A resposta curta
A palavra não está na Bíblia, mas a Igreja vê a realidade em alguns textos lidos juntos: a oração e o sacrifício pelos mortos em 2 Macabeus 12, o "salvo como que através do fogo" de 1 Coríntios 3,15, a frase de Jesus sobre o pecado que não será perdoado "nem na era que há de vir" (Mt 12,32) e a pureza exigida para ver a Deus (Ap 21,27). O que ela definiu é pouco e claro: quem morre na graça de Deus, mas ainda não de todo purificado, passa por uma purificação antes do céu, e as orações dos vivos o ajudam. Onde, por quanto tempo e se há fogo de verdade, a Igreja não definiu.
A objeção
O que se costuma dizer
Purgatório é invenção. A palavra não aparece na Bíblia, e a Bíblia é clara: "está reservado aos homens morrer uma só vez, e depois disso vem o juízo" (Hb 9,27). O ladrão arrependido ouviu na cruz: "hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23,43). Se ainda faltasse pagar alguma coisa depois da morte, a cruz de Cristo não teria bastado. O purgatório foi inventado na Idade Média e serviu para vender indulgências. E o texto preferido dos católicos, 2 Macabeus, nem faz parte da Bíblia.
Por trás da objeção há uma preocupação legítima, que os católicos também têm: não diminuir em nada a obra de Cristo.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa discussão?
A recusa do purgatório que se ouve hoje entre evangélicos vem da Reforma, mas não nasceu de uma vez. (Antes dela, Aério, no século IV, já negava o valor da oração pelos mortos, e na Idade Média valdenses e hussitas rejeitaram o purgatório, segundo a Catholic Encyclopedia.) Nas 95 teses, de 1517, Lutero ainda falava das almas do purgatório (teses 22 e 29) e atacava a pregação das indulgências, tema da aula Indulgência é vender a salvação?. Em 1537, nos Artigos de Esmalcalde, rejeitava o purgatório por inteiro: só Cristo, e não as obras humanas, liberta as almas (parte II, artigo 2).
Calvino o chamou de invenção que "esvazia a cruz de Cristo", por entendê-lo como satisfação paga pelas almas depois da morte (Institutas III,5,6). E a Confissão de Westminster, de 1647, resume o que muitos evangélicos creem até hoje: na morte, as almas dos justos são "aperfeiçoadas em santidade" e entram no céu, e a Escritura não conhece outro lugar além do céu e do inferno (capítulo 32). Repare: também ali a alma precisa ser aperfeiçoada antes de ver a Deus. A discordância é sobre como e quando.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
A palavra purgatório não está na Bíblia, assim como não está Trindade. A pergunta honesta é outra: a Bíblia deixa ver que Deus purifica, depois da morte, quem morreu na sua amizade, mas ainda não estava pronto para vê-lo? E isso tira alguma coisa da obra de Cristo?
Antes, o que o purgatório não é. Não é uma segunda chance para mudar o próprio destino (João Paulo II, audiência de 4 de agosto de 1999, n. 5). Não é um meio-inferno: o Catecismo diz que essa purificação é "absolutamente distinta do castigo dos condenados" (n. 1031). E quem passa por ele já está seguro da salvação (n. 1030). Se os mortos estão conscientes é tema da aula Os santos estão conscientes no Céu?.
O que diz a Bíblia
O que a Bíblia diz, texto por texto?
Numa catequese de 1999, João Paulo II reconheceu que a doutrina não é enunciada na Escritura "de modo formal", mas que há nela elementos que ajudam a compreendê-la (n. 2).
2 Macabeus 12: oração e sacrifício pelos mortos
Depois de uma batalha, Judas Macabeu e seus homens vão recolher os corpos dos companheiros mortos:
Debaixo da túnica de cada um dos mortos encontraram objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia, que a Lei proíbe aos judeus [...]. E se puseram a suplicar, pedindo que o pecado cometido fosse inteiramente apagado. [...] Judas fez uma coleta entre os homens, de duas mil dracmas de prata, e a mandou a Jerusalém para que se oferecesse um sacrifício pelo pecado, agindo muito bem e com nobreza, porque pensava na ressurreição. [...] Por isso fez a expiação pelos mortos, para que fossem libertados do pecado. (2Mc 12,40-46)
O texto mostra que judeus fiéis, antes de Cristo, rezavam pelos mortos, criam que um pecado podia ser apagado depois da morte e ligavam isso à ressurreição. Não descreve o purgatório (lugar, fogo, tempo); por isso o Catecismo o cita para a oração pelos defuntos (n. 1032).
Os evangélicos não recebem 2 Macabeus como Escritura; católicos e ortodoxos, sim (veja Por que a Bíblia católica tem sete livros a mais?). Mesmo lido como história, o livro, "obra do I século a.C." segundo Bento XVI, mostra uma prática que os cristãos adotaram "com grande naturalidade" (Spe salvi, 48).
1 Coríntios 3: "como que através do fogo"
Paulo fala dos pregadores de Corinto, ele e Apolo (1Cor 3,5-9), e compara o trabalho deles a uma construção:
Ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, que é Jesus Cristo. Se alguém constrói sobre esse fundamento com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, a obra de cada um vai aparecer. O Dia vai mostrá-la, porque ele se revela no fogo, e o próprio fogo vai provar o que vale a obra de cada um. Se a obra que alguém construiu permanecer, ele receberá recompensa. Se a obra de alguém queimar, ele sofrerá perda; ele mesmo, porém, será salvo, mas assim: como que através do fogo. (1Cor 3,11-15)
O "Dia" é o dia do juízo. A pessoa é salva, mas "sofrerá perda" e passa "como que através do fogo" (hōs dià pyrós). O verbo de "sofrer perda" (zēmiōthḗsetai) tem como sujeito a própria pessoa: é ela quem sofre o dano, e não só a obra. E o "como que" avisa que o fogo é imagem.
As leituras variam: muitos intérpretes evangélicos veem aqui só o juízo do trabalho dos pregadores, e Calvino lia o fogo como o Espírito Santo que prova a doutrina. A Tradição da Igreja, sem negar que Paulo fala primeiro dos pregadores, viu no versículo 15 uma imagem da purificação que salva, e o Catecismo o cita ao falar de um "fogo purificador" (n. 1031).
Mateus 12,32: perdão "na era que há de vir"
Quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado, nem nesta era, nem na que há de vir. (Mt 12,32)
Agostinho (Cidade de Deus XXI,24) e o papa Gregório Magno concluíram: se esse pecado não será perdoado nem na era que há de vir, é porque alguns pecados podem ser perdoados nela. O Catecismo cita Gregório (n. 1031). É uma dedução, e tem limite: no lugar paralelo, Marcos diz só que esse pecado "não tem perdão para sempre" (Mc 3,29), e a fórmula de Mateus pode ser um modo forte de dizer "nunca". O versículo permite essa leitura, mas não obriga a ela.
Mateus 5,25-26, com cautela
Entra logo em acordo com o teu adversário [...], para que ele não te entregue ao juiz [...] e sejas jogado na prisão. Em verdade te digo: não sairás de lá enquanto não pagares o último quadrante. (Mt 5,25-26)
O quadrante era uma moedinha romana (Mc 12,42), e o sentido primeiro do texto é fazer as pazes com o irmão antes que seja tarde (Mt 5,23-24). Tertuliano viu no último quadrante as faltas pequenas pagas no mundo dos mortos, à espera da ressurreição, num livro em que, no mesmo parágrafo, invoca o Paráclito dos montanistas (A alma 58,8); outros leram a frase só como aviso do juízo. O Catecismo não usa este texto ao falar do purgatório.
Apocalipse 21,27: nada de impuro
Nela não entrará nada de impuro, nem quem pratica abominação e mentira, mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro. (Ap 21,27)
"Impuro" (koinón) é o comum, o profano. O Novo Testamento repete a ideia: "felizes os puros de coração, porque verão a Deus" (Mt 5,8); "procurai a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12,14). E quem morre na amizade de Deus, ainda com o coração dividido? Muitos evangélicos também creem que Deus completa essa obra antes de recebê-lo, como diz Westminster. A Igreja chama de purgatório essa purificação final, uma transformação "certamente dolorosa", nas palavras de Bento XVI (Spe salvi, 47).
E Hebreus 9,27?
Está reservado aos homens morrer uma só vez, e depois disso vem o juízo. (Hb 9,27)
A Igreja concorda: logo ao morrer, cada pessoa passa por um juízo particular, e há quem entre "imediatamente" na felicidade do céu (Catecismo, n. 1022). O purgatório é a purificação de quem já foi julgado e salvo, e a Igreja não ensina que todos passam por ele; a promessa ao bom ladrão (Lc 23,43) não o contradiz.
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego (o Novo Testamento e, no caso de 2 Macabeus, a Septuaginta). Em 2 Macabeus seguimos a numeração das Bíblias católicas; na Septuaginta o capítulo termina no versículo 45. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: 2 Macabeus 12, 1 Coríntios 3, Mateus 12, Marcos 3, Mateus 5, Apocalipse 21, Hebreus 12 e Hebreus 9.
O que diziam os primeiros cristãos
Os primeiros cristãos rezavam pelos mortos?
Os textos mais antigos não usam o nome purgatório. O que eles mostram é uma prática: rezar e oferecer a Eucaristia pelos mortos.
Abércio, fim do século II ou começo do III. O bispo de Hierópolis, na Frígia (na atual Turquia), compôs ainda vivo, quando estava no seu 72º ano, o epitáfio do próprio túmulo. Fala em linguagem velada do peixe, do pão e do vinho da fé, e termina:
Quem compreende estas coisas, todo irmão na fé, reze por Abércio. (Epitáfio de Abércio)
Cautela: o texto foi reconstruído com dois fragmentos da pedra (hoje nos Museus do Vaticano), uma lápide de 216 que copiava parte dele e uma Vida de Abércio bem posterior. Houve quem o julgasse pagão, tese que a Catholic Encyclopedia dá como refutada.
Tertuliano, por volta de 211. Em A coroa, ele lista costumes que os cristãos de Cartago guardavam pela tradição, sem texto bíblico explícito, como o sinal da cruz na testa. Entre eles:
Fazemos oblações pelos defuntos [...] uma vez por ano, no dia aniversário. (A coroa 3,3)
Depois, já afastado da Igreja, ele descreve o que faz a viúva fiel ao marido:
Ela reza pela alma dele, pede para ele, enquanto isso, o refrigério e a companhia na primeira ressurreição, e faz a oferta nos aniversários do dia em que ele adormeceu. (A monogamia 10)
Jerusalém, século IV. Nas catequeses atribuídas a Cirilo de Jerusalém, reza-se na Missa pelos que adormeceram, "certos de que isso será de grande proveito para as almas em favor das quais tal súplica se faz" (Catequese mistagógica 5,9, citada no Catecismo, n. 1371). A parte do mesmo trecho sobre os santos está na aula Os mortos ouvem as nossas orações?.
Agostinho e Mônica, 387. Nas Confissões, escritas quando já era bispo, por volta do ano 400, Agostinho guardou o último pedido da mãe, em Óstia, o porto de Roma:
Enterrai este corpo não importa onde! Não vos dê isso qualquer cuidado! Tudo o que vos peço é que vos lembreis de mim diante do altar do Senhor, onde quer que estejais. (Confissões IX,11,27; Catecismo, n. 1371)
No mesmo livro, ele reza por ela: "agora te suplico pelos pecados da minha mãe" (IX,13,35). Admirava a santidade de Mônica e, mesmo assim, rezava por ela.
As frases de Mônica e de Cirilo estão no texto oficial do Catecismo (n. 1371). As de Tertuliano e a outra de Agostinho, em tradução nossa a partir do latim; a de Abércio, a partir da versão inglesa indicada nas fontes.

O que a Igreja ensina
O que a Igreja definiu, e o que deixou em aberto?
O essencial está no Catecismo; dois papas recentes ajudaram a separar a doutrina das imagens:
Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação […]
A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados.
Alguns teólogos recentes são de parecer que o fogo que simultaneamente queima e salva é o próprio Cristo, o Juiz e Salvador.
Este termo não indica um lugar, mas uma condição de vida.
O que está definido. O decreto de união com os gregos (Florença, 6 de julho de 1439) e o decreto de Trento sobre o purgatório (sessão XXV, 3 de dezembro de 1563) ensinam que quem morre verdadeiramente arrependido, no amor de Deus, antes de ter reparado plenamente os seus pecados, é purificado depois da morte por penas que purificam, e que as orações dos vivos o ajudam, sobretudo a Missa, mas também as esmolas e as outras obras de piedade. Isso é doutrina de fé. Trento também definiu que, mesmo depois do perdão, pode restar uma dívida de pena temporal, a pagar neste mundo ou no purgatório (sessão VI, cânon 30). Isso não acrescenta nada à cruz: o Catecismo explica essa pena como consequência do próprio pecado, e não como vingança de Deus (n. 1472).
O que não está definido. O decreto de Florença não fala de fogo nem de lugar. No concílio, o grego Bessarion argumentou contra um fogo real, e os gregos ouviram que a Igreja de Roma nunca tinha dado um decreto dogmático sobre isso (Catholic Encyclopedia, verbete Purgatory). A ideia de que o fogo é o próprio Cristo é opinião de teólogos, que Bento XVI acolhe na encíclica, e não uma definição. A natureza do fogo, a duração e o lugar não foram definidos.
O que a Igreja manda evitar. Trento mandou tirar das pregações ao povo o que é sutil e incerto, e proibir o que cheira a superstição ou a lucro vergonhoso. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
Linha do tempo
Da oração pelos mortos à definição, em datas
A data em azul marca o decreto de Florença, que o Catecismo cita, ao lado de Trento, como as duas fontes principais da doutrina (n. 1031).
- Antes de Cristo2 MacabeusJudas Macabeu manda oferecer em Jerusalém um sacrifício pelo pecado dos soldados mortos. Bento XVI data o livro do século I antes de Cristo.
- 387MônicaMorre em Óstia pedindo aos filhos que se lembrem dela no altar do Senhor.
- 1439Concílio de FlorençaO decreto de união com os gregos ensina a purificação depois da morte, sem falar de fogo nem de lugar.
- 1563Concílio de TrentoReafirma a doutrina e manda tirar das pregações o incerto, o supersticioso e o que cheira a lucro.
Lado a lado
O que se diz e o que a Igreja ensina, lado a lado
| O que se diz | O que a Igreja ensina | Onde conferir |
|---|---|---|
| O purgatório nega que a cruz bastou. | É Cristo quem purifica; a sujeira do pecado já foi queimada na sua Paixão. | Spe salvi, 47 |
| Os primeiros cristãos não rezavam pelos mortos. | Por volta de 211, Tertuliano já cita oblações anuais pelos defuntos. | A coroa 3; A monogamia 10 |
| Foi inventado para vender indulgências. | A oração pelos mortos é muito anterior às indulgências; o comércio foi condenado em Trento. | 2Mc 12; Trento, sessão XXV |
Os frutos
O que muda para quem reza pelos seus mortos?
No Brasil, a Missa de sétimo dia e a visita ao cemitério em Finados, no dia 2 de novembro, são costumes muito conhecidos. Por trás deles está a mesma fé de Mônica: o amor não acaba na morte, e quem fica pode ajudar quem partiu.
Bento XVI explicou por que isso não é estranho: "Ninguém vive só. Ninguém peca sozinho. Ninguém se salva sozinho." A oração por quem morreu pode ser "uma pequena etapa da sua purificação", e nunca é "tarde demais para tocar o coração do outro" (Spe salvi, 48). O purgatório, assim, não é uma ameaça a mais: é a certeza de que quem morre amando a Deus, mesmo com o coração ainda dividido, não está perdido.
Com um irmão evangélico, o ponto de partida é comum: ninguém verá a Deus sem santidade, e é Cristo quem purifica. A pergunta é como.
Para guardar
O purgatório não é uma segunda chance nem um meio-inferno: é a última purificação de quem já está salvo. A Bíblia não usa a palavra, mas mostra a oração pelos mortos e a pureza exigida para ver a Deus; a Igreja definiu o essencial e deixou em aberto o lugar, o tempo e o fogo.
Teste
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5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Segundo 2 Macabeus 12, o que Judas Macabeu fez pelos soldados mortos?
Ele fez uma coleta e a mandou a Jerusalém para um sacrifício pelo pecado, "porque pensava na ressurreição". O Catecismo cita o texto ao falar da oração pelos defuntos (n. 1032).
2. Em 1 Coríntios 3,15, o que acontece com quem tem a obra queimada?
Paulo diz que ele "sofrerá perda" e que, mesmo assim, "será salvo, mas assim: como que através do fogo". A Tradição da Igreja viu aí uma imagem da purificação que salva.
3. O que a Igreja definiu sobre o purgatório?
Florença (1439) e Trento (1563) definiram a purificação depois da morte e o valor dos sufrágios. Lugar, tempo e natureza do fogo não foram definidos.
4. Para quem é o purgatório, segundo o Catecismo?
O Catecismo (n. 1030) diz que essa purificação é para os que morrem na graça de Deus, "embora seguros da sua salvação eterna". Não é para os condenados (n. 1031).
5. Em que obra Agostinho conta que a mãe, Mônica, pediu que se lembrassem dela no altar do Senhor?
É no livro IX das Confissões (IX,11,27). No mesmo livro, Agostinho reza pelos pecados da mãe e pede aos leitores que se lembrem dela no altar.
Perguntas frequentes
Paulo rezou por alguém que já tinha morrido?
Talvez. Em 2 Timóteo, Paulo pede para Onesíforo: "O Senhor lhe conceda achar misericórdia junto do Senhor naquele dia" (2Tm 1,18), e no fim da carta não saúda Onesíforo, mas "a casa de Onesíforo" (2Tm 4,19). Muitos intérpretes deduzem que ele já tinha morrido; o texto não diz. É uma leitura possível, não uma prova.
Os cristãos ortodoxos acreditam no purgatório?
Eles rezam pelos mortos e celebram a Eucaristia por eles, mas não aceitam a formulação latina. Bento XVI resume que o Oriente não conhece um sofrimento purificador e expiatório no além, mas conhece diversos graus de bem-aventurança ou de sofrimento na condição intermédia, entre a morte e a ressurreição, e pede para os mortos alívio e refrigério (Spe salvi, 48). Segundo a Catholic Encyclopedia, a grande divergência com os gregos parecia ser menos sobre a existência da purificação do que sobre a natureza do fogo.
As almas do purgatório podem rezar por nós?
O Catecismo diz que a nossa oração pelos mortos "pode não só ajudá-los, mas também tornar mais eficaz a sua intercessão em nosso favor" (n. 958). Como isso acontece, a Igreja não definiu.
Se o destino já foi decidido na morte, por que rezar pelos mortos?
Porque a oração não muda o destino de quem está salvo: ajuda na purificação de quem ainda não está pronto para ver a Deus. E, como não sabemos quem já está no céu, a Igreja reza por todos os seus mortos.
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 958, 1022 e 1030 a 1032
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1371 (Mônica e Cirilo de Jerusalém)
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1472 (as penas do pecado)
- VaticanoBento XVI, encíclica Spe salvi (2007), n. 45 a 48
- VaticanoSão João Paulo II, audiência geral de 4 de agosto de 1999, sobre o purgatório
- Elpenor2 Macabeus 12 na Septuaginta (texto grego)
- Bible Hub1 Coríntios 3,15 no grego (Westcott e Hort, NA27)
- Bible HubMateus 12,32 no grego
- Bible HubMateus 5,26 no grego
- Bible HubApocalipse 21,27 no grego
- Bible HubO verbo zēmióō, sofrer perda (Strong 2210)
- The Latin LibraryTertuliano, De corona, 3 (texto latino)
- The Latin LibraryTertuliano, De monogamia, 10 (texto latino)
- The Latin LibraryTertuliano, De anima, 58 (texto latino)
- The Latin LibraryAgostinho, Confissões, livro IX (texto latino)
- The Latin LibraryAgostinho, A Cidade de Deus, livro XXI (texto latino)
- Catholic EncyclopediaInscription of Abercius (1907)
- Catholic EncyclopediaPurgatory (1911): 1 Coríntios 3, Florença e o fogo
- Catholic EncyclopediaTertullian: datas de De corona e De monogamia
- Catholic EncyclopediaSaint Monica: nascimento e morte
- Catholic EncyclopediaCouncil of Florence: o decreto de 6 de julho de 1439
- Papal EncyclicalsConcílio de Florença, decreto de união com os gregos (tradução inglesa)
- Hanover CollegeConcílio de Trento, sessão VI, cânon 30 (tradução inglesa de Waterworth)
- Hanover CollegeConcílio de Trento, sessão XXV, decreto sobre o purgatório (tradução inglesa de Waterworth)
- WikisourceLutero, 95 teses (texto latino)
- Book of ConcordArtigos de Esmalcalde (1537), parte II, artigo 2
- CCELJoão Calvino, Institutas, livro III, capítulo 5 (tradução inglesa)
- Orthodox Presbyterian ChurchConfissão de Westminster (1647), capítulo 32

