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Imagem gerada por IA: Jesus, dentro do rio Jordão, de cabeça inclinada, enquanto João Batista ergue a mão na margem e uma pomba branca desce do céu aberto num raio de luz.

Onde está a Trindade na Bíblia?

A Bíblia não usa a palavra, mas ensina as três verdades que ela resume: há um só Deus; o Pai, o Filho e o Espírito Santo são Deus; e os três não são a mesma pessoa.

15 min de leitura

Imagem gerada por IA: O batismo de Jesus no Jordão: ao sair da água, ele vê o Espírito descer como pomba, e a voz do Pai vem do céu (Mt 3,16-17), em estilo de pintura renascentista

A resposta curta

A palavra Trindade não aparece na Bíblia, mas o que ela resume está lá: há um só Deus (Dt 6,4), e o Pai, o Filho e o Espírito Santo aparecem juntos e distintos, como no batismo de Jesus (Mt 3,16-17) e na ordem de batizar "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19). A palavra surgiu no fim do século II, para resumir o que a Escritura já ensinava.

A objeção

O que se costuma dizer

A palavra "Trindade" não aparece em nenhum lugar da Bíblia. O que a Bíblia repete é que Deus é um só: "Escuta, Israel: o Senhor é o nosso Deus, o Senhor é um só". A ideia de três pessoas num só Deus foi criada séculos depois dos apóstolos, no Concílio de Niceia, em 325, com o apoio do imperador Constantino. E o Espírito Santo nem é uma pessoa: é a força de Deus em ação.

A objeção chega por dois caminhos. As Testemunhas de Jeová ensinam que só o Pai, a quem chamam Jeová, é o Deus Todo-Poderoso; que Jesus foi criado por ele antes de todas as outras coisas; e que o espírito santo é "o poder de Deus em ação, ou sua força ativa". Já os pentecostais unicistas creem que Jesus é Deus, mas entendem Pai, Filho e Espírito Santo como três títulos, ou modos de agir, de uma única pessoa divina. As duas posições discordam em quase tudo, mas concordam num ponto: a Trindade não estaria na Bíblia.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa discussão?

A discussão é antiga. No fim do século II e no começo do III, alguns cristãos, para defender que Deus é um só, passaram a ensinar que o próprio Pai tinha nascido da Virgem e sofrido na cruz, e que "Filho" era só o nome do Pai feito homem. Segundo Tertuliano, um certo Práxeas foi o primeiro a levar essa ideia da Ásia para Roma (Contra Práxeas 1,4), e pouco depois um mestre chamado Sabélio se tornou o líder do grupo em Roma. A tese ficou conhecida como monarquianismo, ou sabelianismo. No século IV veio o erro do lado oposto: Ário, presbítero de Alexandria, ensinou que o Filho teve começo (é o tema da próxima aula, Jesus disse que era Deus?).

As correntes de hoje lembram essas duas. As Testemunhas de Jeová, como Ário, veem o Filho como a primeira e mais alta das criaturas. Os unicistas, como os monarquianos, afirmam a divindade de Jesus, mas não que o Pai e o Filho sejam pessoas distintas: para eles, há um só Deus, que se revelou como Pai, no Filho (Jesus, "Deus manifestado na carne") e como Espírito Santo, como diz a declaração de fé da Igreja Pentecostal Unida Internacional.

O unicismo moderno começou a tomar forma em abril de 1913, num grande acampamento pentecostal em Arroyo Seco, na Califórnia, quando o pregador canadense Robert McAlister notou que, nos Atos dos Apóstolos, os batismos são feitos "em nome de Jesus". No começo, para a maioria, era só outra fórmula de batismo; a rejeição da Trindade veio nos anos seguintes. Em 1916, a Assembleia de Deus dos Estados Unidos aprovou uma declaração de fé trinitária, e 156 membros tiveram de deixar a denominação e formaram outros grupos. Os unicistas costumam falar com reverência do Pai, do Filho e do Espírito Santo; o que rejeitam são as palavras "Trindade" e "pessoas", por não estarem na Bíblia.

A pergunta certa

Qual é a pergunta honesta?

A palavra, sozinha, não decide nada. "Bíblia" também não está na Bíblia, nem "encarnação". O nome costuma vir depois, quando é preciso dizer em poucas letras o que já se crê.

A pergunta honesta é outra: a Bíblia ensina estas três coisas ao mesmo tempo?

  1. Há um só Deus.
  2. O Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus.
  3. O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são a mesma pessoa.

"Trindade" é só o nome do conjunto das três. Se a Escritura ensina as três, ensina a Trindade, com ou sem a palavra. As Testemunhas de Jeová negam a segunda; os unicistas, a terceira.

O que diz a Bíblia

O que a Bíblia mostra sobre o Pai, o Filho e o Espírito Santo?

Há um só Deus

É a oração que Jesus chamou de primeiro mandamento (Mc 12,29):

Escuta, Israel: o Senhor é o nosso Deus, o Senhor é um só. (Dt 6,4)

Eu sou o primeiro e eu sou o último; fora de mim não há Deus. (Is 44,6)

Paulo repete que "não há Deus senão um só" (1Cor 8,4), e logo em seguida escreve:

Para nós, porém, há um só Deus, o Pai, de quem vêm todas as coisas e para quem nós existimos, e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem existem todas as coisas, e nós por meio dele. (1Cor 8,6)

Na tradução grega do Antigo Testamento, que Paulo costumava citar, Deuteronômio 6,4 diz que "o Senhor é um só" (Kýrios heîs); Paulo chama o Pai de "um só Deus" e Jesus de "um só Senhor", por meio de quem tudo foi feito. Repare que as duas palavras são as do "Escuta, Israel" (Dt 6,4), que na tradução grega diz "o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor": lido ao lado dele, o versículo sugere que Paulo não acrescenta um segundo Deus, mas põe Jesus dentro da confissão do Deus único. O Catecismo não comenta este versículo em detalhe, mas lembra que "Senhor" é a palavra com que essa tradução vertia o nome de Deus, e que o Novo Testamento a dá a Jesus, "assim reconhecido como sendo Ele próprio Deus" (n. 446). As Testemunhas de Jeová leem o versículo ao contrário: se só o Pai é "um só Deus", Jesus não seria Deus. Pela mesma lógica, se só Jesus é "um só Senhor", o Pai não seria Senhor.

O Pai, o Filho e o Espírito aparecem juntos, e não se confundem

Logo depois de batizado, Jesus saiu da água. E eis que os céus se abriram, e ele viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me agradei. (Mt 3,16-17)

Na mesma cena estão o Filho, que acaba de sair da água, o Espírito que desce e o Pai que fala do céu, e fala do Filho. Não é uma pessoa trocando de papel: os três estão ali ao mesmo tempo.

Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. (Mt 28,19)

No grego, "nome" está no singular, e cada um dos três vem com o seu próprio artigo. O Catecismo lê nesse singular um sinal de unidade: os cristãos são batizados "em nome", e não "nos nomes", porque há um só Deus (n. 233). Um só nome, três que não se confundem. Seria estranho pôr uma criatura, ou uma força impessoal, lado a lado com o Pai, no mesmo nome, no rito que faz de alguém um cristão. Paulo encerra uma carta com uma bênção que a liturgia da Missa retoma até hoje (Catecismo, n. 249):

A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós. (2Cor 13,13)

E, contra a ideia de que o Pai e o Filho são a mesma pessoa, Jesus usa a regra das duas testemunhas: "Eu sou o que dá testemunho de mim mesmo, e o Pai que me enviou dá testemunho de mim" (Jo 8,17-18). Ninguém conta a si mesmo como a segunda testemunha.

O Filho é Deus

O Evangelho de João começa dizendo que "o Verbo era Deus" (Jo 1,1) e termina com Tomé diante de Jesus ressuscitado: "Meu Senhor e meu Deus!" (Jo 20,28). Esse ponto tem uma aula própria: Jesus disse que era Deus?

O Espírito Santo é alguém, e é Deus

Na última ceia, Jesus promete "outro Paráclito" (Jo 14,16). Paráclito quer dizer defensor, advogado, o mesmo título que a Primeira Carta de João dá a Jesus (1Jo 2,1).

O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que eu vos disse. (Jo 14,26)

Ele ensina, recorda, dá testemunho (Jo 15,26) e "não falará por si mesmo, mas falará tudo o que ouvir" (Jo 16,13). Nos Atos, ele decide:

Enquanto eles celebravam o culto ao Senhor e jejuavam, o Espírito Santo disse: Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os chamei. (At 13,2)

Ele distribui os dons "a cada um, como quer" (1Cor 12,11) e pode ser entristecido (Ef 4,30). Uma força pode ser usada, mas não diz "separai-me", não quer e não fica triste. E ele é Deus. Quando Ananias mente sobre o preço de um campo, Pedro lhe diz:

Por que Satanás encheu o teu coração, para mentires ao Espírito Santo? [...] Não mentiste aos homens, mas a Deus. (At 5,3-4)

As Testemunhas de Jeová lembram que o Espírito é "derramado" e que as pessoas ficam "cheias" dele, e perguntam como uma pessoa poderia encher outra. Mas Paulo pede que os cristãos sejam "cheios de toda a plenitude de Deus" (Ef 3,19) e que se revistam "do Senhor Jesus Cristo" (Rm 13,14). São imagens, e a Bíblia as usa também para Deus e para Cristo.

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do hebraico (Deuteronômio e Isaías) e do grego. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Deuteronômio 6, Marcos 12, Isaías 44, 1 Coríntios 8, Mateus 3, Mateus 28, 2 Coríntios 13, João 8, João 1, João 20, João 14, 1 João 2, João 15, João 16, Atos 13, 1 Coríntios 12, Efésios 4, Atos 5, Efésios 3, Romanos 13. Os outros capítulos citados na aula: Gênesis 1, João 10, Isaías 9, Isaías 22, João 17 e 1 João 4.

Imagem gerada por IA: num monte ao amanhecer, Jesus ressuscitado ergue o braço diante dos onze apóstolos; alguns se ajoelham, outros hesitam, e ao fundo brilha o mar da Galileia.
Imagem gerada por IA: Num monte da Galileia, Jesus ressuscitado envia os onze a fazer discípulos e a batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; alguns ainda duvidavam (Mt 28,16-20), em estilo de pintura barroca

O que diziam os primeiros cristãos

Os cristãos já criam nisso antes de Niceia?

Se a Trindade tivesse sido inventada em 325, os cristãos de antes não falariam como falavam.

A Didaqué, provavelmente do fim do século I (alguns estudiosos a põem no século II). É um pequeno manual de vida cristã. Sobre o batismo, manda:

Batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, em água viva [isto é, corrente]. [...] Se não tiveres nem uma nem outra, derrama água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. (Didaqué 7,1.3)

O mesmo manual, adiante, chama os batizados de "os que foram batizados no nome do Senhor" (9,5). Ser batizado "no nome do Senhor" e com as palavras de Mateus 28,19 não eram coisas opostas, o que ajuda a responder ao argumento unicista tirado de Atos 2,38.

Ireneu de Lyon, por volta de 180. Comentando o "Façamos o homem" (Gn 1,26), ele diz que Deus não precisou de anjos para criar:

Pois sempre estiveram com ele o Verbo e a Sabedoria, o Filho e o Espírito, por meio dos quais e nos quais fez todas as coisas, livre e espontaneamente, e a quem também fala, dizendo: Façamos o homem. (Contra as Heresias IV,20,1)

Teófilo de Antioquia, por volta de 180. É nele que aparece, pela primeira vez num texto que chegou até nós, a palavra grega triás, Trindade:

Os três dias que vieram antes dos luzeiros são figuras da Trindade: de Deus, do seu Verbo e da sua Sabedoria. (A Autólico II,15)

Para Teófilo, como para Ireneu, a Sabedoria é o Espírito Santo.

Tertuliano, por volta de 213 (a data é discutida). Em Cartago, ele escreve Contra Práxeas, e é nos seus escritos que aparece pela primeira vez a palavra latina trinitas. Ele já tinha aderido ao montanismo, movimento rigorista que se separou da Igreja. Mas, contra Práxeas, defende a distinção das pessoas na unidade de Deus, que é a fé da Igreja, ainda que algumas fórmulas dele a teologia tenha afinado depois. A heresia de Práxeas, resume Tertuliano, "diz que o próprio Pai desceu à Virgem, que ele mesmo nasceu dela, ele mesmo sofreu" (1,1). Sobre "Eu e o Pai somos um" (Jo 10,30), Tertuliano nota que Jesus não disse "somos um só" (masculino, uma pessoa), mas "somos uma só coisa" (neutro), como explica em 22,10-11, e conclui:

Os três são uma só coisa, não um só, como foi dito: Eu e o Pai somos um, quanto à unidade da substância, e não à singularidade do número. (Contra Práxeas 25,1)

Dionísio de Roma, por volta de 260. O bispo de Roma escreve contra Sabélio, que dizia que o Filho é o Pai, e contra quem pregava três deuses separados:

Eles sabem bem que a divina Escritura anuncia uma Tríade, mas que nem o Antigo nem o Novo Testamento anunciam três deuses. (citado por Atanásio, Sobre os decretos de Niceia 26)

As frases da Didaqué e de Teófilo estão em tradução nossa a partir do grego; as de Tertuliano, a partir do latim. As de Ireneu e de Dionísio foram traduzidas por nós a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina sobre a Trindade?

Para a Igreja, a Trindade é o "mistério central da fé e da vida cristã" (Catecismo, n. 234). Os primeiros concílios não a inventaram; puseram em palavras precisas o que já se professava no batismo. Em 325, Niceia confessou que o Filho é da mesma substância que o Pai; em 381, Constantinopla confessou a divindade do Espírito Santo. O Catecismo resume:

Foi esse o trabalho dos primeiros concílios, ajudados pelo trabalho teológico dos Padres da Igreja e sustentados pelo sentido da fé do povo cristão.

Catecismo da Igreja Católica, n. 250

O Credo do Concílio de Constantinopla da Igreja confessa que Ele, «com o Pai e o Filho, é adorado e glorificado».

Catecismo da Igreja Católica, sobre o Espírito Santo, n. 245

A Trindade é una. Nós não confessamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 253

«Pai», «Filho», «Espírito Santo» não são meros nomes que designam modalidades do ser divino, porque são realmente distintos entre Si.

Catecismo da Igreja Católica, n. 254

É verdade que Deus deixou traços do seu Ser trinitário na obra da criação e na sua revelação ao longo do Antigo Testamento.

Catecismo da Igreja Católica, n. 237

O primeiro trecho diz como a fé foi posta em palavras. O terceiro responde a quem pensa em três deuses; o quarto, a quem pensa num só Deus com três nomes. As três pessoas se distinguem só pelas relações entre si: o Pai gera, o Filho é gerado, o Espírito Santo procede (n. 254 e 255).

O último trecho pede cautela. O Catecismo fala de "traços" no Antigo Testamento, sem listá-los. Ireneu, como vimos, lia assim o "Façamos" do Gênesis; mas o mesmo número 237 diz que a intimidade de Deus como Trindade só foi revelada com a vinda do Filho e o envio do Espírito. Sozinho, o "Façamos" não prova a Trindade.

Vale também distinguir: que Deus é um só em três pessoas é dogma de fé; as comparações que ajudam a pensar (o sol e o raio, a fonte e o rio) são tentativas dos teólogos, úteis, mas limitadas. A Trindade é um mistério em sentido estrito, que a razão sozinha não alcança (n. 237). Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

O que a história mostra

Se a Bíblia já ensinava, por que a palavra demorou?

A palavra. "Trindade" vem do latim trinitas, que traduz o grego triás. Teófilo de Antioquia usa a palavra grega por volta de 180; Tertuliano, a latina, no começo do século III.

Por que foi preciso. Quando surgiram leituras diferentes da mesma Bíblia (o Pai que sofre na cruz; o Filho que teve começo), foi preciso escolher palavras que não deixassem dúvida, como "substância" e "pessoa", às quais a Igreja deu um sentido novo, a serviço da fé (Catecismo, n. 251).

Niceia e Constantinopla. Em 325, em Niceia, os bispos responderam a Ário com a palavra homoúsios, "da mesma substância". Em 381, o imperador Teodósio reuniu em Constantinopla cerca de 150 bispos, que confirmaram a fé de Niceia e responderam aos que negavam que o Espírito Santo fosse Deus.

E o Império? O apoio dos imperadores não foi para Niceia. Nos últimos anos, o próprio Constantino passou a favorecer os adversários do concílio, e depois o filho dele, Constâncio II, os apoiou abertamente (Bento XVI, audiência de 20/6/2007). Atanásio, bispo de Alexandria e defensor de Niceia, foi obrigado a deixar a sua cidade cinco vezes entre 336 e 366. A fé de Niceia atravessou essas décadas contra a vontade de boa parte dos imperadores; a história está na aula Constantino criou a Igreja Católica?.

O Credo. O Credo ligado a esses dois concílios, o Niceno-Constantinopolitano, continua na liturgia e é comum até hoje a todas as grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente (Catecismo, n. 195).

Lado a lado

As objeções e as respostas, lado a lado

O que se dizO que a Bíblia e a Igreja mostramOnde conferir
O Espírito Santo é só uma força de Deus.Ele ensina, fala, decide e pode ser entristecido; mentir a ele é mentir a Deus.Jo 14,26; At 13,2; Ef 4,30; At 5,3-4
"Quem me vê, vê o Pai": logo, Jesus é o Pai.No mesmo capítulo, Jesus diz que vai para o Pai e que pedirá ao Pai outro Paráclito. Vê-se o Pai no Filho, mas um não é o outro.Jo 14,9-16
Isaías chama o Messias de "Pai eterno".É título de cuidado com o povo, como o de Eliaquim, "um pai para os habitantes de Jerusalém". Não diz que o Filho é o Pai.Is 9,5; Is 22,21
Crer na Trindade é crer em três deuses.A Igreja confessa um só Deus em três pessoas. Por volta de 260, Dionísio de Roma já rejeitava os "três deuses".Catecismo, n. 253

Os frutos

Que diferença faz crer num Deus trino?

A Trindade muda o jeito de entender quem é Deus. A Primeira Carta de João diz que "Deus é amor" (1Jo 4,8). A quem Deus amava antes de criar o mundo? O Catecismo responde que Deus "é eternamente permuta de amor: Pai, Filho e Espírito Santo" (n. 221), e Jesus fala do amor do Pai por ele "antes da criação do mundo" (Jo 17,24).

E a vida cristã é trinitária do começo ao fim: começa no batismo em nome dos três e volta a cada sinal da cruz, a cada "Glória ao Pai", a cada Missa.

Com quem pensa diferente, há chão comum. As Testemunhas de Jeová levam a sério a unidade de Deus e leem muito a Bíblia. Os unicistas creem firmemente que Jesus é Deus. Vale começar pelo que se tem em comum e ler juntos, sem pressa, os capítulos 14 a 17 de João.

Para guardar

A palavra Trindade não está na Bíblia, mas o que ela resume está: um só Deus, e o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que agem juntos e não se confundem. Jesus mandou batizar "em nome" dos três, e não "nos nomes".

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Em que versículo Jesus manda batizar "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo"?

  2. 2. Quem é o primeiro autor, entre os textos que chegaram até nós, a usar a palavra grega triás (Trindade)?

  3. 3. O que aparece ao mesmo tempo na cena do batismo de Jesus (Mt 3,16-17)?

  4. 4. O que diz o Catecismo, no número 254, sobre os nomes Pai, Filho e Espírito Santo?

  5. 5. Que concílio confessou que o Espírito Santo, com o Pai e o Filho, é adorado e glorificado?

Perguntas frequentes

A palavra Trindade está na Bíblia?

Não. A palavra grega triás aparece por volta de 180, com Teófilo de Antioquia, e a latina trinitas no começo do século III, com Tertuliano. Mas o que ela resume está na Bíblia: um só Deus (Dt 6,4), e o Pai, o Filho e o Espírito Santo juntos e distintos (Mt 3,16-17; Mt 28,19).

E 1 João 5,7 ("três dão testemunho no céu")?

Algumas Bíblias antigas trazem, em 1 João 5,7-8, a frase "três dão testemunho no céu: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e esses três são um". Ela não está em nenhum manuscrito grego em letras maiúsculas, os mais antigos, e aparece só em quatro manuscritos gregos tardios, dos séculos XV e XVI, como registra a Catholic Encyclopedia; entrou no texto por cópias latinas. A Nova Vulgata, a edição latina publicada pela Santa Sé, traz só "o Espírito, a água e o sangue". Por isso esta aula não usa esse versículo: a fé na Trindade não depende dele.

O que é o unicismo?

É a crença, surgida entre pentecostais dos Estados Unidos a partir de 1913, de que Pai, Filho e Espírito Santo são títulos de uma só pessoa divina, que é Jesus. Lembra o sabelianismo do século III. A Igreja ensina que os três são realmente distintos, e não meros nomes de modos de ser de Deus (Catecismo, n. 254).

Batizar só "em nome de Jesus" (At 2,38) basta?

Para a Igreja, o batismo se faz invocando os três, como Jesus mandou (Mt 28,19). No rito latino, o ministro diz: «N., eu te baptizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Catecismo, n. 1240). E, em caso de necessidade, qualquer pessoa pode batizar, desde que use «a fórmula baptismal trinitária» (n. 1256). A Didaqué, um dos textos cristãos mais antigos, chama os batizados de "batizados no nome do Senhor" e, ao mesmo tempo, manda batizar com as palavras de Mateus 28,19: para ela, as duas coisas andavam juntas.

O que quer dizer "pessoa" na Trindade?

A Igreja usa o termo «substância» «para designar o ser divino na sua unidade» e o termo «pessoa» ou «hipóstase» «para designar o Pai, o Filho e o Espírito Santo na distinção real entre Si» (Catecismo, n. 252). Não são três indivíduos separados, como três homens, que dividiriam a divindade: cada um é Deus por inteiro, e os três são um só Deus (n. 253).

Dá para entender a Trindade?

Dá para entender o que a Igreja afirma e o que ela nega, mas não para esgotar o mistério. O Catecismo diz que a Trindade é um mistério de fé em sentido estrito, que só conhecemos porque Deus o revelou (n. 237).

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 221, 232 a 237, 245 e 249 a 255
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 195 (o Credo de Niceia e Constantinopla)
  3. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 446 (o título de Senhor)
  4. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1240 e 1256 (a fórmula do batismo)
  5. VaticanoNova Vulgata, Primeira Carta de João, 5,7-8
  6. VaticanoCompêndio do Catecismo da Igreja Católica, n. 44 a 49
  7. VaticanoBento XVI, audiência geral de 20 de junho de 2007: Constantino, Constâncio II, os exílios de Atanásio e o Credo
  8. Bible HubTexto grego de Mateus 28,19
  9. Bible HubTexto grego de 1 Coríntios 8,6
  10. Bible HubTexto hebraico de Deuteronômio 6,4
  11. Blue Letter BibleDeuteronômio 6,4 na Septuaginta
  12. First1KGreekDidaqué, texto grego (7,1-3 e 9,5)
  13. New AdventDidaqué, 7 e 9 (tradução inglesa)
  14. New AdventIreneu de Lyon, Contra as Heresias, IV,20 (tradução inglesa)
  15. First1KGreekTeófilo de Antioquia, A Autólico, texto grego (II,15)
  16. New AdventTeófilo de Antioquia, A Autólico, livro II (tradução inglesa)
  17. The Latin LibraryTertuliano, Contra Práxeas, texto latino (1, 2, 3, 22 e 25)
  18. The Tertullian ProjectCronologia das obras de Tertuliano (Contra Práxeas, por volta de 213)
  19. New AdventAtanásio, Sobre os decretos de Niceia, 26: a carta de Dionísio de Roma (tradução inglesa)
  20. Catholic EncyclopediaThe Blessed Trinity: triás em Teófilo, trinitas em Tertuliano, a Sabedoria como o Espírito
  21. Catholic EncyclopediaMonarchians: Práxeas e Sabélio
  22. Catholic EncyclopediaPope St. Dionysius: o sínodo de Roma por volta de 260
  23. Catholic EncyclopediaFirst Council of Constantinople: Teodósio, 381, os 150 bispos
  24. Catholic EncyclopediaEpistles of Saint John: a passagem das três testemunhas nos manuscritos
  25. Christianity Today (Christian History, n. 58)Kenneth Gill, Dividing Over Oneness: Arroyo Seco (1913) e a Assembleia de Deus (1916)
  26. United Pentecostal Church InternationalOur Beliefs: a declaração de fé sobre Deus
  27. Catholic EncyclopediaTertullian: Contra Práxeas entre as obras do período montanista
  28. jw.orgQuem são as Testemunhas de Jeová?
  29. jw.orgA Sentinela, 1/10/2009: O que é o espírito santo?
  30. jw.orgA Sentinela, 1/3/2013: Por que Jesus é chamado de Filho de Deus?
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