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Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: no alto de um monte, Jesus em vestes brancas e luminosas conversa com dois homens de barba, enquanto três discípulos caem por terra cobrindo os olhos.

Os santos estão conscientes no Céu?

A Bíblia chama a morte de sono. Mas o mesmo Novo Testamento mostra quem morreu em Cristo vivo, junto dele, e consciente.

14 min de leitura

Imagem gerada por IA: A transfiguração (Mt 17,1-8): Moisés e Elias conversam com Jesus, em estilo de pintura renascentista

A resposta curta

Sim. Quando a Bíblia diz que os mortos "dormem", fala da morte vista de fora: o corpo que repousa à espera da ressurreição. A alma de quem morre em Cristo continua viva e consciente; a dos santos já está junto dele, como mostram a promessa ao bom ladrão (Lc 23,43), o desejo de Paulo de "partir e estar com Cristo" (Fp 1,23) e os mártires que clamam no Apocalipse (Ap 6,9-11). Para a Igreja, é doutrina definida.

A objeção

O que se costuma dizer

Quando alguém morre, deixa de ter consciência. A Bíblia é clara: "os mortos não sabem coisa alguma" (Ec 9,5). Paulo chama os falecidos de "os que dormem" (1Ts 4,13), e Jesus disse que Lázaro "dorme" (Jo 11,11). Ninguém está no Céu agora, louvando a Deus ou sabendo o que acontece aqui. Os mortos esperam, sem perceber nada, a ressurreição no fim dos tempos. Por isso não faz sentido dizer que os santos estão vivos e conscientes junto de Deus.

É assim que a objeção costuma chegar. Ela se apoia em versículos verdadeiros e merece uma resposta com o texto na mão, sem pressa.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa ideia?

Essa leitura é chamada de "sono da alma". Hoje, ideias desse tipo são ensinadas sobretudo por dois grupos.

Os adventistas do sétimo dia dizem, na crença número 26: "Até aquele dia, a morte é um estado inconsciente para todas as pessoas" ("aquele dia" é a volta de Cristo). Entre os textos que eles citam estão Eclesiastes 9,5-6 e 9,10, João 11,11-14 e 1 Tessalonicenses 4,13-17. As Testemunhas de Jeová vão além: o site oficial delas, em português, diz que "quando morremos, nós deixamos de existir", com base em Eclesiastes 9,5 e no Salmo 146,4.

A ideia não é nova. No século XVI, alguns grupos anabatistas defendiam que a alma dorme entre a morte e a ressurreição. Um reformador protestante escreveu contra eles: João Calvino, que em 1534 compôs um tratado inteiro para mostrar, pela Escritura, que os fiéis falecidos estão em comunhão consciente com Cristo. Em 1647, a Confissão de Westminster, das igrejas presbiterianas, disse que as almas, depois da morte, "não morrem nem dormem" e voltam logo para Deus, citando Lucas 23,43. Ou seja, o sono da alma não é a leitura católica, nem foi a de Calvino ou dos presbiterianos.

Adventistas e católicos têm algo importante em comum: esperam a ressurreição dos corpos no último dia. As Testemunhas de Jeová também falam de ressurreição, mas a entendem como uma nova criação de quem teria deixado de existir. A diferença está no que acontece entre a morte e a ressurreição.

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

A questão não é se a Bíblia chama a morte de sono. Chama, e a Igreja também chama. A pergunta honesta é outra: quando o Novo Testamento diz que alguém "dorme", descreve o estado da alma ou o corpo que espera a ressurreição? E logo depois: o que dizem os textos que falam diretamente de quem morreu em Cristo?

Se os santos ouvem as nossas orações e como isso acontece é assunto de outra aula: Os mortos ouvem as nossas orações?. Aqui a pergunta é anterior: eles estão vivos e conscientes?

O que diz a Bíblia

O que a Bíblia diz sobre quem morreu em Cristo?

O "sono" é a morte vista de fora

O próprio Jesus explica a imagem, quando fala do amigo que tinha acabado de morrer:

Lázaro, nosso amigo, dorme; mas eu vou acordá-lo. [...] Então Jesus lhes disse claramente: Lázaro morreu. (Jo 11,11.14)

Os discípulos entenderam errado, e Jesus traduziu: "dorme" quer dizer "morreu". A imagem diz que a morte, para quem é de Cristo, é passageira como o sono; não diz que a alma fica desligada.

Veja como o mesmo verbo aparece na morte de Estêvão, o primeiro mártir:

Enquanto o apedrejavam, Estêvão invocava o Senhor, dizendo: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. Depois, de joelhos, gritou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado. E, dizendo isso, adormeceu. (At 7,59-60)

Na mesma cena, o espírito de Estêvão é entregue a Jesus, e ele "adormece". Em outro lugar, Mateus diz com todas as letras o que é que dorme: "muitos corpos dos santos que dormiam ressuscitaram" (Mt 27,52).

O verbo grego é koimáomai, dormir. Dele os primeiros cristãos tiraram o nome dos lugares onde enterravam os seus mortos: koimētérion, dormitório. É de onde vem a nossa palavra cemitério.

O que os textos dizem sobre o depois

Na cruz, um dos condenados pede a Jesus:

Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino. Ele lhe respondeu: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23,42-43)

O homem pede para ser lembrado no futuro; Jesus responde com "hoje". A tradução das Testemunhas de Jeová põe a vírgula depois de "hoje", ligando a palavra ao "digo". É verdade que os manuscritos antigos não tinham vírgulas. Mas Jesus usa a fórmula "Em verdade vos digo" (ou "te digo") dezenas de vezes nos Evangelhos, e em nenhuma outra delas diz "eu te digo hoje": o que vem depois da fórmula é sempre o que ele anuncia. Além disso, em Lucas, "hoje" é a palavra da salvação que chega já: "hoje vos nasceu um Salvador" (Lc 2,11), "hoje se cumpriu esta Escritura" (Lc 4,21), "hoje a salvação chegou a esta casa" (Lc 19,9).

Paulo, preso e sem saber se seria executado, escreve:

Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. [...] Fico apertado entre as duas coisas: tenho o desejo de partir e estar com Cristo, o que é muito, muito melhor; mas ficar na carne é mais necessário por causa de vós. (Fp 1,21.23-24)

Paulo compara continuar trabalhando aqui com "partir e estar com Cristo". Se morrer fosse apagar até o fim dos tempos, ele não chamaria isso de estar com Cristo, nem de "muito melhor". Na Segunda Carta aos Coríntios, a ideia é a mesma: preferimos "deixar a morada do corpo e ir morar junto do Senhor" (2Cor 5,8).

No Apocalipse, João vê os mártires:

Quando [o Cordeiro] abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido imolados por causa da palavra de Deus e do testemunho que mantinham. E clamaram em alta voz: Até quando, Soberano santo e verdadeiro, não farás justiça nem vingarás o nosso sangue contra os habitantes da terra? A cada um deles foi dada uma veste branca, e lhes foi dito que repousassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos seus companheiros de serviço e dos seus irmãos que iam ser mortos como eles. (Ap 6,9-11)

O Apocalipse fala por imagens, e é preciso lê-lo assim. Mas o que a imagem ensina é claro: antes do fim, com a perseguição ainda acontecendo na terra, as almas dos mártires falam, sabem que a história continua e recebem resposta de Deus. E repare: na mesma cena em que eles clamam (v. 10), lhes é dito que "repousem" ainda um pouco (v. 11). Repouso não é inconsciência.

Na transfiguração, Moisés, que tinha morrido (Dt 34,5), e Elias aparecem "conversando" com Jesus (Mt 17,3); Lucas diz que "apareceram em glória e falavam da partida dele, que ele ia cumprir em Jerusalém" (Lc 9,31). Há quem lembre que Jesus chama a cena de "visão" (Mt 17,9). A palavra grega (hórama) quer dizer "o que se viu". Lucas conta que os discípulos, bem acordados, viram a glória de Jesus e os dois homens com ele (Lc 9,32), e Pedro lembra que foram testemunhas oculares (2Pd 1,16-18).

Jesus também resumiu tudo numa frase, discutindo com quem negava a ressurreição: Deus "não é Deus de mortos, mas de vivos, pois para ele todos vivem" (Lc 20,38). E avisou: "Não tenhais medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma" (Mt 10,28). A Carta aos Hebreus diz aos cristãos que eles já se aproximaram da Jerusalém celeste e "dos espíritos dos justos que chegaram à perfeição" (Hb 12,23). O Livro da Sabedoria, que os católicos recebem na Bíblia, diz o mesmo de outro jeito: "As almas dos justos estão nas mãos de Deus [...]. Aos olhos dos insensatos pareceram morrer, [...] mas eles estão em paz" (Sb 3,1-3).

E Eclesiastes 9,5?

Os vivos sabem que vão morrer, mas os mortos não sabem coisa alguma e já não têm recompensa, porque a lembrança deles foi esquecida. Seu amor, seu ódio e sua inveja já acabaram, e nunca mais terão parte em nada do que se faz debaixo do sol. (Ec 9,5-6)

O Eclesiastes olha a vida "debaixo do sol", isto é, do ponto de vista deste mundo, e mostra os seus limites. Do lado de cá, o morto não participa de mais nada e é esquecido. Se o versículo fosse uma descrição completa do além, provaria demais: o versículo 6 diz que os mortos não terão parte em nada "nunca mais", e o hebraico reforça, "nunca mais, para sempre" (ʿôd lǝʿôlām). Lido assim, o texto negaria também a ressurreição, em que adventistas e Testemunhas de Jeová creem, cada um a seu modo. O mesmo livro termina dizendo que, na morte, "o pó volta à terra, como era, e o espírito volta a Deus, que o deu" (Ec 12,7). A revelação sobre o além foi crescendo ao longo da Bíblia, e é em Cristo que ela fica clara.

E 1 Tessalonicenses 4?

Não queremos, irmãos, que fiqueis sem saber o que acontece com os que dormem, para que não vos entristeçais como os outros, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, por meio de Jesus, levará com ele os que adormeceram. (1Ts 4,13-14)

Os cristãos de Tessalônica temiam que os irmãos falecidos perdessem a vinda do Senhor. Paulo responde com a ressurreição, usando a imagem de sempre, o sono. Ele não descreve aqui o estado da alma; garante que os mortos vão ressuscitar. O mesmo Paulo, quando fala do que acontece logo depois da morte, diz que é "estar com Cristo". As duas coisas cabem juntas: o corpo repousa à espera da ressurreição, e a pessoa vive junto do Senhor.

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego e do hebraico; Sabedoria, a partir do grego da Septuaginta. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: João 11, Atos 7, Lucas 23, Lucas 2, Lucas 4, Lucas 19, Filipenses 1, Apocalipse 6, Lucas 9, 2 Pedro 1, Lucas 20, Hebreus 12, Sabedoria 3, Eclesiastes 9, Eclesiastes 12 e 1 Tessalonicenses 4.

Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: debaixo de um grande altar dourado sobre as nuvens, homens e mulheres de túnicas simples erguem as mãos enquanto anjos os vestem com roupas brancas.
Imagem gerada por IA: As almas dos mártires debaixo do altar recebem vestes brancas (Ap 6,9-11), em estilo de pintura barroca

O que diziam os primeiros cristãos

O que diziam os primeiros cristãos?

Clemente de Roma, por volta de 96. Na carta que a Igreja de Roma mandou aos coríntios, Clemente lembra os apóstolos mortos poucas décadas antes. De Pedro, diz que, depois de dar o seu testemunho, "foi para o lugar de glória que lhe era devido"; de Paulo, que deixou o mundo e "foi levado para o lugar santo" (Primeira Carta de Clemente 5,4.7). Nada de sono: os dois partiram para junto de Deus.

Ireneu de Lyon, por volta de 180. Comentando a história do rico e de Lázaro (Lc 16,19-31), Ireneu conclui que o Senhor ensinou que as almas continuam a existir depois da morte e guardam a lembrança do que fizeram nesta vida (Contra as Heresias II,34,1).

Cipriano de Cartago, por volta de 252. Durante uma peste que matava muita gente em Cartago, o bispo consola o seu povo:

Lá nos espera um grande número de pessoas queridas; uma multidão de pais, irmãos e filhos deseja a nossa chegada, já segura da própria salvação e ainda preocupada com a nossa. (A mortalidade 26)

Um ponto honesto. Os primeiros escritores não pensavam todos igual sobre onde as almas esperam e quando veem a Deus plenamente. Ireneu achava que as almas dos discípulos ficam num lugar invisível, preparado por Deus, até a ressurreição (Contra as Heresias V,31,2). No Diálogo com Trifão (5), de Justino, por volta de 155, o velho que leva Justino a Cristo diz que as almas dos justos ficam "num lugar melhor", à espera do juízo. Eles discutiam o lugar e o momento. Nenhum deles dizia que a alma fica apagada.

A frase de Clemente está em tradução nossa a partir do grego. As de Ireneu, Cipriano e Justino foram traduzidas ou resumidas a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina?

Aqui não se trata de opinião. Que a alma é imortal foi definido pelo V Concílio de Latrão, em 1513. Que as almas dos justos, já purificadas, veem a Deus antes da ressurreição foi definido pelo papa Bento XII, em 1336, na constituição Benedictus Deus, que o Catecismo cita no número 1023. Os trechos abaixo dizem o essencial:

[…] que é imortal, isto é, não morre quando, na morte, se separa do corpo; e que se unirá de novo ao corpo na ressurreição final.

Catecismo da Igreja Católica, n. 366

[…] um elemento espiritual, dotado de consciência e de vontade, de tal modo que o « eu humano » subsista.

Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre algumas questões respeitantes à Escatologia (1979), n. 3

[…] mesmo antes de ressuscitarem em seus corpos e do Juízo universal […] estiveram, estão e estarão no céu […]

Catecismo da Igreja Católica, citando Bento XII, Benedictus Deus (1336), n. 1023

Na glória do céu, os bem-aventurados continuam a cumprir com alegria a vontade de Deus, em relação aos outros homens e a toda a criação.

Catecismo da Igreja Católica, n. 1029

[…] de modo nenhum se interrompe a união dos que ainda caminham sobre a terra com os irmãos que adormeceram na paz de Cristo […]

Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, n. 49

Repare no último trecho. No mesmo número em que ensina que os santos "contemplam claramente Deus trino e uno, como Ele é", o Concílio diz que eles "adormeceram na paz de Cristo". Para a Igreja, falar da morte como sono e crer que os santos vivem junto de Deus nunca foram coisas opostas.

Também é bom dizer o que a Igreja não define. A mesma carta de 1979 lembra que nem a Escritura nem a teologia dão luz bastante para descrever como é a vida depois da morte, e pede cuidado com imaginações arbitrárias. Como os santos vivem o tempo, onde exatamente estão e de que modo conhecem o que se passa aqui são perguntas que a fé deixa em aberto. O que ela afirma é o essencial: quem morre em Cristo está vivo e é ele mesmo; quem ainda precisa ser purificado passa antes por essa purificação (Catecismo, n. 1030), e quem está purificado vê a Deus. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

Linha do tempo

Como a Igreja chegou a definir isso, em datas

O episódio de João XXII mostra duas coisas: a pergunta foi discutida com seriedade, e uma opinião pregada por um papa em sermão não é uma definição de fé. Quando a Igreja decidiu, em 1336, decidiu pela vida consciente dos santos junto de Deus.

  1. c. 96Primeira Carta de ClementeA Igreja de Roma escreve que Pedro, depois do martírio, foi para o lugar de glória, e Paulo, para o lugar santo.
  2. c. 180Ireneu de LyonEnsina que as almas continuam a existir e guardam a memória desta vida.
  3. c. 252Cipriano de CartagoNa peste, consola o povo: os nossos mortos em Cristo nos esperam e se preocupam conosco.
  4. 1331 a 1334A opinião de João XXIIEm sermões, o papa defende como opinião pessoal que os santos só veriam a Deus depois do juízo final, sem negar que estão conscientes. Teólogos de Paris discordam, e antes de morrer, em dezembro de 1334, ele retira a opinião.
  5. 1336Benedictus DeusBento XII define que as almas dos justos purificados veem a Deus face a face antes da ressurreição.
  6. 1513V Concílio de LatrãoCondena quem afirma que a alma é mortal, lembrando Mt 10,28.
  7. 1534Calvino contra o sono da almaO reformador escreve um tratado para mostrar que os fiéis falecidos estão em comunhão consciente com Cristo.
  8. 1979Carta sobre a EscatologiaA Congregação para a Doutrina da Fé reafirma que, depois da morte, subsiste um elemento espiritual dotado de consciência e vontade.

Lado a lado

A objeção e os textos, lado a lado

O que se dizO que o texto mostraOnde conferir
"Os mortos não sabem coisa alguma."O Eclesiastes fala do que se passa debaixo do sol; no mesmo livro, o espírito volta a Deus.Ec 9,5-6; 12,7
Paulo chama os mortos de "os que dormem".É a imagem da morte vista de fora. O mesmo Paulo diz que morrer é estar com Cristo.1Ts 4,13-14; Fp 1,23; 2Cor 5,8
Jesus disse que Lázaro dorme.E logo explicou: Lázaro morreu. A imagem fala da morte, não do estado da alma.Jo 11,11-14
Ninguém está com Cristo antes da ressurreição.Jesus promete ao condenado arrependido: hoje estarás comigo.Lc 23,43
Os mártires dormem até o fim.As almas dos mártires clamam e recebem resposta antes do fim.Ap 6,9-11

Os frutos

Que diferença isso faz na vida?

Faz diferença no luto. Paulo escreveu 1 Tessalonicenses 4 justamente para que os cristãos não ficassem tristes "como os outros, que não têm esperança". Quem perde alguém que morreu em Cristo pode rezar sabendo que essa pessoa está viva, e que a família vai se reencontrar, de corpo inteiro, na ressurreição.

Faz diferença na oração. A Igreja reza pelos mortos e celebra os santos porque eles continuam a ser pessoas, e não lembranças. A carta de 1979 diz que a Igreja exclui toda forma de pensar que tornaria absurdos a sua oração, os seus ritos fúnebres e o culto dos mortos.

E faz diferença na conversa com quem pensa diferente. Com os irmãos adventistas, concordamos de coração na esperança da ressurreição do corpo. Com eles e com as Testemunhas de Jeová, vale ler juntos, devagar, Lucas 23, Filipenses 1 e Apocalipse 6, e perguntar o que esses textos dizem sobre quem já partiu.

Para guardar

Na Bíblia, quem "dorme" é o corpo, à espera da ressurreição. A alma de quem morre em Cristo continua viva e consciente, e a dos santos já está com ele: "hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23,43).

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Em João 11, o que Jesus explica logo depois de dizer que Lázaro "dorme"?

  2. 2. O que Jesus promete ao condenado arrependido, em Lucas 23,43?

  3. 3. O que Paulo deseja em Filipenses 1,23?

  4. 4. Que documento de 1336 definiu que as almas dos justos purificados veem a Deus antes da ressurreição?

  5. 5. De onde vem a palavra "cemitério"?

Perguntas frequentes

O que é o "sono da alma"?

É a ideia de que, entre a morte e a ressurreição, a pessoa fica sem consciência nenhuma. Hoje é ensinada pelos adventistas do sétimo dia; as Testemunhas de Jeová dizem que, ao morrer, a pessoa deixa de existir, e que Deus a recriará na ressurreição. A Igreja Católica, os ortodoxos e a maior parte dos protestantes ensinam que a alma de quem morre continua viva e consciente.

Eclesiastes 9,5 não prova que os mortos ficam inconscientes?

Não. O Eclesiastes descreve a vida "debaixo do sol", do ponto de vista deste mundo: o morto já não participa de nada aqui e é esquecido. Lido como descrição do além, o versículo diria também que os mortos não têm recompensa nenhuma, o que nenhum cristão aceita. O mesmo livro diz que, na morte, o espírito volta a Deus (Ec 12,7).

A vírgula de Lucas 23,43 muda o sentido?

Os manuscritos antigos não tinham vírgulas, e a tradução das Testemunhas de Jeová liga o "hoje" ao "digo". Mas Jesus usa a fórmula "Em verdade te digo" dezenas de vezes nos Evangelhos, e em nenhuma outra delas diz "eu te digo hoje". Além disso, Lucas usa "hoje" para a salvação que chega já (Lc 2,11; 4,21; 19,9). O sentido natural é: hoje estarás comigo no paraíso.

Se a alma já está com Deus, para que a ressurreição?

Porque o ser humano é corpo e alma, e Deus quer salvar a pessoa inteira. Na morte, a alma se separa do corpo e espera para se unir de novo a ele, glorificado, no último dia (Catecismo, n. 997). A ressurreição completa o que começa na morte.

Os santos sabem o que acontece na terra?

O Apocalipse mostra os mártires sabendo que a perseguição continua (Ap 6,10), e o Catecismo diz que os bem-aventurados continuam a cumprir a vontade de Deus em relação aos outros homens (n. 1029). Como eles conhecem as coisas daqui a Igreja não define; o tema é tratado na aula sobre se os mortos ouvem as nossas orações.

Calvino acreditava no sono da alma?

Não. Em 1534, Calvino escreveu um tratado inteiro contra essa ideia, defendida por alguns anabatistas, para mostrar pela Escritura que os fiéis falecidos estão em comunhão consciente com Cristo.

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 366
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 997, 1023, 1029 e 1030
  3. VaticanoCongregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre algumas questões respeitantes à Escatologia (1979)
  4. VaticanoConcílio Vaticano II, Lumen Gentium, n. 49
  5. Igreja Adventista do Sétimo DiaNossas crenças, 26: Morte e Ressurreição
  6. JW.orgO que acontece quando morremos?
  7. JW.orgA ressurreição: esperança segura para seus entes queridos falecidos (Jeová pode "recriar a vida")
  8. CCELPhilip Schaff, History of the Christian Church, vol. 8, § 77: Calvino e o sono da alma (1534)
  9. CCELConfissão de Westminster (1647), capítulo 32 (inglês e latim, em Schaff, Creeds of Christendom)
  10. BKV (Universidade de Friburgo)Primeira Carta de Clemente, 5 (texto grego, edição Loeb)
  11. New AdventPrimeira Carta de Clemente (tradução inglesa)
  12. New AdventIreneu de Lyon, Contra as Heresias, II,34 (tradução inglesa)
  13. New AdventIreneu de Lyon, Contra as Heresias, V,31 (tradução inglesa)
  14. New AdventJustino, Diálogo com Trifão, 1 a 9 (tradução inglesa)
  15. New AdventCipriano de Cartago, A mortalidade (tradução inglesa)
  16. Catholic EncyclopediaBento XII e a bula Benedictus Deus (1336)
  17. Catholic EncyclopediaJoão XXII e a controvérsia sobre a visão beatífica
  18. Catholic EncyclopediaCemeteries: a palavra koimētérion
  19. Papal EncyclicalsV Concílio de Latrão, sessão 8 (19 de dezembro de 1513)
  20. Bible HubLucas 23,43 no grego
  21. Bible HubEclesiastes 9,5 no hebraico
  22. ElpenorSabedoria 3 no grego da Septuaginta
  23. Bible HubEclesiastes 9,6 no hebraico
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