A resposta curta
Não. A Igreja ensina, com a Carta aos Hebreus, que Cristo se ofereceu uma vez por todas na cruz, e que esse sacrifício não se repete nem precisa ser completado. A Missa não é outro sacrifício: é o memorial que torna presente, sem sangue, o mesmo e único sacrifício da cruz. Nas palavras do Catecismo, o mistério pascal "celebra-se, não se repete; as celebrações é que se repetem" (n. 1104).
A objeção
O que se costuma dizer
A Bíblia é clara: Cristo se ofereceu uma vez por todas. A Carta aos Hebreus repete isso várias vezes (Hb 7,27; 9,12; 10,10) e conclui que, onde há perdão, "já não há oferta pelo pecado" (Hb 10,18). Na cruz, o próprio Jesus disse: "Está consumado" (Jo 19,30). A Missa, ao contrário, oferece Cristo de novo todos os dias, em milhares de altares, como se a cruz não tivesse bastado. É como se o padre sacrificasse Jesus outra vez. Isso desonra a obra que Ele terminou no Calvário. E a ideia de que a Missa é sacrifício teria surgido séculos depois dos apóstolos.
A primeira metade dessa objeção é verdade, e a Igreja a ensina com as mesmas palavras de Hebreus. A pergunta está na segunda metade.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa objeção?
A objeção ganhou forma na Reforma, no século XVI, quase sempre com os mesmos versículos.
Zwínglio, reformador de Zurique, escreveu em 1523 que, como Cristo se sacrificou uma vez e para sempre, "a Missa não é um sacrifício, mas uma lembrança do sacrifício" (67 artigos, artigo 18). A Confissão de Augsburgo, dos luteranos, de 1530, mantinha a Missa, mas não como oferta pelos pecados de cada dia, e citava Hebreus 10,10 e 10,14 (artigo 24). Calvino, na edição final das Institutas, de 1559, escreveu que a Missa "sepulta" a cruz e que levaria a matar Cristo de novo, "se isso fosse possível", embora soubesse que os católicos negavam isso (livro IV, capítulo 18, 1 e 5). O Catecismo de Heidelberg, de 1563, seguiu a mesma linha (pergunta 80); a história dessa pergunta está na aula Adorar a hóstia é idolatria?.
Havia também uma ferida real: a exploração da Missa para o lucro, que Augsburgo denunciava (artigo 24) e que o próprio Concílio de Trento, em 1562, mandou os bispos combaterem, junto com superstições como a de dar valor a um número fixo de certas Missas e de velas (sessão XXII, decreto sobre a celebração da Missa).
Hoje, muitos irmãos evangélicos ouvem "sacrifício da Missa" e entendem que, para os católicos, Cristo morre de novo no altar. Se fosse isso, a objeção estaria certa.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
Ninguém aqui discute se a cruz bastou. Católicos e evangélicos concordam que o sacrifício de Cristo foi único, perfeito e suficiente. A pergunta é outra: quando Hebreus diz "uma vez por todas", ele proíbe outros sacrifícios, que repitam ou completem o da cruz? Ou proíbe também que o único sacrifício seja tornado presente, do modo que Jesus mandou fazer na Última Ceia?
O que diz a Bíblia
O que a Carta aos Hebreus diz, palavra por palavra?
A carta compara o culto do Templo, com sacrifícios repetidos todos os dias e todos os anos, ao de Cristo, que se ofereceu uma só vez. Três palavras gregas fazem o contraste: pollákis (muitas vezes), hápax (uma vez) e ephápax (uma vez por todas, de uma vez para sempre).
Ele não precisa, como os sumos sacerdotes, oferecer sacrifícios todos os dias, primeiro pelos próprios pecados e depois pelos do povo; porque isso Ele fez uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo. (Hb 7,27)
Não com o sangue de bodes e novilhos, mas com o próprio sangue, entrou uma vez por todas no santuário, tendo obtido uma redenção eterna. (Hb 9,12)
Nos dois casos, ephápax. Em 9,25-26, com hápax, o autor explica o que fica excluído:
E não para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote entra no santuário cada ano com sangue alheio; do contrário, teria de sofrer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora, uma só vez, na consumação dos séculos, Ele se manifestou para abolir o pecado com o seu sacrifício. (Hb 9,25-26)
O que fica excluído é um oferecimento repetido que exigiria que Cristo sofresse de novo: para Hebreus, oferecer-se e sofrer andam juntos (9,26). Cristo não volta a sofrer nem a morrer, como as vítimas do Templo, que precisavam ser mortas a cada vez; Paulo diz o mesmo: "Cristo, ressuscitado dos mortos, já não morre" (Rm 6,9-10). A Missa não é um novo oferecimento desse tipo: nela não há novo sofrimento nem nova morte; o único sacrifício se torna presente de modo sacramental, sem sangue.
Todo sacerdote fica de pé, dia após dia, celebrando o culto e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados. Ele, porém, depois de oferecer um único sacrifício pelos pecados, sentou-se para sempre à direita de Deus. (Hb 10,11-12)
Pois com uma única oferta levou à perfeição, para sempre, os que são santificados. (Hb 10,14)
E 10,18 conclui: "onde há perdão dessas coisas, já não há oferta pelo pecado". Até aqui, a Igreja assina embaixo de cada palavra.
Mas Hebreus diz mais. O sacrifício único não ficou preso ao passado. Cristo continua sacerdote: "porque permanece para sempre, tem um sacerdócio que não passa", e "está sempre vivo para interceder" (Hb 7,24-25). Entrou no próprio céu "para agora se apresentar diante de Deus em nosso favor" (Hb 9,24). E o Apocalipse o mostra no céu como "um Cordeiro de pé, como que imolado" (Ap 5,6): vivo, mas com as marcas da oferta.
O que Jesus mandou fazer. Na ceia da Páscoa, Ele não disse apenas "lembrem-se de mim":
Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim. [...] Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós. (Lc 22,19-20)
O corpo "dado" e o sangue "derramado" são palavras de sacrifício, e a ordem é fazer algo, não só recordar. (Se o pão é de fato o corpo de Cristo é o tema da aula A Eucaristia é símbolo ou o corpo de Cristo?.) Paulo tira a consequência: "todas as vezes que comeis este pão e bebeis o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha" (1Cor 11,26). Pouco antes, ele compara a Ceia aos sacrifícios de Israel: "os que comem as vítimas não estão em comunhão com o altar?" (1Cor 10,18). E contrapõe a "mesa do Senhor" à "mesa dos demônios" (1Cor 10,21); o Concílio de Trento entende que, nos dois casos, "mesa" quer dizer altar.
A profecia de Malaquias. Depois de recusar as ofertas dos sacerdotes do Templo, que traziam animais cegos e doentes (Ml 1,8-10), Deus anuncia pelo profeta:
Pois, desde o nascer do sol até o seu poente, grande é o meu nome entre as nações; e em todo lugar se queima incenso e se apresenta ao meu nome uma oferta pura, porque grande é o meu nome entre as nações, diz o Senhor dos Exércitos. (Ml 1,11)
A palavra para oferta é minḥāh, que na Lei designa muitas vezes a oferta de farinha (Lv 2,1). E "em todo lugar" chama a atenção: com a mesma expressão hebraica, a Lei proibia oferecer holocaustos "em qualquer lugar", fora do lugar escolhido por Deus (Dt 12,13-14). O texto não fala da Missa pelo nome, e o hebraico pode ser lido no presente ou no futuro; a ligação com a Eucaristia é a leitura dos primeiros cristãos, como se verá abaixo, e do Concílio de Trento.
Os versículos estão em tradução nossa, a partir do grego (Novo Testamento) e do hebraico (Malaquias, Levítico e Deuteronômio). Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Hebreus 7, Hebreus 9, Hebreus 10, Romanos 6, João 19, Apocalipse 5, Lucas 22, 1 Coríntios 10, 1 Coríntios 11, Malaquias 1, Levítico 2 e Deuteronômio 12.

O que quer dizer "memória" na Bíblia?
Para nós, lembrar é pensar no passado. Na Bíblia, a palavra pesa mais. A Páscoa de Israel é chamada de memorial, em hebraico zikkārôn:
Este dia será para vós um memorial, e o celebrareis como festa para o Senhor; de geração em geração o celebrareis, como lei perpétua. (Ex 12,14)
E a Lei manda o pai dizer ao filho, na festa:
É por causa do que o Senhor fez por mim quando saí do Egito. (Ex 13,8)
Moisés fala do mesmo modo ao povo reunido no quadragésimo ano depois da saída do Egito (Dt 1,3): "Não foi com os nossos pais que o Senhor fez esta aliança, mas conosco, com todos nós que hoje estamos aqui vivos" (Dt 5,3). A Mishná, que reúne a tradição judaica e foi compilada entre cerca de 190 e 230, tira daí a regra: em cada geração, cada um deve se ver como se ele mesmo tivesse saído do Egito (Pesachim 10,5).
A Septuaginta, a antiga tradução grega do Antigo Testamento, usa anámnēsis, a palavra de "fazei isto em memória de mim", para os pães postos diante de Deus (Lv 24,7) e para o toque das trombetas sobre os sacrifícios das festas (Nm 10,10); e Hebreus diz que nos sacrifícios anuais do Templo há uma anámnēsis, uma recordação, dos pecados (Hb 10,3).
Sozinha, a palavra não prova que a Ceia é sacrifício. O que pesa é o conjunto: Jesus falou numa ceia de Páscoa (Lc 22,15), deu o corpo "dado" e o sangue "derramado" e mandou repetir o gesto. É nesse sentido bíblico que a Igreja entende o memorial: a celebração em que aquilo que Deus fez se torna, de certo modo, presente e atual para quem celebra (Catecismo, n. 1363).
Versículos em tradução nossa, a partir do hebraico (Êxodo e Deuteronômio). Capítulos inteiros na Bíblia Ave-Maria: Êxodo 12, Êxodo 13, Deuteronômio 1, Deuteronômio 5, Levítico 24, Números 10 e Hebreus 10.
O que diziam os primeiros cristãos
O que os primeiros cristãos diziam?
Os textos antigos chamam a Eucaristia de sacrifício, e vários a ligam a Malaquias; nenhum dos citados aqui fala de um sacrifício novo, que somasse algo à cruz.
A Didaqué, fim do século I ou começo do II. Esse pequeno manual cristão, de data discutida, manda: "No dia do Senhor, reunidos, parti o pão e dai graças, depois de terdes confessado as vossas faltas, para que o vosso sacrifício seja puro" (14,1), trecho já visto na aula Por que confessar os pecados a um padre?. E explica de onde vem a palavra:
Pois este é o sacrifício de que o Senhor falou: Em todo lugar e em todo tempo, oferecer-me um sacrifício puro, porque sou um grande rei, diz o Senhor, e o meu nome é admirável entre as nações. (Didaqué 14,3)
As palavras vêm de Malaquias 1,11 e 1,14, citadas livremente.
Inácio de Antioquia, por volta de 110. "Esforçai-vos, pois, por participar de uma só Eucaristia: pois uma só é a carne de nosso Senhor Jesus Cristo, e um só o cálice para nos unir no seu sangue; um só altar, como um só bispo" (Carta aos Filadelfienses 4). A palavra para altar é thysiastḗrion, o lugar do sacrifício.
Justino, entre 155 e 161. No Diálogo com Trifão, um debate com um judeu, ele cita Malaquias e explica que Deus falava "de nós, os gentios, que em todo lugar lhe oferecemos sacrifícios, isto é, o pão da Eucaristia e também o cálice da Eucaristia" (Diálogo 41). A celebração de domingo que Justino descreve em outra obra, a Primeira Apologia (65 a 67), está na aula Jesus fundou a Igreja Católica?.
Ireneu de Lyon, por volta de 180. Ao dizer do pão e do cálice que eram o seu corpo e o seu sangue, Jesus "ensinou a nova oblação da nova aliança, que a Igreja, recebendo-a dos apóstolos, oferece a Deus no mundo inteiro", a oferta pura anunciada por Malaquias (Contra as heresias IV,17,5).
Cipriano de Cartago, bispo de c. 249 a 258. O bispo mártir escreve: "a paixão do Senhor é o sacrifício que oferecemos" (Carta 63,17; Carta 62 na numeração inglesa).
As Catequeses de Jerusalém, século IV. Explicando a Missa aos recém-batizados, o pregador diz que, ao rezar pelos mortos, "apresentamos Cristo imolado pelos nossos pecados" (Catequese mistagógica 5,10, no texto do Catecismo, n. 1371). O Catecismo as atribui a Cirilo de Jerusalém, embora parte dos estudiosos discuta o autor e a data exata.
João Crisóstomo, bispo de Constantinopla, morto em 407. Comentando justamente Hebreus 9,24-26, ele mesmo levanta a objeção desta aula:
E então? Não oferecemos todos os dias? Oferecemos, sim, mas fazendo memória da sua morte; e essa memória é uma só, não muitas. (Homilias sobre a Carta aos Hebreus 17)
E responde: "Nós oferecemos sempre o mesmo Cordeiro, e não um hoje e amanhã outro, mas sempre o mesmo. Por este motivo, o sacrifício é sempre um só" (citado por João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, n. 12). E conclui: não é outro sacrifício; oferecemos sempre o mesmo, "ou melhor, fazemos a memória de um sacrifício". As homilias foram publicadas depois da sua morte, a partir de notas.
Didaqué e Inácio em tradução nossa a partir do grego; Justino, Ireneu, Cipriano e duas frases de Crisóstomo traduzidos por nós a partir das versões inglesas indicadas nas fontes; as Catequeses seguem o Catecismo (n. 1371), e a frase do meio de Crisóstomo, a Ecclesia de Eucharistia (n. 12).
O que a Igreja ensina
O que a Igreja ensina, com as palavras dela?
Para o Catecismo, a Páscoa de Cristo é "o único acontecimento da história que não passa jamais" (n. 1085). É assim que ele explica a Missa, com a própria expressão de Hebreus, "uma vez por todas", ligada ao memorial:
O mistério pascal de Cristo celebra-se, não se repete; as celebrações é que se repetem.
A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a actualização e a oferenda sacramental do seu único sacrifício […]
[…] o sacrifício que Cristo ofereceu na cruz uma vez por todas, continua sempre actual […]
A Eucaristia é, pois, um sacrifício, porque representa (torna presente) o sacrifício da cruz, porque é dele o memorial e porque aplica o seu fruto […]
O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício […]
[…] só a maneira de oferecer é que é diferente […]
A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.
Por trás dessas frases está o Concílio de Trento, na sessão XXII, de 17 de setembro de 1562. Em resumo: na Última Ceia, Cristo deixou à Igreja um sacrifício visível, em que o sacrifício de sangue da cruz seria tornado presente, lembrado até o fim do mundo e aplicado aos pecados de cada dia (capítulo 1). A vítima é a mesma, e quem se oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo Cristo da cruz, lá com sangue, aqui sem sangue; os frutos da cruz chegam pela Missa, que nada tira dela (capítulo 2). E é condenado quem disser que a Missa é blasfêmia contra o sacrifício da cruz ou tira algo dele (cânon 4).
Vale separar o que é dogma do que é discussão de escola. É de fé, definido em Trento, que a Missa é verdadeiro e próprio sacrifício (cânon 1), que é o mesmo sacrifício da cruz e que tem valor de propiciação, isto é, alcança de Deus a graça do arrependimento e o perdão para quem se aproxima com fé e arrependimento, e é oferecida também pelos falecidos (capítulo 2 e cânon 3). Já o modo exato como o rito realiza o sacrifício recebeu várias explicações de teólogos depois de Trento (a Enciclopédia Católica expõe as principais); o Concílio definiu o fato, não uma dessas teorias. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
Linha do tempo
Da cruz a hoje, em datas
A discussão mudou ao longo dos séculos; a celebração vem do começo.
- c. 30A cruz e a Última CeiaJesus se oferece uma vez por todas e manda: "Fazei isto em memória de mim" (Lc 22,19).
- c. 110Um só altarInácio fala de uma só Eucaristia e de um só altar.
- 407Morre CrisóstomoAs suas homilias sobre Hebreus dizem que o sacrifício é sempre um só.
- 1530AugsburgoOs luteranos mantêm a Missa, mas não como oferta pelos pecados.
- 1562Concílio de TrentoA Missa é o mesmo sacrifício da cruz, oferecido sem sangue; os abusos de dinheiro são proibidos.
Lado a lado
A objeção e a resposta, lado a lado
| O que se diz | O que a Bíblia e a Igreja dizem | Onde conferir |
|---|---|---|
| A Missa repete o sacrifício. | A cruz não se repete: o que se repete é a celebração que torna presente o único sacrifício. | Catecismo 1104; Ecclesia de Eucharistia 12 |
| O padre mata Cristo de novo. | Cristo ressuscitado já não morre; a Missa é sacrifício sem sangue, e quem oferece é o próprio Cristo. | Rm 6,9-10; Catecismo 1367 |
| Ninguém via a Eucaristia como sacrifício antes da Idade Média. | A Didaqué, Justino e Ireneu já a ligam à oferta pura de Malaquias. | Didaqué 14; Justino, Diálogo 41; Ireneu IV,17,5 |
Os frutos
O que muda para quem participa da Missa?
Se a Missa fosse um sacrifício novo, o católico iria à igreja para completar o que faltou na cruz. Como é o mesmo sacrifício tornado presente, vai para se unir a ele. O Catecismo diz que, na Eucaristia, a vida dos fiéis, o seu louvor, o seu sofrimento, a sua oração e o seu trabalho se unem aos de Cristo e à sua oferta, e ganham um novo valor (n. 1368).
Com um irmão evangélico, o ponto de partida é comum e firme: a cruz foi única e bastou. A diferença está em como Cristo quis que ela chegasse a cada geração. Vale ler juntos Hebreus 9 e 10 e, depois, a homilia em que Crisóstomo, mais de mil anos antes da Reforma, respondeu à mesma pergunta.
Para guardar
A Missa não repete a cruz nem acrescenta nada a ela: torna presente o único sacrifício de Cristo, oferecido uma vez por todas. Como diz o Catecismo, o mistério pascal "celebra-se, não se repete; as celebrações é que se repetem".
Teste
Teste o que você aprendeu
5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Que palavra grega a Carta aos Hebreus usa em 7,27, 9,12 e 10,10 para dizer que Cristo se ofereceu "uma vez por todas"?
Ephápax quer dizer uma vez por todas. Pollákis, "muitas vezes", é a palavra usada para os sacrifícios repetidos do Templo (Hb 9,25; 10,11).
2. Segundo o Catecismo (n. 1104), o que se repete em cada Missa?
O número 1104 diz: o mistério pascal de Cristo celebra-se, não se repete; as celebrações é que se repetem.
3. Que profeta os primeiros cristãos ligavam à Eucaristia, por anunciar uma oferta pura em todo lugar, entre as nações?
É Malaquias 1,11. A Didaqué (14,3), Justino (Diálogo 41) e Ireneu (Contra as heresias IV,17,5) aplicam o versículo à Eucaristia.
4. Comentando Hebreus, o que João Crisóstomo respondeu à pergunta "não oferecemos todos os dias?"
Na homilia 17 sobre a Carta aos Hebreus, Crisóstomo diz que oferecemos sempre o mesmo, fazendo memória da morte de Cristo, e que por isso o sacrifício é um só.
5. Segundo o Concílio de Trento (sessão XXII), o que muda entre o sacrifício da cruz e o da Missa?
O capítulo 2 da sessão XXII diz que a vítima é uma só e a mesma, e que quem oferece é o mesmo Cristo; só a maneira de oferecer é diferente (Catecismo, n. 1367).
Perguntas frequentes
Por que se oferece dinheiro para mandar celebrar uma Missa?
É o estipêndio, uma oferta para que o padre aplique a Missa por uma intenção. O Código de Direito Canônico diz que, com ela, os fiéis ajudam a sustentar os ministros e as obras da Igreja (cân. 946), recomenda aos padres que celebrem também sem estipêndio, sobretudo pelos pobres (cân. 945), e manda evitar "qualquer aparência de negócio ou comércio" (cân. 947). A Missa não se compra; o que se oferece é ajuda à Igreja.
A Missa pode ser oferecida pelos mortos?
Sim. O Concílio de Trento ensina que ela é oferecida pelos vivos e também pelos que morreram em Cristo e ainda não estão de todo purificados (sessão XXII, capítulo 2). O Catecismo lembra o pedido de Mônica, mãe de Agostinho, ao morrer: que se lembrassem dela "diante do altar do Senhor" (n. 1371). O purgatório tem aula própria: Onde a Bíblia fala do purgatório?
Só um padre pode celebrar a Missa?
Sim: "Só os sacerdotes validamente ordenados podem presidir à Eucaristia e consagrar o pão e o vinho" (Catecismo, n. 1411). Mas os fiéis não assistem de fora: o Vaticano II pede que aprendam a oferecer-se a si mesmos, oferecendo com o sacerdote, e não só pelas mãos dele (Sacrosanctum Concilium 48). Sobre a origem do ministério, veja a aula A sucessão apostólica está na Bíblia?.
O que é a anamnese, na Missa?
É a oração que vem logo depois das palavras da instituição, as da consagração. Nela, diz o Catecismo, a Igreja faz memória da paixão, da ressurreição e da volta gloriosa de Cristo e apresenta ao Pai a oferta do seu Filho (n. 1354); ela aparece em todas as orações eucarísticas (n. 1362). No rito latino, o povo responde com uma aclamação do mesmo tipo: "Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!" (Ecclesia de Eucharistia 5), que lembra 1 Coríntios 11,26.
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1085 e 1104
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1333, 1354, 1362 a 1368, 1371 e 1411
- VaticanoJoão Paulo II, encíclica Ecclesia de Eucharistia (2003), n. 5 e 12
- VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Sacrosanctum Concilium, n. 48
- VaticanoCódigo de Direito Canônico, versão portuguesa, cân. 945 a 947
- Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão XXII (1562): capítulos 1 e 2, cânones 1, 3 e 4 e decreto sobre a celebração da Missa (tradução inglesa)
- Bible HubHebreus 7,27 no grego (as demais passagens de Hebreus, Romanos, Lucas e 1 Coríntios foram conferidas na mesma série de páginas)
- Bible HubHebreus 9,26: hápax (uma vez)
- Bible HubHebreus 10,12, texto grego
- Bible HubMalaquias 1,11, texto hebraico
- Bible HubDeuteronômio 12,13, texto hebraico (bəḵāl-māqôm, em qualquer lugar)
- Bible HubÊxodo 12,14 (zikkārôn), texto hebraico
- Blue Letter BibleLevítico 24,7 na Septuaginta (anámnēsis)
- Blue Letter BibleNúmeros 10,10 na Septuaginta (anámnēsis)
- SefariaMishná, Pesachim 10,5 (tradução inglesa) e data de compilação
- CCELDidaqué, 14 (texto grego e tradução inglesa de K. Lake)
- CCELInácio de Antioquia, Carta aos Filadelfienses, 4 (texto grego e tradução inglesa de K. Lake)
- New AdventJustino, Diálogo com Trifão, 41 (tradução inglesa)
- New AdventIreneu de Lyon, Contra as heresias, IV,17,5 (tradução inglesa)
- New AdventCipriano de Cartago, Carta 62 na numeração inglesa (63 na edição crítica), 17
- New AdventJoão Crisóstomo, Homilia 17 sobre a Carta aos Hebreus, 6 (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaSacrifice of the Mass: Malaquias e as teorias dos teólogos
- Catholic EncyclopediaSão Cipriano: bispo de Cartago desde c. 248 ou 249
- Catholic EncyclopediaDidaché: a discussão sobre a data
- Catholic EncyclopediaSão Justino: a data da Apologia e do Diálogo
- Catholic EncyclopediaSão João Crisóstomo: bispo de Constantinopla desde 398
- Catholic EncyclopediaSão Cirilo de Jerusalém: as Catequeses e as cinco instruções mistagógicas
- New AdventJoão Crisóstomo, Homilias sobre a Carta aos Hebreus: publicadas depois da sua morte, a partir de notas de Constantino, presbítero de Antioquia
- Book of ConcordConfissão de Augsburgo (1530), artigo 24 (tradução inglesa)
- CCELJoão Calvino, Institutas, livro IV, capítulo 18, 1 e 5 (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaJoão Calvino: a edição latina final das Institutas, de 1559
- Christian History InstituteZwínglio, os 67 artigos (1523), artigo 18 (tradução inglesa)
- Christian Reformed ChurchCatecismo de Heidelberg (1563), pergunta 80

