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Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: Jesus entrega duas chaves a Pedro, ajoelhado, diante dos outros apóstolos, à beira de um lago ao entardecer.

Jesus fundou a Igreja Católica?

A ideia de que o imperador Constantino criou a Igreja no século IV não resiste aos textos cristãos dos 250 anos anteriores.

12 min de leitura

Imagem gerada por IA: Jesus entrega as chaves a Pedro, em estilo de pintura renascentista. A promessa das chaves (Mt 16,19) foi feita em Cesareia de Filipe; a beira do lago lembra João 21, quando Jesus confia a Pedro o seu rebanho.

Assista em 5 min

Jesus fundou a Igreja Católica? O que os primeiros cristãos deixaram escritoVídeo do canal Olhar de Fé no YouTube

A resposta curta

Sim. Os Evangelhos mostram Jesus reunindo os apóstolos, pondo Pedro à frente deles e prometendo que a sua Igreja não seria vencida (Mt 16,18). Por volta do ano 110, dois séculos antes do imperador Constantino, um bispo cristão já a chamava de "Igreja católica", e ela já tinha bispos e a Eucaristia.

A objeção

O que se costuma dizer

Jesus nunca fundou a Igreja Católica. Ele fundou uma igreja invisível, formada por todos os que creem de verdade, em qualquer lugar. A Igreja Católica foi criada pelo imperador Constantino no século IV, quando ele misturou o cristianismo com crenças pagãs. Tanto que na Bíblia não aparecem as palavras "católica", "papa" nem "missa".

De onde vem a pergunta

De onde vem essa ideia?

A objeção junta duas ideias de épocas diferentes.

A primeira vem da Reforma, no século XVI. Alguns reformadores, como João Calvino, passaram a distinguir duas faces da Igreja: a visível, com pregação e sacramentos, e a invisível, formada só pelos que Deus salva e que só Ele conhece. Eles negavam, porém, que a Igreja visível fosse uma instituição determinada, como a Igreja de Roma.

A segunda é mais recente. Em 1853, o pastor escocês Alexander Hislop publicou um folheto, ampliado em livro em 1858, chamado The Two Babylons (As duas Babilônias). O livro tentava mostrar que as práticas católicas vinham dos cultos pagãos da Babilônia. Foi muito lido, mas o método não se sustenta: ele junta semelhanças soltas e etimologias sem base. O pastor evangélico americano Ralph Woodrow, que em 1966 escreveu um livro seguindo Hislop, foi conferir as fontes, voltou atrás e publicou em 1997 The Babylon Connection?, mostrando por que a tese não para em pé.

Hoje a objeção circula em pregações, vídeos e correntes de mensagem. Por trás dela há uma suposição que quase nunca é dita: a de que a Igreja visível se desviou no século IV e só foi restaurada muitos séculos depois. A maioria dos evangélicos não vai tão longe (para eles, a Igreja continuou e precisou de reforma), mas essa versão circula em alguns grupos e nas correntes de mensagem.

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

A pergunta honesta é histórica: a comunidade que Jesus reuniu no século I é a mesma que hoje chamamos de Igreja Católica?

Dá para responder com documentos, e não só com fé. Entre os Evangelhos e o Édito de Milão, de 313, há cerca de 250 anos de textos cristãos. Se a Igreja Católica tivesse nascido com Constantino, esses textos mostrariam outra Igreja antes dele. Eles mostram a mesma. E o argumento não é só o nome: é o conjunto de nome, bispos, Eucaristia e continuidade.

O que diz a Bíblia

O que a Bíblia diz sobre a Igreja que Jesus fundou?

A palavra "católica" não aparece na Bíblia, assim como não aparecem "Trindade" nem "Bíblia". O que importa é se a coisa está lá. E está: Jesus fala de uma Igreja que Ele mesmo constrói, que se vê, que ensina e que decide.

E eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. (Mt 16,18)

Três detalhes. Quem edifica é Jesus ("edificarei"), não um imperador nem um reformador. A Igreja é dele ("minha Igreja"). E há uma promessa: ela não será vencida. Se a Igreja visível tivesse se desviado no século IV e só fosse restaurada mais de mil anos depois, a promessa teria ficado sem cumprimento por todo esse tempo.

Se ele não os ouvir, dize-o à Igreja. E se nem à Igreja ouvir, seja para ti como o pagão e o publicano. (Mt 18,17)

Só dá para "dizer à Igreja" se ela existe de forma concreta, com quem a represente e decida. Um evangélico concorda que as igrejas locais são visíveis. A questão é outra: qual comunidade visível continua a dos apóstolos. É aí que entram os textos dos séculos II e III, mais abaixo.

Eles perseveravam no ensino dos apóstolos e na comunhão, na fração do pão e nas orações. (At 2,42)

Logo depois de Pentecostes, a Igreja já tem quatro sinais visíveis: o ensino dos apóstolos, a comunhão, a fração do pão (a Eucaristia) e a oração em comum.

Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor nenhum outro peso além destas coisas necessárias. (At 15,28)

No Concílio de Jerusalém, os apóstolos e os anciãos resolvem uma disputa e mandam a decisão às Igrejas por carta. Uma igreja invisível não convoca concílio.

Para que saibas como se deve proceder na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade. (1Tm 3,15)

Paulo chama a Igreja de coluna e sustentáculo da verdade. E em Efésios, Cristo ama a Igreja como o marido ama a esposa, a ponto de se entregar por ela:

Maridos, amai as vossas mulheres, assim como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. (Ef 5,25)

Uma esposa concreta, não uma ideia.

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Mateus 16, Mateus 18, Atos 2, Atos 15, 1 Timóteo 3 e Efésios 5.

O que diziam os primeiros cristãos

O que os cristãos escreviam antes de Constantino?

Esta é a parte que decide a questão. Se a Igreja Católica tivesse nascido com Constantino, os cristãos dos séculos II e III descreveriam outra Igreja. Veja o que eles escreveram, todos antes do Édito de Milão.

Inácio de Antioquia, por volta de 110. Bispo de Antioquia, levado preso para morrer em Roma, escreveu sete cartas pelo caminho. Na carta aos cristãos de Esmirna aparece, pela primeira vez num texto que chegou até nós, a expressão "Igreja católica":

Onde aparecer o bispo, aí esteja a comunidade, assim como onde estiver Cristo Jesus, aí está a Igreja católica. (Carta aos Esmirnenses 8,2)

Na mesma carta, ele diz que a Eucaristia é "a carne do nosso Salvador Jesus Cristo" (7,1). Bispo, comunidade reunida em torno dele e Eucaristia: tudo isso mais de 150 anos antes de Constantino nascer.

O Martírio de Policarpo, por volta de 155 a 160. O relato da morte de Policarpo, bispo de Esmirna, é dirigido à Igreja de Filomélio e "a todas as comunidades da santa e católica Igreja, em todo lugar".

Justino, por volta de 155. Filósofo convertido, Justino escreveu ao imperador Antonino Pio explicando o que os cristãos faziam aos domingos. No "dia do sol" eles se reuniam, liam "as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas", ouviam a pregação de quem presidia, rezavam juntos, traziam pão, vinho e água, e quem presidia dava graças. O alimento consagrado era levado também aos ausentes, e havia coleta para os pobres (Primeira Apologia 65 a 67). Justino explica que esse alimento não é recebido como pão comum (66). É, nas grandes linhas, a Missa de hoje, como lembra o Catecismo (n. 1345).

Ireneu de Lyon, por volta de 180. Para mostrar que o ensino dos apóstolos tinha chegado inteiro, Ireneu lista os bispos de Roma: depois da Igreja fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo, de Lino, a quem os apóstolos confiaram o episcopado, até Eleutério, o bispo do seu tempo, o décimo segundo depois dos apóstolos (Contra as Heresias III,3,2-3).

Cipriano de Cartago, por volta de 251. Escreve um livro chamado A unidade da Igreja Católica. Sete anos depois, em 258, morre decapitado na perseguição do imperador Valeriano.

Nenhum deles conheceu Constantino. E vários foram mortos pelo mesmo Império que, segundo a objeção, teria criado a Igreja.

As frases de Inácio e do Martírio de Policarpo estão em tradução nossa a partir do grego.

Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: um bispo idoso, acorrentado, escreve uma carta à luz de uma lamparina, enquanto um soldado romano cochila perto da porta.
Imagem gerada por IA: Inácio de Antioquia escreve suas cartas a caminho do martírio em Roma, por volta do ano 110.

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina sobre a própria origem?

Para a Igreja, a sua origem não é uma data de cartório, mas o próprio Cristo: Ele a quis, a reuniu em torno dos apóstolos e a confiou a eles para continuar a sua missão. O Concílio Vaticano II ensina que a única Igreja de Cristo, a que professamos no Credo como una, santa, católica e apostólica, foi entregue por Ele a Pedro e aos apóstolos, e que ela:

[…] subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos […]

Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, n. 8

A palavra «católico» significa «universal» no sentido de «segundo a totalidade» ou «segundo a integridade».

Catecismo da Igreja Católica, n. 830

[…] os filhos da Igreja Católica reconhecem-nos legitimamente como irmãos no Senhor.

Catecismo da Igreja Católica, n. 818

O texto completo da Lumen Gentium diz que esses bispos são os que estão em união com o sucessor de Pedro, e lembra que, fora dessa estrutura visível, também se encontram muitos elementos de santificação e de verdade. O último trecho, do Catecismo, fala dos batizados que creem em Cristo e nasceram em comunidades separadas da Igreja Católica. Por isso esta aula responde a ideia, não a pessoa: quem repete a objeção quase sempre a recebeu de boa-fé, de alguém em quem confia. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

Linha do tempo

De Pentecostes a Constantino, em datas

Tudo o que está antes da linha azul aconteceu antes de Constantino dar liberdade à Igreja.

  1. c. 30PentecostesOs apóstolos começam a pregar em Jerusalém, e cerca de três mil pessoas são batizadas (At 2).
  2. c. 49Concílio de JerusalémApóstolos e anciãos se reúnem, decidem uma questão de fé e mandam a decisão às Igrejas (At 15).
  3. 64Perseguição de NeroOs cristãos de Roma são perseguidos. Pela tradição, Pedro e Paulo morrem mártires em Roma nesses anos.
  4. c. 110"Igreja católica"Inácio de Antioquia usa a expressão numa carta aos cristãos de Esmirna.
  5. c. 155A Missa de domingo descritaJustino explica ao imperador como os cristãos celebram no "dia do sol".
  6. c. 180Os bispos de RomaIreneu de Lyon lista os bispos de Roma depois dos apóstolos Pedro e Paulo, de Lino até o bispo do seu tempo.
  7. 250Perseguição de DécioPrimeira perseguição organizada em todo o Império.
  8. c. 251A unidade da Igreja CatólicaCipriano de Cartago escreve sobre a unidade da Igreja. Morre mártir em 258.
  9. 303Grande perseguiçãoDiocleciano manda destruir igrejas e livros cristãos. É a perseguição mais dura.
  10. 311Édito de GalérioO imperador Galério põe fim oficial à perseguição.
  11. 313O acordo de MilãoConstantino e Licínio garantem liberdade de culto para todos. É o chamado Édito de Milão.
  12. 325Concílio de NiceiaBispos de muitas regiões condenam o arianismo e professam que o Filho é Deus como o Pai.
  13. 380Édito de TessalônicaTeodósio faz do cristianismo a religião do Império. Constantino tinha morrido em 337.

O que a história mostra

O que Constantino fez, e o que não fez?

O nome. "Católico" vem do grego katholikós, de kath' hólou, "segundo o todo": universal. É palavra grega comum, que já existia antes de Cristo com o sentido de "geral", sem nenhuma ligação com culto pagão. Em Inácio, ela ainda quer dizer a Igreja inteira, em todo lugar, unida a Cristo. Com o tempo, passou a ser também o nome próprio da Igreja.

O chamado Édito de Milão (313). Em 311, o imperador Galério já tinha posto fim oficial à perseguição. Em 313, Constantino e Licínio, dois dos imperadores da época, combinaram em Milão a liberdade de culto para os cristãos e para todas as religiões, e mandaram devolver os bens tirados da Igreja. O texto que chegou até nós é o que Licínio publicou em Nicomédia, guardado pelo escritor Lactâncio, em latim, e por Eusébio de Cesareia, em grego (História Eclesiástica X,5). Liberdade não é fundação: a Igreja já existia, tinha bispos e bens para receber de volta, e saía da perseguição mais dura, a de Diocleciano, começada em 303.

O Concílio de Niceia (325). Constantino convocou os bispos para resolver a crise ariana: Ário negava que o Filho fosse Deus como o Pai. O número tradicional é 318, que aparece em Atanásio, que esteve lá; Eusébio de Cesareia, que também esteve, fala em mais de 250. Eles vieram de várias regiões do mundo cristão e já eram bispos antes do concílio. Niceia não criou a fé de que Jesus é Deus: pôs em fórmula o que as Igrejas já criam.

O batismo de Constantino (337). Constantino só foi batizado no fim da vida, por Eusébio de Nicomédia, um bispo próximo do arianismo, a doutrina que Niceia tinha condenado. É difícil imaginar o "criador" da Igreja Católica batizado por alguém do lado que ela rejeitou.

A religião oficial (380). Quem fez do cristianismo a religião do Império foi Teodósio, com o Édito de Tessalônica, 43 anos depois da morte de Constantino.

E os costumes "pagãos"? Lâmpadas acesas, incenso e um calendário de festas já existiam no culto de Israel, séculos antes de Cristo (Ex 27,20-21; Ex 30,7-8; Lv 23). A Igreja herdou muito do Templo e da sinagoga, e também acolheu costumes de cada povo sem mudar a fé. Usar uma forma da cultura não é adotar a religião de onde ela veio.

Lado a lado

A objeção e os documentos, lado a lado

O que se dizO que os documentos mostramOnde conferir
Constantino criou a Igreja Católica no século IV.Por volta de 110 a Igreja já era chamada de católica e já tinha bispos e a Eucaristia.Inácio, Carta aos Esmirnenses 8; Justino, Primeira Apologia 65 a 67
A verdadeira Igreja é invisível.Jesus fala de uma Igreja a quem se recorre, que ensina e que decide; os textos dos séculos II e III mostram a continuidade dela.Mt 18,17; At 15,28; 1Tm 3,15
Alguns dizem que a Igreja se desviou no século IV e só foi restaurada muito depois.Jesus prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.Mt 16,18
Constantino fez do cristianismo a religião oficial.Ele deu liberdade de culto em 313. A religião oficial veio com Teodósio, em 380.Édito de Milão (313); Édito de Tessalônica (380)
Católica é nome pagão.É palavra grega que quer dizer universal, usada por cristãos desde o começo do século II.Catecismo, n. 830
Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: cristãos do século III rezam ajoelhados numa câmara de catacumba iluminada por lamparinas, enquanto um bispo ergue o pão e o cálice; nas paredes, pinturas de um peixe e do Bom Pastor.
Imagem gerada por IA: cristãos do século III celebram a Eucaristia numa catacumba de Roma, antes da liberdade de culto. As catacumbas eram cemitérios; ali a Missa era ocasional, junto aos túmulos dos mártires.

Os frutos

Que Igreja aceita morrer pelo que crê?

Uma instituição inventada pelo Império não passaria 250 anos sendo perseguida por ele. E os perseguidos eram exatamente essa Igreja de bispos e Eucaristia: Inácio, Policarpo e Cipriano eram bispos. A lista de mártires anteriores a Constantino é longa: Inácio de Antioquia (Roma, por volta de 110), Policarpo de Esmirna (por volta de 155), Justino (Roma, por volta de 165), Cipriano de Cartago e o diácono Lourenço (258), a jovem Inês (Roma, por volta de 304, segundo a tradição), e milhares de anônimos.

Depois de Constantino, a Igreja também não se tornou simplesmente um braço do Estado. Em 390, depois do massacre de Tessalônica, o bispo Ambrósio de Milão exigiu que o imperador Teodósio fizesse penitência pública antes de voltar à comunhão, e o imperador fez.

Nada disso é para humilhar quem pensa diferente. Muitos evangélicos amam Cristo de verdade e conhecem a Bíblia melhor do que muitos católicos. O convite é olhar juntos os mesmos documentos e perguntar, sem pressa, que Igreja eles mostram.

Para guardar

Constantino não criou a Igreja Católica: ele parou de persegui-la. Quando ele chegou ao poder, ela já tinha quase três séculos de bispos, Eucaristia e mártires, e já era chamada de católica desde cerca de 110.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Em que texto aparece, pela primeira vez entre os que chegaram até nós, a expressão "Igreja católica"?

  2. 2. O que o Édito de Milão, de 313, fez?

  3. 3. Qual versículo traz a promessa de Jesus de que a sua Igreja não seria vencida?

  4. 4. O que quer dizer "católica"?

  5. 5. Como Justino, por volta de 155, descreve a reunião dos cristãos no domingo?

Perguntas frequentes

Constantino fez do cristianismo a religião oficial do Império?

Não. Em 313, Constantino e Licínio deram liberdade de culto aos cristãos e às outras religiões. O cristianismo virou a religião do Império em fevereiro de 380, com o imperador Teodósio, no Édito de Tessalônica, 43 anos depois da morte de Constantino.

Onde aparece pela primeira vez a expressão "Igreja católica"?

Nos textos que chegaram até nós, na carta de Inácio, bispo de Antioquia, aos cristãos de Esmirna, escrita por volta do ano 110, a caminho do martírio em Roma (Carta aos Esmirnenses 8,2).

A Bíblia usa a palavra "católica"?

Não, assim como não usa a palavra Trindade. Católica é palavra grega, quer dizer universal, e os cristãos a usam desde o começo do século II para falar da Igreja que os apóstolos deixaram.

O que é a "Igreja invisível"?

É a ideia, que ganhou força na Reforma do século XVI, de que a verdadeira Igreja, no sentido mais profundo, é o conjunto dos que Deus salva, que só Ele conhece. Os reformadores mantinham também uma Igreja visível, com pregação e sacramentos, mas negavam que ela fosse uma instituição determinada. A Igreja Católica ensina que a sociedade visível e o Corpo de Cristo são uma só realidade (Lumen Gentium 8).

A Igreja Católica ensina que os evangélicos não são cristãos?

Não. O Catecismo (n. 818) ensina que os batizados que hoje nascem em comunidades separadas e creem em Cristo não podem ser acusados do pecado da divisão, e que a Igreja os reconhece como irmãos no Senhor.

Para ir mais fundo

Catecismo da Igreja Católica, n. 748 a 870O que a Igreja ensina sobre si mesmaLumen GentiumA constituição do Concílio Vaticano II sobre a Igreja
Padres ApostólicosAs cartas de Inácio e o Martírio de Policarpo em português (coleção Patrística, Paulus)
Justino de Roma, ApologiasColeção Patrística, Paulus
Ireneu de Lião, Contra as heresiasColeção Patrística, Paulus
Ralph Woodrow, The Babylon Connection?Em inglês, 1997. A revisão de quem antes defendia a tese de Hislop

Fontes

  1. VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Lumen Gentium, n. 8
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 811, 818 e 830
  3. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1345 (Justino e a Missa)
  4. New AdventInácio de Antioquia, Carta aos Esmirnenses (tradução inglesa)
  5. New AdventMartírio de Policarpo (tradução inglesa)
  6. New AdventJustino, Primeira Apologia, 65 a 67 (tradução inglesa)
  7. New AdventIreneu de Lyon, Contra as Heresias, III,3 (tradução inglesa)
  8. New AdventCipriano de Cartago, A unidade da Igreja Católica (tradução inglesa)
  9. New AdventLactâncio, Sobre a morte dos perseguidores, 48 (o acordo de Milão)
  10. New AdventAmbrósio de Milão, Carta 51, ao imperador Teodósio
  11. Catholic EncyclopediaCatholic: a origem da palavra e o uso em Inácio
  12. Catholic EncyclopediaConcílio de Niceia: o número de bispos
  13. BritannicaConstantino I
  14. BritannicaTeodósio I e o Édito de Tessalônica
  15. BritannicaDécio e a perseguição de 250
  16. Christian Research JournalRalph Woodrow sobre The Two Babylons, de Hislop
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