A resposta curta
Pela palavra de Cristo, dita pelo sacerdote na Missa, e pela ação do Espírito Santo. A Igreja ensina que, na consagração, tudo o que o pão é passa a ser o corpo de Cristo, e tudo o que o vinho é passa a ser o seu sangue, embora a cor, o gosto e o peso continuem os de pão e de vinho. A essa mudança ela dá o nome de transubstanciação (Catecismo, n. 1376).
A objeção
O que se costuma dizer
Transubstanciação é uma palavra que não está na Bíblia. Foi inventada na Idade Média e virou dogma no Concílio de Latrão, em 1215, com a filosofia de Aristóteles, um pagão que falava de "substância" e "acidentes". Jesus falou de modo simples, à mesa: "isto é o meu corpo". A Igreja transformou uma ceia numa teoria complicada.
E há o bom senso. A hóstia tem cor, gosto e peso de pão. Num laboratório, vão achar trigo, não carne. Dizer que aquilo é o corpo de Cristo é pedir que a gente negue os próprios olhos.
Nem todos os que fazem essa objeção negam a presença de Cristo. Lutero ensinava que o verdadeiro corpo e o verdadeiro sangue de Cristo estão "em e sob" o pão e o vinho (Catecismo Maior, 1529). Calvino, que a Ceia não é um sinal vazio e que o Espírito Santo une de verdade o fiel à carne de Cristo, que está no céu (Institutas IV,17,10). O que os dois recusam é que o pão deixe de ser pão.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa palavra?
A fé de que o pão consagrado é o corpo de Cristo é muito mais antiga que a palavra; os textos dos primeiros cristãos estão na aula A Eucaristia é símbolo ou o corpo de Cristo?. Aqui a pergunta é outra: por que a Igreja precisou de uma palavra nova.
Por volta de 1050, Berengário, mestre da escola de São Martinho de Tours, passou a ensinar que, na consagração, o pão e o vinho não mudam de natureza: viram sinal do corpo e do sangue de Cristo, mas continuam pão e vinho. Foi condenado em vários sínodos e, em 1079, em Roma, sob o papa Gregório VII, jurou que o pão e o vinho "se convertem substancialmente" na carne e no sangue de Cristo (Mysterium fidei, n. 54). Segundo a Enciclopédia Católica, de volta a Tours atacou de novo a fórmula, mas fez uma retratação final depois do Concílio de Bordéus (1080) e morreu em 1088, em comunhão com a Igreja.
A palavra nasceu nesse debate: segundo a mesma enciclopédia, ela "parece ter sido usada primeiro" por Hildeberto de Lavardin, no fim do século XI. Em 1215, o quarto Concílio de Latrão usou o termo, na forma "transubstanciados" (transsubstantiatis), na profissão de fé que abre os seus decretos: o corpo e o sangue de Cristo estão contidos de verdade no sacramento do altar, sob as espécies do pão e do vinho, transubstanciados o pão no corpo e o vinho no sangue pelo poder de Deus (resumo nosso a partir das traduções inglesas).
Na Reforma, Calvino argumentou que essa doutrina era desconhecida da Igreja antiga: admitia que alguns padres falavam em "conversão", mas dizia que eles não negavam que o pão continuasse pão (Institutas IV,17,14). O Concílio de Trento respondeu em 1551. Em 1965, diante de teólogos católicos que queriam falar só de um novo significado do pão, Paulo VI escreveu a Mysterium fidei.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
Que a palavra não esteja na Bíblia não decide nada: "Trindade" também não está, e a realidade está (veja Onde está a Trindade na Bíblia?). As perguntas honestas são duas: o que, exatamente, a Igreja afirma quando diz transubstanciação? E para crer nisso, o católico precisa aceitar a filosofia de Aristóteles?
O ponto de partida é simples. Se Jesus disse a verdade ao dizer "isto é o meu corpo", alguma coisa acontece com o pão. A transubstanciação responde: muda aquilo que o pão é; fica aquilo que dele se vê.
O que diz a Bíblia
O que a Bíblia diz que acontece com o pão?
A Bíblia não usa a palavra, mas diz três coisas que a explicação da Igreja procura respeitar.
Jesus diz o que o pão é.
E, tomando o pão, deu graças, partiu-o e deu-o a eles, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. (Lc 22,19)
A mesma frase está em Mateus (26,26), Marcos (14,22) e Paulo (1Cor 11,24). Jesus não diz "neste pão está o meu corpo", nem "junto com este pão vai o meu corpo". A Igreja lê a frase ao pé da letra e, por isso, recusa a ideia de que o pão continue ali ao lado do corpo (Concílio de Trento, sessão XIII, cânon 2). Se "é" quer dizer "significa" é a discussão da aula A Eucaristia é símbolo ou o corpo de Cristo?.
A Bíblia usa os dois nomes, pão e corpo.
Pois todas as vezes que comeis este pão e bebeis o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. Por isso, quem comer o pão ou beber o cálice do Senhor de modo indigno será réu do corpo e do sangue do Senhor. (1Cor 11,26-27)
Há quem veja aí prova de que continua sendo pão. Mas, na mesma frase, comê-lo de modo indigno é pecar contra o corpo e o sangue do Senhor, e ninguém se torna "réu do corpo" de alguém por comer pão comum. O próprio Jesus chama a sua carne de pão: "o pão que eu darei é a minha carne, pela vida do mundo" (Jo 6,51). Tomás de Aquino explica que, depois da consagração, ainda se pode dizer "pão" de dois modos: pelas espécies, que conservam o nome da substância anterior, e pelo próprio corpo de Cristo, "pão místico descido do céu" (Suma Teológica, III, q. 77, a. 6, ad 1).
A palavra de Deus faz o que diz.
Pois ele disse, e assim foi; ele ordenou, e assim ficou. (Sl 33,9)
O salmo fala da criação. Paulo VI lembra que os padres partiram desse poder para falar da Eucaristia: a força que muda o pão é a que criou o mundo do nada (Mysterium fidei, n. 49). O sinal mais próximo, nos Evangelhos, é Caná:
Quando o mestre-sala provou a água que se tornara vinho, sem saber de onde vinha (mas os serventes que tinham tirado a água sabiam), chamou o noivo. (Jo 2,9)
Mas, em Caná, a aparência mudou junto: o mestre-sala sentiu o gosto do vinho. Na Missa, muda aquilo que o pão é, e a aparência continua. Por isso essa mudança não tem igual.
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego e do hebraico. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Lucas 22, 1 Coríntios 11, João 6, Salmo 33 (32 na numeração da Ave-Maria) e João 2.
O que é substância e o que são as espécies?
As palavras assustam, mas a ideia é de todo dia.
Aponte para uma coisa e pergunte: o que é isto? A resposta ("é pão", "é uma pedra", "é o meu irmão") diz o que a coisa é: é isso que a Igreja chama de substância. Agora pergunte: como ela é? Branca, macia, redonda, leve, com gosto de trigo. Isso é o que os sentidos alcançam, e a Igreja chama esse conjunto de espécies, isto é, as aparências. (Os teólogos medievais falavam também em "acidentes".)
Na vida comum, uma coisa pode mudar sem a outra.
- Muda a aparência, e a coisa fica. O pão endurece e continua pão. O seu irmão envelhece e continua sendo ele.
- Muda a coisa, e a aparência muda junto. O pão que você come vira parte do seu corpo.
- Na Eucaristia, muda inteiro aquilo que o pão é, e a aparência fica. Tomás de Aquino escreve que essa conversão não se parece com as mudanças da natureza: é totalmente sobrenatural, feita só pelo poder de Deus (Suma, III, q. 75, a. 4).
E o laboratório? Um exame alcança o que se vê, se pesa e se analisa, e a Igreja diz justamente que tudo isso continua o de pão. Nenhum exame vai "achar" Cristo na hóstia, nem provar que ele não está. Tomás escreve que o corpo de Cristo, do modo como está no sacramento, não é visto por nenhum olho do corpo; nesta vida, só a inteligência que crê o alcança (III, q. 76, a. 7).
Por que a aparência fica? Entre as razões de Tomás (III, q. 75, a. 5): comer carne humana causaria horror, e a fé ganha o seu mérito.
Cristo fica "apertado" na hóstia? Não. Ele não está ali como um corpo ocupa um lugar (Tomás, III, q. 76, a. 5); Paulo VI escreve que está presente "não do mesmo modo como os corpos se encontram presentes localmente" (Mysterium fidei, n. 48). Por isso, quando a hóstia é partida, Cristo não se divide: está inteiro em cada parte (Catecismo, n. 1377).
Nenhuma comparação é perfeita: a Igreja não diz que entende o mistério por dentro.
O que diziam os primeiros cristãos
Os padres da Igreja falavam de mudança?
Muito antes da palavra, os padres falavam de mudança. Os testemunhos mais antigos da presença de Cristo (Inácio, Justino, Ireneu) estão na aula A Eucaristia é símbolo ou o corpo de Cristo?. Aqui entram os que explicam o que acontece com o pão.
As Catequeses de Jerusalém, século IV. São as instruções aos recém-batizados na semana da Páscoa, atribuídas a Cirilo de Jerusalém (muitos estudiosos as datam dos anos 370 ou 380; outros as atribuem ao sucessor dele, João). A quarta parte de Caná:
Uma vez, em Caná da Galileia, ele transformou a água em vinho, que se parece com o sangue; e seria inacreditável que transformasse o vinho em sangue? (Catequeses mistagógicas 4,2)
E conclui, na tradução portuguesa citada por Paulo VI:
[...] aquilo que parece pão não é pão, apesar do sabor que tem, mas sim o Corpo de Cristo; e [...] o que parece vinho não é vinho, apesar de assim parecer ao gosto, mas sim o Sangue de Cristo. (4,9; Mysterium fidei, n. 50)
Sobre a palavra "figura", que essas catequeses também usam, veja a aula A Eucaristia é símbolo ou o corpo de Cristo?.
Ambrósio de Milão, fim do século IV. No livro Os mistérios, também para recém-batizados, ele começa pela objeção de quem olha a hóstia:
Talvez digas: vejo outra coisa; como me afirmas que recebo o corpo de Cristo? [...] Provemos que isto não é o que a natureza formou, mas o que a bênção consagrou, e que a força da bênção é maior que a da natureza, porque pela bênção a própria natureza é mudada. (Os mistérios 9,50)
E pergunta, depois de lembrar a vara de Moisés e as águas do Jordão:
A palavra de Cristo, que pôde fazer do nada o que não existia, não pode mudar as coisas que existem naquilo que não eram? (9,52)
João Damasceno, século VIII. No Oriente, este monge de São Saba, perto de Jerusalém, escreve que o próprio pão e o vinho são mudados no corpo e no sangue de Cristo, e acrescenta:
Se perguntas como isso acontece, basta-te saber que é pelo Espírito Santo [...]; e nada mais sabemos, a não ser que a palavra de Deus é verdadeira, eficaz e onipotente; o modo, porém, não se pode investigar. (Exposição da fé ortodoxa IV,13)
Diante de uma frase como essa (o que parece pão não é pão), fica difícil ler a "conversão" dos padres como se o pão só ficasse diferente do pão comum, sem deixar de ser pão. Eles afirmam a mudança e não pretendem explicar o modo; a palavra transubstanciação guardou as duas atitudes.
A frase das Catequeses de Jerusalém 4,2 e a de João Damasceno estão em tradução nossa a partir de versões inglesas; a de 4,9 segue a tradução portuguesa citada por Paulo VI. As de Ambrósio estão em tradução nossa a partir do latim e foram conferidas com o Catecismo, n. 1375, que cita os mesmos trechos.

O que a Igreja ensina
O que a Igreja definiu, e o que deixou para os teólogos?
O Concílio de Trento, na sessão XIII (1551), ensinou três coisas, que o Catecismo resume: Cristo está presente de modo verdadeiro, real e substancial; essa presença vem da conversão de toda a substância do pão e do vinho; e essa conversão tem um nome.
[…] estão «contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo […]»
[…] pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor […]
[…] a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, transubstanciação
[…] na sua realidade objectiva, independentemente do nosso entendimento, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração […]
O último trecho é de Paulo VI (Credo do Povo de Deus, 1968), citado por João Paulo II: para estar de acordo com a fé, qualquer explicação tem de afirmar que o pão e o vinho deixam de existir de fato, e não só na nossa cabeça.
Vale separar os níveis.
- Dogma de fé. Que Cristo está presente verdadeira, real e substancialmente; que toda a substância do pão e do vinho é convertida, ficando só as espécies; e que Cristo está inteiro em cada espécie e em cada parte dela (Trento, sessão XIII, cânones 1 a 3).
- Linguagem da Igreja. A palavra não é enfeite opcional: Trento a pôs dentro do cânon 2, e Pio VI pediu aos párocos que não deixassem de falar da transubstanciação, "que figura entre os artigos da fé" (Mysterium fidei, n. 56). Paulo VI pede que essas fórmulas sejam guardadas, porque os seus conceitos não estão ligados a uma cultura, a uma fase da ciência ou a uma escola de teologia (n. 24). Pode-se explicá-las "com maior clareza e em palavras mais acessíveis, nunca, porém, em sentido diverso" (n. 25). "Substância", aqui, é o que qualquer pessoa quer saber quando pergunta "o que é isto?", e, para crer na transubstanciação, o católico não precisa aceitar todo o sistema de Aristóteles.
- Teologia. Como as aparências continuam sem o pão, os teólogos explicam de modos diferentes. As respostas de Tomás (Suma, III, q. 75 a 77) são muito usadas, mas a fé do católico simples não depende delas.
Paulo VI também disse o que não basta: reduzir a mudança a uma "transignificação" ou "transfinalização", como se o pão só ganhasse novo significado ou nova finalidade (Mysterium fidei, n. 11). As espécies ganham significado novo, "mas só adquirem nova significação e nova finalidade por conterem nova 'realidade'" (n. 48). Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
Linha do tempo
Da Última Ceia a Paulo VI, em datas
As primeiras datas marcam textos de ensino; as seguintes, os debates e as decisões que deram nome a uma fé que já existia.
- c. 30A Última CeiaJesus diz sobre o pão: "Isto é o meu corpo" (Lc 22,19).
- Século IVAs Catequeses de JerusalémEnsina aos recém-batizados que aquilo que parece pão não é pão.
- Fim do século IVAmbrósio de Milão"Isto não é o que a natureza formou, mas o que a bênção consagrou."
- 1215Quarto Concílio de LatrãoO termo entra, na forma "transubstanciados" (*transsubstantiatis*), na profissão de fé de um concílio.
- 1551Concílio de Trento, sessão XIIIChama a conversão, de modo conveniente e apropriado, de transubstanciação.
- 1965Mysterium fideiPaulo VI recusa reduzir a mudança a um novo significado ou a uma nova finalidade.
Lado a lado
A objeção e o ensino da Igreja, lado a lado
| O que se diz | O que a Igreja ensina | Onde conferir |
|---|---|---|
| É a filosofia de Aristóteles imposta como dogma. | O dogma é que o pão deixa de ser pão. Os conceitos das fórmulas não dependem de uma escola. | Mysterium fidei, n. 24 e 25 |
| A hóstia continua com cor, gosto e peso de pão. | É o que a Igreja ensina: as espécies continuam. O que muda é o que está sob elas. | Catecismo, n. 1376; Tomás, Suma, III, q. 75, a. 5 |
| Então Cristo é mastigado em pedaços. | Cristo não está na hóstia como um corpo ocupa um lugar, e não se divide quando ela é partida. | Catecismo, n. 1377; Mysterium fidei, n. 48 |
Os frutos
Para que serve uma palavra tão difícil?
Para proteger uma fé simples. A palavra diz, de uma vez, que o que está nas mãos do sacerdote depois da consagração não é mais pão, embora pareça. Daí vem o que o católico faz diante da hóstia: ajoelhar-se, comungar com cuidado, guardar com respeito o que sobra. Por isso esta aula anda junto com Adorar a hóstia é idolatria? e Por que guardar hóstias no sacrário?.
A palavra também ensina humildade. O hino Adoro te devote, atribuído a Tomás, diz: "Visão, tacto e paladar em ti falham, / Apenas ouvindo se crê com segurança" (Catecismo, n. 1381). A fé não vem dos olhos; vem do ouvido, da palavra de Jesus.
E ajuda a conversar. Com um irmão luterano, os dois creem que na Ceia se recebe o verdadeiro corpo de Cristo; com um irmão evangélico que vê ali um símbolo, a conversa pode começar pela pergunta que importa: o que Jesus quis dizer com "isto é o meu corpo"? A transubstanciação é o nome que a Igreja dá ao que acontece quando essa frase é levada a sério até o fim.
Para guardar
A transubstanciação não diz que o pão ganhou um novo significado: diz que ele deixou de ser pão. Tudo o que ele era passa a ser o corpo de Cristo, e só a aparência continua. O que a Igreja pede não é um curso de filosofia, é fé na palavra de Jesus: "isto é o meu corpo".
Teste
Teste o que você aprendeu
5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. O que muda na transubstanciação, segundo a Igreja?
O Concílio de Trento ensina a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo, ficando só as espécies, isto é, as aparências (Catecismo, n. 1376).
2. Que concílio da Idade Média usou pela primeira vez o termo na sua profissão de fé?
O quarto Concílio de Latrão, em 1215, usou o termo, na forma "transubstanciados" (transsubstantiatis), na profissão de fé que abre os seus decretos. A fé na mudança do pão é bem mais antiga, como mostram as Catequeses de Jerusalém e Ambrósio, no século IV.
3. O que Paulo VI recusou na encíclica Mysterium fidei, de 1965?
Paulo VI recusou reduzir a mudança a uma "transignificação" ou "transfinalização" (n. 11). As espécies ganham significado novo porque contêm uma realidade nova (n. 48).
4. Se a hóstia consagrada é partida, o que acontece com Cristo?
O Catecismo ensina que Cristo está presente todo em cada uma das espécies e todo em cada uma das suas partes, de modo que partir o pão não divide Cristo (n. 1377).
5. Quem perguntou: "A palavra de Cristo, que pôde fazer do nada o que não existia, não pode mudar as coisas que existem naquilo que não eram?"
Ambrósio fez essa pergunta no livro Os mistérios (9,52), escrito para recém-batizados no fim do século IV. O Catecismo cita o trecho no número 1375.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre transubstanciação e consubstanciação?
Consubstanciação é o nome que muitas vezes se dá à posição ligada a Lutero: o corpo e o sangue de Cristo estariam presentes em e sob o pão e o vinho, que continuariam sendo pão e vinho. A Igreja Católica ensina que a substância do pão e do vinho não permanece junto com o corpo e o sangue de Cristo: ela é toda convertida, e só ficam as espécies (Concílio de Trento, sessão XIII, cânon 2).
Comungar só a hóstia é receber Cristo inteiro?
Sim. Cristo está presente inteiro sob cada uma das espécies, e a comunhão só sob a espécie do pão permite receber todo o fruto de graça da Eucaristia (Catecismo, n. 1390). O Catecismo acrescenta que, como sinal, a comunhão sob as duas espécies é mais completa, e que ela é a forma habitual nos ritos orientais.
Quem pode consagrar o pão e o vinho?
Só um sacerdote validamente ordenado (Catecismo, n. 1411). O diácono e o ministro extraordinário podem distribuir a comunhão (Código de Direito Canônico, cân. 910), mas não consagrar.
As Igrejas ortodoxas creem nessa mudança?
Creem que o pão e o vinho são mudados no corpo e no sangue de Cristo, como escreve João Damasceno, para quem o modo dessa mudança não se pode investigar. A explicação com as palavras substância e espécies é obra sobretudo dos teólogos latinos. A Igreja Católica reconhece que as Igrejas orientais separadas têm verdadeiros sacramentos, sobretudo o sacerdócio e a Eucaristia (Catecismo, n. 1399).
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1373 a 1381, 1390, 1399 e 1411
- VaticanoPaulo VI, encíclica Mysterium fidei (1965), n. 11, 24, 25, 48 a 50, 54 e 56
- VaticanoPaulo VI, Mysterium fidei, texto latino
- VaticanoJoão Paulo II, encíclica Ecclesia de Eucharistia (2003), n. 15
- Papal EncyclicalsConcílio de Trento, sessão XIII (11 de outubro de 1551), capítulos 1 a 4 e cânones 1 a 4 (tradução inglesa de Waterworth)
- Papal EncyclicalsQuarto Concílio de Latrão (1215), cânon 1 (tradução inglesa)
- Fordham University, Medieval SourcebookQuarto Concílio de Latrão, cânon 1 (tradução inglesa, com o termo latino ao lado)
- Corpus ThomisticumTomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 74 a 77, texto latino (q. 77, a. 6, ad 1: os dois modos de dizer "pão")
- New AdventTomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 75 (tradução inglesa)
- New AdventTomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 76 (tradução inglesa)
- New AdventTomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 77 (tradução inglesa)
- WikipediaCirilo de Jerusalém: a discussão sobre o autor e a data das Catequeses mistagógicas (com a bibliografia de Yarnold, 1978, e Doval, 2001)
- New AdventCatequeses mistagógicas 4, atribuídas a Cirilo de Jerusalém (tradução inglesa)
- The Latin LibraryAmbrósio de Milão, De mysteriis, texto latino
- New AdventAmbrósio de Milão, Os mistérios (tradução inglesa)
- New AdventJoão Damasceno, Exposição da fé ortodoxa, livro IV, 13 (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaThe Real Presence of Christ in the Eucharist: as controvérsias e o primeiro uso da palavra
- Catholic EncyclopediaBerengarius of Tours: datas, sínodos de 1059 e 1079
- Book of ConcordLutero, Catecismo Maior (1529), o Sacramento do Altar (tradução inglesa)
- CCELJoão Calvino, Institutas, livro IV, capítulo 17 (tradução inglesa de Beveridge)
- Bible HubLucas 22,19 no grego
- Bible Hub1 Coríntios 11,27 no grego
- Bible HubJoão 2,9 no grego
- Bible HubSalmo 33,9 no hebraico

