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Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: ao nascer do sol, três mulheres com vasos de perfume chegam a um túmulo cavado na rocha e encontram a pedra removida e um jovem de branco sentado lá dentro.

Quem trocou o sábado pelo domingo?

Os cristãos já se reuniam no primeiro dia da semana no tempo dos apóstolos. A lei de Constantino veio quase três séculos depois e criou um descanso civil, não o culto do domingo.

14 min de leitura

Imagem gerada por IA: No primeiro dia da semana, ao nascer do sol, as mulheres encontram o túmulo aberto (Mc 16,1-6). Por causa desse dia, os cristãos passaram a se reunir no domingo. Em estilo de pintura renascentista

A resposta curta

Nenhum papa e nenhum imperador. Os cristãos se reuniam no primeiro dia da semana, o dia da Ressurreição, já no tempo dos apóstolos (At 20,7; 1Cor 16,2), e entre o fim do século I e 155 os escritos cristãos já chamavam esse dia de "dia do Senhor" e explicavam por que se reuniam nele. A lei de Constantino, de 321, só mandou parar os tribunais e os ofícios das cidades no "venerável dia do Sol".

A objeção

O que se costuma dizer

O domingo é invenção humana. Foi o papa que trocou o sábado pelo domingo, cumprindo a profecia de Daniel sobre aquele que "pensará em mudar os tempos e a lei" (Dn 7,25). O imperador Constantino, que adorava o Sol, impôs em 321 o "venerável dia do Sol", e depois o Concílio de Laodiceia proibiu os cristãos de guardar o sábado. Até autores católicos admitem que a Bíblia não manda guardar o domingo e que foi a Igreja que fez a troca.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa versão da história?

Ela tem dois lados.

O primeiro vem das publicações que defendem o sábado. Em 1847, no estado americano do Maine, Ellen G. White teve uma visão que contou num livreto de 1851: viu que Deus não tinha mudado o sábado, "mas o papa o tinha mudado do sétimo para o primeiro dia da semana; pois ele havia de mudar os tempos e as leis". Em O Grande Conflito (edição de 1911, p. 52-53), ela conta que o domingo começou como festa da Ressurreição ao lado do sábado, até que Constantino e os concílios rebaixaram o sábado.

O segundo lado vem, curiosamente, de autores católicos. No livro A fé dos nossos pais, de 1876, muitas vezes revisto, o cardeal James Gibbons, arcebispo de Baltimore, escreveu (a frase está na edição de 1917) que se pode ler a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse sem achar uma linha que autorize santificar o domingo, e que a Escritura manda guardar o sábado, dia que os católicos não santificam. E a Enciclopédia Católica de 1908, no verbete sobre os Dez Mandamentos, diz que a Igreja, depois de passar o dia de descanso do sábado para o primeiro dia da semana, fez o terceiro mandamento se referir ao domingo. Fora de contexto, frases assim parecem confirmar a acusação.

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

A pergunta se responde com datas, mas é preciso separar três coisas que a objeção mistura:

  • quando os cristãos começaram a se reunir para o culto no primeiro dia da semana;
  • quando o domingo virou dia de descanso civil;
  • quando um concílio proibiu os cristãos de descansar no sábado como os judeus.

Se o culto do domingo já existia muito antes de Constantino e de qualquer decreto papal, a tese da troca feita por um papa não se sustenta. Se o cristão deve guardar o sábado é a pergunta da aula O cristão deve guardar o sábado?.

O que diz a Bíblia

O que o Novo Testamento mostra sobre o primeiro dia?

O dia da Ressurreição

E, muito cedo, no primeiro dia da semana, foram ao túmulo, ao nascer do sol. (Mc 16,2)

Os quatro Evangelhos põem a Ressurreição no primeiro dia da semana (Mt 28,1; Mc 16,2; Lc 24,1; Jo 20,1). No mesmo dia, à tarde, Jesus aparece aos discípulos reunidos:

Ao entardecer daquele dia, o primeiro da semana, [...] Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco. (Jo 20,19)

"Oito dias depois", com Tomé, Jesus volta (Jo 20,26); na contagem antiga, que incluía o primeiro e o último dia, muitos leem aí o domingo seguinte.

Reunidos para partir o pão

No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o pão, Paulo conversava com eles, pois ia partir no dia seguinte, e prolongou a palavra até a meia-noite. (At 20,7)

Paulo ficou sete dias em Trôade (At 20,6), e a reunião para partir o pão é no primeiro dia. Lucas não diz se contava o dia à maneira judaica, a partir do pôr do sol, ou à romana, mas em qualquer caso é o primeiro dia.

A coleta de cada domingo

Quanto à coleta para os santos, fazei também vós como ordenei às Igrejas da Galácia. No primeiro dia de cada semana, cada um de vós ponha de lado, junto de si, o que conseguir poupar, para que não se façam coletas quando eu chegar. (1Cor 16,1-2)

"Junto de si" pode indicar uma poupança feita em casa, e não uma coleta na reunião. Mesmo assim, Paulo marca um dia fixo, o mesmo para Corinto e para a Galácia: o primeiro da semana.

O "dia do Senhor"

Fiquei em Espírito no dia do Senhor e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta. (Ap 1,10)

O grego diz en tē kyriakē hēmera, com um adjetivo, kyriakós, "do Senhor", que no Novo Testamento só aparece mais uma vez, para a ceia do Senhor (kyriakon deipnon, 1Cor 11,20). Não é a expressão que o Novo Testamento usa para o dia do juízo, hēmera Kyriou (1Ts 5,2). Os escritos cristãos seguintes usam kyriakē para o dia da reunião, e daí vêm o latim dies dominica e o nosso "domingo". Ireneu, por volta de 180, situa a visão no fim do reinado de Domiciano (Contra as heresias V,30,3).

O que o Novo Testamento não traz é uma ordem expressa: "guardai o domingo". Traz sinais claros da prática dos apóstolos (At 20,7; 1Cor 16,2; Ap 1,10). Por isso a Igreja fala em tradição apostólica, como se verá mais abaixo.

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego (e, em Daniel, do aramaico). Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Daniel 7, Marcos 16, João 20, Atos 20, 1 Coríntios 16, Apocalipse 1, 1 Coríntios 11 e 1 Tessalonicenses 5.

O que diziam os primeiros cristãos

O que os cristãos escreveram antes de Constantino?

Todos os textos a seguir são anteriores à lei de 321 e vêm de lugares diferentes do Império.

A Didaqué. Manual cristão muito antigo, de data discutida: a Enciclopédia Católica de 1908 o punha entre 65 e 80; outros o situam no século II.

No dia do Senhor, reuni-vos, parti o pão e dai graças, depois de terdes confessado as vossas faltas, para que o vosso sacrifício seja puro. (Didaqué 14,1)

No grego, kata kyriakēn de kyriou: a palavra kyriakē já bastava para nomear o dia.

Inácio de Antioquia, por volta de 110. A caminho do martírio, o bispo de Antioquia escreve aos cristãos de Magnésia, na Ásia Menor. O Catecismo traz o trecho em português:

Os que viveram segundo a antiga ordem das coisas alcançaram uma nova esperança, não guardando já o sábado mas o dia do Senhor, em que a nossa vida foi abençoada por Ele e pela sua morte. (Carta aos Magnésios 9,1, no Catecismo, n. 2175)

Uma nota honesta: o único manuscrito grego desta forma da carta diz "vivendo segundo a vida do Senhor" (kata kyriakēn zōēn); a antiga tradução latina diz dominicam, e editores como J. B. Lightfoot, em 1889, leem "segundo o dia do Senhor", como o Catecismo. Nas duas leituras, o contraste com "não guardando já o sábado" continua.

Plínio, o Jovem, por volta de 112. Governador romano da Bitínia, na Ásia Menor, Plínio escreveu ao imperador Trajano sobre os cristãos que interrogava:

Afirmavam que toda a sua culpa, ou o seu erro, consistia nisto: tinham o costume de se reunir num dia fixo, antes do amanhecer, e de cantar, alternando entre si, um hino a Cristo como a um deus. (Cartas X,96,7)

Plínio não diz que dia era. João Paulo II lê a carta como testemunho do domingo (Dies Domini, n. 21), mas o texto, sozinho, não prova.

A Carta de Barnabé. Data também discutida (a Enciclopédia Católica a põe em 130 ou 131):

Por isso também celebramos com alegria o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se manifestar, subiu aos céus. (Carta de Barnabé 15,9)

Para o autor, esse oitavo dia anuncia o começo de um mundo novo (15,8).

Justino, por volta de 155. Escrevendo ao imperador, Justino usa o nome pagão do dia e explica a reunião. O Catecismo traz o trecho em português:

Reunimo-nos todos no dia do Sol, porque foi o primeiro dia [após o Sábado judaico, mas também o primeiro dia] em que Deus, tirando das trevas a matéria, criou o mundo, mas também porque Jesus Cristo, nosso Salvador, nesse mesmo dia ressuscitou dos mortos. (Primeira Apologia 67, no Catecismo, n. 2174)

Chamar o domingo de "dia do Sol" era usar o calendário do leitor pagão, mais de um século e meio antes da lei de Constantino. Sobre os nomes dos dias, veja a aula O catolicismo misturou crenças pagãs?.

Tertuliano, em 197. Em Cartago, Tertuliano conta que alguns pagãos achavam que o Sol era o deus dos cristãos, "porque se sabe que rezamos voltados para o oriente, ou porque fazemos do dia do Sol um dia de festa" (Aos pagãos I,13). Ele responde que a alegria desse dia tem uma razão muito diferente do culto ao Sol (Apologético 16).

As frases da Didaqué e de Barnabé estão em tradução nossa a partir do grego; a de Plínio, a partir do latim; a de Tertuliano, a partir da versão inglesa indicada nas fontes. As de Inácio e de Justino são as do Catecismo, em português oficial.

O que a Igreja ensina

O que a Igreja diz sobre a origem do domingo?

A Igreja não diz que um papa criou o domingo. Diz que o recebeu dos apóstolos, e reconhece com honestidade como foi o caminho:

«O domingo, em que se celebra o mistério pascal, por tradição apostólica, deve guardar-se em toda a Igreja como o primordial dia festivo de preceito»

Catecismo da Igreja Católica, citando o Código de Direito Canônico (cân. 1246), n. 2177

Esta prática da reunião da assembleia cristã data dos princípios da idade apostólica

Catecismo da Igreja Católica, n. 2178

Em algumas comunidades, podia-se registar a coexistência da observância do sábado com a celebração dominical.

João Paulo II, carta apostólica Dies Domini (1998), n. 23

Durante alguns séculos, os cristãos viveram o domingo apenas como dia do culto, sem poderem juntar-lhe também o significado específico de descanso sabático.

João Paulo II, carta apostólica Dies Domini (1998), n. 64

Portanto, mais do que uma « substituição » do sábado, o domingo constitui a sua perfeita realização […]

João Paulo II, carta apostólica Dies Domini (1998), n. 59

A Dies Domini não esconde a história: houve comunidades que guardavam os dois dias, e o descanso dominical só virou lei no século IV. Uma distinção ajuda: que o domingo vem dos apóstolos é o que a Igreja ensina, apoiada no Novo Testamento e nos primeiros séculos. Já a obrigação de participar da Missa nesse dia é um mandamento da Igreja: o Catecismo diz que "o mandamento da Igreja determina e precisa a lei do Senhor" (n. 2180). Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

Linha do tempo

Do túmulo vazio a Ellen White, em datas

Tudo o que vem antes da lei de 321 aconteceu sem nenhum apoio do Estado ao domingo.

  1. c. 30A RessurreiçãoNo primeiro dia da semana (Mc 16,2).
  2. c. 57Coleta e fração do pãoNo primeiro dia da semana (1Cor 16,2; At 20,7).
  3. fim do séc. IO dia do SenhorNome usado no Apocalipse (Ap 1,10).
  4. c. 110 a 155Inácio, Plínio e JustinoO dia do Senhor, o dia fixo antes do amanhecer, a reunião no dia do Sol.
  5. c. 300Concílio de ElviraPena para quem falta à igreja três domingos (cânon 21).
  6. início do séc. IVMártires de AbitinasMorrem por não deixar a ceia do Senhor (Dies Domini, n. 46).
  7. 321A lei de ConstantinoDescanso civil nas cidades no "venerável dia do Sol".
  8. 343 a 381Sínodo de LaodiceiaProíbe descansar no sábado como os judeus (cânon 29).
  9. 1847Ellen G. WhiteDiz ter visto que o papa mudou o sábado.

O que a história mostra

O que fizeram Constantino, Laodiceia e os papas?

A lei de 321. O texto chegou até nós no Código de Justiniano (III,12,2), com data de março de 321:

Que todos os juízes, a população das cidades e os ofícios de todas as artes descansem no venerável dia do Sol. Os que vivem no campo, porém, dediquem-se livremente ao cultivo da terra, porque muitas vezes acontece que nenhum outro dia é mais próprio para lançar o trigo nos sulcos ou plantar as videiras nas covas; e não se perca, por um momento, a vantagem dada pela providência do céu.

A lei fala de tribunais e oficinas, não de culto; não menciona Cristo, a Igreja, a Missa nem o sábado, e chama o dia pelo nome civil que Justino já usava. Eusébio de Cesareia, biógrafo de Constantino, apresenta as medidas do imperador sobre o domingo como homenagem ao dia do Senhor (Vida de Constantino IV,18). Constantino não inventou o culto do domingo: deu descanso civil a um dia que os cristãos celebravam desde o tempo dos apóstolos. O que mais ele fez, e o que não fez, está na aula Constantino criou a Igreja Católica?.

O sínodo de Laodiceia. Foi um sínodo regional, reunido em Laodiceia da Frígia, na Ásia Menor, numa data incerta: o historiador Hefele a situava entre 343 e 381; outros propõem cerca de 363. O cânon 29 é duro: os cristãos não devem "judaizar" descansando no sábado, mas trabalhar nesse dia, honrar o dia do Senhor e, se puderem, descansar nele como cristãos; quem for achado judaizando, "seja anátema". Mas o mesmo sínodo manda ler os Evangelhos no sábado (cânon 16) e, na Quaresma, oferecer o pão eucarístico só no sábado e no domingo (cânon 49). No século V, o historiador Sócrates conta que quase todas as Igrejas, menos as de Alexandria e de Roma, celebravam os mistérios também no sábado (História Eclesiástica V,22). O sábado perdeu o descanso, mas guardou, em muitos lugares, um lugar na liturgia.

E o papa? Nenhum dos textos acima é de um papa, e nenhum documento papal criou o domingo; os testemunhos vêm de Trôade, Corinto, Ásia Menor, Roma e Cartago. Ler o chifre de Daniel 7 como o poder de Roma é uma interpretação protestante mais antiga que o adventismo: Isaac Newton a defendia num livro de 1733, em que chama esse chifre de "a Igreja de Roma". Ligar o "mudar os tempos e a lei" à troca do sábado pelo domingo é o centro da leitura adventista. Esta aula não discute a profecia, só os fatos que ela supõe, e os fatos não mostram um papa mudando o dia.

E as frases católicas? Gibbons escreveu a dele num capítulo sobre a Igreja e a Bíblia, para mostrar que a Escritura sozinha não basta como regra de fé: os cristãos guardam o domingo por uma tradição que vem dos apóstolos, e não por um versículo que o mande. E a Enciclopédia Católica, no verbete sobre o domingo, põe essa passagem "nos tempos apostólicos", citando Atos 20,7 e 1 Coríntios 16,2. Nos dois casos, "a Igreja" que mudou o dia é a dos apóstolos. O papel da Tradição é tema da aula A Bíblia é a única autoridade?.

A lei de Constantino está em tradução nossa a partir do latim; os cânones de Laodiceia e os trechos de Eusébio, Sócrates, Gibbons e da Enciclopédia Católica foram traduzidos ou resumidos a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.

Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: num fórum romano, o tribunal e as oficinas estão fechados e os moradores passeiam; além do portão da cidade, lavradores aram a terra e plantam videiras.
Imagem gerada por IA: Cena imaginada: uma cidade romana em 321, no "dia do Sol". A lei de Constantino mandou parar tribunais e ofícios das cidades, mas deixou os lavradores trabalhar no campo (Código de Justiniano III,12,2). Em estilo de pintura renascentista

Lado a lado

A acusação e as datas, lado a lado

O que se dizO que as datas mostramOnde conferir
Um papa trocou o sábado pelo domingo.Os cristãos já se reuniam no primeiro dia no tempo dos apóstolos; nenhum documento papal criou o domingo.At 20,7; 1Cor 16,2; Didaqué 14,1
Constantino criou o domingo em 321.A lei criou um descanso civil nas cidades; o culto no domingo vinha do tempo dos apóstolos.Código de Justiniano III,12,2; Justino, Primeira Apologia 67
O domingo é culto ao Sol.Justino usa o nome civil do dia, mas a razão é a criação e a Ressurreição; em 197, Tertuliano já negava o culto ao Sol.Primeira Apologia 67; Tertuliano, Aos pagãos I,13
Laodiceia aboliu o sábado.Foi um sínodo regional; proibiu descansar no sábado como os judeus, mas mandou ler o Evangelho nesse dia.Laodiceia, cânones 16, 29 e 49
Até católicos admitem que foi a Igreja.Atribuem o domingo à tradição dos apóstolos, não a um papa.Catecismo, n. 2177; Enciclopédia Católica, verbete Sunday

Os frutos

Por que os primeiros cristãos se arriscavam por esse dia?

No começo, guardar o domingo custava caro. O dia não era feriado, e os cristãos se reuniam antes do nascer do sol (Dies Domini, n. 22). Na perseguição de Diocleciano, no começo do século IV, cristãos de Abitinas, na África, foram presos por terem celebrado a ceia do Senhor e responderam aos acusadores, segundo as atas do martírio citadas por João Paulo II: "não podemos viver sem a ceia do Senhor" (Dies Domini, n. 46). Isso foi antes da lei de Constantino.

O domingo é a Páscoa de cada semana, e a melhor resposta a esta aula é uma comunidade que o vive assim, com a Missa, o descanso e a caridade.

Com os irmãos que guardam o sábado, vale começar pelo que une, a Ressurreição de Cristo e o amor às Escrituras, e ler juntos estes textos, com as datas na mesa. Veja também A Igreja mudou os Dez Mandamentos?.

Para guardar

Nenhum papa e nenhum imperador inventou o domingo. Os cristãos se reuniam no dia da Ressurreição desde os apóstolos; Constantino, em 321, só deu a esse dia o descanso civil.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. O que diz a lei de Constantino, de 321?

  2. 2. Em que texto do Novo Testamento os cristãos se reúnem "para partir o pão" no primeiro dia da semana?

  3. 3. Como Justino, por volta de 155, chama o dia em que os cristãos se reúnem?

  4. 4. O que o sínodo de Laodiceia decidiu no cânon 29?

  5. 5. A que o Catecismo atribui a guarda do domingo?

Perguntas frequentes

Os protestantes também guardam o domingo?

Sim. A Confissão de Westminster (1646), dos presbiterianos, diz que o dia de descanso, desde a ressurreição de Cristo, "foi mudado para o primeiro dia da semana, que na Escritura é chamado dia do Senhor" (cap. 21,7). O Catecismo de Heidelberg (1563), dos reformados, pede que o fiel frequente a assembleia do povo de Deus "no dia festivo de descanso" (pergunta 103).

A lei de 321 foi a única medida de Constantino sobre o domingo?

Não. Segundo Eusébio de Cesareia, Constantino também mandou que todos honrassem o dia do Senhor e a véspera do sábado, a sexta-feira, deu aos soldados cristãos tempo para ir à igreja e ensinou uma oração aos soldados pagãos para esse dia (Vida de Constantino IV,18-20). Eusébio escrevia como admirador do imperador, e é bom ler o relato com essa lembrança.

Desde quando o domingo é dia de descanso para os cristãos?

Como dia de culto, desde os apóstolos; como descanso, aos poucos. Tertuliano, nos primeiros anos do século III, já fala em adiar os negócios no dia da Ressurreição (Sobre a oração 23). A lei civil veio em 321. No século VI, segundo a Enciclopédia Católica, o Concílio de Orléans (538) rejeitou como coisa judaica a tendência de aplicar ao domingo as regras do sábado.

Por que "dia do Senhor", e não só "primeiro dia"?

Porque o nome é uma profissão de fé. João Paulo II lembra que os cristãos chamavam Cristo de Senhor, Kyrios, o mesmo título que a tradução grega do Antigo Testamento usava para o nome de Deus, e que, ao dizer "dia do Senhor", proclamavam que Jesus ressuscitado é o Senhor (Dies Domini, n. 21).

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoJoão Paulo II, carta apostólica Dies Domini (1998), n. 21 a 23, 46, 59 e 64
  2. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2174 a 2180
  3. Bible HubApocalipse 1,10 no grego
  4. Bible HubAtos 20,7 no grego
  5. Bible Hub1 Coríntios 16,2 no grego
  6. Bible Hub1 Coríntios 11,20 no grego (kyriakon deipnon)
  7. Catholic EncyclopediaEpistles to the Corinthians: a Primeira Carta, por volta da Páscoa de 57
  8. Bible HubDaniel 7,25 no aramaico, palavra por palavra
  9. Wikisource (grego)Didaqué, texto grego (14,1)
  10. New AdventDidaqué, 14 (tradução inglesa)
  11. Catholic EncyclopediaDidache: a discussão sobre a data
  12. New AdventInácio de Antioquia, Carta aos Magnésios, 9 (tradução inglesa)
  13. Internet ArchiveJ. B. Lightfoot, The Apostolic Fathers, parte II, vol. 2 (1889), p. 129: o texto e o aparato de Magnésios 9,1
  14. The Latin LibraryPlínio, o Jovem, Cartas, livro X, 96 (texto latino)
  15. Wikisource (grego)Carta de Barnabé, texto grego (15,8-9)
  16. Catholic EncyclopediaEpistle of Barnabas: a data (130 ou 131)
  17. New AdventJustino, Primeira Apologia, 67 (tradução inglesa)
  18. New AdventTertuliano, Aos pagãos, I,13 (tradução inglesa)
  19. New AdventTertuliano, Apologético, 16 (tradução inglesa)
  20. New AdventTertuliano, Sobre a oração, 23 (tradução inglesa)
  21. Catholic EncyclopediaTertullian: os escritos apologéticos de 197
  22. New AdventIreneu de Lyon, Contra as heresias, V,30 (tradução inglesa)
  23. Universidade Grenoble AlpesCódigo de Justiniano, livro III, 12,2 (texto latino)
  24. New AdventEusébio de Cesareia, Vida de Constantino, IV,18 a 20 (tradução inglesa)
  25. New AdventSínodo de Laodiceia, cânones 16, 29 e 49, com a discussão sobre a data (tradução inglesa)
  26. New AdventSócrates, História Eclesiástica, V,22 (tradução inglesa)
  27. Catholic EncyclopediaSunday: o domingo nos tempos apostólicos, Elvira e Orléans
  28. Catholic EncyclopediaThe Ten Commandments: a frase sobre a mudança do dia de descanso
  29. Project GutenbergJames Gibbons, The Faith of Our Fathers (edição revista de 1917), capítulo VIII
  30. Ellen G. White EstateEllen G. White, A Sketch of the Christian Experience and Views (1851), a visão de 1847
  31. Ellen G. White EstateEllen G. White, The Great Controversy (1911), p. 52
  32. Ellen G. White EstateEllen G. White, The Great Controversy (1911), p. 53
  33. Project GutenbergIsaac Newton, Observations upon the Prophecies of Daniel (1733), caps. VII e VIII
  34. Orthodox Presbyterian ChurchConfissão de Westminster, cap. 21,7
  35. CCEL (Schaff-Herzog)Westminster Standards: a Confissão terminada em 4 de dezembro de 1646
  36. Igreja Adventista do Sétimo DiaNossa história: a organização oficial em 1863
  37. Christian Reformed ChurchCatecismo de Heidelberg (1563), pergunta 103
  38. Book of ConcordMartinho Lutero, Catecismo Menor (1529)
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