
A notícia
g108/10/2026
Flávio Bolsonaro visita arcebispo de Brasília e recebe imagem de Nossa Senhora
O cardeal Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, recebeu em 8 de outubro de 2026, em visita institucional, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o candidato a vice, Alfredo Gaspar, e entregou a Flávio uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Segundo a nota da Arquidiocese, a conversa tratou de liberdade religiosa, laicidade do Estado, proteção da vida e da família e combate à pobreza; a nota não fala em apoio a candidato.
Ler na íntegra em g1O encontro transcorreu em clima de cordialidade e diálogo, constituindo uma oportunidade para a reflexão sobre questões de interesse da Igreja e da sociedade brasileira
O que a Igreja ensina
A Igreja que, em razão da sua missão e competência, de modo algum se confunde com a sociedade nem está ligada a qualquer sistema político determinado, é ao mesmo tempo o sinal e salvaguarda da transcendência da pessoa humana. No domínio próprio de cada uma, comunidade política e Igreja são independentes e autónomas.
Não compete aos pastores da Igreja intervir directamente na construção política e na organização da vida social. Este papel faz parte da vocação dos fiéis leigos, agindo por sua própria iniciativa juntamente com os seus concidadãos.
A submissão à autoridade e a corresponsabilidade pelo bem comum exigem moralmente o pagamento dos impostos, o exercício do direito de voto, a defesa do país
Reflexão
A porta do bispo
Receber quem governa, ou quer governar, faz parte do ofício de um bispo. Em 2 de outubro, o cardeal Paulo Cezar Costa já tinha recebido outros candidatos, a cargos distritais e federais, também em "visitas institucionais". Em 8 de outubro foi a vez de Flávio Bolsonaro e de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar. Até 9 de outubro, a Arquidiocese não tinha divulgado visita de Lula; se ela acontecer, vale a mesma leitura.
A nota da Arquidiocese lista os temas da conversa: liberdade religiosa, laicidade do Estado, vida, família, justiça social e combate à pobreza. São os assuntos que a Igreja leva a qualquer governo. A nota não fala em apoio, e a Igreja ensina por que não poderia falar. O Concílio Vaticano II diz que a Igreja não está ligada "a qualquer sistema político determinado" (Gaudium et Spes 76). E o Catecismo diz de quem é a tarefa de fazer política: "Não compete aos pastores da Igreja intervir directamente na construção política e na organização da vida social. Este papel faz parte da vocação dos fiéis leigos" (2442). O bispo escuta, lembra o que a Igreja ensina e ajuda a formar consciências. Quem escolhe é o eleitor.
O peso do presente
A visita poderia ter passado como rotina, mas houve um presente: uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, entregue duas semanas depois de a padroeira do Brasil entrar na campanha pelos dois lados. Primeiro, um boato falso ligou Flávio a um suposto projeto para tirar de Aparecida o título de padroeira; ele desmentiu e, dias depois, disse, sem apresentar provas, que o boato teve ajuda de gente de dentro da CNBB. A CNBB negou, e no dia seguinte ele agradeceu a nota. Depois, num comício em Belém, em 28 de setembro, Lula disse: "Enquanto eu for presidente, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida".
Uma imagem dada por um pastor é um gesto de fé, e não há mal em um candidato recebê-la. O risco começa quando o sagrado vira argumento de campanha, de qualquer lado. Nossa Senhora não precisa ser defendida num palanque nem exibida como aval, e não pertence a nenhum dos dois.
O voto continua sendo de cada um
Para o eleitor católico, a visita não muda o que importa. A Igreja não pede que ele siga o gesto de um cardeal. Pede que vote, e que vote com a consciência formada: a corresponsabilidade pelo bem comum, diz o Catecismo, exige moralmente "o exercício do direito de voto" (2240).
Uma visita não decide um voto, e uma imagem não é um aval. A decisão fica com cada eleitor, diante de Deus. E a Mãe de Deus continua sendo de todos.
Veja outros Olhares sobre a vida da Igreja.
Assinado por Filipe Lourenço.
Perguntas e respostas
Um bispo receber um candidato significa que a Igreja apoia esse candidato?
Não. A Igreja não se prende a partido nem a sistema político (Gaudium et Spes 76), e não compete aos pastores intervir diretamente na política, papel que é dos fiéis leigos (Catecismo 2442). A nota da Arquidiocese de Brasília sobre a visita de Flávio Bolsonaro, em 8 de outubro de 2026, não fala em apoio.
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O que a Arquidiocese de Brasília disse sobre a visita de Flávio Bolsonaro ao cardeal Paulo Cezar Costa?
Em nota de 8 de outubro de 2026, a Arquidiocese disse que o cardeal recebeu Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar "em visita institucional", em "clima de cordialidade e diálogo", e que eles falaram de liberdade religiosa, laicidade do Estado, proteção da vida e da família, justiça social e combate à pobreza.
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O cardeal de Brasília recebeu outros candidatos em 2026?
Sim. Em 2 de outubro de 2026, o cardeal Paulo Cezar Costa recebeu, em "visitas institucionais", candidatos a cargos distritais e federais; em 8 de outubro, Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar. Até 9 de outubro, a Arquidiocese não tinha divulgado visita de Lula.
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Fontes
- g1Flávio Bolsonaro visita arcebispo de Brasília e recebe imagem de Nossa Senhora
- Arquidiocese de BrasíliaCardeal Paulo Cezar Costa recebe candidatos à Presidência e Vice-Presidência da República em visita institucional
- Arquidiocese de BrasíliaCardeal Paulo Cezar Costa recebe candidatos em visitas institucionais (02/10)
- Poder360Flávio Bolsonaro visita cardeal e recebe imagem de Nossa Senhora
- PlatôBRVice de Flávio chama visita a cardeal de gesto de respeito aos católicos
- Congresso em FocoFlávio liga CNBB a fake news sobre Nossa Senhora; entidade reage
- SBT NewsApós crítica, Flávio agradece posicionamento da CNBB
- CNN BrasilFlávio nega que pretenda tirar Nossa Senhora Aparecida como padroeira
- Diario de Pernambuco'Enquanto eu for presidente, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida', diz Lula
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