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Imagem gerada por IA: num riacho entre colinas, ao amanhecer, um ancião derrama água sobre a cabeça de um homem que está dentro do riacho, com água pela cintura, enquanto, na margem, homens e mulheres rezam e seguram roupas brancas.

O batismo tem de ser por imersão?

A Igreja reconhece a imersão como o modo mais expressivo, e as Igrejas orientais nunca deixaram de usá-la. O que ela não aceita é que seja o único válido, e um dos textos cristãos mais antigos já pensava assim.

13 min de leitura

Imagem gerada por IA: Cena imaginada de um batismo em água corrente, a "água viva" que a Didaqué pede em primeiro lugar (Didaqué 7,1): o batizando entra no riacho e recebe a água sobre a cabeça. Em estilo de pintura renascentista

A resposta curta

Não. A Igreja reconhece a imersão como o modo mais expressivo e a usa até hoje, mas também batiza derramando água três vezes sobre a cabeça, como já admitia a Didaqué, um dos textos cristãos mais antigos (7,3). O que faz o batismo é o banho com água verdadeira e as palavras "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19), e não a quantidade de água.

A objeção

O que se costuma dizer

A palavra grega baptízō quer dizer mergulhar. Jesus foi batizado no rio Jordão e "subiu da água" (Mt 3,16); Filipe e o eunuco "desceram à água" (At 8,38). Paulo diz que fomos "sepultados com Cristo pelo batismo" (Rm 6,4), e ninguém é sepultado com algumas gotas na testa. Batizar derramando ou borrifando água é um costume que a Igreja inventou depois, por comodidade. Batismo bíblico é por imersão.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa discussão?

Os batistas põem a imersão na própria definição: para a declaração de fé dos batistas do sul dos Estados Unidos, o batismo cristão "é a imersão de um crente na água" em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Baptist Faith and Message, 2000, art. 7). Muitas igrejas evangélicas e pentecostais seguem o mesmo caminho. Mas nem sempre foi assim, nem entre os batistas: segundo a Enciclopédia Católica, John Smyth, que em 1609 rejeitou o batismo de crianças, continuou batizando por infusão, e foi entre 1640 e 1660 que os batistas ingleses passaram a defender a imersão como único modo válido.

Os presbiterianos pensam o contrário: mergulhar a pessoa na água "não é necessário", e o batismo é bem administrado derramando ou aspergindo água (Confissão de Westminster 28,3).

A Igreja Católica fica num ponto que surpreende muita gente: concorda que a imersão é o modo mais antigo e mais expressivo. A Enciclopédia Católica diz que, na Igreja latina, a imersão parece ter prevalecido até o século XII, e que a infusão e a aspersão cresceram no século XIII até predominar no Ocidente. As Igrejas orientais conservam a imersão até hoje (Catecismo, n. 1240). A questão, portanto, não é se a imersão é boa, mas se é a única válida.

As frases das confissões protestantes estão em tradução nossa a partir do inglês.

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

Antes, três palavras. Imersão é mergulhar a pessoa na água; infusão é derramar água sobre a cabeça; aspersão é borrifar. O que muita gente chama de "aspersão" nos batizados de criança, na Igreja latina, é na verdade infusão: a água é derramada sobre a cabeça, três vezes.

Com isso, a pergunta honesta fica assim: quando Jesus manda batizar, o modo de pôr a água faz parte do que torna o batismo verdadeiro, ou é a maneira de realizar um banho que pode ser feito de mais de um jeito?

O que o batismo faz é tema da aula O batismo salva ou é só um símbolo?, e o batismo de crianças, de Batizar criança vale, se ela não escolheu?. As palavras que acompanham a água, e a questão de batizar só "em nome de Jesus", estão na aula Onde está a Trindade na Bíblia?.

O que diz a Bíblia

O que a Bíblia diz sobre o modo de batizar?

O que quer dizer baptízō?

O sentido básico de baptízō é mesmo mergulhar, e a própria Igreja o diz: o Catecismo explica que batizar significa "mergulhar", "imergir" (n. 1214). Mas, no Novo Testamento, o verbo também aparece para as lavagens rituais do dia a dia. Marcos explica aos leitores os costumes judaicos:

Os fariseus, e todos os judeus, não comem sem lavar bem as mãos, apegados à tradição dos antigos; e, quando voltam da praça, não comem sem se lavar; e há muitas outras coisas que receberam para guardar: lavagens de copos, de jarros e de vasilhas de bronze. (Mc 7,3-4)

"Lavar-se" e "lavagens", no versículo 4, são baptízō e baptismós. (Dois dos manuscritos mais antigos, o Sinaítico e o Vaticano, trazem, em vez de "se lavar", o verbo rhantízō, "aspergir-se", e algumas edições críticas, como a de Westcott e Hort, preferem essa leitura; outros manuscritos acrescentam "e de leitos" à lista.) Lucas conta algo parecido:

O fariseu ficou admirado ao ver que ele não se lavou antes do almoço. (Lc 11,38)

O verbo é de novo baptízō. Nenhum dos dois textos diz como era essa lavagem. O que mostram é que baptízō não era um termo técnico que só pudesse significar afundar o corpo inteiro: servia também para "lavar" num sentido religioso.

Desceram à água

Logo depois de batizado, Jesus subiu da água. (Mt 3,16)

Mandou parar o carro, e desceram os dois à água, Filipe e o eunuco, e Filipe o batizou. Quando subiram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe. (At 8,38-39)

Os textos indicam que a pessoa entrava na água, e é honesto reconhecer isso. Mas não dizem se a cabeça era mergulhada ou se a água era derramada sobre ela; e, em Atos, "desceram à água" os dois, Filipe e o eunuco. Outros batismos de Atos não falam de rio: o de Paulo, em Damasco, depois que Ananias entrou na casa onde ele estava (At 9,17-18), e o do carcereiro de Filipos, de noite, logo depois de lavar as feridas de Paulo e Silas e antes de levá-los para dentro de casa (At 16,33-34). Em nenhum dos dois o texto diz como o batismo foi feito.

Sepultados com Cristo

O argumento mais forte é Romanos 6,4: "fomos sepultados com ele pelo batismo na morte" (o trecho inteiro está na aula O batismo salva ou é só um símbolo?). A Igreja concorda que a imersão mostra melhor essa sepultura, como se verá abaixo. Mas Paulo fala do que o batismo realiza, a união com a morte e a ressurreição de Cristo, e não da técnica. E a Bíblia usa outras imagens para a purificação que Deus dá, como a da água aspergida:

Aspergirei sobre vós água pura, e ficareis puros; de todas as vossas impurezas e de todos os vossos ídolos eu vos purificarei. (Ez 36,25)

Aproximemo-nos com coração sincero, na plenitude da fé, com o coração aspergido e livre da má consciência, e o corpo lavado com água pura. (Hb 10,22)

Hebreus junta as duas imagens: a aspersão do coração e o banho do corpo. E a Carta a Tito diz que Deus "derramou" sobre nós o Espírito Santo (Tt 3,6), com o mesmo verbo grego que a Didaqué usará para a água derramada sobre a cabeça.

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego e, no caso de Ezequiel, do hebraico. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Marcos 7, Lucas 11, Mateus 3, Atos 8, Atos 9, Atos 16, Romanos 6, Tito 3, Ezequiel 36 e Hebreus 10.

O que diziam os primeiros cristãos

Como batizavam os primeiros cristãos?

A Didaqué. Este pequeno manual cristão, provavelmente do fim do século I (alguns estudiosos o põem no século II), dá uma ordem de preferência:

Batizai [...] em água viva. Se não tiveres água viva, batiza em outra água; se não puderes em água fria, em água quente. Se não tiveres nem uma nem outra, derrama água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. (Didaqué 7,1-3)

"Água viva" é água corrente, de rio ou de fonte. A preferência é clara, e o texto supõe que o normal era entrar na água. Mas, na falta dela, aceita derramar água sobre a cabeça, sem dizer que isso seja um batismo pela metade. (A fórmula usada aqui é tema da aula Onde está a Trindade na Bíblia?.)

Tertuliano, entre 200 e 206. No tratado O batismo, ele não dá importância ao lugar:

Não há diferença nenhuma se alguém é lavado no mar ou num tanque, num rio ou numa fonte, num lago ou numa bacia, nem entre os que João batizou no Jordão e os que Pedro batizou no Tibre. (O batismo 4,3)

Cipriano de Cartago, talvez em 255. Um cristão chamado Magno, a quem Cipriano chama de "filho caríssimo", lhe perguntou se eram cristãos de verdade os que, doentes, tinham sido batizados na cama, sem banho, só com água derramada ou aspergida sobre eles. Cipriano diz, com modéstia, que não quer impor a sua opinião a ninguém, mas responde com Ezequiel 36,25 e com as águas de purificação do livro dos Números, e conclui que "a aspersão da água vale tanto quanto o banho da salvação", quando a fé de quem dá e de quem recebe é íntegra (Carta 69,12). O caso mostra as duas coisas: o banho era o normal, e um bispo de Cartago já defendia, contra quem duvidava, que o batismo por infusão ou aspersão valia quando era preciso.

João Crisóstomo, por volta de 389. Os padres amavam o simbolismo da imersão. Pregando em Antioquia, ele explica:

Quando mergulhamos a cabeça na água, o homem velho é sepultado como num túmulo, lá embaixo, e fica todo submerso; quando a levantamos, o homem novo sobe em seu lugar. (Homilias sobre João 25,2)

E acrescenta que isso se faz três vezes, para mostrar que é o poder do Pai, do Filho e do Espírito Santo que realiza tudo.

As frases da Didaqué estão em tradução nossa a partir do grego; a de Tertuliano, a partir do latim; as de Cipriano e de Crisóstomo foram traduzidas por nós a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina sobre o modo de batizar?

A Igreja distingue o essencial do modo. O essencial é o banho com água verdadeira e as palavras do batismo: o Concílio de Trento, em 1547, rejeitou quem dissesse que a água verdadeira e natural não é necessária (sessão VII, cânones sobre o batismo, 2). Quanto ao modo, a Igreja dá o primeiro lugar à imersão, mas aceita a infusão:

A «imersão» na água simboliza a sepultura do catecúmeno na morte de Cristo, de onde sai pela ressurreição com Ele […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1214

O Baptismo é realizado, do modo mais significativo, pela tríplice imersão na água baptismal […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1239

[…] desde tempos antigos, pode também ser conferido derramando por três vezes água sobre a cabeça do candidato.

Catecismo da Igreja Católica, n. 1239

[…] só se confere validamente pela ablução de água verdadeira com a devida forma verbal.

Código de Direito Canônico, cân. 849

Confira-se o baptismo quer por imersão quer por infusão, observadas as prescrições da Conferência episcopal.

Código de Direito Canônico, cân. 854

Os dois primeiros trechos dão razão ao que há de verdadeiro na objeção: a imersão é o sinal mais claro da sepultura com Cristo, e a Igreja nunca a proibiu. Nas liturgias orientais, a cada invocação da Trindade, o sacerdote mergulha o batizando e o retira da água (Catecismo, n. 1240). O terceiro mostra que, desde tempos antigos, também se batiza derramando água. O quarto diz o que não pode faltar: um banho de verdade, com água verdadeira, e as palavras do batismo. Por isso a Enciclopédia Católica lembrava que não basta a água tocar de leve: ela precisa correr sobre a pessoa, senão o batismo fica duvidoso. O último trecho é a regra atual da Igreja latina: o Código fala de imersão e de infusão, não da simples aspersão, e deixa os detalhes às conferências dos bispos. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

O que a história mostra

Como os cristãos batizaram ao longo dos séculos?

Nos rios e nas fontes. No começo, batizava-se onde havia água: no Jordão, nos rios, nas fontes, como supõem a Didaqué e Tertuliano. Também se batizava dentro de casa, como mostram a sala de Dura-Europos, logo abaixo, e os doentes batizados na cama de que fala Cipriano (Carta 69,12).

Os primeiros batistérios. Em Dura-Europos, na Síria, uma casa foi transformada em igreja por volta de 240, com uma sala de batismo e o Bom Pastor pintado sobre a pia. Segundo a Universidade Yale, que escavou o lugar, o batismo ali era por imersão, numa pia grande o bastante para conter uma pessoa (as pinturas da sala aparecem na aula Êxodo 20 proíbe as imagens?). A partir do século IV, multiplicaram-se os batistérios redondos ou octogonais, como o de Latrão, em Roma, atribuído ao tempo de Constantino, com degraus para descer à piscina.

Quanto se mergulhava? Aqui as fontes não dizem a mesma coisa. A Enciclopédia Católica, em 1907, observava que as pias antigas tinham em média menos de três pés, cerca de 90 centímetros, de profundidade e que a arte cristã antiga quase sempre mostra o batizando de pé, com os pés na água, enquanto lhe derramam água sobre a cabeça; daí concluía que, até o século VIII, o mais comum era uma imersão parcial. Já Crisóstomo fala em mergulhar a cabeça. É provável que os modos variassem conforme o lugar e a época.

A Idade Média. Na Igreja latina, a imersão parece ter prevalecido até o século XII, inclusive no batismo das crianças. No século XIII, Tomás de Aquino ainda escrevia que batizar por imersão é "mais seguro", por ser o costume mais comum, e "mais louvável", por mostrar com mais clareza a sepultura de Cristo. Mas acrescentava que o batismo pode ser dado também por aspersão ou por infusão, sobretudo quando há muita gente para batizar, pouca água ou fraqueza de quem batiza ou de quem é batizado (Suma Teológica III, q. 66, a. 7). Daí em diante, a infusão foi se tornando a regra no Ocidente, e no norte da Europa o frio da água no inverno apressou a mudança.

No Oriente, a imersão continuou sendo o costume, embora nem sempre mergulhando o corpo inteiro: muitas vezes o batizando fica dentro da pia e recebe a água sobre a cabeça, segundo a mesma Enciclopédia.

As frases de Tomás de Aquino foram traduzidas por nós a partir da versão inglesa indicada nas fontes.

Imagem gerada por IA: uma pequena sala de pedra iluminada por lamparina, com uma pia batismal retangular sob um arco sustentado por colunas e, na parede de cima, a pintura do Bom Pastor com uma ovelha nos ombros.
Imagem gerada por IA: O batistério da casa-igreja de Dura-Europos, na Síria, por volta de 240, com o Bom Pastor pintado sobre a pia. Reconstituição imaginada a partir das pinturas e da sala encontradas em 1932. Em estilo de pintura barroca

Lado a lado

A objeção e os textos, lado a lado

O que se dizO que os textos mostramOnde conferir
Baptízō só pode querer dizer mergulhar o corpo inteiro.O sentido básico é mergulhar, mas o verbo também serve para lavagens rituais, sem dizer o modo.Mc 7,4; Lc 11,38; Catecismo, n. 1214
Jesus e o eunuco foram mergulhados.Os textos dizem que entraram na água e saíram dela; não dizem se a cabeça foi mergulhada ou molhada.Mt 3,16; At 8,38-39
Derramar água é invenção da Idade Média.A Didaqué já aceitava derramar água três vezes sobre a cabeça; Cipriano, por volta de 255, defendeu o batismo dos doentes por aspersão.Didaqué 7,3; Cipriano, Carta 69,12
A Igreja Católica rejeita a imersão.Ela a chama de modo mais significativo e a prevê no Código; o Oriente a conserva.Catecismo, n. 1239 e 1240; cân. 854
Sem imersão, não há sepultura com Cristo.A imersão mostra melhor a sepultura, mas a união com Cristo é obra do batismo, qualquer que seja o modo.Rm 6,4; Tomás de Aquino, Suma III, q. 66, a. 7

Os frutos

Por que essa diferença não precisa separar irmãos?

A discussão sobre o modo divide menos do que parece. Para a Igreja Católica, um batismo por imersão feito numa igreja batista, com água e em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, é batismo válido: o batismo por imersão ou por infusão, com a fórmula trinitária, vale por si mesmo (Diretório Ecumênico, 1993, n. 95). E várias igrejas evangélicas, como as presbiterianas, também batizam derramando água. O que une é o mesmo Cristo, em quem todos fomos batizados.

Para os católicos, fica também um convite: redescobrir a força do sinal. A imersão continua prevista no Código e é, segundo o Catecismo, o modo mais significativo. E, mesmo quando a água é derramada, ela diz a mesma coisa que dizia no Jordão e nos rios dos primeiros séculos: que fomos sepultados com Cristo e saímos com Ele para uma vida nova (Rm 6,4). Com um amigo batista, vale começar por aí, lendo juntos Romanos 6 e a Didaqué.

Para guardar

A Igreja chama a imersão de modo mais significativo e nunca a proibiu, mas desde a Didaqué também batiza derramando água três vezes sobre a cabeça. O que faz o batismo é o banho com água verdadeira e as palavras "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", e não a quantidade de água.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Em Lucas 11,38, o que o fariseu estranhou em Jesus?

  2. 2. O que a Didaqué manda fazer quando não há água corrente nem outra água, fria ou quente?

  3. 3. Como o Catecismo (n. 1239) fala da tríplice imersão?

  4. 4. Segundo o Código de Direito Canônico (cân. 854), como se confere o batismo na Igreja latina?

  5. 5. O que Cipriano respondeu, por volta de 255, sobre os doentes batizados na cama com água derramada ou aspergida?

Perguntas frequentes

Quem foi batizado numa igreja evangélica precisa ser batizado de novo para ser católico?

Em regra, não. O batismo marca a pessoa para sempre e não se repete (Catecismo, n. 1272). O Código de Direito Canônico diz que não se deve batizar sob condição quem foi batizado numa comunidade cristã não católica, a não ser que, examinados a matéria, a forma e a intenção, haja razão séria para duvidar da validade (cân. 869, § 2). Para provar que alguém foi batizado, o Código aceita até a declaração de uma só testemunha digna de fé, ou o juramento do próprio batizado, se o recebeu já adulto (cân. 876). A questão de batizar de novo quem vinha de outros grupos já dividiu Cipriano e o papa Estêvão no século III, como mostra a aula Os católicos seguem tradições humanas?.

Posso pedir que meu filho seja batizado por imersão?

O Código admite tanto a imersão quanto a infusão, "observadas as prescrições da Conferência episcopal" (cân. 854). Na prática, depende do que a conferência dos bispos e a paróquia preveem e de haver uma fonte batismal adequada; vale conversar com o pároco na preparação do batismo.

A água do batismo precisa ser benta?

Na celebração, a água é consagrada por uma oração que pede a Deus que o Espírito Santo desça sobre ela, para que os batizados nela "nasçam da água e do Espírito" (Catecismo, n. 1238). Em caso de necessidade, qualquer água natural serve, mesmo sem bênção; o que não pode faltar é água verdadeira, e o Concílio de Trento rejeitou quem dissesse o contrário (sessão VII, cânones sobre o batismo, 2).

Por que a água é derramada três vezes?

Para honrar as três pessoas da Trindade, em cujo nome se batiza. A tríplice imersão é muito antiga: Tertuliano já fala dela (A coroa 3), assim como Basílio e Jerônimo. Mas não é condição de validade: em 633, o IV Concílio de Toledo aprovou uma só imersão, para se opor aos arianos, com o apoio que antes o papa Gregório Magno tinha dado a esse costume na Espanha (Enciclopédia Católica, verbete Baptism). Tomás de Aquino considerava lícitos os dois modos (Suma Teológica III, q. 66, a. 8).

Pode-se batizar num rio ou numa piscina?

Fora do caso de necessidade, o lugar próprio do batismo é a igreja ou o oratório, e cada paróquia deve ter a sua fonte batismal (Código de Direito Canônico, cân. 857 e 858). Se, pela distância ou por outras circunstâncias, a pessoa não puder ir à igreja "sem grave incómodo", o batismo pode e deve ser feito noutra igreja ou oratório mais próximo, "ou ainda noutro lugar decente" (cân. 859); em casas particulares, só em necessidade ou com permissão do Ordinário do lugar, em geral o bispo (cân. 860). Quanto à água, a origem não faz diferença, como já dizia Tertuliano: mar, rio, fonte ou bacia (O batismo 4,3).

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1214, 1238, 1239, 1240 e 1272
  2. VaticanoCódigo de Direito Canônico, versão portuguesa, cân. 849, 854, 857 a 860, 869 e 876
  3. Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão VII (1547), cânones sobre o batismo, 2 (tradução inglesa)
  4. Bible HubTexto grego de Marcos 7,4
  5. Bible HubTexto grego de Lucas 11,38
  6. Bible HubTexto grego de Mateus 3,16
  7. Bible HubTexto grego de Atos 8,38
  8. Bible HubTexto grego de Hebreus 10,22
  9. Bible HubTexto grego de Tito 3,6
  10. Bible HubTexto hebraico de Ezequiel 36,25
  11. Bible HubLéxico de Thayer: baptízō, imergir e lavar (Mc 7,4; Lc 11,38)
  12. Bible HubLéxico de Thayer: rhantízō em Mc 7,4, leitura de Westcott e Hort, segundo o Sinaítico e o Vaticano
  13. First1KGreekDidaqué, texto grego (7,1-3)
  14. New AdventDidaqué, 7 (tradução inglesa)
  15. Catholic EncyclopediaThe Didache: a data (a opinião mais comum a põe antes do ano 100) e a regra do batismo
  16. The Latin LibraryTertuliano, O batismo, texto latino (4)
  17. The Tertullian ProjectCronologia das obras de Tertuliano: O batismo, depois de 198 e antes do período montanista
  18. New AdventCipriano de Cartago, Carta 69 a Magno, 12 (numerada 75 na tradução inglesa)
  19. Catholic EncyclopediaSt. Cyprian of Carthage: a carta a Magno, talvez de 255
  20. New AdventJoão Crisóstomo, Homilias sobre João, 25 (tradução inglesa)
  21. Catholic EncyclopediaSt. John Chrysostom: as homilias sobre João, c. 389
  22. New AdventTomás de Aquino, Suma Teológica III, q. 66, a. 7 e 8 (tradução inglesa)
  23. Catholic EncyclopediaBaptism: imersão, infusão e aspersão; a tríplice imersão e o IV Concílio de Toledo
  24. Catholic EncyclopediaBaptismal Font: a profundidade das pias antigas e a arte cristã
  25. Catholic EncyclopediaBaptistery: o batistério de Latrão e os degraus da piscina
  26. Dicastério para a Promoção da Unidade dos CristãosDiretório para a aplicação dos princípios e normas sobre o ecumenismo (1993), n. 95 (texto inglês)
  27. Universidade YaleDura-Europos: a casa-igreja cristã e o batistério
  28. Catholic EncyclopediaBaptists: John Smyth (1609) e a imersão como único modo (1640 a 1660)
  29. Southern Baptist ConventionBaptist Faith and Message (2000), art. 7
  30. Orthodox Presbyterian ChurchConfissão de Westminster, cap. 28
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