A resposta curta
Não sozinha. Para a Igreja Católica, a Bíblia é Palavra de Deus inspirada e, junto com a Tradição que vem dos apóstolos, a regra suprema da fé (Dei Verbum 21). Os apóstolos transmitiram o Evangelho pela pregação e por escrito, e Paulo manda guardar as tradições ensinadas "seja por palavra, seja por carta" (2Ts 2,15); por isso a Igreja lê a Escritura dentro dessa Tradição, e quem a interpreta não está acima da Palavra, mas a serviço dela (Dei Verbum 10).
A objeção
O que se costuma dizer
Só a Bíblia é a autoridade do cristão. Ela mesma diz que toda a Escritura é inspirada por Deus e deixa o homem de Deus preparado para toda boa obra (2Tm 3,16-17). Se a Escritura basta, para que tradição, concílio ou papa? O que não está escrito na Bíblia é palavra de homem, e a Igreja Católica pôs palavras de homens ao lado da Palavra de Deus.
É uma convicção funda de muitos irmãos evangélicos, e nasce de um amor sincero pela Bíblia. Merece resposta com a Bíblia aberta.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa ideia?
A expressão latina sola Scriptura, "só a Escritura", resume um princípio da Reforma do século XVI. Em 1521, na Dieta de Worms, diante do imperador Carlos V, Martinho Lutero se recusou a retratar os seus escritos: só o faria se fosse convencido "pelo testemunho da Escritura ou por razão evidente", porque não confiava "nem em papas nem em concílios sozinhos", que, segundo ele, muitas vezes tinham errado.
A Fórmula de Concórdia, luterana, de 1577, diz que a única regra para julgar toda doutrina são os escritos dos profetas e dos apóstolos. A Confissão de Westminster, presbiteriana, terminada em 1646, ensina que o juiz supremo de toda controvérsia é "o Espírito Santo falando na Escritura" (cap. 1, 10).
É importante não fazer caricatura. Os reformadores não jogaram fora a história da Igreja: a Fórmula de Concórdia se compromete com o Credo dos Apóstolos, o de Niceia e o chamado Credo de Atanásio, e a Confissão de Westminster diz que os concílios, embora possam errar, servem "de ajuda" (cap. 31). Um teólogo reformado de hoje, Keith Mathison, critica a solo Scriptura (com "o"), em que cada um lê a Bíblia sozinho, sem igreja e sem credo: para os reformadores, diz ele, a Escritura é a única regra infalível, mas lida na Igreja e dentro da regra de fé.
No dia a dia, a ideia chega mais simples: "eu sigo só a Bíblia". Esta aula responde às duas formas.

A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
Primeiro, o que não está em discussão. A Igreja Católica também ensina que a Bíblia é Palavra de Deus, escrita sob a inspiração do Espírito Santo, e que os seus livros ensinam "com certeza, fielmente e sem erro" a verdade que Deus quis registrar para a nossa salvação (Catecismo, n. 107).
A pergunta honesta é outra: a própria Bíblia ensina que ela é a única regra da fé? E, quando cristãos sinceros leem a mesma Bíblia e chegam a respostas opostas, quem decide?
Duas perguntas vizinhas têm aulas próprias: Por que a Bíblia católica tem sete livros a mais? e Por que há dogmas que não estão escritos na Bíblia?. A diferença entre a Tradição dos apóstolos e os costumes nascidos depois está em Os católicos seguem tradições humanas?.
O que diz a Bíblia
O que a Bíblia diz sobre a sua própria autoridade?
2 Timóteo 3, no contexto
É o texto mais citado a favor da sola Scriptura. Vale lê-lo inteiro:
Tu, porém, permanece no que aprendeste e de que te convenceste, sabendo de quem o aprendeste, e que desde criança conheces as sagradas Letras, que podem te dar a sabedoria que leva à salvação, pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para educar na justiça, para que o homem de Deus seja completo, inteiramente preparado para toda boa obra. (2Tm 3,14-17)
Quatro detalhes. Primeiro, Paulo diz que a Escritura é "inspirada por Deus" (em grego, theópneustos) e "útil" (ōphélimos). O católico assina embaixo, e o Vaticano II cita o versículo (Dei Verbum 11). Mas "útil para ensinar" não quer dizer "a única coisa que ensina": o texto não diz "só".
Segundo, as "sagradas Letras" que Timóteo conhecia desde criança eram as Escrituras de Israel, o nosso Antigo Testamento; o Novo ainda estava sendo escrito. A Igreja aplica o versículo à Bíblia inteira, mas Paulo não trata aqui da lista dos livros.
Terceiro, Paulo manda Timóteo permanecer no que aprendeu "sabendo de quem" aprendeu. No texto grego mais aceito, "de quem" está no plural, e muitos estudiosos entendem que Paulo pensa em si mesmo e na avó e na mãe de Timóteo, Loide e Eunice (2Tm 1,5). A fé chegou a Timóteo por pessoas e pelo livro, juntos.
Quarto, o versículo 17: a Escritura deixa o homem de Deus "completo" e "preparado para toda boa obra". O católico aceita. Mas Tiago diz algo parecido da paciência, que nos deixa "perfeitos e íntegros, sem falta de nada" (Tg 1,4), e ninguém conclui que só a paciência basta. E "homem de Deus" é como Paulo chama o próprio Timóteo, o pastor (1Tm 6,11); e, nesta mesma Segunda Carta, manda a ele: "O que ouviste de mim diante de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de ensinar também a outros" (2Tm 2,2).
Por palavra ou por carta
Portanto, irmãos, ficai firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por carta nossa. (2Ts 2,15)
A palavra grega é parádosis, "o que foi entregue", aqui no plural. Paulo põe lado a lado a pregação que os tessalonicenses ouviram dele (At 17,1-4) e a carta, e pede que guardem as duas. Um irmão evangélico costuma responder que, com o tempo, tudo o que era necessário passou para o papel. É uma hipótese possível, mas não é o que o versículo diz.
Nem tudo foi escrito
Jesus fez diante dos discípulos ainda muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome. (Jo 20,30-31)
Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o próprio mundo poderia conter os livros que se escreveriam. (Jo 21,25)
João diz que o que escreveu basta para crer e ter a vida, e isso é verdade; mas não diz que tudo o que os apóstolos ensinaram foi parar no seu livro. Os evangelistas escolheram algumas coisas entre as muitas que se transmitiam de boca ou por escrito (Dei Verbum 19). Sozinhos, estes versículos não provam a Tradição; mostram que os autores sagrados não pretendiam escrever tudo.
Ler com alguém
Filipe correu até ele, ouviu-o lendo o profeta Isaías e disse: Entendes o que lês? Ele respondeu: Como poderia, se ninguém me guiar? (At 8,30-31)
Estes eram de sentimentos mais nobres que os de Tessalônica: receberam a palavra com toda a boa vontade, examinando todos os dias as Escrituras para ver se as coisas eram assim. (At 17,11)
Os judeus de Bereia são elogiados por conferir nas Escrituras o que ouviam. Mas o que eles conferiam era a pregação oral de Paulo, que acolheram com alegria. E o etíope, com o livro nas mãos, precisou de alguém enviado para lhe abrir o sentido.
Quando os cristãos discordaram
No Concílio de Jerusalém, a dúvida era séria: os pagãos convertidos precisavam ser circuncidados? "Os apóstolos e os anciãos se reuniram para examinar esta questão" (At 15,6). Pedro contou o que Deus tinha feito, Tiago citou o profeta Amós (At 15,15-17), e a assembleia decidiu e mandou a decisão às Igrejas por carta (At 15,22-29). A Escritura foi lida dentro da Igreja reunida, e foi a Igreja reunida que deu a resposta. Paulo chama a Igreja do Deus vivo de "coluna e sustentáculo da verdade" (1Tm 3,15), como mostra a aula Jesus fundou a Igreja Católica?.
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: 2 Timóteo 2, 2 Timóteo 3, Tiago 1, 1 Timóteo 6, 2 Tessalonicenses 2, João 20, João 21, Atos 8, Atos 17, Atos 15 e 1 Timóteo 3.
O que diziam os primeiros cristãos
Como os primeiros cristãos uniam a Escritura e a Tradição?
Os padres da Igreja amavam a Escritura e a citavam o tempo todo; alguns textos deles são lembrados até pelos defensores da sola Scriptura. O que eles não faziam era opor a Escritura à fé recebida dos apóstolos e guardada na Igreja.
Ireneu de Lyon, por volta de 180. Contra grupos que inventavam ensinamentos secretos, Ireneu manda recorrer às Igrejas mais antigas, com as quais os apóstolos conviveram, e pergunta:
E se os próprios apóstolos não nos tivessem deixado escritos? Não seria preciso, nesse caso, seguir a ordem da tradição que eles entregaram àqueles a quem confiavam as Igrejas? (Contra as Heresias III,4,1)
E conta que muitos povos bárbaros que creem em Cristo guardam essa fé "sem papel nem tinta", com a salvação escrita no coração pelo Espírito (III,4,2). O mesmo Ireneu enche os seus livros de citações da Bíblia: para ele, as duas coisas não competem.
Cirilo de Jerusalém, por volta de 350. Ensinando os que iam ser batizados, Cirilo diz uma frase que muitos evangélicos citam, com razão:
Nem a mim, que vos digo estas coisas, deis crédito sem mais, se não receberdes das divinas Escrituras a prova do que anuncio. (Catequeses 4,17)
Na catequese seguinte, ele entrega o Credo e pede que guardem "só aquela fé que agora vos é entregue pela Igreja e que foi solidamente construída a partir de todas as Escrituras", e termina ecoando Paulo: "guardai as tradições que agora recebeis" (Catequeses 5,12). A prova vem da Escritura; a fé chega pela Igreja.
João Crisóstomo, entre 386 e 404. Comentando 2 Tessalonicenses 2,15:
Daqui se vê que eles não entregaram tudo por carta, mas também muitas coisas sem escrito, e umas e outras merecem igual fé. Por isso, consideremos digna de fé também a tradição da Igreja. (Homilia 4 sobre a Segunda Carta aos Tessalonicenses)
Vicente de Lérins, por volta de 434. Talvez o texto mais equilibrado de todos:
Alguém talvez pergunte: se o cânon das Escrituras é completo e basta, e mais que basta, por si só para tudo, que necessidade há de juntar a ele a autoridade da interpretação da Igreja? Por isto: por causa da sua profundidade, a Sagrada Escritura não é entendida por todos num só e mesmo sentido [...], de modo que parece possível tirar dela tantas interpretações quantos são os intérpretes. (Commonitorium 2,5)
Vicente aceita que a Escritura basta e, ao mesmo tempo, que é preciso lê-la segundo a interpretação da Igreja. A frase mais famosa dele está na aula Quem garante que a Igreja Católica é a verdadeira?.
Estudiosos protestantes como Keith Mathison, seguindo o historiador Heiko Oberman, leem esses textos de outro modo: a Escritura seria a única fonte, e a tradição, o modo de lê-la. Os católicos não negam que os padres davam à Escritura o primeiro lugar; notam que, para eles, a fé recebida dos apóstolos e guardada na Igreja era o critério para lê-la.
As frases de Ireneu, Cirilo, Crisóstomo e Vicente foram traduzidas a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.
O que a Igreja ensina
O que a Igreja ensina sobre a Escritura e a Tradição?
O Concílio Vaticano II tratou do assunto na constituição Dei Verbum, de 1965, e o Catecismo o resume nos números 74 a 100. Os apóstolos transmitiram o Evangelho "oralmente" e "por escrito" (Catecismo, n. 76). E as duas formas se relacionam assim:
[…] derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim.
[…] a Igreja não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas.
Sempre as considerou, e continua a considerar, juntamente com a sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé […]
Este magistério não está acima da palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido […]
No entanto, a fé cristã não é uma «religião do Livro».
O primeiro trecho mostra que Escritura e Tradição não são fontes rivais: brotam da mesma fonte divina. O segundo é o centro da resposta católica: a certeza sobre tudo o que Deus revelou não vem só do texto escrito. Tradição não é uma segunda Bíblia escondida, mas a transmissão viva pela qual a Igreja "perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo em que acredita" (Catecismo, n. 78). O terceiro mostra que a Igreja dá à Escritura o lugar mais alto, sempre unida à Tradição. O quarto responde à pergunta "quem decide?": o encargo de interpretar com autoridade foi confiado aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro (Catecismo, n. 85), e é um serviço à Palavra, não um poder sobre ela. O último lembra que o centro da fé é uma pessoa, o Verbo vivo; por isso a Escritura deve ser lida "na tradição viva de toda a Igreja" (n. 113).
Em 1546, respondendo à Reforma, o Concílio de Trento já ensinava que a verdade do Evangelho está nos livros escritos e nas tradições não escritas recebidas dos apóstolos, e que umas e outras merecem igual reverência; falava das tradições que vêm dos apóstolos, não de qualquer costume. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
O que a história mostra
Quem decide quando cristãos sinceros leem a Bíblia de modos diferentes?
O que dizem as confissões da Reforma. A Confissão de Westminster reconhece que nem tudo na Escritura é igualmente claro, mas diz que o necessário para a salvação está dito com clareza em algum lugar dela (cap. 1, 7), e que "a regra infalível de interpretação da Escritura é a própria Escritura" (cap. 1, 9). É uma resposta séria. E, para as controvérsias, a mesma confissão dá aos sínodos e concílios a tarefa de decidir "ministerialmente" as questões de fé; quando concordam com a Palavra, as suas decisões devem ser recebidas "com reverência e submissão", embora possam errar (cap. 31, 2 e 3).
Um exemplo concreto. Em alguns pontos, porém, o método não chega a um acordo. A Confissão de Westminster ensina que os filhos pequenos de pais cristãos devem ser batizados (cap. 28, 4). A Confissão Batista de Londres, de 1689, diz que só devem receber o batismo os que professam pessoalmente o arrependimento e a fé (cap. 29, 2). Os dois grupos amam a Bíblia, aplicam o mesmo princípio e chegam a práticas opostas sobre o batismo, que o próprio Jesus mandou celebrar (Mt 28,19). A questão não é quem ama mais a Bíblia, mas quem pode dizer, quando a leitura diverge, qual é o sentido que vem dos apóstolos.
O ponto que Lutero levantou. Em Worms, Lutero lembrou que papas e concílios erraram. A Igreja não nega que papas e bispos erraram muitas vezes, como mostra a aula Como o papa pode ser infalível se papas erraram?. O que ela ensina é mais estreito: a infalibilidade prometida à Igreja vale para as definições solenes de fé e de moral do papa, ou dos bispos em união com ele, sobretudo num concílio ecumênico (Catecismo, n. 891). E a pergunta católica é se o perigo que Mathison vê no leitor isolado não volta, um degrau acima, entre igrejas que leem a mesma Bíblia de modos opostos.
A lista dos livros. Nenhum versículo diz quais livros são Escritura; o próprio Mathison admite que o índice impresso no começo da Bíblia não é um texto inspirado. É o assunto da aula Por que a Bíblia católica tem sete livros a mais?.
Lado a lado
Em que as duas respostas se parecem e em que diferem?
| A pergunta | Os reformadores (sola Scriptura) | A Igreja Católica |
|---|---|---|
| Qual é a regra suprema da fé? | Só a Escritura é a regra infalível (Fórmula de Concórdia; Westminster, cap. 1, 10). | A Escritura, junto com a Tradição apostólica (Dei Verbum 21). |
| E a pregação oral dos apóstolos? | Deus quis pôr inteiramente por escrito a sua vontade revelada (Westminster, cap. 1, 1). | Foi transmitida também na vida, no culto e no ensino da Igreja (Catecismo, n. 76 a 78). |
| Os credos e os concílios valem? | Sim: os sínodos decidem as controvérsias de modo ministerial, como ajuda subordinada à Escritura, que pode errar (Westminster, cap. 31, 2 e 3). | Quando os bispos, em união com o sucessor de Pedro, definem a fé, sobretudo num concílio ecumênico, são guardados do erro (Catecismo, n. 891). |
| Quem interpreta com autoridade? | A Escritura se interpreta pela Escritura, com a luz do Espírito (Westminster, cap. 1, 6, 9 e 10). | O Magistério, a serviço da Palavra e nunca acima dela (Dei Verbum 10). |
Os frutos
O que católicos e evangélicos têm em comum aqui?
Muito. Os dois creem que Deus falou, que a Bíblia é a Palavra dele e que nenhuma autoridade humana pode contradizê-la. O Catecismo lembra que "a Palavra de Deus escrita" está entre os dons de Cristo que existem também fora das fronteiras visíveis da Igreja Católica (n. 819), e o amor de tantos irmãos evangélicos pela Bíblia é um exemplo para os católicos.
A diferença é sobre como essa Palavra chegou e quem a guarda. Para a Igreja, o Espírito que inspirou os livros acompanha a comunidade que os recebeu, os leu na liturgia e os transmitiu; a Escritura, a Tradição e o Magistério estão unidos de tal modo que "um sem os outros não se mantém" (Dei Verbum 10).
Para guardar
A Bíblia é Palavra de Deus e regra suprema da fé, mas não chegou sozinha: Paulo manda guardar o que foi ensinado "seja por palavra, seja por carta" (2Ts 2,15), e a Igreja que recebeu os livros é a mesma que os lê e os serve, sem se pôr acima deles.
Teste
Teste o que você aprendeu
5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Em 2 Timóteo 3,16, como Paulo descreve a Escritura?
Paulo diz que toda a Escritura é inspirada por Deus (theópneustos) e útil (ōphélimos) para ensinar, repreender, corrigir e educar na justiça. O versículo não diz que ela é a única fonte.
2. O que Paulo manda os tessalonicenses guardarem em 2 Tessalonicenses 2,15?
Paulo pede que fiquem firmes e guardem as tradições que aprenderam "seja por palavra, seja por carta nossa": a pregação oral e a carta, as duas.
3. Qual documento do Concílio Vaticano II trata da Escritura e da Tradição?
A constituição Dei Verbum, de 1965, trata da Revelação divina. Os números 9 e 10 explicam como a Tradição, a Escritura e o Magistério se unem.
4. Segundo a Dei Verbum (n. 10), qual é a relação do Magistério com a Palavra de Deus?
O Concílio diz que o Magistério não está acima da Palavra de Deus, mas a seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido.
5. O que Vicente de Lérins escreveu, por volta de 434, sobre a Escritura?
No Commonitorium (2,5), Vicente admite que o cânon das Escrituras é completo e basta, mas que, por causa da sua profundidade, cada intérprete o entende de um modo; por isso é preciso a interpretação da Igreja.
Perguntas frequentes
O que quer dizer sola Scriptura?
É latim e quer dizer "só a Escritura". Na Reforma do século XVI, virou o nome do princípio de que a Bíblia é a única regra infalível para julgar toda doutrina. A Fórmula de Concórdia luterana, de 1577, chama a Escritura de único juiz, regra e norma, a "pedra de toque" de todo ensino. Para os reformadores, isso não queria dizer desprezar os credos antigos, que eles mantiveram.
Apocalipse 22,18 não proíbe acrescentar qualquer coisa à Bíblia?
O aviso fala das "palavras da profecia deste livro", isto é, do próprio Apocalipse. Moisés deu um aviso parecido sobre a Lei: "Não acrescentareis nada à palavra que eu vos ordeno, nem tirareis nada dela" (Dt 4,2), e nem por isso os livros dos profetas, escritos depois, foram tidos como acréscimo proibido. A Igreja também não acrescenta nenhuma revelação nova: "já não se há-de esperar nenhuma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo" (Catecismo, n. 66), e o Magistério ensina "apenas o que foi transmitido" (Dei Verbum 10).
A Missa tem Bíblia?
Muita. O Vaticano II lembra que da Escritura vêm as leituras explicadas na homilia e os salmos que se cantam, e que dela nasceram as preces, as orações e os hinos da liturgia (Sacrosanctum Concilium 24). E pediu que a mesa da Palavra de Deus fosse preparada "com maior abundância", para que as partes mais importantes da Bíblia fossem lidas ao povo num período estabelecido (n. 51).
A Tradição católica é um ensinamento secreto?
Não. No século II, eram os grupos gnósticos que diziam ter recebido dos apóstolos ensinamentos secretos, e foi contra eles que Ireneu insistiu que a tradição dos apóstolos é pública, manifestada no mundo inteiro (Contra as Heresias III,3,1), como mostra a aula Quem garante que a Igreja Católica é a verdadeira?. A Tradição se vê na fé que a Igreja professa, na liturgia e no ensino dos pastores (Catecismo, n. 78).
A Igreja acha que a Bíblia é difícil demais para o povo?
Não. O Concílio Vaticano II diz que é preciso que os fiéis tenham "acesso patente à Sagrada Escritura" e pede traduções fiéis nas várias línguas, de preferência a partir dos textos originais; e admite, com a aprovação da autoridade da Igreja, traduções feitas em colaboração com os irmãos separados, que possam ser usadas por todos os cristãos (Dei Verbum 22).
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Dei Verbum, n. 9 a 11, 19, 21 e 22
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 66, 74 a 100 e 105 a 114
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 819 e 891
- VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Sacrosanctum Concilium, n. 24 e 51
- Bible HubTiago 1, 1 Timóteo 6 e 2 Timóteo 2, texto grego interlinear
- Bible Hub2 Timóteo 3, texto grego interlinear
- Bible Hub2 Tessalonicenses 2, texto grego interlinear
- Bible HubDeuteronômio 4,2, texto hebraico
- German History in DocumentsLutero e o imperador Carlos V na Dieta de Worms (1521), em inglês
- Book of ConcordFórmula de Concórdia, Epítome: regra e norma (em inglês)
- Book of ConcordO que é a Fórmula de Concórdia (1577)
- Orthodox Presbyterian ChurchConfissão de Westminster, cap. 1, 28 e 31 (texto da revisão americana, em inglês)
- CCELSchaff-Herzog: a história da Confissão de Westminster (terminada em 1646)
- The 1689 ConfessionConfissão Batista de Londres (1689), cap. 29
- Bible ResearcherKeith A. Mathison, Solo Scriptura: The Difference a Vowel Makes (2007)
- Hanover CollegeConcílio de Trento, sessão IV (8 de abril de 1546), decreto sobre as Escrituras (em inglês)
- New AdventIreneu de Lyon, Contra as Heresias III,3 e III,4 (tradução inglesa)
- New AdventCirilo de Jerusalém, Catequese 4, 17 (tradução inglesa)
- New AdventCirilo de Jerusalém, Catequese 5, 12 (tradução inglesa)
- New AdventJoão Crisóstomo, Homilia 4 sobre a Segunda Carta aos Tessalonicenses (tradução inglesa)
- New AdventVicente de Lérins, Commonitorium, 2 (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaSão João Crisóstomo: ordenado presbítero em 386, exilado em 404

