A resposta curta
Não do modo como Israel o guardava. O sábado foi dado a Israel como sinal da aliança (Êx 31,13); os apóstolos decidiram não impor a Lei de Moisés aos cristãos vindos dos outros povos (At 15,5.28), e Paulo chama os sábados de sombra da realidade, que é Cristo (Cl 2,16-17). O que o mandamento tem de permanente, reservar um tempo para Deus e para o descanso, continua valendo, e a Igreja o vive no domingo, dia da Ressurreição (Catecismo, n. 2175-2176).
A objeção
O que se costuma dizer
O mandamento é claro: "Lembra-te do dia do sábado, para santificá-lo [...] o sétimo dia é sábado para o Senhor teu Deus" (Êx 20,8.10). Deus abençoou o sétimo dia na criação, muito antes de existir Israel (Gn 2,3). Jesus ia à sinagoga no sábado, "segundo o seu costume" (Lc 4,16); as mulheres que o seguiam, depois da sua morte, descansaram no sábado "segundo o mandamento" (Lc 23,56); Paulo discutia na sinagoga todos os sábados (At 18,4). Não há um versículo que mande guardar o domingo. Se os Dez Mandamentos continuam valendo, o do sábado também continua.
De onde vem a pergunta
Quem guarda o sábado hoje, e por quê?
Quem levanta essa pergunta, muitas vezes, é um irmão adventista, e vale ouvir a posição nas palavras da própria Igreja. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, organizada oficialmente em 1863, nos Estados Unidos, ensina na sua crença fundamental 20 que "o quarto mandamento da imutável lei de Deus requer a observância deste sábado do sétimo dia como dia de descanso, adoração e ministério, em harmonia com o ensino e prática de Jesus, o Senhor do sábado". A mesma crença chama o sábado de "sinal perpétuo do eterno concerto de Deus com Seu povo" e diz que esse tempo sagrado é guardado "do pôr do sol ao pôr do sol".
E a crença 19 deixa claro que, para eles, guardar os mandamentos não compra a salvação: "A salvação é inteiramente pela graça, e não pelas obras, e seu fruto é a obediência aos mandamentos." Para o adventista, guardar o sábado é uma questão de fidelidade, não de mérito. Eles também não são os únicos cristãos que guardam o sábado (veja as perguntas no fim da aula).
A pergunta, aliás, não é nova. O Novo Testamento já discute o que os cristãos vindos do paganismo deviam guardar da Lei de Moisés (At 15), e no século II Justino responde à mesma questão num diálogo com um judeu chamado Trifão. A Igreja chama os cristãos de outras comunidades de irmãos no Senhor (Catecismo, n. 818), e é nesse espírito que a resposta segue.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
Ninguém discute que o sábado foi santo, nem que Jesus o honrou. A pergunta honesta é outra: o sábado, que Deus deu a Israel como sinal da aliança, obriga do mesmo modo os cristãos vindos dos outros povos? E o que, nesse mandamento, é permanente?
Por trás dela há uma distinção antiga. Tomás de Aquino, no século XIII, explicava que o mandamento do sábado é moral num ponto, porque manda o homem reservar um tempo para as coisas de Deus, e cerimonial em outro, porque fixa qual é esse tempo (Suma Teológica I-II, q. 100, a. 3, ad 2). A primeira parte vale para todos e sempre; a segunda pertence à aliança com Israel.
Quando e como os cristãos passaram a se reunir no domingo é assunto da aula Quem trocou o sábado pelo domingo?. Aqui a pergunta é se o cristão está obrigado ao sábado.

O que diz a Bíblia
O que a Bíblia diz sobre o sábado?
Um dia abençoado e um sinal da aliança
E Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que tinha criado e feito. (Gn 2,3)
O repouso de Deus está na criação, e o mandamento do Sinai remete a ele (Êx 20,11). O Deuteronômio, ao repetir o mesmo mandamento, dá outra razão, a libertação do Egito:
Lembra-te de que foste escravo na terra do Egito, e de que o Senhor teu Deus te tirou de lá com mão forte e braço estendido; por isso o Senhor teu Deus te ordenou guardar o dia do sábado. (Dt 5,15)
E o Êxodo chama o sábado de sinal:
Guardareis os meus sábados, porque é um sinal entre mim e vós, pelas vossas gerações, para que se saiba que eu sou o Senhor, que vos santifico. (Êx 31,13)
Poucos versículos depois, o texto diz que o sábado é sinal "entre mim e os filhos de Israel" e "aliança perpétua" (Êx 31,16-17). A mesma expressão hebraica, bərît ʿôlām, "aliança perpétua", é usada para a circuncisão (Gn 17,13). E a circuncisão, como se verá em Atos 15, não foi imposta aos cristãos vindos dos gentios.
Jesus, senhor do sábado
Naquele tempo, Jesus passou num sábado pelas searas. Os discípulos tiveram fome e começaram a arrancar espigas e a comer. Os fariseus, vendo isso, disseram-lhe: Olha, os teus discípulos fazem o que não é permitido fazer no sábado. (Mt 12,1-2)
Jesus responde lembrando Davi, que comeu os pães da oferenda, e os sacerdotes, que trabalham no Templo em dia de sábado sem culpa. E conclui:
Pois eu vos digo: aqui está algo maior que o Templo. Se soubésseis o que significa "Quero misericórdia, e não sacrifício", não teríeis condenado os inocentes. Porque o Filho do Homem é senhor do sábado. (Mt 12,6-8)
O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Por isso, o Filho do Homem é senhor também do sábado. (Mc 2,27-28)
Jesus não aboliu o sábado nem mandou trocá-lo por outro dia. Guardou-o e o explicou com autoridade de senhor. Os adventistas lembram com razão que ele ia à sinagoga no sábado. A pergunta é o que os apóstolos ensinaram depois da Ressurreição, quando o Evangelho chegou aos outros povos.
O que os apóstolos pediram aos gentios
No Concílio de Jerusalém, a questão era se os gentios convertidos precisavam ser circuncidados e guardar a Lei de Moisés (At 15,5). Tiago resume a decisão:
Por isso, julgo que não se deve importunar os que, dentre os gentios, se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, das uniões ilícitas, das carnes sufocadas e do sangue. Pois Moisés, desde as gerações antigas, tem em cada cidade quem o pregue, e é lido nas sinagogas todos os sábados. (At 15,19-21)
A carta enviada às Igrejas repete as quatro abstenções e diz que pareceu bem "não vos impor nenhum outro peso além destas coisas necessárias" (At 15,28-29). O sábado não está na lista. O versículo 21 fala da leitura de Moisés nas sinagogas aos sábados; seja qual for o sentido exato dessa frase, a carta não impõe o sábado aos gentios.
Um adventista lembrará, com razão, que a lista também não fala de homicídio nem de roubo: ela trata do que os gentios deviam evitar para viver em comunhão com os irmãos judeus. Por isso o argumento não está só na lista. A pergunta posta era se os gentios deviam "guardar a Lei de Moisés" (At 15,5), e a resposta foi não lhes impor "nenhum outro peso"; depois, Paulo deixa os dias à consciência de cada um (Rm 14,5) e chama festas, luas novas e sábados de sombra (Cl 2,16-17). É esse conjunto, lido pela Igreja (Catecismo, n. 2175), que sustenta a resposta católica.
O que Paulo escreveu sobre os dias
Um julga que um dia vale mais que outro; outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja plenamente convencido no seu próprio juízo. Quem dá importância ao dia, o faz para o Senhor. (Rm 14,5-6)
Mas agora, que conheceis a Deus, ou melhor, que fostes conhecidos por Deus, como podeis voltar outra vez a esses elementos fracos e pobres, querendo servi-los de novo? Observais dias, meses, estações e anos! (Gl 4,9-10)
Portanto, ninguém vos julgue por causa de comida ou de bebida, ou a respeito de festa, de lua nova ou de sábados: essas coisas são sombra das que haviam de vir, mas a realidade é de Cristo. (Cl 2,16-17)
Paulo não cita o sábado em Romanos nem em Gálatas, e os estudiosos discutem que dias ele tinha em mente. Em Colossenses, a palavra está lá: sabbatōn, "sábados". O estudioso adventista Ron du Preez defende que esses sábados são os dias de descanso das festas anuais, e não o sábado semanal; a revista Ministry, dos pastores adventistas, publicou em 2009 uma resenha favorável ao estudo, assinada pelo diretor do Instituto de Pesquisa Bíblica da Associação Geral da Igreja Adventista. O próprio resenhista reconhece que a maioria dos intérpretes vê ali as festas anuais, as luas novas de cada mês e o sábado de cada semana. A leitura católica vai nessa linha: o que a Lei praticava "era figura de algum aspecto relativo a Cristo" (Catecismo, n. 2175). Mesmo assim, o texto não proíbe ninguém de descansar no sábado: proíbe julgar o irmão por isso.
O repouso que permanece
Resta, portanto, um repouso sabático para o povo de Deus. Pois quem entrou no repouso de Deus também descansou das suas obras, como Deus das suas. Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele repouso. (Hb 4,9-11)
A crença 20 dos adventistas cita Hebreus 4,1-11. O capítulo fala de um repouso em que "nós, os que cremos, entramos" (Hb 4,3), e que ao mesmo tempo ainda está à frente, porque é preciso se esforçar para entrar nele (4,11). Se Josué tivesse dado esse repouso ao povo, diz a carta, Deus não falaria depois de outro dia (4,8). A palavra sabbatismós, "repouso sabático", só aparece aqui no Novo Testamento. A Igreja lê aí o descanso que o sábado anunciava e que se cumpre em Cristo: começa pela fé e se completa na vida eterna, que o Catecismo descreve como "a entrada no repouso de Deus" (Catecismo, n. 1720).
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do hebraico (Gênesis, Êxodo e Deuteronômio) e do grego (os demais). Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Gênesis 2, Êxodo 20, Deuteronômio 5, Êxodo 31, Gênesis 17, Mateus 12, Marcos 2, Lucas 4, Lucas 23, Atos 15, Atos 18, Romanos 14, Gálatas 4, Colossenses 2 e Hebreus 4.
O que diziam os primeiros cristãos
O que diziam os primeiros cristãos?
Os escritos dos primeiros séculos mostram que a pergunta já existia, e como os cristãos respondiam.
Justino, por volta de 160. No Diálogo com Trifão, Justino conversa com um judeu culto. Trifão diz o que mais estranha nos cristãos: que, dizendo-se piedosos, não se separam em nada dos outros povos, não guardam festas nem sábados e não têm a circuncisão (10). Justino responde que a nova lei pede um sábado contínuo, de todos os dias: quem é perjuro ou ladrão, deixe de sê-lo; quem é adúltero, se arrependa; esse guardou "os doces e verdadeiros sábados de Deus" (12). E diz algo que vale ouvir hoje. Trifão pergunta se quem reconhece Jesus como o Cristo, mas quer continuar a guardar a Lei de Moisés, será salvo. Justino responde que, na sua opinião, sim, desde que não tente convencer os gentios de que eles não serão salvos sem isso; e acrescenta que os cristãos devem conviver com esses fiéis "em tudo, como parentes e irmãos" (47).
Ireneu, por volta de 180. Para Ireneu, bispo de Lyon, a circuncisão e o sábado foram dados como sinais. A prova, diz ele, é esta:
O próprio Abraão, sem a circuncisão e sem a observância dos sábados, creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. (Contra as heresias IV,16,2)
Os sábados, explica Ireneu, ensinavam a perseverar todos os dias no serviço de Deus (IV,16,1). E no mesmo capítulo ele diz que as dez palavras do Decálogo continuam valendo para os cristãos, ampliadas, e não abolidas, pela vinda do Senhor (IV,16,4).
Agostinho, em 400. Numa carta a Januário, Agostinho observa que, dos dez mandamentos, o do sábado é o único em que a coisa mandada é figura: o descanso do corpo representa o descanso espiritual em Deus. Os outros, como não matar e não furtar, devem ser cumpridos ao pé da letra; o do sábado, não do modo como os judeus o guardam (Carta 55,12,22). O dia do Senhor, acrescenta, foi dado a conhecer aos cristãos pela ressurreição do Senhor (55,13,23).
As frases de Justino, Ireneu e Agostinho foram traduzidas ou resumidas a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.
O que a Igreja ensina
O que a Igreja ensina sobre o sábado?
O Catecismo dedica ao sábado os números 2168 a 2173 e mostra, nos seguintes, como ele se cumpre no domingo. Começa honrando o sábado e o modo como Jesus o viveu:
Deus confiou a Israel o sábado, para ele o guardar em sinal da Aliança inviolável.
Mas Jesus nunca viola a santidade deste dia.
O domingo realiza plenamente, na Páscoa de Cristo, a verdade espiritual do sábado judaico e anuncia o descanso eterno do homem, em Deus.
O culto dominical cumpre o preceito moral da Antiga Aliança, cujo ritmo e espírito retoma, ao celebrar em cada semana o Criador e o Redentor do seu povo.
Em poucas linhas, o Catecismo diz três coisas. O sábado foi dado a Israel como sinal da aliança, e Jesus o respeitou. Para os cristãos, a prescrição ritual do sábado foi substituída pelo domingo, que o Catecismo apresenta como a realização do sábado (n. 2175). E o que o mandamento tem de moral continua de pé: prestar a Deus um culto "exterior, visível, público e regular" (n. 2176) e dar descanso a si mesmo e a quem trabalha para nós. É a mesma distinção de Tomás de Aquino entre a parte moral e a parte cerimonial do mandamento.
No número 2175, o Catecismo cita Inácio de Antioquia, que por volta de 110 já falava de quem tinha deixado o sábado para viver segundo o dia do Senhor. A história dessa passagem está na aula Quem trocou o sábado pelo domingo?. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
Lado a lado
O que se diz e o que o texto mostra
| O que se diz | O que o texto mostra | Onde conferir |
|---|---|---|
| O sábado vem da criação, antes de Israel. | Deus descansou e abençoou o sétimo dia; a ordem de guardá-lo, com nome e regras, foi dada a Israel como sinal da aliança. | Gn 2,3; Êx 31,13-17 |
| Jesus guardou o sábado. | Guardou e nunca faltou à santidade do dia, mas o interpretou com autoridade de senhor do sábado. | Lc 4,16; Mc 2,27-28; Catecismo, n. 2173 |
| Os apóstolos pregavam aos sábados. | Iam às sinagogas, onde os judeus se reuniam, para anunciar Cristo; e não impuseram o sábado aos gentios. | At 18,4; At 15,28-29 |
| Colossenses 2 fala só dos sábados das festas. | É a leitura de estudiosos adventistas; a maioria dos intérpretes vê ali também o sábado semanal. | Cl 2,16-17; revista Ministry, 2009 |
| Hebreus 4 manda guardar o sábado semanal. | Fala de um repouso de Deus em que se entra pela fé e que ainda está à frente. | Hb 4,3.9-11 |
| Se os Dez Mandamentos valem, o do sábado também vale. | A parte moral do mandamento continua: tempo para Deus e descanso para todos. | Catecismo, n. 2176; Tomás, Suma I-II, q. 100, a. 3, ad 2 |
Os frutos
O que o sábado ensina a um cristão?
O sábado não é um assunto encerrado para o católico. O Catecismo diz que ele é "um dia de protesto contra as servidões do trabalho e o culto do dinheiro" (n. 2172), e isso continua atual numa vida em que não se para nunca. Muitos irmãos adventistas guardam o seu dia com uma seriedade que deveria envergonhar quem trata o domingo como um dia qualquer. A resposta católica à pergunta do sábado não é "então qualquer dia serve", e sim um domingo vivido de verdade: Missa, descanso, família e obras de misericórdia.
Na conversa, há muito em comum. Os dois creem que Deus criou o mundo e descansou, que o tempo pertence a Deus e que o descanso é dom dele. A diferença está no dia e no modo. Vale ler juntos Atos 15 e Colossenses 2, com calma, e lembrar o conselho de Paulo: cada um esteja convencido no seu próprio juízo, e ninguém julgue o irmão (Rm 14,5.10). Justino, no século II, já tratava os cristãos que continuavam a guardar a Lei de Moisés como "parentes e irmãos".
Para guardar
O sábado foi o sinal da aliança de Deus com Israel, e Jesus é o senhor do sábado. Os apóstolos não impuseram a Lei de Moisés aos gentios, e Paulo chamou os sábados de sombra de Cristo; o que o mandamento tem de permanente, um tempo para Deus e para o descanso, os cristãos vivem no domingo, dia da Ressurreição.
Teste
Teste o que você aprendeu
5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Segundo Êxodo 31, o sábado é um sinal entre Deus e quem?
Êxodo 31,13.16-17 chama o sábado de sinal "entre mim e os filhos de Israel" e de aliança perpétua. O Catecismo (n. 2171) diz que Deus confiou o sábado a Israel em sinal da aliança.
2. O que o Concílio de Jerusalém decidiu sobre os cristãos vindos dos gentios?
A pergunta era se os gentios deviam ser circuncidados e guardar a Lei de Moisés (At 15,5). A carta decidiu não lhes impor "nenhum outro peso" além de quatro abstenções (At 15,28-29). A resposta católica sobre o sábado junta essa decisão ao que Paulo escreve em Romanos 14 e Colossenses 2.
3. O que Jesus diz em Marcos 2,27-28?
Jesus não abole o sábado nem o troca de dia: explica o sentido dele e se apresenta como seu senhor. O Catecismo comenta isso no n. 2173.
4. Segundo Colossenses 2,16-17, festas, luas novas e sábados são o quê?
Paulo pede que ninguém julgue os colossenses por essas observâncias, porque são sombra, e a realidade é de Cristo. Estudiosos adventistas leem aí só os sábados das festas; a maioria dos intérpretes inclui o sábado semanal.
5. Segundo o Catecismo (n. 2176), o que o culto do domingo cumpre?
O Catecismo diz que a celebração do domingo cumpre a prescrição moral de prestar a Deus um culto exterior, visível, público e regular, e retoma o ritmo e o espírito do mandamento.
Perguntas frequentes
Os adventistas acham que quem não guarda o sábado está perdido?
Ellen G. White, em cujo ministério os adventistas veem o dom de profecia (crença 18), escreveu em 1851 ter visto que Deus tinha filhos que não viam nem guardavam o sábado e que não tinham rejeitado a luz sobre ele. Para conhecer a posição de um adventista hoje, o melhor é perguntar a ele e ler as fontes oficiais da sua Igreja.
Os adventistas foram os primeiros cristãos a voltar ao sábado?
Não. Os batistas do sétimo dia contam que a sua tradição começou no início dos anos 1650, na Inglaterra, quando pequenas congregações batistas se convenceram de que o sétimo dia devia ser honrado. A primeira igreja deles na América do Norte foi fundada em Newport, Rhode Island, no fim de 1671, quase dois séculos antes da organização da Igreja Adventista, em 1863.
Quando começa o sábado, e quando começa o domingo?
Na contagem judaica, o dia começa ao pôr do sol, e os adventistas guardam o sábado "do pôr do sol ao pôr do sol" (crença 20). Os cristãos antigos contavam o domingo do mesmo modo: segundo a Enciclopédia Católica, a guarda do domingo começava ao pôr do sol do sábado e ia até a mesma hora do domingo, costume que em alguns lugares durou até o século XVII. Hoje, para o preceito do domingo, a Igreja aceita a Missa celebrada "na tarde do antecedente" (Catecismo, n. 2180).
Um católico pode descansar ou rezar de modo especial no sábado?
Pode. O que os apóstolos recusaram foi impor o sábado aos gentios como obrigação (At 15), e Paulo deixa a cada um a sua convicção sobre os dias (Rm 14,5-6). O preceito católico é outro: participar da Missa no domingo e nos dias santos e evitar, nesses dias, os trabalhos que impedem o culto e o descanso (Catecismo, n. 2180 e 2185).
Jesus mandou guardar o domingo?
Os Evangelhos não trazem uma ordem de Jesus sobre o dia. Trazem a Ressurreição no primeiro dia da semana e as aparições aos discípulos reunidos nesse dia (Jo 20,19.26). A Igreja recebe o domingo "por tradição apostólica" (Catecismo, n. 2177). A história está na aula Quem trocou o sábado pelo domingo?.
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2168 a 2195 (n. 2171 a 2177, 2180 e 2185)
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 818 (os irmãos separados)
- Igreja Adventista do Sétimo DiaCrença fundamental 20, O sábado
- Igreja Adventista do Sétimo DiaCrença fundamental 19, A lei de Deus
- Igreja Adventista do Sétimo DiaNossa história: a organização oficial em 1863
- Seventh Day Baptist General ConferenceAbout Us: as origens nos anos 1650 e a igreja de Newport (1671)
- Ministry (revista adventista)Ángel Manuel Rodríguez, resenha de Judging the Sabbath, de Ron du Preez (novembro de 2009)
- Ellen G. White EstateEllen G. White, A Sketch of the Christian Experience and Views (1851), a visão de 1847
- Bible HubÊxodo 31,13 no hebraico, palavra por palavra
- Bible HubGênesis 17,13 no hebraico (aliança perpétua)
- Bible HubÊxodo 31,16 no hebraico (aliança perpétua)
- Bible HubColossenses 2,16 no grego
- Bible HubHebreus 4,9 no grego
- Bible HubSabbatismós (Strong 4520): uma só ocorrência no Novo Testamento
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 1720 (a entrada no repouso de Deus)
- Catholic EncyclopediaSunday: o domingo contado do pôr do sol de sábado ao de domingo
- Igreja Adventista do Sétimo DiaCrença fundamental 18, O dom de profecia
- New AdventJustino, Diálogo com Trifão, 10 a 12 (tradução inglesa)
- New AdventJustino, Diálogo com Trifão, 47 (tradução inglesa)
- New AdventIreneu de Lyon, Contra as heresias, IV,16 (tradução inglesa)
- New AdventAgostinho, Carta 55, a Januário (ano 400), 22 e 23 (tradução inglesa)
- New AdventTomás de Aquino, Suma Teológica I-II, q. 100, a. 3, ad 2 (tradução inglesa)

