os que não querem casar, nós os exortamos à virgindade. Uma coisa é proibir, outra é deixar à livre escolha. (Homilia 12 sobre a Primeira Carta a Timóteo)
Proibir o casamento é dizer que ele é mau; convidar alguém a deixar um bem por amor a Cristo é outra coisa.
As frases dos padres e dos cânones de Gangra estão em tradução nossa, a partir das versões indicadas nas fontes (inglesas, e a latina no livro III dos Strómata). A de Inácio segue J. B. Lightfoot, que lê "carne do Senhor"; outra forma do texto grego traz "Senhor da carne".
O que a Igreja ensina
O que a Igreja ensina sobre o celibato e o casamento?
A Igreja não diz que a Bíblia manda os padres serem celibatários. Diz que o celibato é um dom recomendado por Cristo, que a Igreja latina pede aos seus padres e que não diminui em nada o casamento. Paulo VI abre a parte das objeções da sua encíclica com a frase abaixo, e não contesta o dado: mais adiante, escreve que «é certo», como declarou o Vaticano II, que a virgindade «não é requerida pela própria natureza do sacerdócio» (n. 17).
O Novo Testamento não exige o celibato dos ministros sagrados, mas propõe-no simplesmente como obediência livre a uma vocação especial ou a um carisma particular […]
[…] são normalmente escolhidos entre homens crentes que vivem celibatários e têm vontade de guardar o celibato «por amor do Reino dos céus» […]
[…] os presbíteros consagram-se por um novo e excelente título a Cristo, aderem a Ele mais fàcilmente com um coração indiviso […]
Quer, o sacramento do Matrimónio, quer a virgindade por amor do Reino de Deus, vêm do próprio Senhor.
Repare no verbo do Catecismo: os padres latinos são escolhidos entre homens que vivem o celibato. A Igreja não proíbe o casamento; ela pede aos que se apresentam para o sacerdócio que assumam livremente essa vida (n. 1599). O "coração indiviso" do Concílio Vaticano II é a linguagem de Paulo em 1 Coríntios 7. E o Catecismo vai além: citando João Crisóstomo, diz que denegrir o casamento é diminuir também a glória da virgindade (n. 1620).
O celibato dos padres latinos é uma lei da Igreja, firmada aos poucos entre os séculos IV e XII, e não um dogma de fé. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
Lado a lado
As objeções e os textos, lado a lado
| O que se diz | O que o texto mostra | Onde conferir |
|---|---|---|
| Paulo chama de doutrina de demônios proibir o casamento. | Paulo condena quem trata o casamento e certos alimentos como maus. A Igreja ensina que o casamento é sacramento. | 1Tm 4,1-4; Catecismo, n. 1601 |
| O bispo tem de ser casado. | "Marido de uma só mulher" é um limite (casado uma só vez), como "mulher de um só marido" para as viúvas. | 1Tm 3,2; 5,9; Tertuliano, Exortação à castidade, 7 |
| Pedro era casado. | Era, e a Igreja não nega. Paulo, também apóstolo, vivia sem esposa. | Mt 8,14; 1Cor 9,5; 1Cor 7,7-8 |
| Jesus nunca falou de celibato. | Ele elogiou quem renuncia ao casamento por causa do Reino e disse que isso é um dom. | Mt 19,11-12 |
| A Igreja despreza o casamento. | Ela condenou quem condenava o casamento e quem recusava a comunhão dada por padres casados. | Sínodo de Gangra, cânones 1 e 4; Catecismo, n. 1620 |
Os frutos
Como levar essa conversa sem briga?
Com um amigo evangélico, há muito terreno comum: os dois creem que o casamento é bom e leem o elogio de Jesus a quem renuncia a ele por causa do Reino. A diferença está numa escolha prática: a Igreja latina chama ao sacerdócio os que receberam o dom do celibato; as igrejas evangélicas, em geral, preferem pastores casados.
Vale dizer também o que não está em jogo. A Igreja ensina que a virgindade por amor do Reino é um caminho excelente, mas ensina igualmente que os cristãos de qualquer estado, casados ou não, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade (Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, n. 40). Há santos casados e santos celibatários. O padre não é cristão de primeira classe, e o casado não é de segunda.
E não é preciso forçar texto nenhum. O argumento católico é mais modesto e mais sólido: a Bíblia permite e elogia o caminho que a Igreja latina escolheu para os seus padres.
Para guardar
A Bíblia não obriga o padre a casar nem a ficar solteiro: ela mostra os dois caminhos e elogia o celibato por causa do Reino. Proibir o casamento, como em 1Tm 4, é chamá-lo de mau; a Igreja o chama de sacramento.
Teste
Teste o que você aprendeu
5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Em 1 Timóteo 4,3, o que aqueles falsos mestres proibiam, além do casamento?
Paulo diz que eles proibiam o casamento e mandavam abster-se de certos alimentos, e responde que tudo o que Deus criou é bom (1Tm 4,3-4). O erro era tratar coisas boas da criação como más.
2. Que expressão parecida com "marido de uma só mulher" aparece na mesma carta, e o que ela ajuda a entender?
Em 1Tm 5,9, a viúva inscrita na lista devia ter sido "mulher de um só marido". Ela já não tinha marido; a expressão fala de quem casou uma só vez. Por isso a regra do bispo é um limite, e não uma ordem de casar.
3. Segundo João Crisóstomo, por que a Igreja não "proíbe o casamento" no sentido de 1Tm 4,3?
Na Homilia 12 sobre a Primeira Carta a Timóteo, Crisóstomo diz que uma coisa é proibir e outra é deixar à livre escolha. Ele aplica o texto de Paulo aos maniqueus, encratitas e marcionitas, que condenavam o casamento.
4. O que o Sínodo de Gangra, no século IV, condenou?
Os cânones 1 e 4 de Gangra condenam quem despreza o casamento e quem se recusa a participar da oblação oferecida por um presbítero casado. O mesmo sínodo condenou quem vivia virgem por desprezo ao casamento.
5. Em 1 Coríntios 7,7, como Paulo chama o seu modo de vida, sem esposa?
Paulo diz que queria que todos fossem como ele, mas que cada um recebe de Deus o seu próprio dom, um de um jeito, outro de outro. O casamento é dom, e o celibato também.
Perguntas frequentes
O celibato dos padres é dogma?
Não. É uma lei da Igreja latina. O Concílio Vaticano II diz que o celibato não é exigido pela natureza do sacerdócio (Presbyterorum Ordinis, n. 16), e as Igrejas católicas orientais ordenam homens casados (Catecismo, n. 1580).
Pedro era casado?
Sim. O Evangelho fala da sogra de Pedro (Mt 8,14), e Paulo diz que Cefas levava consigo uma irmã na fé, que muitas traduções entendem como a esposa (1Cor 9,5). A Igreja reconhece que o primeiro papa foi um homem casado.
Jesus era casado?
Os Evangelhos não falam de nenhuma esposa de Jesus. A Igreja vê na vida dele, toda dedicada ao Pai e aos homens, o modelo do celibato por causa do Reino (Paulo VI, Sacerdotalis caelibatus, n. 21).
1 Timóteo 4,3 condena o celibato?
Não. O texto condena mestres que proibiam o casamento e certos alimentos como coisas más, porque tudo o que Deus criou é bom (1Tm 4,4). Os padres da Igreja o aplicaram a grupos como os encratitas e os maniqueus. A Igreja ensina que o casamento é sacramento e não proíbe ninguém de casar.
"Crescei e multiplicai-vos" obriga todo mundo a casar?
Não. Em Gênesis 1,28, Deus abençoa o homem e a mulher e lhes confia a missão de encher a terra. É uma bênção para a humanidade, não uma ordem que cada pessoa tenha de cumprir: Jesus não se casou, e Paulo recomendou a vida sem casamento a quem recebeu esse dom (1Cor 7,7-8).
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1579, 1580, 1599, 1601, 1603 e 1620
- VaticanoConcílio Vaticano II, decreto Presbyterorum Ordinis, n. 16
- VaticanoPaulo VI, encíclica Sacerdotalis caelibatus, n. 5, 17 e 21
- VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Lumen Gentium, n. 40
- Bible HubTexto grego de 1 Timóteo 4,3
- Bible HubTexto grego de 1 Timóteo 3,2
- Bible HubTexto grego de 1 Timóteo 5,9
- Bible HubTexto grego de 1 Coríntios 9,5
- Bible HubTexto grego de 1 Coríntios 9,12 e 9,15
- USCCBNew American Bible, 1 Coríntios 9 ("a Christian wife")
- Bible HubTexto grego de Mateus 19,12
- Bible HubTexto grego de 1 Coríntios 7,7
- Bible HubTexto grego de 1 Coríntios 7,35
- CCAT (Universidade da Pensilvânia)Inácio de Antioquia, Carta a Policarpo, 5,2, na tradução de J. B. Lightfoot
- New AdventIreneu de Lyon, Contra as heresias, I,28 (tradução inglesa)
- New AdventClemente de Alexandria, Strómata, III,6 (versão latina): Pedro teve filhos
- New AdventClemente de Alexandria, Strómata, VII,11 (tradução inglesa): a esposa de Pedro
- New AdventEusébio de Cesareia, História Eclesiástica, III,30, que copia os dois trechos de Clemente (tradução inglesa)
- New AdventTertuliano, Exortação à castidade, 7 (tradução inglesa)
- New AdventSínodo de Gangra, carta sinodal e cânones 1, 4, 9 e 10 (tradução inglesa)
- New AdventJoão Crisóstomo, Homilia 12 sobre a Primeira Carta a Timóteo (tradução inglesa)
- New AdventJerônimo, Contra Joviniano, I,26, sobre 1Cor 9,5 (tradução inglesa)
- Book of ConcordConfissão de Augsburgo (1530), artigo XXIII, sobre o casamento dos padres (tradução inglesa)
- Papal EncyclicalsConcílio de Trento, sessão XXIII (1563), decreto de reforma, capítulo 18: os seminários
- Papal EncyclicalsConcílio de Trento, sessão XXIV (1563), cânones sobre o matrimônio, 9 e 10
- Catholic EncyclopediaCelibacy of the Clergy: 1Tm 3,2 como limite, e não como ordem de casar

