A resposta curta
Porque infalibilidade não quer dizer que o papa não peca nem que acerta em tudo. Quer dizer que, quando ele define solenemente, ex cathedra, uma doutrina de fé ou de moral para toda a Igreja, Deus o preserva do erro (Concílio Vaticano I, 1870). Os erros de papas que a história registra foram pecados, decisões de governo ou opiniões, não definições desse tipo.
A objeção
O que se costuma dizer
Como um homem pode ser infalível? Os papas pecaram, se contradisseram e até ensinaram heresia: o papa Honório foi condenado por um concílio. A infalibilidade foi inventada em 1870, para aumentar o poder de Roma, e muitos católicos da época a rejeitaram.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa ideia?
A objeção junta vozes diferentes.
Para os protestantes, só a Escritura não erra; nenhuma autoridade humana na Igreja tem essa garantia. Os ortodoxos creem que a Igreja é guardada na verdade e que os concílios ecumênicos ensinam sem erro, mas não aceitam que o bispo de Roma tenha, por si, esse dom.
Dentro da própria Igreja Católica houve resistência. Em 1682, o clero da França assinou uma declaração cujo quarto artigo dizia que o juízo do papa em matéria de fé não é irreformável, pelo menos até receber o consentimento da Igreja. No Concílio Vaticano I (1869-1870), uma minoria de bispos achava inoportuno definir a infalibilidade. Na votação geral de 13 de julho, 88 bispos votaram contra e 62 aprovaram com ressalvas; muitos da minoria deixaram Roma antes da sessão final, e a definição foi aprovada em 18 de julho de 1870 com apenas dois votos contrários. Em abril de 1871, o historiador alemão Ignaz von Döllinger, que recusava o dogma, foi excomungado pelo arcebispo de Munique; em setembro do mesmo ano, nessa cidade, reuniu-se o primeiro congresso dos chamados velhos católicos.
E há a confusão mais comum de todas: pensar que infalível quer dizer impecável, ou que o papa acerta em tudo o que diz.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
Antes de discutir se papas erraram, é preciso saber o que a Igreja diz que não erra. A pergunta honesta é: o que exatamente o dogma afirma, e algum papa já definiu, desse modo solene, uma doutrina que se provou falsa?
Se o dogma dissesse que o papa nunca peca ou nunca se engana, um só papa pecador bastaria para derrubá-lo. Mas não é isso que ele diz.
O que diz a Bíblia
O que a Bíblia diz sobre a fé de Pedro?
A oração por Pedro.
Simão, Simão, eis que Satanás pediu para vos peneirar como o trigo. Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, quando te converteres, confirma os teus irmãos. (Lc 22,31-32)
É o texto que o Vaticano I cita ao definir a infalibilidade. Repare no que ele promete e no que não promete. Promete que a fé de Pedro não vai desfalecer e que ele vai confirmar os irmãos. Não promete que Pedro não vai cair. Na mesma noite, ele negou Jesus três vezes:
E Pedro se lembrou da palavra que Jesus tinha dito: Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes. E saiu para fora e chorou amargamente. (Mt 26,75)
Pedro erra, e é corrigido. Anos depois, em Antioquia, Pedro deixou de comer com os cristãos vindos do paganismo, por medo dos que exigiam a circuncisão. Paulo conta:
Quando Cefas veio a Antioquia, eu me opus a ele face a face, porque ele merecia censura. (Gl 2,11)
O erro de Pedro foi de conduta: ele conhecia a verdade (At 10,34-35; At 15,7-11), mas não agiu de acordo com ela. A Bíblia mostra o mesmo Pedro como o pastor que confirma a fé e como o homem que peca. A infalibilidade não apaga a segunda coisa.
A promessa à Igreja. A garantia não é um enfeite pessoal de Pedro, mas parte de uma promessa feita à Igreja inteira:
As portas do inferno não prevalecerão contra ela. (Mt 16,18)
Quando vier o Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade. (Jo 16,13)
Quem vos ouve, a mim ouve. (Lc 10,16)
Se Cristo enviou pastores para ensinar em seu nome e prometeu que a sua Igreja não seria vencida, faz sentido que ela não possa ser obrigada, por uma decisão final dos seus pastores, a crer num erro. É essa a lógica do dogma. A leitura de Mateus 16 está na aula A pedra da Igreja é Pedro ou a fé de Pedro?.
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Lucas 22, Mateus 26, Gálatas 2, Atos 10, Atos 15, Mateus 16, João 16 e Lucas 10.
O que diziam os primeiros cristãos
O que a Igreja antiga pensava da fé de Roma?
A palavra infalibilidade, aplicada ao papa, é da Idade Média. A ideia de que a fé da Igreja de Roma era guardada de modo especial é bem mais antiga, e ela aparece junto com os casos difíceis, não contra eles.
Cipriano de Cartago, por volta de 252. Falando de um grupo que tinha ido a Roma buscar apoio, Cipriano lembra que os romanos são aqueles cuja fé foi louvada pelo apóstolo Paulo (Rm 1,8), e:
aos quais a falsidade na fé não pode ter acesso. (Carta 59,14)
É um elogio aos cristãos de Roma, feito numa carta; e o próprio Cipriano, poucos anos depois, se opôs duramente ao papa Estêvão sobre o batismo dado por hereges.
Concílio de Calcedônia, 451. Foi lida a carta do papa Leão sobre as duas naturezas de Cristo. Segundo as atas, os bispos aclamaram que Pedro tinha falado por meio de Leão, e também que Leão e Cirilo de Alexandria ensinavam a mesma coisa: a carta foi recebida porque estava de acordo com a fé de sempre.
A fórmula de Hormisdas, 519. Para encerrar um cisma entre Roma e Constantinopla, o papa Hormisdas pediu aos bispos do Oriente que assinassem uma profissão de fé. O patriarca João, de Constantinopla, aceitou-a, e em 28 de março de 519 a reconciliação foi celebrada. O texto diz:
na Sé Apostólica a religião católica sempre foi conservada sem mancha. (Fórmula de Hormisdas)
O Vaticano I cita essa frase ao definir a infalibilidade.
III Concílio de Constantinopla, 680-681. É o concílio que condenou o papa Honório (veja a história, abaixo). O mesmo concílio recebeu a carta do papa Agatão, que afirmava que a Igreja de Roma nunca se tinha desviado da tradição apostólica, e aclamou que Pedro falava por meio de Agatão. O concílio fez as duas coisas, e isso mostra a distinção: uma coisa é a fé guardada pela Sé de Roma; outra, a carta de um papa, que pode ser examinada e julgada.
Tomás de Aquino, por volta de 1270. Explica que cabe ao sumo pontífice decidir as questões de fé, para que todos as mantenham com firmeza, e dá a razão:
A fé de toda a Igreja deve ser uma só. (Suma Teológica II-II, q. 1, a. 10)
As frases de Cipriano, da fórmula de Hormisdas e de Tomás de Aquino estão em tradução nossa a partir do latim. As aclamações dos concílios estão resumidas a partir das atas.

O que a Igreja ensina
O que a Igreja define, exatamente?
A definição é do Concílio Vaticano I, na constituição Pastor Aeternus, de 18 de julho de 1870 (cap. 4). O vatican.va a publica em latim; os dois primeiros trechos estão no original, com a tradução nossa logo abaixo.
[…] cum ex Cathedra loquitur […] doctrinam de fide vel moribus ab universa Ecclesia tenendam definit […]
Neque enim Petri successoribus Spiritus Sanctus promissus est, ut eo revelante novam doctrinam patefacerent […]
[…] o Romano Pontífice não fala como pessoa privada, mas expõe ou defende a doutrina […]
[…] estende-se tanto quanto se estende o depósito da divina Revelação […]
[…] por um acto definitivo, um ponto de doutrina respeitante à fé ou aos costumes […]
O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis.
Em português, o primeiro trecho diz: o Romano Pontífice, quando fala ex cathedra, isto é, quando, no exercício do ofício de pastor e mestre de todos os cristãos, com a sua suprema autoridade apostólica, define uma doutrina de fé ou de moral que deve ser mantida por toda a Igreja, goza, pela assistência divina que lhe foi prometida no bem-aventurado Pedro, daquela infalibilidade com que o divino Redentor quis dotar a sua Igreja ao definir doutrina de fé ou de moral; por isso, essas definições são irreformáveis por si mesmas, e não pelo consentimento da Igreja. O segundo: o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que, por revelação dele, dessem a conhecer uma doutrina nova, mas para que, com a sua assistência, guardassem santamente e expusessem fielmente a revelação transmitida pelos apóstolos, isto é, o depósito da fé. Isso não separa o papa da Igreja: o Vaticano II lembra que "a estas definições nunca pode faltar o assentimento da Igreja" (Lumen Gentium 25).
Daí as condições, todas ao mesmo tempo:
- quem fala é o papa como pastor e mestre de todos os cristãos, não como pessoa privada;
- o assunto é fé ou moral;
- ele define, isto é, decide de modo definitivo;
- a doutrina deve ser mantida por toda a Igreja.
Faltando uma, não há definição infalível. Ficam de fora a vida pessoal do papa, as suas opiniões, entrevistas e livros de teologia, as decisões de governo, de disciplina e de política, e as questões de ciência. O ensino ordinário do papa, quando não define, pede dos católicos um assentimento religioso sincero, distinto do assentimento da fé (Lumen Gentium 25; Catecismo 892). E a mesma infalibilidade existe no colégio dos bispos unido ao papa, num concílio ecumênico ou quando, espalhados pelo mundo, ensinam juntos uma doutrina como definitiva (Lumen Gentium 25). Como disse Bento XVI, o poder do papa está a serviço da Palavra de Deus, não acima dela.
O que a história mostra
E os papas que erraram?
Estes são os casos que mais aparecem na objeção. Contados com honestidade, nenhum deles é uma definição ex cathedra, e alguns são de fato páginas tristes.
Libério (352-366). Recusou condenar Atanásio, o grande defensor da fé de Niceia, e foi exilado pelo imperador Constâncio, em 355, para a Trácia. Voltou a Roma por volta de 357 ou 358. Atanásio conta que, depois de dois anos de exílio e sob ameaça de morte, Libério cedeu e assinou a condenação dele (História dos arianos 41), e Jerônimo diz que ele subscreveu a heresia. Outros autores antigos o defendem. A maioria dos historiadores aceita que ele assinou alguma coisa; o que exatamente, e com que sentido, ainda é discutido, assim como a autenticidade de algumas cartas que o comprometem. Mesmo no pior cenário, foi uma assinatura arrancada no exílio, não uma definição para a Igreja; e, depois da morte do imperador, ele anulou o que o Concílio de Rimini tinha cedido aos arianos.
Vigílio (537-555). Levado para Constantinopla por ordem do imperador Justiniano, hesitou durante anos sobre condenar os chamados Três Capítulos, escritos de três autores já mortos, acusados de favorecer o nestorianismo. Condenou-os em 548, recuou diante dos protestos do Ocidente, publicou em maio de 553 um documento que recusava parte da condenação e, depois que o II Concílio de Constantinopla os condenou sem ele, aceitou a decisão em dezembro de 553 e fevereiro de 554. Foi uma questão sobre pessoas e textos, tratada sob forte pressão política, não uma mudança na fé.
Honório I (625-638). É o caso mais sério. Por volta de 634, o patriarca Sérgio, de Constantinopla, consultou o papa sobre as vontades de Cristo, e Honório respondeu numa carta que falava em "uma só vontade" de Cristo. Parece ter querido dizer que em Cristo não havia uma vontade de pecado contrária à de Deus, e o papa João IV o defendeu nesse sentido poucos anos depois. Mas a frase serviu aos monotelitas, que negavam a vontade humana de Cristo. Em 681, o III Concílio de Constantinopla condenou Honório pelo nome, junto com os hereges, e o papa Leão II, ao confirmar o concílio, escreveu que Honório não iluminou esta Igreja apostólica com o ensino da tradição dos apóstolos, mas, por uma traição profana, permitiu que a sua pureza fosse manchada (assim no texto grego; o latim diz que ele "tentou" manchá-la). Em cartas à Espanha, o mesmo papa explicou que Honório não apagou no começo a chama da heresia, como cabia à autoridade apostólica, mas a alimentou com a sua negligência. Mesmo assim, não é verdade que ele tenha sido condenado só por descuido: o concílio o pôs entre os hereges. Também é verdade que a carta respondia a uma consulta, não definia nem condenava nada e não obrigava a Igreja a crer em coisa alguma. Foi o erro de um papa num ensino que não era definição, e a própria Igreja o corrigiu.
João XXII (1316-1334). Antes de ser papa, escreveu que as almas dos justos só veriam a Deus depois do Juízo Final, e repetiu a ideia em sermões já como papa. Ele mesmo escreveu ao rei da França, em novembro de 1333, que os teólogos eram livres para discutir enquanto a Santa Sé não decidisse. Em dezembro, os teólogos de Paris reagiram e lembraram que ele dava uma opinião pessoal, sem decidir nada. O papa declarou num consistório, em janeiro de 1334, que não tinha querido dar nenhuma decisão, e retratou-se antes de morrer, em dezembro do mesmo ano. Em 1336, o seu sucessor, Bento XII, definiu na constituição Benedictus Deus que as almas dos justos veem a Deus logo depois da morte ou da purificação, texto que o Catecismo cita no número 1023.
Os papas que pecaram. Houve papas de vida escandalosa, como Alexandre VI, eleito em 1492. Isso fere a Igreja e não deve ser escondido. Mas a infalibilidade nunca prometeu santidade de vida.
Quantas definições ex cathedra existem? As reconhecidas com segurança são duas, ambas sobre Maria: a Imaculada Conceição, definida por Pio IX em 8 de dezembro de 1854, antes do próprio Vaticano I, e a Assunção, definida por Pio XII em 1º de novembro de 1950. Nas duas, o papa consultou antes os bispos do mundo inteiro (em 1849 e em 1946). Os teólogos discutem se outros atos entram na lista, como a Benedictus Deus, de 1336. A Santa Sé ensina que as canonizações de santos devem ser aceitas de modo definitivo, mas não as apresenta como dogmas revelados (Congregação para a Doutrina da Fé, 1998). A lista exata não está fechada.
Lado a lado
O que a infalibilidade é, e o que não é
| O que se diz | O que a Igreja ensina | Onde conferir |
|---|---|---|
| O papa nunca peca. | O dom não é impecabilidade: o próprio Pedro negou Jesus e foi repreendido por Paulo. | Mt 26,75; Gl 2,11 |
| O papa acerta em tudo o que diz. | Só nas definições de fé ou moral para toda a Igreja; opiniões, entrevistas e decisões de governo ficam fora. | Pastor Aeternus, cap. 4; Lumen Gentium 25 |
| O papa pode criar dogmas novos. | Ele pode definir solenemente uma verdade (como em 1854 e 1950), mas só o que já está na revelação recebida dos apóstolos; não recebe revelação nova. | Pastor Aeternus, cap. 4; Lumen Gentium 25 |
| Honório definiu uma heresia. | Foi condenado por um concílio, mas a sua carta não definia nada para a Igreja. | III Concílio de Constantinopla (681) |
| João XXII ensinou um erro como dogma. | Pregou uma opinião, disse que não decidia nada e se retratou; Bento XII definiu o contrário em 1336. | Catecismo 1023 |
| O papa usa a infalibilidade o tempo todo. | As definições ex cathedra reconhecidas com segurança são duas, de 1854 e de 1950. | Ineffabilis Deus; Munificentissimus Deus |
Os frutos
Para que serve uma promessa tão estreita?
Se o papa fosse infalível em tudo, cada opinião sua seria dogma, e a fé mudaria a cada pontificado. A doutrina diz o contrário: o papa é o primeiro obrigado a obedecer à fé que recebeu. Desde o Vaticano I, a única definição ex cathedra reconhecida com segurança é a de 1950. A promessa não existe para dar poder a um homem, mas para garantir aos fiéis que a fé dos apóstolos não será trocada por outra.
Quem levanta esta objeção costuma ter visto pecados reais na história da Igreja, e tem razão em não querer pôr a fé nas mãos de um homem. A Igreja também não põe. Ela crê que Cristo rezou por Pedro para que a sua fé não desfalecesse, e que essa oração continua sendo atendida, apesar da fraqueza dos homens que recebem esse encargo.
Para guardar
Infalibilidade não é dizer que o papa não peca nem que acerta em tudo. É a garantia de que, ao definir solenemente uma doutrina de fé ou de moral para toda a Igreja, ele não ensina erro. Nenhum dos papas que erraram fez isso numa definição desse tipo.
Teste
Teste o que você aprendeu
5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Segundo o Concílio Vaticano I, quando o papa é infalível?
A constituição Pastor Aeternus (1870, cap. 4) põe essas condições: o papa fala como pastor de todos os cristãos e define uma doutrina de fé ou moral a ser mantida por toda a Igreja.
2. Infalibilidade quer dizer que o papa não peca?
O próprio Pedro negou Jesus e foi repreendido por Paulo. A infalibilidade protege a definição, não a vida pessoal de quem a faz.
3. Quais são as definições ex cathedra reconhecidas com segurança?
Pio IX definiu a Imaculada Conceição em 1854 e Pio XII, a Assunção em 1950. Teólogos discutem se outros atos entram na lista.
4. O que aconteceu com o papa Honório I?
O concílio o condenou em 681, e Leão II confirmou a condenação. A carta, porém, respondia a uma consulta e não definia nada para a Igreja.
5. O que o papa João XXII fez com a sua opinião sobre a visão de Deus depois da morte?
Ele declarou em 1334 que não tinha dado nenhuma decisão e retratou-se no fim da vida. Em 1336, Bento XII definiu que os justos veem a Deus logo depois da morte ou da purificação.
Perguntas frequentes
O papa é infalível quando fala de política, economia ou ciência?
Não. A infalibilidade só cobre definições de fé ou de moral feitas para toda a Igreja (Concílio Vaticano I, Pastor Aeternus, cap. 4). Opiniões, entrevistas e decisões de governo não são infalíveis.
Quantas vezes o papa usou a infalibilidade?
As definições ex cathedra reconhecidas com segurança são duas: a Imaculada Conceição (1854) e a Assunção de Maria (1950). Teólogos discutem se outros atos entram na lista.
Católico tem de concordar com tudo o que o papa diz?
Não do mesmo modo. As definições pedem o assentimento da fé. O ensino ordinário do papa pede um assentimento religioso sincero, distinto da fé (Catecismo 892). Opiniões pessoais e juízos práticos podem ser discutidos, com respeito.
O papa Honório foi herege?
O III Concílio de Constantinopla (681) o condenou pelo nome por causa de uma carta que favoreceu o monotelismo, e o papa Leão II confirmou a condenação. Os historiadores discutem se a carta era herética ou só mal formulada. Ela não era uma definição para toda a Igreja.
A infalibilidade foi inventada em 1870?
Foi definida em 1870, mas a ideia de que a fé da Sé de Roma é guardada de modo especial aparece muito antes, por exemplo na fórmula de Hormisdas, aceita em Constantinopla em 519. A Santa Sé reconhece que a formulação técnica amadureceu com o tempo (Congregação para a Doutrina da Fé, 1998, n. 11).
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoConcílio Vaticano I, constituição Pastor Aeternus (1870), em latim, cap. 4
- VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Lumen Gentium, n. 25
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 891, 892 e 1023
- VaticanoBento XVI, homilia na tomada de posse da Cátedra de Roma (7 de maio de 2005)
- VaticanoPio IX, Ineffabilis Deus (8 de dezembro de 1854), em italiano
- VaticanoPio XII, Munificentissimus Deus (1º de novembro de 1950), n. 11 e 44
- VaticanoCongregação para a Doutrina da Fé, nota doutrinal sobre a Professio fidei (1998), n. 9 e 11
- Internet ArchiveCipriano, cartas, texto latino (ed. Hartel, 1871), Carta 59,14
- New AdventCipriano de Cartago, Carta a Cornélio (numerada 54 na tradução inglesa)
- New AdventConcílio de Calcedônia (451), atas da sessão II (tradução inglesa)
- New AdventIII Concílio de Constantinopla (680-681): carta de Agatão e sentença contra Honório (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaPapa Hormisdas e a fórmula de 519
- Corpus ThomisticumTomás de Aquino, Suma Teológica II-II, q. 1, a. 10, texto latino
- Catholic EncyclopediaPapa Libério
- New AdventAtanásio, História dos arianos, 41 (tradução inglesa)
- New AdventJerônimo, Sobre os homens ilustres, 97 (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaPapa Vigílio
- Catholic EncyclopediaII Concílio de Constantinopla (553) e os documentos de Vigílio
- Catholic EncyclopediaPapa Honório I
- Catholic EncyclopediaPapa João XXII e a questão da visão beatífica
- Papal Encyclicals OnlineBento XII, Benedictus Deus (1336), em inglês
- Catholic EncyclopediaPapa Alexandre VI
- Catholic EncyclopediaConcílio Vaticano I: votações de 13 e 18 de julho de 1870
- Catholic EncyclopediaGalicanismo: a declaração do clero da França de 1682
- Catholic EncyclopediaVelhos católicos: a excomunhão de Döllinger e o congresso de Munique (1871)

