A resposta curta
Não, se o que está ali é Cristo, e é isso que a Igreja crê. O católico não adora o pão: adora Jesus Cristo, Deus feito homem, presente sob a aparência do pão, como os magos adoraram um menino sem que ninguém os chamasse de idólatras. Agostinho (354 a 430) já dizia que ninguém come aquela carne sem antes a adorar.
A objeção
O que se costuma dizer
A Bíblia manda adorar só a Deus (Mt 4,10) e proíbe se prostrar diante do que é feito por mãos humanas (Ex 20,5). Na igreja católica, o padre ergue um disco de pão e o povo se ajoelha; depois põem a hóstia num ostensório dourado, acendem velas, queimam incenso e saem com ela pelas ruas no Corpus Christi. Pão é criatura, e adorar uma criatura é exatamente o que Paulo condena: "prestaram culto à criatura em lugar do Criador" (Rm 1,25). E Jesus disse "tomai e comei", não "ajoelhai-vos e adorai".
A objeção nasce de um zelo bom, o de não dar a nada nem a ninguém a honra que é só de Deus, e por isso merece resposta séria.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa acusação?
A acusação é da Reforma. Calvino escreveu que a adoração do sacramento é idolatria e perguntou: "o que é idolatria, senão adorar os dons em vez de quem os dá?" (Institutas IV,17,36). Lembrava que os apóstolos, na Ceia, não se prostraram: sentaram-se, tomaram e comeram (IV,17,35). O Catecismo de Heidelberg, dos reformados, numa pergunta que não estava na sua primeira edição, de 1563, chamou a Missa de "idolatria condenável", entre outras razões porque ela ensina que Cristo está presente sob a forma do pão e do vinho e deve ser adorado ali (pergunta 80).
O Concílio de Trento respondeu em 1551: condenou quem diz que Cristo, no sacramento, não deve ser adorado, nem mesmo com o culto exterior, e que quem o adora é idólatra (sessão XIII, cânon 6).
O quadro não ficou parado. Em 2004, depois de estudar a questão, a Igreja Cristã Reformada da América do Norte declarou que a pergunta 80 "não pode mais ser mantida na sua forma atual" como parte da sua confissão; em 2006, pôs entre colchetes os parágrafos finais, explicando que eles não refletem com exatidão o ensino e a prática oficiais da Igreja Católica de hoje. Outras igrejas reformadas mantêm o texto original.
Um ponto atravessa todo esse debate: Calvino não acusava os católicos de adorar o pão sabendo que era pão. Ele negava que Cristo estivesse no pão. A acusação de idolatria depende inteira dessa pergunta.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
Idolatria é dar a uma criatura o culto que só Deus merece (veja O que são latria, dulia e hiperdulia?). A pergunta, então, não é se o católico se ajoelha, e sim diante de quem ele se ajoelha.
Se a hóstia consagrada fosse só pão, adorá-la seria um erro grave, e a Igreja concorda com isso. Tomás de Aquino chega a dizer que uma das razões pelas quais a substância do pão não pode continuar no sacramento é que ali haveria algo que não poderia ser adorado como Deus (Suma Teológica, III, q. 75, a. 2). Se o que está ali é Cristo, Deus feito homem, a adoração vai para Deus.
A presença real é o tema de A Eucaristia é símbolo ou o corpo de Cristo?; que Jesus é Deus, de Jesus disse que era Deus?; o que acontece com o pão, de Como o pão e o vinho se tornam o corpo e o sangue de Cristo?. Aqui a pergunta é outra: é legítimo adorar a Deus presente de um modo que os olhos não veem?
O que diz a Bíblia
A Bíblia mostra alguém adorando Deus escondido?
Primeiro, o que é idolatria segundo a própria Bíblia:
Trocaram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e prestaram culto à criatura em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém. (Rm 1,25)
O pecado é tratar como Deus o que não é Deus. Jesus resume: "Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele prestarás culto" (Mt 4,10). O gesto, sozinho, não decide; decide a quem ele vai.
Agora, três passagens em que Cristo é adorado sem que os olhos vissem nele a glória de Deus. O Concílio de Trento as lembra ao explicar a adoração da Eucaristia (sessão XIII, capítulo 5):
Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. (Mt 2,11)
Os magos viram uma criança pequena com a mãe. Ninguém os chama de idólatras, porque aquela criança é Deus.
Quando o viram, prostraram-se diante dele; alguns, porém, duvidaram. (Mt 28,17)
E, quando de novo introduz o Primogênito no mundo, diz: Que todos os anjos de Deus o adorem. (Hb 1,6)
Em João, o cego curado, quando Jesus se revela a ele, diz "Creio, Senhor!" e se prostra diante dele (Jo 9,38). A fé vem antes do gesto.
Por fim, um salmo que os padres leram de um jeito surpreendente:
Exaltai o Senhor nosso Deus e prostrai-vos diante do escabelo dos seus pés: ele é santo. (Sl 99,5)
Escabelo é o banquinho onde se apoiam os pés. Em outro livro, a Bíblia o liga à arca da aliança: Davi quer construir "uma casa de repouso para a arca da aliança do Senhor e para o escabelo dos pés do nosso Deus" (1Cr 28,2). Israel se prostrava diante da arca, sinal da presença de Deus, sem cair em idolatria (Js 7,6; Sl 132,7). As Bíblias latinas antigas traduziam o salmo como "adorai o escabelo"; a Nova Vulgata, mais perto do hebraico, diz "adorai junto ao escabelo". Ambrósio e Agostinho liam a versão antiga e, a partir dela, chegaram à Eucaristia, como mostra o bloco seguinte.
Êxodo 20 tem aula própria: Êxodo 20 proíbe as imagens?.
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego e do hebraico. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Romanos 1, Mateus 4, Mateus 2, Mateus 28, Hebreus 1, João 9, Salmo 99 (98 na numeração da Ave-Maria), 1 Crônicas 28, Josué 7 e Salmo 132 (131 na numeração da Ave-Maria).

O que diziam os primeiros cristãos
Os primeiros cristãos adoravam a Eucaristia?
Com honestidade: nos primeiros séculos não há exposição da hóstia, nem procissão, nem festa de Corpus Christi. A adoração aparece dentro da própria celebração, no jeito de comungar e no cuidado com o pão consagrado.
As Catequeses de Jerusalém, século IV. Atribuídas a Cirilo de Jerusalém (alguns estudiosos as atribuem ao sucessor dele, João), elas ensinam aos recém-batizados como receber a comunhão:
Faze da mão esquerda um trono para a direita, que vai receber um Rei. [...] Depois de comungar o corpo de Cristo, aproxima-te também do cálice do seu sangue, sem estender as mãos, mas inclinando-te e dizendo, em atitude de adoração e reverência: Amém. (Catequeses mistagógicas 5,21-22)
Ambrósio de Milão, século IV. No tratado O Espírito Santo, escrito a pedido do imperador Graciano (que reinou de 375 a 383), ele comenta o salmo do escabelo:
Pelo escabelo se entende a terra, e pela terra, a carne de Cristo, que ainda hoje adoramos nos mistérios, e que os apóstolos adoraram no Senhor Jesus. (O Espírito Santo III,11,79)
Agostinho de Hipona (354 a 430). No comentário ao mesmo salmo, ele confessa a dúvida: a Escritura diz que a terra é o escabelo de Deus e manda adorar só a Deus; tem medo de adorar a terra, e tem medo de não adorar o que o salmo manda. Encontra a saída em Cristo, que tomou carne da terra, da carne de Maria:
Andou aqui nesta mesma carne e nos deu esta mesma carne para comer, para a nossa salvação; e ninguém come aquela carne sem antes a adorar. [...] Não só não pecamos ao adorá-la: pecamos se não a adorarmos. (Comentário ao Salmo 98, seção 9 na edição latina; 8 no New Advent)
No mesmo sermão, Agostinho avisa: "não ireis comer este corpo que vedes", e pede que o mistério seja entendido espiritualmente. Há quem leia aí que ele via na Eucaristia só um símbolo, e a posição de Agostinho é debatida pelos estudiosos (a Enciclopédia Católica fala de uma controvérsia viva). Mas o que ele afasta, nesse trecho, é a ideia grosseira de quem pensou que Jesus cortaria pedaços do próprio corpo para dar; e é no mesmo texto que diz que aquela carne deve ser adorada antes de ser comida. Paulo VI e Bento XVI citam a frase (Mysterium fidei, n. 57; Sacramentum caritatis, n. 66).
As frases das Catequeses de Jerusalém e de Ambrósio e o aviso de Agostinho estão em tradução nossa a partir de versões inglesas. A frase principal de Agostinho está em tradução nossa a partir do latim, conferida com o texto latino citado por Paulo VI e por Bento XVI.
O que a Igreja ensina
O que a Igreja ensina sobre a adoração da Eucaristia?
O Concílio de Trento ensinou, em 1551, que todos os fiéis podem dar a este sacramento o culto de latria, devido ao verdadeiro Deus, e que ele não é menos digno de adoração por ter sido instituído para ser recebido como alimento, porque nele está presente o mesmo Deus que os anjos, os magos e os apóstolos adoraram (sessão XIII, capítulo 5; resumo nosso a partir da tradução inglesa). Os documentos de hoje dizem o mesmo:
Na liturgia da Missa, nós exprimimos a nossa fé na presença real de Cristo […] ajoelhando ou inclinando-nos profundamente em sinal de adoração do Senhor.
Este culto latrêutico devido ao Sacramento Eucarístico, professou-o e professa-o a Igreja Católica, não só durante a Missa mas também fora dela […]
O culto prestado à Eucaristia fora da Missa é de um valor inestimável na vida da Igreja […]
[…] a adoração eucarística é apenas o prolongamento visível da celebração eucarística, a qual, em si mesma, é o maior acto de adoração da Igreja […]
O trecho de Bento XVI responde à objeção do "tomai e comei". Ele lembra que, logo depois do Concílio Vaticano II, circulava a ideia de que o pão eucarístico fora dado para ser comido, e não contemplado, e diz que essa oposição não tem fundamento: "receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adoração d'Aquele que comungamos" (Sacramentum caritatis, n. 66). João Paulo II diz que o culto fora da Missa "está ligado intimamente com a celebração do sacrifício eucarístico" (Ecclesia de Eucharistia, n. 25).
Vale separar os níveis. É doutrina definida que Cristo, no sacramento, deve ser adorado com o culto de latria, também exterior, e que é legítimo honrá-lo com festa própria, procissão e exposição pública (Trento, sessão XIII, cânon 6). Já as formas concretas (quando e como expor, a visita, a bênção, a adoração perpétua) são disciplina, aprovada e recomendada pela Igreja (Código, cân. 941 a 944; Sacramentum caritatis, n. 67 e 68), sem ser obrigação do mesmo peso que a Missa de domingo. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
Linha do tempo
Como a adoração da Eucaristia cresceu ao longo dos séculos?
A fé na presença de Cristo é a mesma desde o começo; as formas de adoração cresceram com o tempo, e algumas precisaram ser corrigidas.
- Século IVAs Catequeses de JerusalémEnsina a comungar inclinando-se, em atitude de adoração.
- 354 a 430Agostinho de Hipona"Ninguém come aquela carne sem antes a adorar."
- c. 1200A elevação da hóstiaEm Paris, o bispo Eudes de Sully (1196 a 1208), ao que parece o primeiro, manda erguer a hóstia depois da consagração, para que todos a vejam.
- 1246A festa em LiègeO bispo Roberto de Thourotte institui na sua diocese a festa do Corpo de Deus, pedida por Juliana de Cornillon.
- 1264Urbano IVA bula Transiturus (11 de agosto de 1264, segundo Bento XVI) estende a festa a toda a Igreja. Tomás de Aquino compõe os textos do ofício.
- 1317João XXIIRestabelece a festa para toda a Igreja; depois da morte de Urbano IV, ela tinha ficado restrita a algumas regiões.
- Século XIVA exposiçãoNa Alemanha, a hóstia passa a ser mostrada em ostensórios transparentes para a oração dos fiéis.
- 1416 e 1452Freios aos exagerosSínodos em Breslau e Colônia limitam a exposição contínua, porque a frequência estava diminuindo a reverência.
- 1551Concílio de TrentoEnsina que Cristo, no sacramento, deve ser adorado com o culto de latria.
- 2007Sacramentum caritatisBento XVI recomenda a adoração pessoal e comunitária e igrejas ou capelas de adoração perpétua.
O que a história mostra
Houve exageros na devoção à hóstia?
Houve, e a história honesta não esconde. Depois que a elevação da hóstia se espalhou, por volta de 1200, nasceu um desejo enorme de vê-la na Missa. A Enciclopédia Católica conta que circularam promessas fantasiosas: quem visse a hóstia naquele dia não morreria de repente, não passaria fome, ficaria livre de contágio e de incêndio. Pregadores e satíricos da época condenaram esses exageros. No século XV, sínodos em Breslau (1416) e Colônia (1452) limitaram a exposição contínua da hóstia, porque, como escreveu o bispo de Breslau, a exposição frequente estava aumentando a falta de devoção e diminuindo a reverência.
A resposta da Igreja não foi abandonar a adoração, e sim pô-la no lugar certo: ligada à Missa e voltada para a comunhão. É o que pedem os documentos recentes: a presença que se adora vem do sacrifício e se destina à comunhão sacramental e espiritual (Eucharisticum mysterium, n. 50; Ecclesia de Eucharistia, n. 25). E vale aqui a regra geral do Catecismo: um gesto vira superstição quando se atribui o efeito só à sua materialidade, sem as disposições interiores (n. 2111).
Lado a lado
A idolatria e a adoração da Eucaristia, lado a lado
| A idolatria que a Bíblia condena | A adoração da Eucaristia | |
|---|---|---|
| A quem vai | A uma criatura tratada como Deus (Rm 1,25) | A Cristo, Deus feito homem, que a Igreja crê presente sob as espécies (Catecismo, n. 1378) |
| O que se pensa do objeto | Que ele é um deus ou tem poder próprio | Que já não é pão, embora pareça (Catecismo, n. 1376) |
| Quando seria pecado | Sempre: é dar a uma criatura o que é de Deus | Se a hóstia fosse só pão; por isso a adoração depende da presença real (Tomás, Suma, III, q. 75, a. 2) |
| Na Bíblia | Rm 1,25; Os 13,2; Ex 20,5 | Mt 2,11; Mt 28,17; Jo 9,38; Hb 1,6 |
| Para onde leva | Para longe do Deus verdadeiro | De volta à Missa e à comunhão (Sacramentum caritatis, n. 66) |
Os frutos
Como adorar sem esquecer que o pão é para ser comido?
Bento XVI desfaz a falsa escolha entre comer e adorar: receber a Eucaristia já é pôr-se em adoração diante de quem se recebe, e a adoração fora da Missa prolonga e intensifica o que se fez na celebração (Sacramentum caritatis, n. 66). E acrescenta que é na adoração que amadurece a missão social, a vontade de derrubar as barreiras que nos separam uns dos outros. Quem passa tempo diante do Santíssimo não foge do mundo; volta a ele com Cristo.
Na prática, isso se vê em gestos simples. A genuflexão, dobrar o joelho até o chão, significa adoração, e por isso o Missal a reserva ao Santíssimo Sacramento e, da Sexta-feira Santa até a Vigília Pascal, à cruz (Instrução Geral do Missal Romano, n. 274; veja também Beijar uma imagem é idolatria?). O silêncio diante do sacrário, a visita no meio do dia, uma hora de adoração: tudo isso diz com o corpo o que Tomé disse com a boca, "Meu Senhor e meu Deus!" (Jo 20,28).
Com um irmão evangélico, o ponto de partida é comum: os dois adoram Jesus como Deus e os dois rejeitam a idolatria. A diferença é onde Jesus está. A conversa honesta não começa pelo ostensório, e sim pela pergunta de sempre: o que Jesus quis dizer com "isto é o meu corpo"?
Para guardar
O católico não adora o pão: adora Cristo, que crê presente sob a aparência do pão. Se fosse só pão, seria idolatria, e a Igreja concorda. Como é Cristo, vale o que dizia Agostinho: ninguém come aquela carne sem antes a adorar.
Teste
Teste o que você aprendeu
5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Segundo a Bíblia, o que é idolatria?
Paulo descreve a idolatria como trocar a verdade de Deus pela mentira e prestar culto à criatura em lugar do Criador (Rm 1,25). O pecado está em a quem o culto vai, não no gesto.
2. Quem escreveu que "ninguém come aquela carne sem antes a adorar"?
Agostinho, no comentário ao Salmo 98 (99 na numeração hebraica), seção 9. Paulo VI e Bento XVI citam a frase (Mysterium fidei, n. 57; Sacramentum caritatis, n. 66).
3. Que cenas da Bíblia o Concílio de Trento lembra ao explicar a adoração da Eucaristia?
Na sessão XIII, capítulo 5, Trento lembra Hebreus 1,6 (os anjos adoram o Primogênito), os magos que se prostraram (Mt 2,11) e os apóstolos que adoraram Jesus na Galileia (Mt 28,17).
4. Que papa estendeu a festa de Corpus Christi a toda a Igreja, em 1264?
Urbano IV, com a bula Transiturus de hoc mundo, de 1264. Antes de ser papa, ele tinha conhecido em Liège a religiosa Juliana de Cornillon, que pedia essa festa.
5. Segundo Bento XVI (Sacramentum caritatis, n. 66), qual é a relação entre a Missa e a adoração?
Bento XVI diz que a adoração eucarística é o prolongamento visível da celebração, que em si mesma é o maior ato de adoração da Igreja, e que comungar já é pôr-se em adoração.
Perguntas frequentes
Os milagres eucarísticos provam a presença real?
A fé da Igreja não se apoia neles. Bento XVI conta, numa catequese de 2010, que Urbano IV mandou guardar na Catedral de Orvieto um corporal ligado a um milagre em Bolsena, em 1263. Mas a presença de Cristo no sacramento, diz o Catecismo com Tomás de Aquino, "não a apreendemos pelos sentidos [...] mas só pela fé" (n. 1381). Tomás explica que, quando se viu carne ou sangue na hóstia, o que aparece não é o corpo de Cristo na sua forma própria, e sim um sinal dado por Deus (Suma, III, q. 76, a. 8). Vale, por analogia, o critério que o Catecismo dá às revelações particulares: podem ajudar a viver a fé, mas não pertencem ao depósito da fé (n. 67).
O que é a bênção do Santíssimo?
É o momento, no fim de um tempo de adoração, em que o sacerdote ou o diácono abençoa o povo com o Santíssimo Sacramento. O Código de Direito Canônico diz que o ministro da exposição e da bênção é o sacerdote ou o diácono; em circunstâncias especiais, um acólito, um ministro extraordinário ou outra pessoa designada pode expor e repor o Santíssimo, mas sem dar a bênção (cân. 943).
O que é adoração perpétua?
É a adoração do Santíssimo exposto, dia e noite, em turnos de fiéis que se revezam. Bento XVI recomendou que, onde for possível, sobretudo nas cidades maiores, haja igrejas ou capelas reservadas para isso, e que as crianças aprendam desde a catequese da Primeira Comunhão o valor de ficar com Jesus (Sacramentum caritatis, n. 67).
A procissão de Corpus Christi é obrigatória?
O Código pede que, onde o bispo julgar possível, se faça uma procissão pelas ruas para testemunhar publicamente a veneração à Eucaristia, sobretudo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo; cabe ao bispo dar as normas (cân. 944). É um testemunho recomendado, não uma obrigação pessoal de cada fiel.
O que é o ostensório e desde quando existe?
É a peça, muitas vezes em forma de torre ou de sol, com uma parte transparente no centro, onde se põe a hóstia consagrada para a adoração. A Enciclopédia Católica registra a exposição em ostensórios transparentes já no século XIV, sobretudo na Alemanha. Hoje o Código permite a exposição com a píxide ou com o ostensório, segundo os livros litúrgicos, e não durante a Missa no mesmo recinto (cân. 941).
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1376, 1378 e 1381
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 67 (as revelações particulares)
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2111 (a superstição)
- VaticanoPaulo VI, encíclica Mysterium fidei (1965), n. 57 e 58
- VaticanoPaulo VI, Mysterium fidei, texto latino, com a frase de Agostinho (PL 37, 1264)
- VaticanoJoão Paulo II, encíclica Ecclesia de Eucharistia (2003), n. 25
- VaticanoBento XVI, exortação Sacramentum caritatis (2007), n. 66 a 68
- VaticanoBento XVI, Sacramentum caritatis, texto latino, n. 66
- VaticanoBento XVI, audiência geral de 17 de novembro de 2010, sobre Santa Juliana de Cornillon
- VaticanoCódigo de Direito Canônico, cân. 941 a 944
- VaticanoInstrução Geral do Missal Romano (edição italiana), n. 274
- AdoremusSagrada Congregação dos Ritos, instrução Eucharisticum mysterium (1967), n. 50 (tradução inglesa)
- Papal EncyclicalsConcílio de Trento, sessão XIII (1551), capítulo 5 e cânon 6 (tradução inglesa)
- Corpus ThomisticumTomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 75, a. 2 e q. 76, a. 8, texto latino
- WikipediaCirilo de Jerusalém: a discussão sobre o autor e a data das Catequeses mistagógicas (com a bibliografia de Yarnold, 1978, e Doval, 2001)
- New AdventCatequeses mistagógicas 5,21-22, atribuídas a Cirilo de Jerusalém (tradução inglesa)
- New AdventAmbrósio de Milão, O Espírito Santo, III,11,79 (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaSt. Ambrose: O Espírito Santo, escrito a pedido do imperador Graciano (375 a 383)
- New AdventAgostinho, Comentário ao Salmo 98 (99), tradução inglesa
- Catholic EncyclopediaThe Real Presence of Christ in the Eucharist: a controvérsia sobre a posição de Agostinho
- Catholic EncyclopediaThe Elevation: Eudes de Sully e as promessas fantasiosas sobre ver a hóstia
- Catholic EncyclopediaExposition of the Blessed Sacrament: o século XIV e os sínodos de Breslau (1416) e Colônia (1452)
- Catholic EncyclopediaFeast of Corpus Christi: Liège (1246) e Urbano IV
- CCELJoão Calvino, Institutas, livro IV, capítulo 17, 35 e 36 (tradução inglesa de Beveridge)
- Christian Reformed ChurchCatecismo de Heidelberg, pergunta 80, e as decisões dos sínodos de 2004 e 2006
- Douay-Rheims Bible OnlineVulgata Clementina, Salmo 98,5 (adorate scabellum)
- VaticanoNova Vulgata, Salmos (Sl 98,5: adorate ad scabellum)
- Bible HubSalmo 99,5 no hebraico
- Bible Hub1 Crônicas 28,2 no hebraico
- Bible HubJosué 7,6 no hebraico (diante da arca)
- Bible HubSalmo 132,7 no hebraico (prostrar-se diante do escabelo)
- Bible HubMateus 2,11 no grego
- Bible HubRomanos 1,25 no grego

