A resposta curta
Não. A indulgência não perdoa pecado nem compra o céu: é a remissão da pena temporal de pecados cuja culpa já foi apagada, que o fiel arrependido obtém, pela ação da Igreja, quando faz uma obra de oração, penitência ou caridade (Catecismo, n. 1471 e 1478). Mas houve, sim, comércio de indulgências, e a pregação de Johann Tetzel em 1517 foi um escândalo real, que a própria Igreja condenou: o Concílio de Trento aboliu os coletores de esmolas e os lucros ligados às indulgências, e, segundo a Catholic Encyclopedia, o papa Pio V cancelou em 1567 as concessões de indulgência ligadas a taxas ou a qualquer transação financeira.
A objeção
O que se costuma dizer
A Igreja Católica vendia o perdão dos pecados. O frade Johann Tetzel percorria a Alemanha com uma caixa de dinheiro e prometia: "quando a moeda tilinta no cofre, a alma salta do purgatório". O dinheiro ia para a Basílica de São Pedro, e foi contra isso que Lutero se levantou em 1517. Mas a salvação é de graça (Ef 2,8-9); fazer qualquer coisa para diminuir castigo depois do perdão é negar que a cruz bastou. E a Igreja continua a dar indulgências até hoje.
A objeção junta fatos verdadeiros e uma conclusão sobre a doutrina. Os fatos merecem ser contados inteiros.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa acusação?
De um escândalo verdadeiro. Em 1517, a indulgência que os papas Júlio II e Leão X tinham concedido para a nova Basílica de São Pedro estava sendo pregada nos territórios de Alberto de Brandemburgo, arcebispo de Magdeburgo e de Mainz. Segundo a Catholic Encyclopedia, de 1910, que aqui diverge de outros historiadores, Alberto tinha se endividado para pagar um suborno a um agente desconhecido em Roma, para afastar um rival e poder acumular essas sedes, um pagamento que "cheirava a simonia" (a compra de cargos da Igreja). Por um acordo com Roma, a renda da indulgência seria dividida ao meio entre o papa e o arcebispo, além de 10 mil ducados de ouro para Roma; a mesma enciclopédia, católica, chama o arranjo de "uma transação financeira indigna do papa e do arcebispo". O pregador escolhido foi o dominicano Johann Tetzel.
Em 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero, professor em Wittenberg, mandou ao arcebispo uma carta com as suas 95 teses sobre as indulgências.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
São duas perguntas, e as duas merecem resposta: o que a Igreja ensina quando fala de indulgência? E o que aconteceu de verdade em 1517?
Uma doutrina pode ser verdadeira e ter sido usada de modo vergonhoso, e um escândalo real não se desculpa com a doutrina. Esta aula começa pelo ensino e depois conta a história sem cortar nada. A aula Como confiar na Igreja diante dos erros da história? trata do caso ao lado da Inquisição, das Cruzadas e dos abusos; aqui ele é o assunto principal.
O que a Igreja ensina
O que é, afinal, uma indulgência?
Primeiro, o que ela não é. A indulgência não perdoa pecado: o pecado grave é perdoado pelo arrependimento e, normalmente, pela confissão (veja Por que confessar os pecados a um padre?). A indulgência supõe esse perdão e trata de outra coisa, as marcas que o pecado deixa:
A indulgência é a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada […]
Estas duas penas não devem ser consideradas como uma espécie de vingança, infligida por Deus, do exterior, mas como algo decorrente da própria natureza do pecado.
O perdão do pecado e o restabelecimento da comunhão com Deus trazem consigo a abolição das penas eternas do pecado. Mas subsistem as penas temporais.
[…] nós podemos ajudá-los, entre outros modos, obtendo para eles indulgências […]
Pois não podem estas ser adquiridas sem uma sincera metanóia e sem união com Deus […]
Em palavras simples: quem se arrepende é perdoado, e o perdão tira a pena eterna. Mas todo pecado, mesmo leve, deixa um apego desordenado que precisa ser purificado, nesta vida ou depois da morte (n. 1472). O filho que quebra a janela do vizinho pode ser perdoado de coração, e ainda assim a janela precisa ser consertada.
O "tesouro da Igreja" não é dinheiro: é o valor que têm diante de Deus os méritos de Cristo e, unidas às dele, as orações e boas obras de Maria e dos santos (n. 1476 e 1477). Pelo poder de ligar e desligar, a Igreja abre esse tesouro a quem se converte e o incentiva a obras de piedade, penitência e caridade (n. 1478). A plenária liberta de toda a pena temporal; a parcial, de parte dela (n. 1471).
Não há atalho. Para a plenária, além da obra indicada, pede-se confissão, comunhão, oração pelas intenções do papa e a rejeição de todo apego ao pecado, mesmo venial; sem essa disposição, ela vale só como parcial (Paulo VI, Indulgentiarum doctrina, norma 7). Metanoia, na citação acima, é a palavra grega para conversão. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
O que diz a Bíblia
Há base na Bíblia para isso?
A palavra não está na Bíblia, e a prática se formou na Idade Média. Na Escritura estão as peças da doutrina.
O pecado perdoado ainda deixa consequências
Davi disse a Natã: Pequei contra o Senhor. E Natã disse a Davi: O Senhor, por sua vez, tirou o teu pecado; não morrerás. (2Sm 12,13)
Logo em seguida, porém, Natã anuncia que o filho nascido do adultério vai morrer (2Sm 12,14). Paulo VI cita esse caso, e o de Moisés e Aarão (Nm 20,12), para mostrar que podem restar penas mesmo depois do perdão (Indulgentiarum doctrina, nota 8). É a leitura da Igreja; os textos falam de consequências nesta vida.
A Igreja recebeu o poder de ligar e desligar
Eu te darei as chaves do Reino dos céus; e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus. (Mt 16,19)
O verbo "desligar" (lýō) é soltar, libertar; em Mateus 18,18, o poder é dado também aos discípulos. O texto não fala de indulgência, mas o Catecismo diz que é em virtude desse poder que a Igreja a concede (n. 1478).
Paulo encurta uma punição
Paulo fala de um membro da comunidade de Corinto que tinha sido punido:
Para esse homem basta a punição imposta pela maioria, de modo que agora, ao contrário, deveis perdoá-lo e consolá-lo [...]. A quem vós perdoais alguma coisa, eu também perdoo; pois o que eu perdoei, se é que perdoei alguma coisa, foi por causa de vós, diante de Cristo. (2Cor 2,6-7.10)
O verbo "perdoar" é charízomai, da família de cháris, graça. Seria exagero chamar isso de indulgência no sentido de hoje; mas o texto mostra a comunidade e o apóstolo, diante de Cristo, encerrando uma pena que ainda corria.
Os membros do corpo se ajudam
Agora me alegro nos sofrimentos por vós, e completo na minha carne o que falta das tribulações de Cristo, em favor do seu corpo, que é a Igreja. (Cl 1,24)
Paulo não diz que a cruz foi insuficiente; diz que os seus sofrimentos, unidos aos de Cristo, servem aos irmãos. Paulo VI liga este versículo ao "tesouro da Igreja" (Indulgentiarum doctrina, 5).
E Efésios 2,8-9?
Pois é pela graça que fostes salvos, mediante a fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. (Ef 2,8-9)
A Igreja assina embaixo: ninguém pode merecer "a graça primeira, que está na origem da conversão, do perdão e da justificação" (Catecismo, n. 2010). A indulgência não dá salvação, nem graça, nem perdão; só pode recebê-la quem já está em estado de graça (Penitenciaria Apostólica, O dom da indulgência, 2000, n. 3).
Os versículos estão em tradução nossa, a partir do hebraico (2 Samuel) e do grego (os demais). Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: 2 Samuel 12, Mateus 16, 2 Coríntios 2, Colossenses 1 e Efésios 2.
O que diziam os primeiros cristãos
Como a Igreja antiga tratava as penitências?
Nos primeiros séculos, quem cometia pecados graves e públicos fazia penitência pública antes de voltar à comunhão, e os bispos decidiam a medida dela.
Cartago, 250. Na perseguição de Décio, muitos cristãos tinham renegado a fé, e os mártires presos davam a alguns deles um bilhete pedindo ao bispo que os recebesse de volta. Cipriano, bispo de Cartago, aceitou esses pedidos com condições: quem tinha o bilhete e caísse doente ou em perigo, depois de confessar e receber a imposição das mãos, podia ser reconciliado com a paz prometida pelos mártires; os outros deviam esperar (Carta 19, 2; 13 em outras edições, como a inglesa indicada nas fontes).
Paulo VI resume: "costumavam os penitentes pedir aos mártires que os ajudassem com seus méritos, a fim de mais rapidamente serem admitidos à reconciliação pelos Bispos" (Indulgentiarum doctrina, 6). Para ele, foi dessa convicção que nasceu, aos poucos, o uso das indulgências (n. 7).
O texto de Cipriano foi resumido a partir da versão inglesa indicada nas fontes.
O que a história mostra
O que aconteceu de verdade, de Clermont a Trento?
Como o dinheiro entrou na história
Em 1095, no Concílio de Clermont, decretou-se que quem partisse para libertar Jerusalém "só por devoção, não para obter honra ou dinheiro" teria a viagem contada como penitência plena (cânon 2, citado por Paulo VI na nota 34). Entre as obras que podiam ser pedidas estava também a esmola para uma igreja, um hospital, uma cruzada. O perigo, descrito pela Catholic Encyclopedia, era que o pagamento passasse a ser visto como o preço da indulgência, e que quem a pregava a usasse para arrecadar. Papas e concílios tentaram conter os abusos, como o IV Concílio de Latrão, em 1215. Não bastou.
Tetzel e a indulgência de São Pedro
Johann Tetzel, dominicano nascido em 1465, pregava indulgências desde 1503 e em 1516 começou a pregar a de São Pedro. Na primavera de 1517 estava em Jüterbog, perto de Wittenberg, mas fora da Saxônia, onde essa indulgência não podia ser pregada; Lutero conta, num escrito de 1541, que muita gente de Wittenberg ia até lá. A caixa do dinheiro tinha duas ou três fechaduras, e uma das chaves ficava com um representante do banco Fugger.
O que Tetzel ensinava? A Catholic Encyclopedia, seguindo o historiador católico Nikolaus Paulus, separa duas coisas. Para a indulgência dos vivos, ele exigia arrependimento e confissão. Para a dos mortos, não: ensinava que bastava a oferta em dinheiro, sem arrependimento de quem dava. Era opinião de poucos autores, que ia além das bulas papais e que o cardeal Caetano rejeitou; a enciclopédia diz que isso era "tão repugnante ao ensino da Igreja" quanto contrário à justiça mais elementar. O versinho da moeda e da alma não aparece com essas palavras nos escritos de Tetzel, mas, segundo a mesma fonte, corresponde em substância ao que ele defendeu. E ela cita a história de Janssen e Pastor: "Tetzel não pode de modo algum ser desculpado".
O protesto de Lutero
Nas 95 teses, Lutero escreveu:
Pregam invenção humana os que dizem que, assim que a moeda lançada na caixa tilinta, a alma sai voando. (tese 27)
Em 1517, porém, Lutero não rejeitava as indulgências: "Quem fala contra a verdade das indulgências apostólicas, seja anátema e maldito" (tese 71). Mas já as entendia de modo mais estreito que a Igreja: o papa só poderia perdoar as penas que ele mesmo ou os cânones tinham imposto (teses 5 e 20). Em 1520, a bula Exsurge Domine, de Leão X, condenou a afirmação de que as indulgências não valem para a remissão da pena devida aos pecados diante da justiça de Deus, e a frase de que seriam "fraudes piedosas".
A Igreja corrige
Na sessão XXI do Concílio de Trento, em 16 de julho de 1562, os bispos constataram que os remédios anteriores contra os coletores de esmolas tinham sido inúteis e aboliram de vez o nome e a função deles. Dali em diante, as indulgências seriam publicadas pelos bispos, com dois cônegos que recolheriam as esmolas oferecidas sem receber nenhuma paga, para que todos entendessem que esses tesouros da Igreja servem à piedade, e não ao lucro (decreto de reforma, capítulo 9). Na sessão XXV, em 4 de dezembro de 1563, o concílio manteve as indulgências, pediu moderação e mandou abolir inteiramente todos os ganhos ilícitos ligados a elas, que chamou de causa muito fecunda de abusos no povo cristão.
Em 1567, segundo a Catholic Encyclopedia, o papa São Pio V cancelou todas as concessões de indulgência que envolviam taxas ou qualquer transação financeira. O problema não sumiu de uma vez: na Espanha, a indulgência da Cruzada continuou ligada a esmolas, e o próprio Pio V não conseguiu reformá-la diante da Coroa (O'Banion, 2013).
As frases de Lutero estão em tradução nossa a partir do latim; as da Catholic Encyclopedia, a bula de 1520 e o resumo dos decretos de Trento, a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.

Linha do tempo
Da penitência antiga ao Manual das Indulgências, em datas
A data em azul marca o decreto de Trento sobre as indulgências, que manteve a doutrina e mandou acabar com os ganhos ilícitos ligados a ela.
- 1516-1517TetzelPrega a indulgência para a nova Basílica de São Pedro.
- 31/10/1517As 95 tesesLutero protesta contra a pregação das indulgências.
- 16/7/1562Trento, sessão XXIO concílio abole o nome e a função dos coletores de esmolas.
- 4/12/1563Trento, sessão XXVMantém as indulgências e manda abolir os ganhos ilícitos ligados a elas.
- 1567Pio VSegundo a Catholic Encyclopedia, cancela as indulgências ligadas a taxas ou transações financeiras.
- 1/1/1967Indulgentiarum doctrinaPaulo VI acaba com a contagem em dias e anos e reduz as indulgências plenárias.
E hoje, como funciona?
Em 1º de janeiro de 1967, Paulo VI reformou a disciplina: acabou com a contagem da indulgência parcial em dias e anos (norma 4), reduziu as plenárias, permitiu só uma plenária por dia (norma 6) e mandou rever o Manual das Indulgências (norma 13).
O Manual em vigor, de 1999, dá indulgência parcial a quem eleva o coração a Deus no trabalho do dia, a quem serve os irmãos necessitados, a quem renuncia por penitência a algo lícito e a quem dá testemunho público da fé. A plenária pode ser obtida em qualquer dia com meia hora de adoração ao Santíssimo, a Via-Sacra, o Rosário rezado na igreja ou em família, ou meia hora de leitura da Bíblia. Em Finados, quem visita o cemitério entre 1º e 8 de novembro e reza pelos mortos, "mesmo só mentalmente", pode obter a plenária para eles (concessão 29).
Nenhuma indulgência tem preço. Uma doação a obras de caridade pode ser uma das obras possíveis, ao lado de visitar doentes e presos, como no Jubileu de 2000; mas é ajuda aos necessitados, não pagamento (O dom da indulgência, n. 9).
Lado a lado
O que se diz e o que é verdade, lado a lado
| O que se diz | O que é verdade | Onde conferir |
|---|---|---|
| A Igreja vendia o perdão dos pecados. | A indulgência não perdoa pecado; supõe o perdão. Mas houve, sim, comércio vergonhoso de indulgências. | Catecismo, n. 1471; Trento, sessão XXV |
| Tetzel seguia o ensino da Igreja. | Na indulgência pelos mortos, ensinava algo contrário a ele: bastaria pagar, sem arrependimento. | Catholic Encyclopedia, Johann Tetzel |
| Lutero foi contra toda indulgência desde o começo. | Em 1517, atacava o abuso e ainda não rejeitava as indulgências, embora já as limitasse às penas impostas pela Igreja. | 95 teses, teses 5, 27 e 71 |
Os frutos
O que a indulgência pede de quem a busca?
Bem entendida, a indulgência é o contrário de um atalho: pede conversão e uma obra boa, que pode ser oferecida pelos mortos. Quando os fiéis as aplicam aos defuntos, escreveu Paulo VI, "exercem então de maneira excelente a caridade" (Indulgentiarum doctrina, 8).
A Igreja também aprendeu com o escândalo. Em 2000, a Penitenciaria Apostólica falou, discretamente, de "incompreensões históricas"; Paulo VI tinha sido mais direto ao reconhecer os "proveitos ilícitos" (Indulgentiarum doctrina, 8). Por isso uma aula honesta não esconde Tetzel.
Com um irmão evangélico, há um ponto de partida comum. Em 2011, no antigo convento agostiniano de Erfurt, onde Lutero estudou teologia, Bento XVI lembrou a pergunta que movia o reformador: "Como posso ter um Deus misericordioso?" Católicos e evangélicos esperam a mesma resposta: a misericórdia de Deus, dada de graça em Cristo. A conversa continua na aula Onde a Bíblia fala do purgatório?.
Para guardar
Indulgência não é perdão vendido: é a ajuda da Igreja para curar as marcas de um pecado já perdoado, dada a quem se converte e reza. Houve, sim, comércio de indulgências em 1517, e a própria Igreja o condenou e o cortou em Trento e com Pio V.
Teste
Teste o que você aprendeu
5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Segundo o Catecismo (n. 1471), o que é uma indulgência?
A indulgência supõe o perdão da culpa e trata da pena temporal, as marcas que o pecado deixa. Ela nunca foi, na doutrina, perdão vendido nem licença para pecar.
2. O que o Concílio de Trento fez em 1562 e 1563?
Na sessão XXI (1562), Trento acabou com os coletores de esmolas; na XXV (1563), manteve as indulgências e mandou abolir todos os ganhos ilícitos ligados a elas.
3. Quem escreveu: "Pregam invenção humana os que dizem que, assim que a moeda lançada na caixa tilinta, a alma sai voando"?
É a tese 27 de Lutero, de 1517. Ela registra o que se pregava na época; o versinho da moeda e da alma é atribuído a Tetzel.
4. O que mudou com Paulo VI, em 1967?
Na Indulgentiarum doctrina, Paulo VI aboliu a contagem em dias e anos (norma 4), reduziu as plenárias e permitiu só uma plenária por dia.
5. Quais são as condições para a indulgência plenária?
É a norma 7 da Indulgentiarum doctrina. Sem a plena disposição de deixar o pecado, mesmo venial, a indulgência vale só como parcial.
Perguntas frequentes
O que eram os "300 dias de indulgência" dos santinhos antigos?
Não eram dias a menos no purgatório. A conta se referia à penitência da Igreja antiga: a indulgência equivalia ao que se alcançaria com tantos dias de penitência canônica, e só Deus sabe o que resta a pagar (Catholic Encyclopedia). Paulo VI aboliu essa contagem em 1967 (Indulgentiarum doctrina, norma 4).
Posso ganhar uma indulgência para outra pessoa viva?
Não. A Penitenciaria Apostólica lembra que as indulgências se aplicam a si mesmo ou às almas dos defuntos, "mas não a outras pessoas vivas sobre a terra" (O dom da indulgência, 2000, n. 7). Pelos vivos, reza-se.
Tetzel foi excomungado?
A Catholic Encyclopedia, que conta o fim da vida dele, não fala em excomunhão. Diz que ele se recolheu em 1518, doente e desacreditado, ao convento dominicano de Leipzig, foi duramente repreendido em janeiro de 1519 pelo enviado do papa, Karl von Miltitz, e morreu em 11 de agosto de 1519. Lutero lhe escreveu uma carta de consolo.
Quem não pode se confessar ou comungar fica sem a indulgência?
Não necessariamente. O confessor pode trocar a obra ou as condições para quem está impedido (norma 11), e a Igreja já previu modos próprios para doentes e para quem não podia sair de casa, como fez a Penitenciaria Apostólica no decreto de 22 de outubro de 2020, para o mês de novembro daquele ano. O que não se troca é o desapego do pecado, mesmo venial (O dom da indulgência, n. 6).
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1471 a 1479
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2010
- VaticanoPaulo VI, constituição apostólica Indulgentiarum doctrina (1967)
- VaticanoPenitenciaria Apostólica, O dom da indulgência (29 de janeiro de 2000)
- VaticanoPenitenciaria Apostólica, Enchiridion indulgentiarum, 4ª edição (1999), em latim
- VaticanoPenitenciaria Apostólica, decreto sobre as indulgências pelos defuntos (22 de outubro de 2020)
- VaticanoBento XVI, encontro no convento agostiniano de Erfurt (23 de setembro de 2011)
- Bible Hub2 Samuel 12 em hebraico (Códice de Leningrado)
- Bible Hub2 Coríntios 2,10 no grego
- Bible HubColossenses 1,24 no grego
- Bible HubMateus 16,19 no grego
- Catholic EncyclopediaJohann Tetzel (1912)
- Catholic EncyclopediaIndulgences (1910): abusos, Latrão IV, Trento e Pio V
- Catholic EncyclopediaMartin Luther (1910): o acordo de Alberto de Brandemburgo
- Catholic EncyclopediaAlbert of Brandenburg: datas das sedes
- New AdventCipriano de Cartago, Carta 13 (tradução inglesa)
- Hanover CollegeConcílio de Trento, sessão XXI, decreto de reforma, cap. 9 (tradução inglesa de Waterworth)
- Hanover CollegeConcílio de Trento, sessão XXV, decreto sobre as indulgências (tradução inglesa de Waterworth)
- Papal EncyclicalsLeão X, bula Exsurge Domine (1520), proposições 18 e 19 (tradução inglesa)
- Lindenwood UniversityPatrick J. O'Banion, The Crusading State: The Expedition for the Cruzada Indulgence from Trent to Lepanto (The Sixteenth Century Journal, 2013)
- WikisourceLutero, 95 teses (texto latino)

