A resposta curta
São três nomes técnicos para três atitudes diferentes. Latria é a adoração, que se dá só a Deus; dulia é a honra prestada aos santos por causa do que Deus fez neles; hiperdulia é a honra mais alta dada a uma criatura, reservada a Maria por ser a Mãe de Deus. A hiperdulia continua sendo honra a uma criatura: não é adoração.
A objeção
O que se costuma dizer
"Latria, dulia, hiperdulia": isso é jogo de palavras para esconder a idolatria. É como trocar o rótulo de uma garrafa: o conteúdo continua o mesmo. São termos gregos inventados por teólogos, que o povo nem conhece, e a Bíblia não fala em dulia nenhuma. Quando um católico se ajoelha, beija a imagem, acende vela e faz promessa a Nossa Senhora, qualquer um vê que é adoração. E "hiperdulia" é só um jeito elegante de dizer que Maria é adorada.
De onde vem a pergunta
De onde vêm essas palavras?
As três vêm do grego, a língua do Novo Testamento. Latreia quer dizer serviço, e na Bíblia grega é o serviço religioso, o culto. Douleia é o serviço de quem é servo (doulos). E há uma terceira palavra que entra na conversa, proskýnesis: o gesto de se prostrar ou se inclinar diante de alguém.
O uso técnico dessas palavras é posterior à Bíblia, e é honesto dizer isso. A Enciclopédia Católica lembra que, pela origem, nada obrigava a reservar latreia para Deus, e que as duas palavras chegaram a ser usadas sem distinção; quem fixou a diferença foi Agostinho de Hipona. Na Cidade de Deus, obra que escreveu entre 413 e 426, ele explica que o latim não tinha uma palavra própria para o culto devido só a Deus, e por isso usou a grega (livro X, 1).
Depois de 726, quando o imperador bizantino Leão III começou a campanha contra as imagens, João Damasceno, monge do mosteiro de São Saba, perto de Jerusalém, distinguiu com cuidado a adoração e a veneração. O segundo Concílio de Niceia, em 787, pôs essa distinção na sua definição. E o nome hiperdulia aparece entre os teólogos do século XIII: Tomás de Aquino fala da veneração "que chamam de hiperdulia" (Suma, III, q. 25, a. 2, ad 1, ao tratar da humanidade de Cristo).
Ou seja: os termos são mais novos que a Bíblia, como a palavra "Trindade". A pergunta é se eles inventam uma coisa ou dão nome a algo que já estava lá.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
A pergunta não é se a palavra dulia está na Bíblia. Não está, como não está a palavra "Trindade". A pergunta é esta: a Bíblia distingue entre o culto que pertence só a Deus e a honra que se pode dar a criaturas? Se distingue, faz sentido ter nomes claros para cada coisa, justamente para não confundir.
E a confusão é real, inclusive em português. Dizemos "adoro esse livro" e ninguém pensa em idolatria. O próprio Vaticano II fala em "culto dos santos" (Lumen Gentium 51), e "culto", em português, cobre de uma oração a uma homenagem. Por isso a teologia precisou de palavras mais exatas: para dizer, sem ambiguidade, o que só Deus pode receber.
O que diz a Bíblia
O que a Bíblia mostra sobre essas palavras?
Latreia: sempre culto. No Novo Testamento grego, o verbo latreúo e o substantivo latreía aparecem 26 vezes, e sempre falam de culto religioso. Quase sempre o culto é a Deus (Rm 12,1; Fp 3,3; Hb 12,28; Ap 22,3). Quando vai para criaturas, é para denunciar a idolatria:
Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e prestaram culto à criatura em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém. (Rm 1,25)
"Prestar culto", aqui, é latreúo. A própria palavra "idolatria" (eidololatría) quer dizer isto: dar latreia a um ídolo.
Proskýnesis: o gesto não decide sozinho. O verbo proskynéo, prostrar-se, serve para a adoração a Deus (Jo 4,23) e também para gestos diante de pessoas. No Apocalipse, Jesus diz à Igreja de Filadélfia, a respeito de alguns que se opunham a ela: "farei que venham e se prostrem diante dos teus pés" (Ap 3,9). Na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, o mesmo verbo descreve Natã diante do rei Davi (1Rs 1,23) e os filhos dos profetas diante de Eliseu (2Rs 2,15). O que faz do gesto uma adoração é a quem ele se dirige e como essa pessoa é tratada.
A cena das tentações mostra isso:
"Tudo isto te darei, se te prostrares e me adorares." Então Jesus lhe disse: "Vai-te, Satanás, pois está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele prestarás culto". (Mt 4,9-10)
O diabo pedia ser tratado como deus, em troca dos reinos do mundo; Jesus responde que essa prostração e esse culto pertencem só a Deus. Há quem insista que o "só" está ligado apenas ao segundo verbo, latreúseis. É melhor não forçar: o texto põe os dois verbos juntos, e o que ele ensina é que adorar alguém como Deus é exclusivo de Deus.
Douleia: serviço, a Deus e aos irmãos. O verbo douleúo aparece para o serviço a Deus ("vos convertestes dos ídolos a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro", 1Ts 1,9) e para o serviço entre irmãos ("servi-vos uns aos outros pelo amor", Gl 5,13). Na Bíblia, portanto, dulia não é um "culto menor": o sentido técnico de honra aos santos veio depois. Vale para essa palavra o que vale para "Trindade": o nome é posterior, a realidade não.
A raiz da hiperdulia. Isabel saúda Maria como não saúda mais ninguém:
Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! E de onde me vem isto, que a mãe do meu Senhor venha a mim? (Lc 1,42-43)
Maria responde no Magnificat: "Ele olhou para a humildade da sua serva. Eis que, desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lc 1,48). A palavra grega para "serva" é doúle. A criatura que recebe a honra mais alta chama a si mesma de serva. Por isso a hiperdulia, por maior que seja, nunca é adoração.
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego. A contagem de 26 ocorrências segue o texto grego do Novo Testamento na edição da Society of Biblical Literature. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Romanos 1, Apocalipse 3, Mateus 4, 1 Tessalonicenses 1, Gálatas 5 e Lucas 1.
O que diziam os primeiros cristãos
Como os padres da Igreja usaram essas palavras?
Antes dos termos técnicos, a distinção já existia. Por volta de 155 a 160, os cristãos de Esmirna escreveram que adoravam Cristo e amavam os mártires (Martírio de Policarpo 17,3; ver a aula Se só Deus é adorado, por que venerar santos?). O verbo que usam para Cristo é justamente proskynoûmen, "adoramos". O vocabulário ainda não era técnico, mas a diferença estava clara.
Agostinho dá nome às coisas. Na Cidade de Deus, ele explica por que precisou de uma palavra grega:
Os nossos tradutores, sempre que latreia aparece nas santas Escrituras, a traduziram por "serviço". Mas o serviço que se deve aos homens, aquele pelo qual o Apóstolo manda os servos obedecerem aos seus senhores, costuma ter outro nome em grego; latreia, ao contrário, no modo de falar dos que nos escreveram as palavras divinas, sempre, ou tão frequentemente que é quase sempre, quer dizer o serviço que pertence ao culto de Deus. (Cidade de Deus X,1)
Repare na honestidade dele: "sempre, ou quase sempre". No mesmo capítulo, observa que a palavra latina cultus não servia, porque também se diz que "cultivamos" a memória ou a presença de pessoas. E na Resposta a Fausto usa o termo para traçar a linha: os mártires são honrados com um culto de amor e de comunhão; a latria, com o sacrifício, só se dá a Deus (XX,21).
João Damasceno, no século VIII. Nos três discursos que escreveu em defesa das imagens, este monge explica que a adoração é um sinal de submissão, que há vários modos dela, e que o primeiro, a latreia, se dá só a Deus, o único digno de adoração por natureza. Depois enumera as honras que damos às criaturas por causa de Deus, começando por aqueles em quem Deus repousou, "como a Santa Mãe de Deus e todos os santos" (terceiro discurso, 33). Bento XVI lembrou essa contribuição numa audiência de 2009, citada abaixo.
O trecho de Agostinho está em tradução nossa a partir do latim. O de Damasceno foi resumido a partir da tradução inglesa de Mary Allies (1898); a frase entre aspas segue a tradução citada por Bento XVI.

O que a Igreja ensina
O que a Igreja definiu?
O ponto decisivo foi o segundo Concílio de Niceia, em 787, o sétimo concílio ecumênico, reunido contra os que destruíam as imagens. Na sua definição, depois de mandar expor as imagens de Cristo, da Mãe de Deus, dos anjos e dos santos, o concílio diz que se deve tributar a elas saudação e veneração honrosa (em grego, timetikè proskýnesis), mas não a verdadeira adoração (latreía), que, segundo a nossa fé, convém só à natureza divina. E dá a razão: a honra prestada à imagem passa ao modelo original, e quem venera a imagem venera nela a pessoa representada (resumo nosso do texto grego da edição crítica). É a distinção entre veneração e adoração, definida por um concílio. O Catecismo a retoma, e o mesmo vale para a honra a Maria:
A adoração é o primeiro acto da virtude da religião.
A honra prestada às santas imagens é uma «veneração respeitosa», e não uma adoração, que só a Deus se deve […]
Este culto [...], embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta por igual ao Verbo Encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo […]
[…] João Damasceno foi um dos primeiros a distinguir, no culto público e privado dos cristãos, entre adoração (latreia) e veneração (proskynesis) […]
No número 971, o Catecismo fala do culto à Virgem Maria e cita o Vaticano II (Lumen Gentium 66). Tomás de Aquino, no século XIII, organizou tudo isso. Ele explica que a Deus se deve reverência pela sua excelência, que Ele comunica a algumas criaturas não por igual, mas por participação; por isso uma é a veneração a Deus, que pertence à latria, e outra a veneração a criaturas excelentes, que pertence à dulia. E acrescenta que há uma coisa que se oferece só a Deus: o sacrifício (Suma, II-II, q. 84, a. 1, ad 1). A dulia é uma virtude distinta da latria (q. 103, a. 3), e a hiperdulia é a forma mais alta de dulia, porque a maior reverência se deve a quem tem mais proximidade com Deus (q. 103, a. 4). Sobre Maria, Tomás é direto: ela é pura criatura; por isso não se lhe deve a adoração de latria, só a veneração de dulia, mas em grau mais alto que às outras criaturas, por ser a Mãe de Deus, e por isso se fala em hiperdulia (III, q. 25, a. 5).
Vale distinguir os níveis. É doutrina definida que a verdadeira adoração só se dá a Deus e que a honra às imagens e aos santos é de outra natureza (Niceia II); o Vaticano II ensina que o culto a Maria difere essencialmente da adoração. Já os nomes dulia e hiperdulia, e a explicação de Tomás sobre as virtudes, são vocabulário e teologia de escola: ajudam a pensar, mas a fé de ninguém depende de decorar essas palavras. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
Lado a lado
As palavras, lado a lado
| Palavra | O que é | A quem se dá | Por quê |
|---|---|---|---|
| Latria | Adoração: reconhecer alguém como Deus. O sinal próprio é o sacrifício. | Só a Deus: Pai, Filho e Espírito Santo | Porque é o Criador e Senhor de tudo (Catecismo, n. 2096) |
| Hiperdulia | A honra mais alta que se pode dar a uma criatura | A Maria | Por ser a Mãe do Senhor (Lc 1,43). Continua sendo honra a uma criatura. |
| Dulia | Honra e veneração | Aos santos e aos anjos | Pelo que Deus fez neles (Jo 12,26) |
| Idolatria | Dar a uma criatura o culto que só Deus pode receber | A ninguém: é pecado | Rm 1,25; Catecismo, n. 2113 |
O que a história mostra
Como uma tradução ruim quase dividiu a Igreja?
A história mostra por que as palavras importam.
O latim que confundiu tudo. Pouco depois de 787, o papa Adriano I mandou a Carlos Magno uma tradução latina dos atos de Niceia II, e era uma tradução ruim. Onde o grego dizia proskýnesis (veneração, prostração), o latim punha adoratio, e os bispos francos entenderam adoração no sentido que se dá a Deus. Um trecho em que um bispo dizia receber as imagens e reservar a adoração (latreia) só à Trindade foi traduzido como se ele recebesse as imagens com a mesma adoração dada à Trindade. Os teólogos de Carlos Magno escreveram contra o concílio (os chamados Livros Carolinos), e o sínodo de Frankfurt, em 794, diante de dois legados do papa, condenou o concílio por uma doutrina que ele não tinha ensinado. Mais tarde, o papa João VIII (872 a 882) mandou uma tradução melhor, e aos poucos Niceia II foi aceito em todo o Ocidente. Os francos não queriam adorar imagens; o concílio também não. O problema principal era a palavra.
"Adorar" já quis dizer prostrar-se. Em latim, adorare servia também para gestos de reverência a pessoas. Na Nova Vulgata, a tradução latina oficial da Bíblia, Abraão "adorou o povo da terra", os hititas, quando negociava um túmulo para Sara (Gn 23,7: adoravit populum terrae). Ninguém acha que Abraão caiu em idolatria: ele fez uma reverência. Tomás de Aquino cita casos assim, como Natã, que "adorou" Davi, para mostrar que o gesto externo pode ser honra a uma criatura, enquanto o sacrifício é só de Deus (II-II, q. 84, a. 1, ad 1).
A frase sobre a imagem. A fórmula que Niceia usou, e que o Catecismo traduz como "a honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original" (n. 2132), vem de Basílio de Cesareia, no século IV (Sobre o Espírito Santo 18,45). Ele falava da imagem do imperador, para explicar por que o Pai e o Filho recebem uma só glória; o concílio aplicou a ideia às imagens sagradas.
E em português? Hoje "adorar" tem dois sentidos: o religioso, que é só para Deus, e o afetivo ("adoro essa música"). Quando um católico diz "eu adoro Nossa Senhora", quase sempre quer dizer que a ama muito, mas a frase confunde. O mais claro é dizer que veneramos Maria e os santos e que adoramos só a Deus. Sobre a cruz e as imagens de Cristo, Tomás tem uma explicação mais técnica (III, q. 25, a. 3 e 4), que fica para a aula sobre as imagens.
Os frutos
Para que serve saber isso?
Para três coisas. A primeira é a clareza de consciência. O católico que reza o Pai-Nosso adora a Deus; quando pede a Maria ou a um santo que reze por ele, honra uma criatura e, por meio dela, se volta para o mesmo Deus. O gesto pode ser parecido; o que se dá é diferente.
A segunda é corrigir o que precisa ser corrigido. Onde uma devoção vira superstição, ou onde alguém trata a imagem como se tivesse poder próprio, a distinção permite dizer com precisão o que está errado. A Igreja não esconde esse risco: o Concílio de Trento mandou eliminar toda superstição do culto dos santos (sessão XXV), e o Vaticano II pediu que se corrigissem abusos e excessos (Lumen Gentium 51).
A terceira é conversar melhor. Com um irmão evangélico, vale começar pelo que é comum: os dois creem que só Deus pode ser adorado, e os dois honram, de algum modo, os servos de Deus. A diferença de vocabulário não é truque; é a tentativa de dizer com exatidão o que Maria mostrou em Caná, quando apontou para o Filho: "Fazei tudo o que ele vos disser" (Jo 2,5).
Para guardar
Latria é adoração, e só Deus a recebe. Dulia é a honra aos santos; hiperdulia, a honra maior, a Maria, que se chamou de serva do Senhor. Nenhuma das duas é adoração: quanto mais alta a honra a uma criatura, mais ela aponta para Deus.
Teste
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5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. O que é latria?
Latria vem do grego latreia, culto. É a adoração, devida só a Deus; dá-la a uma criatura é idolatria (Rm 1,25; Catecismo, n. 2113).
2. Por que Agostinho usou a palavra grega latreia?
Na Cidade de Deus (X,1), ele explica que a palavra latina cultus servia também para honras a pessoas, e por isso usou o termo grego.
3. O que é a hiperdulia?
Tomás de Aquino explica que Maria é pura criatura: não recebe latria, e sim a dulia em grau mais alto, por ser a Mãe de Deus (Suma, III, q. 25, a. 5).
4. Que concílio, em 787, distinguiu a veneração honrosa da verdadeira adoração, que convém só a Deus?
O segundo Concílio de Niceia, sétimo ecumênico, reunido contra os que destruíam as imagens, pôs essa distinção na sua definição. O Catecismo a retoma no número 2132.
5. Em Apocalipse 3,9, Jesus diz que fará alguns se prostrarem aos pés dos cristãos de Filadélfia. O que isso mostra?
O verbo grego proskynéo, prostrar-se, serve para a adoração a Deus e para gestos de reverência a pessoas. O que decide é a quem o gesto se dirige e como essa pessoa é tratada.
Perguntas frequentes
A palavra dulia está na Bíblia?
Não como termo técnico. O verbo grego douleúo (servir) aparece para o serviço a Deus e para o serviço entre irmãos. O sentido de honra aos santos foi fixado depois: Agostinho separou a latria, devida só a Deus, do serviço devido aos homens, e os teólogos medievais deram o nome de dulia à honra aos santos. O que a Bíblia tem é a distinção: o culto (latreia) só para Deus e a honra para quem a merece (Rm 1,25; 1Pd 2,17).
Hiperdulia quer dizer que Maria é adorada?
Não. É a maior honra dada a uma criatura, mas continua sendo honra a uma criatura. O Catecismo, citando o Vaticano II, diz que o culto a Maria difere essencialmente do culto de adoração prestado à Santíssima Trindade (n. 971; Lumen Gentium 66).
Por que alguns católicos dizem que adoram Nossa Senhora?
Quase sempre pelo uso afetivo da palavra, como em "adoro minha mãe". A expressão é imprecisa e confunde quem ouve; o certo é dizer que veneramos Maria e que adoramos só a Deus.
A distinção entre latria e dulia é dogma?
A distinção entre a verdadeira adoração, que só se dá a Deus, e a veneração das imagens e dos santos foi definida pelo segundo Concílio de Niceia, em 787. Os nomes dulia e hiperdulia são vocabulário teológico, que ajuda a explicar essa doutrina.
Os católicos prestam culto aos santos?
Sim, no sentido amplo da palavra culto, que a própria Igreja usa (Lumen Gentium 51 fala em culto dos santos). Mas culto, nesse sentido, não é sinônimo de adoração: a adoração e o sacrifício são só de Deus.
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2096, 2113 e 2132
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica (inglês), n. 2132 e as notas que remetem a Basílio, a Niceia II e a Tomás de Aquino
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 971
- VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Lumen Gentium, n. 51 e 66
- VaticanoBento XVI, audiência geral de 6 de maio de 2009, sobre São João Damasceno
- VaticanoNova Vulgata, livro do Gênesis (Gn 23,7)
- Academia Austríaca de CiênciasSegundo Concílio de Niceia, Ação VII, definição: texto grego e latino da edição crítica de E. Lamberz (Acta Conciliorum Oecumenicorum, 2016), p. 826 e 827
- CCELDecreto do segundo Concílio de Niceia (tradução inglesa, Nicene and Post-Nicene Fathers, série 2, vol. 14)
- Catholic EncyclopediaIconoclasm: a tradução latina de Niceia II, os Livros Carolinos e o sínodo de Frankfurt (794)
- Catholic EncyclopediaLatria
- Catholic EncyclopediaDulia
- Catholic EncyclopediaObras de Santo Agostinho: datas da Cidade de Deus (413 a 426)
- The Latin LibraryAgostinho, De civitate Dei, livro X (texto latino)
- New AdventAgostinho, Cidade de Deus, livro X (tradução inglesa)
- Bibliothek der Kirchenväter (Universidade de Friburgo)Agostinho, Contra Faustum XX,21 (texto latino e tradução inglesa)
- Fordham University, Medieval SourcebookJoão Damasceno, Apologia contra os que rejeitam as imagens (tradução inglesa de Mary Allies, 1898)
- New AdventBasílio de Cesareia, Sobre o Espírito Santo, 18,45 (tradução inglesa)
- CCELMartírio de Policarpo, 17, texto grego (edição Lake, 1913)
- Corpus ThomisticumTomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, q. 82 a 91 (q. 84), texto latino
- Corpus ThomisticumTomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, q. 102 a 105 (q. 103), texto latino
- Corpus ThomisticumTomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 16 a 26 (q. 25), texto latino
- New AdventTomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, q. 84 (tradução inglesa)
- New AdventTomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 25 (tradução inglesa)

