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Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: bispos idosos, alguns com marcas da perseguição, debatem num grande salão de mármore, enquanto o imperador, de manto púrpura, escuta sentado ao lado.

Constantino criou a Igreja Católica?

Ele deu liberdade, prédios e prestígio à Igreja, e isso mudou muita coisa. Mas não lhe deu bispos, doutrina nem Bíblia: tudo isso já existia.

12 min de leitura

Imagem gerada por IA: O Concílio de Niceia, em 325, em estilo de pintura renascentista. Constantino convocou e abriu o concílio; a fé ali defendida era a que as Igrejas já professavam

A resposta curta

Não. Constantino deu liberdade, prédios e privilégios a uma Igreja que já existia havia quase três séculos, com bispos, Escrituras, concílios e mártires. O Concílio de Niceia, que ele convocou em 325, não inventou a divindade de Jesus nem escolheu os livros da Bíblia: confirmou a fé que as Igrejas já professavam, e anos depois o próprio imperador favoreceu o lado derrotado.

A objeção

O que se costuma dizer

Antes de Constantino, os cristãos viviam em comunidades simples, sem hierarquia, sem dogmas e sem rituais. Em 313, o imperador legalizou o cristianismo e passou a usar a Igreja como instrumento do seu poder. Em 325, convocou e presidiu o Concílio de Niceia, onde se votou que Jesus era Deus e se escolheram os livros da Bíblia. A Igreja Católica de hoje é a Igreja de Constantino, não a dos apóstolos.

De onde vem a pergunta

De onde vem a ideia de que Constantino fundou a Igreja?

Há um fundo de verdade que vale reconhecer logo. Constantino foi o primeiro imperador romano a professar a fé cristã, e o seu governo mudou de fato a situação da Igreja: ela saiu da perseguição para o favor do Estado, ganhou prédios, dinheiro e privilégios, e passou a conviver com imperadores que queriam opinar nos assuntos dela. Muitos cristãos, de várias tradições, lamentam essa proximidade com o poder, e essa crítica merece ser ouvida.

A objeção vai além: diz que Constantino criou a Igreja Católica. Essa versão circula em pregações, vídeos e correntes de mensagem, e ganhou força com o romance O Código Da Vinci (2003). Nele, um personagem afirma que a divindade de Jesus foi decidida em Niceia por uma votação "relativamente apertada" e que Constantino mandou fazer uma nova Bíblia. Historiadores e apologistas, católicos e evangélicos, responderam ao livro; entre os evangélicos, por exemplo, Greg Koukl, da organização Stand to Reason, em 2006.

Outra raiz é a tese do pastor escocês Alexander Hislop, para quem a Igreja de Roma seria paganismo disfarçado. Ela aparece na aula 1 e é o tema da próxima: O catolicismo misturou crenças pagãs?

A pergunta certa

Qual é a pergunta honesta sobre Constantino?

A pergunta honesta separa duas coisas: Constantino mudou a situação da Igreja ou mudou a identidade dela?

Que a situação mudou, ninguém discute. A questão é se os bispos, a fé em Jesus como Deus, as Escrituras e o culto apareceram com ele ou já estavam lá antes. Isso se responde com documentos datados, e eles existem: cartas, manuais, atas de concílios e até a correspondência de um governador pagão.

O que diz a Bíblia

O que a Bíblia diz sobre a Igreja e o poder do Estado?

Os livros do Novo Testamento foram escritos cerca de dois séculos antes de Constantino. E já mostram três coisas que a objeção atribui a ele: uma Igreja que não nasce do poder político, uma Igreja com ministros e a fé de que Jesus é Deus.

O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus servidores lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é daqui. (Jo 18,36)

Jesus diz isso diante de Pilatos, o governador romano. O Reino que Ele anuncia não depende de exército nem de imperador.

Devolvei, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. (Mt 22,21)

A distinção entre o poder político e Deus está no próprio Evangelho. Por isso a Igreja nunca pôde ser, em princípio, uma repartição do Império.

Por minha causa, sereis levados diante de governadores e reis, para dar testemunho diante deles e das nações. (Mt 10,18)

Jesus avisou que o poder perseguiria os seus. Foi o que aconteceu, com intervalos, desde Nero, em 64, até o édito de Galério, em 311.

Designaram presbíteros para eles em cada igreja e, depois de rezar e jejuar, os confiaram ao Senhor, em quem tinham crido. (At 14,23)

Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os bispos e diáconos. (Fl 1,1)

Já no tempo dos apóstolos há ministros escolhidos e estabelecidos: presbíteros, bispos, diáconos. Os nomes ainda variavam (às vezes "bispo" e "presbítero" indicam as mesmas pessoas), e isso é tratado na aula A sucessão apostólica está na Bíblia?. Mas uma Igreja "sem hierarquia" não aparece nem na Bíblia.

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. (Jo 1,1)

Tomé respondeu-lhe: Meu Senhor e meu Deus! (Jo 20,28)

A fé de que Jesus é Deus está nos Evangelhos. Niceia não a inventou: defendeu-a contra quem a negava.

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: João 18, Mateus 22, Mateus 10, Atos 14, Filipenses 1, João 1 e João 20.

O que diziam os primeiros cristãos

O que os documentos de antes de Constantino mostram?

A aula 1 já trouxe três testemunhas: Inácio de Antioquia chamando a Igreja de católica (por volta de 110), Justino descrevendo a Missa de domingo (por volta de 155) e Ireneu listando os bispos de Roma (por volta de 180). Aqui vão outras, sobre os três pontos da objeção: hierarquia, divindade de Jesus e uma Igreja organizada.

Clemente de Roma, por volta de 96. A Igreja de Roma escreve aos cristãos de Corinto, que tinham afastado os seus presbíteros. A carta, atribuída ao bispo Clemente, explica de onde vem o ministério:

Os nossos apóstolos sabiam, por nosso Senhor Jesus Cristo, que haveria disputa por causa do título do episcopado. [...] Estabeleceram os que mencionamos e depois deram uma regra: que, quando estes adormecessem, outros homens aprovados os sucedessem no ministério. (Primeira Carta de Clemente 44,1-2)

A data mais aceita é o fim do reinado de Domiciano, por volta de 96; alguns estudiosos preferem uma data anterior.

A Didaqué, provavelmente do fim do século I. É um pequeno manual de vida cristã, cuja data é discutida (há quem o ponha no século II). Ele manda:

Escolhei para vós bispos e diáconos dignos do Senhor, homens mansos, desapegados do dinheiro, verdadeiros e provados. (Didaqué 15,1)

Um governador pagão, por volta de 112. Plínio, o Jovem, governador da Bitínia (na atual Turquia), escreveu ao imperador Trajano perguntando o que fazer com os cristãos. E contou o que eles faziam:

Tinham o costume de se reunir num dia fixo, antes do amanhecer, e de cantar, alternando entre si, um hino a Cristo como a um deus. (Plínio, Cartas X,96,7)

Na mesma época, Inácio de Antioquia escrevia que "o nosso Deus, Jesus, o Cristo, foi trazido no seio por Maria" (Carta aos Efésios 18,2). Mais de duzentos anos antes de Niceia, cristãos e pagãos sabiam que os cristãos adoravam a Cristo como Deus.

Um sínodo e um imperador pagão, entre 268 e 272. Paulo de Samósata, bispo de Antioquia, negava que Jesus fosse Filho de Deus por natureza. Depois de vários sínodos, um sínodo de bispos reunido em Antioquia por volta de 268 o depôs e escreveu aos bispos de Roma e de Alexandria "e a toda a Igreja católica que está debaixo do céu" (Eusébio, História Eclesiástica VII,30,2). Paulo se recusou a deixar a casa da igreja, e o caso foi parar no imperador Aureliano, que era pagão. Eusébio de Cesareia conta a decisão, de 272:

O imperador Aureliano, a quem se recorreu, decidiu com muito acerto o que fazer: mandou entregar a casa àqueles com quem os bispos da doutrina na Itália e na cidade de Roma mantivessem correspondência. (História Eclesiástica VII,30,19)

Paulo era protegido de Zenóbia, a rainha de Palmira, inimiga de Aureliano. Seja qual for o motivo do imperador, o critério usado para saber quem era a Igreja católica em Antioquia foi a comunhão com os bispos da Itália e de Roma.

A igreja de Nicomédia, em 303. No primeiro dia da perseguição de Diocleciano, soldados invadiram a igreja de Nicomédia, queimaram os livros das Escrituras e, em poucas horas, puseram abaixo o edifício, que era alto e ficava à vista do palácio (Lactâncio, Sobre a morte dos perseguidores, 12). A Igreja já tinha prédios, livros e bens, e por isso o Império os destruiu.

As frases de Clemente, da Didaqué, de Inácio e de Eusébio estão em tradução nossa a partir do grego; a de Plínio, a partir do latim.

Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: soldados romanos com machados derrubam uma igreja alta num morro, enquanto livros das Escrituras queimam numa fogueira e cristãos assistem de longe.
Imagem gerada por IA: A destruição da igreja de Nicomédia em 303, narrada por Lactâncio. Dez anos antes da liberdade de culto, a Igreja já tinha prédios e livros

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina sobre a sua origem, a sua fé e o poder político?

A Igreja não se vê como obra de um imperador. O Catecismo ensina que a estrutura dela vem do próprio Cristo, que escolheu os Doze com Pedro à frente; que os concílios dos primeiros séculos formularam a fé que já se professava; que foi a Tradição dos apóstolos que permitiu reconhecer os livros da Bíblia; e que a Igreja não se confunde com nenhum poder político:

O Senhor Jesus dotou a sua comunidade duma estrutura que permanecerá […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 765

[…] confessou no seu Credo que o Filho de Deus é «gerado, não criado […]»

Catecismo da Igreja Católica, sobre o Concílio de Niceia, n. 465

Foi a Tradição Apostólica que levou a Igreja a discernir quais os escritos […]

Catecismo da Igreja Católica, sobre os livros da Bíblia, n. 120

A Igreja […] de modo algum se confunde com a comunidade política […]

Catecismo da Igreja Católica, citando o Concílio Vaticano II, n. 2245

O número 465 lembra um detalhe que liga tudo isto: ainda no século III, antes de Constantino, um concílio reunido em Antioquia já tinha afirmado, contra Paulo de Samósata, que Jesus é Filho de Deus por natureza e não por adoção. É o mesmo caso que terminou nas mãos do imperador Aureliano. E o número 250 explica o papel dos concílios: nos primeiros séculos, a Igreja procurou formular com mais precisão a fé que já tinha, para entendê-la melhor e defendê-la dos erros. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

Linha do tempo

A vida de Constantino em datas

Repare nos últimos anos: o imperador que teria criado a fé de Niceia passou a proteger quem a combatia.

  1. 306Aclamado imperadorCom a morte do pai em Eboraco (atual York, na Inglaterra), o exército o aclama imperador.
  2. 312Ponte MílviaVence Maxêncio perto de Roma e atribui a vitória ao Deus dos cristãos.
  3. 313Liberdade de cultoCombina com Licínio a liberdade religiosa para todos (veja a aula 1). Por essa época, doa ao bispo de Roma o palácio de Latrão.
  4. 321Lei do descansoManda juízes e trabalhadores das cidades descansarem no "venerável dia do sol", o domingo dos cristãos.
  5. 324Único imperadorDerrota Licínio e passa a governar sozinho o Oriente e o Ocidente.
  6. 325Concílio de NiceiaConvoca os bispos, abre a assembleia com um discurso e acompanha os debates sobre Ário.
  7. 326Crise na famíliaManda matar o filho mais velho, Crispo, e a esposa, Fausta, por razões até hoje obscuras.
  8. 328Ário voltaChama Ário de volta do exílio; pouco depois, pressiona Atanásio, bispo de Alexandria, a recebê-lo.
  9. 336Atanásio no exílioDepois do sínodo de Tiro (335), que o depôs, e de uma nova acusação (ameaçar o trigo do Egito), manda Atanásio para o exílio em Tréveris, na atual Alemanha.
  10. 337Batismo e morteÉ batizado no leito de morte, perto de Nicomédia, por Eusébio de Nicomédia, e morre em 22 de maio.

O que a história mostra

Constantino presidiu Niceia e escolheu a Bíblia?

O que ele fez de verdade. Constantino deu liberdade de culto (313), mandou devolver os bens tirados da Igreja e foi muito além disso. Por volta de 313, doou ao bispo de Roma o palácio imperial de Latrão, onde se ergueu a basílica que hoje é São João de Latrão. Deu ao clero isenções de impostos e de cargos públicos, mandou construir grandes igrejas, como a do Santo Sepulcro, em Jerusalém, e em 321 mandou juízes e trabalhadores das cidades descansarem no domingo. Isso mudou a vida da Igreja, para o bem e para o mal: as perseguições acabaram, mas vieram conversões por conveniência e imperadores querendo decidir questões de fé.

Também não convém idealizá-lo. Ele continuou com o título pagão de pontífice máximo, chefe do culto romano; em 326 mandou matar o filho mais velho e a própria esposa; e só foi batizado no leito de morte. Os historiadores ainda discutem quando e com que profundidade ele se converteu.

Quem decidiu em Niceia? A crise não começou com ele. Por volta de 320, um concílio de cerca de cem bispos do Egito e da Líbia, convocado por Alexandre, bispo de Alexandria, já tinha condenado Ário. Em 325, Constantino convocou os bispos para Niceia, pôs à disposição deles o transporte oficial, abriu a assembleia com um discurso em latim e acompanhou os debates, insistindo na concórdia. Segundo Eusébio de Cesareia, que estava presente, depois do discurso o imperador deu a palavra aos que presidiam o concílio (Vida de Constantino III,13). Ele não foi um espectador. Mas a fé discutida ali não era dele: era a das Igrejas, e entre os bispos que a defendiam havia confessores que tinham sofrido na perseguição.

Foi uma votação apertada? Não. Quase todos os bispos assinaram a fórmula de fé; só dois se recusaram, Teonas de Marmárica e Segundo de Ptolemaida, e foram condenados com Ário, que era presbítero. O que Niceia fez foi escolher uma palavra precisa, homoúsios ("da mesma substância"), para dizer sem ambiguidade o que os Evangelhos e os cristãos dos séculos anteriores já diziam: o Filho é Deus como o Pai. E os cânones do concílio mandam manter "os costumes antigos" das Igrejas de Alexandria, de Roma e de Antioquia (cânon 6). Ninguém chama de antigo o que acabou de inventar.

E a Bíblia? Os vinte cânones de Niceia que chegaram até nós tratam de ordenações, penitência, disciplina do clero e outros temas; nenhum fala da lista dos livros sagrados. Os quatro Evangelhos já eram defendidos como os únicos por Ireneu de Lyon, por volta de 180 (Contra as Heresias III,11,8). A primeira lista que traz exatamente os 27 livros do Novo Testamento é de Atanásio de Alexandria, na sua carta de Páscoa de 367, trinta anos depois da morte de Constantino.

Depois de Niceia, de que lado ficou o imperador? Ele nunca revogou o Credo, mas passou a favorecer os adversários do concílio. Em 328, chamou Ário de volta do exílio e, pouco depois, pressionou Atanásio a recebê-lo. Em 336, mandou Atanásio para o exílio. Seu filho Constâncio II apoiou abertamente os arianos, e Atanásio ainda seria exilado outras vezes, por Constâncio, por Juliano e por Valente. A fé de Niceia sobreviveu apesar dos imperadores, não por causa deles.

Os frutos

Uma Igreja criada pelo imperador teria resistido a ele?

Se a Igreja fosse uma criação de Constantino, faria o que o imperador mandasse. Não foi o que aconteceu. Atanásio foi mandado para o exílio por quatro imperadores diferentes e não mudou a sua fé. Os bispos que assinaram o Credo de Niceia, vários deles marcados pela perseguição de poucos anos antes, sabiam bem a diferença entre um imperador e Cristo.

Também não é preciso fingir que tudo foi bom. A proximidade com o poder trouxe tentações reais, e a Igreja sofreu com elas; a aula Como confiar na Igreja diante dos erros da história? trata disso com calma.

Quem repete que Constantino criou a Igreja quase sempre ouviu isso de alguém em quem confia, e muitas vezes ama Jesus de verdade. Mais do que vencer uma discussão, vale abrir juntos os textos dos primeiros séculos, que estão ao alcance de qualquer um, e deixar que eles falem.

Para guardar

Constantino mudou a situação da Igreja, não a identidade dela. Bispos, Escrituras, a fé em Jesus como Deus e os mártires já estavam lá; e, depois de Niceia, o próprio imperador passou a favorecer os adversários do concílio.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Quem condenou Ário pela primeira vez, por volta de 320?

  2. 2. O que o Concílio de Niceia decidiu sobre a lista dos livros da Bíblia?

  3. 3. Quantos bispos se recusaram a assinar a fórmula de fé de Niceia?

  4. 4. O que o governador pagão Plínio contou ao imperador Trajano, por volta de 112?

  5. 5. Depois de Niceia, o que Constantino fez com Atanásio, o grande defensor do concílio?

Perguntas frequentes

Constantino presidiu o Concílio de Niceia?

Ele convocou o concílio, abriu a assembleia com um discurso e acompanhou os debates, pressionando pela concórdia. Mas, segundo Eusébio de Cesareia, que estava presente, depois do discurso deu a palavra aos que presidiam o concílio. A fé definida ali era a que as Igrejas já professavam, e anos depois o próprio Constantino favoreceu os arianos.

O Concílio de Niceia votou a divindade de Jesus?

Não no sentido de inventá-la. A fé em Jesus como Deus está nos Evangelhos (Jo 1,1; Jo 20,28) e nos cristãos do século II, como Inácio de Antioquia. Niceia escolheu uma palavra precisa, homoúsios, para excluir a leitura de Ário, e só dois bispos se recusaram a assinar; eles foram condenados com Ário, que era presbítero.

Constantino escolheu os livros da Bíblia?

Não. Nenhum dos vinte cânones de Niceia trata disso. Ireneu já defendia os quatro Evangelhos por volta de 180, e a primeira lista exata dos 27 livros do Novo Testamento é de Atanásio, em 367, trinta anos depois da morte de Constantino.

Antes de Constantino, a Igreja tinha bispos?

Sim. A Primeira Carta de Clemente, de cerca de 96, diz que os apóstolos estabeleceram ministros e deixaram uma regra para que, quando estes morressem, outros homens aprovados os sucedessem no ministério; a Didaqué manda escolher bispos e diáconos; e em 272 até um imperador pagão, Aureliano, decidiu uma disputa em Antioquia pela comunhão com os bispos de Roma e da Itália.

O que mudou na Igreja com Constantino?

A situação: a Igreja deixou de ser perseguida, recebeu bens, prédios e privilégios, e passou a conviver com imperadores que queriam interferir nela. A identidade, com bispos, Escrituras, fé e culto, já existia antes dele.

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 765
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 250 e 465
  3. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 120 (o cânon das Escrituras)
  4. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2245
  5. New AdventPrimeira Carta de Clemente aos Coríntios, 42 e 44 (tradução inglesa)
  6. New AdventDidaqué, 15 (tradução inglesa)
  7. New AdventInácio de Antioquia, Carta aos Efésios, 18 (tradução inglesa)
  8. The Latin LibraryPlínio, o Jovem, Cartas, livro X, carta 96 (texto latino)
  9. Christian History InstituteA carta de Plínio a Trajano e o seu contexto
  10. New AdventEusébio de Cesareia, História Eclesiástica, VII,29-30 (tradução inglesa)
  11. New AdventLactâncio, Sobre a morte dos perseguidores, 12 (tradução inglesa)
  12. New AdventEusébio de Cesareia, Vida de Constantino, III,10-14 (tradução inglesa)
  13. New AdventConcílio de Niceia: o credo e os vinte cânones (tradução inglesa)
  14. New AdventIreneu de Lyon, Contra as Heresias, III,11 (tradução inglesa)
  15. New AdventAtanásio de Alexandria, Carta de Páscoa 39, de 367 (tradução inglesa)
  16. Catholic EncyclopediaPrimeiro Concílio de Niceia: o concílio de Alexandria e as assinaturas
  17. Catholic EncyclopediaÁrio: a volta do exílio em 328 e o sínodo de Tiro
  18. Catholic EncyclopediaSanto Atanásio: o exílio em Tréveris
  19. Catholic EncyclopediaConstantino: o título de pontífice máximo
  20. Catholic EncyclopediaPaulo de Samósata e a decisão de Aureliano (272)
  21. Catholic EncyclopediaPapa Clemente I: a data da carta aos Coríntios
  22. Catholic EncyclopediaA Didaqué: a discussão sobre a data
  23. BritannicaConstantino I: datas, Latrão, privilégios do clero e a crise de 326
  24. BritannicaSanto Atanásio: os exílios sob Constantino, Constâncio, Juliano e Valente
  25. Université Grenoble AlpesCódigo de Justiniano, 3.12.2: a lei de Constantino sobre o domingo, de 321 (texto latino)
  26. AmericaJohn D. Hagen Jr., The real story of the Council of Nicea (2006)
  27. Stand to ReasonGreg Koukl, The Da Vinci Code Cracks (2006)
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