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Imagem gerada por IA: dentro de uma tenda, diante de um véu tecido de azul, púrpura e escarlate, a arca da aliança dourada, com dois querubins de ouro ajoelhados frente a frente sobre a tampa, de asas abertas; Moisés, idoso, está de pé diante dela, escutando.

Por que Deus mandou fazer querubins e a serpente de bronze?

As figuras que Deus mandou fazer mostram o que o mandamento proíbe e o que não proíbe. E a serpente quebrada pelo rei Ezequias mostra o que acontece quando um sinal vira ídolo.

14 min de leitura

Imagem gerada por IA: Moisés ouve a voz de Deus, que lhe fala do meio dos dois querubins da arca (Nm 7,89), em estilo de pintura barroca

A resposta curta

Porque o mandamento não proíbe toda imagem: proíbe o ídolo, a figura que toma o lugar de Deus. As mesmas páginas que dão a Lei mandam pôr querubins de ouro sobre a arca e fazer a serpente de bronze, que Jesus compara à sua cruz (Jo 3,14). Quando o povo passou a oferecer incenso à serpente, o rei Ezequias a despedaçou (2Rs 18,4): o problema era a idolatria, não a figura.

A objeção

O que se costuma dizer

Os querubins e a serpente de bronze foram exceções. Deus mandou fazer cada um deles por ordem direta, para um fim específico, e ninguém os venerava. Isso não autoriza ninguém a fazer imagem de Maria ou dos santos. E a própria Bíblia mostra no que dá: a serpente de Moisés acabou virando ídolo, e o rei Ezequias, que fez o que era reto aos olhos de Deus, teve de quebrá-la. A regra é a proibição; as exceções só a confirmam.

É a resposta de quem já leu o Êxodo inteiro e sabe que os querubins estão lá. Por isso merece uma resposta igualmente cuidadosa.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa resposta?

Na aula Êxodo 20 proíbe as imagens? vimos que o mandamento proíbe os ídolos e qualquer figura que pretenda mostrar o Deus invisível. A objeção mais séria vem logo depois: e as figuras que o próprio Deus mandou fazer?

João Calvino tratou disso nas Institutas (I,11,3). Para ele, os querubins não provam nada a favor das imagens, ao contrário: com as asas abertas, cobriam o propiciatório (a tampa de ouro da arca) e escondiam Deus da vista, como sinal de que as imagens não servem para representar os mistérios divinos. E acrescentava que eles pertenciam à tutela da Lei antiga, um tempo de infância do povo de Deus que já passou. O Catecismo de Heidelberg, de 1563, cita justamente a serpente quebrada por Ezequias (2Rs 18,4-5) ao ensinar que Deus proíbe fazer ou ter imagens de criaturas para adorá-las ou para servir a Deus por meio delas (pergunta 97).

São argumentos sérios, e há neles uma parte de verdade: os querubins tinham um papel próprio na Antiga Aliança, e ninguém pensava que eles mostrassem o rosto de Deus. A resposta católica não precisa negar isso. Precisa mostrar o que essas figuras revelam sobre o sentido do mandamento.

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

A pergunta não é se Deus pode abrir exceções à própria lei. É outra: as figuras que Deus mandou fazer contradizem o mandamento, ou mostram o que ele de fato proíbe? E, no caso da serpente: Ezequias a destruiu por ser uma imagem, ou porque o povo passou a tratá-la como deus?

Se o mandamento proibisse toda figura, Deus teria mandado Israel pecar no lugar mais sagrado do seu culto. Se proíbe o ídolo, tudo se encaixa: as figuras do santuário não recebiam culto, e a serpente só foi quebrada quando passou a receber incenso.

E a ordem direta? Uma ordem de Deus não transforma em bem o que o mandamento chama de pecado: se Deus mandou fazer essas figuras, é porque a figura, em si, não é o que Ele proibiu. E nem toda figura de Israel veio de ordem expressa: o trono de Salomão tinha dois leões junto aos braços e doze leões nos degraus, e o texto o descreve sem censura (1Rs 10,19-20). Por que as imagens de Cristo e dos santos também não são ídolos é o tema da aula Êxodo 20 proíbe as imagens?.

O que diz a Bíblia

O que a Bíblia conta dos querubins e da serpente?

Os querubins da arca. Poucos capítulos depois dos Dez Mandamentos, Deus dá a Moisés as instruções para a arca da aliança:

Farás dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. [...] Os querubins terão as asas estendidas para o alto, cobrindo com elas o propiciatório, com o rosto voltado um para o outro. [...] Ali me encontrarei contigo e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do testemunho, te direi tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel. (Êx 25,18.20.22)

Os querubins não ficavam num canto: ficavam sobre a arca, no ponto em que Deus prometia encontrar Moisés. E foi o que aconteceu: quando Moisés entrava na tenda, ouvia a voz que lhe falava "do meio dos dois querubins" (Nm 7,89). Havia querubins também tecidos nas cortinas da tenda e no véu do santuário (Êx 26,1.31). E o artista que fez essas peças não agiu por conta própria:

Vê: chamei pelo nome Besalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do espírito de Deus, de sabedoria, de entendimento e de conhecimento para toda espécie de trabalho, para criar desenhos e trabalhar em ouro, em prata e em bronze. (Êx 31,2-4)

O Templo de Salomão. Séculos depois, o Templo de Jerusalém repetiu e ampliou essas figuras:

No santuário interior fez dois querubins de madeira de oliveira, de dez côvados de altura. [...] E revestiu de ouro os querubins. Em todas as paredes da casa, ao redor, esculpiu figuras de querubins, de palmeiras e de flores abertas, por dentro e por fora. (1Rs 6,23.28-29)

Dez côvados são mais de quatro metros. O grande tanque de bronze do pátio, chamado Mar, se apoiava sobre doze bois de bronze (1Rs 7,25), e os suportes das bacias tinham leões, bois e querubins (1Rs 7,29). O livro das Crônicas conta que Davi entregou a Salomão a planta do Templo, com o "modelo do carro dos querubins de ouro" que cobriam a arca, e diz: "Tudo isso está num escrito da mão do Senhor, que me fez entender todas as obras do modelo" (1Cr 28,18-19). Quando a arca foi posta "sob as asas dos querubins", a nuvem encheu a casa, "porque a glória do Senhor enchia a casa do Senhor" (1Rs 8,6.11). O texto não traz nenhuma censura às figuras.

A serpente de bronze. No deserto, o povo murmurou contra Deus e contra Moisés, serpentes venenosas atacaram o acampamento, e o povo pediu a Moisés que intercedesse (Nm 21,4-7). A resposta de Deus:

E o Senhor disse a Moisés: "Faze para ti uma serpente abrasadora e põe-na sobre uma haste; todo aquele que for mordido e olhar para ela viverá". Moisés fez uma serpente de bronze e a pôs sobre a haste; e, quando uma serpente mordia alguém, este olhava para a serpente de bronze e vivia. (Nm 21,8-9)

Repare na ordem: "faze para ti". É a mesma expressão de Êxodo 20,4, "não farás para ti imagem". O livro da Sabedoria, que está no Antigo Testamento das Bíblias católicas, explica de onde vinha a cura:

Pois quem se voltava para ela era salvo, não pelo que via, mas por ti, o Salvador de todos. (Sb 16,7)

A cura não estava no bronze. Deus usava a figura como sinal; quem salvava era Ele. E Jesus retomou a cena para falar de si mesmo:

E assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é preciso que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. (Jo 3,14-15)

O fim da serpente. Muito tempo depois, no reino de Judá, o rei Ezequias fez uma reforma religiosa:

Ele fez o que é reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que tinha feito Davi, seu pai. Foi ele quem suprimiu os lugares altos, quebrou as colunas sagradas, cortou o poste sagrado e despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque até aqueles dias os filhos de Israel lhe ofereciam incenso; e ela era chamada Neustã. (2Rs 18,3-4)

O motivo está no próprio versículo: o povo oferecia incenso à serpente, como se faz a um deus. A Bíblia não diz desde quando isso acontecia. O nome Neustã lembra as palavras hebraicas para serpente (nachash) e para bronze (nechóshet). E o mesmo Ezequias, no capítulo seguinte, reza assim: "Senhor, Deus de Israel, que estás sentado sobre os querubins, só tu és o Deus de todos os reinos da terra" (2Rs 19,15). Ele despedaçou o objeto que tinha virado ídolo; nada no texto indica que ele tenha rejeitado as figuras do santuário.

*Os versículos estão em tradução nossa, a partir do hebraico (Êxodo, Números, Reis e Crônicas) e do grego (Sabedoria, na Septuaginta, e João). Por que a Bíblia católica tem livros como a Sabedoria é tema da aula Por que a Bíblia católica tem sete livros a mais?. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Êxodo 25, Números 7, Êxodo 26, Êxodo 31, 1 Reis 6, 1 Reis 7, 1 Reis 10, 1 Crônicas 28, 1 Reis 8, Números 21, Sabedoria 16, João 3, 2 Reis 18 e 2 Reis 19.*

O que diziam os primeiros cristãos

Como os primeiros cristãos leram essas figuras?

A questão não é nova. Já no século II, cristãos e judeus discutiam como a mesma Lei podia proibir imagens e mandar fazer a serpente.

Justino, por volta de 160. No Diálogo com Trifão, Justino, filósofo cristão nascido na Palestina, conversa com um judeu culto e lhe faz a pergunta:

Dize-me: não foi Deus quem mandou, por meio de Moisés, que não se fizesse imagem nem semelhança de nada do que há no alto do céu ou na terra, e no entanto fez Moisés construir no deserto a serpente de bronze e a pôs como sinal, pelo qual eram salvos os que as serpentes mordiam? E nem por isso Ele é injusto. (Diálogo com Trifão 94)

Para Justino, a serpente anunciava um mistério: Deus quebraria o poder da antiga serpente, a que levou Adão a pecar, e daria a salvação aos que creem naquele que seria crucificado. Um dos companheiros de Trifão responde que não sabe dar a razão, e que já tinha perguntado muitas vezes aos seus mestres, sem resposta.

Tertuliano, por volta de 207. Escrevendo contra Marcião, que separava o Deus do Antigo Testamento do Pai de Jesus e o acusava de contradições, Tertuliano explica:

Ao proibir que se fizesse a semelhança de tudo o que há no céu, na terra e nas águas, Deus mostrou também as razões: conter a matéria da idolatria. Pois acrescenta: "Não as adorareis nem as servireis". Já a figura da serpente de bronze, que o Senhor depois mandou Moisés fazer, não se prestava à idolatria, mas a curar os que eram atacados pelas serpentes. (Contra Marcião II,22,1)

Logo depois, diz o mesmo das figuras de ouro da arca: tinham razões "muito diferentes" da idolatria, que é o motivo da proibição, e por isso não contrariam a lei (II,22,2).

Agostinho, no começo do século V. Pregando sobre o capítulo 3 de João, ele explica a comparação que o próprio Jesus fez:

Quem são as serpentes que mordem? Os pecados, que vêm da mortalidade da carne. Quem é a serpente levantada? A morte do Senhor na cruz. Como a morte veio pela serpente, foi figurada pela imagem de uma serpente. (Tratados sobre o Evangelho de João 12,11)

Cada um a seu modo chega ao mesmo ponto: a figura que Deus manda fazer não é ídolo, porque não toma o lugar de Deus; aponta para Ele.

O trecho de Tertuliano está em tradução nossa a partir do latim; os de Justino e de Agostinho, a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.

Imagem gerada por IA: ao entardecer, no deserto, Moisés ergue uma haste de madeira com uma serpente de bronze enrolada no alto, enquanto homens e mulheres feridos, caídos na areia, olham para ela e começam a se levantar.
Imagem gerada por IA: Moisés levanta a serpente de bronze no deserto (Nm 21,8-9), em estilo de pintura barroca

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina sobre essas figuras?

O Catecismo remete a vários desses textos ao explicar o primeiro mandamento. Depois de lembrar que Deus proibiu que o representassem, diz o primeiro trecho abaixo; Bento XVI, o próprio Catecismo e o Vaticano II completam:

No entanto, já no Antigo Testamento Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação pelo Verbo encarnado […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 2130

Também Jesus será elevado sobre a Cruz, para que quem quer que esteja em perigo de morte por causa do pecado, dirigindo-se com fé a Ele […], seja salvo.

Bento XVI, Angelus, 18 de março de 2012

[…] quando atribuímos uma importância de algum modo mágica a certas práticas, aliás legítimas ou necessárias.

Catecismo da Igreja Católica, sobre a superstição, n. 2111

Mantenha-se o uso de expor imagens nas igrejas à veneração dos fiéis. Sejam, no entanto, em número comedido e na ordem devida […]

Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, n. 125

Nas notas do número 2130, o Catecismo remete a Números 21, a Sabedoria 16, a João 3, a Êxodo 25 e a 1 Reis 6 e 7, os mesmos textos desta aula. O número 2111 não fala da serpente, mas ajuda a entender o que aconteceu com ela no tempo de Ezequias: uma coisa legítima, tratada como se tivesse poder mágico, vira superstição. E o Vaticano II, ao mesmo tempo que mantém as imagens, pede moderação para não favorecer uma devoção desviada (n. 125).

O Concílio de Trento, em 1563, ensinou que nas imagens não há divindade nem poder próprio e mandou eliminar os abusos (sessão XXV; o decreto é explicado em Beijar uma imagem é idolatria?). É a lição de Ezequias: corrige-se o abuso sem condenar todo sinal. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

O que a história mostra

E os judeus, como liam o mandamento?

Quem diz que o judaísmo antigo sempre proibiu toda figura, ou que sempre a aceitou, simplifica uma história que variou com o tempo e o lugar.

Uma leitura rigorosa no século I. O historiador judeu Flávio Josefo escreve que "a nossa lei proíbe até fazer imagens" e conta que, quando Pôncio Pilatos levou para Jerusalém estandartes com a efígie do imperador, o povo foi em multidão pedir que ele os retirasse (Antiguidades judaicas XVIII,3,1). Na mesma obra, terminada por volta de 93 ou 94, Josefo chega a dizer que Salomão pecou ao fazer os bois de bronze que sustentavam o Mar e os leões em volta do seu trono (VIII,7,5). O livro dos Reis, porém, descreve os bois sem censura (1Rs 7,25), e, quando condena Salomão, é por ter ido atrás de outros deuses, Astarte e Milcom (1Rs 11,4-5).

Pinturas numa sinagoga do século III. Na mesma cidade de Dura-Europos, na Síria, onde se achou uma casa-igreja cristã, arqueólogos da Universidade Yale e da Academia Francesa encontraram, em 1932, uma sinagoga com as paredes cobertas de pinturas, preservadas pelo aterro que os defensores ergueram contra a muralha no último cerco, em 256. Uma inscrição em aramaico data a última reforma do prédio em 244 ou 245. Entre as cenas, os estudiosos identificam a travessia do mar Vermelho, a consagração da Tenda, a arca da aliança na terra dos filisteus, Samuel ungindo Davi, a visão de Ezequiel, Ester e Mardoqueu e o achado de Moisés. O próprio site de Yale observa que as pinturas surpreendem muitos estudiosos, por causa da proibição das figuras na tradição judaica. Os originais foram para o Museu Nacional de Damasco.

Também em Roma. A Enciclopédia Católica registra cemitérios judaicos antigos com pinturas de aves, peixes e figuras humanas; em Roma, a catacumba judaica da Vigna Randanini, junto à Via Ápia, tem um teto pintado com aves, peixes e pequenas figuras humanas aladas.

O que se vê é que judeus fiéis à Lei leram o mandamento de modos diferentes quanto à arte. O que a tradição judaica rejeita com firmeza, desde o Sinai, é a idolatria: o culto a uma figura. É o mesmo ponto em que a Igreja insiste.

As frases de Josefo foram traduzidas a partir da versão inglesa de Whiston, indicada nas fontes.

Lado a lado

A objeção e o texto, lado a lado

O que se dizO que o texto mostraOnde conferir
Os querubins foram uma exceção isolada.Estavam sobre a arca, nas cortinas e no véu da tenda e, depois, nas paredes e portas do Templo.Êx 25,18-22; 26,1.31; 1Rs 6,23-32
Salomão fez as figuras por conta própria.Crônicas diz que o modelo do Templo, com os querubins, veio "da mão do Senhor", e Deus encheu o Templo com a sua glória.1Cr 28,18-19; 1Rs 8,6.11
A serpente curava por si mesma.Quem curava era Deus; a serpente era um sinal.Nm 21,8-9; Sb 16,7
A serpente prova que toda imagem vira ídolo.Ezequias a quebrou porque recebia incenso, e continuou rezando ao Senhor "sentado sobre os querubins".2Rs 18,4; 19,15
A serpente não tem nada a ver com Cristo.O próprio Jesus se compara a ela, e os padres a leram como figura da cruz.Jo 3,14-15; Justino, Diálogo 94; Agostinho, Tratado 12
Os judeus sempre rejeitaram toda figura.Houve leituras rigorosas, como a de Josefo, e houve sinagogas pintadas, como a de Dura-Europos.Josefo, Antiguidades XVIII,3,1; Universidade Yale

Os frutos

O que essas figuras ensinam a quem crê?

Os querubins e a serpente ensinam a mesma coisa por dois lados. Os querubins mostram que Deus aceita as obras das mãos humanas quando elas servem ao culto verdadeiro: Ele mesmo encheu um artista do seu espírito para fazê-las. A serpente mostra o risco: uma coisa boa, que Deus mandou fazer, pode ser tratada como se tivesse poder próprio, e aí precisa ser corrigida.

Para o católico, é um exame de consciência. A imagem de um santo não cura, não protege e não decide nada por si mesma; quem age é Deus, como lembra o livro da Sabedoria. Se em algum lugar a devoção virou superstição, a fidelidade à Bíblia e à Igreja pede que se corrija.

Com um irmão evangélico, o ponto de partida pode ser o próprio Evangelho de João: os dois olham para Cristo levantado na cruz, como Israel olhava para a serpente, e os dois sabem que quem salva é Ele. A conversa sobre as imagens fica mais simples quando os dois concordam no essencial: os sinais existem para levar a Deus, nunca para tomar o seu lugar.

Para guardar

Deus mandou fazer querubins de ouro e a serpente de bronze, e o rei Ezequias quebrou a serpente quando ela passou a receber incenso. O mandamento proíbe o ídolo, não o sinal que leva a Deus.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Onde ficavam os dois querubins de ouro que Deus mandou fazer em Êxodo 25?

  2. 2. Por que o rei Ezequias despedaçou a serpente de bronze?

  3. 3. Segundo o livro da Sabedoria (16,7), quem curava os que olhavam para a serpente?

  4. 4. Que comparação Jesus faz em João 3,14?

  5. 5. Que escritor cristão, por volta de 160, perguntou a um judeu como a Lei podia proibir imagens e mandar fazer a serpente de bronze?

Perguntas frequentes

Os querubins da arca eram adorados?

Não. Ficavam sobre a arca, no lugar onde Deus prometia falar com Moisés (Êx 25,22), mas o culto era dado ao Senhor, a quem o rei Ezequias reza como aquele que está "sentado sobre os querubins" (2Rs 19,15). As figuras indicavam a presença de Deus; não tomavam o seu lugar.

A serpente de bronze era um ídolo?

No começo, não: foi feita por ordem de Deus, como sinal de cura, e o livro da Sabedoria lembra que quem curava era Deus (Sb 16,7). Tornou-se ídolo quando o povo passou a oferecer-lhe incenso, e por isso Ezequias a despedaçou (2Rs 18,4).

Se a serpente virou ídolo, isso não prova que toda imagem é perigosa?

Prova que uma coisa boa pode ser mal usada. Ezequias quebrou a serpente que recebia incenso, mas continuou rezando ao Senhor "sentado sobre os querubins" (2Rs 19,15). A Igreja segue essa linha: combate a superstição (Catecismo, n. 2111) e mantém as imagens com moderação (Sacrosanctum Concilium, n. 125). A aula Relíquias têm fundamento na Bíblia? trata do mesmo episódio.

Por que a serpente de bronze lembra a cruz?

Porque o próprio Jesus fez a comparação: assim como Moisés levantou a serpente no deserto, o Filho do Homem seria levantado, para que quem nele crê tenha a vida eterna (Jo 3,14-15). Justino, no século II, e Agostinho, no século V, leram a serpente como figura de Cristo crucificado.

Os judeus antigos tinham pinturas nas sinagogas?

Alguns, sim. A sinagoga de Dura-Europos, na Síria, reformada em 244 ou 245, tinha as paredes cobertas de cenas bíblicas, hoje no Museu Nacional de Damasco. Outros judeus, como o historiador Josefo no século I, liam o mandamento de modo bem mais rigoroso.

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2111, 2129 e 2130
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica (inglês), n. 2130 e a nota com as passagens bíblicas
  3. VaticanoBento XVI, Angelus de 18 de março de 2012
  4. VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Sacrosanctum Concilium, n. 125
  5. Papal EncyclicalsConcílio de Trento, sessão XXV, decreto sobre as imagens (tradução inglesa)
  6. Bible Hub2 Reis 18,4 no hebraico, palavra por palavra
  7. Bible Hub1 Reis 10,19-20 no hebraico (os leões do trono de Salomão)
  8. ElpenorSabedoria 16 na Septuaginta (grego)
  9. CCELJoão Calvino, Institutas, livro I, capítulo 11 (tradução inglesa)
  10. Christian Reformed ChurchCatecismo de Heidelberg (1563), pergunta 97 (em inglês)
  11. New AdventJustino, Diálogo com Trifão, 94 (tradução inglesa)
  12. New AdventTertuliano, Contra Marcião, II,22 (tradução inglesa)
  13. The Latin LibraryTertuliano, Adversus Marcionem, livro II (texto latino)
  14. New AdventAgostinho, Tratados sobre o Evangelho de João, 12,11 (tradução inglesa)
  15. Projeto GutenbergFlávio Josefo, Antiguidades judaicas, VIII,7,5 e XVIII,3,1 (tradução inglesa de Whiston)
  16. Universidade YaleDura-Europos: a sinagoga e as suas pinturas
  17. Catholic EncyclopediaVeneration of Images: as catacumbas judaicas de Roma
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