A resposta curta
Porque o mandamento não proíbe toda imagem: proíbe o ídolo, a figura que toma o lugar de Deus. As mesmas páginas que dão a Lei mandam pôr querubins de ouro sobre a arca e fazer a serpente de bronze, que Jesus compara à sua cruz (Jo 3,14). Quando o povo passou a oferecer incenso à serpente, o rei Ezequias a despedaçou (2Rs 18,4): o problema era a idolatria, não a figura.
A objeção
O que se costuma dizer
Os querubins e a serpente de bronze foram exceções. Deus mandou fazer cada um deles por ordem direta, para um fim específico, e ninguém os venerava. Isso não autoriza ninguém a fazer imagem de Maria ou dos santos. E a própria Bíblia mostra no que dá: a serpente de Moisés acabou virando ídolo, e o rei Ezequias, que fez o que era reto aos olhos de Deus, teve de quebrá-la. A regra é a proibição; as exceções só a confirmam.
É a resposta de quem já leu o Êxodo inteiro e sabe que os querubins estão lá. Por isso merece uma resposta igualmente cuidadosa.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa resposta?
Na aula Êxodo 20 proíbe as imagens? vimos que o mandamento proíbe os ídolos e qualquer figura que pretenda mostrar o Deus invisível. A objeção mais séria vem logo depois: e as figuras que o próprio Deus mandou fazer?
João Calvino tratou disso nas Institutas (I,11,3). Para ele, os querubins não provam nada a favor das imagens, ao contrário: com as asas abertas, cobriam o propiciatório (a tampa de ouro da arca) e escondiam Deus da vista, como sinal de que as imagens não servem para representar os mistérios divinos. E acrescentava que eles pertenciam à tutela da Lei antiga, um tempo de infância do povo de Deus que já passou. O Catecismo de Heidelberg, de 1563, cita justamente a serpente quebrada por Ezequias (2Rs 18,4-5) ao ensinar que Deus proíbe fazer ou ter imagens de criaturas para adorá-las ou para servir a Deus por meio delas (pergunta 97).
São argumentos sérios, e há neles uma parte de verdade: os querubins tinham um papel próprio na Antiga Aliança, e ninguém pensava que eles mostrassem o rosto de Deus. A resposta católica não precisa negar isso. Precisa mostrar o que essas figuras revelam sobre o sentido do mandamento.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
A pergunta não é se Deus pode abrir exceções à própria lei. É outra: as figuras que Deus mandou fazer contradizem o mandamento, ou mostram o que ele de fato proíbe? E, no caso da serpente: Ezequias a destruiu por ser uma imagem, ou porque o povo passou a tratá-la como deus?
Se o mandamento proibisse toda figura, Deus teria mandado Israel pecar no lugar mais sagrado do seu culto. Se proíbe o ídolo, tudo se encaixa: as figuras do santuário não recebiam culto, e a serpente só foi quebrada quando passou a receber incenso.
E a ordem direta? Uma ordem de Deus não transforma em bem o que o mandamento chama de pecado: se Deus mandou fazer essas figuras, é porque a figura, em si, não é o que Ele proibiu. E nem toda figura de Israel veio de ordem expressa: o trono de Salomão tinha dois leões junto aos braços e doze leões nos degraus, e o texto o descreve sem censura (1Rs 10,19-20). Por que as imagens de Cristo e dos santos também não são ídolos é o tema da aula Êxodo 20 proíbe as imagens?.
O que diz a Bíblia
O que a Bíblia conta dos querubins e da serpente?
Os querubins da arca. Poucos capítulos depois dos Dez Mandamentos, Deus dá a Moisés as instruções para a arca da aliança:
Farás dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. [...] Os querubins terão as asas estendidas para o alto, cobrindo com elas o propiciatório, com o rosto voltado um para o outro. [...] Ali me encontrarei contigo e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do testemunho, te direi tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel. (Êx 25,18.20.22)
Os querubins não ficavam num canto: ficavam sobre a arca, no ponto em que Deus prometia encontrar Moisés. E foi o que aconteceu: quando Moisés entrava na tenda, ouvia a voz que lhe falava "do meio dos dois querubins" (Nm 7,89). Havia querubins também tecidos nas cortinas da tenda e no véu do santuário (Êx 26,1.31). E o artista que fez essas peças não agiu por conta própria:
Vê: chamei pelo nome Besalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do espírito de Deus, de sabedoria, de entendimento e de conhecimento para toda espécie de trabalho, para criar desenhos e trabalhar em ouro, em prata e em bronze. (Êx 31,2-4)
O Templo de Salomão. Séculos depois, o Templo de Jerusalém repetiu e ampliou essas figuras:
No santuário interior fez dois querubins de madeira de oliveira, de dez côvados de altura. [...] E revestiu de ouro os querubins. Em todas as paredes da casa, ao redor, esculpiu figuras de querubins, de palmeiras e de flores abertas, por dentro e por fora. (1Rs 6,23.28-29)
Dez côvados são mais de quatro metros. O grande tanque de bronze do pátio, chamado Mar, se apoiava sobre doze bois de bronze (1Rs 7,25), e os suportes das bacias tinham leões, bois e querubins (1Rs 7,29). O livro das Crônicas conta que Davi entregou a Salomão a planta do Templo, com o "modelo do carro dos querubins de ouro" que cobriam a arca, e diz: "Tudo isso está num escrito da mão do Senhor, que me fez entender todas as obras do modelo" (1Cr 28,18-19). Quando a arca foi posta "sob as asas dos querubins", a nuvem encheu a casa, "porque a glória do Senhor enchia a casa do Senhor" (1Rs 8,6.11). O texto não traz nenhuma censura às figuras.
A serpente de bronze. No deserto, o povo murmurou contra Deus e contra Moisés, serpentes venenosas atacaram o acampamento, e o povo pediu a Moisés que intercedesse (Nm 21,4-7). A resposta de Deus:
E o Senhor disse a Moisés: "Faze para ti uma serpente abrasadora e põe-na sobre uma haste; todo aquele que for mordido e olhar para ela viverá". Moisés fez uma serpente de bronze e a pôs sobre a haste; e, quando uma serpente mordia alguém, este olhava para a serpente de bronze e vivia. (Nm 21,8-9)
Repare na ordem: "faze para ti". É a mesma expressão de Êxodo 20,4, "não farás para ti imagem". O livro da Sabedoria, que está no Antigo Testamento das Bíblias católicas, explica de onde vinha a cura:
Pois quem se voltava para ela era salvo, não pelo que via, mas por ti, o Salvador de todos. (Sb 16,7)
A cura não estava no bronze. Deus usava a figura como sinal; quem salvava era Ele. E Jesus retomou a cena para falar de si mesmo:
E assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é preciso que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. (Jo 3,14-15)
O fim da serpente. Muito tempo depois, no reino de Judá, o rei Ezequias fez uma reforma religiosa:
Ele fez o que é reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que tinha feito Davi, seu pai. Foi ele quem suprimiu os lugares altos, quebrou as colunas sagradas, cortou o poste sagrado e despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque até aqueles dias os filhos de Israel lhe ofereciam incenso; e ela era chamada Neustã. (2Rs 18,3-4)
O motivo está no próprio versículo: o povo oferecia incenso à serpente, como se faz a um deus. A Bíblia não diz desde quando isso acontecia. O nome Neustã lembra as palavras hebraicas para serpente (nachash) e para bronze (nechóshet). E o mesmo Ezequias, no capítulo seguinte, reza assim: "Senhor, Deus de Israel, que estás sentado sobre os querubins, só tu és o Deus de todos os reinos da terra" (2Rs 19,15). Ele despedaçou o objeto que tinha virado ídolo; nada no texto indica que ele tenha rejeitado as figuras do santuário.
*Os versículos estão em tradução nossa, a partir do hebraico (Êxodo, Números, Reis e Crônicas) e do grego (Sabedoria, na Septuaginta, e João). Por que a Bíblia católica tem livros como a Sabedoria é tema da aula Por que a Bíblia católica tem sete livros a mais?. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Êxodo 25, Números 7, Êxodo 26, Êxodo 31, 1 Reis 6, 1 Reis 7, 1 Reis 10, 1 Crônicas 28, 1 Reis 8, Números 21, Sabedoria 16, João 3, 2 Reis 18 e 2 Reis 19.*
O que diziam os primeiros cristãos
Como os primeiros cristãos leram essas figuras?
A questão não é nova. Já no século II, cristãos e judeus discutiam como a mesma Lei podia proibir imagens e mandar fazer a serpente.
Justino, por volta de 160. No Diálogo com Trifão, Justino, filósofo cristão nascido na Palestina, conversa com um judeu culto e lhe faz a pergunta:
Dize-me: não foi Deus quem mandou, por meio de Moisés, que não se fizesse imagem nem semelhança de nada do que há no alto do céu ou na terra, e no entanto fez Moisés construir no deserto a serpente de bronze e a pôs como sinal, pelo qual eram salvos os que as serpentes mordiam? E nem por isso Ele é injusto. (Diálogo com Trifão 94)
Para Justino, a serpente anunciava um mistério: Deus quebraria o poder da antiga serpente, a que levou Adão a pecar, e daria a salvação aos que creem naquele que seria crucificado. Um dos companheiros de Trifão responde que não sabe dar a razão, e que já tinha perguntado muitas vezes aos seus mestres, sem resposta.
Tertuliano, por volta de 207. Escrevendo contra Marcião, que separava o Deus do Antigo Testamento do Pai de Jesus e o acusava de contradições, Tertuliano explica:
Ao proibir que se fizesse a semelhança de tudo o que há no céu, na terra e nas águas, Deus mostrou também as razões: conter a matéria da idolatria. Pois acrescenta: "Não as adorareis nem as servireis". Já a figura da serpente de bronze, que o Senhor depois mandou Moisés fazer, não se prestava à idolatria, mas a curar os que eram atacados pelas serpentes. (Contra Marcião II,22,1)
Logo depois, diz o mesmo das figuras de ouro da arca: tinham razões "muito diferentes" da idolatria, que é o motivo da proibição, e por isso não contrariam a lei (II,22,2).
Agostinho, no começo do século V. Pregando sobre o capítulo 3 de João, ele explica a comparação que o próprio Jesus fez:
Quem são as serpentes que mordem? Os pecados, que vêm da mortalidade da carne. Quem é a serpente levantada? A morte do Senhor na cruz. Como a morte veio pela serpente, foi figurada pela imagem de uma serpente. (Tratados sobre o Evangelho de João 12,11)
Cada um a seu modo chega ao mesmo ponto: a figura que Deus manda fazer não é ídolo, porque não toma o lugar de Deus; aponta para Ele.
O trecho de Tertuliano está em tradução nossa a partir do latim; os de Justino e de Agostinho, a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.

O que a Igreja ensina
O que a Igreja ensina sobre essas figuras?
O Catecismo remete a vários desses textos ao explicar o primeiro mandamento. Depois de lembrar que Deus proibiu que o representassem, diz o primeiro trecho abaixo; Bento XVI, o próprio Catecismo e o Vaticano II completam:
No entanto, já no Antigo Testamento Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação pelo Verbo encarnado […]
Também Jesus será elevado sobre a Cruz, para que quem quer que esteja em perigo de morte por causa do pecado, dirigindo-se com fé a Ele […], seja salvo.
[…] quando atribuímos uma importância de algum modo mágica a certas práticas, aliás legítimas ou necessárias.
Mantenha-se o uso de expor imagens nas igrejas à veneração dos fiéis. Sejam, no entanto, em número comedido e na ordem devida […]
Nas notas do número 2130, o Catecismo remete a Números 21, a Sabedoria 16, a João 3, a Êxodo 25 e a 1 Reis 6 e 7, os mesmos textos desta aula. O número 2111 não fala da serpente, mas ajuda a entender o que aconteceu com ela no tempo de Ezequias: uma coisa legítima, tratada como se tivesse poder mágico, vira superstição. E o Vaticano II, ao mesmo tempo que mantém as imagens, pede moderação para não favorecer uma devoção desviada (n. 125).
O Concílio de Trento, em 1563, ensinou que nas imagens não há divindade nem poder próprio e mandou eliminar os abusos (sessão XXV; o decreto é explicado em Beijar uma imagem é idolatria?). É a lição de Ezequias: corrige-se o abuso sem condenar todo sinal. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
O que a história mostra
E os judeus, como liam o mandamento?
Quem diz que o judaísmo antigo sempre proibiu toda figura, ou que sempre a aceitou, simplifica uma história que variou com o tempo e o lugar.
Uma leitura rigorosa no século I. O historiador judeu Flávio Josefo escreve que "a nossa lei proíbe até fazer imagens" e conta que, quando Pôncio Pilatos levou para Jerusalém estandartes com a efígie do imperador, o povo foi em multidão pedir que ele os retirasse (Antiguidades judaicas XVIII,3,1). Na mesma obra, terminada por volta de 93 ou 94, Josefo chega a dizer que Salomão pecou ao fazer os bois de bronze que sustentavam o Mar e os leões em volta do seu trono (VIII,7,5). O livro dos Reis, porém, descreve os bois sem censura (1Rs 7,25), e, quando condena Salomão, é por ter ido atrás de outros deuses, Astarte e Milcom (1Rs 11,4-5).
Pinturas numa sinagoga do século III. Na mesma cidade de Dura-Europos, na Síria, onde se achou uma casa-igreja cristã, arqueólogos da Universidade Yale e da Academia Francesa encontraram, em 1932, uma sinagoga com as paredes cobertas de pinturas, preservadas pelo aterro que os defensores ergueram contra a muralha no último cerco, em 256. Uma inscrição em aramaico data a última reforma do prédio em 244 ou 245. Entre as cenas, os estudiosos identificam a travessia do mar Vermelho, a consagração da Tenda, a arca da aliança na terra dos filisteus, Samuel ungindo Davi, a visão de Ezequiel, Ester e Mardoqueu e o achado de Moisés. O próprio site de Yale observa que as pinturas surpreendem muitos estudiosos, por causa da proibição das figuras na tradição judaica. Os originais foram para o Museu Nacional de Damasco.
Também em Roma. A Enciclopédia Católica registra cemitérios judaicos antigos com pinturas de aves, peixes e figuras humanas; em Roma, a catacumba judaica da Vigna Randanini, junto à Via Ápia, tem um teto pintado com aves, peixes e pequenas figuras humanas aladas.
O que se vê é que judeus fiéis à Lei leram o mandamento de modos diferentes quanto à arte. O que a tradição judaica rejeita com firmeza, desde o Sinai, é a idolatria: o culto a uma figura. É o mesmo ponto em que a Igreja insiste.
As frases de Josefo foram traduzidas a partir da versão inglesa de Whiston, indicada nas fontes.
Lado a lado
A objeção e o texto, lado a lado
| O que se diz | O que o texto mostra | Onde conferir |
|---|---|---|
| Os querubins foram uma exceção isolada. | Estavam sobre a arca, nas cortinas e no véu da tenda e, depois, nas paredes e portas do Templo. | Êx 25,18-22; 26,1.31; 1Rs 6,23-32 |
| Salomão fez as figuras por conta própria. | Crônicas diz que o modelo do Templo, com os querubins, veio "da mão do Senhor", e Deus encheu o Templo com a sua glória. | 1Cr 28,18-19; 1Rs 8,6.11 |
| A serpente curava por si mesma. | Quem curava era Deus; a serpente era um sinal. | Nm 21,8-9; Sb 16,7 |
| A serpente prova que toda imagem vira ídolo. | Ezequias a quebrou porque recebia incenso, e continuou rezando ao Senhor "sentado sobre os querubins". | 2Rs 18,4; 19,15 |
| A serpente não tem nada a ver com Cristo. | O próprio Jesus se compara a ela, e os padres a leram como figura da cruz. | Jo 3,14-15; Justino, Diálogo 94; Agostinho, Tratado 12 |
| Os judeus sempre rejeitaram toda figura. | Houve leituras rigorosas, como a de Josefo, e houve sinagogas pintadas, como a de Dura-Europos. | Josefo, Antiguidades XVIII,3,1; Universidade Yale |
Os frutos
O que essas figuras ensinam a quem crê?
Os querubins e a serpente ensinam a mesma coisa por dois lados. Os querubins mostram que Deus aceita as obras das mãos humanas quando elas servem ao culto verdadeiro: Ele mesmo encheu um artista do seu espírito para fazê-las. A serpente mostra o risco: uma coisa boa, que Deus mandou fazer, pode ser tratada como se tivesse poder próprio, e aí precisa ser corrigida.
Para o católico, é um exame de consciência. A imagem de um santo não cura, não protege e não decide nada por si mesma; quem age é Deus, como lembra o livro da Sabedoria. Se em algum lugar a devoção virou superstição, a fidelidade à Bíblia e à Igreja pede que se corrija.
Com um irmão evangélico, o ponto de partida pode ser o próprio Evangelho de João: os dois olham para Cristo levantado na cruz, como Israel olhava para a serpente, e os dois sabem que quem salva é Ele. A conversa sobre as imagens fica mais simples quando os dois concordam no essencial: os sinais existem para levar a Deus, nunca para tomar o seu lugar.
Para guardar
Deus mandou fazer querubins de ouro e a serpente de bronze, e o rei Ezequias quebrou a serpente quando ela passou a receber incenso. O mandamento proíbe o ídolo, não o sinal que leva a Deus.
Teste
Teste o que você aprendeu
5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Onde ficavam os dois querubins de ouro que Deus mandou fazer em Êxodo 25?
Deus mandou pôr os querubins sobre a tampa da arca e disse a Moisés que ali o encontraria e lhe falaria do meio dos dois querubins (Êx 25,18-22).
2. Por que o rei Ezequias despedaçou a serpente de bronze?
O texto dá o motivo: "até aqueles dias os filhos de Israel lhe ofereciam incenso" (2Rs 18,4). A serpente tinha passado a ser tratada como um deus.
3. Segundo o livro da Sabedoria (16,7), quem curava os que olhavam para a serpente?
Quem se voltava para a serpente era salvo "não pelo que via, mas por ti, o Salvador de todos". A figura era sinal; quem curava era Deus.
4. Que comparação Jesus faz em João 3,14?
Jesus compara a serpente levantada na haste a si mesmo levantado na cruz, "para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna" (Jo 3,14-15).
5. Que escritor cristão, por volta de 160, perguntou a um judeu como a Lei podia proibir imagens e mandar fazer a serpente de bronze?
No capítulo 94 do Diálogo com Trifão, Justino faz a pergunta e explica a serpente como sinal do Cristo crucificado.
Perguntas frequentes
Os querubins da arca eram adorados?
Não. Ficavam sobre a arca, no lugar onde Deus prometia falar com Moisés (Êx 25,22), mas o culto era dado ao Senhor, a quem o rei Ezequias reza como aquele que está "sentado sobre os querubins" (2Rs 19,15). As figuras indicavam a presença de Deus; não tomavam o seu lugar.
A serpente de bronze era um ídolo?
No começo, não: foi feita por ordem de Deus, como sinal de cura, e o livro da Sabedoria lembra que quem curava era Deus (Sb 16,7). Tornou-se ídolo quando o povo passou a oferecer-lhe incenso, e por isso Ezequias a despedaçou (2Rs 18,4).
Se a serpente virou ídolo, isso não prova que toda imagem é perigosa?
Prova que uma coisa boa pode ser mal usada. Ezequias quebrou a serpente que recebia incenso, mas continuou rezando ao Senhor "sentado sobre os querubins" (2Rs 19,15). A Igreja segue essa linha: combate a superstição (Catecismo, n. 2111) e mantém as imagens com moderação (Sacrosanctum Concilium, n. 125). A aula Relíquias têm fundamento na Bíblia? trata do mesmo episódio.
Por que a serpente de bronze lembra a cruz?
Porque o próprio Jesus fez a comparação: assim como Moisés levantou a serpente no deserto, o Filho do Homem seria levantado, para que quem nele crê tenha a vida eterna (Jo 3,14-15). Justino, no século II, e Agostinho, no século V, leram a serpente como figura de Cristo crucificado.
Os judeus antigos tinham pinturas nas sinagogas?
Alguns, sim. A sinagoga de Dura-Europos, na Síria, reformada em 244 ou 245, tinha as paredes cobertas de cenas bíblicas, hoje no Museu Nacional de Damasco. Outros judeus, como o historiador Josefo no século I, liam o mandamento de modo bem mais rigoroso.
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2111, 2129 e 2130
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica (inglês), n. 2130 e a nota com as passagens bíblicas
- VaticanoBento XVI, Angelus de 18 de março de 2012
- VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Sacrosanctum Concilium, n. 125
- Papal EncyclicalsConcílio de Trento, sessão XXV, decreto sobre as imagens (tradução inglesa)
- Bible Hub2 Reis 18,4 no hebraico, palavra por palavra
- Bible Hub1 Reis 10,19-20 no hebraico (os leões do trono de Salomão)
- ElpenorSabedoria 16 na Septuaginta (grego)
- CCELJoão Calvino, Institutas, livro I, capítulo 11 (tradução inglesa)
- Christian Reformed ChurchCatecismo de Heidelberg (1563), pergunta 97 (em inglês)
- New AdventJustino, Diálogo com Trifão, 94 (tradução inglesa)
- New AdventTertuliano, Contra Marcião, II,22 (tradução inglesa)
- The Latin LibraryTertuliano, Adversus Marcionem, livro II (texto latino)
- New AdventAgostinho, Tratados sobre o Evangelho de João, 12,11 (tradução inglesa)
- Projeto GutenbergFlávio Josefo, Antiguidades judaicas, VIII,7,5 e XVIII,3,1 (tradução inglesa de Whiston)
- Universidade YaleDura-Europos: a sinagoga e as suas pinturas
- Catholic EncyclopediaVeneration of Images: as catacumbas judaicas de Roma

