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Imagem gerada por IA: um rei idoso, de túnica de linho, sai ao encontro de Abrão e lhe oferece um pão redondo e um jarro de vinho, com a mão erguida para abençoar; Abrão inclina a cabeça, e atrás dele há pastores armados e jumentos entre colinas de pedra.

A Missa repete o sacrifício de Cristo?

A Igreja concorda com a Carta aos Hebreus: o sacrifício da cruz foi único e não se repete. O que se repete é a celebração que o torna presente.

14 min de leitura

Imagem gerada por IA: Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote, oferece pão e vinho a Abrão (Gn 14,18-20); a Igreja vê nesse gesto uma prefiguração da sua própria oferenda (Catecismo, n. 1333). Em estilo de pintura renascentista

A resposta curta

Não. A Igreja ensina, com a Carta aos Hebreus, que Cristo se ofereceu uma vez por todas na cruz, e que esse sacrifício não se repete nem precisa ser completado. A Missa não é outro sacrifício: é o memorial que torna presente, sem sangue, o mesmo e único sacrifício da cruz. Nas palavras do Catecismo, o mistério pascal "celebra-se, não se repete; as celebrações é que se repetem" (n. 1104).

A objeção

O que se costuma dizer

A Bíblia é clara: Cristo se ofereceu uma vez por todas. A Carta aos Hebreus repete isso várias vezes (Hb 7,27; 9,12; 10,10) e conclui que, onde há perdão, "já não há oferta pelo pecado" (Hb 10,18). Na cruz, o próprio Jesus disse: "Está consumado" (Jo 19,30). A Missa, ao contrário, oferece Cristo de novo todos os dias, em milhares de altares, como se a cruz não tivesse bastado. É como se o padre sacrificasse Jesus outra vez. Isso desonra a obra que Ele terminou no Calvário. E a ideia de que a Missa é sacrifício teria surgido séculos depois dos apóstolos.

A primeira metade dessa objeção é verdade, e a Igreja a ensina com as mesmas palavras de Hebreus. A pergunta está na segunda metade.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa objeção?

A objeção ganhou forma na Reforma, no século XVI, quase sempre com os mesmos versículos.

Zwínglio, reformador de Zurique, escreveu em 1523 que, como Cristo se sacrificou uma vez e para sempre, "a Missa não é um sacrifício, mas uma lembrança do sacrifício" (67 artigos, artigo 18). A Confissão de Augsburgo, dos luteranos, de 1530, mantinha a Missa, mas não como oferta pelos pecados de cada dia, e citava Hebreus 10,10 e 10,14 (artigo 24). Calvino, na edição final das Institutas, de 1559, escreveu que a Missa "sepulta" a cruz e que levaria a matar Cristo de novo, "se isso fosse possível", embora soubesse que os católicos negavam isso (livro IV, capítulo 18, 1 e 5). O Catecismo de Heidelberg, de 1563, seguiu a mesma linha (pergunta 80); a história dessa pergunta está na aula Adorar a hóstia é idolatria?.

Havia também uma ferida real: a exploração da Missa para o lucro, que Augsburgo denunciava (artigo 24) e que o próprio Concílio de Trento, em 1562, mandou os bispos combaterem, junto com superstições como a de dar valor a um número fixo de certas Missas e de velas (sessão XXII, decreto sobre a celebração da Missa).

Hoje, muitos irmãos evangélicos ouvem "sacrifício da Missa" e entendem que, para os católicos, Cristo morre de novo no altar. Se fosse isso, a objeção estaria certa.

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

Ninguém aqui discute se a cruz bastou. Católicos e evangélicos concordam que o sacrifício de Cristo foi único, perfeito e suficiente. A pergunta é outra: quando Hebreus diz "uma vez por todas", ele proíbe outros sacrifícios, que repitam ou completem o da cruz? Ou proíbe também que o único sacrifício seja tornado presente, do modo que Jesus mandou fazer na Última Ceia?

O que diz a Bíblia

O que a Carta aos Hebreus diz, palavra por palavra?

A carta compara o culto do Templo, com sacrifícios repetidos todos os dias e todos os anos, ao de Cristo, que se ofereceu uma só vez. Três palavras gregas fazem o contraste: pollákis (muitas vezes), hápax (uma vez) e ephápax (uma vez por todas, de uma vez para sempre).

Ele não precisa, como os sumos sacerdotes, oferecer sacrifícios todos os dias, primeiro pelos próprios pecados e depois pelos do povo; porque isso Ele fez uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo. (Hb 7,27)

Não com o sangue de bodes e novilhos, mas com o próprio sangue, entrou uma vez por todas no santuário, tendo obtido uma redenção eterna. (Hb 9,12)

Nos dois casos, ephápax. Em 9,25-26, com hápax, o autor explica o que fica excluído:

E não para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote entra no santuário cada ano com sangue alheio; do contrário, teria de sofrer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora, uma só vez, na consumação dos séculos, Ele se manifestou para abolir o pecado com o seu sacrifício. (Hb 9,25-26)

O que fica excluído é um oferecimento repetido que exigiria que Cristo sofresse de novo: para Hebreus, oferecer-se e sofrer andam juntos (9,26). Cristo não volta a sofrer nem a morrer, como as vítimas do Templo, que precisavam ser mortas a cada vez; Paulo diz o mesmo: "Cristo, ressuscitado dos mortos, já não morre" (Rm 6,9-10). A Missa não é um novo oferecimento desse tipo: nela não há novo sofrimento nem nova morte; o único sacrifício se torna presente de modo sacramental, sem sangue.

Todo sacerdote fica de pé, dia após dia, celebrando o culto e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados. Ele, porém, depois de oferecer um único sacrifício pelos pecados, sentou-se para sempre à direita de Deus. (Hb 10,11-12)

Pois com uma única oferta levou à perfeição, para sempre, os que são santificados. (Hb 10,14)

E 10,18 conclui: "onde há perdão dessas coisas, já não há oferta pelo pecado". Até aqui, a Igreja assina embaixo de cada palavra.

Mas Hebreus diz mais. O sacrifício único não ficou preso ao passado. Cristo continua sacerdote: "porque permanece para sempre, tem um sacerdócio que não passa", e "está sempre vivo para interceder" (Hb 7,24-25). Entrou no próprio céu "para agora se apresentar diante de Deus em nosso favor" (Hb 9,24). E o Apocalipse o mostra no céu como "um Cordeiro de pé, como que imolado" (Ap 5,6): vivo, mas com as marcas da oferta.

O que Jesus mandou fazer. Na ceia da Páscoa, Ele não disse apenas "lembrem-se de mim":

Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim. [...] Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós. (Lc 22,19-20)

O corpo "dado" e o sangue "derramado" são palavras de sacrifício, e a ordem é fazer algo, não só recordar. (Se o pão é de fato o corpo de Cristo é o tema da aula A Eucaristia é símbolo ou o corpo de Cristo?.) Paulo tira a consequência: "todas as vezes que comeis este pão e bebeis o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha" (1Cor 11,26). Pouco antes, ele compara a Ceia aos sacrifícios de Israel: "os que comem as vítimas não estão em comunhão com o altar?" (1Cor 10,18). E contrapõe a "mesa do Senhor" à "mesa dos demônios" (1Cor 10,21); o Concílio de Trento entende que, nos dois casos, "mesa" quer dizer altar.

A profecia de Malaquias. Depois de recusar as ofertas dos sacerdotes do Templo, que traziam animais cegos e doentes (Ml 1,8-10), Deus anuncia pelo profeta:

Pois, desde o nascer do sol até o seu poente, grande é o meu nome entre as nações; e em todo lugar se queima incenso e se apresenta ao meu nome uma oferta pura, porque grande é o meu nome entre as nações, diz o Senhor dos Exércitos. (Ml 1,11)

A palavra para oferta é minḥāh, que na Lei designa muitas vezes a oferta de farinha (Lv 2,1). E "em todo lugar" chama a atenção: com a mesma expressão hebraica, a Lei proibia oferecer holocaustos "em qualquer lugar", fora do lugar escolhido por Deus (Dt 12,13-14). O texto não fala da Missa pelo nome, e o hebraico pode ser lido no presente ou no futuro; a ligação com a Eucaristia é a leitura dos primeiros cristãos, como se verá abaixo, e do Concílio de Trento.

Os versículos estão em tradução nossa, a partir do grego (Novo Testamento) e do hebraico (Malaquias, Levítico e Deuteronômio). Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Hebreus 7, Hebreus 9, Hebreus 10, Romanos 6, João 19, Apocalipse 5, Lucas 22, 1 Coríntios 10, 1 Coríntios 11, Malaquias 1, Levítico 2 e Deuteronômio 12.

Imagem gerada por IA: ao amanhecer, no pátio do Templo de Jerusalém, sacerdotes vestidos de linho branco preparam a oferta da manhã sobre um grande altar de pedras, de onde sobe fumaça.
Imagem gerada por IA: A oferta de cada manhã no Templo de Jerusalém, no século I. A Carta aos Hebreus contrapõe esses sacrifícios repetidos à oferta única de Cristo (Hb 10,11-12). Em estilo de pintura barroca

O que quer dizer "memória" na Bíblia?

Para nós, lembrar é pensar no passado. Na Bíblia, a palavra pesa mais. A Páscoa de Israel é chamada de memorial, em hebraico zikkārôn:

Este dia será para vós um memorial, e o celebrareis como festa para o Senhor; de geração em geração o celebrareis, como lei perpétua. (Ex 12,14)

E a Lei manda o pai dizer ao filho, na festa:

É por causa do que o Senhor fez por mim quando saí do Egito. (Ex 13,8)

Moisés fala do mesmo modo ao povo reunido no quadragésimo ano depois da saída do Egito (Dt 1,3): "Não foi com os nossos pais que o Senhor fez esta aliança, mas conosco, com todos nós que hoje estamos aqui vivos" (Dt 5,3). A Mishná, que reúne a tradição judaica e foi compilada entre cerca de 190 e 230, tira daí a regra: em cada geração, cada um deve se ver como se ele mesmo tivesse saído do Egito (Pesachim 10,5).

A Septuaginta, a antiga tradução grega do Antigo Testamento, usa anámnēsis, a palavra de "fazei isto em memória de mim", para os pães postos diante de Deus (Lv 24,7) e para o toque das trombetas sobre os sacrifícios das festas (Nm 10,10); e Hebreus diz que nos sacrifícios anuais do Templo há uma anámnēsis, uma recordação, dos pecados (Hb 10,3).

Sozinha, a palavra não prova que a Ceia é sacrifício. O que pesa é o conjunto: Jesus falou numa ceia de Páscoa (Lc 22,15), deu o corpo "dado" e o sangue "derramado" e mandou repetir o gesto. É nesse sentido bíblico que a Igreja entende o memorial: a celebração em que aquilo que Deus fez se torna, de certo modo, presente e atual para quem celebra (Catecismo, n. 1363).

Versículos em tradução nossa, a partir do hebraico (Êxodo e Deuteronômio). Capítulos inteiros na Bíblia Ave-Maria: Êxodo 12, Êxodo 13, Deuteronômio 1, Deuteronômio 5, Levítico 24, Números 10 e Hebreus 10.

O que diziam os primeiros cristãos

O que os primeiros cristãos diziam?

Os textos antigos chamam a Eucaristia de sacrifício, e vários a ligam a Malaquias; nenhum dos citados aqui fala de um sacrifício novo, que somasse algo à cruz.

A Didaqué, fim do século I ou começo do II. Esse pequeno manual cristão, de data discutida, manda: "No dia do Senhor, reunidos, parti o pão e dai graças, depois de terdes confessado as vossas faltas, para que o vosso sacrifício seja puro" (14,1), trecho já visto na aula Por que confessar os pecados a um padre?. E explica de onde vem a palavra:

Pois este é o sacrifício de que o Senhor falou: Em todo lugar e em todo tempo, oferecer-me um sacrifício puro, porque sou um grande rei, diz o Senhor, e o meu nome é admirável entre as nações. (Didaqué 14,3)

As palavras vêm de Malaquias 1,11 e 1,14, citadas livremente.

Inácio de Antioquia, por volta de 110. "Esforçai-vos, pois, por participar de uma só Eucaristia: pois uma só é a carne de nosso Senhor Jesus Cristo, e um só o cálice para nos unir no seu sangue; um só altar, como um só bispo" (Carta aos Filadelfienses 4). A palavra para altar é thysiastḗrion, o lugar do sacrifício.

Justino, entre 155 e 161. No Diálogo com Trifão, um debate com um judeu, ele cita Malaquias e explica que Deus falava "de nós, os gentios, que em todo lugar lhe oferecemos sacrifícios, isto é, o pão da Eucaristia e também o cálice da Eucaristia" (Diálogo 41). A celebração de domingo que Justino descreve em outra obra, a Primeira Apologia (65 a 67), está na aula Jesus fundou a Igreja Católica?.

Ireneu de Lyon, por volta de 180. Ao dizer do pão e do cálice que eram o seu corpo e o seu sangue, Jesus "ensinou a nova oblação da nova aliança, que a Igreja, recebendo-a dos apóstolos, oferece a Deus no mundo inteiro", a oferta pura anunciada por Malaquias (Contra as heresias IV,17,5).

Cipriano de Cartago, bispo de c. 249 a 258. O bispo mártir escreve: "a paixão do Senhor é o sacrifício que oferecemos" (Carta 63,17; Carta 62 na numeração inglesa).

As Catequeses de Jerusalém, século IV. Explicando a Missa aos recém-batizados, o pregador diz que, ao rezar pelos mortos, "apresentamos Cristo imolado pelos nossos pecados" (Catequese mistagógica 5,10, no texto do Catecismo, n. 1371). O Catecismo as atribui a Cirilo de Jerusalém, embora parte dos estudiosos discuta o autor e a data exata.

João Crisóstomo, bispo de Constantinopla, morto em 407. Comentando justamente Hebreus 9,24-26, ele mesmo levanta a objeção desta aula:

E então? Não oferecemos todos os dias? Oferecemos, sim, mas fazendo memória da sua morte; e essa memória é uma só, não muitas. (Homilias sobre a Carta aos Hebreus 17)

E responde: "Nós oferecemos sempre o mesmo Cordeiro, e não um hoje e amanhã outro, mas sempre o mesmo. Por este motivo, o sacrifício é sempre um só" (citado por João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, n. 12). E conclui: não é outro sacrifício; oferecemos sempre o mesmo, "ou melhor, fazemos a memória de um sacrifício". As homilias foram publicadas depois da sua morte, a partir de notas.

Didaqué e Inácio em tradução nossa a partir do grego; Justino, Ireneu, Cipriano e duas frases de Crisóstomo traduzidos por nós a partir das versões inglesas indicadas nas fontes; as Catequeses seguem o Catecismo (n. 1371), e a frase do meio de Crisóstomo, a Ecclesia de Eucharistia (n. 12).

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina, com as palavras dela?

Para o Catecismo, a Páscoa de Cristo é "o único acontecimento da história que não passa jamais" (n. 1085). É assim que ele explica a Missa, com a própria expressão de Hebreus, "uma vez por todas", ligada ao memorial:

O mistério pascal de Cristo celebra-se, não se repete; as celebrações é que se repetem.

Catecismo da Igreja Católica, n. 1104

A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a actualização e a oferenda sacramental do seu único sacrifício […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1362

[…] o sacrifício que Cristo ofereceu na cruz uma vez por todas, continua sempre actual […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1364

A Eucaristia é, pois, um sacrifício, porque representa (torna presente) o sacrifício da cruz, porque é dele o memorial e porque aplica o seu fruto […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1366

O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 1367

[…] só a maneira de oferecer é que é diferente […]

Catecismo da Igreja Católica, citando o Concílio de Trento, n. 1367

A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.

João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, n. 12

Por trás dessas frases está o Concílio de Trento, na sessão XXII, de 17 de setembro de 1562. Em resumo: na Última Ceia, Cristo deixou à Igreja um sacrifício visível, em que o sacrifício de sangue da cruz seria tornado presente, lembrado até o fim do mundo e aplicado aos pecados de cada dia (capítulo 1). A vítima é a mesma, e quem se oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo Cristo da cruz, lá com sangue, aqui sem sangue; os frutos da cruz chegam pela Missa, que nada tira dela (capítulo 2). E é condenado quem disser que a Missa é blasfêmia contra o sacrifício da cruz ou tira algo dele (cânon 4).

Vale separar o que é dogma do que é discussão de escola. É de fé, definido em Trento, que a Missa é verdadeiro e próprio sacrifício (cânon 1), que é o mesmo sacrifício da cruz e que tem valor de propiciação, isto é, alcança de Deus a graça do arrependimento e o perdão para quem se aproxima com fé e arrependimento, e é oferecida também pelos falecidos (capítulo 2 e cânon 3). Já o modo exato como o rito realiza o sacrifício recebeu várias explicações de teólogos depois de Trento (a Enciclopédia Católica expõe as principais); o Concílio definiu o fato, não uma dessas teorias. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

Linha do tempo

Da cruz a hoje, em datas

A discussão mudou ao longo dos séculos; a celebração vem do começo.

  1. c. 30A cruz e a Última CeiaJesus se oferece uma vez por todas e manda: "Fazei isto em memória de mim" (Lc 22,19).
  2. c. 110Um só altarInácio fala de uma só Eucaristia e de um só altar.
  3. 407Morre CrisóstomoAs suas homilias sobre Hebreus dizem que o sacrifício é sempre um só.
  4. 1530AugsburgoOs luteranos mantêm a Missa, mas não como oferta pelos pecados.
  5. 1562Concílio de TrentoA Missa é o mesmo sacrifício da cruz, oferecido sem sangue; os abusos de dinheiro são proibidos.

Lado a lado

A objeção e a resposta, lado a lado

O que se dizO que a Bíblia e a Igreja dizemOnde conferir
A Missa repete o sacrifício.A cruz não se repete: o que se repete é a celebração que torna presente o único sacrifício.Catecismo 1104; Ecclesia de Eucharistia 12
O padre mata Cristo de novo.Cristo ressuscitado já não morre; a Missa é sacrifício sem sangue, e quem oferece é o próprio Cristo.Rm 6,9-10; Catecismo 1367
Ninguém via a Eucaristia como sacrifício antes da Idade Média.A Didaqué, Justino e Ireneu já a ligam à oferta pura de Malaquias.Didaqué 14; Justino, Diálogo 41; Ireneu IV,17,5

Os frutos

O que muda para quem participa da Missa?

Se a Missa fosse um sacrifício novo, o católico iria à igreja para completar o que faltou na cruz. Como é o mesmo sacrifício tornado presente, vai para se unir a ele. O Catecismo diz que, na Eucaristia, a vida dos fiéis, o seu louvor, o seu sofrimento, a sua oração e o seu trabalho se unem aos de Cristo e à sua oferta, e ganham um novo valor (n. 1368).

Com um irmão evangélico, o ponto de partida é comum e firme: a cruz foi única e bastou. A diferença está em como Cristo quis que ela chegasse a cada geração. Vale ler juntos Hebreus 9 e 10 e, depois, a homilia em que Crisóstomo, mais de mil anos antes da Reforma, respondeu à mesma pergunta.

Para guardar

A Missa não repete a cruz nem acrescenta nada a ela: torna presente o único sacrifício de Cristo, oferecido uma vez por todas. Como diz o Catecismo, o mistério pascal "celebra-se, não se repete; as celebrações é que se repetem".

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Que palavra grega a Carta aos Hebreus usa em 7,27, 9,12 e 10,10 para dizer que Cristo se ofereceu "uma vez por todas"?

  2. 2. Segundo o Catecismo (n. 1104), o que se repete em cada Missa?

  3. 3. Que profeta os primeiros cristãos ligavam à Eucaristia, por anunciar uma oferta pura em todo lugar, entre as nações?

  4. 4. Comentando Hebreus, o que João Crisóstomo respondeu à pergunta "não oferecemos todos os dias?"

  5. 5. Segundo o Concílio de Trento (sessão XXII), o que muda entre o sacrifício da cruz e o da Missa?

Perguntas frequentes

Por que se oferece dinheiro para mandar celebrar uma Missa?

É o estipêndio, uma oferta para que o padre aplique a Missa por uma intenção. O Código de Direito Canônico diz que, com ela, os fiéis ajudam a sustentar os ministros e as obras da Igreja (cân. 946), recomenda aos padres que celebrem também sem estipêndio, sobretudo pelos pobres (cân. 945), e manda evitar "qualquer aparência de negócio ou comércio" (cân. 947). A Missa não se compra; o que se oferece é ajuda à Igreja.

A Missa pode ser oferecida pelos mortos?

Sim. O Concílio de Trento ensina que ela é oferecida pelos vivos e também pelos que morreram em Cristo e ainda não estão de todo purificados (sessão XXII, capítulo 2). O Catecismo lembra o pedido de Mônica, mãe de Agostinho, ao morrer: que se lembrassem dela "diante do altar do Senhor" (n. 1371). O purgatório tem aula própria: Onde a Bíblia fala do purgatório?

Só um padre pode celebrar a Missa?

Sim: "Só os sacerdotes validamente ordenados podem presidir à Eucaristia e consagrar o pão e o vinho" (Catecismo, n. 1411). Mas os fiéis não assistem de fora: o Vaticano II pede que aprendam a oferecer-se a si mesmos, oferecendo com o sacerdote, e não só pelas mãos dele (Sacrosanctum Concilium 48). Sobre a origem do ministério, veja a aula A sucessão apostólica está na Bíblia?.

O que é a anamnese, na Missa?

É a oração que vem logo depois das palavras da instituição, as da consagração. Nela, diz o Catecismo, a Igreja faz memória da paixão, da ressurreição e da volta gloriosa de Cristo e apresenta ao Pai a oferta do seu Filho (n. 1354); ela aparece em todas as orações eucarísticas (n. 1362). No rito latino, o povo responde com uma aclamação do mesmo tipo: "Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!" (Ecclesia de Eucharistia 5), que lembra 1 Coríntios 11,26.

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1085 e 1104
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1333, 1354, 1362 a 1368, 1371 e 1411
  3. VaticanoJoão Paulo II, encíclica Ecclesia de Eucharistia (2003), n. 5 e 12
  4. VaticanoConcílio Vaticano II, constituição Sacrosanctum Concilium, n. 48
  5. VaticanoCódigo de Direito Canônico, versão portuguesa, cân. 945 a 947
  6. Papal Encyclicals OnlineConcílio de Trento, sessão XXII (1562): capítulos 1 e 2, cânones 1, 3 e 4 e decreto sobre a celebração da Missa (tradução inglesa)
  7. Bible HubHebreus 7,27 no grego (as demais passagens de Hebreus, Romanos, Lucas e 1 Coríntios foram conferidas na mesma série de páginas)
  8. Bible HubHebreus 9,26: hápax (uma vez)
  9. Bible HubHebreus 10,12, texto grego
  10. Bible HubMalaquias 1,11, texto hebraico
  11. Bible HubDeuteronômio 12,13, texto hebraico (bəḵāl-māqôm, em qualquer lugar)
  12. Bible HubÊxodo 12,14 (zikkārôn), texto hebraico
  13. Blue Letter BibleLevítico 24,7 na Septuaginta (anámnēsis)
  14. Blue Letter BibleNúmeros 10,10 na Septuaginta (anámnēsis)
  15. SefariaMishná, Pesachim 10,5 (tradução inglesa) e data de compilação
  16. CCELDidaqué, 14 (texto grego e tradução inglesa de K. Lake)
  17. CCELInácio de Antioquia, Carta aos Filadelfienses, 4 (texto grego e tradução inglesa de K. Lake)
  18. New AdventJustino, Diálogo com Trifão, 41 (tradução inglesa)
  19. New AdventIreneu de Lyon, Contra as heresias, IV,17,5 (tradução inglesa)
  20. New AdventCipriano de Cartago, Carta 62 na numeração inglesa (63 na edição crítica), 17
  21. New AdventJoão Crisóstomo, Homilia 17 sobre a Carta aos Hebreus, 6 (tradução inglesa)
  22. Catholic EncyclopediaSacrifice of the Mass: Malaquias e as teorias dos teólogos
  23. Catholic EncyclopediaSão Cipriano: bispo de Cartago desde c. 248 ou 249
  24. Catholic EncyclopediaDidaché: a discussão sobre a data
  25. Catholic EncyclopediaSão Justino: a data da Apologia e do Diálogo
  26. Catholic EncyclopediaSão João Crisóstomo: bispo de Constantinopla desde 398
  27. Catholic EncyclopediaSão Cirilo de Jerusalém: as Catequeses e as cinco instruções mistagógicas
  28. New AdventJoão Crisóstomo, Homilias sobre a Carta aos Hebreus: publicadas depois da sua morte, a partir de notas de Constantino, presbítero de Antioquia
  29. Book of ConcordConfissão de Augsburgo (1530), artigo 24 (tradução inglesa)
  30. CCELJoão Calvino, Institutas, livro IV, capítulo 18, 1 e 5 (tradução inglesa)
  31. Catholic EncyclopediaJoão Calvino: a edição latina final das Institutas, de 1559
  32. Christian History InstituteZwínglio, os 67 artigos (1523), artigo 18 (tradução inglesa)
  33. Christian Reformed ChurchCatecismo de Heidelberg (1563), pergunta 80
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