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Imagem gerada por IA: sob uma longa colunata de pedra do Templo, num dia frio e cinzento, Jesus está de pé, calmo, com a mão no peito, enquanto homens discutem com raiva e alguns se abaixam para pegar pedras do chão.

Jesus disse que era Deus?

Jesus não usou a frase que muitos esperam, mas disse e fez o que, para os escribas e sacerdotes que o ouviam, só Deus podia dizer e fazer, e foi condenado por isso.

15 min de leitura

Imagem gerada por IA: No pórtico de Salomão, Jesus diz "Eu e o Pai somos um", e os ouvintes pegam pedras (Jo 10,22-31), em estilo de pintura barroca

A resposta curta

Não com a frase "eu sou Deus", mas com palavras e atos que, para os escribas e sacerdotes que o ouviam, só cabiam a Deus: perdoou pecados (Mc 2,5-7), disse "antes que Abraão existisse, Eu sou" (Jo 8,58) e foi condenado por blasfêmia (Mc 14,61-64). Os apóstolos tiraram a conclusão com todas as letras: "o Verbo era Deus" (Jo 1,1); "meu Senhor e meu Deus!" (Jo 20,28).

A objeção

O que se costuma dizer

Jesus nunca disse "eu sou Deus". Ele se dizia Filho de Deus e enviado do Pai, disse que "o Pai é maior do que eu" (Jo 14,28) e que nem ele sabia o dia do fim (Mc 13,32). Paulo o chama de "primogênito de toda a criação" (Cl 1,15), e Provérbios diz que Deus o criou no princípio dos seus caminhos (Pr 8,22). No grego de João 1,1, a Palavra era "um deus", e não Deus. A divindade de Jesus foi votada no Concílio de Niceia, em 325, para agradar ao imperador Constantino.

É, em resumo, o que ensinam as Testemunhas de Jeová. Para elas, Jesus é o Filho de Deus, mas "Deus criou Jesus e então o usou para criar todas as outras coisas, incluindo os anjos", como diz um artigo da revista A Sentinela. Elas ensinam também que "Miguel", o arcanjo, é outro nome de Jesus, antes e depois da sua vida na terra.

De onde vem a pergunta

De onde vem a ideia de que Jesus foi criado?

A ideia de que o Filho é a primeira e a mais alta das criaturas ganhou força no começo do século IV, com Ário, presbítero de Alexandria. Por volta de 318, ele entrou em choque com o seu bispo, Alexandre, e pouco depois foi condenado em Alexandria por um sínodo de cerca de cem bispos do Egito e da Líbia. Numa carta a Eusébio, bispo de Nicomédia, ele mesmo resumiu o que ensinava:

Somos perseguidos porque dizemos que o Filho tem um começo, mas Deus é sem começo. [...] E também porque dizemos que ele vem do que não existia. (Ário, Carta a Eusébio de Nicomédia, em Teodoreto, História Eclesiástica I,4)

Na mesma carta, Ário chama o Filho de "Deus perfeito" e "unigênito": um deus, mas um deus que teve começo. É uma leitura parecida com a das Testemunhas de Jeová, cuja Tradução do Novo Mundo fala, em João 1,18, do "deus unigênito". A história do concílio que respondeu a Ário, e o papel de Constantino nele, está na aula Constantino criou a Igreja Católica?.

A pergunta certa

Que resposta é honesto esperar?

Esperar que Jesus dissesse "eu sou Deus", com essas palavras, é esquecer onde ele estava. Ele falava a judeus que professavam, com o "Escuta, Israel", que "o Senhor é um só" (Dt 6,4; Mc 12,29). Um homem que dissesse, sem mais, "eu sou Deus" seria entendido como quem se diz o Pai, ou como mais um deus ao lado do Deus de Israel. As duas coisas seriam falsas.

A pergunta honesta é: Jesus disse e fez coisas que, na Bíblia, só Deus pode dizer e fazer? E como os discípulos, judeus que nunca aceitariam dois deuses, passaram a falar dele?

Para ler os textos difíceis, lembre que a Igreja não diz que Jesus é só Deus. Diz que ele é "verdadeiro Deus e verdadeiro homem" (Catecismo, n. 464). Os Evangelhos o mostram com fome e cansado, e também perdoando pecados. Uma coisa não anula a outra.

O que diz a Bíblia

O que Jesus disse e fez, e o que os apóstolos concluíram?

Ele perdoou pecados

Em Cafarnaum, levam a Jesus um paralítico, e alguns escribas observam a cena:

Vendo a fé deles, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados. [...] Por que este fala assim? Ele blasfema! Quem pode perdoar pecados, senão só Deus? (Mc 2,5.7)

Os escribas raciocinaram certo: uma ofensa contra Deus, só Deus perdoa. Jesus não recua. Cura o paralítico "para que saibais que o Filho do Homem tem poder de perdoar pecados na terra" (Mc 2,10).

"Antes que Abraão existisse, Eu sou"

Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão viesse a existir, Eu sou. Pegaram então pedras para atirar nele. (Jo 8,58-59)

O grego faz um contraste: Abraão "veio a existir" (genésthai); Jesus "é" (egō eimí, no presente). Esse "Eu sou", sozinho, volta outras vezes em João (Jo 8,24.28): "digo-vos isto agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais que Eu sou" (Jo 13,19). Na tradução grega do Antigo Testamento, é assim que o próprio Deus fala em Isaías: "para que saibais, e creiais, e compreendais que Eu sou" (Is 43,10). O Catecismo lê esse "Eu sou" de Jesus como o nome divino que ele revela ser seu (n. 211 e 653). E põe essa frase, com "Eu e o Pai somos um", entre as que só "a identidade divina da pessoa de Jesus" pode justificar (n. 590). Em João 8, o evangelista não diz por que pegaram as pedras; dois capítulos depois, numa cena parecida, os próprios ouvintes dizem por quê.

"Eu e o Pai somos um"

Eu e o Pai somos um. Os judeus pegaram de novo em pedras para apedrejá-lo. [...] Não te apedrejamos por uma obra boa, mas por blasfêmia, porque tu, sendo homem, te fazes Deus. (Jo 10,30-31.33)

"Um", no grego, está no neutro (hén): uma só coisa, não uma só pessoa. Jesus não diz que é o Pai, mas que é um com ele. E os ouvintes entenderam que ele se fazia Deus. Jesus responde com o Salmo 81(82),6, "Eu disse: vós sois deuses": se a Escritura chama assim aqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, com mais razão pode dizer "sou Filho de Deus" aquele que o Pai consagrou e enviou (Jo 10,34-36). E não recua: "o Pai está em mim, e eu no Pai" (Jo 10,38). De novo, tentam prendê-lo (Jo 10,39). O mesmo Evangelho já tinha dito que queriam matá-lo porque "chamava Deus de seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus" (Jo 5,18).

Diante do Sinédrio

Não é só João. Em Marcos, na noite em que Jesus foi preso, o sumo sacerdote pergunta:

Tu és o Cristo, o Filho do Bendito? Jesus respondeu: Eu sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poder e vindo com as nuvens do céu. [...] Ouvistes a blasfêmia. (Mc 14,61-62.64)

Jesus junta duas passagens: o Salmo 109(110), em que o Senhor faz alguém sentar-se à sua direita, e Daniel 7, em que alguém "como um filho de homem" vem com as nuvens e recebe um reino que não passa. O sumo sacerdote rasga as vestes, e todos o declaram réu de morte. Marcos não detalha o que soou como blasfêmia, mas a resposta de Jesus põe o Filho do Homem no lugar mais alto, junto de Deus.

O que os apóstolos concluíram

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. (Jo 1,1)

Tomé respondeu e disse-lhe: Meu Senhor e meu Deus! (Jo 20,28)

Tomé diz isso a Jesus ("disse-lhe"), e Jesus não o corrige: "Porque me viste, creste. Felizes os que não viram e creram" (Jo 20,29). E Paulo:

Ele, que existia na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus como algo a que se agarrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo. (Fl 2,6-7)

Poucos versos depois, Paulo diz que "ao nome de Jesus todo joelho se dobre" e "toda língua proclame: Jesus Cristo é Senhor" (Fl 2,10-11). São palavras que Isaías põe na boca do próprio Deus: "a mim se dobrará todo joelho, e toda língua confessará a Deus" (Is 45,23). O que Isaías diz de Deus, Paulo aplica a Jesus. E ainda:

[...] aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do grande Deus e Salvador nosso, Jesus Cristo. (Tt 2,13)

E a Carta aos Hebreus:

Mas, do Filho, diz: O teu trono, ó Deus, é pelos séculos dos séculos. (Hb 1,8)

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego (em Isaías, da tradução grega antiga, a Septuaginta). Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Deuteronômio 6, Marcos 12, Marcos 2, João 8, João 13, Isaías 43, João 10, Salmo 81, João 5, Marcos 14, Daniel 7, João 1, João 20, Filipenses 2, Isaías 45, Tito 2 e Hebreus 1. Os outros capítulos citados na aula: Marcos 13, Atos 1, 1 Coríntios 1, João 3, Apocalipse 22, Atos 10, 1 Tessalonicenses 4 e Marcos 1.

Imagem gerada por IA: à noite, num salão iluminado por tochas, Jesus, de mãos amarradas, está de pé diante dos anciãos, enquanto o sumo sacerdote rasga a própria túnica.
Imagem gerada por IA: Diante do Sinédrio, Jesus responde "Eu sou", e o sumo sacerdote rasga as vestes e fala em blasfêmia (Mc 14,61-64), em estilo de pintura barroca

O que diziam os primeiros cristãos

Os primeiros cristãos chamavam Jesus de Deus?

A aula sobre Constantino já trouxe duas testemunhas do começo do século II: o governador pagão Plínio, que por volta de 112 contou ao imperador que os cristãos cantavam "um hino a Cristo como a um deus", e Inácio de Antioquia, que chama Jesus de "o nosso Deus". Aqui vão outras, todas de antes de Ário.

Inácio de Antioquia, por volta de 110. Levado a Roma para morrer nas feras, ele pede aos cristãos de lá que não tentem livrá-lo:

Permiti-me ser imitador da paixão do meu Deus. (Carta aos Romanos 6,3)

E abre a carta aos cristãos de Esmirna assim: "Glorifico Jesus Cristo, o Deus que vos fez tão sábios" (Carta aos Esmirnenses 1,1).

Tertuliano, por volta de 197. No seu Apologético, dirigido às autoridades romanas, ele explica o que os cristãos creem sobre Cristo:

Aprendemos que ele saiu de Deus e, ao sair, foi gerado; por isso é chamado Filho de Deus e Deus, pela unidade da substância. (Apologético 21,11)

Uma ideia próxima da "mesma substância" já estava aí, mais de um século antes de Niceia.

Dionísio de Roma, por volta de 260. Contra quem dizia que o Filho é uma obra feita por Deus, o bispo de Roma lembrou que as Escrituras dizem muitas vezes que o Filho foi gerado, mas nunca que ele começou a existir. E argumentou: Cristo é a Sabedoria e o Poder de Deus (1Cor 1,24); se o Filho tivesse começado a existir, houve um tempo em que esses atributos não existiam, "e portanto um tempo em que Deus estava sem eles, o que é totalmente absurdo" (citado por Atanásio, Sobre os decretos de Niceia 26).

As frases de Inácio estão em tradução nossa a partir do grego; a de Tertuliano, a partir do latim; a de Dionísio e a de Ário (acima), a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.

O que a Igreja ensina

O que a Igreja definiu sobre Jesus?

A fé na divindade de Jesus não nasceu de uma votação. O Catecismo explica que, contra quem a negava, a Igreja confessou o que vinha dos apóstolos:

[…] seguindo a tradição apostólica, no primeiro concílio ecuménico de Niceia, em 325, a Igreja confessou que o Filho é «consubstancial» ao Pai, quer dizer, um só Deus com Ele.

Catecismo da Igreja Católica, n. 242

[…] e condenou Ario, o qual afirmava que «o Filho de Deus saiu do nada» […]

Catecismo da Igreja Católica, sobre o Concílio de Niceia, n. 465

Jesus ao perdoar os pecados, ou blasfema por ser um homem que se faz igual a Deus, ou diz a verdade […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 589

Assim, a Igreja confessa que Jesus é inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Catecismo da Igreja Católica, n. 469

Que Jesus é Deus, da mesma substância que o Pai, é dogma de fé, definido em Niceia (325) e mantido em Constantinopla (381). Que ele é também verdadeiro homem, a Igreja confessa desde os apóstolos (Catecismo, n. 465); em Calcedônia, em 451, definiu que nele as duas naturezas se unem numa só pessoa, "sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação" (n. 467). É isso que permite ler os textos que parecem dizer o contrário.

Sobre o dia do fim, que "nem o Filho" conhece (Mc 13,32), o Catecismo ensina que o conhecimento humano de Cristo era verdadeiro e, por ser humano, limitado (n. 472), e que o que ele diz ignorar nesse ponto ele declara, em outro lugar, não ter a missão de revelar (n. 474; At 1,7). Já as explicações dos padres para "o Pai é maior do que eu" são leituras teológicas, e a Igreja não impôs uma só delas. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

O que a história mostra

O que diz o grego nas passagens mais discutidas?

João 1,1: "um deus"? No fim do versículo, João escreve theòs ēn ho lógos, com theós (Deus) sem artigo e antes do verbo. No grego, a falta do artigo não basta para tornar uma palavra indefinida (o grego nem tem artigo indefinido), e nessa posição o substantivo costuma dizer o que o sujeito é: o Verbo tem a natureza de Deus. Se João tivesse escrito "o Deus" (ho theós), diria que o Verbo é a mesma pessoa com quem ele "estava junto" no começo da frase, o Pai. A frase diz as duas coisas que a Igreja crê: o Verbo é distinto do Pai, e é Deus. Há também um problema de coerência: no mesmo capítulo, theós aparece sem artigo para falar do Pai (Jo 1,6.12.13.18), e a própria Tradução do Novo Mundo traduz "Deus" nesses versículos. E "um deus" ao lado do Deus verdadeiro bate de frente com Isaías: "antes de mim nenhum deus foi formado, e depois de mim não haverá" (Is 43,10, no hebraico).

Colossenses 1,15: primogênito é o primeiro criado? Na Bíblia, "primogênito" diz também o lugar de herdeiro e de primeiro. Israel é chamado de "meu filho primogênito" (Ex 4,22), e Deus diz de Davi, que era o caçula da família (1Sm 16,11): "eu o farei primogênito, o mais alto dos reis da terra" (Sl 88(89),28). E o versículo seguinte explica por que Cristo é o primogênito: "porque nele foram criadas todas as coisas [...]; tudo foi criado por meio dele e para ele" (Cl 1,16). Aquele em quem, por meio de quem e para quem tudo foi criado não está entre as coisas criadas. A Tradução do Novo Mundo escreve "todas as outras coisas", mas "outras" não está no grego.

Provérbios 8,22: "o Senhor me criou"? Quem fala é a Sabedoria, apresentada como uma mulher que chama nas praças e constrói a sua casa (Pr 8,1-3; 9,1). O verbo hebraico (qanah) quer dizer, na grande maioria das vezes, adquirir, comprar ou possuir (em poucos textos, formar ou criar): é o de Eva, "adquiri um homem" (Gn 4,1), e o de "adquire a sabedoria" (Pr 4,7). A tradução grega antiga pôs "me criou", e os arianos se apoiaram nela. Dionísio de Roma, por volta de 260, respondeu que "criou" ali quer dizer "pôs à frente das obras", e lembrou que o texto diz logo depois que a Sabedoria foi "gerada" (Pr 8,25). Atanásio, em meados do século IV, leu a frase como dita da humanidade de Cristo: é como se ele dissesse "o meu Pai preparou para mim um corpo e me criou para os homens, para a salvação deles" (Discursos contra os arianos II,47).

"O Pai é maior do que eu" (Jo 14,28). O mesmo Evangelho traz "eu e o Pai somos um" e "meu Senhor e meu Deus". Gregório de Nazianzo, num sermão de 380 em Constantinopla, notou que a Escritura chama o Pai de maior e também diz que o Filho é igual a ele, e concluiu que "maior" se refere à origem e "igual", à natureza. Acrescentou que dizer que o Pai é maior que o Filho considerado como homem também é verdade, mas não é grande coisa: Deus é maior que um homem (Discurso 30,7).

"O único Deus verdadeiro" (Jo 17,3). Jesus diz ao Pai: "esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo". E "único" não exclui o Filho, assim como a carta de Judas, ao chamar Jesus Cristo de "nosso único Soberano e Senhor" (Jd 4), não nega que o Pai seja Senhor.

Versículos em tradução nossa, a partir do grego e do hebraico; capítulos inteiros na Bíblia Ave-Maria: Colossenses 1, Êxodo 4, 1 Samuel 16, Salmo 88, Provérbios 8, Provérbios 9, Gênesis 4, Provérbios 4, João 14, João 17 e Judas. As frases de Atanásio e de Gregório foram traduzidas a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.

Lado a lado

A Tradução do Novo Mundo e o grego, lado a lado

TextoComo a Tradução do Novo Mundo traduzO que o grego mostra
João 1,1"a Palavra era um deus"Theós sem artigo diz a natureza do Verbo. No mesmo capítulo, theós sem artigo, quando fala do Pai, é traduzido "Deus" (Jo 1,6.18).
João 8,58"antes de Abraão vir à existência, eu já existia"Egō eimí, "Eu sou", no presente, contra o "veio a existir" de Abraão.
Colossenses 1,16-17"todas as outras coisas"O grego diz tà pánta, "todas as coisas". A palavra "outras" foi acrescentada.
Tito 2,13"do grande Deus e do nosso Salvador, Jesus Cristo"Um só artigo para "grande Deus e Salvador": a mesma construção de 2 Pedro 1,11, que a própria tradução lê como uma pessoa só, "nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo", e a de 2 Pedro 1,1, que ela lê como duas.
Hebreus 1,8"Deus é o seu trono"Ho theós pode ser vocativo, "ó Deus", como em Hebreus 10,7, que a própria tradução verte "ó Deus". E o verso 10 continua falando ao Filho: "Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra".
Filipenses 2,6"nem mesmo chegou a pensar na ideia de tentar ser igual a Deus"A palavra harpagmós é rara e o sentido exato é discutido. Mas o verso diz que ele "existia na forma de Deus", em paralelo com a "forma de servo" que tomou de verdade.

Os frutos

Por que importa que Jesus seja Deus?

Se Jesus fosse só a mais alta das criaturas, quem nos salvaria seria uma criatura, e não o próprio Deus. Atanásio via o problema assim: uma criatura não poderia unir as criaturas a Deus, porque ela mesma precisaria de alguém que a unisse a ele (Discursos contra os arianos II,69). O Evangelho diz que "Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito" (Jo 3,16): na cruz, quem se entrega é Deus feito homem.

E por isso os cristãos adoram Jesus sem medo de idolatria. Quando João se prostra diante de um anjo, o anjo o impede e diz: "adora a Deus" (Ap 22,8-9); quando Cornélio se prostra diante de Pedro, Pedro o levanta, porque é homem (At 10,25-26). Diante de Tomé, Jesus aceita: "Meu Senhor e meu Deus!"

As Testemunhas de Jeová que batem à porta costumam ser pessoas sinceras, que falam de Jesus com respeito. A melhor conversa é a leitura calma de um texto inteiro: o começo do Evangelho de João (Jo 1,1-18) e o fim, onde Tomé faz a sua confissão e o evangelista explica por que escreveu: "para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus" (Jo 20,31).

Para guardar

Jesus não precisou dizer "eu sou Deus": perdoou pecados, disse "antes que Abraão existisse, Eu sou" e aceitou ser chamado "meu Senhor e meu Deus". Niceia não inventou essa fé; defendeu-a contra quem dizia que o Filho teve começo.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. O que os escribas pensaram quando Jesus perdoou os pecados do paralítico (Mc 2,5-7)?

  2. 2. Em João 8,58, que contraste o grego faz?

  3. 3. O que Tomé diz a Jesus ressuscitado em João 20,28?

  4. 4. Segundo o Catecismo (n. 242), o que o Concílio de Niceia confessou em 325?

  5. 5. Como Gregório de Nazianzo explicou "o Pai é maior do que eu" (Jo 14,28)?

Perguntas frequentes

Jesus alguma vez disse "eu sou Deus"?

Não com essas palavras. Mas perdoou pecados (Mc 2,5-7), disse "antes que Abraão existisse, Eu sou" (Jo 8,58) e "eu e o Pai somos um" (Jo 10,30), aceitou a confissão de Tomé, "meu Senhor e meu Deus" (Jo 20,28), e foi condenado por blasfêmia diante do Sinédrio (Mc 14,61-64).

Por que as Testemunhas de Jeová traduzem João 1,1 como "a Palavra era um deus"?

Na nota de estudo da própria Tradução do Novo Mundo, as razões são duas: João diz, antes e depois, que a Palavra "estava com Deus", e por isso não seria o mesmo Deus; e theós sem artigo, no fim do versículo, "descreve uma característica da Palavra". A Igreja concorda que o Verbo é distinto do Pai e que theós, ali, diz a natureza dele. A própria nota chega a dizer que ele "tinha a mesma natureza de Deus". A diferença está na conclusão: ter a natureza de Deus é ser Deus, e não "um deus" de segunda ordem, o que Isaías exclui (Is 43,10). E, no mesmo capítulo, theós sem artigo fala do Pai (Jo 1,6.18), e a própria tradução põe "Deus".

Jesus é o arcanjo Miguel?

As Testemunhas de Jeová ensinam que sim, apoiadas em 1 Tessalonicenses 4,16, que fala da "voz de arcanjo" na vinda do Senhor. Mas a Carta aos Hebreus põe o Filho acima dos anjos: ele "se tornou tão superior aos anjos quanto mais excelente que o deles é o nome que herdou"; Deus nunca disse a um anjo "Tu és meu Filho"; e manda: "todos os anjos de Deus o adorem" (Hb 1,4-6). E, segundo a carta de Judas, o arcanjo Miguel, discutindo com o diabo, não ousou condená-lo e disse apenas: "O Senhor te repreenda" (Jd 9). Jesus, ao contrário, repreende ele mesmo o espírito impuro (no grego, o mesmo verbo de Judas 9), e o povo se espanta: ele dá ordens com autoridade até aos espíritos impuros, e eles lhe obedecem (Mc 1,25-27).

Se Jesus é Deus, quem morreu na cruz?

Morreu Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na sua carne. A Igreja ensina que tudo o que é humano em Cristo se atribui à sua pessoa divina, «não só os milagres, mas também os sofrimentos» e a própria morte, e confessa: «Aquele que foi crucificado na carne, nosso Senhor Jesus Cristo, é verdadeiro Deus, Senhor da glória e um da Santíssima Trindade» (Catecismo, n. 468). Por isso Inácio de Antioquia, por volta de 110, podia falar da "paixão do meu Deus".

O Concílio de Niceia inventou a divindade de Jesus?

Não. Ela está nos Evangelhos e nas cartas dos apóstolos, e cristãos como Inácio de Antioquia, por volta de 110, já chamavam Jesus de Deus. Niceia (325) confessou que o Filho é da mesma substância que o Pai para responder a Ário, que dizia que o Filho teve começo.

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 211 e 242
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 464 a 469, 472 a 474, 589, 590 e 653
  3. VaticanoBento XVI, audiência geral de 20 de junho de 2007: Santo Atanásio
  4. Bible HubTexto grego de João 1,1
  5. Bible HubTexto grego de João 1,18 nas várias edições
  6. Bible HubTexto grego de João 8,58
  7. Bible HubTexto grego de João 20,28
  8. Bible HubTexto grego de Filipenses 2,6
  9. Bible HubTexto grego de Tito 2,13
  10. Bible HubTexto grego de 2 Pedro 1,11
  11. Bible HubTexto grego de Hebreus 1,8
  12. Bible HubTexto grego de Hebreus 10,7
  13. Bible HubTexto grego de Colossenses 1,16
  14. Bible HubTexto grego de João 10,34-39
  15. Bible HubTexto hebraico do Salmo 82(81),6
  16. Bible HubTexto grego de Hebreus 1,4
  17. Bible HubTexto grego de Judas 9
  18. Bible HubTexto grego de Marcos 1,25
  19. Bible HubTexto grego de Marcos 1,27
  20. Bible HubTexto hebraico de Provérbios 8,22
  21. Bible HubLéxico hebraico: qanah (Strong 7069) e os seus sentidos
  22. Blue Letter BibleIsaías 43,10 na Septuaginta
  23. Blue Letter BibleIsaías 45,23 na Septuaginta
  24. jw.orgTradução do Novo Mundo, edição de estudo: João 1 (versículos 1, 6, 12, 13 e 18, e a nota de estudo de 1,1)
  25. jw.orgTradução do Novo Mundo: João 8,58
  26. jw.orgTradução do Novo Mundo: Colossenses 1,15-17
  27. jw.orgTradução do Novo Mundo: Tito 2,13
  28. jw.orgTradução do Novo Mundo: 2 Pedro 1,1 e 1,11
  29. jw.orgTradução do Novo Mundo: Hebreus 1,8
  30. jw.orgTradução do Novo Mundo: Hebreus 10,7
  31. jw.orgTradução do Novo Mundo: Filipenses 2,6
  32. jw.orgA Sentinela, 1/3/2013: Por que Jesus é chamado de Filho de Deus?
  33. jw.orgO que a Bíblia realmente ensina?, apêndice: Quem é o arcanjo Miguel?
  34. New AdventTeodoreto, História Eclesiástica I,4: a carta de Ário a Eusébio de Nicomédia (tradução inglesa)
  35. First1KGreekInácio de Antioquia, cartas, texto grego (Romanos 6,3; Esmirnenses 1,1)
  36. New AdventInácio de Antioquia, Carta aos Romanos (tradução inglesa)
  37. New AdventInácio de Antioquia, Carta aos Esmirnenses (tradução inglesa)
  38. The Latin LibraryTertuliano, Apologético, texto latino (21,11)
  39. The Tertullian ProjectCronologia das obras de Tertuliano (Apologético, 197)
  40. New AdventAtanásio, Sobre os decretos de Niceia, 26: a carta de Dionísio de Roma (tradução inglesa)
  41. New AdventAtanásio, Discursos contra os arianos, II,44-47 e 69 (tradução inglesa)
  42. New AdventGregório de Nazianzo, Discurso 30 (Quarto discurso teológico), 7 (tradução inglesa)
  43. Catholic EncyclopediaArius: a briga de 318 e a condenação em Alexandria
  44. Catholic EncyclopediaPope St. Dionysius: a carta de cerca de 260 e Provérbios 8,22
  45. Catholic EncyclopediaSt. Gregory of Nazianzus: os discursos teológicos de 380
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