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Imagem gerada por IA: numa igreja bizantina iluminada por lamparinas, um monge carrega um ícone da Virgem com o Menino e uma senhora se inclina para beijar a borda do ícone, entre fiéis com velas.

Beijar uma imagem é idolatria?

A Bíblia condena beijar um deus falso, mas usa o mesmo beijo e a mesma inclinação para honrar pessoas e coisas santas. O que decide é a quem o gesto se dirige.

14 min de leitura

Imagem gerada por IA: Representação de fiéis beijando um ícone na procissão que, em 842 ou 843, levou as imagens de volta às igrejas de Constantinopla depois da crise iconoclasta, em estilo de pintura barroca

A resposta curta

Não. Beijar uma imagem é um gesto de carinho e de honra, como beijar a foto de alguém que se ama: o beijo não fica na madeira nem no papel, vai para a pessoa representada. A Bíblia condena beijar um deus falso (1Rs 19,18), e a Igreja proíbe pedir coisas à imagem ou pôr a confiança nela (Concílio de Trento, 1563).

A objeção

O que se costuma dizer

A Bíblia é clara: "Não te prostrarás diante delas nem as servirás" (Ex 20,5). E ela fala até do beijo. Deus guardou em Israel sete mil fiéis, "toda boca que não beijou Baal" (1Rs 19,18), e o profeta Oseias denuncia os que "beijam bezerros" de metal (Os 13,2). O católico faz a mesma coisa: beija o pé da imagem de Nossa Senhora, ajoelha-se diante do santo, toca o manto da imagem na procissão, leva flores e acende vela. A estátua não vê nem sente o beijo. Que diferença há entre isso e o que os pagãos faziam com os seus ídolos?

A objeção usa textos verdadeiros da Bíblia e nasce de um cuidado justo: não dar a nada nem a ninguém a honra que pertence a Deus. Por isso merece resposta com a própria Bíblia.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa crítica?

A desconfiança diante de quem beija estátuas é antiga, e é cristã. Por volta do ano 200 (a data é discutida), o escritor cristão Minúcio Félix compôs um diálogo que começa numa praia de Óstia, o porto de Roma. Ao passar diante de uma estátua do deus egípcio Serápis, o amigo pagão Cecílio levou a mão à boca e mandou um beijo, como fazia o povo supersticioso (Otávio 2,4 e 3,1). O cristão Otávio ficou indignado: aquilo era culto a um deus.

Séculos depois, quando os cristãos do Oriente já beijavam os ícones de Cristo e dos santos, a pergunta voltou de dentro da própria Igreja. Por volta de 726 a 730, o imperador bizantino Leão III passou a agir contra as imagens, tratando-as como ídolos proibidos por Êxodo 20 (a data e o alcance das primeiras medidas são discutidos). Os monges foram os grandes defensores dos ícones, e o segundo Concílio de Niceia, em 787, deu a resposta. A crise ainda voltou e só terminou em 842 ou 843 (as fontes divergem), quando os ícones voltaram às igrejas em procissão. As Igrejas orientais lembram esse dia até hoje como a Festa da Ortodoxia.

Na Reforma do século XVI, a questão reapareceu, e o Concílio de Trento, em 1563, respondeu falando do beijo com todas as letras. Hoje, no Brasil, a pergunta surge diante das procissões, dos santuários e das imagens que as famílias têm em casa.

O mandamento tem aula própria, Êxodo 20 proíbe as imagens?; as figuras que o próprio Deus mandou fazer estão em Por que Deus mandou fazer querubins e a serpente de bronze?; e as palavras técnicas (latria e dulia), em O que são latria, dulia e hiperdulia?. Esta aula trata do gesto: o beijo e a inclinação.

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

Um beijo pode, sim, ser idolatria. A Bíblia diz isso com todas as letras, e os primeiros cristãos concordavam. A pergunta honesta é outra: o que faz de um beijo ou de uma inclinação um ato de adoração: o gesto em si, ou a quem ele se dirige e o que se pensa dessa pessoa ou dessa coisa?

O dia a dia ajuda a responder. A mãe que beija a foto do filho que mora longe, o atleta que beija a medalha, o soldado que beija a bandeira, a viúva que beija a aliança do marido: não pensamos que eles tomam o papel, o metal ou o pano por deuses. O beijo é uma linguagem. Diz "eu te amo" ou "eu te honro" a alguém, por meio de um sinal.

A própria Igreja trata o gesto assim. O Missal Romano diz que o padre venera o altar e o livro dos Evangelhos com um beijo, mas que, onde esse gesto não combina com a cultura de um povo, a conferência dos bispos, com o consentimento da Santa Sé, pode escolher outro sinal no lugar dele (Instrução Geral do Missal Romano, n. 273). Um gesto que pode ser trocado por outro não tem poder mágico: é linguagem de respeito.

O que diz a Bíblia

O que a Bíblia diz sobre o beijo e a inclinação?

A Bíblia condena, sim, certos beijos. Vale começar por eles:

Deixarei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram diante de Baal e toda boca que não o beijou. (1Rs 19,18)

Agora continuam a pecar: fizeram para si, com a sua prata, uma imagem de metal fundido, ídolos do seu jeito, tudo obra de artesãos. E deles se diz: os homens que sacrificam beijam bezerros. (Os 13,2)

Se olhei para o sol quando brilhava, ou para a lua avançando em seu esplendor, e meu coração se deixou seduzir em segredo, e minha mão lhes mandou um beijo da minha boca, também isso seria um crime a ser julgado, porque eu teria negado o Deus lá do alto. (Jó 31,26-28)

Nos três casos o beijo vai para alguém tratado como deus: Baal, o bezerro de metal, o sol e a lua. O gesto de Jó, levar a mão à boca e mandar um beijo aos astros, é o mesmo que o pagão Cecílio fez diante de Serápis. E Jó diz onde está o pecado: seria "negar o Deus lá do alto". (O fim do versículo de Oseias é difícil no hebraico, e as traduções variam; mas o beijo dado aos bezerros de metal, junto com o sacrifício, está claro.)

Agora, o mesmo gesto dado a pessoas. Pouco antes da subida ao Sinai, Moisés recebe o sogro:

Moisés saiu ao encontro do sogro, prostrou-se diante dele e o beijou; perguntaram um ao outro como estavam e entraram na tenda. (Ex 18,7)

O verbo hebraico de "prostrar-se" (hishtachavá) é o mesmo que aparece no mandamento de Êxodo 20,5; a aula Se só Deus é adorado, por que venerar santos? mostra outros casos, como Jacó diante de Esaú (Gn 33,3). Moisés não adorou Jetro: honrou-o. No Evangelho, Jesus chega a reclamar da falta do beijo de boas-vindas na casa de um fariseu:

Tu não me deste um beijo; ela, desde que entrei, não parou de beijar os meus pés. (Lc 7,45)

E os apóstolos mandam os cristãos se saudarem assim:

Saudai-vos uns aos outros com um beijo santo. (Rm 16,16)

A mesma recomendação volta em outras cartas (1Cor 16,20; 2Cor 13,12; 1Ts 5,26; 1Pd 5,14). E os anciãos de Éfeso, na despedida, lançavam-se ao pescoço de Paulo e o beijavam (At 20,37).

Por fim, gestos diante de coisas santas. Depois da derrota em Ai, Josué se prostra diante da arca da aliança, e é com Deus que ele fala:

Josué rasgou as vestes e caiu com o rosto em terra diante da arca do Senhor até a tarde, ele e os anciãos de Israel [...]. E Josué disse: Ah, Senhor Deus! (Js 7,6-7)

Eu me prostro voltado para o teu santo templo e dou graças ao teu nome. (Sl 138,2)

Esses versículos não falam de adorar uma caixa de madeira ou um prédio: Josué fala com Deus, e o salmista dá graças ao nome de Deus. O gesto passa pela coisa santa e chega a Deus. A Bíblia não condena o beijo nem a inclinação. Condena dá-los a um deus falso ou a uma imagem tratada como deus.

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do hebraico e do grego. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Êxodo 20, 1 Reis 19, Oseias 13, Jó 31, Êxodo 18, Lucas 7, Romanos 16, Atos 20, Josué 7 e Salmo 138 (137 na numeração da Ave-Maria).

O que diziam os primeiros cristãos

O que responderam os cristãos que defenderam as imagens?

Os defensores das imagens conheciam esses textos e responderam com eles.

João Damasceno, século VIII. Monge do mosteiro de São Saba, perto de Jerusalém, ele escreveu, nos anos da crise aberta em 726, três discursos em defesa das imagens. A frase mais conhecida está no primeiro:

Não venero a matéria, mas o criador da matéria, que por mim se fez matéria [...]. Por isso, não cessarei de venerar a matéria através da qual chegou a minha salvação. Mas não a venero de modo algum como Deus! (Contra os que caluniam as santas imagens I,16)

O fundamento é a Encarnação, como mostra a aula sobre Êxodo 20. Aqui interessa o que Damasceno diz da matéria. Logo depois dessa frase, ele lembra coisas que os cristãos respeitam: a madeira da cruz, o Calvário, o sepulcro, o livro dos Evangelhos, o altar. Também são matéria, e ninguém as trata como coisa qualquer.

Na Exposição da fé ortodoxa, ele explica o que acontece quando alguém se inclina diante da imagem da crucifixão:

Nos prostramos não diante da matéria, mas diante de quem está representado, assim como não veneramos a matéria de que é feito o livro dos Evangelhos, nem a matéria da cruz, mas aquilo que eles representam. (Exposição da fé ortodoxa IV,16)

Sobre a cruz, diz que a honramos "não honrando a madeira, Deus nos livre, mas a imagem como símbolo de Cristo" (IV,11). E, no capítulo 16, parte do gesto mais comum de todos: por que nos honramos uns aos outros, pergunta ele, senão porque fomos feitos à imagem de Deus?

O segundo Concílio de Niceia, em 787. A palavra que o concílio escolheu para o que se deve às imagens diz muito. Ele fala em aspasmós, saudação, e em timetikè proskýnesis, veneração honrosa, e não na latreía, a adoração que convém só a Deus. Aspasmós é da família do verbo que Paulo usa em Romanos 16,16: "saudai-vos (aspásasthe) com um beijo santo". O concílio compara as imagens à figura da cruz e ao livro dos Evangelhos, diante dos quais, por um costume antigo, se acendem luzes e se queima incenso. A razão que ele dá (a honra prestada à imagem passa a quem ela representa) está explicada na aula O que são latria, dulia e hiperdulia?.

A frase do primeiro discurso segue a tradução portuguesa citada por Bento XVI na audiência de 6 de maio de 2009 (conferida com a versão inglesa de Mary Allies, de 1898); as da Exposição da fé estão em tradução nossa, feita a partir da versão inglesa. Os termos gregos de Niceia II seguem o texto do decreto na edição inglesa dos concílios.

Imagem gerada por IA: um monge idoso, numa cela de pedra no deserto, beija um pequeno ícone de Cristo apoiado numa prateleira, ao lado de uma mesa com pergaminho e pena.
Imagem gerada por IA: João Damasceno, monge de São Saba, perto de Jerusalém, que no século VIII escreveu em defesa das imagens: "Não venero a matéria, mas o criador da matéria"

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina sobre os gestos diante das imagens?

Em dezembro de 1563, o Concílio de Trento respondeu à Reforma retomando Niceia II, e falou do beijo com todas as letras. Ensinou que não se deve crer que haja nas imagens alguma divindade ou poder, nem pedir nada a elas, nem pôr nelas a confiança, como faziam os pagãos com os seus ídolos; a honra vai para quem elas representam, e é por meio das imagens que beijamos, diante das quais descobrimos a cabeça e nos prostramos, que adoramos a Cristo e veneramos os santos (sessão XXV; resumo nosso a partir das versões inglesas). O Catecismo diz o mesmo com outras palavras, e também mostra onde está o erro:

[…] o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem.

Catecismo da Igreja Católica, n. 2132

Através das imagens sagradas da Santa Mãe de Deus, dos anjos e dos santos, veneramos as pessoas que nelas vemos representadas.

Catecismo da Igreja Católica, n. 1192

Atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 2111

O primeiro trecho, do número 2132, é de Tomás de Aquino (Suma, II-II, q. 81, a. 3, ad 3, como indica a nota do Catecismo). Em outro lugar ele explica que a imagem, enquanto coisa (madeira esculpida ou pintada), não recebe reverência nenhuma; quem a recebe é a pessoa para quem ela aponta (Suma, III, q. 25, a. 3). O terceiro trecho mostra o limite: o mesmo beijo que é carinho vira superstição quando se pensa que o efeito está no gesto ou no objeto, sem fé, sem conversão e sem oração.

Em 2001, o Diretório sobre a piedade popular e a liturgia, da Santa Sé, citou entre os gestos da piedade popular o costume de beijar ou tocar imagens, lugares, relíquias e objetos sagrados, e acrescentou um aviso: sem o lado interior, o gesto simbólico corre o risco de virar costume vazio ou, no pior caso, superstição (n. 15).

Vale distinguir os níveis. É doutrina definida que a veneração das imagens é legítima e diferente da adoração (Niceia II e Trento). Já o beijo é um costume: ninguém é obrigado a beijar uma imagem para ser um bom católico. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

Lado a lado

O beijo que a Bíblia condena e o beijo numa imagem cristã, lado a lado

O beijo que a Bíblia condenaO beijo numa imagem cristã
A quem vaiA Baal, a um bezerro de metal, ao sol e à lua, tratados como deuses (1Rs 19,18; Os 13,2; Jó 31,26-28)A Cristo, a Maria ou a um santo, por meio da imagem que os representa (Catecismo, n. 1192)
O que se pensa do objetoQue é um deus ou tem poder próprioQue é madeira, gesso ou tinta, e que nada se deve pedir a ele (Concílio de Trento, sessão XXV)
O que vem juntoSacrifício ao ídolo (Os 13,2)Oração a Deus; o sacrifício da Missa é oferecido só a Deus
Quando é pecadoSempre: é honrar uma criatura no lugar de Deus (Catecismo, n. 2113)Quando se trata a imagem como se tivesse poder próprio (Catecismo, n. 2111)

O que a história mostra

Como a Igreja usa o beijo e a inclinação na própria liturgia?

Na Missa de hoje. Ao chegar ao altar, o padre o beija, e faz o mesmo no fim da celebração; depois de proclamar o Evangelho, beija o livro (Instrução Geral do Missal Romano, n. 123, 134 e 169). O Missal explica o sentido dos gestos. A inclinação indica a reverência e a honra que se dão às pessoas ou aos sinais que as representam, e por isso se inclina a cabeça ao nome de Jesus, da Virgem Maria e do santo em cuja honra se celebra a Missa (n. 275). A genuflexão, dobrar o joelho até o chão, significa adoração, e por isso é reservada ao Santíssimo Sacramento e, da Sexta-feira Santa até a Vigília Pascal, à santa Cruz (n. 274). A própria liturgia distingue o gesto de honra do gesto de adoração.

E a "adoração da cruz" na Sexta-feira Santa? O nome é antigo, e muitos fiéis beijam a cruz nesse dia. Não se adora a madeira. Tomás de Aquino explica que a madeira, enquanto coisa, não recebe reverência nenhuma; diante da imagem de Cristo e da cruz, o movimento da alma termina no próprio Cristo, que é adorado (Suma, III, q. 25, a. 3 e 4). É a explicação de um teólogo, não a definição de um concílio, mas mostra para onde vai o gesto, como Damasceno já dizia.

Entre os primeiros cristãos. Por volta de 155, Justino conta ao imperador que, terminadas as orações, "nos saudamos uns aos outros com um beijo" (Primeira Apologia 65). Sobre gestos diante de imagens nos primeiros séculos quase não há informação, como reconhece a Enciclopédia Católica. O costume de beijar e incensar os ícones cresceu no Oriente depois de Constantino, num mundo em que também se beijava e incensava a imagem do imperador, quando isso já não era culto pagão, mas etiqueta da corte, sem suspeita de idolatria.

A frase de Justino está em tradução nossa, a partir da versão inglesa.

Os frutos

Como beijar uma imagem sem tirar Deus do centro?

O gesto é bom quando faz o que a Igreja pede: lembrar, amar e imitar quem a imagem representa e, por meio dele, chegar a Cristo. Um exame simples ajuda. Eu peço coisas à imagem, ou peço ao santo que reze por mim a Deus? Acho que esta imagem tem mais poder do que aquela? Beijo e vou embora sem rezar? Se a resposta preocupa, o problema não é o beijo, é o que se pensa dele, e o Catecismo chama isso de superstição (n. 2111).

Com um irmão evangélico, há muito em comum para começar. Os dois concordam que adorar uma criatura é pecado grave. Quem ama a Bíblia não costuma jogar o livro no chão ou no lixo, porque o papel e a tinta levam a Palavra de Deus. E os dois sabem que honrar ou desprezar a foto de alguém atinge a própria pessoa. Basílio de Cesareia, no século IV, já explicava que a honra dada à imagem do imperador passa ao próprio imperador (Sobre o Espírito Santo 18,45), numa comparação para explicar a Trindade; Niceia II aplicou a ideia às imagens. A pergunta que fica é se esse mesmo princípio vale para a imagem de Cristo e dos seus amigos.

E quem não tem o costume de beijar imagens não é menos cristão por isso. O beijo é só um jeito de dizer com o corpo o que o coração já diz: adoração, só a Deus; e os que Ele santificou são amados por causa dele.

Para guardar

O beijo não fica na madeira: vai para quem a imagem representa, como o beijo na foto de uma mãe vai para ela. A Bíblia condena beijar um deus falso, e a Igreja proíbe pedir coisas à imagem ou confiar nela. Adoração, só a Deus.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Em 1 Reis 19,18, que beijo a Bíblia condena?

  2. 2. Em Êxodo 18,7, diante de quem Moisés se prostra e a quem beija?

  3. 3. O que o Concílio de Trento (1563) ensina sobre as imagens?

  4. 4. Quem escreveu "Não venero a matéria, mas o criador da matéria"?

  5. 5. Segundo o Catecismo (n. 2111), quando um gesto religioso vira superstição?

Perguntas frequentes

Beijar a imagem de um santo é adorar o santo?

Não. Adorar é tratar alguém como Deus, e isso a Igreja reserva só a Deus. O beijo na imagem é um gesto de honra e de carinho que vai para a pessoa representada, como o beijo na foto de alguém querido. O Catecismo diz que, pelas imagens dos santos, veneramos as pessoas que nelas vemos representadas (n. 1192).

A Bíblia proíbe beijar imagens?

A Bíblia condena beijar ídolos, isto é, deuses falsos como Baal ou os bezerros de metal (1Rs 19,18; Os 13,2). Mas usa o mesmo gesto para honrar pessoas (Ex 18,7; Rm 16,16) e mostra gente prostrada diante da arca da aliança rezando a Deus (Js 7,6-7). O que decide é a quem o gesto se dirige.

E a "adoração da cruz" na Sexta-feira Santa?

É o nome tradicional do rito, em que muitos fiéis beijam a cruz. Não se adora a madeira: o gesto termina em Cristo crucificado, que é Deus. Tomás de Aquino explica que a imagem, enquanto coisa, não recebe reverência nenhuma (Suma, III, q. 25, a. 3), e João Damasceno dizia que se honra a cruz como símbolo de Cristo, e não a madeira (Exposição da fé IV,11).

O católico é obrigado a beijar imagens?

Não. A veneração das imagens é doutrina definida (Niceia II, em 787, e Trento, em 1563), mas o beijo é um costume da piedade popular. A Igreja pede que esses gestos nasçam da fé e alerta que, sem o lado interior, podem virar costume vazio ou superstição (Diretório sobre a piedade popular, n. 15).

Por que o padre beija o altar na Missa?

Para venerar o altar, sinal de Cristo e lugar do sacrifício. A Instrução Geral do Missal Romano diz que a veneração do altar e do livro dos Evangelhos se faz com o beijo, segundo o costume recebido, e que onde o beijo não combina com a cultura local a conferência dos bispos, com o consentimento da Santa Sé, pode escolher outro gesto (n. 273).

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2111, 2113 e 2132
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1192
  3. VaticanoInstrução Geral do Missal Romano (edição italiana), n. 123, 134, 169 e 273 a 275
  4. VaticanoCongregação para o Culto Divino, Diretório sobre a piedade popular e a liturgia (17 de dezembro de 2001), n. 15
  5. VaticanoBento XVI, audiência geral de 6 de maio de 2009, sobre São João Damasceno (cita o primeiro discurso, I,16)
  6. CCELDecreto do segundo Concílio de Niceia, com os termos gregos (tradução inglesa, Nicene and Post-Nicene Fathers, série 2, vol. 14)
  7. CCELConcílio de Trento, sessão XXV, decreto sobre as imagens (tradução inglesa de Buckley)
  8. Fordham University, Medieval SourcebookJoão Damasceno, Apologia contra os que rejeitam as imagens (tradução inglesa de Mary Allies, 1898)
  9. New AdventJoão Damasceno, Exposição da fé ortodoxa, livro IV (tradução inglesa)
  10. New AdventMinúcio Félix, Otávio, capítulos 2 e 3 (tradução inglesa)
  11. New AdventJustino, Primeira Apologia, 65 (tradução inglesa)
  12. New AdventBasílio de Cesareia, Sobre o Espírito Santo, 18,45 (tradução inglesa)
  13. VaticanoCatecismo da Igreja Católica (inglês), n. 2132 e a nota que remete a Tomás, II-II, q. 81, a. 3, ad 3
  14. New AdventTomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, q. 81, a. 3, ad 3 (a frase citada no Catecismo, n. 2132; tradução inglesa)
  15. New AdventTomás de Aquino, Suma Teológica, III, q. 25, a. 3 e 4 (tradução inglesa)
  16. Catholic EncyclopediaVeneration of Images: os gestos diante das imagens e a falta de informação sobre os primeiros séculos
  17. Catholic EncyclopediaIconoclasm: Leão III (726), Niceia II (787) e a Festa da Ortodoxia
  18. Catholic EncyclopediaMinucius Felix: a data incerta do Otávio
  19. Bible HubÊxodo 18,7 no hebraico (prostrar-se e beijar)
  20. Bible HubOseias 13,2 no hebraico
  21. Bible HubJó 31,27 no hebraico
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