A resposta curta
Porque Jesus pôs Pedro à frente dos apóstolos e lhe confiou o cuidado de todo o seu rebanho (Jo 21,15-17), e esse serviço continuou nos bispos de Roma, sucessores de Pedro. O papa não toma o lugar de Cristo, que é a Cabeça da Igreja: é o seu vigário, sinal visível da unidade, um pastor a serviço do Pastor.
A objeção
O que se costuma dizer
A Bíblia diz que Cristo é a cabeça da Igreja (Cl 1,18) e que há um só mediador entre Deus e os homens (1Tm 2,5). Pôr um homem como líder de todos os cristãos é tomar o lugar que só pertence a Jesus. Pedro foi um apóstolo como os outros e, mesmo que tenha liderado no começo, isso acabou com a morte dele. O papado foi uma construção de Roma para mandar nas outras Igrejas.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa ideia?
A objeção junta vozes diferentes, e vale distinguir cada uma.
A primeira vem da Reforma, no século XVI. Lutero e Calvino rejeitaram a autoridade do papa por entendê-la contrária ao Evangelho. Para a maioria dos evangélicos de hoje, Cristo governa a Igreja pela Bíblia, e cada comunidade se organiza sem um pastor universal.
A segunda é a dos cristãos ortodoxos, bem mais próxima da católica. Eles reconhecem que, no primeiro milênio, a Igreja de Roma ocupava o primeiro lugar entre as Igrejas. Em 2007, no chamado documento de Ravena, a comissão mista de diálogo entre católicos e ortodoxos registrou esse acordo, e também o desacordo sobre como interpretar as prerrogativas do bispo de Roma naquela época (n. 41). O texto saiu sem a delegação do Patriarcado de Moscou, que se retirou da reunião por uma questão interna entre os ortodoxos. É um texto de comissão, não uma definição oficial, mas mostra bem onde está a diferença: os ortodoxos não aceitam a jurisdição universal nem a infalibilidade do papa definidas em 1870. A separação costuma ser datada em 1054, quando legados de Roma e o patriarca de Constantinopla se excomungaram; em 7 de dezembro de 1965, o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras I retiraram essas excomunhões.
A terceira é popular: a imagem de um chefe vestido de branco, num palácio, que mandaria em tudo e em todos.
Esta aula não repete a discussão sobre a palavra "papa" nem sobre o sentido de "pedra" em Mateus 16. Isso está em O papa existe na Bíblia? e em A pedra da Igreja é Pedro ou a fé de Pedro?. Aqui a pergunta é outra: por que um pastor visível, e por que o de Roma.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
A Igreja chama o papa de vigário de Cristo, e o Concílio Vaticano I, retomando o de Florença, diz que ele é "cabeça de toda a Igreja" (Pastor Aeternus, cap. 3, tradução nossa). Mas nenhum documento diz que ele toma o lugar de Cristo: é cabeça visível porque serve em nome de Cristo e sob Ele, que continua sendo a Cabeça do Corpo (Catecismo 792). A pergunta honesta é outra: Cristo, que é a Cabeça, quis deixar um pastor visível a serviço da unidade? E esse serviço terminou com Pedro ou continuou depois dele?
As duas partes se respondem com textos: o que Jesus disse a Pedro e o que fizeram as Igrejas dos primeiros séculos, muito antes de qualquer disputa entre Roma e Constantinopla.
O que diz a Bíblia
O que a Bíblia diz sobre Pedro como pastor?
Primeiro, o ponto de acordo. A Igreja Católica ensina, com a Bíblia, que Cristo é a Cabeça:
Ele é a cabeça do corpo, a Igreja. (Cl 1,18)
E Jesus diz de si mesmo:
Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. (Jo 10,11)
Mas o mesmo Novo Testamento chama outros homens de pastores, sem tirar nada de Cristo. Foi Ele quem deu à Igreja "uns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas, outros como pastores e mestres" (Ef 4,11). E Pedro, que se apresenta como "ancião como eles", escreve aos anciãos das Igrejas:
Pastoreai o rebanho de Deus que está entre vós, [...] não como donos dos que vos foram confiados, mas sendo modelos do rebanho. E, quando aparecer o Supremo Pastor, recebereis a coroa de glória que não murcha. (1Pd 5,2-4)
Há um Supremo Pastor e há pastores a serviço dele. É nessa lógica que entram as palavras de Jesus a Pedro.
O pastor de todo o rebanho. Depois da ressurreição, à beira do lago, Jesus pergunta três vezes a Pedro se ele o ama, e três vezes lhe confia o rebanho:
Apascenta os meus cordeiros. [...] Pastoreia as minhas ovelhas. [...] Apascenta as minhas ovelhas. (Jo 21,15-17)
As ovelhas continuam sendo de Jesus ("minhas"). Pedro recebe o encargo de cuidar delas, e de todas, cordeiros e ovelhas, não de uma parte. Muitos leem a cena como o perdão de Pedro depois das três negações, e ela é isso; mas o perdão vem junto com um encargo que nenhum outro apóstolo recebe.
O que confirma os irmãos. Na Última Ceia, Jesus avisa:
Simão, Simão, eis que Satanás pediu para vos peneirar como o trigo. Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, quando te converteres, confirma os teus irmãos. (Lc 22,31-32)
No grego, "vos" está no plural: a prova é para todos. "Por ti" está no singular: a oração é por Pedro, e a missão dele é sustentar os outros.
As chaves. Em Mateus 16,19, Jesus promete a Pedro "as chaves do Reino dos céus". A imagem vem do Antigo Testamento. Em Isaías 22, Deus tira de Sobna o cargo de mordomo do palácio e o passa a Eliacim:
Porei sobre o seu ombro a chave da casa de Davi: ele abrirá, e ninguém fechará; fechará, e ninguém abrirá. (Is 22,22)
A chave era o sinal de um cargo que passava de um homem para outro: o rei continuava sendo o rei, e o mordomo cuidava da casa em nome dele. No Apocalipse, quem tem "a chave de Davi" é o próprio Cristo (Ap 3,7). As chaves são dele; Pedro as recebe para servir.
Pedro à frente, na prática. Nos Atos, é Pedro quem propõe a escolha de Matias (At 1,15), quem prega em Pentecostes (At 2,14) e quem toma a palavra no Concílio de Jerusalém (At 15,7). Mas não decide sozinho: Tiago fala depois dele, e a decisão é dos apóstolos e anciãos com toda a Igreja (At 15,22).
E o "único mediador" de 1 Timóteo 2,5? O versículo fala da salvação: só Cristo nos reconcilia com o Pai. O papa não salva ninguém, assim como não salva o pastor que prega numa igreja evangélica. Os dois servem, cada um a seu modo, ao único Mediador.
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego; Isaías 22, a partir do hebraico. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Colossenses 1, João 10, Efésios 4, 1 Pedro 5, João 21, Lucas 22, Isaías 22, Apocalipse 3 e Atos 15.
O que diziam os primeiros cristãos
O que os primeiros cristãos diziam da Igreja de Roma?
Se o papado fosse uma invenção medieval, os textos dos primeiros séculos não mostrariam Roma agindo como referência para as outras Igrejas. Mostram. E mostram também que esse papel foi entendido aos poucos, com tensões, o que é honesto dizer.
A carta de Roma a Corinto, por volta de 96. Em Corinto, alguns tinham afastado os presbíteros da comunidade. A Igreja de Roma escreve para corrigir, em tom de quem se sente responsável:
Se alguns desobedecerem ao que Ele disse por meio de nós, saibam que se enredarão em falta e perigo não pequenos. (Carta aos Coríntios 59,1)
A carta sai em nome da Igreja de Roma, sem assinatura, mas os antigos a atribuem a Clemente, bispo de Roma. Por volta de 170, o bispo Dionísio de Corinto conta que ela ainda era lida nas reuniões de domingo (citado por Eusébio, História Eclesiástica IV,23,11). A data mais aceita é o fim do reinado de Domiciano, por volta de 96; alguns estudiosos propõem uma data anterior.
Inácio de Antioquia, por volta de 110. Nas cartas que escreveu a caminho do martírio, Inácio dá conselhos e advertências às Igrejas da Ásia. À de Roma, escreve em outro tom. Ele a saúda como a Igreja "que preside na região dos romanos" e "que preside na caridade" (Carta aos Romanos, saudação), e diz:
Vós nunca invejastes ninguém; ensinastes os outros. (Romanos 3,1)
Não vos dou ordens como Pedro e Paulo: eles eram apóstolos, eu sou um condenado. (Romanos 4,3)
O sentido exato de "presidir na caridade" é discutido; o próprio Bento XVI disse, em 2005, que não sabemos com certeza o que Inácio pensava ao usar a expressão. Mas a ligação de Pedro e Paulo com Roma já está ali.
Ireneu de Lyon, por volta de 180. Logo antes de dar a lista dos bispos de Roma (vista na aula Jesus fundou a Igreja Católica?), Ireneu escreve:
Com esta Igreja, por causa da sua origem mais excelente, é necessário que esteja de acordo toda Igreja, isto é, os fiéis de toda parte; nela, os que são de toda parte sempre conservaram a tradição que vem dos apóstolos. (Contra as Heresias III,3,2)
A obra chegou inteira só numa tradução latina antiga, e o sentido de duas expressões (potentiorem principalitatem, "origem mais excelente" ou "autoridade mais forte", e convenire, "estar de acordo" ou "dirigir-se") é discutido há séculos. O sentido geral é claro: Roma era o ponto de referência da fé que vem dos apóstolos.
Vítor de Roma, por volta de 190. Na disputa sobre a data da Páscoa, o bispo de Roma, Vítor, tentou cortar da comunhão todas as Igrejas da Ásia. Muitos bispos acharam a medida dura demais, e Ireneu lhe escreveu pedindo paz (Eusébio, História Eclesiástica V,24). O episódio mostra as duas coisas: Roma se sentia responsável pelas outras Igrejas, e as outras se sentiam livres para aconselhá-la.
Cipriano de Cartago, por volta de 252. Numa carta ao bispo de Roma, Cornélio, Cipriano chama Roma de "cátedra de Pedro" e "Igreja principal, de onde nasceu a unidade sacerdotal" (Carta 59,14). Poucos anos depois, ele mesmo discordou duramente do papa Estêvão sobre o batismo dado por hereges. A Igreja, mais tarde, deu razão a Estêvão: o batismo dado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, com a intenção de fazer o que a Igreja faz, vale mesmo quando quem batiza é herege (Concílio de Trento, sessão VII, cânones sobre o batismo, cânon 4).
As frases de Clemente e de Inácio estão em tradução nossa a partir do grego; as de Ireneu e de Cipriano, a partir do latim.

O que a Igreja ensina
O que a Igreja ensina sobre o papa?
A Igreja não põe o papa no lugar de Cristo. O Catecismo começa exatamente por onde a objeção começa, e o Concílio Vaticano I, em 1870, e o Vaticano II, em 1964, explicam o lugar de Pedro e dos seus sucessores:
Cristo «é a Cabeça do Corpo que é a Igreja» (Cl 1, 18).
[…] instituiu-o pastor de todo o rebanho […]
[…] o princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e comunhão
[…] ut beatus Petrus in primatu super universam Ecclesiam habeat perpetuos successores […]
[…] sob o seu único Chefe que é Cristo Jesus […]
Em português, a frase latina do Vaticano I diz que é por instituição de Cristo que Pedro tem sucessores perpétuos no primado sobre a Igreja inteira (tradução nossa). O mesmo concílio diz que esse poder do papa é pleno e imediato sobre todas as Igrejas, e que não diminui o dos bispos, que pastoreiam as suas Igrejas como verdadeiros pastores. E cita uma carta do papa Gregório Magno: "a minha honra é a honra da Igreja universal; a minha honra é a força firme dos meus irmãos" (cap. 3). O Catecismo lembra que os bispos não são vigários do papa (n. 895).
O título que os papas usam nos seus documentos mais solenes é "servo dos servos de Deus", que Gregório Magno (590-604) foi o primeiro a usar com frequência. E em 1995, na encíclica Ut unum sint (n. 95 e 96), João Paulo II escreveu que ouvia o pedido de encontrar uma forma de exercer o primado que, sem renunciar ao essencial da sua missão, se abrisse a uma situação nova, e convidou pastores e teólogos das outras Igrejas a buscá-la com ele. Os trechos acima são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
Linha do tempo
De Pedro a Leão XIV, em datas
As datas dos primeiros bispos de Roma são aproximadas.
- c. 30"Apascenta as minhas ovelhas"Jesus ressuscitado confia a Pedro o cuidado do rebanho (Jo 21).
- c. 49Concílio de JerusalémPedro toma a palavra; apóstolos e anciãos decidem juntos (At 15).
- c. 64-67Pedro morre em RomaPela tradição antiga, Pedro e Paulo morrem mártires em Roma, na perseguição de Nero.
- c. 96Roma escreve a CorintoA carta atribuída a Clemente pede o fim de uma divisão em Corinto.
- c. 110"Preside na caridade"Inácio de Antioquia escreve à Igreja de Roma.
- c. 180Ireneu e a Igreja de RomaRoma como referência da fé que vem dos apóstolos (Contra as Heresias III,3,2).
- 590-604Gregório MagnoFirma o título "servo dos servos de Deus".
- 1054Excomunhões mútuasLegados de Roma e o patriarca de Constantinopla se excomungam.
- 1870Concílio Vaticano IEm 18 de julho, define o primado e a infalibilidade do papa (Pastor Aeternus).
- 1964Lumen GentiumO Vaticano II apresenta o papa como cabeça do colégio dos bispos.
- 1965Fim das excomunhões de 1054Paulo VI e o patriarca Atenágoras I as retiram, em 7 de dezembro.
- 1995Ut unum sintJoão Paulo II convida ao diálogo sobre o modo de exercer o primado.
- 2025Leão XIVEleito em 8 de maio, é o 267º papa na contagem do Vaticano.
Lado a lado
A objeção e as fontes, lado a lado
| O que se diz | O que as fontes mostram | Onde conferir |
|---|---|---|
| O papa toma o lugar de Cristo como cabeça. | A Igreja ensina que Cristo é a Cabeça; o papa é um pastor a serviço da unidade, sob Cristo. | Cl 1,18; Catecismo 792; Ut unum sint 97 |
| Pedro era um apóstolo como os outros. | Só a Pedro Jesus confia todo o rebanho e pede que confirme os irmãos. | Jo 21,15-17; Lc 22,31-32 |
| A liderança de Pedro morreu com ele. | Antes do ano 200, Roma já era referência para as outras Igrejas. | Clemente 59,1; Inácio, Romanos 3,1; Ireneu III,3,2 |
| O papado é invenção da Idade Média. | Vítor (c. 190) e Cipriano (c. 252) já mostram o papel de Roma, com tensões reais. | Eusébio, História Eclesiástica V,24; Cipriano, Carta 59 |
| O papa é um soberano absoluto, que pode tudo. | Ele tem poder pleno e supremo sobre toda a Igreja, também sobre os bispos, mas a serviço da fé recebida: não cria doutrina nova, e os bispos governam com poder próprio, não como vigários dele. | Catecismo 882 e 895; Pastor Aeternus, cap. 3 e 4 |
Os frutos
Para que serve um pastor visível?
Ser bispo de Roma, nos primeiros séculos, podia custar a vida. Em 6 de agosto de 258, o papa Sisto II foi morto nas catacumbas, com quatro diáconos, durante a perseguição de Valeriano. Não era um posto de poder; era o lugar mais exposto.
Hoje, o bispo de Roma é um ponto de comunhão visível para católicos de todos os continentes, de ritos e línguas diferentes. Quando surge uma dúvida grave sobre a fé, há a quem recorrer, como as Igrejas olhavam para Roma no tempo de Ireneu. E o próprio papado reconhece que o modo de exercer esse serviço pode ganhar formas novas (Ut unum sint 88 e 95).
Quem levanta esta objeção quase sempre quer proteger algo verdadeiro: Jesus é o Senhor, e nenhum homem pode ocupar o lugar dele. Nisso católicos e evangélicos estão de acordo. A diferença está numa outra pergunta, que vale fazer juntos e sem pressa: se o próprio Senhor quis, para cuidar das suas ovelhas, deixar pastores, e entre eles um que confirma os irmãos.
Para guardar
O papa não toma o lugar de Cristo: Cristo é a Cabeça, e o papa é o pastor que Ele pôs a serviço da unidade. Jesus confiou a Pedro todo o rebanho, e antes do ano 200 as Igrejas já olhavam para Roma como referência da fé.
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5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Em que passagem Jesus ressuscitado confia a Pedro o cuidado de todo o rebanho?
À beira do lago, Jesus pergunta três vezes a Pedro se ele o ama e três vezes lhe diz para apascentar e pastorear as suas ovelhas.
2. O que o Catecismo ensina no número 792?
O Catecismo cita Colossenses 1,18: Cristo é a Cabeça do Corpo que é a Igreja. O papa serve a unidade sob Cristo.
3. Em Lucas 22,31-32, por quem Jesus diz que rezou, e com que missão?
Satanás pediu para peneirar a todos ("vos", no plural), mas Jesus rezou por Pedro ("ti", no singular), para que ele confirmasse os irmãos.
4. Que texto mostra a Igreja de Roma intervindo em outra Igreja ainda no século I?
A carta, atribuída pelos antigos a Clemente de Roma, pede aos coríntios que acabem com a divisão e devolvam os presbíteros afastados.
5. Que título os papas usam nos seus documentos mais solenes?
Gregório Magno (590-604) foi o primeiro a usá-lo com frequência. A constituição Pastor Aeternus, de 1870, abre com ele.
Perguntas frequentes
Os católicos acham que o papa substitui Jesus?
Não. O Catecismo (n. 792) ensina que Cristo é a Cabeça do Corpo que é a Igreja. O papa é chamado vigário de Cristo porque serve em nome dele como pastor da unidade, como seu representante visível, sem substituí-lo; os bispos também são chamados vigários e legados de Cristo (Catecismo 894).
Por que o líder da Igreja é o bispo de Roma?
Porque, segundo a tradição antiga, Pedro terminou a vida em Roma, onde morreu mártir, e os bispos de Roma são os seus sucessores. Por volta de 180, Ireneu de Lyon já apontava a Igreja de Roma como referência da fé apostólica.
Os ortodoxos reconhecem o papa?
A comissão mista de diálogo entre católicos e ortodoxos registrou, no documento de Ravena (2007, n. 41), que os dois lados concordam que, no primeiro milênio, Roma tinha o primeiro lugar entre as Igrejas e que o seu bispo era o primeiro entre os patriarcas. É um texto de comissão, que saiu sem a delegação do Patriarcado de Moscou. Os ortodoxos não aceitam a jurisdição universal nem a infalibilidade do papa definidas em 1870.
Quantos papas já houve?
Leão XIV, eleito em 8 de maio de 2025, é o 267º papa na contagem do Vaticano. As datas dos primeiros bispos de Roma são aproximadas.
O papa pode fazer o que quiser?
Não. O papa tem poder pleno, supremo e universal sobre toda a Igreja, inclusive sobre os bispos (Catecismo 882 e 937), mas esse poder existe para servir a unidade da fé: ele não pode criar doutrina nova (Pastor Aeternus, cap. 4) nem anular o poder próprio dos bispos, que governam as suas dioceses em nome de Cristo e não são vigários do papa (Catecismo 895). Como disse Bento XVI em 2005, o papa não é um soberano absoluto.
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 792, 881, 882, 894, 895 e 937
- VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Lumen Gentium, n. 18 e 22
- VaticanoConcílio Vaticano I, constituição Pastor Aeternus (1870), em latim, cap. 2 a 4 (o cap. 3 retoma o Concílio de Florença)
- VaticanoJoão Paulo II, encíclica Ut unum sint (1995), n. 88, 95, 96 e 97
- VaticanoBento XVI, homilia na tomada de posse da Cátedra de Roma (7 de maio de 2005)
- VaticanoDeclaração conjunta de Paulo VI e Atenágoras I sobre as excomunhões de 1054 (7 de dezembro de 1965), em inglês
- VaticanoBiografia do papa Leão XIV (267º pontífice)
- Dicastério para a Unidade dos CristãosDocumento de Ravena (2007), n. 41
- Igreja Ortodoxa na AméricaLeonid Kishkovsky, Primacy theme of Catholic-Orthodox dialogue (2007): a saída da delegação de Moscou em Ravena
- First1KGreekClemente de Roma, Carta aos Coríntios, texto grego (ed. Lake)
- First1KGreekInácio de Antioquia, cartas, texto grego (ed. Lake)
- New AdventClemente de Roma, Carta aos Coríntios (tradução inglesa)
- New AdventInácio de Antioquia, Carta aos Romanos (tradução inglesa)
- Internet ArchiveIreneu, Contra as Heresias, texto latino (ed. Harvey, 1857), III,3,2
- New AdventIreneu de Lyon, Contra as Heresias, III,3 (tradução inglesa)
- New AdventEusébio, História Eclesiástica, livro IV (Dionísio de Corinto, IV,23)
- New AdventEusébio, História Eclesiástica, livro V (Vítor e a Páscoa, V,24)
- Internet ArchiveCipriano, cartas, texto latino (ed. Hartel, 1871), Carta 59,14
- New AdventCipriano de Cartago, Carta a Cornélio (numerada 54 na tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaPapa Clemente I: autoria e data da carta aos Coríntios
- Catholic EncyclopediaPapa Vítor I
- Catholic EncyclopediaPapa Estêvão I e a questão do batismo dos hereges
- Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão VII (1547), cânones sobre o batismo, cânon 4 (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaCipriano de Cartago (inclui a morte de Sisto II em 258)
- Catholic EncyclopediaServus servorum Dei

