A resposta curta
Vale, e a Igreja batiza crianças desde muito cedo. O batismo é antes de tudo um dom de Deus, e não um prêmio pela escolha de quem o recebe: Pedro diz que a promessa é "para vós e para os vossos filhos" (At 2,39). Entre 200 e 206, Tertuliano já discute o batismo de crianças pequenas como costume conhecido, e por volta de 246 Orígenes o chama de tradição recebida dos apóstolos.
A objeção
O que se costuma dizer
Batismo é decisão pessoal. No Novo Testamento, primeiro a pessoa ouve o Evangelho, se arrepende e crê; só depois é batizada: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado" (At 2,38); "quem crer e for batizado será salvo" (Mc 16,16). Um bebê não ouve, não se arrepende e não crê. Batizá-lo é decidir por ele uma coisa que só ele poderia decidir, e ainda lhe dar a falsa segurança de que já é cristão. Por isso muitas igrejas evangélicas apresentam os filhos pequenos a Deus numa oração de dedicação e deixam o batismo para quando a pessoa puder professar a fé com a própria boca.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa discussão?
A pergunta é antiga, como se verá abaixo, mas ganhou a forma de hoje no século XVI.
Zurique, 1525. Jovens que seguiam o reformador Ulrico Zwínglio romperam com ele. Um deles, Félix Manz, dizia que o batismo só faz sentido para quem é capaz de professar a fé por si mesmo. Em janeiro de 1525, o governo de Zurique mandou batizar em uma semana as crianças ainda não batizadas e proibiu a pregação desse grupo; na noite de 21 de janeiro, na casa de Manz, eles batizaram uns aos outros. Foram chamados de anabatistas, "os que batizam de novo"; para eles, porém, o batismo recebido na infância não valia.
Perseguidos dos dois lados. Em 5 de janeiro de 1527, Manz foi afogado no rio Limmat por ordem das autoridades protestantes de Zurique. No mesmo ano, os artigos de Schleitheim, que tiveram Michael Sattler como principal autor, pediram o batismo só para quem se arrepende, crê e o pede; em maio, autoridades católicas da Áustria queimaram Sattler. Nada disso tem defesa: ninguém se converte a Cristo pela força. Em 1983, a Igreja Reformada da Suíça pediu perdão pelo sofrimento causado aos anabatistas; e, no Dia do Perdão, em 12 de março de 2000, a Igreja Católica confessou que houve também homens de Igreja que, "em nome da fé e da moral, às vezes lançaram mão de métodos não evangélicos".
Hoje. No começo do século XVII nasceram as primeiras comunidades batistas, que também batizam só quem professa a fé; a aula A Bíblia é a única autoridade? mostra como batistas e presbiterianos, lendo a mesma Bíblia, chegaram a práticas opostas nesse ponto. Batizam crianças os católicos, os ortodoxos e várias igrejas da Reforma, como os luteranos (Confissão de Augsburgo, 1530, art. 9) e os presbiterianos (Confissão de Westminster 28,4). Os dois lados amam os filhos e querem vê-los com Cristo; a divergência é sobre o que o batismo é.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
A objeção tem razão num ponto: os batismos narrados no Novo Testamento são de adultos que acabavam de ouvir o Evangelho, sempre ligados à fé (Catecismo, n. 1226). A pergunta honesta é outra: o batismo é, antes de tudo, um ato nosso, que só vale se for escolha consciente, ou um dom de Deus, que a pessoa recebe e depois assume com a própria fé? E, ligada a ela: a Bíblia proíbe batizar quem ainda não fala, ou simplesmente não trata do caso?
Não existe versículo que diga "batizai os bebês", nem versículo que diga "não batizeis os bebês". Por isso vale ler os textos com calma e ver o que faziam as Igrejas que receberam o Evangelho dos apóstolos. Se o batismo salva ou é só um sinal é tema da aula O batismo salva ou é só um símbolo?; o modo de batizar, da aula O batismo tem de ser por imersão?.
O que diz a Bíblia
O que a Bíblia diz sobre as crianças e o batismo?
A promessa é para os vossos filhos
No dia de Pentecostes, logo depois de chamar a multidão ao arrependimento e ao batismo (At 2,38), Pedro acrescenta:
Pois a promessa é para vós e para os vossos filhos, e para todos os que estão longe, para quantos o Senhor nosso Deus chamar. (At 2,39)
A palavra grega é tékna, filhos, sem idade definida. O versículo não diz "batizai os bebês", mas mostra que a promessa não para nos adultos que ouviam: alcança a família e as gerações seguintes, como a aliança que Deus fez com Abraão e com a sua descendência depois dele (Gn 17,7).
Casas inteiras
Atos e Paulo contam batismos de famílias inteiras:
Uma mulher chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, que adorava a Deus, escutava; e o Senhor lhe abriu o coração para atender ao que Paulo dizia. Depois que foi batizada, ela e a sua casa, fez-nos um pedido: Se me julgais fiel ao Senhor, entrai em minha casa e ficai. (At 16,14-15)
Naquela mesma hora da noite, ele os levou consigo, lavou-lhes as feridas e logo foi batizado, ele e todos os seus. (At 16,33)
Batizei também a casa de Estéfanas; além disso, não sei se batizei mais alguém. (1Cor 1,16)
No grego, "casa" é oîkos, a família e os que viviam sob o mesmo teto. Mas nenhum desses textos diz que havia crianças. Quem discorda do batismo de crianças lembra, com razão, que ao carcereiro a Palavra foi anunciada "com todos os que estavam na sua casa" (At 16,32) e que Crispo "creu no Senhor com toda a sua casa" (At 18,8). O próprio Catecismo é cauteloso: diz que é "bem possível" que, nessas casas, também crianças tenham sido batizadas (n. 1252). O que os textos mostram com segurança é que o batismo era pensado por famílias, e não só por indivíduos.
Uma circuncisão não feita por mãos
Nele também fostes circuncidados, com uma circuncisão não feita por mão humana, pelo despojamento do corpo da carne, na circuncisão de Cristo: sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados com ele, pela fé na ação de Deus, que o ressuscitou dos mortos. (Cl 2,11-12)
Paulo põe lado a lado a circuncisão de Cristo e o batismo. Em Israel, a circuncisão era o sinal da aliança, e a Lei a mandava fazer cedo:
Com oito dias de vida, todo menino entre vós será circuncidado, de geração em geração. (Gn 17,12)
O menino entrava no povo de Deus antes de entender o que era o povo de Deus. Paulo não tira daí nenhuma regra sobre a idade do batismo; a comparação com o oitavo dia é leitura de padres da Igreja, como Cipriano (abaixo). Mas ajuda a ver que, na Bíblia, receber um sinal de Deus antes de poder responder não é coisa estranha.
Deixai as crianças
Traziam-lhe crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreenderam. Vendo isso, Jesus ficou indignado e lhes disse: Deixai as crianças virem a mim, não as impeçais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. (Mc 10,13-14)
Não é uma cena de batismo, e é bom não forçar o texto. Lucas, no mesmo episódio, usa a palavra bréphē, bebês (Lc 18,15): quem chegava a Jesus no colo não era mandado embora. Os dois lados usaram este versículo: Tertuliano, entre 200 e 206, para pedir que se esperasse; o Catecismo, ao falar da esperança para as crianças que morrem sem batismo (n. 1261).
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego e, no caso de Gênesis, do hebraico. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Atos 2, Atos 16, Atos 18, 1 Coríntios 1, Colossenses 2, Gênesis 17, Marcos 10 e Lucas 18.
O que diziam os primeiros cristãos
O que mostram os cristãos dos primeiros séculos?
Os escritos dos primeiros séculos mostram uma prática, e mostram também uma voz contrária. Vale ver as duas.
Justino, por volta de 155, fala de cristãos de sessenta e setenta anos que "desde crianças foram feitos discípulos de Cristo" (Primeira Apologia 15,6). Ele não diz "batizados", e o texto, sozinho, não prova nada.
Ireneu de Lyon, por volta de 180. Explicando que Jesus passou por todas as idades da vida, escreve:
Veio salvar todos por meio de si mesmo; todos, digo, os que por ele renascem para Deus: bebês, crianças pequenas, meninos, jovens e anciãos. (Contra as Heresias II,22,4)
Ireneu não fala do rito, e é preciso cautela. Mas, para ele, "renascer para Deus" é linguagem do batismo: chama a ordem de batizar de Mateus 28,19 de "poder de regeneração para Deus" (III,17,1).
Tertuliano, entre 200 e 206: a voz contrária. Em Cartago, no tratado O batismo, ele aconselha esperar:
Conforme a condição e a disposição de cada pessoa, e também a idade, é mais útil adiar o batismo, sobretudo no caso das crianças pequenas. [...] O Senhor diz, é verdade: Não as impeçais de vir a mim. Que venham, então, enquanto crescem, enquanto aprendem, enquanto são ensinados aonde vêm; tornem-se cristãos quando puderem conhecer a Cristo. Por que a idade inocente tem pressa de chegar ao perdão dos pecados? (O batismo 18,4-5)
Tertuliano não diz que esse batismo é inválido nem que é novidade: combate um costume que já existia, a ponto de se preocupar com os padrinhos. O motivo dele é o medo dos pecados graves depois do batismo, tanto que aconselha adiar também o batismo dos solteiros e das viúvas.
A Tradição Apostólica. Este ritual, atribuído por muito tempo a Hipólito de Roma (começo do século III), é visto hoje por muitos estudiosos como um texto composto em etapas, entre meados do século II e meados do IV. Na ordem do batismo, diz:
Batizar-se-ão em primeiro lugar as crianças; todas aquelas que podem falar por si mesmas que falem; quanto às que não podem fazê-lo, os pais ou alguém da sua família devem falar por elas. (Tradição Apostólica 21, no texto citado pela instrução Pastoralis actio, n. 4, com a ortografia atualizada)
Orígenes, por volta de 246. No comentário à Carta aos Romanos, escrito em grego em Cesareia e conservado na tradução latina de Rufino (c. 406), lê-se:
Por isso a Igreja recebeu dos apóstolos a tradição de dar o batismo também às crianças pequenas. (Comentário a Romanos V,9)
Como Rufino às vezes adaptava o que traduzia, não dá para garantir cada palavra. A mesma prática aparece nas homilias de Orígenes sobre o Levítico (8,3), que também chegaram até nós na tradução de Rufino.
Cipriano e 66 bispos, por volta de 253. Um bispo chamado Fido escreveu a Cartago perguntando se não seria melhor esperar o oitavo dia depois do nascimento, como na circuncisão. Reunidos em concílio, 66 bispos responderam:
No nosso concílio, todos pensamos de modo bem diferente. [...] Julgamos todos que a misericórdia e a graça de Deus não devem ser negadas a nenhum ser humano que nasce. (Carta 64,2)
A dúvida de Fido não era se as crianças podiam ser batizadas, mas se era preciso esperar oito dias.
As frases de Ireneu, de Tertuliano e de Orígenes estão em tradução nossa a partir do latim; a de Justino, a partir do grego; a de Cipriano foi traduzida por nós a partir da versão inglesa indicada nas fontes. A da Tradição Apostólica segue o texto português da instrução Pastoralis actio.

O que a Igreja ensina
O que a Igreja ensina sobre o batismo das crianças?
Para a Igreja Católica, batizar as crianças é doutrina de fé. O Concílio de Trento, em 1547, condenou a opinião de que seria melhor não batizá-las do que batizá-las "só na fé da Igreja" (sessão VII, cânones sobre o batismo, 13). O Catecismo e uma instrução de 1980 explicam o porquê:
A pura gratuidade da graça da salvação é particularmente manifesta no Baptismo das crianças.
A prática de baptizar as crianças é tradição imemorial da Igreja.
A fé que se requer para o Baptismo não é uma fé perfeita e amadurecida, mas um princípio chamado a desenvolver-se.
[…] não existe liberdade humana assim tão pura, que possa considerar-se absolutamente imune de todos os condicionamentos.
O primeiro trecho é o centro da resposta: no batismo de uma criança fica claro que a salvação é dom, e não prêmio. O terceiro responde à objeção da fé: a criança é batizada na fé da Igreja, que os pais e os padrinhos professam por ela, e essa fé deve crescer depois do batismo (n. 1254), na catequese (n. 1231), na primeira comunhão e na crisma. O quarto responde à objeção da liberdade, assunto do bloco seguinte. E, fora do perigo de morte, a Igreja não batiza uma criança sem o consentimento de ao menos um dos pais nem sem a esperança fundada de que será educada na fé; se essa esperança falta de todo, o batismo é adiado (Código de Direito Canônico, cân. 868). Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
E a liberdade de escolha da criança?
É a objeção mais forte hoje. A instrução Pastoralis actio a resume assim: batizar uma criança seria impor obrigações que ela talvez recuse mais tarde (n. 21). A resposta vem em três passos.
Ninguém cresce neutro. Os pais escolhem pelos filhos a língua, o nome, a escola, os valores da casa. Uma família que quisesse ficar neutra diante da fé estaria, na prática, escolhendo educar sem ela (n. 22).
O batismo não tira a liberdade. O Novo Testamento apresenta a vida cristã como entrada na liberdade dos filhos de Deus, e não como prisão (Jo 8,36; Gl 5,1). A criança batizada continua livre: um dia vai precisar dizer o seu próprio sim, e pode também dizer não. Se recusar, diz a instrução, os pais não devem se arrepender de lhe ter dado o batismo e uma educação cristã, porque as sementes da fé podem reviver um dia (n. 22).
Um dom, e não um contrato. Ninguém escolheu nascer, nem ser amado pelos pais antes de saber amar. O batismo de uma criança diz com um gesto que Deus ama primeiro (1Jo 4,19).
E há o outro lado: batizar para depois esquecer contradiz o sacramento. A preocupação dos irmãos batistas com uma fé de verdade é legítima, e a Igreja a compartilha.
Linha do tempo
O batismo de crianças, em datas
As datas antigas são aproximadas. No século IV, muitos adiavam o batismo por medo dos pecados futuros, e vários padres reagiram contra esse atraso (Pastoralis actio, n. 5).
- c. 30PentecostesPedro diz que a promessa é para os ouvintes "e para os vossos filhos" (At 2,39).
- anos 50Casas inteirasAtos conta os batismos das casas de Lídia e do carcereiro de Filipos (At 16); Paulo batiza a casa de Estéfanas, em Corinto (1Cor 1,16).
- 200 a 206Tertuliano aconselha esperarCombate o costume, já existente e com padrinhos, de batizar crianças pequenas.
- c. 253Cipriano e 66 bisposDecidem que não é preciso esperar o oitavo dia depois do nascimento.
- 381Gregório de NazianzoEm Constantinopla, aconselha batizar logo as crianças em perigo de morte e, nos outros casos, por volta dos três anos (Discurso 40,28).
- 418Concílio de CartagoCondena quem nega que se devam batizar as crianças recém-nascidas.
- 1525ZuriqueOs primeiros anabatistas, batizados na infância, batizam uns aos outros na casa de Félix Manz.
- 1547Concílio de TrentoConfirma que as crianças devem ser batizadas na fé da Igreja.
Lado a lado
A objeção e os textos, lado a lado
| O que se diz | O que os textos mostram | Onde conferir |
|---|---|---|
| No Novo Testamento só adultos foram batizados. | Os batismos narrados são de convertidos, como é natural na primeira geração; mas Atos e Paulo contam batismos de casas inteiras, sem dizer se havia crianças. | At 16,15.33; 1Cor 1,16; Catecismo, n. 1252 |
| Sem fé pessoal, o batismo não vale. | A criança é batizada na fé da Igreja, que pais e padrinhos professam; a fé pessoal deve crescer depois, como em todo batizado. | Catecismo, n. 1253 e 1254 |
| É uma invenção da Idade Média. | Entre 200 e 206, Tertuliano já combatia o costume; por volta de 253, 66 bispos discutiam se era preciso esperar oito dias. | Tertuliano, O batismo 18; Cipriano, Carta 64 |
| Tira da criança a liberdade de escolher. | Ninguém cresce neutro; o batizado continua livre para dizer o seu sim ou o seu não. | Pastoralis actio, n. 21 e 22 |
Os frutos
O que o batismo de um filho pede dos pais?
O batismo de um filho é um compromisso nos dois sentidos: Deus se compromete com a criança antes de ela saber o próprio nome, e os pais se comprometem a ensiná-la a conhecer esse Deus. Por isso eles e os padrinhos professam a fé em voz alta na celebração. Mais tarde, na catequese, na primeira comunhão e na crisma, a criança vai assumir com a própria boca o que recebeu.
Com os irmãos batistas e evangélicos que apresentam os filhos a Deus numa oração de dedicação, há um chão comum grande: todos querem que as crianças cresçam conhecendo Jesus, todos sabem que a fé precisa ser vivida e, para uns e outros, é Deus quem toma a iniciativa. A diferença é se Deus quis ligar essa iniciativa ao batismo já na infância. Vale conversar com calma, lendo juntos Atos 2 e 16.
Para guardar
A Bíblia não manda nem proíbe batizar bebês, mas diz que a promessa é "para vós e para os vossos filhos" (At 2,39). Desde os primeiros séculos a Igreja batiza crianças na fé dos pais e da comunidade, e cada uma, ao crescer, é chamada a dizer o seu próprio sim.
Teste
Teste o que você aprendeu
5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Em que versículo Pedro diz que "a promessa é para vós e para os vossos filhos"?
No dia de Pentecostes, logo depois de chamar ao arrependimento e ao batismo, Pedro diz que a promessa é para os ouvintes, para os seus filhos e para os que estão longe (At 2,39).
2. O que dizem os relatos de batismo de "casas inteiras" em Atos e em 1 Coríntios?
Os textos (At 16,15.33; 1Cor 1,16) falam da casa inteira, mas não dizem se havia crianças. Por isso o Catecismo diz só que é "bem possível" que crianças tenham sido batizadas (n. 1252).
3. No começo do século III, o que Tertuliano aconselhava sobre o batismo das crianças pequenas?
Em O batismo 18, ele acha mais útil adiar, por medo dos pecados graves depois do batismo. Ao combater o costume, mostra que ele já existia, inclusive com padrinhos.
4. Qual foi a dúvida do bispo Fido, respondida por Cipriano e 66 bispos por volta de 253?
Fido pensava em seguir o prazo da circuncisão. O concílio respondeu que a graça de Deus não deve ser negada a nenhum ser humano que nasce (Carta 64,2).
5. Fora do perigo de morte, o que o Código de Direito Canônico pede para que uma criança seja batizada licitamente?
O cânon 868 pede o consentimento de ao menos um dos pais e a esperança fundada de uma educação católica; faltando de todo essa esperança, o batismo é adiado.
Perguntas frequentes
Com que idade a Igreja pede que a criança seja batizada?
O Código de Direito Canônico pede que as crianças sejam batizadas "dentro das primeiras semanas" e que os pais, logo depois do nascimento ou até antes, procurem o pároco para pedir o sacramento e se preparar (cân. 867, § 1). Se a criança estiver em perigo de morte, deve ser batizada sem demora (§ 2).
E a criança que morre sem batismo?
A Igreja a confia à misericórdia de Deus e tem um rito próprio de funeral para ela; o Catecismo diz que a ternura de Jesus pelas crianças permite esperar que haja um caminho de salvação para elas (n. 1261). Em 2007, a Comissão Teológica Internacional, num documento publicado com o consentimento de Bento XVI, concluiu que há sérias razões para esperar que essas crianças sejam salvas, "razões de esperança na oração mais do que de conhecimento certo" (n. 102). O limbo, ideia elaborada por teólogos a partir da Idade Média, nunca foi definido como dogma; para a Comissão, continua sendo uma hipótese teológica possível, embora o Catecismo não o mencione. O mesmo documento lembra que nada disso diminui a necessidade do batismo nem autoriza adiá-lo (n. 103).
Quem pode ser padrinho ou madrinha?
Pode haver um padrinho, uma madrinha ou os dois (cân. 873). O padrinho deve ter ao menos dezesseis anos, salvo exceção, ser católico, crismado e já ter comungado, levar uma vida coerente com a fé e não ser o pai ou a mãe da criança (cân. 874, § 1). Um batizado de uma comunidade protestante só pode participar como testemunha, junto com um padrinho católico (§ 2); um cristão ortodoxo, por justa causa, pode ser padrinho junto com um católico (Diretório Ecumênico, n. 98).
Jesus foi batizado aos trinta anos. Não deveríamos esperar também?
Gregório de Nazianzo respondeu a essa pergunta em 381: Jesus não precisava ser purificado, e o momento do seu batismo fazia parte da sua missão pública, que começou nessa idade (Discurso 40,29). O Concílio de Trento rejeitou a ideia de que só se deva batizar na idade em que Cristo foi batizado ou na hora da morte (sessão VII, cânones sobre o batismo, 12).
A criança batizada já pode comungar?
Depende do rito. Nas Igrejas orientais, a criança recebe logo depois do batismo a crisma e a comunhão. Na Igreja latina, a crisma e a primeira comunhão vêm mais tarde, depois da catequese (Catecismo, n. 1233 e 1244), e a comunhão é dada quando a criança chega ao uso da razão e foi preparada (Código de Direito Canônico, cân. 913 e 914).
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1226, 1231, 1233, 1244 e 1250 a 1261
- VaticanoCongregação para a Doutrina da Fé, instrução Pastoralis actio (1980), n. 4, 5, 6, 14, 15, 21 e 22
- VaticanoCódigo de Direito Canônico, versão portuguesa, cân. 867, 868, 873, 874, 913 e 914
- VaticanoComissão Teológica Internacional, A esperança da salvação para as crianças que morrem sem batismo (2007)
- VaticanoJubileu do ano 2000, Oração universal do Dia do Perdão (12 de março de 2000): confissão das culpas no serviço da verdade
- Dicastério para a Promoção da Unidade dos CristãosDiretório para a aplicação dos princípios e normas sobre o ecumenismo (1993), n. 98 (texto inglês)
- Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão VII (1547), cânones sobre o batismo, 12 e 13 (tradução inglesa)
- Bible HubTexto grego de Atos 2,39
- Bible HubTexto grego de Atos 16,15
- Bible HubTexto grego de Colossenses 2,12
- Bible HubTexto grego de Lucas 18,15 (bréphē)
- Bible HubTexto hebraico de Gênesis 17,12
- MorphGNTTexto grego do Novo Testamento (SBLGNT): Atos dos Apóstolos
- First1KGreekJustino, Primeira Apologia, texto grego (15,6)
- CCELPhilip Schaff, History of the Christian Church, II, § 73: os textos latinos de Ireneu (II,22,4) e de Orígenes (Comentário a Romanos) e o concílio de 66 bispos em Cartago, em 253
- CUA Press (descrição da edição)Orígenes, Comentário a Romanos: escrito em grego em Cesareia, c. 246; tradução latina de Rufino, c. 406
- CUA Press (descrição da edição)Orígenes, Homilias sobre o Levítico, na tradução de Rufino, que admitiu ter mudado o texto
- New AdventIreneu de Lyon, Contra as Heresias, II,22 (tradução inglesa)
- New AdventIreneu de Lyon, Contra as Heresias, III,17 (tradução inglesa)
- The Latin LibraryTertuliano, O batismo, texto latino (18)
- The Tertullian ProjectE. Evans, introdução a O batismo: escrito por volta da virada do século II para o III
- The Tertullian ProjectCronologia das obras de Tertuliano: O batismo, depois de 198 e antes do período montanista
- New AdventCipriano de Cartago, Carta 64 a Fido (numerada 58 na tradução inglesa)
- New AdventGregório de Nazianzo, Discurso 40, 28 e 29 (tradução inglesa)
- Theological StudiesJohn F. Baldovin, Hippolytus and the Apostolic Tradition: Recent Research and Commentary (2003)
- SwissinfoRegula Bochsler, The Anabaptist Felix Manz meets a terrible end: Zurique, 1525 a 1527
- Universidade de WashingtonConfissão de Schleitheim (1527), tradução inglesa de J. C. Wenger
- Christian History InstituteMichael Sattler, executado por autoridades da Áustria em maio de 1527
- Catholic EncyclopediaBaptists: John Smyth em Amsterdã (1609) e a primeira comunidade em Londres (1611 ou 1612)
- BookOfConcord.orgConfissão de Augsburgo (1530), art. 9: o batismo
- Orthodox Presbyterian ChurchConfissão de Westminster, cap. 28

