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Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: uma procissão de clérigos com velas e incenso entra no Panteão de Roma, iluminado pela abertura da cúpula, enquanto estátuas pagãs são levadas para fora.

O catolicismo misturou crenças pagãs?

A Igreja usou coisas da cultura em que nasceu, e nunca escondeu isso. A pergunta que importa é se ela mudou o Deus a quem presta culto.

14 min de leitura

Imagem gerada por IA: A dedicação do Panteão de Roma a Maria e aos mártires, por volta de 609, em estilo de pintura renascentista. Os ídolos saíram; o prédio ficou

A resposta curta

Não. Lâmpadas e incenso já faziam parte do culto que Deus deu a Israel, e o domingo é o dia da Ressurreição. A Igreja de fato aproveitou formas da cultura dos povos, como prédios, datas e costumes, mas tirou delas a idolatria e as pôs a serviço de Cristo; e os primeiros cristãos morreram justamente por se recusarem a oferecer incenso aos deuses.

A objeção

O que se costuma dizer

O catolicismo é paganismo com outro nome. As velas vêm dos cultos pagãos, o incenso é oferenda aos ídolos, os santos tomaram o lugar dos deuses, Maria é a deusa-mãe de sempre com outro nome, o papa usa o título de sumo pontífice dos sacerdotes romanos, o domingo é o dia do sol e o Natal é a festa do Sol Invicto. Cada coisa católica tem uma origem pagã.

De onde vem a pergunta

De onde vem a acusação de que o catolicismo é pagão?

A acusação é mais antiga do que parece. Por volta do ano 400, Fausto, um bispo maniqueu (de uma religião que misturava elementos cristãos e persas), já dizia aos católicos que eles tinham trocado os sacrifícios pagãos por refeições fraternas e os ídolos por mártires, e que celebravam as calendas e os solstícios como os pagãos (citado por Agostinho, Contra Fausto XX,4). Poucos anos depois, um padre da Gália chamado Vigilâncio reclamava das velas acesas em pleno dia nas igrejas, que lhe pareciam um costume pagão.

Na versão moderna, a fonte principal é o livro The Two Babylons (As duas Babilônias), do pastor escocês Alexander Hislop, publicado como folheto em 1853 e ampliado em 1858. A tese foi muito repetida, inclusive pelo pastor americano Ralph Woodrow, que em 1966 publicou Babylon Mystery Religion, traduzido para várias línguas, entre elas o português. Anos depois, Woodrow foi conferir as fontes de Hislop e concluiu que a "história" dele era muitas vezes só uma montagem arbitrária de mitos antigos, como contou em 1997 no livro The Babylon Connection? Woodrow continuou evangélico e continuou discordando da Igreja Católica em vários pontos. O que ele abandonou foi o método de apontar semelhanças e chamar isso de prova, e a revisão dele saiu em 2000 no Christian Research Journal, revista de um ministério evangélico.

Hoje a ideia circula em pregações, vídeos e correntes de mensagem. A aula 1 já tocou no assunto; aqui ele é tratado caso por caso.

A pergunta certa

Semelhança com o paganismo prova origem pagã?

Semelhança não é origem. Cristãos e pagãos rezam, cantam, acendem luzes, fazem festas e respeitam os mortos, porque são todos seres humanos. Woodrow lembra que, por esse critério, até o Deus da Bíblia pareceria pagão: os reis pagãos tinham tronos e coroas, os deuses pagãos tinham templos, e a Bíblia também fala do trono, da coroa e do templo do Senhor.

A pergunta honesta é outra: quando a Igreja usou uma forma que também existia entre os pagãos, ela adotou a religião deles ou mudou o destinatário do culto?

Para responder, é preciso olhar caso por caso: de onde veio cada costume, quando entrou no culto cristão e com que sentido. E reconhecer o que for verdade: a Igreja de fato aproveitou elementos da cultura dos povos. O ponto é se ela misturou deuses ou se levou tudo a Cristo.

O que diz a Bíblia

O que a Bíblia diz sobre luzes, incenso e o uso da cultura?

Muitos dos sinais chamados de pagãos estão no culto que o próprio Deus deu a Israel.

Aarão queimará sobre ele incenso aromático; toda manhã, quando preparar as lâmpadas, o queimará. E quando acender as lâmpadas ao entardecer, o queimará: incenso perpétuo diante do Senhor, pelas vossas gerações. (Ex 30,7-8)

Lâmpadas e incenso, todos os dias, por ordem de Deus. O salmista transforma isso em imagem da oração:

Que a minha oração esteja diante de ti como incenso, e as minhas mãos erguidas, como a oferta da tarde. (Sl 141,2)

No Novo Testamento, o incenso continua: Zacarias o oferecia no Templo quando o anjo lhe apareceu (Lc 1,9-11), e o Apocalipse o liga às orações dos santos:

E a fumaça do incenso subiu, com as orações dos santos, da mão do anjo até a presença de Deus. (Ap 8,4)

O domingo também tem raiz bíblica, não astrológica. Os cristãos se reuniam no dia em que Jesus ressuscitou, o primeiro da semana:

No primeiro dia da semana, quando estávamos reunidos para partir o pão, Paulo conversava com eles. (At 20,7)

João chama esse dia de "dia do Senhor" (Ap 1,10), e é daí que vem a nossa palavra domingo.

Por fim, os apóstolos mostram como tratar a cultura pagã. Em Atenas, Paulo aproveitou um altar pagão para anunciar Cristo:

Passando e observando os vossos objetos de culto, encontrei também um altar com esta inscrição: "Ao deus desconhecido". Pois bem, aquilo que venerais sem conhecer é o que eu vos anuncio. (At 17,23)

No mesmo discurso, citou um poeta grego (At 17,28). Mas o mesmo Paulo foi duro com qualquer mistura de cultos:

Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. (1Cor 10,21)

Esse é o critério: aproveitar o que é bom na cultura, nunca dividir o culto entre Deus e os ídolos.

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do hebraico (Êxodo e Salmo) e do grego (os demais). O Salmo 141 corresponde ao 140 na numeração da Bíblia Ave-Maria. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja: Êxodo 30, Salmo 140, Lucas 1, Apocalipse 8, Atos 20, Apocalipse 1, Atos 17 e 1 Coríntios 10.

O que diziam os primeiros cristãos

O que os primeiros cristãos faziam com os costumes pagãos?

Os textos dos primeiros séculos mostram duas atitudes ao mesmo tempo: recusa total do culto aos deuses e liberdade para usar o que não era culto.

Recusavam o incenso aos deuses, até a morte. Por volta de 112, o governador Plínio explicou ao imperador Trajano como tratava os acusados de serem cristãos. Mandava trazer a imagem do imperador e as estátuas dos deuses:

Os que negavam ser ou ter sido cristãos, quando invocavam os deuses repetindo o que eu ditava, ofereciam incenso e vinho à tua imagem e, além disso, amaldiçoavam Cristo, coisas a que, segundo dizem, não se consegue obrigar os que são de fato cristãos, achei que deviam ser soltos. (Plínio, Cartas X,96,5)

Nos primeiros séculos não há sinal de incenso no culto cristão, e é fácil entender por quê: ele lembrava demais o sacrifício aos ídolos. Só aparece no fim do século IV (a peregrina Egéria o viu em Jerusalém), quando esse perigo já era menor, e os cristãos o leram à luz da Bíblia: a oração que sobe a Deus (Sl 141,2; Ap 8,4).

Distinguiam adorar e honrar. Por volta de 155 a 160, os cristãos de Esmirna contaram a morte do seu bispo, Policarpo. Quando alguns disseram que os cristãos iam abandonar Cristo para adorar o mártir, eles responderam:

A Ele, que é o Filho de Deus, adoramos; os mártires, como discípulos e imitadores do Senhor, amamos com justiça. (Martírio de Policarpo 17,3)

Agostinho, respondendo a Fausto por volta de 400, diz o mesmo de outro jeito:

Erguemos altares não a algum mártir, mas ao próprio Deus dos mártires, ainda que junto aos túmulos dos mártires. Pois qual bispo, de pé junto ao altar onde estão os corpos dos santos, alguma vez disse: Oferecemos a ti, Pedro, ou Paulo, ou Cipriano? (Contra Fausto XX,21)

Não tinham medo de uma vela. Em 406, Jerônimo respondeu a Vigilâncio, que via nas velas um costume pagão:

Aquilo se fazia para os ídolos, e por isso deve ser detestado; isto se faz para os mártires, e por isso deve ser aceito. E mesmo onde não há relíquias de mártires, em todas as Igrejas do Oriente, quando se vai ler o Evangelho, acendem-se luzes com o sol já brilhando, não para afastar as trevas, mas como sinal de alegria. (Contra Vigilâncio 7)

E corrigiam o que lembrava o paganismo. Agostinho conta que a mãe, Mônica, levava pão e vinho aos túmulos dos mártires, como era costume na África. Em Milão, o bispo Ambrósio tinha proibido essa prática, porque aquelas refeições pelos mortos se pareciam demais com os ritos pagãos, e ela obedeceu sem discutir (Confissões VI,2).

O método foi explicado por escrito. Em 601, o papa Gregório Magno mandou dizer aos missionários na Inglaterra que não destruíssem os templos dos ingleses, mas os ídolos que estavam dentro deles:

Faça-se água benta e asperjam-se esses templos, construam-se altares, ponham-se relíquias, porque, se esses templos são bem construídos, é preciso que passem do culto dos demônios ao serviço do Deus verdadeiro. (Gregório Magno, Cartas XI,76; nas edições modernas, XI,56)

Gregório explica que não se arranca tudo de uma vez de corações endurecidos: quem quer chegar ao alto sobe degrau por degrau, não aos saltos. Mudam o destinatário e o sentido; os ídolos saem.

As frases do Martírio de Policarpo estão em tradução nossa a partir do grego; as de Plínio, Agostinho, Jerônimo e Gregório, a partir do latim.

Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: diante de um magistrado romano, dois cristãos se recusam a queimar incenso no altar da estátua do imperador, enquanto soldados e curiosos observam.
Imagem gerada por IA: Cristãos se recusam a oferecer incenso à imagem do imperador, como conta a carta de Plínio, por volta de 112

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina sobre as culturas e as outras religiões?

A Igreja não nega que existam semelhanças entre o culto cristão e as religiões antigas; ela as explica. O Concílio Vaticano II ensina que ela respeita o que há de bom nas outras religiões, sem deixar de anunciar Cristo. O Catecismo diz que a liturgia acolhe elementos da cultura humana, mas que adaptar-se a uma cultura pode exigir romper com hábitos incompatíveis com a fé. E o Catecismo explica de onde vem o domingo:

A Igreja católica nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo.

Concílio Vaticano II, Nostra Aetate, n. 2

A liturgia da Igreja […] integra e santifica elementos da criação e da cultura humana […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1149

[…] rupturas com hábitos ancestrais incompatíveis com a fé católica

Catecismo da Igreja Católica, sobre a adaptação às culturas, n. 1206

Este dia tornou-se para os cristãos […] o dia do Senhor […], o «Domingo»

Catecismo da Igreja Católica, sobre o dia da Ressurreição, n. 2174

O texto de Nostra Aetate continua dizendo que a Igreja tem o dever de anunciar sem cessar Cristo, "caminho, verdade e vida": respeitar o que há de verdadeiro numa cultura não é misturar deuses. E o Catecismo lembra, no n. 971, que a veneração a Maria, embora singular, difere essencialmente da adoração, que só se presta a Deus. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

O que a história mostra

Velas, domingo, Natal e pontífice: de onde veio cada um?

Velas. As lâmpadas estavam no santuário de Israel (Ex 27,20-21; Ex 30,7-8) e nas reuniões dos primeiros cristãos: Atos conta que havia muitas lâmpadas na sala onde Paulo falava (At 20,8). É verdade que velas também eram usadas nos cultos pagãos e nos ritos aos mortos, e a Enciclopédia Católica de 1908 admite isso sem constrangimento; algumas honras, como levar velas diante de autoridades, vieram dos costumes civis do Império. A Igreja adotou o que era neutro e deu a isso um sentido cristão: Cristo é a luz do mundo (Jo 8,12).

Domingo. O nome é cristão: dies dominica, o dia do Senhor. Os cristãos se reuniam no primeiro dia da semana desde o tempo dos apóstolos (At 20,7); a Didaqué manda reunir-se "no dia do Senhor" para partir o pão (14,1); e Justino, por volta de 155, explica que é o dia em que Deus começou a criação e em que Cristo ressuscitou (Primeira Apologia 67). Quando Constantino, em 321, mandou juízes e trabalhadores das cidades descansarem no "venerável dia do sol", usou o nome do calendário romano para um dia que os cristãos guardavam havia quase três séculos. Em português, aliás, os dias da semana não levam nomes de deuses: "segunda-feira" e os outros vêm do latim da Igreja. No século VI, Martinho de Dume, bispo em Braga, criticava quem chamava os dias pelos nomes de Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno (Sobre a correção dos rústicos, 8).

Natal. Aqui os estudiosos discutem de verdade. A primeira menção segura de 25 de dezembro como nascimento de Cristo está num almanaque romano de 354, que no mesmo dia marca também a festa do "Natalis Invicti", o nascimento do Sol Invicto. Há duas explicações principais. Uma diz que a Igreja escolheu a data para tomar o lugar da festa do sol. A outra diz que ela veio de um cálculo antigo: alguns cristãos situavam a concepção de Jesus em 25 de março, e nove meses depois é 25 de dezembro. Um comentário atribuído a Hipólito de Roma, de cerca de 204, já falaria de 25 de dezembro, mas há estudiosos que veem nessa passagem um acréscimo posterior. Bento XVI, numa audiência geral de 23 de dezembro de 2009, lembrou Hipólito e disse que a festa ganhou forma definitiva no século IV, quando substituiu a festa romana do Sol Invicto, mostrando o nascimento de Cristo como a vitória da verdadeira luz sobre as trevas. Seja qual for a origem da data, o que se celebra é o nascimento de Jesus em Belém, não o sol.

Pontífice. Na Roma antiga, pontifex maximus era o chefe dos sacerdotes do Estado, título que os imperadores levavam, inclusive Constantino; no fim do século IV, o imperador Graciano o recusou. Mas pontifex é também a palavra que a Bíblia latina usa para o sumo sacerdote: a Carta aos Hebreus chama Jesus de "grande sumo sacerdote" (Hb 4,14), e a tradução latina diz pontificem magnum. Foi nesse sentido que os cristãos passaram a chamar os bispos de pontífices. A forma pontifex maximus só foi aplicada ao papa no Renascimento, no século XV, provavelmente como eco da Roma antiga. Usar um título da cultura não muda o Deus a quem se presta culto. A origem da palavra, se tem ou não a ver com "ponte", é incerta.

Templos. Em Roma, o primeiro templo pagão transformado em igreja foi o Panteão, por volta de 609, quase três séculos depois de Constantino: o papa Bonifácio IV o dedicou a Maria e a todos os mártires. Os ídolos saíram; o prédio ficou.

Maria. As deusas-mães da Antiguidade eram divindades, com mitos próprios e muitas vezes ligadas a cultos de fertilidade. Para a Igreja, Maria é uma criatura, a mãe de Jesus, honrada e nunca adorada (Catecismo, n. 971). A semelhança entre duas imagens de mãe com o filho no colo não faz de uma a outra.

Lado a lado

A acusação e a história, lado a lado

O que se dizO que a história mostraOnde conferir
Vela é costume pagão.Lâmpadas acesas faziam parte do culto de Israel, por ordem de Deus. A Igreja as usa como sinal de Cristo, luz do mundo.Ex 27,20-21; Jerônimo, Contra Vigilâncio 7
Incenso é oferenda aos ídolos.O incenso estava no Templo e aparece no Apocalipse. Muitos dos primeiros cristãos morreram por não oferecê-lo aos deuses; ele entrou no culto cristão no fim do século IV, com sentido bíblico.Ex 30,7-8; Ap 8,4; Plínio, Cartas X,96
O domingo é o dia do sol.Os cristãos se reuniam no dia da Ressurreição desde os apóstolos; a lei de Constantino é de 321.At 20,7; Ap 1,10; Didaqué 14,1
O Natal é a festa do Sol Invicto.A origem da data é discutida. O que se celebra é o nascimento de Jesus, e a festa cristã tomou o lugar da festa do sol.Bento XVI, audiência de 23/12/2009
Os santos substituíram os deuses.Desde o século II os cristãos distinguem: adoram a Cristo, amam e honram os mártires.Martírio de Policarpo 17,3; Agostinho, Contra Fausto XX,21
Pontífice é título pagão.É também a palavra da Bíblia latina para o sumo sacerdote, usada para Cristo na Carta aos Hebreus. Os imperadores largaram o título no século IV; o papa só passou a usar a forma pontifex maximus no Renascimento.Hb 4,14

Os frutos

Por que os mártires morreram, se era tudo a mesma coisa?

Se o cristianismo fosse só paganismo com outro nome, os cristãos dos primeiros séculos teriam tido uma saída fácil: um pouco de incenso diante da imagem do imperador e tudo estaria resolvido. Muitos preferiram morrer. Quando tentaram convencer o velho Policarpo de que não havia mal nenhum em dizer "César é Senhor" e oferecer o sacrifício, ele respondeu apenas que não faria o que lhe aconselhavam (Martírio de Policarpo 8,2). A distinção entre honrar e adorar não é uma invenção tardia: os cristãos a viveram, e por ela morreram, desde o século II.

A Igreja também não escondeu que aproveitou coisas da cultura, nem que às vezes precisou corrigir excessos, como fez Ambrósio em Milão. Missionários católicos e evangélicos fazem isso até hoje: usam a língua, a música e os costumes de um povo para anunciar Cristo, e deixam de fora o que é idolatria.

Quem desconfia de uma vela ou de um incenso quase sempre quer proteger a pureza do culto a Deus, e esse desejo é bom. Foi o mesmo desejo que levou os mártires à morte. A conversa fica mais fácil quando os dois lados percebem que querem a mesma coisa: que só Deus seja adorado.

Para guardar

Parecer não é ser. A Igreja tirou os ídolos e ficou com o que era bom, como Paulo em Atenas; e os primeiros cristãos morreram justamente por se recusarem a oferecer incenso aos deuses.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Segundo a carta de Plínio, por volta de 112, o que não se conseguia obrigar os verdadeiros cristãos a fazer?

  2. 2. Onde a Bíblia manda queimar incenso todos os dias diante do Senhor?

  3. 3. De onde vem a palavra domingo?

  4. 4. Qual foi, em Roma, o primeiro templo pagão transformado em igreja, e quando?

  5. 5. Como o Martírio de Policarpo, por volta de 155 a 160, distingue Cristo e os mártires?

Perguntas frequentes

O Natal é uma festa pagã?

Não. O que se celebra é o nascimento de Jesus. A escolha de 25 de dezembro é discutida: alguns estudiosos acham que a data tomou o lugar da festa do Sol Invicto, outros que veio de um cálculo a partir de 25 de março. Bento XVI lembrou que a festa ganhou forma definitiva no século IV, quando substituiu a do sol, e que isso mostrou Cristo como a luz verdadeira.

Os católicos adoram os santos?

Não. Desde o Martírio de Policarpo, por volta de 155 a 160, os cristãos distinguem: a Cristo se adora; os santos são amados e honrados. Agostinho lembrava que os altares são erguidos a Deus, não aos mártires (Contra Fausto XX,21).

O incenso na Missa veio do paganismo?

O incenso estava no culto do Templo, por ordem de Deus (Ex 30,7-8), e aparece no Apocalipse ligado às orações dos santos (Ap 8,4). Os primeiros cristãos o evitavam porque era usado no sacrifício aos deuses e ao imperador; ele entrou no culto cristão no fim do século IV, com o sentido bíblico.

O papa usa um título pagão?

Pontifex maximus era o título do chefe dos sacerdotes romanos, que os imperadores levaram até o fim do século IV. Mas pontifex é também a palavra da Bíblia latina para o sumo sacerdote, usada para Jesus em Hebreus 4,14, e foi nesse sentido que os cristãos passaram a chamar os bispos de pontífices. A forma pontifex maximus só foi aplicada ao papa no Renascimento, como eco da Roma antiga.

Quem foi Alexander Hislop?

Um pastor escocês que, em 1853, publicou o folheto que virou o livro The Two Babylons, dizendo que o catolicismo era a religião da antiga Babilônia disfarçada. O pastor evangélico Ralph Woodrow, que tinha divulgado a tese, conferiu as fontes e mostrou em 1997 que muitas afirmações de Hislop não tinham base histórica.

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoConcílio Vaticano II, declaração Nostra Aetate, n. 2
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1149 e 1206
  3. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 971 (a veneração a Maria)
  4. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2174 (o domingo, dia do Senhor)
  5. VaticanoBento XVI, Audiência Geral de 23 de dezembro de 2009
  6. VaticanoNova Vulgata, Carta aos Hebreus 4,14 (pontificem magnum)
  7. The Latin LibraryPlínio, o Jovem, Cartas, livro X, carta 96 (texto latino)
  8. New AdventMartírio de Policarpo, 8 e 17 (tradução inglesa)
  9. New AdventAgostinho, Contra Fausto, XX,4 e XX,21 (tradução inglesa)
  10. WikisourceAgostinho, Contra Faustum, livro XX (texto latino)
  11. New AdventJerônimo, Contra Vigilâncio, 4 e 7, de 406 (tradução inglesa)
  12. WikisourceJerônimo, Contra Vigilantium (texto latino)
  13. New AdventAgostinho, Confissões, VI,2 (tradução inglesa)
  14. New AdventGregório Magno, Cartas, XI,76 (XI,56 nas edições modernas), a Melito, de 601 (tradução inglesa)
  15. WikisourceGregório Magno, Epistola ad Mellitum (texto latino)
  16. New AdventDidaqué, 14 (tradução inglesa)
  17. New AdventJustino, Primeira Apologia, 67 (tradução inglesa)
  18. WikisourceMartinho de Dume, De correctione rusticorum, 8 (texto latino)
  19. Correio BraziliensePor que segunda, terça e quarta-feira têm feira no nome
  20. Université Grenoble AlpesCódigo de Justiniano, 3.12.2: a lei de Constantino sobre o dia do sol, de 321 (texto latino)
  21. Catholic EncyclopediaIncenso: ausente do culto cristão nos primeiros séculos
  22. Catholic EncyclopediaVelas: uso pagão, uso cristão e a resposta a Vigilâncio
  23. Catholic EncyclopediaNatal: o almanaque de 354, Hipólito e o Natalis Invicti
  24. Catholic EncyclopediaPapa Bonifácio IV e a dedicação do Panteão
  25. Catholic EncyclopediaConstantino: o título de pontífice máximo
  26. BritannicaPontifex: o título romano e o uso cristão
  27. Science NorwayPor que o papa é chamado de pontifex maximus: Graciano e o uso do título no Renascimento
  28. Biblical Archaeology SocietyAndrew McGowan, How December 25 Became Christmas
  29. Christian Research JournalRalph Woodrow sobre The Two Babylons, de Hislop
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