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Imagem gerada por IA: numa sinagoga de pedra escura, Jesus ensina com a mão estendida; alguns ouvintes discutem entre si e, em primeiro plano, vários discípulos saem pela porta, enquanto Pedro e outros ficam perto dele.

A Eucaristia é símbolo ou o corpo de Cristo?

Jesus usou muitas imagens. Mas em Cafarnaum, quando os ouvintes entenderam ao pé da letra e foram embora, Ele não os chamou de volta para dizer que era só figura.

15 min de leitura

Imagem gerada por IA: Jesus ensina na sinagoga de Cafarnaum, e muitos discípulos o deixam depois do discurso sobre o pão da vida (Jo 6,59-69). Em estilo de pintura renascentista

A resposta curta

A Igreja ensina que é o corpo de Cristo, e não apenas um símbolo: no sacramento, Cristo está presente "verdadeira, real e substancialmente" (Catecismo, n. 1374). Em João 6, Jesus insiste em comer a sua carne e não volta atrás quando muitos discípulos vão embora, e Paulo diz que quem come indignamente é "réu do corpo e do sangue do Senhor" (1Cor 11,27). Por volta do ano 110, Inácio de Antioquia já chamava a Eucaristia de "carne do nosso Salvador".

A objeção

O que se costuma dizer

Jesus falava muito por imagens. Disse "Eu sou a porta" (Jo 10,9) e "Eu sou a videira" (Jo 15,1), e ninguém pensa que Ele é feito de madeira. Quando disse "Isto é o meu corpo", quis dizer "isto representa o meu corpo". Ele mesmo explicou em João 6: "O espírito é que dá a vida; a carne para nada serve" (Jo 6,63). Comer carne e beber sangue seria contra a Lei de Deus (Lv 17,10-14) e soa como canibalismo. A Ceia é um memorial: "Fazei isto em memória de mim". Pão é pão, e a ideia de que ele se torna o corpo de Cristo foi inventada na Idade Média.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa leitura?

A pergunta "símbolo ou corpo?" dividiu os cristãos do Ocidente em grandes grupos no século XVI, e não de um modo só.

Zwínglio, reformador de Zurique, escreveu nos seus 67 artigos, de 1523, que "a Missa não é um sacrifício, mas uma lembrança do sacrifício" (artigo 18), e conseguiu que Zurique abolisse a Missa na primavera de 1525, com uma celebração da Ceia como memorial no lugar. Para ele, segundo a Enciclopédia Católica, em "isto é o meu corpo" o verbo "é" quer dizer "significa". Lutero discordou com força de quem lia a Ceia como símbolo. Em dezembro de 1524, numa carta aos cristãos de Estrasburgo sobre as ideias de Karlstadt, ele escreveu, segundo a Enciclopédia Católica: "Estou preso, não consigo escapar; o texto é forte demais". Lutero e Zwínglio não chegaram a acordo no Colóquio de Marburgo, de 1 a 3 de outubro de 1529. Calvino buscou um caminho entre os dois: o pão é sinal, mas não um sinal vazio, porque pelo Espírito Santo o fiel recebe de verdade o corpo de Cristo, que está no céu.

Hoje, muitas igrejas evangélicas ficam perto de Zwínglio. A declaração de fé dos batistas do sul dos Estados Unidos, por exemplo, chama a Ceia de "ato simbólico de obediência" em que a igreja faz memória da morte do Redentor e espera a sua volta (Baptist Faith and Message, 2000, artigo 7). Quem pensa assim quer, com razão, guardar a centralidade da cruz e da fé. A pergunta é se essa leitura faz justiça ao texto.

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

Ninguém duvida que Jesus usou imagens. A pergunta é: aqui Ele falou em figura, ou falou do que realmente dava?

Há três testes honestos. Como os ouvintes entenderam e como Jesus reagiu. O que Paulo, que recebeu a tradição da Ceia, tira dela. E como a leram os cristãos que vieram logo depois dos apóstolos.

O que diz a Bíblia

O que João 6 diz, no grego?

O capítulo começa com a multiplicação dos pães e segue com um discurso na sinagoga de Cafarnaum (Jo 6,59). Ele tem duas partes.

Primeira parte: crer. "Eu sou o pão da vida: quem vem a mim nunca terá fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede" (Jo 6,35). Aqui comer o pão do céu é crer, e mesmo autores católicos, como a Enciclopédia Católica, admitem ler essa parte em sentido figurado.

Segunda parte: comer a carne. O tom muda: Jesus passa a falar do pão que Ele mesmo dará, a sua carne:

Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. E o pão que eu darei é a minha carne, pela vida do mundo. (Jo 6,51)

Os judeus então discutiam asperamente entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a sua carne a comer? (Jo 6,52)

Eles entenderam ao pé da letra. Às vezes Jesus desfaz um mal-entendido: diz "claramente: Lázaro morreu" (Jo 11,11-14) e explica que o "fermento dos fariseus" era o ensino deles (Mt 16,6-12). Outras vezes, em João, deixa o mal-entendido de pé (Jo 2,19-22; 3,4). Aqui, em vez de suavizar, Ele reforça:

Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. (Jo 6,53-55)

Dois detalhes do grego. Em 6,55, o texto mais aceito diz alēthḗs brôsis, "comida verdadeira"; outros manuscritos trazem alēthôs, "verdadeiramente". O sentido é o mesmo. E, a partir de 6,54, o verbo comer muda: em vez de phageîn, João usa trṓgō, que na origem queria dizer roer, mastigar. A Enciclopédia Católica vê nessa troca uma ênfase no comer real; mas, no grego da época, trṓgō também servia para comer em geral, e o Novo Testamento o usa para refeições comuns (Mt 24,38; Jo 13,18). A palavra chama a atenção, mas o argumento não depende dela.

"Duro é este discurso". Agora são os próprios discípulos que reclamam:

Muitos dos seus discípulos, ao ouvirem isso, disseram: Duro é este discurso; quem consegue ouvi-lo? (Jo 6,60)

Sklērós é duro, difícil de aceitar. Jesus responde com as frases que estão no centro da objeção:

Isto vos escandaliza? E se virdes o Filho do Homem subir para onde estava antes? O espírito é que dá a vida; a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e são vida. (Jo 6,61-63)

Jesus não diz "a minha carne para nada serve", o que desmentiria o que acabou de afirmar (Jo 6,51.54). Diz "a carne", e em João carne e espírito costumam opor o modo humano de ver ao modo de Deus: "o que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito" (Jo 3,6). Agostinho, bispo de Hipona no começo do século V, lia assim: a carne não serve "do modo como eles a entenderam", como carne de um cadáver cortado em pedaços ou vendida no açougue (Tratados sobre o Evangelho de João 27,5). E Jesus aponta o problema de fundo: "há alguns de vós que não creem" (Jo 6,64).

A partir disso, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e já não andavam com ele. (Jo 6,66)

"A partir disso" (ek toútou) pode querer dizer "desde então" ou "por causa disso". Jesus não os chama de volta para dizer que era figura. Pergunta aos Doze: "Também vós quereis ir embora?" E Pedro responde: "Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna" (Jo 6,67-68).

A Última Ceia. Mateus, Marcos, Lucas e Paulo contam o mesmo gesto com quase as mesmas palavras:

Tomai, comei: isto é o meu corpo. [...] Bebei dele todos, pois isto é o meu sangue da aliança, que é derramado por muitos, para a remissão dos pecados. (Mt 26,26-28)

O argumento não está só na palavra "é": frases do tipo "isto é aquilo" também aparecem em figuras, como "as sete vacas boas são sete anos" (Gn 41,26). Está no que vem junto. Jesus não fala de pão em geral, mas deste pão que dá a comer, e chama o cálice de "sangue da aliança", eco das palavras de Moisés ao selar a aliança no Sinai: "Eis o sangue da aliança" (Ex 24,8). Lucas acrescenta "dado por vós" e "derramado por vós" (Lc 22,19-20). E, depois da ressurreição, os discípulos de Emaús reconhecem Jesus "ao partir o pão" (Lc 24,35).

O que Paulo tira disso.

O cálice da bênção que abençoamos não é comunhão no sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão no corpo de Cristo? (1Cor 10,16)

A palavra é koinōnía: participação, comunhão. E, na mesma carta:

Portanto, quem comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. [...] Pois quem come e bebe sem discernir o corpo come e bebe a própria condenação. (1Cor 11,27.29)

O texto grego mais aceito diz só "o corpo"; outros manuscritos, seguidos pela Vulgata e pelo Catecismo, acrescentam "do Senhor". "Réu do corpo e do sangue" é expressão forte para quem ofendesse só um símbolo; a Igreja a lê como ofensa ao próprio Cristo. Um cuidado: Paulo escreve para corrigir divisões na ceia (1Cor 11,18-22) e, pouco antes, chamou a comunidade de "um só corpo" (1Cor 10,17); por isso há quem leia "discernir o corpo" também como reconhecer a Igreja. As duas leituras não se excluem, e a Igreja usa o versículo para o exame de consciência antes de comungar (Catecismo, n. 1385).

Os versículos estão em tradução nossa, a partir do grego (Novo Testamento) e do hebraico (Gênesis, Êxodo e Levítico). Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: João 6, João 11, Mateus 16, Mateus 24, Mateus 26, João 2, João 13, João 3, João 10, João 15, Gênesis 41, Levítico 17, Romanos 6, Êxodo 24, Lucas 22, Lucas 24, 1 Coríntios 10 e 1 Coríntios 11.

Imagem gerada por IA: numa casa simples iluminada por uma lamparina, Jesus ressuscitado parte um pão à mesa, e os dois discípulos que estão com ele se levantam assustados ao reconhecê-lo.
Imagem gerada por IA: Os discípulos de Emaús reconhecem Jesus ao partir o pão (Lc 24,30-35). Em estilo de pintura barroca

O que diziam os primeiros cristãos

Como entenderam os que vieram logo depois dos apóstolos?

Inácio de Antioquia, por volta de 110. O bispo, levado preso para morrer em Roma, escreve aos cristãos de Esmirna sobre um grupo que dizia que Cristo só parecia ter carne:

Eles se afastam da Eucaristia e da oração, porque não confessam que a Eucaristia é a carne do nosso Salvador Jesus Cristo, que sofreu pelos nossos pecados e que o Pai, na sua bondade, ressuscitou. (Carta aos Esmirnenses 7,1)

Inácio liga as duas coisas: quem nega a carne real de Cristo nega também que a Eucaristia seja essa carne. E observa, logo antes, que os mesmos não se importam com a viúva, o órfão, o preso, quem tem fome ou sede (6,2).

Justino, entre 153 e 155. Explicando ao imperador que só recebe a Eucaristia quem crê, foi batizado e vive como Cristo mandou (Catecismo, n. 1355), ele escreve:

Pois não recebemos isto como pão comum nem como bebida comum; mas, assim como Jesus Cristo, nosso Salvador, feito carne pela Palavra de Deus, teve carne e sangue para a nossa salvação, assim também nos foi ensinado que o alimento abençoado pela oração da sua palavra [...] é a carne e o sangue daquele Jesus que se fez carne. (Primeira Apologia 66)

Ireneu de Lyon, por volta de 180. Contra os que desprezavam o corpo, Ireneu argumenta a partir da Eucaristia. O Catecismo traz a frase dele: "depois de ter recebido a invocação de Deus, o pão que vem da terra deixa de ser pão ordinário e é Eucaristia, constituída por duas coisas, uma terrena, outra celeste" (Contra as heresias IV,18,5; Catecismo, n. 1000). E, mais adiante:

Ele declarou que o cálice, tirado da criação, é o seu próprio sangue, com o qual rega o nosso sangue; e firmou que o pão, também tirado da criação, é o seu próprio corpo, com o qual faz crescer os nossos corpos. (Contra as heresias V,2,2)

As Catequeses de Jerusalém, século IV. São as instruções dadas aos recém-batizados nos dias depois da Páscoa, no "Lugar Santo da Ressurreição", em Jerusalém, como anuncia a Catequese 18,33. São atribuídas a Cirilo de Jerusalém, embora parte dos estudiosos discuta o autor e a data. A quarta é toda sobre a Eucaristia:

Já que Ele mesmo declarou e disse do pão: Isto é o meu corpo, quem ousará ainda duvidar? (Catequese mistagógica 4,1)

Não consideres, pois, o pão e o vinho como simples elementos, porque, segundo a declaração do Senhor, são o corpo e o sangue de Cristo. Ainda que os sentidos te sugiram isso, que a fé te dê firmeza. Não julgues a coisa pelo gosto. (4,6)

O mesmo pregador lembra João 6: os ouvintes de Jesus "não entenderam em sentido espiritual", escandalizaram-se e foram embora, "pensando que Ele os convidava a comer carne" (4,4).

Uma palavra sobre "figura". Os padres às vezes chamam o pão e o vinho de figura, sinal ou símbolo, e há quem leia nisso uma fé só simbólica. Mas o mesmo pregador que diz que o corpo é dado "na figura do pão" (4,3) ensina que "aquilo que parece pão não é pão, apesar do sabor que tem, mas sim o Corpo de Cristo" (4,9, no texto da encíclica Mysterium Fidei, n. 50). Para eles, o sinal não excluía a realidade. O próprio Concílio de Trento diz que Cristo entregou o seu corpo e o seu sangue aos apóstolos "sob os símbolos" do pão e do vinho (sessão XXII, capítulo 1).

A frase de Inácio está em tradução nossa a partir do grego (o texto grego do CCEL tem uma falha nessa linha, completada pela versão inglesa e conferida com a citação da Mysterium Fidei, n. 46); as de Justino, de Ireneu (V,2,2), das Catequeses e de Agostinho foram traduzidas por nós a partir das versões inglesas indicadas nas fontes; a de Ireneu IV,18,5 segue o Catecismo (n. 1000), e a das Catequeses 4,9, a Mysterium Fidei (n. 50).

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina?

A Igreja não diz que a Eucaristia deixa de ser sinal. Diz que é o sinal que contém aquilo que significa. O Catecismo lembra primeiro que Cristo está presente na Igreja de muitos modos: na Palavra, na oração, nos pobres, nos sacramentos (n. 1373). E continua:

Mas está presente «sobretudo sob as espécies eucarísticas»

Catecismo da Igreja Católica, n. 1373

[…] «contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo […]»

Catecismo da Igreja Católica, citando o Concílio de Trento, n. 1374

«Esta presença chama-se "real", não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem "reais", mas por excelência […]»

Catecismo da Igreja Católica, citando Paulo VI, n. 1374

[…] "não a apreendemos pelos sentidos, diz São Tomás, mas só pela fé, que se apoia na autoridade de Deus" […]

Catecismo da Igreja Católica, citando Paulo VI e São Tomás, n. 1381

[…] o simbolismo que todos, é claro, admitimos na Sagrada Eucaristia […]

Paulo VI, Mysterium Fidei, n. 11

[…] quando na santa ceia fazem memória da morte e ressurreição do Senhor, professam que a vida é significada na comunhão com Cristo […]

Catecismo da Igreja Católica, citando o Concílio Vaticano II, n. 1400

Paulo VI admite o simbolismo, mas não como explicação inteira da presença de Cristo. O último trecho fala das comunidades nascidas da Reforma: a Igreja reconhece o que elas professam na Ceia, inclusive a espera da vinda gloriosa de Cristo, embora entenda que não conservaram a substância completa do mistério eucarístico, sobretudo por não terem o sacramento da Ordem (n. 1400). Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

A base dessas frases é o Concílio de Trento, na sessão de 11 de outubro de 1551 (sessão XIII). Em resumo: não há contradição entre Cristo estar sentado à direita do Pai, no céu, no seu modo natural de existir, e estar presente em muitos lugares, na sua substância, de modo sacramental (capítulo 1), resposta direta à objeção de que o corpo de Cristo está só no céu. E é condenado quem disser que Cristo está no sacramento apenas como num sinal, numa figura ou pela sua força (cânon 1).

E "memorial", na Bíblia, não é o contrário de presença: o memorial torna presente o que Deus fez, como mostra a aula A Missa repete o sacrifício de Cristo?.

A presença real é dogma de fé. Como acontece a mudança do pão e do vinho, e por que a Igreja usa a palavra transubstanciação, fica para a aula Como o pão e o vinho se tornam o corpo e o sangue de Cristo?; a adoração e o sacrário, para as aulas Adorar a hóstia é idolatria? e Por que guardar hóstias no sacrário?.

Quanto ao medo de canibalismo, que já assustou os ouvintes de Cafarnaum: quem se dá não é um pedaço de carne, mas Cristo vivo e ressuscitado, inteiro, "Deus e homem" (n. 1374), que "já não morre" (Rm 6,9). E vale notar que a Lei proibia o sangue porque "a vida da carne está no sangue" (Lv 17,11); Jesus promete justamente a vida a quem bebe o seu (Jo 6,54).

Lado a lado

Quatro leituras de "isto é o meu corpo", lado a lado

LeituraO que ensina sobre o pão e o vinhoOnde ler
Zwínglio (Zurique, 1523 e 1525)A Missa não é sacrifício, mas lembrança do sacrifício; segundo a Enciclopédia Católica, "é" quer dizer "significa".Zwínglio, 67 artigos, art. 18 (1523)
Calvino (Institutas, 1559)O pão é sinal, mas não vazio: pelo Espírito, o fiel recebe de verdade o corpo de Cristo, que está no céu.Institutas IV,17,10
Lutero e os luteranosO verdadeiro corpo e sangue de Cristo estão "sob o pão e o vinho"; o pão continua pão, numa "união sacramental".Catecismo Menor; Confissão de Augsburgo, art. 10; Fórmula de Concórdia VII,35
Igreja CatólicaCristo está presente verdadeira, real e substancialmente; o pão e o vinho são convertidos no seu corpo e no seu sangue.Catecismo 1374 e 1376; Trento, sessão XIII

Os frutos

Se é Ele, o que muda?

Se a Eucaristia fosse só um sinal, comungar seria lembrar. Se é Cristo, comungar é recebê-lo. Por isso a Igreja pede preparo: quem tem consciência de pecado grave se confessa antes de comungar (Catecismo, n. 1385). E o Catecismo ouve, na pergunta de Cafarnaum, um convite que atravessa os séculos: "Também vós quereis ir embora?" (n. 1336).

Muitos irmãos evangélicos tratam a Ceia com grande reverência e fazem dela memória da morte do Senhor, à espera da sua volta, e a Igreja reconhece isso (n. 1400). A diferença está no que Jesus quis dar quando disse "isto é o meu corpo". O convite é ler juntos, sem pressa, João 6 até o versículo 69, e parar onde Pedro parou: "Senhor, a quem iremos?"

Para guardar

Em Cafarnaum, quando muitos foram embora por causa do que Jesus disse sobre comer a sua carne, Ele não disse que era figura: perguntou aos Doze se também queriam ir. E já em Inácio de Antioquia, por volta de 110, a Eucaristia é chamada de carne do Salvador.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Em João 6,60, o que muitos discípulos disseram depois de ouvir Jesus falar de comer a sua carne?

  2. 2. O que Jesus diz em João 6,63?

  3. 3. Por volta do ano 110, que bispo escreveu que a Eucaristia é "a carne do nosso Salvador Jesus Cristo"?

  4. 4. Qual destas frases resume a posição de Calvino sobre a Ceia?

  5. 5. Segundo o Catecismo (n. 1374), por que a presença de Cristo na Eucaristia é chamada de "real"?

Perguntas frequentes

Quem pode comungar na Missa?

O católico que não tem consciência de pecado grave, ou que já se confessou (Catecismo, n. 1385), e que guardou o jejum de ao menos uma hora antes da comunhão, sem contar água e remédios. Idosos, doentes e quem cuida deles estão dispensados desse jejum (Código de Direito Canônico, cân. 919). A Igreja pede que se comungue ao menos uma vez por ano, se possível no tempo da Páscoa (Catecismo, n. 1389).

Um evangélico pode comungar na Missa?

Em regra, não, e não por desprezo: o Catecismo diz que, com as comunidades nascidas da Reforma, a intercomunhão eucarística não é possível para a Igreja Católica, sobretudo pela falta do sacramento da Ordem (n. 1400). Em perigo de morte ou, a juízo do bispo ou da conferência dos bispos, em outra necessidade grave, o padre pode dar a comunhão a um cristão de outra comunidade que não possa recorrer a um ministro da sua e a peça livremente, desde que manifeste a fé católica neste sacramento e esteja bem disposto (n. 1401; cân. 844 §4). Com os ortodoxos, que a Igreja reconhece terem verdadeira Eucaristia, as regras são mais largas (Unitatis Redintegratio 15; Código de Direito Canônico, cân. 844).

A Eucaristia foi copiada dos mistérios de Mitra?

Justino, por volta de 155, já conhecia a semelhança: contava que, nos ritos de iniciação de Mitra, se punham pão e um cálice de água com certas fórmulas, e via nisso uma imitação do rito cristão (Primeira Apologia 66). Os relatos da Ceia nos Evangelhos e em Paulo ligam o gesto à Páscoa judaica e à aliança do Sinai (Ex 24,8), não a um culto pagão. A aula O catolicismo misturou crenças pagãs? trata do método dessas comparações.

E os milagres eucarísticos?

Esta aula não os usa como prova. A fé na presença real não depende deles: o Catecismo diz que ela não é percebida pelos sentidos, mas só pela fé, apoiada na autoridade de Deus (n. 1381). A resposta à pergunta está no que Jesus disse e no que os apóstolos transmitiram.

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1336, 1355, 1373 a 1376, 1381, 1385, 1389, 1400 e 1401
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1000 (com a frase de Ireneu, Contra as heresias IV,18,5)
  3. VaticanoPaulo VI, encíclica Mysterium Fidei (1965), n. 11, 18, 46 (Inácio, Esmirnenses 7,1) e 50 (Catequese mistagógica 4,9)
  4. VaticanoConcílio Vaticano II, decreto Unitatis Redintegratio, n. 15 e 22
  5. VaticanoCódigo de Direito Canônico, versão portuguesa, cân. 844 §3 e §4 e cân. 919
  6. Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão XIII (1551), capítulo 1 e cânon 1 (tradução inglesa)
  7. Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão XXII (1562), capítulo 1: "sob os símbolos" (tradução inglesa)
  8. Bible HubJoão 6,55, texto grego e variantes (alēthḗs e alēthôs)
  9. Bible HubJoão 6,54, texto grego (trṓgō)
  10. Bible HubJoão 6,63, texto grego
  11. Bible HubJoão 6,66, texto grego
  12. Bible HubLéxico de Thayer: trṓgō (roer, mastigar; também comer em geral)
  13. Bible Hub1 Coríntios 11,29, texto grego e variantes
  14. Bible HubÊxodo 24,8, texto hebraico
  15. CCELInácio de Antioquia, Carta aos Esmirnenses, 5 a 7 (texto grego e tradução inglesa de K. Lake)
  16. New AdventInácio de Antioquia, Carta aos Esmirnenses, 7 (tradução inglesa)
  17. New AdventJustino, Primeira Apologia, 66 (tradução inglesa)
  18. New AdventIreneu de Lyon, Contra as heresias, IV,18,4-5 (tradução inglesa)
  19. New AdventIreneu de Lyon, Contra as heresias, V,2,2-3 (tradução inglesa)
  20. New AdventCatequese mistagógica 4 (Catequese 22), atribuída a Cirilo de Jerusalém (tradução inglesa)
  21. New AdventAgostinho, Tratados sobre o Evangelho de João, 27,5 (tradução inglesa)
  22. New AdventCirilo de Jerusalém, Catequese 18,33: as instruções depois da Páscoa no Lugar Santo da Ressurreição (tradução inglesa)
  23. Catholic EncyclopediaSão Cirilo de Jerusalém: as Catequeses e as cinco instruções mistagógicas
  24. Catholic EncyclopediaSão Justino: a data da Primeira Apologia (entre 153 e 155)
  25. Catholic EncyclopediaSanto Agostinho: bispo de Hipona (Carta 93, de 408)
  26. Christian History InstituteZwínglio, os 67 artigos (1523), artigo 18 (tradução inglesa)
  27. Catholic EncyclopediaZwingli: a Missa abolida em Zurique em 1525 e o desacordo com Lutero em Marburgo
  28. Catholic EncyclopediaReal Presence: a leitura de Zwínglio (est = significat), a carta de Lutero de 1524 e as duas partes de João 6 nos exegetas católicos
  29. Catholic EncyclopediaMartinho Lutero: o Colóquio de Marburgo, de 1 a 3 de outubro de 1529
  30. Catholic EncyclopediaJoão Calvino: a edição latina final das Institutas, de 1559
  31. CCELJoão Calvino, Institutas, livro IV, capítulo 17 (tradução inglesa)
  32. Book of ConcordLutero, Catecismo Menor: o sacramento do altar (tradução inglesa)
  33. Book of ConcordConfissão de Augsburgo (1530), artigo 10 (tradução inglesa)
  34. Book of ConcordFórmula de Concórdia, Declaração Sólida, artigo 7 (tradução inglesa)
  35. Southern Baptist ConventionBaptist Faith and Message (2000), artigo 7: o batismo e a Ceia do Senhor
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