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Imagem gerada por IA: numa sala simples iluminada por lamparinas, um jovem casal de mãos direitas dadas recebe a bênção de um bispo idoso; a noiva usa um véu cor de laranja, e a comunidade os rodeia.

O casamento é sacramento ou invenção da Igreja?

A Igreja não inventou o casamento: ele vem da criação. O que ela ensina é que Cristo fez da união de dois batizados um sinal do seu amor pela Igreja, e por isso o laço do casamento sacramental consumado não se desfaz.

14 min de leitura

Imagem gerada por IA: Cena imaginada a partir de Tertuliano (À esposa II,8,6): um casamento cristão abençoado pela Igreja, por volta do ano 200. Em estilo de pintura renascentista

A resposta curta

Não é invenção. O casamento vem da criação (Gn 2,24), e Jesus o devolveu ao plano do princípio: "o que Deus uniu, o homem não separe" (Mt 19,6). A Igreja ensina que, entre batizados, Cristo o elevou a sacramento, sinal da sua união com a Igreja (Ef 5,32; Catecismo, n. 1601 e 1617). Por isso o casamento sacramental consumado só termina com a morte (cân. 1141); o que a Igreja pode fazer, depois de um processo, é declarar que um casamento nunca existiu.

A objeção

O que se costuma dizer

O casamento existe desde Adão e Eva, em todos os povos; não é coisa da Igreja. Jesus nunca disse que é sacramento. A Igreja tirou isso de uma tradução: em Efésios 5,32 Paulo fala de "mistério", e a Bíblia latina pôs "sacramento". E a tal anulação é só um divórcio católico com outro nome, para quem pode pagar.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa ideia?

A objeção vem da Reforma, e convém ouvi-la inteira, porque ela não despreza o casamento.

Calvino escreveu que o casamento é "uma boa e santa instituição de Deus", mas não um sacramento, como a agricultura e a arquitetura também são instituições de Deus sem serem sacramentos (Institutas IV,19,34). Sobre Efésios 5,32, dizia que Paulo fala da união espiritual de Cristo com a Igreja, e que os teólogos tinham sido enganados pela palavra sacramentum da tradução latina (IV,19,35 e 36). A Apologia luterana diz algo parecido: o casamento foi instituído na criação, e não no Novo Testamento; quem quiser chamá-lo de sacramento deve distingui-lo dos outros (artigo 13, 14).

A declaração de fé dos batistas do sul dos Estados Unidos define o casamento como a união de um homem e uma mulher num compromisso de aliança para a vida inteira, que revela a união entre Cristo e a sua Igreja (Baptist Faith and Message, 2000, artigo 18). Onde está, então, a diferença? Em duas perguntas: se esse sinal comunica a graça de Cristo, e se o laço entre dois batizados pode ser desfeito.

E há a objeção secular: o casamento seria só um contrato, que se desfaz como qualquer outro.

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

Católicos e evangélicos concordam que o casamento vem de Deus. A pergunta honesta é: Cristo mudou alguma coisa no casamento? E, se a união de dois batizados é um sinal do amor de Cristo pela Igreja, o que isso implica para o divórcio?

Vale tirar dois mal-entendidos do caminho. A Igreja não diz que o casamento de quem não é cristão é falso ou sem valor: ela ensina que Deus é o autor do matrimônio e que em todas as culturas há um certo sentido da sua grandeza (Catecismo, n. 1603). E ela não diz que só o casamento católico é sacramento: entre batizados, todo casamento válido é, pelo mesmo fato, sacramento (Código de Direito Canônico, cân. 1055, § 2). Para a Igreja Católica, o casamento de dois evangélicos batizados é sacramento, mesmo que eles não usem essa palavra. O quadro geral dos sete está na aula Os sete sacramentos estão na Bíblia?.

O que diz a Bíblia

O que dizem Gênesis, Jesus e Paulo?

No princípio. Depois da criação da mulher, Gênesis conclui:

Por isso o homem deixa seu pai e sua mãe e se apega à sua mulher, e eles se tornam uma só carne. (Gn 2,24)

O verbo hebraico (dābaq) é o de quem se cola, se agarra. A Septuaginta, a tradução grega antiga, acrescentou "os dois", e é essa a forma que Jesus e Paulo citam.

Jesus e o divórcio. Os fariseus perguntam se é lícito repudiar a mulher "por qualquer motivo". Jesus responde voltando ao Gênesis:

Não lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher, e disse: Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe. (Mt 19,4-6)

Quando lembram a carta de divórcio de Moisés, Jesus responde que ela foi permitida "por causa da dureza do vosso coração; mas desde o princípio não foi assim" (Mt 19,8). Ele não cria uma regra: volta ao plano do Criador.

E a exceção de Mateus? Em Mateus 19,9 Jesus diz: "quem repudia a sua mulher, a não ser em caso de porneía, e se casa com outra, comete adultério" (veja também Mt 5,32). O sentido de porneía aqui é discutido há séculos.

  • Muitos evangélicos leem a exceção como permissão de divórcio e novo casamento em caso de adultério; a Confissão de Westminster, dos presbiterianos, admite também o abandono sem remédio (capítulo 24, 5 e 6).
  • Uma leitura católica, proposta nas notas da New American Bible, publicada pelos bispos dos Estados Unidos, entende porneía como união ilegítima desde o início, como entre parentes próximos proibidos pela Lei (Lv 18), a mesma palavra da proibição do Concílio de Jerusalém (At 15,29). Assim, não haveria exceção para um casamento válido.
  • Outra leitura, antiga, entende que o adultério permite a separação, mas não um novo casamento, como diz o Concílio de Florença (1439).

Contra a leitura da permissão pesa o resto do Novo Testamento. Marcos e Lucas não trazem exceção nenhuma:

Quem repudia a sua mulher e se casa com outra comete adultério contra ela; e, se ela repudia o marido e se casa com outro, comete adultério. (Mc 10,11-12; veja Lc 16,18)

E Paulo, que diz não falar em nome próprio:

Aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor: a mulher não se separe do marido; e, se se separar, fique sem se casar ou se reconcilie com o marido; e o marido não despeça a mulher. (1Cor 7,10-11)

A separação é prevista; o novo casamento, não. Paulo trata à parte o caso de não batizados em que um se converte e o outro vai embora (1Cor 7,12-15); daí vem o privilégio paulino (cân. 1143), que não toca o casamento sacramental consumado.

Paulo e o "grande mistério". Em Efésios 5, Paulo começa com uma frase para os dois: "Submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5,21). Depois pede aos maridos:

Maridos, amai as vossas mulheres, assim como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. (Ef 5,25)

E termina citando o Gênesis:

Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. Este mistério é grande; eu o digo em referência a Cristo e à Igreja. (Ef 5,31-32)

Aqui é preciso não exagerar. A palavra grega é mystḗrion, que a Vulgata traduziu por sacramentum, como em Efésios 1,9 e 3,3; sozinha, ela não prova o sacramento no sentido de hoje. Calvino tem razão num ponto: Paulo diz que fala de Cristo e da Igreja. O próprio Concílio de Trento diz só que Paulo "dá a entender" a graça que Cristo mereceu para os esposos (sessão XXIV, doutrina), e o Catecismo usa a mesma expressão (n. 1616). O argumento está no que Paulo faz: aplica a Cristo e à Igreja o versículo sobre o homem e a mulher. A união dos esposos é a imagem que Deus escolheu para o seu amor, e a fé da Igreja é que, entre batizados, essa imagem se torna sinal eficaz, que comunica a graça que significa (Catecismo, n. 1617).

Caná. O primeiro sinal de Jesus aconteceu num casamento (Jo 2,1-11). O texto não institui nada, mas a Igreja vê nesse fato "a confirmação da bondade do matrimónio" e o anúncio de que ele seria um sinal da presença de Cristo (Catecismo, n. 1613).

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego e, em Gênesis, do hebraico. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Gênesis 2, Mateus 19, Mateus 5, Marcos 10, Lucas 16, 1 Coríntios 7, Efésios 5 e João 2.

Imagem gerada por IA: numa estrada entre colinas e palmeiras, Jesus responde a um grupo de fariseus com uma das mãos erguida, enquanto os discípulos escutam e moradores da região observam à beira do caminho.
Imagem gerada por IA: Os fariseus perguntam a Jesus se é lícito repudiar a mulher, e ele responde com o plano do princípio (Mt 19,3-9). Em estilo de pintura barroca

O que diziam os primeiros cristãos

Como os primeiros cristãos viam o casamento?

Inácio de Antioquia, por volta de 110. Na carta ao bispo Policarpo de Esmirna, com uma frase que lembra Efésios 5, ele escreve:

Recomenda aos meus irmãos, em nome de Jesus Cristo, que amem as esposas como o Senhor ama a Igreja. [...] Convém que os homens e as mulheres que se casam façam a sua união com o parecer do bispo, para que o casamento seja segundo o Senhor, e não segundo o desejo. (Carta a Policarpo 5,1-2)

Por volta de 110, portanto, Inácio já pedia que o casamento dos cristãos tivesse o parecer do bispo, isto é, que fosse vivido na comunhão da Igreja, e não como assunto só privado.

Tertuliano, entre 200 e 206. Numa carta à esposa, ele descreve a felicidade do casamento entre dois cristãos, em linhas que o Catecismo cita (n. 1642):

«Onde irei buscar forças para descrever, de modo satisfatório, a felicidade do Matrimónio que a Igreja une, que a oblação eucarística confirma e a bênção sela? Os anjos proclamam-no, o Pai celeste ratifica-o [...]» (À esposa II,8,6)

Os dois, continua, rezam e jejuam juntos, "verdadeiramente dois numa só carne" (II,8,7).

Agostinho, por volta de 401. No livro O bem do casamento, em que mostra que o casamento é um bem, Agostinho resume tudo numa fórmula que a Igreja guardou:

Todos esses são bens, pelos quais o casamento é bom: a prole, a fidelidade, o sacramento. (O bem do casamento 24,32)

Em todos os povos, explica, o bem do casamento está nos filhos e na fidelidade; para o povo de Deus, também na "santidade do sacramento", pela qual a mulher que deixa o marido não pode casar-se com outro enquanto ele vive. Agostinho ainda não usa "sacramento" no sentido técnico fixado no século XII: aqui a palavra fala do laço sagrado e indissolúvel dos casados cristãos, já visto como algo mais que o casamento natural.

A frase de Inácio está em tradução nossa a partir do grego; a fórmula de Agostinho, a partir do latim, como Pio XI a cita na encíclica Casti Connubii; a explicação que a segue foi traduzida da versão inglesa indicada nas fontes. O trecho de Tertuliano segue o texto do Catecismo.

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina sobre o sacramento do matrimônio?

O Catecismo trata do matrimônio nos números 1601 a 1666. Quatro frases dão o centro:

«[…] entre os baptizados foi elevado por Cristo Senhor à dignidade de sacramento»

Catecismo da Igreja Católica, n. 1601

O matrimónio não é uma instituição puramente humana […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1603

Em vista do bem tanto dos esposos e da prole como da sociedade, este sagrado vínculo não está ao arbítrio da vontade humana.

Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes, n. 48

O Matrimónio cristão, por sua vez, torna-se sinal eficaz, sacramento da aliança de Cristo com a Igreja.

Catecismo da Igreja Católica, n. 1617

O que é dogma. O Concílio de Trento, em 1563, definiu que o matrimônio é verdadeiro sacramento instituído por Cristo, e não inventado pelos homens, e que confere a graça (sessão XXIV, cânon 1). O Código de Direito Canônico diz que as propriedades essenciais do matrimônio são a unidade e a indissolubilidade, que no casamento cristão ganham "particular firmeza" por causa do sacramento (cân. 1056).

Quem celebra. Na tradição latina, os próprios esposos são os ministros: dão o sacramento um ao outro ao trocar o consentimento, que o padre ou diácono recebe em nome da Igreja. Nas Igrejas orientais, a bênção do sacerdote também é necessária para a validade (Catecismo, n. 1623 e 1630).

O que o sacramento dá. Não é só uma bênção sobre um contrato: Cristo fica com os esposos e lhes dá a coragem de se levantarem depois das quedas e de se perdoarem (Catecismo, n. 1642). Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

O que a história mostra

Divórcio e declaração de nulidade: qual é a diferença?

Esta é a parte que mais dói. Vale ir devagar.

O divórcio. O divórcio pretende desfazer um casamento que existiu. A Igreja ensina que não tem esse poder: o matrimônio ratificado e consumado entre batizados não pode ser dissolvido por nenhum poder humano, só pela morte (cân. 1141; Catecismo, n. 1640). É fidelidade a Marcos 10 e a 1 Coríntios 7, não dureza. Os casos que o direito trata à parte são outros: o casamento não consumado, que o Papa pode dissolver por justa causa (cân. 1142), e o privilégio paulino (cân. 1143).

A separação. Isso não obriga ninguém a ficar em perigo. O Código prevê que, se um cônjuge põe o outro ou os filhos em grave perigo de alma ou de corpo, ou torna a vida comum dura demais, há causa legítima de separação (cân. 1153). Francisco escreveu que, em casos de violência, humilhação e exploração, a separação pode tornar-se "até moralmente necessária" para defender o cônjuge mais frágil e os filhos; no mesmo número, lembra que esse passo «deve ser considerado um remédio extremo, depois que se tenham demonstrado vãs todas as tentativas razoáveis» (Amoris Laetitia, n. 241). E o Catecismo admite que o divórcio civil, quando é o único meio de garantir direitos como o cuidado dos filhos ou o patrimônio, pode ser tolerado sem falta moral (n. 2383). O que a separação não faz é desfazer o vínculo.

A declaração de nulidade. Não desfaz um casamento: declara, depois de um processo num tribunal da Igreja, que o casamento nunca existiu, porque desde o primeiro dia faltou algo essencial (Catecismo, n. 1629). Por exemplo: um dos dois não era livre e casou por medo grave ou por coação (cân. 1103); não tinha capacidade psíquica de assumir as obrigações do casamento (cân. 1095); já estava ligado a um casamento anterior (cân. 1085); ou, sendo católico, casou sem a forma exigida pela Igreja (cân. 1108). Se nada disso se prova, o casamento continua válido: em caso de dúvida, a lei presume a validade (cân. 1060).

Não é "divórcio católico". Ao reformar o processo em 2015, Francisco explicou que ele continua sendo judicial "porque o exige a necessidade de tutelar ao máximo a verdade do sagrado vínculo" (Mitis Iudex Dominus Iesus, proêmio). A reforma também simplificou o caminho, como se vê nas perguntas abaixo.

E os filhos? Continuam legítimos. O Código diz que são legítimos os filhos de um casamento válido ou putativo, isto é, celebrado de boa-fé por ao menos um dos dois (cân. 1061, § 3, e 1137).

Lado a lado

Divórcio, separação e nulidade, lado a lado

O quêDivórcio civilSeparaçãoDeclaração de nulidade
O que éDecisão do Estado que encerra o casamento civilFim da vida em comum, com o vínculo mantidoSentença da Igreja de que o casamento nunca existiu
O vínculo diante de DeusSe era casamento sacramental consumado e válido, continuaContinuaNunca existiu
Pode casar de novo na Igreja?Não, se era casamento sacramental consumado e válidoNãoSim, cumpridas as obrigações com o outro e com os filhos
Onde conferirCatecismo, n. 1650 e 2383Cân. 1151 a 1153; Catecismo, n. 1649Catecismo, n. 1629; cân. 1060 e 1095 a 1108

O que a Igreja ensina

O que a Igreja diz a quem vive essa dor?

Quem passou por um divórcio, sobretudo quem foi abandonado, costuma ouvir duas coisas erradas: que está fora da Igreja, ou que nada disso importa. A Igreja não diz nenhuma das duas.

Pode acontecer que um dos cônjuges seja a vítima inocente do divórcio declarado pela lei civil; esse, então, não viola o preceito moral.

Catecismo da Igreja Católica, n. 2386

Tem-se de acolher e valorizar sobretudo a angústia daqueles que sofreram injustamente a separação, o divórcio ou o abandono […]

Francisco, Amoris Laetitia, n. 242

[…] é importante fazer-lhes sentir que fazem parte da Igreja, que «não estão excomungadas» nem são tratadas como tais […]

Francisco, Amoris Laetitia, n. 243

O terceiro trecho fala dos divorciados que vivem numa nova união.

A Igreja mantém, por fidelidade a Marcos 10,11-12, que não pode reconhecer como válida uma nova união se o primeiro casamento foi válido, e por isso quem vive nessa situação não se aproxima da comunhão eucarística enquanto ela durar (Catecismo, n. 1650). Mas o mesmo Catecismo pede que padres e comunidade cuidem dessas pessoas para que não se sintam separadas da Igreja, em cuja vida podem e devem participar como batizados: ouvir a Palavra, ir à Missa, rezar, educar os filhos na fé (n. 1651). Francisco esclarece que não se devia esperar "uma nova normativa geral de tipo canónico, aplicável a todos os casos" e pede aos padres que acompanhem essas pessoas "segundo a doutrina da Igreja e as orientações do bispo" (Amoris Laetitia, n. 300). Como isso se aplica a cada caso é conversa para ter com o pároco.

Quem tem dúvida sobre o próprio casamento pode procurar o pároco ou o tribunal eclesiástico da diocese. Perguntar não obriga a nada.

Os frutos

O que o sacramento muda na vida de um casal?

O Catecismo reconhece que pode parecer difícil, e até impossível, ligar-se por toda a vida a um ser humano, e por isso insiste em anunciar que Deus ama com um amor definitivo, do qual os esposos participam (n. 1648). O sacramento não é prêmio para casais perfeitos. É Cristo que entra na casa e fica.

Em 2015, Francisco canonizou juntos Luís Martin e Zélia Guérin, pais de Santa Teresinha, que viveram a fé em família, "construindo dia após dia um ambiente cheio de fé e amor".

Com um amigo evangélico, o ponto de partida é largo: os dois creem que o casamento vem de Deus e é imagem do amor de Cristo pela Igreja. Vale ler juntos Mateus 19, Marcos 10 e Efésios 5, e perguntar que ajuda Cristo promete a quem leva a sério o "o que Deus uniu, o homem não separe".

Para guardar

A Igreja não inventou o casamento: ele vem da criação. Jesus o devolveu ao plano do princípio, "o que Deus uniu, o homem não separe", e Paulo o viu como imagem do amor de Cristo pela Igreja. Por isso a Igreja não desfaz o laço do casamento sacramental consumado; a declaração de nulidade diz que um casamento nunca existiu.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Em Mateus 19,8, por que, segundo Jesus, Moisés permitiu o repúdio da mulher?

  2. 2. Que palavra grega Paulo usa em Efésios 5,32, que a Vulgata traduziu por sacramentum?

  3. 3. O que é uma declaração de nulidade do matrimônio?

  4. 4. Para a Igreja Católica, o casamento válido de dois evangélicos batizados é...

  5. 5. Segundo o Catecismo (n. 2386), o cônjuge que foi vítima inocente de um divórcio civil...

Perguntas frequentes

Casamento só no civil vale para a Igreja?

Depende de quem casa. O católico precisa casar diante do padre (ou diácono) e de duas testemunhas para que o casamento seja válido, salvo as exceções previstas no direito, como a dispensa em alguns casamentos mistos (cân. 1108, 1117 e 1127, § 2); só no civil, a Igreja não o reconhece. Já o casamento de quem não é católico, feito no civil ou na sua igreja, não está preso a essa forma (os orientais não católicos seguem a forma das suas Igrejas), e a Igreja o presume válido (cân. 1060). No Brasil, o casamento religioso registrado no cartório tem efeito civil (Código Civil, art. 1.515), e é por isso que existe o casamento "religioso com efeito civil".

Quem se divorciou e não se casou de novo pode comungar?

Pode, se não houver outro impedimento, como qualquer fiel. O divórcio, sozinho, não tira ninguém da comunhão, e quem foi abandonado injustamente não pecou (Catecismo, n. 2386). Francisco, recolhendo o Sínodo, escreveu que os divorciados que não voltaram a casar, muitas vezes testemunhas da fidelidade matrimonial, devem ser encorajados a encontrar na Eucaristia o alimento que os sustente (Amoris Laetitia, n. 242).

Um processo de nulidade é caro e demorado?

Já foi mais. Em 2015, a reforma de Francisco (Mitis Iudex Dominus Iesus) dispensou a segunda sentença que antes era obrigatória, criou um processo mais breve, julgado pelo próprio bispo, para os casos em que a nulidade é evidente e os dois cônjuges estão de acordo (cân. 1683), e pediu que as conferências dos bispos garantam, tanto quanto possível, a gratuidade, sem deixar de pagar com justiça quem trabalha nos tribunais. Custos e prazos variam de diocese para diocese; o tribunal eclesiástico local informa.

E as Igrejas ortodoxas, que aceitam um segundo casamento?

As Igrejas ortodoxas também consideram a separação e o divórcio contrários ao plano de Cristo, mas têm um rito de segundo casamento, com penitência, para quem não conseguiu viver o ideal, como explica a Igreja Ortodoxa na América. A Igreja Católica não segue essa prática: para ela, o casamento ratificado e consumado entre batizados só termina com a morte (cân. 1141).

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1601 a 1666 (sobretudo 1601, 1603, 1613, 1616, 1617, 1623, 1629, 1630, 1640, 1642, 1648 a 1651)
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2382 a 2386 (o divórcio)
  3. VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Gaudium et Spes, n. 48
  4. VaticanoFrancisco, exortação Amoris Laetitia (2016), n. 241 a 246 e 300
  5. VaticanoFrancisco, motu proprio Mitis Iudex Dominus Iesus (15 de agosto de 2015)
  6. VaticanoCódigo de Direito Canônico, versão portuguesa, cân. 1055, 1056, 1060, 1061, 1085, 1095, 1103, 1108, 1117, 1137, 1141 e 1151 a 1153 (PDF; os cânones do processo foram reformados em 2015)
  7. VaticanoPio XI, encíclica Casti Connubii (1930), texto latino: a fórmula de Agostinho, proles, fides, sacramentum
  8. VaticanoFrancisco, homilia da canonização de Luís Martin e Zélia Guérin (18 de outubro de 2015)
  9. Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão XXIV (11 de novembro de 1563), doutrina e cânones sobre o matrimônio (tradução inglesa)
  10. Papal Encyclicals OnlineConcílio de Florença, bula de união com os armênios (1439): separação por adultério sem novo casamento (tradução inglesa)
  11. CCELInácio de Antioquia, Carta a Policarpo, 5 (texto grego e tradução inglesa de K. Lake)
  12. Tertullian ProjectTertuliano, À esposa, livro II, 8 (texto latino)
  13. Tertullian ProjectCronologia das obras de Tertuliano: À esposa, antes do período montanista
  14. New AdventAgostinho, O bem do casamento, 24,32, e a data (cerca de 401) na introdução (tradução inglesa)
  15. Bible HubGênesis 2,24, texto hebraico
  16. Blue Letter BibleGênesis 2,24 na Septuaginta (hoi dýo)
  17. Bible HubMateus 19,9, texto grego (mē epì porneía)
  18. Bible HubMarcos 10,11, texto grego
  19. Bible Hub1 Coríntios 7,10, texto grego
  20. Bible HubEfésios 5,32, texto grego
  21. Bible HubAtos 15,29, texto grego (porneía)
  22. Bible HubVulgata, Efésios 5 (Sacramentum hoc magnum est)
  23. USCCBNew American Bible, nota a Mateus 5,31-32: a cláusula de exceção e a leitura de porneía como união ilegítima
  24. CCELJoão Calvino, Institutas, livro IV, capítulo 19, 34 a 36 (tradução inglesa)
  25. Book of ConcordApologia da Confissão de Augsburgo, artigo 13, 14 (tradução inglesa)
  26. Southern Baptist ConventionBaptist Faith and Message (2000), artigo 18: a família e o casamento
  27. Orthodox Presbyterian ChurchConfissão de Fé de Westminster, capítulo 24, 5 e 6 (inglês)
  28. Igreja Ortodoxa na AméricaThe Orthodox Faith, volume II, Marriage: o segundo casamento com penitência
  29. PlanaltoCódigo Civil brasileiro (Lei 10.406/2002), art. 1.515 e 1.516: o casamento religioso com efeito civil
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