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Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: no pátio de uma casa de pedra escura, discípulos comem pão sentados em esteiras, enquanto um grupo de fariseus aponta para as mãos deles e Jesus, de pé, lhes responde.

Os católicos seguem tradições humanas?

O Novo Testamento usa a mesma palavra, tradição, para o que Jesus condena e para o que Paulo manda guardar. A diferença está na origem e no fruto.

14 min de leitura

Imagem gerada por IA: Fariseus e escribas vindos de Jerusalém questionam Jesus porque os discípulos comem sem lavar as mãos (Mc 7,1-5), em estilo de pintura renascentista

A resposta curta

Depende de qual tradição. Em Marcos 7, Jesus condena a tradição dos homens que anula o mandamento de Deus, como o costume que dispensava um filho de sustentar os pais; mas o mesmo Novo Testamento elogia quem guarda as tradições recebidas dos apóstolos (1Cor 11,2). A Igreja distingue essa Tradição apostólica, que não muda no que transmite, dos costumes nascidos depois, que podem ser mantidos, modificados ou abandonados (Catecismo, n. 83).

A objeção

O que se costuma dizer

Jesus foi claro: "Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens" (Mc 7,8). Paulo também avisou contra a "tradição dos homens" (Cl 2,8). A Igreja Católica faz o que os fariseus faziam: tem um monte de práticas que não estão na Bíblia, como o terço, a água benta, o celibato dos padres e as procissões, e as trata como se fossem mandamento de Deus. É exatamente o que Jesus condenou.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa objeção?

A crítica às "tradições humanas" foi um dos motores da Reforma, e ela tinha alvo real. A Confissão de Augsburgo, que os luteranos apresentaram ao imperador em 1530, reclama que "novas cerimônias, novas ordens, novos dias santos e novos jejuns" eram criados a cada dia e cobrados como obras necessárias para merecer a graça (art. 26).

Vale notar o que os luteranos não diziam. A mesma confissão manda observar os costumes da Igreja "que podem ser observados sem pecado" e que ajudam a paz e a boa ordem, como dias santos e festas, desde que ninguém os tome como necessários para a salvação (art. 15). E, para apoiar a crítica, cita Agostinho, que também se queixava de costumes que pesavam sobre os fiéis (art. 26). As Igrejas reformadas foram mais longe: a Confissão de Westminster, de 1646, ensina que Deus só deve ser cultuado do modo que Ele mesmo prescreveu na Escritura, e não segundo "as imaginações e invenções dos homens" (cap. 21, 1).

Hoje, a objeção costuma misturar sacramentos, verdades de fé, leis da Igreja e devoções. É preciso separá-los.

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

A pergunta honesta é: quando Jesus e Paulo condenam a "tradição dos homens", condenam toda tradição, ou uma espécie de tradição? E de que espécie é cada costume católico?

O peso da Tradição apostólica ao lado da Escritura, e quem a interpreta, é o tema da aula A Bíblia é a única autoridade?. Aqui o assunto é a diferença entre essa Tradição e as tradições que nasceram depois.

O que diz a Bíblia

O que Jesus condena em Marcos 7, e o que Paulo manda guardar?

A cena inteira

Fariseus e escribas vindos de Jerusalém veem alguns discípulos comendo sem lavar as mãos. Marcos explica aos leitores que os fariseus, e todos os judeus, não comiam sem lavar as mãos, "apegando-se à tradição dos antigos", e que guardavam muitas outras regras de lavar copos, jarros e vasilhas de bronze (Mc 7,3-4). Então perguntam:

Por que os teus discípulos não vivem segundo a tradição dos antigos, mas comem o pão com mãos impuras? Ele lhes disse: Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me prestam culto, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens. (Mc 7,5-8)

E Jesus dá um exemplo:

Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe; e: Quem amaldiçoar o pai ou a mãe seja punido com a morte. Vós, porém, dizeis: Se alguém disser ao pai ou à mãe: Aquilo com que eu poderia te ajudar é corbã, isto é, oferta, já não o deixais fazer nada pelo pai ou pela mãe. Assim anulais a palavra de Deus pela tradição que vós transmitistes. E fazeis muitas outras coisas semelhantes. (Mc 7,10-13)

Corbã é uma palavra hebraica que o próprio Marcos traduz: oferta. Declarar um bem "oferta" consagrada a Deus servia de desculpa para não sustentar os pais. Repare nos três traços do que Jesus condena: é uma tradição "dos homens" (v. 8), que "anula" o mandamento de Deus (v. 9 e 13), junto com um culto só de lábios (v. 6). Jesus não condena a ideia de transmitir algo, mas a tradição usada para fugir de um mandamento de Deus (veja também Mt 15,1-9).

A mesma palavra, usada para o bem

O grego do Novo Testamento usa a palavra parádosis, tradição, treze vezes. Oito estão nesta discussão com os fariseus, em Mateus 15 e Marcos 7. As outras cinco estão em Paulo: uma de alerta (Cl 2,8), uma sobre o seu passado no judaísmo (Gl 1,14) e três positivas, de tradições que ele mesmo transmitiu:

Eu vos louvo porque em tudo vos lembrais de mim e guardais as tradições assim como eu vo-las transmiti. (1Cor 11,2)

Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos afasteis de todo irmão que vive na desordem e não segundo a tradição que de nós receberam. (2Ts 3,6)

A terceira é 2 Tessalonicenses 2,15, comentada na aula sobre a sola Scriptura. Paulo usa também os mesmos verbos de "receber" e "transmitir" para o coração da fé:

Pois eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão... (1Cor 11,23)

Transmiti-vos, antes de tudo, o que eu mesmo recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras. (1Cor 15,3)

Em Marcos 7,4, os fariseus guardam regras que "receberam"; em 1 Coríntios 11,2, os coríntios "guardam" o que Paulo "transmitiu". O vocabulário é o mesmo; o que muda é a fonte. De um lado, a "vossa tradição", "dos homens"; do outro, o que vem "do Senhor" pelos apóstolos, que, na Eucaristia e na ressurreição, é o próprio Evangelho. E Paulo, que antes de conhecer Cristo era zeloso "das tradições dos meus pais" (Gl 1,14), conhecia as duas coisas por dentro.

Colossenses 2, no contexto

Assim como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, enraizados e edificados nele, firmes na fé, como fostes ensinados [...]. Cuidado para que ninguém vos faça presa por meio da filosofia e de um engano vazio, segundo a tradição dos homens, segundo os elementos do mundo, e não segundo Cristo. (Cl 2,6-8)

O versículo 8 vem logo depois de Paulo se alegrar com a firmeza da fé deles (v. 5) e de pedir que continuem no Cristo que receberam (v. 6-7; "recebestes" é o verbo da transmissão). E Paulo diz o que tem em mente: regras sobre comida e bebida, festas, luas novas e sábados (v. 16), um culto aos anjos (v. 18) e proibições como "Não pegues, não proves, não toques" (v. 21), "segundo os preceitos e as doutrinas dos homens" (v. 22). As palavras gregas desse versículo 22 são as mesmas da tradução grega (Septuaginta) de Isaías 29,13, que Jesus cita em Marcos 7,7, e muitos estudiosos veem aí um eco. O critério de Paulo cabe em três palavras: "segundo Cristo", ou não.

Jesus e os costumes do seu povo

Jesus também não rejeitou todo costume que não estava na Lei de Moisés.

Celebrava-se então em Jerusalém a festa da Dedicação. Era inverno, e Jesus andava no Templo, no pórtico de Salomão. (Jo 10,22-23)

A festa da Dedicação não está na Lei de Moisés. Foi instituída por Judas Macabeu, pelos seus irmãos e por toda a assembleia de Israel, depois da purificação do Templo, por volta de 165 a 164 antes de Cristo (1Mc 4,52-59). E Jesus estava no Templo durante essa festa. Mesmo criticando duramente a conduta dos escribas e fariseus, Ele disse que eles se sentavam na cadeira de Moisés e mandou: "Fazei e observai tudo o que eles vos disserem, mas não façais segundo as obras deles" (Mt 23,2-3).

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego; 1 Macabeus foi conferido no grego da Septuaginta. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Marcos 7, Mateus 15, 1 Coríntios 11, 2 Tessalonicenses 3, 1 Coríntios 15, Gálatas 1, Colossenses 2, João 10, 1 Macabeus 4 e Mateus 23.

O que diziam os primeiros cristãos

Como os primeiros cristãos separavam uma tradição da outra?

Tertuliano, por volta de 200: o perigo era a filosofia. Em A prescrição dos hereges, Tertuliano cita Colossenses 2,8. Para ele, o aviso de Paulo contra a "tradição dos homens" mirava as especulações filosóficas que alimentavam as heresias do seu tempo, como as de Valentino e de Marcião (7,3). Foi aí que escreveu a frase famosa:

Que tem, pois, Atenas a ver com Jerusalém? Que tem a Academia a ver com a Igreja? (A prescrição dos hereges 7,9)

No mesmo livro, mede a doutrina verdadeira pelas Igrejas fundadas pelos apóstolos (21,4).

Cipriano e Estêvão, por volta de 256: uma disputa entre santos. A pergunta "isto é tradição humana?" não é nova. Em Cartago, o bispo Cipriano batizava quem vinha de um grupo herético, por considerar nulo o batismo recebido ali. Em Roma, o papa Estêvão mandava apenas impor as mãos e escreveu, segundo Cipriano: que nada se inove, a não ser o que foi transmitido. Cipriano respondeu com Marcos 7. Numa carta, perguntou que obstinação era aquela de "preferir a tradição humana à disposição divina", citou Isaías 29,13 e Marcos 7,13 e escreveu uma frase que ficou famosa:

O costume sem a verdade é a velhice do erro. (Carta 74,9)

No Ocidente, a questão foi resolvida a favor da prática de Roma: em 314, o Concílio de Arles decidiu que quem viesse de um grupo herético e tivesse sido batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo receberia só a imposição das mãos. Por volta de 400, Agostinho, que discordava de Cipriano nesse ponto, elogiou o conselho dele de "voltar à fonte, isto é, à tradição apostólica" (Sobre o batismo V,26,37). O critério dos dois lados era o mesmo: o que vem dos apóstolos e é guardado pela Igreja. Cipriano morreu mártir em 258, e os dois, ele e Estêvão, são venerados como santos.

Agostinho, no ano 400: o que é de todos e o que é de cada lugar. Respondendo a um certo Januário, Agostinho separa dois tipos de costume. Há os que se guardam no mundo inteiro, como as festas anuais da paixão, da ressurreição e da ascensão do Senhor e da vinda do Espírito Santo; desses, diz ele, pode-se entender que foram aprovados e instituídos pelos próprios apóstolos ou por concílios gerais (Carta 54,1). E há os que variam de lugar para lugar, como jejuar ou não no sábado. Para estes, conta a resposta de Ambrósio, bispo de Milão, que ele foi consultar em nome da mãe, Mônica, quando ela ficou em dúvida sobre o que fazer:

Quando estou em Roma, jejuo no sábado; quando estou aqui, não jejuo. (Carta 54,3)

Na carta seguinte, Agostinho se queixa dos costumes que se multiplicavam sem base na Escritura, nos concílios ou no uso da Igreja inteira: deviam ser cortados sempre que possível, porque oprimiam com cargas pesadas a religião que Deus, na sua misericórdia, quis livre (Carta 55,35). É a queixa que os luteranos citaram em 1530.

A frase de Tertuliano está em tradução nossa a partir do latim. As de Cipriano e de Agostinho foram traduzidas a partir das versões inglesas indicadas nas fontes; na tradução inglesa, a carta de Cipriano é a 73.

Imagem gerada por IA: num pátio com colunas, um bispo de manto claro conversa com um jovem de barba curta.
Imagem gerada por IA: Agostinho consulta Ambrósio, a pedido da mãe, Mônica, sobre o jejum do sábado em Milão, por volta de 385, episódio que ele conta na Carta 54, do ano 400, em estilo de pintura barroca

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina sobre a Tradição e as tradições?

O Catecismo trata da diferença no número 83, sob um título que já diz tudo: "Tradição apostólica e tradições eclesiais".

A Tradição de que falamos aqui é a que vem dos Apóstolos.

Catecismo da Igreja Católica, n. 83

É preciso distinguir, desta Tradição, as «tradições» teológicas, disciplinares, litúrgicas ou devocionais, nascidas no decorrer do tempo nas Igrejas locais.

Catecismo da Igreja Católica, n. 83

É à sua luz que estas podem ser mantidas, modificadas e até abandonadas, sob a direcção do Magistério da Igreja.

Catecismo da Igreja Católica, n. 83

[…] a Liturgia compõe-se duma parte imutável, porque de instituição divina, e de partes susceptíveis de modificação […]

Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, n. 21

Nem mesmo a autoridade suprema da Igreja pode mudar a liturgia a seu bel-prazer […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1125

A Igreja peregrina é chamada por Cristo a essa reforma perene.

Concílio Vaticano II, Unitatis Redintegratio, n. 6

O Catecismo faz, portanto, a mesma distinção que o Novo Testamento. A Tradição com T maiúsculo é a que vem dos apóstolos: transmite o que eles receberam do ensino e do exemplo de Jesus e aprenderam pelo Espírito Santo, e não muda no que transmite, embora a Igreja a compreenda cada vez mais (Dei Verbum 8). As tradições com t minúsculo são formas que essa fé ganhou em cada lugar e época; valem enquanto servem à grande Tradição e podem mudar. O critério de Jesus em Marcos 7 continua de pé: nenhum costume pode ser usado para anular um mandamento de Deus. O decreto do Concílio sobre o ecumenismo reconhece ainda que pode haver deficiências na moral, na disciplina da Igreja e até no modo de enunciar a doutrina, que deve ser cuidadosamente distinguido do próprio depósito da fé, e pede que tudo seja restaurado no momento oportuno (Unitatis Redintegratio 6). A "reforma perene" de que fala o Concílio é uma fidelidade maior à própria vocação.

Também o Concílio de Trento, em 1546, falou só das tradições recebidas dos apóstolos, como mostra a aula A Bíblia é a única autoridade?. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

Lado a lado

De que tipo é cada costume?

O que se praticaQue tipo de coisa éPode mudar?Onde conferir
O batismo e a EucaristiaSacramentos que a Igreja recebeu de Cristo pelos apóstolosNão no que é de instituição divina; os ritos em volta, simMt 28,19; 1Cor 11,23; Sacrosanctum Concilium 21
O Credo dos ApóstolosResumo fiel da fé dos apóstolosNão no conteúdo1Cor 15,3; Catecismo, n. 194
O celibato dos padres latinosDisciplina da Igreja latinaPor ser disciplina, poderia mudar; as Igrejas orientais têm outra regraCatecismo, n. 1579 e 1580
A Missa em latimCostume litúrgicoPode mudar e já mudou: o Vaticano II manteve o latim nos ritos latinos e abriu mais espaço para a língua de cada povoSacrosanctum Concilium 36
Jejuar ou não no sábadoCostume localJá variava de cidade para cidade no século IVAgostinho, Carta 54
As procissõesExpressão da piedade popularSim, sob o discernimento dos bispos; prolongam a liturgia, mas não a substituemCatecismo, n. 1674 a 1676
O terçoDevoção recomendada pela IgrejaÉ livre: os fiéis devem se sentir "serenamente livres" em relação a elePaulo VI, Marialis Cultus 55

O que a história mostra

E quando um costume vira peso?

A tradição dos fariseus era toda ruim? Não. Os próprios mestres judeus das gerações seguintes discutiram o problema do corbã. A Mixná, a coleção de leis judaicas reunida por volta do ano 200, registra que os sábios aceitavam desfazer um voto que atingia a relação de alguém com o pai e a mãe (Nedarim 9,1). O que Jesus denuncia não é o povo judeu nem o estudo da Lei, mas um uso da tradição que deixava de lado o mandamento de Deus.

O risco também existe entre católicos. Seria desonesto dizer que nunca houve, na Igreja, costume que pesasse mais que o mandamento; Agostinho já reclamava disso, e o Catecismo reconhece que as rupturas entre os cristãos aconteceram "às vezes por culpa dos homens duma e doutra parte" (n. 817). Quem trata uma devoção como mais importante que a caridade, ou que a Missa, repete o erro de Marcos 7 com roupa católica. O Catecismo chama de superstição atribuir efeito quase mágico a gestos e orações sem as disposições interiores que eles pedem (n. 2111).

Como saber de que tipo é um costume? Três perguntas, tiradas dos próprios textos, ajudam:

  • De onde vem? Dos apóstolos, guardado pela Igreja inteira, ou de um lugar e de uma época?
  • Ajuda a cumprir o mandamento de Deus, ou serve para fugir dele?
  • É "segundo Cristo" (Cl 2,8)?

Um costume local pode ser ótimo e ainda assim não obrigar a todos. E um costume que anule um mandamento de Deus não vale, por mais antigo que seja. A frase de Cipriano vale, mesmo que ele a tenha aplicado mal no caso do batismo: o costume sem a verdade é a velhice do erro.

E os dogmas e a lista dos livros da Bíblia? Verdades de fé definidas, como a Assunção de Maria, não são costumes locais nem devoções; são o tema da aula Por que há dogmas que não estão escritos na Bíblia?. A lista dos livros, que nenhum versículo traz, fica para Por que a Bíblia católica tem sete livros a mais?.

Os frutos

O que essa distinção traz de bom?

Liberdade e firmeza ao mesmo tempo. Liberdade, porque o católico não é obrigado a todas as devoções e pode viver em paz com quem reza de outro modo, como na resposta de Ambrósio que Agostinho levou a Mônica. Firmeza, porque aquilo que vem dos apóstolos (o batismo, a Eucaristia, o Credo, a fé que eles pregaram) não fica à mercê da moda de cada época.

Com os irmãos evangélicos, há um ponto de partida comum. Muitas igrejas evangélicas também têm costumes que não estão escritos na Bíblia, como a ordem do culto ou a festa de Natal. Isso não é um defeito: é sinal de que toda comunidade cristã vive de alguma tradição. A pergunta, então, não é se existe tradição, mas qual tradição vem dos apóstolos e qual anula o mandamento de Deus.

Para guardar

Jesus não condenou toda tradição: condenou a tradição dos homens que anula o mandamento de Deus. A Tradição que vem dos apóstolos, Paulo manda guardar; os costumes que vieram depois podem ser mantidos, mudados ou deixados, à luz dela.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Em Marcos 7, que costume Jesus dá como exemplo de tradição que anula o mandamento de Deus?

  2. 2. Em 1 Coríntios 11,2, o que Paulo diz das tradições?

  3. 3. Em Colossenses 2,8, qual é o critério de Paulo para rejeitar uma tradição?

  4. 4. Segundo o Catecismo (n. 83), o que pode acontecer com as tradições teológicas, disciplinares, litúrgicas ou devocionais nascidas nas Igrejas locais?

  5. 5. O que Ambrósio respondeu sobre o jejum do sábado, segundo Agostinho?

Perguntas frequentes

O celibato dos padres é tradição humana?

É uma disciplina da Igreja latina, não um dogma. Nas Igrejas orientais vigora há séculos outra disciplina: os bispos são escolhidos só entre os celibatários, mas homens casados podem ser ordenados diáconos e presbíteros; e, no Oriente e no Ocidente, quem já recebeu a Ordem não pode se casar (Catecismo, n. 1580). As razões da Igreja estão nas aulas O celibato dos padres vai contra a Bíblia? e Os padres deveriam poder casar?.

O que era a tradição dos antigos de Marcos 7?

Marcos a chama de "tradição dos antigos" (Mc 7,3): regras que os mestres transmitiam de geração em geração para aplicar a Lei de Moisés no dia a dia. Muitos estudiosos a ligam à lei oral que os rabinos, herdeiros dos fariseus, puseram por escrito na Mixná, a coleção organizada pelo rabino Judá, o Príncipe.

A água benta e as bênçãos estão na Bíblia?

As bênçãos, sim: a Bíblia está cheia delas, como a que Deus ensina a Aarão (Nm 6,22-27) e a de Jesus sobre os discípulos (Lc 24,50), e Paulo diz que tudo o que Deus criou é santificado "pela palavra de Deus e pela oração" (1Tm 4,4-5). A água benta, como a usamos, não está descrita: é um sacramental, sinal sagrado que a própria Igreja instituiu, diferente dos sacramentos que vêm de Cristo (Catecismo, n. 1667). Os sacramentais não dão a graça como os sacramentos; pela oração da Igreja, preparam para recebê-la (n. 1670). Por serem instituídos pela Igreja, podem mudar, e a prática da religiosidade popular fica sob o discernimento dos bispos, que devem purificá-la e corrigi-la quando for preciso (n. 1676).

Os luteranos rejeitam todas as tradições?

Não. A Confissão de Augsburgo, de 1530, diz que, para a verdadeira unidade da Igreja, basta concordar na doutrina do Evangelho e na administração dos sacramentos, e que não é preciso que os ritos e cerimônias instituídos pelos homens sejam iguais em toda parte (art. 7). É uma ideia bem parecida com a resposta de Ambrósio sobre o jejum do sábado.

Uma tradição muito antiga é sempre apostólica?

Não necessariamente. A prática de batizar de novo quem vinha de grupos heréticos já tinha sido adotada pela Igreja da África num concílio sob o bispo Agripino, antes de Cipriano, e mesmo assim não prevaleceu na Igreja. Por isso o critério não é só a idade do costume, mas a sua origem nos apóstolos e o acordo da Igreja inteira.

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Dei Verbum, n. 8
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 83
  3. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 194
  4. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 817
  5. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1125
  6. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1579 e 1580
  7. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1667, 1670 e 1674 a 1676
  8. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2111
  9. VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Sacrosanctum Concilium, n. 21 e 36
  10. VaticanoConcílio Vaticano II, decreto Unitatis Redintegratio, n. 6
  11. VaticanoPaulo VI, exortação Marialis Cultus, n. 55
  12. Bible HubMarcos 7, texto grego interlinear
  13. Bible HubColossenses 2, texto grego interlinear
  14. Bible HubAs treze ocorrências de parádosis no Novo Testamento (Strong 3862)
  15. ElpenorIsaías 29,13 na Septuaginta (grego)
  16. Bible HubLucas 24 e 1 Timóteo 4, texto grego interlinear; Números 6, hebraico
  17. Elpenor1 Macabeus 4, texto grego da Septuaginta
  18. Jewish EncyclopediaHanukkah: a festa da Dedicação instituída por Judas Macabeu
  19. Jewish EncyclopediaMishnah: a coleção reunida por Judá, o Príncipe
  20. SefariaMixná, Nedarim 9,1 (os votos e a honra devida aos pais)
  21. Book of ConcordConfissão de Augsburgo (1530), art. 7, 15 e 26 (em inglês)
  22. Orthodox Presbyterian ChurchConfissão de Westminster, cap. 21 (em inglês)
  23. The Latin LibraryTertuliano, De praescriptione haereticorum, 7 e 21 (latim)
  24. New AdventCipriano de Cartago, carta a Pompeu (Carta 73 na tradução inglesa)
  25. Catholic EncyclopediaSão Cipriano de Cartago: a controvérsia do batismo (255 e 256)
  26. Catholic EncyclopediaPapa Santo Estêvão I (254 a 257)
  27. Fourth CenturyOs cânones do Concílio de Arles (314)
  28. New AdventAgostinho, Sobre o batismo, livro V (c. 400; tradução inglesa)
  29. New AdventAgostinho, Carta 54 (ano 400; tradução inglesa)
  30. New AdventAgostinho, Carta 55 (ano 400; tradução inglesa)
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