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Igreja

Celibato e mulheres padres: o que a Igreja ensina

A Igreja não mede o que ensina pelo número de fiéis: o celibato é disciplina; a ordenação de mulheres, ela diz não poder mudar.

O OlharContrao ensino da Igreja · 2 pontos avaliados
F4 min de leitura
Afresco de Perugino: numa grande praça com um templo de cúpula dourada ao fundo, Jesus entrega as chaves a São Pedro, ajoelhado, cercado pelos apóstolos.
A Entrega das Chaves a São Pedro, de Pietro Perugino (1481 a 1482), Capela Sistina, Vaticano. Foto: Capela Sistina, via Wikimedia Commons, Domínio público

A notícia

Poder36016/09/2026

Lula defende fim do celibato na Igreja Católica

Em 16 de setembro de 2026, numa reunião com pastores evangélicos no Palácio do Planalto, Lula disse ter falado ao Papa Francisco que a Igreja Católica vai passar dificuldades enquanto não acabar com o celibato dos padres e não permitir que mulheres sejam padres e bispos. A Frente Parlamentar Católica e bispos criticaram a fala, e o presidente da CNBB disse que ela causou desconforto.

Enquanto a Igreja Católica não acabar com celibato e permitir que mulheres possam ser bispos, padres, a gente vai ver Igreja Católica passando dificuldade

Lula, segundo as falas distribuídas pela Secom
Ler na íntegra em Poder360

A avaliação

Contra o ensino da IgrejaA marca vai no ato, não na pessoa.
  1. ContraCondutaLula disse que a Igreja Católica vai passar dificuldades enquanto não permitir que mulheres sejam padres e bispos (reunião com pastores no Palácio do Planalto, 16 de setembro de 2026).
  2. PrudencialLula disse que a Igreja Católica vai passar dificuldades enquanto não acabar com o celibato dos padres (reunião com pastores no Palácio do Planalto, 16 de setembro de 2026).

O que a Igreja ensina

declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja.

Ordinatio Sacerdotalis (São João Paulo II), 4

A Igreja reconhece-se vinculada por essa escolha feita pelo Senhor em pessoa. É por isso que a ordenação das mulheres não é possível.

Catecismo da Igreja Católica, 1577

o facto de Maria Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, não ter recebido a missão própria dos Apóstolos nem o sacerdócio ministerial, mostra claramente que a não admissão das mulheres à ordenação sacerdotal não pode significar uma sua menor dignidade nem uma discriminação a seu respeito, mas a observância fiel de uma disposição que se deve atribuir à sabedoria do Senhor do universo.

Ordinatio Sacerdotalis (São João Paulo II), 3

A continência perfeita e perpétua por amor do reino dos céus (...) foi sempre tida em grande estima pela Igreja, especialmente na vida sacerdotal. (...) De si, não é exigida pela própria natureza do sacerdócio, como se deixa ver pela prática da Igreja primitiva (...) e pela tradição das Igrejas orientais

Presbyterorum Ordinis (Concílio Vaticano II), 16

Nas Igrejas orientais vigora, desde há séculos, uma disciplina diferente: enquanto os bispos são escolhidos unicamente entre os celibatários, homens casados podem ser ordenados diáconos e presbíteros.

Catecismo da Igreja Católica, 1580

Reflexão

Uma Igreja que mudasse para crescer

Na reunião com pastores evangélicos no Palácio do Planalto, em 16 de setembro, Lula fez uma previsão: a Igreja Católica vai passar dificuldade enquanto não acabar com o celibato e não permitir que mulheres sejam padres e bispos. Ele disse que essa é uma vantagem das igrejas evangélicas, onde "as mulheres são tratadas em igualdade de condições", e contou ter falado disso com o Papa Francisco.

A previsão parte de uma ideia: a de que a Igreja cresceria se mudasse essas regras. Mas a Igreja não mede o que ensina pelo número de fiéis. Em Cafarnaum, quando muitos discípulos acharam dura uma palavra de Jesus e foram embora, ele não mudou a palavra para segurá-los: perguntou aos Doze se também queriam ir (João 6, 59 a 68). A pergunta que vale para a Igreja não é se ela vai crescer. É se continua fiel ao que recebeu.

Disciplina e doutrina

Isso não quer dizer que tudo na Igreja seja imutável, e a fala junta duas coisas de natureza diferente.

O celibato dos padres é uma disciplina da Igreja latina. O Concílio Vaticano II diz que a continência por amor do reino dos céus sempre foi tida "em grande estima" e que não é exigida "pela própria natureza do sacerdócio" (Presbyterorum Ordinis 16). Nas Igrejas católicas orientais, homens casados podem ser ordenados padres (Catecismo 1580). Por ser disciplina, cabe à Igreja mantê-la ou mudá-la, e o mesmo Concílio confirmou a regra para os padres latinos. Por isso, essa parte da fala fica como questão prudencial: católicos fiéis podem pensar diferente sobre ela.

A ordenação de mulheres é outra coisa. Em 1994, São João Paulo II declarou que a Igreja "não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres" e que isso deve ser considerado definitivo por todos os fiéis (Ordinatio Sacerdotalis 4). O Catecismo dá o motivo: a Igreja se reconhece ligada à escolha do próprio Cristo, que chamou homens para formar os Doze (1577). Não é uma regra que a Igreja diga poder mudar; ela afirma não ter autoridade para isso. É nesse ponto que a fala vai contra o ensino da Igreja.

O lugar da mulher não depende do altar

Por trás da comparação há uma pergunta séria: a Igreja diminui a mulher? A mesma carta de 1994 responde com a figura mais alta da fé. Maria, "Mãe de Deus e Mãe da Igreja", não recebeu "a missão própria dos Apóstolos nem o sacerdócio ministerial", e isso mostra que não ordenar mulheres "não pode significar uma sua menor dignidade nem uma discriminação a seu respeito" (Ordinatio Sacerdotalis 3). O texto continua: "A presença e o papel da mulher na vida e na missão da Igreja (...) permanecem, no entanto, absolutamente necessários e insubstituíveis".

A diferença com as igrejas evangélicas é real e pode ser dita com respeito. Não se trata de saber quem trata melhor as mulheres, e sim do que cada uma entende por ministério: para a Igreja Católica, o padre recebe um sacramento instituído por Cristo, a Ordem.

O preço da fidelidade

Se a Igreja mudasse o que recebeu de Cristo para ganhar fiéis, talvez crescesse por um tempo, mas teria menos a oferecer a quem chegasse. A fidelidade às vezes custa a partida de alguns. A Igreja aprendeu com o próprio Cristo, naquele dia em Cafarnaum, que esse preço vale a pena.

Veja outros Olhares sobre a vida da Igreja.

Assinado por Filipe Lourenço.

Perguntas e respostas

A Igreja Católica pode ordenar mulheres como padres?

Não. Em 1994, São João Paulo II declarou que a Igreja "não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres" e que essa sentença deve ser considerada definitiva por todos os fiéis (Ordinatio Sacerdotalis 4).

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O celibato dos padres é dogma da Igreja Católica?

Não. É disciplina da Igreja latina: o Concílio Vaticano II diz que o celibato não é exigido pela própria natureza do sacerdócio, mas confirma a regra para os padres latinos (Presbyterorum Ordinis 16); nas Igrejas católicas orientais, homens casados podem ser ordenados padres (Catecismo 1580).

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Não ordenar mulheres é discriminação, segundo a Igreja?

Não. Para a Igreja, não admitir mulheres à ordenação sacerdotal "não pode significar uma sua menor dignidade nem uma discriminação a seu respeito, mas a observância fiel de uma disposição que se deve atribuir à sabedoria do Senhor do universo" (Ordinatio Sacerdotalis 3).

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O que Lula disse sobre o celibato e as mulheres padres em 2026?

Em 16 de setembro de 2026, numa reunião com pastores evangélicos no Palácio do Planalto, Lula disse que a Igreja Católica vai passar dificuldades enquanto não acabar com o celibato e não permitir que mulheres sejam padres e bispos, e que falou sobre isso com o Papa Francisco.

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Fontes

  1. Poder360Lula defende fim do celibato na Igreja Católica
  2. Poder360Lula diz a religiosos que não faz política dentro de igrejas
  3. SBT NewsLula: celibato faz católicos crescerem menos que evangélicos
  4. CNN BrasilFrente parlamentar da Câmara repudia fala de Lula sobre Igreja Católica
  5. ACI DigitalDeclaração de Lula sobre Igreja causou desconforto, diz cardeal Jaime Spengler
  6. Todo DiaFlávio Bolsonaro repercute reação de bispo da região à fala de Lula sobre celibato na Igreja Católica

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