A resposta curta
A expressão não, mas a prática sim. O Novo Testamento mostra os apóstolos impondo as mãos e deixando homens encarregados de continuar o ministério e de passá-lo adiante (At 14,23; 2Tm 1,6; 2Tm 2,2; Tt 1,5). Por volta do ano 96, a carta de Clemente de Roma já diz que os apóstolos deixaram uma regra para que, quando estes morressem, outros homens aprovados os sucedessem no ministério.
A objeção
O que se costuma dizer
Sucessão apostólica é uma invenção para dar poder ao clero. No Novo Testamento não existe uma corrente de bispos passando o cargo de mão em mão; havia apóstolos que pregavam e comunidades simples. Pedro diz que todos os cristãos são sacerdotes (1Pd 2,9). O que importa é seguir o ensino dos apóstolos, que está na Bíblia, e não ter sido ordenado por alguém que foi ordenado por alguém.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa ideia?
A objeção tem uma forma séria, que vale ouvir. Muitos evangélicos não negam que exista sucessão: dizem que ela é de doutrina. Quem ensina o que os apóstolos ensinaram é sucessor deles, tenha ou não recebido a imposição das mãos de um bispo. Nessa visão, a Bíblia basta como ligação com os apóstolos.
Na Reforma do século XVI, as comunidades que se separaram de Roma tomaram caminhos diferentes. A maior parte das Igrejas luteranas e reformadas passou a ordenar pastores sem bispos na sucessão antiga. A Igreja da Inglaterra manteve bispos, mas em 1896 o papa Leão XIII, na carta Apostolicae Curae, declarou inválidas as ordenações anglicanas, e a Santa Sé considera esse juízo definitivo (Congregação para a Doutrina da Fé, 1998).
As Igrejas ortodoxas e as antigas Igrejas do Oriente conservaram a sucessão, e a Igreja Católica reconhece isso oficialmente. A principal questão que separa católicos e ortodoxos não é a sucessão dos bispos, mas o papel do bispo de Roma, assunto da aula Por que o papa é o líder da Igreja?.
Há ainda uma questão histórica honesta, que esta aula não esconde: os estudiosos discutem como era, nas primeiras décadas, o governo de cada Igreja local. Ela aparece mais abaixo, na parte da história.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
A pergunta não é se a expressão "sucessão apostólica" aparece na Bíblia. Não aparece, assim como não aparece "Trindade". A pergunta é: os apóstolos deixaram só um livro, ou deixaram também homens encarregados de guardar e transmitir o que tinham recebido? E como as primeiras Igrejas entenderam isso?
Para a Igreja Católica, as duas coisas andam juntas: a doutrina dos apóstolos e os pastores que a guardam. Uma sem a outra não chega inteira.
O que diz a Bíblia
O que o Novo Testamento mostra sobre os sucessores dos apóstolos?
O envio continua. Jesus diz aos apóstolos:
Como o Pai me enviou, também eu vos envio. (Jo 20,21)
E promete ficar com eles:
E eis que eu estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos. (Mt 28,20)
Os apóstolos iam morrer; o "até o fim dos tempos" aponta para além deles.
O primeiro lugar vago. Antes de Pentecostes, falta um no grupo dos Doze. Pedro lembra o salmo:
Que outro tome o seu cargo. (At 1,20)
A palavra grega para "cargo" é episkopē, a mesma de onde vem "episcopado". Matias é escolhido para ocupar "o lugar neste ministério e apostolado" (At 1,25). Há um detalhe que convém notar: o escolhido tinha de ser testemunha da ressurreição (At 1,22), e isso nenhum bispo depois dos apóstolos pode ser. O que passa adiante é o encargo, não a experiência de ter visto Jesus.
A imposição das mãos. Paulo lembra a Timóteo de onde vem o seu ministério:
Por isso te lembro que reavives o dom de Deus que está em ti pela imposição das minhas mãos. (2Tm 1,6)
Na primeira carta, fala do mesmo dom:
Não descuides do dom que há em ti, que te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. (1Tm 4,14)
E o adverte: "Não imponhas as mãos a ninguém precipitadamente" (1Tm 5,22). Um gesto que não transmitisse nada não pediria tanto cuidado.
Presbíteros em cada igreja. Nas viagens, Paulo e Barnabé deixam líderes em cada comunidade:
Designaram para eles presbíteros em cada igreja e, depois de orar com jejuns, confiaram-nos ao Senhor, em quem tinham crido. (At 14,23)
Quatro gerações num versículo.
E o que ouviste de mim diante de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de ensinar também a outros. (2Tm 2,2)
Paulo, Timóteo, os homens fiéis, os outros: uma cadeia de transmissão. E a Tito:
Eu te deixei em Creta para que pusesses em ordem o que faltava e estabelecesses presbíteros em cada cidade, como eu te ordenei. (Tt 1,5)
Aqui vale dizer com franqueza: no Novo Testamento, "presbítero" (ancião) e "bispo" (supervisor) ainda são usados para as mesmas pessoas. Paulo diz aos presbíteros de Éfeso (At 20,17) que o Espírito Santo os constituiu "bispos, para pastorear a Igreja de Deus" (At 20,28), e Tito 1,7, logo depois de falar dos presbíteros, diz "o bispo". A distinção clara entre um bispo, os presbíteros e os diáconos aparece por escrito no começo do século II, com Inácio de Antioquia.
E o sacerdócio de todos?
Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio régio, nação santa. (1Pd 2,9)
Pedro retoma Êxodo 19,6, onde Deus chama todo Israel de "reino de sacerdotes". E Israel tinha, ao mesmo tempo, sacerdotes escolhidos para o serviço do altar; uma coisa não anulava a outra. E na mesma carta em que fala do sacerdócio régio, Pedro escreve aos presbíteros para que pastoreiem o rebanho (1Pd 5,1-2).
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego; a expressão de Êxodo 19,6, a partir do hebraico. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: João 20, Mateus 28, Atos 1, Atos 14, Atos 20, 2 Timóteo 1, 1 Timóteo 4, 1 Timóteo 5, 2 Timóteo 2, Tito 1 e 1 Pedro 2.
O que diziam os primeiros cristãos
O que os primeiros cristãos escreviam sobre os sucessores dos apóstolos?
Clemente de Roma, por volta de 96. É o texto mais importante desta aula, escrito quando ainda viviam pessoas que tinham conhecido os apóstolos. A Igreja de Roma escreve a Corinto porque lá alguns tinham afastado os presbíteros. Para mostrar que isso era grave, a carta conta de onde vinham esses ministros:
Os apóstolos receberam para nós o Evangelho da parte do Senhor Jesus Cristo; Jesus, o Cristo, foi enviado da parte de Deus. Cristo, portanto, vem de Deus, e os apóstolos, de Cristo. (Carta aos Coríntios 42,1-2)
Pregando por regiões e cidades, eles estabeleciam as suas primícias, depois de prová-las pelo Espírito, como bispos e diáconos dos que haviam de crer. (42,4)
E, logo adiante:
Também os nossos apóstolos sabiam, por nosso Senhor Jesus Cristo, que haveria disputa pelo cargo de bispo. Por esse motivo, [...] estabeleceram os que mencionamos e depois deixaram uma regra para que, quando estes morressem, outros homens aprovados os sucedessem no ministério. (44,1-2)
A palavra grega traduzida por "regra" é rara e tem leitura discutida nos manuscritos, mas o sentido da frase não depende dela. O grego também é ambíguo em outro ponto: "quando estes morressem" pode falar dos ministros que os apóstolos estabeleceram ou dos próprios apóstolos. Nas duas leituras, a regra é de sucessão: outros homens aprovados assumem o ministério. A carta fala também dos que foram estabelecidos "por eles ou, depois, por outros homens respeitados, com a aprovação de toda a Igreja" (44,3): já é a geração seguinte. E, como o Novo Testamento, Clemente chama esses ministros ora de bispos, ora de presbíteros (44,4-5). A data mais aceita é o fim do reinado de Domiciano, por volta de 96; alguns estudiosos a põem logo depois da perseguição de Nero.
Inácio de Antioquia, por volta de 110. Em cada Igreja da Ásia a que escreve, Inácio vê um bispo, presbíteros e diáconos, e diz:
Sem estes, não se pode falar de Igreja. (Carta aos Tralianos 3,1)
Hegesipo, por volta de 180. Viajou pelas Igrejas para conferir se ensinavam a mesma fé. Conta que, em Roma, conferiu a sucessão até o bispo Aniceto, e conclui que em cada sucessão e em cada cidade a fé estava como anunciam a Lei, os profetas e o Senhor (citado por Eusébio, História Eclesiástica IV,22,3).
Ireneu de Lyon, por volta de 180. Contra os grupos gnósticos, que diziam ter recebido ensinamentos secretos dos apóstolos, Ireneu responde com uma prova pública:
Podemos enumerar os que foram estabelecidos bispos nas Igrejas pelos apóstolos, e os seus sucessores até nós. (Contra as Heresias III,3,1)
A lista que ele dá, a dos bispos de Roma, está resumida na aula Jesus fundou a Igreja Católica?. Em outro lugar, Ireneu diz que esses pastores, "com a sucessão no episcopado, receberam o carisma seguro da verdade" (IV,26,2).
Tertuliano, por volta de 200. Desafia os grupos que se diziam apostólicos:
Mostrem as origens das suas Igrejas; desenrolem a lista dos seus bispos, que corra em sucessão desde o começo. (A prescrição contra os hereges 32,1)
E dá exemplos: a Igreja de Esmirna mostra Policarpo, posto por João; a de Roma, Clemente, ordenado por Pedro (32,2). Tertuliano não separa a sucessão da doutrina: no mesmo capítulo, diz que Igrejas fundadas depois, sem um apóstolo como fundador, também são apostólicas porque têm a mesma fé (32,6).
As frases de Clemente e de Inácio estão em tradução nossa a partir do grego; as de Ireneu e de Tertuliano, a partir do latim.

O que a Igreja ensina
O que a Igreja ensina sobre a sucessão apostólica?
O Concílio Vaticano II e o Catecismo recolhem o que esses textos mostram, e dizem também o que não passa dos apóstolos aos bispos:
[…] por instituição divina, os Bispos sucedem aos Apóstolos […]
[…] outros homens provados tomassem conta do seu ministério
[…] há um aspecto intransmissível: serem as testemunhas escolhidas da ressurreição do Senhor […]
[…] cada qual segundo o seu modo próprio, participem do único sacerdócio de Cristo
[…] em virtude da sucessão apostólica, o sacerdócio e a Eucaristia […]
O primeiro trecho é da Lumen Gentium, que no mesmo número cita Clemente, Ireneu e Tertuliano. O segundo, do Catecismo, retoma quase as palavras de Clemente (a nota do número 861 cita a carta aos coríntios, 42 e 44). O terceiro mostra a outra face: ser testemunha escolhida da ressurreição e alicerce da Igreja é próprio dos apóstolos e não passa adiante; o encargo de pastorear, sim. O quarto responde à objeção de 1 Pedro 2,9: o sacerdócio comum dos batizados e o sacerdócio ministerial participam, cada um a seu modo, do único sacerdócio de Cristo. O último fala das Igrejas do Oriente separadas de Roma, que têm verdadeiros sacramentos.
Sobre as comunidades nascidas da Reforma, o mesmo decreto diz com franqueza que, sobretudo por falta do sacramento da Ordem, elas não conservaram a substância inteira do mistério eucarístico (n. 22). Mas diz também que o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como meios de salvação (n. 3). Uma afirmação não apaga a outra. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
O que a história mostra
A sucessão é uma lista de nomes até os apóstolos?
O que a Igreja afirma, e o que não afirma. Às vezes se diz que cada bispo católico pode mostrar, nome por nome, a sua linha até um apóstolo. Não é assim, e a Igreja não depende disso. Os registros mais antigos se perderam. Hoje, segundo o pesquisador Charles Bransom (The Pilot, 2024), mais de 95% dos quase 5.600 bispos vivos têm a linhagem documentada até o cardeal Scipione Rebiba, ordenado bispo em 1541, e ainda não se descobriu quem o ordenou. O que garante a sucessão não é um papel guardado, mas uma prática contínua e pública: desde o Concílio de Niceia, em 325, um bispo deve ser ordenado pelos bispos da sua província, ou ao menos por três deles (cânon 4), e entra num colégio que vive em comunhão. Uma linha isolada pode ter um elo sem registro; a rede inteira não desaparece.
Como era o começo. Os estudiosos discutem como cada Igreja local se organizou nas primeiras décadas. No Novo Testamento e em Clemente, as palavras bispo e presbítero ainda são usadas, em boa parte, para as mesmas pessoas; a própria Enciclopédia Católica, de 1907, reconhece que nesse período elas são em parte sinônimas, e lembra que esses presbíteros-bispos estavam sob a autoridade dos apóstolos ou dos seus enviados (como Timóteo e Tito, no Novo Testamento). Por volta de 110, Inácio já descreve, nas Igrejas da Ásia, um bispo à frente dos presbíteros e diáconos. Na carta que escreve a Roma, porém, ele não menciona nenhum bispo da cidade, e há historiadores, como Holtzmann (1880), citado nesse mesmo verbete, que pensam que um colégio de presbíteros governou as primeiras comunidades até que, no século II, um deles passou a ser o bispo. Um teólogo católico, o jesuíta Francis A. Sullivan, chega a uma conclusão parecida em From Apostles to Bishops (2001): em Roma, não havia um bispo único no século I. Mesmo assim, ele sustenta que os apóstolos passaram o seu ministério a sucessores e que o desenvolvimento do episcopado foi guiado pelo Espírito Santo.
Isso não desmonta a sucessão. O que o Vaticano II ensina é que o encargo dos apóstolos passou aos bispos (Lumen Gentium 20), não que cada detalhe da organização estivesse pronto no primeiro dia. A forma se firmou ao longo de algumas décadas; a transmissão do encargo pela imposição das mãos está lá desde o começo.
Muitas Igrejas, a mesma prática. Não foi só Roma. Eusébio de Cesareia, no começo do século IV, registra que Inácio foi o segundo bispo de Antioquia, depois de Evódio (História Eclesiástica III,22), e que em Jerusalém houve quinze bispos até a revolta judaica sob o imperador Adriano, embora ele mesmo confesse não ter achado as datas deles (IV,5). Os ortodoxos de hoje descendem dessas Igrejas antigas.
Lado a lado
A objeção e as fontes, lado a lado
| O que se diz | O que as fontes mostram | Onde conferir |
|---|---|---|
| A sucessão apostólica foi inventada no século III. | Por volta de 96, Clemente já fala da regra deixada pelos apóstolos para a sucessão no ministério. | Clemente aos Coríntios 42 e 44 |
| No Novo Testamento não há transmissão de encargo. | Os apóstolos impõem as mãos, estabelecem presbíteros e mandam passar adiante o que receberam. | 2Tm 1,6; 1Tm 4,14; At 14,23; 2Tm 2,2; Tt 1,5 |
| Se todos são sacerdotes, não há ministério ordenado. | O sacerdócio de todos convive com o dos presbíteros, como em Israel. | 1Pd 2,9; 1Pd 5,1-2; Catecismo 1547 |
| Basta a doutrina dos apóstolos. | Ireneu e Tertuliano usam juntas a doutrina e a sucessão contra quem inventava ensinos. | Ireneu III,3,1; Tertuliano, Prescrição 32 |
| Só os católicos falam em sucessão. | Os ortodoxos também a têm, e a Igreja Católica reconhece os seus sacramentos. | Unitatis Redintegratio 15 |
| Cada bispo tem a lista completa até um apóstolo. | Não: os registros antigos se perderam, e a sucessão se garante pela ordenação contínua por vários bispos. | Niceia, cânon 4 |
Os frutos
O que a sucessão guardou?
Ireneu viveu num tempo em que circulavam muitos escritos que diziam trazer ensinamentos secretos de Jesus. O critério que ele usou, a fé pública ensinada pelas Igrejas fundadas pelos apóstolos e pelos seus sucessores, ajudou a separar o que vinha dos apóstolos do que tinha sido inventado depois. Foram as Igrejas guiadas por esses pastores que, com o tempo, reconheceram quais livros formam o Novo Testamento. Quem hoje lê a Bíblia recebe um livro que chegou às suas mãos por essa cadeia de pessoas.
Por isso a Igreja não opõe a Bíblia aos sucessores dos apóstolos. Tertuliano já usava as duas provas, a origem e a fé (A prescrição contra os hereges 32,7).
Muitos pastores evangélicos servem a Cristo com dedicação e amor às Escrituras, e o Catecismo chama os cristãos das comunidades separadas de irmãos no Senhor (n. 818). A conversa sobre a sucessão não é sobre quem ama mais a Jesus. É sobre o que Ele deixou para que a fé dos apóstolos chegasse inteira até nós: um livro e, junto com ele, pastores.
Para guardar
A sucessão apostólica não é invenção tardia: os apóstolos impuseram as mãos e mandaram passar adiante o que receberam (2Tm 2,2), e por volta do ano 96 Clemente de Roma já dizia que eles deixaram uma regra para que outros homens aprovados os sucedessem no ministério.
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5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Que texto de cerca do ano 96 diz que os apóstolos deixaram uma regra para que outros homens aprovados os sucedessem no ministério?
Nos capítulos 42 e 44 da carta, a Igreja de Roma explica aos coríntios que os presbíteros vinham dos apóstolos, e os apóstolos, de Cristo.
2. Quantas gerações aparecem em 2 Timóteo 2,2?
Paulo, de quem Timóteo ouviu o ensino; Timóteo, que deve confiá-lo a homens fiéis; esses homens; e os outros, que eles vão ensinar. São quatro gerações num só versículo.
3. O que a Igreja Católica reconhece nas Igrejas ortodoxas?
É o que ensina o decreto Unitatis Redintegratio, do Concílio Vaticano II, no número 15.
4. No Novo Testamento, como aparecem as palavras presbítero e bispo?
Paulo chama os presbíteros de Éfeso de bispos (At 20,17.28). A distinção clara aparece por escrito no começo do século II, com Inácio.
5. O que Ireneu de Lyon apresentou contra quem dizia ter ensinamentos secretos dos apóstolos?
Em Contra as Heresias III,3, Ireneu diz que a tradição dos apóstolos pode ser vista em toda Igreja, e que se podem enumerar os bispos e os seus sucessores.
Perguntas frequentes
A expressão sucessão apostólica está na Bíblia?
Não com essas palavras. Mas a prática está: os apóstolos impõem as mãos, estabelecem presbíteros em cada cidade e mandam passar adiante o que receberam (At 14,23; 2Tm 1,6; 2Tm 2,2; Tt 1,5).
O que é sucessão apostólica?
É a transmissão do encargo dos apóstolos aos bispos, pela imposição das mãos, dentro do colégio dos bispos em comunhão. O Vaticano II ensina que, por instituição divina, os bispos sucedem aos apóstolos como pastores da Igreja (Lumen Gentium 20).
Os ortodoxos têm sucessão apostólica?
Sim. A Igreja Católica reconhece que as Igrejas ortodoxas têm verdadeiros sacramentos, sobretudo o sacerdócio e a Eucaristia, em virtude da sucessão apostólica (Unitatis Redintegratio 15).
Todo bispo católico tem a lista completa dos antecessores até um apóstolo?
Não. Os registros mais antigos se perderam, e a maior parte dos bispos de hoje tem a linhagem documentada até 1541. A sucessão se garante pela prática contínua de um bispo ser ordenado por outros bispos, em comunhão entre si.
Se todos os cristãos são sacerdotes, para que padres e bispos?
Porque o sacerdócio comum dos batizados (1Pd 2,9) e o sacerdócio ministerial não se excluem: participam, cada um a seu modo, do único sacerdócio de Cristo (Catecismo 1547). Em Israel, todo o povo era sacerdotal e havia sacerdotes para o altar.
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 818, 860 e 861 (a nota do 861 cita Clemente 42 e 44)
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1547
- VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Lumen Gentium, n. 20
- VaticanoConcílio Vaticano II, decreto Unitatis Redintegratio, n. 3, 15 e 22
- VaticanoCongregação para a Doutrina da Fé, nota doutrinal sobre a Professio fidei (1998), n. 11 (Apostolicae Curae)
- First1KGreekClemente de Roma, Carta aos Coríntios, texto grego (ed. Lake)
- New AdventClemente de Roma, Carta aos Coríntios (tradução inglesa)
- First1KGreekInácio de Antioquia, cartas, texto grego (ed. Lake)
- New AdventInácio de Antioquia, Carta aos Tralianos (tradução inglesa)
- New AdventEusébio, História Eclesiástica, livro III (Antioquia, III,22)
- New AdventEusébio, História Eclesiástica, livro IV (Jerusalém, IV,5; Hegesipo, IV,22)
- Internet ArchiveIreneu, Contra as Heresias, texto latino (ed. Harvey, 1857), III,3,1 e IV,26,2
- New AdventIreneu de Lyon, Contra as Heresias, III,3 (tradução inglesa)
- New AdventIreneu de Lyon, Contra as Heresias, IV,26 (tradução inglesa)
- Bibliothek der KirchenväterTertuliano, De praescriptione haereticorum 32, texto latino
- New AdventTertuliano, A prescrição contra os hereges (tradução inglesa)
- New AdventConcílio de Niceia (325), cânon 4
- Catholic EncyclopediaBispo: os termos bispo e presbítero no período primitivo (cita Holtzmann, 1880)
- The Catholic Books ReviewFrancis A. Sullivan, From Apostles to Bishops (Newman Press, 2001): resenha de David A. Fiensy
- Catholic EncyclopediaPapa Clemente I: autoria e data da carta aos Coríntios
- The Pilot (Arquidiocese de Boston)Charles N. Bransom, Almost all roads lead to Rebiba (1 de novembro de 2024)

