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Tema

Igreja

O que o Papa, a Santa Sé e a vida da Igreja trazem de novo.

Doutrina

O que a Igreja ensina sobre si mesma

Este tema reúne as notícias sobre o Papa, a Santa Sé e a vida da Igreja. Para lê-las bem, ajuda saber o que a Igreja é e como ela ensina, porque nem tudo o que sai de Roma tem o mesmo peso de doutrina. Essa distinção é também a régua deste site: a marca de cada Olhar se apoia no Catecismo, no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, nas encíclicas e nos documentos da Santa Sé.

A Igreja é mais do que a sua estrutura

Nas notícias, a Igreja aparece quase sempre como instituição. Essa estrutura é necessária, mas não é tudo. O Catecismo apresenta a Igreja como Povo de Deus, do qual se faz parte pela fé e pelo Batismo, e como Corpo de Cristo:

A comparação da Igreja com um corpo lança uma luz particular sobre a ligação íntima existente entre a Igreja e Cristo. Ela não está somente reunida à volta d'Ele: está unificada n'Ele, no seu Corpo.

Catecismo da Igreja Católica, 789

A Igreja não é uma associação em torno de um fundador, nem uma empresa com sede em Roma: é gente unida a Cristo como os membros à cabeça. O Papa e os bispos servem nesse corpo; não são donos dele.

O Magistério serve a Palavra, não manda nela

A tarefa de interpretar a Palavra de Deus com autoridade foi confiada ao Magistério, isto é, aos bispos em comunhão com o Papa (Catecismo, 85). O Concílio Vaticano II marca o limite dessa autoridade:

Este magistério não está acima da palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido (...) haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado.

Concílio Vaticano II, Dei Verbum, 10

Isso ajuda a ler muitas manchetes: a doutrina não é votada nem ajustada à moda de cada época. É recebida, guardada e explicada, e a sua compreensão pode crescer com o tempo (Catecismo, 94).

Nem toda fala do Papa tem o mesmo peso

No grau mais alto está a definição infalível:

Desta infalibilidade goza o pontífice romano (...) quando, na qualidade de pastor e doutor supremo de todos os fiéis (...) proclama, por um acto definitivo, um ponto de doutrina respeitante à fé ou aos costumes [...].

Catecismo da Igreja Católica, 891

Definições solenes de um Papa são raras. A mesma garantia vale para os bispos unidos ao Papa num concílio, ou quando, no mundo inteiro, concordam em ensinar uma doutrina como definitiva. O que é ensinado assim pede adesão irrevogável e não muda.

Na maior parte do tempo, o Papa e os bispos ensinam sem definir: encíclicas, exortações, catequeses. É o magistério ordinário, que não é opinião: pede um assentimento religioso (o chamado religioso obséquio), distinto do assentimento da fé, mas que o prolonga (Catecismo, 892). O Concílio mostra como reconhecer o seu peso:

Esta religiosa submissão da vontade e do entendimento é por especial razão devida ao magistério autêntico do Romano Pontífice, mesmo quando não fala ex cathedra; de maneira que (...) se preste sincera adesão aos ensinamentos que dele emanam, segundo o seu sentir e vontade; estes manifestam-se sobretudo quer pela índole dos documentos, quer pelas frequentes repetições da mesma doutrina, quer pelo modo de falar.

Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 25

Por esses critérios, uma entrevista merece escuta e respeito, mas não tem a forma de um texto que ensina a Igreja inteira; se o Papa repete ali o que a Igreja ensina, o peso vem do ensino, não da entrevista. Já as medidas de governo e de disciplina (nomeações, reformas da Cúria, normas sobre a liturgia ou o jejum) são legítimas e obrigam a quem se dirigem, mas podem mudar, porque foi a própria Igreja que as estabeleceu: o jejum antes da comunhão já foi desde a meia-noite e hoje é de uma hora.

Bispos e conferências ensinam em comunhão com o Papa

Cada bispo que ensina em comunhão com o Papa é mestre autêntico da fé, e os seus fiéis devem acolher com religioso obséquio o que ele ensina sobre fé e costumes (Lumen Gentium, 25). Sobre as conferências episcopais, que reúnem os bispos de um país, a Santa Sé escreveu:

Ao enfrentarem novas questões (...) os Bispos reunidos na Conferência Episcopal desempenham conjuntamente esta sua função doutrinal, bem conscientes dos limites das suas tomadas de posição, que não possuem as características dum magistério universal, mesmo sendo oficial, autêntico e em comunhão com a Sé Apostólica.

João Paulo II, Apostolos Suos, 22

Pelo mesmo documento, uma declaração doutrinal só vale como magistério autêntico da conferência, que os fiéis devem acolher com religioso obséquio, se aprovada por unanimidade, ou por dois terços em plenário com a revisão da Santa Sé; comissões e conselhos não fazem atos de magistério. Como esse ensino não tem alcance universal, no Olhar de Fé a posição de uma conferência ou de um bispo aparece como contexto, e a marca se apoia no ensino universal, que qualquer leitor confere com número e link. Não é desconfiança dos pastores: é a distinção que a própria Santa Sé faz.

Os leigos levam a fé para dentro do mundo

Nem toda notícia da Igreja vem de Roma. Boa parte dela acontece onde estão os leigos:

A vocação própria dos leigos consiste precisamente em procurar o Reino de Deus ocupando-se das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus [...].

Catecismo da Igreja Católica, 898

Família, trabalho, escola, vida pública: é ali que o ensino da Igreja vira escolha concreta, muitas vezes feita com prudência e liberdade. O Catecismo lembra que os leigos não só pertencem à Igreja: eles são Igreja, e sem eles o trabalho dos pastores muitas vezes não alcança todo o seu efeito (nn. 899 e 900).

Distinguir dogma, ensino ordinário e decisão de governo não é um jeito de escolher o que aceitar. É um jeito de ouvir melhor: receber cada palavra com o peso que ela tem, sem transformar entrevista em dogma nem dogma em opinião. A Igreja que aparece nas manchetes é a mesma que se reúne no domingo, um corpo com muitas vozes e uma só Cabeça.

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