A resposta curta
Para a Igreja Católica, o batismo não é só um símbolo: é o sacramento em que Deus perdoa os pecados e faz nascer de novo "da água e do Espírito" (Jo 3,5). A Primeira Carta de Pedro diz que o batismo "agora salva também a vós", não como banho do corpo, mas "pela ressurreição de Jesus Cristo" (1Pd 3,21). Quem salva é Cristo; o batismo é o meio que Ele deixou, e a fé é o modo de recebê-lo.
A objeção
O que se costuma dizer
A salvação é pela graça, mediante a fé, e não pelas obras: "pela graça sois salvos, mediante a fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras" (Ef 2,8-9). Quem crê em Jesus já está salvo (Jo 3,16; Rm 10,9). O batismo é importante, porque Jesus mandou, mas é o testemunho público de quem já foi salvo, como a aliança no dedo de quem já está casado. Dizer que a água salva é transformar um rito em obra humana e tirar de Cristo a glória.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa ideia?
Nem todos os protestantes pensam assim, e vale conhecer as posições como elas são.
Os luteranos dizem, no Pequeno Catecismo de Lutero, que o batismo "opera o perdão dos pecados, livra da morte e do diabo e dá a salvação eterna a todos os que creem nisso", como dizem as palavras e promessas de Deus; e explica que "não é a água que faz isso, mas a Palavra de Deus que está na água e com ela, e a fé que confia nessa Palavra" (parte 4, respostas 3 e 5). Os presbiterianos o chamam de "sinal e selo" da aliança da graça e dizem que, pelo seu uso correto, a graça prometida é "realmente conferida" pelo Espírito àqueles a quem ela pertence, segundo o conselho de Deus e no tempo que Ele determinar; a eficácia do batismo não fica presa ao momento em que é dado, e a salvação não está ligada a ele de modo inseparável (Confissão de Westminster 28,1.5.6). Os batistas do sul dos Estados Unidos o definem como "ato de obediência" que simboliza a fé do crente em Cristo crucificado, sepultado e ressuscitado (Baptist Faith and Message, 2000, art. 7), e muitas igrejas evangélicas e pentecostais pensam do mesmo modo.
Quem vê o batismo como símbolo não o despreza: costuma celebrá-lo com alegria, como passo de obediência. E a preocupação de fundo é legítima: que ninguém confie num rito sem conversão e sem fé. A Igreja Católica tem a mesma preocupação.
A pergunta "se a fé basta, para que o batismo?" também não é nova. Entre 200 e 206, em Cartago, Tertuliano já respondia a quem dizia que o batismo não é necessário para aqueles a quem a fé basta, porque Abraão agradou a Deus sem água nenhuma (O batismo 13,1).
As frases das confissões protestantes estão em tradução nossa a partir do inglês.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
A pergunta não é "fé ou batismo?". A Bíblia fala dos dois juntos, e a Igreja também: o Catecismo chama o batismo de "sacramento da fé" (n. 1253). A pergunta é outra: no Novo Testamento, o batismo apenas mostra algo que já aconteceu, ou é um momento em que Deus age? E, se Deus age nele, isso faz do batismo uma obra humana?
Uma pista aparece logo: ninguém se batiza sozinho. A pessoa é batizada, recebe. Sobre as crianças, veja a aula Batizar criança vale, se ela não escolheu?; sobre o modo de batizar, O batismo tem de ser por imersão?. E quem pergunta se basta batizar "em nome de Jesus" (At 2,38) encontra a resposta em Onde está a Trindade na Bíblia?.
O que diz a Bíblia
O que a Bíblia diz que o batismo faz?
Nascer da água e do Espírito
Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. (Jo 3,5)
Pouco antes, Jesus tinha dito que é preciso nascer ánōthen, palavra grega que quer dizer ao mesmo tempo "de novo" e "do alto" (Jo 3,3). E, logo depois da conversa com Nicodemos, o evangelista conta:
Depois disso, Jesus foi com os seus discípulos para a região da Judeia; ali ficou com eles e batizava. (Jo 3,22)
(Em 4,2, o próprio Evangelho esclarece que quem batizava eram os discípulos.) O texto não diz com todas as letras que a água de 3,5 é o batismo, e alguns evangélicos leem nela o nascimento natural ou a Palavra. Mas o contexto aponta para o batismo, e é assim que a Igreja lê (Catecismo, n. 1215).
O banho do novo nascimento
Mas, quando se manifestaram a bondade e o amor de Deus, nosso Salvador, pelos homens, ele nos salvou, não por obras de justiça que nós tivéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, pelo banho do novo nascimento e da renovação do Espírito Santo. (Tt 3,4-5)
Repare: na mesma frase em que nega que sejamos salvos por obras nossas, Paulo diz que Deus nos salvou "pelo banho" (loutrón) do novo nascimento. A Igreja lê nesse banho o batismo, e o Catecismo dá ao sacramento esse mesmo nome, "banho da regeneração e da renovação no Espírito Santo" (n. 1215); alguns evangélicos o entendem como uma purificação só interior. Lido como batismo, o versículo mostra que esse banho não é obra nossa: é misericórdia de Deus.
O batismo agora salva também a vós
Pedro lembra a arca de Noé, em que oito pessoas "foram salvas através da água", e continua:
A ela corresponde o batismo, que agora salva também a vós: não como remoção da sujeira do corpo, mas como compromisso de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo. (1Pd 3,20-21)
A palavra traduzida por "corresponde" é antítypon: a água do dilúvio era a figura, e o batismo é a realidade que lhe corresponde. Pedro afasta duas leituras de uma vez. O batismo não salva como um banho comum, que tira a sujeira da pele; e salva "pela ressurreição de Jesus Cristo", isto é, pela força de Cristo, e não da água. A palavra traduzida por "compromisso" (eperṓtēma) também pode querer dizer "pedido"; nos dois casos, o batismo pede a resposta de quem o recebe.
Sepultados com Cristo
Ou não sabeis que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela glória do Pai, também nós andemos numa vida nova. (Rm 6,3-4)
Paulo não diz que o batismo apenas lembra a morte de Cristo, e sim que, por ele, fomos unidos a essa morte. Em Gálatas, junta fé e batismo na mesma frase: "todos vós sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus; todos vós que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo" (Gl 3,26-27).
Para o perdão dos pecados
Pedro lhes disse: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado no nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. (At 2,38)
A expressão "para o perdão dos pecados" (eis áphesin hamartiôn) é praticamente a mesma que Jesus usa na Ceia para o seu sangue, "derramado por muitos para o perdão dos pecados" (Mt 26,28). Paulo, que no caminho de Damasco já tinha chamado Jesus de Senhor (At 22,10), conta o que Ananias lhe disse depois:
E agora, por que demoras? Levanta-te, faze-te batizar e lava os teus pecados, invocando o nome dele. (At 22,16)
Quem crer e for batizado
Quem crer e for batizado será salvo; quem não crer será condenado. (Mc 16,16)
Este versículo está no final de Marcos (16,9-20), que falta nos dois manuscritos gregos mais antigos, o Sinaítico e o Vaticano, mas está na grande maioria dos outros e já era citado por Ireneu, por volta de 180, como o fim do Evangelho de Marcos (Contra as Heresias III,10). Para a Igreja, esses versículos são Escritura inspirada, porque o Concílio de Trento, em 1546, recebeu os livros sagrados "com todas as suas partes"; se foi o próprio Marcos quem os escreveu é questão aberta. Note também que a condenação está ligada a não crer, e não à falta de água, o que ajuda a entender o batismo de desejo.
E Efésios 2,8-9?
O versículo é verdadeiro, e a Igreja o assina: somos salvos pela graça, mediante a fé, e nada do que fazemos merece essa graça. Mas o mesmo Paulo escreveu Tito 3,5 e Romanos 6. Para ele, o batismo não é uma obra com que o homem compra a salvação, e sim o lugar onde Deus a dá.
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: João 3, Tito 3, 1 Pedro 3, Romanos 6, Gálatas 3, Atos 2, Atos 22, Mateus 26 e Marcos 16.

O que diziam os primeiros cristãos
O que os primeiros cristãos diziam do batismo?
Justino, por volta de 155. Contando ao imperador como os cristãos batizam, escreve:
Depois, nós os levamos aonde há água, e eles renascem do mesmo modo como nós mesmos renascemos: em nome de Deus, Pai e Senhor de todas as coisas, e do nosso Salvador Jesus Cristo, e do Espírito Santo, recebem então o banho na água. (Primeira Apologia 61,3)
Logo antes, Justino conta que os candidatos rezam e jejuam pedindo o perdão dos pecados (61,2). Fé, conversão e batismo andam juntos, e o banho é chamado de renascimento.
Tertuliano, entre 200 e 206. O seu tratado O batismo, tido como o mais antigo sobre o tema que chegou até nós, diz logo no primeiro capítulo:
Mas nós, peixinhos, segundo o nosso Ichthys, Jesus Cristo, nascemos na água, e só permanecendo na água estamos salvos. (O batismo 1,3)
Ichthýs é "peixe" em grego, e as suas letras formam as iniciais de "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador". No mesmo livro, Tertuliano diz que a palavra de Jesus a Nicodemos "ligou a fé à necessidade do batismo" (13,3) e chama o martírio de segundo banho, o de sangue, que faz as vezes do batismo de água quando ele não foi recebido (16,1-2).
Cipriano de Cartago, por volta de 256. Perguntavam-lhe o que acontecia com os catecúmenos, os que se preparavam para o batismo, quando eram mortos pela fé antes de recebê-lo. Ele responde que não ficam privados do sacramento, porque são "batizados com o gloriosíssimo e máximo batismo de sangue" (Carta 73,22). (Na mesma carta, Cipriano defende rebatizar quem vinha de grupos heréticos, posição que a Igreja não seguiu; veja Os católicos seguem tradições humanas?.)
Agostinho, por volta de 400. Ele vai um passo além:
Não só o martírio pelo nome de Cristo pode suprir o que faltava do batismo, mas também a fé e a conversão do coração, se não houver tempo de recorrer à celebração do mistério do batismo. (O batismo IV,22,30)
E acrescenta duas coisas: isso vale quando o batismo é impedido pela necessidade, e não pelo desprezo; e Cornélio e os seus, que já tinham recebido o Espírito Santo, foram batizados mesmo assim (At 10,47-48).
O Credo. O Credo que o Concílio de Calcedônia, em 451, atribuiu ao Concílio de Constantinopla, de 381, e que se reza até hoje, professa "um só batismo para a remissão dos pecados".
As frases de Justino estão em tradução nossa a partir do grego; as de Tertuliano, a partir do latim; as de Cipriano e de Agostinho foram traduzidas por nós a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.
O que a Igreja ensina
O que a Igreja ensina sobre o batismo e a salvação?
A Igreja ensina que o batismo é necessário para a salvação e que não é um simples sinal. O Concílio de Trento, em 1547, rejeitou a ideia de que o batismo seja "livre", isto é, dispensável (sessão VII, cânones sobre o batismo, 5), e a de que os sacramentos sejam apenas sinais exteriores de uma graça já recebida pela fé (sessão VII, cânones sobre os sacramentos em geral, 6). O mesmo concílio ensinou que nada do que vem antes da justificação, nem a fé nem as obras, merece essa graça (sessão VI, cap. 8). O Catecismo resume:
Nosso Senhor ligou o perdão dos pecados à fé e ao Baptismo […]
[…] «o sacramento não é realizado pela justiça do homem que o dá ou que o recebe, mas pelo poder de Deus».
Deus ligou a salvação ao sacramento do Baptismo; mas Ele próprio não está prisioneiro dos seus sacramentos.
Este Baptismo de sangue, tal como o desejo do Baptismo ou Baptismo de desejo, produz os frutos do Baptismo, apesar de não ser sacramento.
O primeiro trecho responde à objeção de fundo: fé e batismo não competem, porque o próprio Senhor ligou o perdão aos dois. O segundo responde à acusação de obra humana: quem age no sacramento é Cristo (o Catecismo diz que "é Ele que baptiza", n. 1127), e por isso o batismo não depende do mérito de quem o dá nem de quem o recebe; mas os frutos dependem também das disposições de quem o recebe (n. 1128). O terceiro e o quarto mostram o equilíbrio. A Igreja não conhece outro meio garantido além do batismo, e por isso o anuncia; mas quem morre pela fé, ou o catecúmeno que morre desejando o batismo, arrependido e com caridade, recebe os seus frutos (n. 1259). Trento já falava de justificação "pelo banho da regeneração ou pelo desejo dele" (sessão VI, cap. 4), e o Código de Direito Canônico chama o batismo de necessário "de facto ou pelo menos em desejo" (cân. 849).
Vale distinguir os graus. A necessidade do batismo é doutrina definida. O batismo de sangue e o de desejo são ensinamento firme da Igreja. Como Deus salva quem nunca ouviu falar do Evangelho, a Igreja não detalha: fala de "um modo só de Deus conhecido" (n. 1260). E a sorte das crianças que morrem sem batismo não foi definida: a Igreja as confia à misericórdia de Deus (n. 1261). Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
Lado a lado
O batismo em quatro tradições cristãs, lado a lado
| Quem | O que diz do batismo | Onde conferir |
|---|---|---|
| Igreja Católica | Sacramento necessário, em que Cristo perdoa os pecados e faz nascer de novo; quem morre pela fé ou o deseja sem poder recebê-lo recebe os seus frutos. | Catecismo, n. 1257 a 1263; Trento, sessão VII |
| Luteranos | Opera o perdão dos pecados e dá a salvação eterna a todos os que creem nas palavras e promessas de Deus. | Pequeno Catecismo de Lutero, parte 4 |
| Presbiterianos | Sinal e selo da aliança da graça; pelo seu uso correto, a graça é realmente conferida pelo Espírito a quem ela pertence, no tempo de Deus; a salvação não está ligada a ele de modo inseparável. | Confissão de Westminster 28,1.5.6 |
| Batistas do sul dos Estados Unidos | Ato de obediência que simboliza a fé do crente em Cristo crucificado, sepultado e ressuscitado. | Baptist Faith and Message (2000), art. 7 |
Os frutos
O que muda para quem foi batizado?
Se o batismo fosse só um gesto nosso, a certeza do cristão dependeria da força da própria decisão, que às vezes vacila. Se é obra de Cristo, o batizado pode olhar para trás, nos dias de dúvida, e lembrar que Deus agiu primeiro. Por isso a Igreja renova todos os anos, na Vigília Pascal, as promessas do batismo (Catecismo, n. 1254). Isso não é garantia automática: o batismo pede uma vida de fé, e o pecado pode impedi-lo de dar frutos, embora nunca apague a marca de Cristo (n. 1272).
Há também um fruto para a unidade dos cristãos. A Igreja reconhece o batismo feito com água e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo também fora dela, e diz que ele é "o vínculo sacramental da unidade" entre todos os que por ele renasceram (n. 1271). Católicos e evangélicos podem discordar sobre o que o batismo faz e, ainda assim, reconhecer-se irmãos no Senhor pelo mesmo batismo. Vale começar a conversa por aí, lendo juntos Romanos 6 e Tito 3.
Para guardar
A Bíblia diz que o batismo "agora salva também a vós", não como banho do corpo, mas "pela ressurreição de Jesus Cristo" (1Pd 3,21). Quem salva é Cristo, o batismo é o meio que Ele deixou, e a fé é o modo de recebê-lo; Deus ligou a salvação ao batismo, mas não está preso a ele.
Teste
Teste o que você aprendeu
5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. O que Jesus diz a Nicodemos em João 3,5?
Em João 3,5, Jesus fala de nascer "da água e do Espírito". Logo depois, o Evangelho mostra Jesus e os discípulos batizando na Judeia (Jo 3,22; 4,2).
2. Em 1 Pedro 3,21, a que o batismo "corresponde" (antítypon)?
Pedro lembra que, na arca, oito pessoas foram salvas através da água, e diz que o batismo corresponde a ela e agora salva, "pela ressurreição de Jesus Cristo".
3. Segundo Tito 3,5, como Deus nos salvou?
Na mesma frase, Paulo exclui as obras de justiça que tivéssemos feito e diz que Deus nos salvou, por misericórdia, "pelo banho do novo nascimento".
4. O que o Catecismo chama de batismo de sangue?
Quem morre pela fé sem ter recebido o batismo é batizado pela sua morte por Cristo e com Cristo (Catecismo, n. 1258). Cipriano, por volta de 256, já falava assim dos catecúmenos mártires.
5. Qual destes textos define o batismo como "ato de obediência" que simboliza a fé do crente?
A declaração batista de 2000 usa essa definição. Já o Catecismo de Lutero diz que o batismo opera o perdão dos pecados, e a Confissão de Westminster, que por ele a graça é realmente conferida, no tempo de Deus, àqueles a quem pertence.
Perguntas frequentes
Se o batismo é necessário, o ladrão da cruz não foi salvo sem ele?
Jesus lhe prometeu o paraíso (Lc 23,43). Mas o Concílio de Trento fala da necessidade do batismo "desde a promulgação do Evangelho" (sessão VI, cap. 4), e o ladrão morreu antes de Pentecostes, quando os apóstolos começaram a anunciar o Evangelho e a batizar (At 2,38-41). O caso dele mostra a liberdade de Deus, mas não é regra para quem conhece o Evangelho e pode pedir o batismo (Catecismo, n. 1257).
Por que o batismo não se repete?
Porque ele marca o cristão com um selo espiritual que nenhum pecado apaga, a pertença a Cristo (Catecismo, n. 1272). Por isso Paulo fala de "um só batismo" (Ef 4,5), e o Concílio de Trento ensinou que o batismo, a crisma e a ordem imprimem esse caráter e não podem ser repetidos (sessão VII, cânones sobre os sacramentos em geral, 9). Quem se afasta e volta à fé precisa de conversão e, se for o caso, de confissão, mas não de outro batismo.
O batismo de João Batista era o mesmo batismo cristão?
Não. Em Éfeso, Paulo encontrou discípulos que tinham recebido só o batismo de João, explicou que João batizava com um batismo de arrependimento apontando para Jesus, e eles foram então batizados "no nome do Senhor Jesus" (At 19,1-5). O Concílio de Trento rejeitou a ideia de que o batismo de João tivesse a mesma força que o de Cristo (sessão VII, cânones sobre o batismo, 1).
Por que muitos evangélicos chamam o batismo de ordenança, e não de sacramento?
"Ordenança" sublinha que o batismo foi ordenado por Cristo e é cumprido por obediência; é a palavra da declaração batista de 2000. "Sacramento", para a Igreja Católica, quer dizer mais: um sinal eficaz da graça, instituído por Cristo e confiado à Igreja, que dá fruto em quem o recebe com as disposições requeridas (Catecismo, n. 1131). A diferença de palavra mostra a diferença sobre o que acontece no batismo.
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1213, 1215 (banho da regeneração), 1253, 1254 e 1257 a 1272
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1127, 1128 e 1131 (os sacramentos)
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 977 (um só batismo para a remissão dos pecados)
- VaticanoCódigo de Direito Canônico, versão portuguesa, cân. 849
- Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão IV (1546): os livros sagrados "com todas as suas partes" (tradução inglesa)
- Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão VI (1547), cap. 4 ("desde a promulgação do Evangelho") e 8 (tradução inglesa)
- Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão VII (1547): cânones sobre os sacramentos em geral, 6 e 9, e sobre o batismo, 1 e 5 (tradução inglesa)
- Bible HubTexto grego de João 3,5
- Bible HubTexto grego de Tito 3,5
- Bible HubTexto grego de 1 Pedro 3,21 (antítypon, eperṓtēma)
- Bible HubTexto grego de Romanos 6,4
- Bible HubTexto grego de Atos 2,38
- Bible HubTexto grego de Atos 22,16
- Bible HubTexto grego de Marcos 16,16
- Catholic EncyclopediaGospel of Saint Mark: o final de Marcos nos manuscritos, em Ireneu e em Trento
- New AdventIreneu de Lyon, Contra as Heresias, III,10 (tradução inglesa)
- First1KGreekJustino, Primeira Apologia, texto grego (61)
- New AdventJustino, Primeira Apologia, 61 (tradução inglesa)
- The Latin LibraryTertuliano, O batismo, texto latino (1, 13 e 16)
- The Tertullian ProjectE. Evans, introdução a O batismo: primazia do tratado
- The Tertullian ProjectCronologia das obras de Tertuliano: O batismo, depois de 198 e antes do período montanista
- Catholic EncyclopediaSymbolism of the Fish: o acróstico Ichthys
- New AdventCipriano de Cartago, Carta 73 a Jubaiano, 22 (numerada 72 na tradução inglesa)
- New AdventAgostinho, O batismo, livro IV, 22,30 (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaNicene Creed: o Credo atribuído ao Concílio de Constantinopla (381) pelo de Calcedônia (451)
- BookOfConcord.orgPequeno Catecismo de Lutero, parte 4: o batismo (respostas 3 e 5)
- Orthodox Presbyterian ChurchConfissão de Westminster, cap. 28
- Southern Baptist ConventionBaptist Faith and Message (2000), art. 7: batismo e Ceia do Senhor

