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Igreja

"Dai a César": o Papa pede verdade sem subserviência nem hipocrisia

No primeiro Angelus depois da cirurgia, Leão XIV comentou o Evangelho do tributo. O Brasil ouve isso a sete dias do voto.

O OlharReflexãoSem ato para avaliar: só a reflexão.
F3 min de leitura
Foto: o Papa Leão XIV, de batina branca e cruz peitoral, de pé e sorrindo, em audiência no Vaticano (maio de 2025)
O Papa Leão XIV em audiência no Vaticano, em maio de 2025. Foto: Edgar Beltrán / The Pillar (CC BY-SA 4.0). Foto: Edgar Beltrán / The Pillar, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A notícia

Vatican News18/10/2026

Papa Leão: ser verdadeiro, sem subserviência nem hipocrisia, livre para o bem

No Angelus de 18/10/2026, o primeiro depois de sair do hospital, o Papa Leão XIV comentou a frase de Jesus "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mt 22, 21). Ele disse que quem vive essa frase é "verdadeiro, sem subserviência nem hipocrisia, livre para o bem". O Papa não falou do Brasil nem de eleição, mas a lição chega aqui a uma semana do segundo turno.

ser verdadeiro, sem subserviência nem hipocrisia, livre para o bem

Papa Leão XIV, Angelus de 18/10/2026
Ler na íntegra em Vatican News

O que a Igreja ensina

A submissão à autoridade e a corresponsabilidade pelo bem comum exigem moralmente o pagamento dos impostos, o exercício do direito de voto, a defesa do país (...)

Catecismo da Igreja Católica, 2240

O cidadão é obrigado, em consciência, a não seguir as prescrições das autoridades civis, quando tais prescrições forem contrárias às exigências de ordem moral, aos direitos fundamentais das pessoas ou aos ensinamentos do Evangelho.

Catecismo da Igreja Católica, 2242

A verdade ou veracidade é a virtude que consiste em mostrar-se verdadeiro nos actos e em dizer a verdade nas palavras, evitando a duplicidade, a simulação e a hipocrisia.

Catecismo da Igreja Católica, 2468

Reflexão

A moeda e a imagem

Os fariseus armaram uma cilada. Se Jesus mandasse pagar o imposto, ficava do lado de Roma; se mandasse não pagar, virava rebelde. Ele pediu a moeda e perguntou de quem era a imagem gravada nela. Era de César. Então que voltasse para César.

A pergunta que fica no ar é a outra: e o que traz a imagem de Deus? A resposta está na primeira página da Bíblia: o homem. A moeda pode ir para César. A pessoa, e a consciência dela, não.

O que é de César

O Catecismo não tira o cristão da vida pública. Diz o contrário: a corresponsabilidade pelo bem comum exige "o exercício do direito de voto" (CIC 2240). Votar no domingo que vem faz parte do que se deve a César. Ficar em casa por desânimo ou por desprezo não é neutralidade; é deixar uma dívida sem pagar.

O que é de Deus

O mesmo Catecismo cita a frase de Jesus num ponto mais duro: o cidadão "é obrigado, em consciência", a não seguir a autoridade quando ela manda o que contraria a ordem moral (CIC 2242). A consciência não é de César. Também não é do candidato, do partido nem do grupo de mensagens.

O Papa resumiu numa linha o perfil de quem vive isso: "ser verdadeiro, sem subserviência nem hipocrisia, livre para o bem".

Duas tentações de reta final

A subserviência é a de quem já entregou a consciência a um lado e passou a defender tudo o que vem dele, até o que contraria a doutrina, porque "o outro é pior". A hipocrisia anda junto: cobrar do adversário a mentira, o insulto e o atalho que se perdoa no próprio candidato. As duas aparecem nos dois campos desta eleição, como mostrou o Olhar sobre a propaganda falsa nos dois lados. O Catecismo chama a virtude contrária de veracidade, que evita "a duplicidade, a simulação e a hipocrisia" (CIC 2468).

Ser livre para o bem, nesta semana, é votar sabendo por que se vota, com a doutrina inteira na mão (a vida desde a concepção, a família, a liberdade religiosa, os pobres, o trabalho, a verdade) e não com a camisa de um time. É conseguir reconhecer o acerto do outro lado e o erro do próprio sem sentir que traiu alguém.

Da janela, depois do hospital

Leão XIV disse isso da janela do Palácio Apostólico, um dia depois de deixar o Hospital Gemelli, onde tirou um tumor do pulmão. Contou que a doença o fez se sentir próximo de todos os que estão doentes. Há uma lição também nisso: um homem frágil, recém-saído do hospital, lembrando que o poder de César tem limite. O voto do domingo é de César. Quem vota continua sendo de Deus.

Assinado por Filipe Lourenço.

Perguntas e respostas

O Papa Leão XIV falou da eleição do Brasil no Angelus de 18/10/2026?

Não. Ele comentou o Evangelho do domingo (Mt 22, 15-21), que é lido no mundo inteiro, e não citou o Brasil, a eleição nem nenhum candidato. A ligação com o voto é reflexão do Olhar de Fé a partir do Catecismo.

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"Dai a César o que é de César" quer dizer que fé e política não se misturam?

Não. O Catecismo ensina que o cristão tem deveres de cidadão, como votar (CIC 2240), e, citando essa frase de Jesus, que a consciência fica acima de qualquer ordem contrária à moral (CIC 2242). O que a Igreja não faz é se confundir com a comunidade política (CIC 2245).

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Votar é obrigação moral para o católico?

Sim. O Catecismo diz que a corresponsabilidade pelo bem comum exige "o exercício do direito de voto" (CIC 2240).

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O que o Papa quis dizer com "sem subserviência nem hipocrisia"?

Que quem dá a César e a Deus o que é de cada um não se curva a ninguém por interesse e não usa duas medidas. O Catecismo chama isso de veracidade, a virtude que evita "a duplicidade, a simulação e a hipocrisia" (CIC 2468).

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Fontes

  1. Vatican NewsPapa Leão: ser verdadeiro, sem subserviência nem hipocrisia, livre para o bem
  2. Santa Sé (vatican.va)Angelus, 18 de outubro de 2026 (texto oficial)
  3. Vatican NewsLeão XIV: obrigado a todos que rezaram por mim, senti o apoio de vocês
  4. Agência BrasilPapa Leão XIV retorna ao Vaticano quatro dias após cirurgia de câncer
  5. Santa Sé (vatican.va)Catecismo da Igreja Católica, 2196 a 2557

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