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Imagem gerada por IA: no alto de um monte rochoso, sob uma nuvem escura com fogo e relâmpagos, Moisés, idoso e de barba, segura junto ao peito duas tábuas de pedra lisas; lá embaixo, as tendas do acampamento no deserto.

Êxodo 20 proíbe as imagens?

O mandamento proíbe os ídolos e qualquer figura que pretenda mostrar o Deus invisível. Quando o Filho de Deus se fez homem, o Deus invisível passou a ter um rosto humano.

14 min de leitura

Imagem gerada por IA: Moisés com as duas tábuas da Lei no monte Sinai (Êx 31,18), em estilo de pintura barroca

A resposta curta

Não toda imagem. O mandamento proíbe ter outros deuses, fazer ídolos para adorar e dar forma ao Deus invisível, que no Sinai não mostrou figura nenhuma (Dt 4,15). O mesmo livro do Êxodo traz Deus mandando fazer querubins de ouro, e, quando o Filho se fez homem, o Deus invisível passou a ter um rosto que se pode representar (Catecismo, n. 2129 a 2132).

A objeção

O que se costuma dizer

O mandamento é claro e não abre exceção:

Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima, nos céus, ou embaixo, na terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas nem as servirás. (Êx 20,4-5)

Deus proibiu as imagens, e ponto. Mesmo assim, as igrejas católicas estão cheias de estátuas, quadros e vitrais, e os fiéis se ajoelham diante deles, acendem velas e saem com eles em procissão. E, para que ninguém perceba a contradição, a Igreja tirou esse mandamento da lista do catecismo e dividiu outro em dois, para continuar com dez.

Quem fala assim, em geral, conhece a Bíblia e quer guardar a honra de Deus. A objeção merece ser lida com o texto aberto.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa leitura?

A pergunta é antiga. Em 726, segundo a Enciclopédia Católica, o imperador bizantino Leão III publicou um decreto que declarava as imagens ídolos proibidos por Êxodo 20,4-5 e mandava destruir as que estavam nas igrejas (a data e o texto do decreto são discutidos; muitos historiadores ligam a medida formal a 730). Começou ali a crise chamada iconoclasta (de "quebrar imagens"), que durou mais de um século e levou a Igreja a reunir o segundo Concílio de Niceia, em 787. O que o concílio definiu sobre a veneração está na aula O que são latria, dulia e hiperdulia?.

Na Reforma do século XVI, a questão voltou. Em Zurique, no verão de 1524, por ordem do conselho da cidade, quadros e estátuas foram tirados das igrejas e destruídos. João Calvino escreveu nas Institutas que não era supersticioso a ponto de condenar toda representação, porque a escultura e a pintura são dons de Deus; o que ele rejeitava era dar forma visível a Deus e manter imagens nos templos (I,11,12-13). O Catecismo de Heidelberg, de 1563, das igrejas reformadas, resume assim: Deus não pode nem deve ser representado de modo algum; as criaturas podem, mas não para serem adoradas nem para servir a Deus por meio delas (perguntas 96 a 98).

E a acusação de que a Igreja "tirou" um mandamento? A Bíblia não numera os mandamentos, e os cristãos os dividiram de dois jeitos. O Catecismo explica que segue a divisão de Santo Agostinho, que é também a das confissões luteranas; os padres gregos dividiram de outro modo, seguido pelas Igrejas ortodoxas e pelas comunidades reformadas (n. 2066). Na divisão de Agostinho, "não farás imagem" faz parte do primeiro mandamento, e é ali que o Catecismo trata do assunto, sob o título "Não farás para ti nenhuma imagem esculpida" (n. 2129 a 2132). Um detalhe mostra que a numeração não decide nada: as Igrejas ortodoxas contam as imagens como um mandamento à parte e são conhecidas justamente pelos seus ícones. A história da numeração fica para a aula A Igreja mudou os Dez Mandamentos?

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

Ninguém discute que o mandamento existe nem que é sério. A Igreja Católica o ensina como palavra de Deus e chama de idolatria honrar uma criatura no lugar de Deus (Catecismo, n. 2113).

A pergunta é o que ele proíbe. Há três leituras possíveis:

  • toda imagem, de qualquer coisa e em qualquer lugar (aí estariam proibidas também as fotos de família e as ilustrações de uma Bíblia infantil);
  • toda imagem no lugar de culto, como pensavam Calvino e o Catecismo de Heidelberg;
  • os ídolos, isto é, as imagens feitas para serem adoradas como deuses ou para representar o próprio Deus.

A pergunta honesta, então, é esta: o que Deus proibiu no Sinai, e o que mudou quando o Deus invisível se fez visível em Jesus Cristo? Para responder, é preciso ler o mandamento inteiro, com o que vem antes e com o que vem depois.

O que diz a Bíblia

O que o mandamento diz, lido inteiro?

Primeiro, o texto com o começo, que costuma ficar de fora:

Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima, nos céus, ou embaixo, na terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas nem as servirás, porque eu, o Senhor, teu Deus, sou um Deus zeloso. (Êx 20,2-5)

Três coisas aparecem no próprio texto. O mandamento começa dizendo quem Deus é e proibindo "outros deuses". A palavra hebraica traduzida por "imagem esculpida", pésel, vem do verbo que quer dizer talhar e é a palavra usada para as imagens de culto, os ídolos; os judeus que traduziram a Lei para o grego, na versão chamada Septuaginta, puseram aqui eídolon, de onde vem a palavra "ídolo". E os dois verbos do versículo 5, prostrar-se e servir, são a linguagem do culto: o mandamento liga o fazer ao adorar.

O Deuteronômio explica a razão, lembrando o dia em que Deus deu a Lei no monte Horeb, outro nome do Sinai:

Cuidai bem de vós mesmos: já que não vistes forma nenhuma no dia em que o Senhor vos falou no Horeb, do meio do fogo, não vos corrompais fazendo para vós uma imagem esculpida com a forma de qualquer figura, imagem de homem ou de mulher. [...] E não aconteça que, levantando os olhos para o céu e vendo o sol, a lua e as estrelas, todo o exército do céu, te deixes arrastar a te prostrares diante deles e a servi-los. (Dt 4,15-16.19)

Aí estão as duas razões. Israel não viu forma nenhuma de Deus; por isso, qualquer figura que pretendesse mostrá-lo seria falsa. E as criaturas, por mais belas que sejam, como o sol e as estrelas, não podem receber o culto que é de Deus.

A primeira transgressão grave depois do Sinai mostra o que o mandamento queria evitar. Enquanto Moisés estava no monte, o povo pressionou Aarão, e ele fez um bezerro:

Ele recebeu o ouro das mãos deles, deu-lhe forma com o buril e fez dele um bezerro de metal fundido. E disseram: "Estes são os teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito". Vendo isso, Aarão construiu um altar diante dele e proclamou: "Amanhã é festa para o Senhor". (Êx 32,4-5)

A festa foi proclamada "para o Senhor", o nome do Deus verdadeiro, e no dia seguinte o povo ofereceu sacrifícios (Êx 32,6). Por isso muitos intérpretes, judeus e cristãos, entendem que o pecado foi dar forma ao Deus que os tirou do Egito e adorá-lo naquela figura: exatamente o que o Deuteronômio proíbe.

Mas o mesmo livro do Êxodo, cinco capítulos depois dos Dez Mandamentos, traz Deus mandando fazer figuras: "Farás dois querubins de ouro" (Êx 25,18), sobre a arca da aliança, no lugar mais sagrado do culto de Israel. Se o mandamento proibisse toda imagem, o texto se contradiria em poucas páginas. Esse ponto tem aula própria: Por que Deus mandou fazer querubins e a serpente de bronze?

E há uma novidade que o Antigo Testamento esperava sem conhecer. O Deus que no Sinai não mostrou forma nenhuma se fez homem:

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, glória como do Filho único que vem do Pai, cheio de graça e de verdade. [...] Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que é Deus e está no seio do Pai, foi quem o deu a conhecer. (Jo 1,14.18)

Paulo diz que Cristo "é a imagem (eikón) do Deus invisível" (Cl 1,15), e Jesus responde a Filipe: "Quem me viu, viu o Pai" (Jo 14,9). Compare duas frases. Moisés disse ao povo: "não vistes forma nenhuma" (Dt 4,15). João escreve:

O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram, a respeito do Verbo da vida. (1Jo 1,1)

Esses textos não falam de pintura nem de escultura. Mas é deles que a Igreja tira a consequência: o Deus que não podia ser representado, porque não tinha mostrado forma, passou a ter um rosto humano, visto e tocado. Representar Jesus Cristo não é inventar uma figura para Deus; é lembrar o rosto que Ele mesmo mostrou.

Os versículos estão em tradução nossa, a partir do hebraico (Êxodo e Deuteronômio) e do grego (João e Colossenses). Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Êxodo 20, Deuteronômio 4, Êxodo 32, Êxodo 25, João 1, Colossenses 1, João 14 e 1 João 1.

O que a história mostra

Os primeiros cristãos tinham imagens?

Se os primeiros cristãos lessem Êxodo 20 como proibição de toda figura, não haveria pinturas cristãs antigas. Elas existem.

Nas catacumbas de Roma. As catacumbas eram cemitérios subterrâneos. A de São Calisto, na Via Ápia, tem galerias do fim do século II; o papa Zeferino (199 a 217) entregou a administração do cemitério a Calisto, que depois seria papa. Ali, os chamados cubículos dos sacramentos, pequenas salas com pinturas do batismo e da Eucaristia que estão entre as mais antigas das catacumbas. Na catacumba de Priscila, na Via Salária, está a mais antiga representação conhecida de Maria com o Menino, do fim do século II ou da primeira metade do III (a data é discutida), ao lado de um profeta que aponta uma estrela, em geral identificado como Balaão (Nm 24,17); a Enciclopédia Católica vê nele Isaías. As catacumbas foram redescobertas aos poucos a partir de 31 de maio de 1578, quando um acidente abriu uma galeria na Via Salária.

Em Dura-Europos, na Síria. Nessa cidade de fronteira do Império Romano, uma casa foi transformada em igreja por volta do ano 240. Quando os arqueólogos da Universidade Yale a escavaram, em janeiro e fevereiro de 1932, acharam o batistério pintado: Cristo como Bom Pastor sobre a pia batismal e, nas outras paredes, cenas que os estudiosos leem como a samaritana no poço, Jesus andando sobre as águas, a cura do paralítico e as mulheres indo ao túmulo na manhã da Ressurreição. Pouco depois, no último cerco da cidade pelos persas sassânidas, em 256, os defensores amontoaram terra contra a muralha, e esse aterro soterrou as pinturas e as preservou. As pinturas estão hoje na galeria de arte da Universidade Yale.

O que isso mostra, e o que não mostra. As pinturas não provam que os cristãos daquele tempo honravam as imagens do mesmo modo que os católicos de hoje; os costumes se desenvolveram com os séculos. O que elas mostram é que os cristãos dos séculos II e III, que morriam por não oferecer incenso aos ídolos (veja O catolicismo misturou crenças pagãs?), não viam no mandamento uma proibição de pintar Cristo e as cenas da Bíblia, nem mesmo num batistério, onde se celebrava um sacramento.

Imagem gerada por IA: numa câmara subterrânea iluminada por lamparinas de barro, um pintor ajoelhado sobre uma tábua pinta no teto um jovem pastor com uma ovelha nos ombros, enquanto um ajudante segura a luz.
Imagem gerada por IA: Cena imaginada: um pintor cristão do século III decora uma catacumba de Roma com o Bom Pastor, tema frequente nas pinturas cristãs mais antigas, em estilo de pintura renascentista

O que diziam os primeiros cristãos

O que diziam os pastores da Igreja antiga?

Nem todos pensavam igual, e é honesto mostrar isso.

O sínodo de Elvira, por volta do ano 300. Num concílio regional da Espanha, perto de Granada, os bispos decidiram, no cânon 36, que não houvesse pinturas na igreja, "para que não se pinte nas paredes aquilo que é cultuado e adorado". O sentido do cânon é discutido: uns veem nele uma cautela contra a profanação pelos pagãos, outros uma rejeição das pinturas por princípio. A Enciclopédia Católica observa que ele teve pouco efeito, porque no século IV já havia pinturas sagradas também na Espanha.

Gregório Magno, entre 599 e 601. O exemplo mais claro de equilíbrio vem de um papa. Sereno, bispo de Marselha, viu alguns fiéis adorando imagens e mandou quebrá-las. Gregório lhe escreveu:

Louvamos o teu zelo para que nada feito por mãos humanas seja adorado; mas te fazemos saber que não devias ter quebrado essas imagens. Porque a pintura é usada nas igrejas para que os que não sabem ler possam ao menos ler, olhando as paredes, o que não conseguem ler nos livros. (Cartas IX,105)

Sereno chegou a duvidar de que a carta fosse mesmo do papa, e Gregório voltou ao assunto:

Uma coisa é adorar uma pintura, outra é aprender, pela história pintada, o que se deve adorar. (Cartas XI,13)

Na mesma carta, Gregório manda mostrar ao povo, pela Escritura, que não é lícito adorar nada feito por mãos humanas, porque está escrito: "Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás" (Lc 4,8). Está aí a leitura católica do mandamento, em poucas linhas: as imagens ficam; a adoração é só de Deus.

João Damasceno, por volta de 730. Quando o imperador Leão III mandou tirar as imagens das igrejas, esse monge do mosteiro de São Saba, perto de Jerusalém, respondeu com o argumento da Encarnação: antes, Deus não tinha corpo nem figura e não podia ser representado; depois que se fez ver na carne, pode-se fazer imagem do que dele se viu. O Catecismo cita esse trecho, logo abaixo.

Tertuliano, por volta de 207, já explicava que a razão da proibição era impedir a idolatria; o texto dele está na aula Por que Deus mandou fazer querubins e a serpente de bronze?.

O cânon de Elvira e as cartas de Gregório foram traduzidos a partir das versões inglesas indicadas nas fontes; a numeração das cartas é a da coleção inglesa citada, e outras edições numeram de outro modo.

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina sobre o mandamento?

O Catecismo trata das imagens dentro do primeiro mandamento. Começa reconhecendo o que o texto proíbe e depois explica o que mudou com a vinda de Cristo:

Esta imposição divina comportava a interdição de qualquer representação de Deus feita pela mão do homem.

Catecismo da Igreja Católica, n. 2129

Encarnando, o Filho de Deus inaugurou uma nova «economia» das imagens.

Catecismo da Igreja Católica, n. 2131

[…] agora, que Ele se fez ver na carne e viveu no meio dos homens, eu posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus […]

Catecismo da Igreja Católica, citando São João Damasceno, n. 1159

O culto das imagens sagradas funda-se no mistério da encarnação do Verbo de Deus. E não é contrário ao primeiro mandamento.

Catecismo da Igreja Católica, n. 2141

O trecho de João Damasceno, no número 1159, é o centro da resposta católica: a proibição de representar Deus valia porque Deus não tinha mostrado forma, e a Encarnação mudou isso. Por isso o Catecismo diz, no mesmo número, que a imagem sagrada "representa principalmente Cristo" e que não pode representar "o Deus invisível e incompreensível".

Repare que a Igreja não diz que o mandamento caducou. A idolatria continua proibida, e o Catecismo a define como divinizar o que não é Deus (n. 2113). O que ela afirma é que a imagem de Cristo e dos santos não é um ídolo, porque não é tratada como deus nem pretende mostrar o Deus invisível. Como se distingue a veneração da adoração é tema de O que são latria, dulia e hiperdulia? e de Beijar uma imagem é idolatria?. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

Lado a lado

A objeção e o texto, lado a lado

O que se dizO que o texto mostraOnde conferir
Êxodo 20 proíbe toda imagem.Proíbe os ídolos e a representação do Deus invisível; o mesmo Êxodo manda fazer querubins de ouro.Êx 20,3-5; Dt 4,15-19; Êx 25,18
A Igreja tirou o mandamento das imagens.Segue a divisão de Agostinho, a mesma das confissões luteranas, e trata das imagens dentro do primeiro mandamento.Catecismo, n. 2066 e 2129 a 2132
Os primeiros cristãos não tinham imagens.Há pinturas cristãs nas catacumbas de Roma desde o fim do século II ou o começo do III, e em Dura-Europos por volta de 240.Catacumbas de Priscila e de São Calisto; Universidade Yale
Imagem sempre acaba em idolatria.Pode haver abuso, e a Igreja o combate; Gregório Magno mandou impedir a adoração sem quebrar as imagens.Gregório Magno, Cartas IX,105 e XI,13
Deus não pode ser representado.É verdade quanto ao Deus invisível; mas o Filho se fez homem e mostrou um rosto.Jo 1,14.18; Cl 1,15; Catecismo, n. 1159

Os frutos

O que esse mandamento pede de nós hoje?

O mandamento continua de pé, e vale para todos. Ele lembra que nada criado pode ocupar o lugar de Deus: nem uma estátua, nem o dinheiro, nem o poder, nem a imagem que fazemos de nós mesmos. O Catecismo diz que a idolatria "continua a ser uma tentação constante para a fé" (n. 2113).

Para o católico, a imagem de Cristo, de Maria ou de um santo é uma janela, não um destino: ajuda a lembrar, a rezar e a imitar, mas não tem poder próprio. Onde alguém trata uma imagem como se ela fizesse milagres por si mesma, cabe à própria Igreja corrigir, como fez Gregório Magno.

Com um irmão evangélico, há muito em comum para começar: os dois creem que só Deus pode ser adorado, os dois sabem que nenhuma figura pode mostrar o Deus invisível como Ele é, e o próprio Calvino via na pintura e na escultura dons de Deus. A conversa pode partir daí. Se o Verbo se fez carne e habitou entre nós, lembrar o rosto de Cristo é um modo de confessar que Ele veio de verdade.

Para guardar

Êxodo 20 proíbe os ídolos e qualquer figura que pretenda mostrar o Deus invisível. Em Jesus, o Deus invisível passou a ter um rosto humano: "quem me viu, viu o Pai" (Jo 14,9).

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Que palavra hebraica Êxodo 20,4 usa para "imagem esculpida"?

  2. 2. Segundo Deuteronômio 4,15-16, por que Israel não devia fazer imagem de Deus?

  3. 3. Para quem Aarão proclamou a festa diante do bezerro de ouro?

  4. 4. O que o papa Gregório Magno disse ao bispo Sereno, que tinha quebrado as imagens das igrejas?

  5. 5. Segundo o Catecismo (n. 2131), o que inaugurou uma nova "economia" das imagens?

Perguntas frequentes

Êxodo 20 proíbe fazer qualquer imagem?

Não. O mandamento proíbe ter outros deuses, fazer ídolos para adorar e dar forma ao Deus invisível (Dt 4,15-19). O mesmo livro do Êxodo manda fazer querubins de ouro sobre a arca (Êx 25,18), e o Templo de Salomão tinha figuras esculpidas nas paredes (1Rs 6,29).

A Igreja Católica tirou o mandamento das imagens?

Não. Ela segue a divisão dos mandamentos de Santo Agostinho, a mesma das confissões luteranas, em que a proibição de fazer ídolos faz parte do primeiro mandamento. O Catecismo trata do tema nesse lugar, nos números 2129 a 2132, e explica a diferença de numeração no número 2066.

Pode-se fazer uma imagem de Deus?

Do Deus invisível, como Ele é em si, não: o Catecismo diz que a imagem sagrada não pode representar o Deus invisível e incompreensível (n. 1159). Mas o Filho de Deus se fez homem e foi visto e tocado; por isso se pode representar Jesus Cristo.

Os primeiros cristãos usavam imagens?

Usavam pinturas. Nas catacumbas de Roma há pinturas cristãs do fim do século II ou do começo do III, como Maria com o Menino na catacumba de Priscila, e em Dura-Europos, na Síria, um batistério de cerca de 240 tem Cristo como Bom Pastor. Houve também vozes de cautela, como o cânon 36 do sínodo de Elvira, por volta de 300.

E as pinturas de Deus Pai como um ancião de barba branca?

Elas não pretendem mostrar a natureza de Deus, que é invisível. Seguem a visão do profeta Daniel, que viu Deus como um “Ancião de dias”, de veste branca como a neve e cabelos como lã pura (Dn 7,9), e a Enciclopédia Católica explica que a arte cristã tirou dessa visão o modo de representar o Pai: é a imagem de uma visão, não um retrato. O Concílio de Trento pediu que, quando se pintam cenas da Escritura, se ensine ao povo que a divindade não é representada como se pudesse ser vista com os olhos do corpo (sessão XXV; resumo nosso). Por isso o Catecismo lembra que a imagem sagrada representa principalmente Cristo (n. 1159).

O que é iconoclasmo?

É a rejeição e a destruição das imagens sagradas; a palavra quer dizer "quebra de imagens". A crise mais conhecida começou no Império Bizantino por volta de 726 a 730, com o imperador Leão III, e só terminou no século IX. Na Reforma do século XVI houve destruição de imagens em várias cidades, como Zurique em 1524.

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2113, 2129 a 2132 e 2141
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1159 (João Damasceno)
  3. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2066 (a numeração dos mandamentos)
  4. VaticanoCatecismo da Igreja Católica (inglês), n. 1159 e a nota que identifica o trecho de João Damasceno (Sobre as imagens I,16)
  5. Bible HubÊxodo 20,4 no hebraico, palavra por palavra
  6. Blue Letter BibleÊxodo 20,4 na Septuaginta (eídolon)
  7. Catholic EncyclopediaIconoclasm: o decreto de Leão III em 726
  8. Catholic EncyclopediaVeneration of Images: o cânon 36 de Elvira, as catacumbas e Gregório Magno
  9. Catholic EncyclopediaUlrich Zwingli: a retirada das imagens em Zurique, em 1524
  10. Dicionário Histórico da SuíçaBildersturm: a retirada das imagens em Zurique, no verão de 1524
  11. Catholic EncyclopediaRoman Catacombs: a pintura de Maria com o Menino e o profeta na catacumba de Priscila
  12. Papal EncyclicalsConcílio de Trento, sessão XXV, decreto sobre as imagens (tradução inglesa)
  13. CCELJoão Calvino, Institutas, livro I, capítulo 11 (tradução inglesa)
  14. Christian Reformed ChurchCatecismo de Heidelberg (1563), perguntas 96 a 98 (em inglês)
  15. New AdventGregório Magno, Cartas IX,105, a Sereno de Marselha (tradução inglesa)
  16. New AdventGregório Magno, Cartas XI,13, a Sereno de Marselha (tradução inglesa)
  17. Catholic EncyclopediaAncient of Days: Daniel 7 e o modo de representar o Pai na arte cristã
  18. Universidade YaleDura-Europos: a casa-igreja cristã e as suas pinturas
  19. Turismo RomaCatacumbas de Priscila: Maria com o Menino e o profeta
  20. Turismo RomaCatacumbas de São Calisto: Zeferino, Calisto e os cubículos dos sacramentos
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