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Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: numa sala escondida, iluminada por lamparinas, um bispo de barba curta e manto simples dita uma carta a dois clérigos adultos, que escrevem em tabuinhas de cera e num rolo de papiro.

A Igreja decide quem é santo?

A Igreja não fabrica santos. Ela investiga uma vida, pede um sinal de Deus e só então declara que aquela pessoa está com Ele e pode ser imitada por todos.

13 min de leitura

Imagem gerada por IA: Cipriano, escondido durante a perseguição, dita a carta em que pede ao clero de Cartago que anote os dias da morte dos mártires, em estilo de pintura barroca

A resposta curta

Não no sentido de fazer alguém santo. Quem santifica é Deus. Depois de uma investigação longa, a Igreja reconhece publicamente que uma pessoa viveu as virtudes de modo heroico (ou morreu mártir) e está com Deus, e a propõe a toda a Igreja como modelo e intercessora (Catecismo, n. 828). É isso a canonização.

A objeção

O que se costuma dizer

Só Deus sabe quem é santo e quem está salvo: "É Deus quem justifica" (Rm 8,33). Mesmo assim, a Igreja Católica se dá o direito de declarar quem está no Céu, como se pudesse fabricar santos por decreto. Ainda por cima, cria uma categoria especial de cristãos, quando o Novo Testamento chama de santos todos os fiéis (1Cor 1,2). No fim, o processo serve para criar figuras de devoção e movimentar dinheiro.

A objeção junta três críticas: arrogância, desprezo pela santidade de todos e interesse. As três merecem resposta.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa ideia?

Parte da confusão vem do jeito de falar. No dia a dia se diz que "o papa fez santo" fulano, e isso dá a impressão de que a santidade nasce no decreto. A fórmula oficial diz outra coisa. Nela, o papa declara que o beato "é santo" (em latim, sanctum esse decernimus et definimus: "decretamos e definimos que é santo") e inscreve o seu nome no catálogo dos santos. O verbo é "ser", não "tornar-se".

Outra parte vem da Reforma do século XVI. Os reformadores rejeitaram a invocação dos santos, e com ela o sentido de reconhecer alguns como intercessores. Muitos protestantes passaram a usar a palavra "santo" sobretudo no sentido de Paulo: todo cristão batizado.

E há as notícias. De tempos em tempos aparecem reportagens sobre o custo das causas de canonização, quase sempre sem explicar o que é investigado, por quem e com que regras. É isso que esta aula mostra, com os documentos oficiais.

A pergunta certa

Qual é a pergunta que importa?

A pergunta honesta tem duas partes. Primeiro: a canonização cria santidade, ou reconhece uma santidade que Deus já fez? Depois: se é reconhecimento, com que direito e com que cuidado a Igreja o faz?

Por que se venera um santo e qual a diferença entre essa honra e a adoração devida só a Deus são temas das aulas Se só Deus é adorado, por que venerar santos? e O que são latria, dulia e hiperdulia?.

O que diz a Bíblia

O que a Bíblia diz sobre santidade e modelos?

A objeção tem razão num ponto: o Novo Testamento chama de santos todos os cristãos.

À Igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos. (1Cor 1,2)

A Igreja Católica ensina o mesmo. O Concílio Vaticano II diz que os batizados são "realmente santos" e que todos, de qualquer estado de vida, são chamados à perfeição da caridade (Lumen Gentium 40). A canonização não cria uma casta acima dos outros. Ela aponta alguns exemplos para que todos vejam que dá para chegar lá.

E o próprio Novo Testamento pede que os cristãos olhem para certas vidas e as imitem:

Lembrai-vos dos vossos guias, que vos anunciaram a palavra de Deus. Considerai como terminaram a vida e imitai a sua fé. (Hb 13,7)

Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo. (1Cor 11,1)

O capítulo 11 da Carta aos Hebreus é uma galeria de modelos: Abel, Noé, Abraão, Moisés, Raabe e muitos outros, homens e mulheres que "receberam bom testemunho por causa da fé" (Hb 11,39). Logo depois, o autor diz que estamos rodeados por essa "nuvem de testemunhas" (Hb 12,1). Olhar o fim da vida de alguém e propô-lo como exemplo é, na raiz, o que a canonização faz.

Jesus também disse que a luz não se acende para ser escondida:

Ninguém acende uma lâmpada para pô-la debaixo de uma vasilha, mas no candeeiro, e ela ilumina todos os que estão na casa. Assim brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus. (Mt 5,15-16)

Repare no fim: as boas obras levam a glorificar o Pai. Um santo canonizado não toma o lugar de Deus; mostra o que a graça de Deus faz numa pessoa.

E quem decide? A Bíblia manda discernir: "pelos seus frutos os reconhecereis" (Mt 7,20) e "examinai tudo e ficai com o que é bom" (1Ts 5,21). É exatamente o que um processo de canonização faz: examina frutos, ouve testemunhas e só depois julga.

Quanto a Romanos 8,33: sim, é Deus quem justifica. A canonização não justifica ninguém. Ela declara, depois de investigar, o que Deus já fez numa vida. E não diz que só os canonizados estão no Céu. João viu ali "uma grande multidão, que ninguém podia contar" (Ap 7,9). Os nomes no calendário são uma pequena parte dela.

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: 1 Coríntios 1, Hebreus 13, 1 Coríntios 11, Hebreus 11, Mateus 5, Mateus 7, 1 Tessalonicenses 5, Romanos 8 e Apocalipse 7.

O que diziam os primeiros cristãos

Como os primeiros cristãos reconheciam os santos?

No começo não havia processo escrito, mas já havia reconhecimento, e com cuidado.

Esmirna, por volta de 155 a 160. Depois do martírio do bispo Policarpo, a comunidade guarda os seus ossos e combina se reunir ali para "celebrar o dia natalício do seu martírio", isto é, o dia em que ele nasceu para o Céu (Martírio de Policarpo 18,3; a história está na aula Relíquias têm fundamento na Bíblia?).

Cartago, por volta de 250. Na perseguição do imperador Décio, o bispo Cipriano, escondido, escreve ao seu clero pedindo que cuide dos cristãos presos e anote os dias em que morrem na prisão, "para que possamos celebrar a sua memória entre as memórias dos mártires" (Carta 36 na edição inglesa; 12 na numeração de Oxford). Já é um registro: datas anotadas por ordem do bispo.

África, século IV. O bispo Optato de Milevi conta, por volta de 367, um episódio do começo daquele século: uma senhora chamada Lucila foi repreendida pelo arquidiácono de Cartago porque, antes de comungar, beijava o osso de um suposto mártir que ainda não tinha sido reconhecido como tal (Contra os donatistas I,16). Na África, a palavra para esse reconhecimento era vindicatio: o mártir precisava ser "reivindicado", aprovado pelo bispo, antes de receber culto.

Primeiro foram honrados os mártires. Depois, como lembra o Concílio Vaticano II, a eles se juntaram os que imitaram mais de perto a virgindade e a pobreza de Cristo e, por fim, outros cuja vida virtuosa os recomendava à devoção dos fiéis (Lumen Gentium 50). No século IV já se celebravam assim bispos como Martinho de Tours.

A frase do Martírio de Policarpo está em tradução nossa a partir do grego. As de Cipriano e Optato foram traduzidas ou resumidas a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.

O que a Igreja ensina

O que a Igreja diz que faz quando canoniza?

Os documentos oficiais repetem a mesma ideia: a iniciativa é de Deus, a Igreja reconhece, e o reconhecimento passa por uma investigação séria.

[…] a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está nela, e ampara a esperança dos fiéis, propondo-lhes os santos como modelos e intercessores […]

Catecismo da Igreja Católica, n. 828

Entre estes, em todos os tempos, Deus escolhe muitos para que, seguindo mais de perto o exemplo de Cristo, dêem testemunho glorioso do Reino dos céus […]

João Paulo II, constituição apostólica Divinus Perfectionis Magister (1983), introdução

[…] os milagres constituem a confirmação divina do juízo expresso pela autoridade eclesiástica sobre a sua vida virtuosa.

Bento XVI, Carta aos participantes na Sessão Plenária da Congregação para as Causas dos Santos (2006), 24 de abril de 2006

[…] as canonizações dos santos (factos dogmáticos) […]

Congregação para a Doutrina da Fé, Nota doutrinal ilustrativa da fórmula conclusiva da Professio fidei (1998), n. 11

O primeiro trecho é o coração da resposta: a Igreja reconhece o que o Espírito Santo fez. O segundo diz quem escolhe: Deus. O terceiro mostra por que se pede um milagre: não como prêmio, mas como confirmação vinda de Deus de que a Igreja julgou bem.

O quarto trecho precisa de explicação. A canonização não é um dogma no sentido estrito, como a Trindade. Mas a Congregação para a Doutrina da Fé a cita como exemplo das verdades ligadas à Revelação por uma necessidade histórica, que devem ser aceitas de modo definitivo, embora não sejam declaradas divinamente reveladas. E, desde Santo Tomás de Aquino, a grande maioria dos teólogos ensina que a Igreja não erra ao canonizar. Tomás, em Paris, nos anos 1250, escreveu que, como a honra aos santos é uma espécie de profissão de fé na glória deles, "deve-se crer piedosamente que nem nisso o juízo da Igreja pode errar" (Quodlibet IX, q. 8). A beatificação, que é um passo anterior, não costuma ser considerada infalível. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

O que a história mostra

Como funciona o processo hoje?

As regras atuais estão na constituição Divinus Perfectionis Magister, de João Paulo II (25 de janeiro de 1983), nas Normas da então Congregação para as Causas dos Santos (7 de fevereiro de 1983) e na instrução Sanctorum Mater (2007). Desde 2022, com a constituição Praedicate Evangelium, de Francisco, a Congregação se chama Dicastério das Causas dos Santos. O caminho tem estes passos:

1. A fama de santidade

Tudo começa no povo. Uma causa só pode ser aberta se a pessoa tem uma "fama de santidade" verdadeira e espalhada entre os fiéis, ou fama de martírio, e também fama de sinais, isto é, graças atribuídas à sua intercessão (Sanctorum Mater, art. 4 a 7). Bento XVI chamou essa fama de "um sinal de Deus" que indica à Igreja quem merece ser posto no candeeiro (2006).

2. A abertura, na diocese

O pedido é feito ao bispo do lugar onde a pessoa morreu, por meio de um postulador, e não pode ser apresentado antes de cinco anos da morte (Normas, n. 5 e 9). O bispo consulta os bispos da região, torna o pedido público e pergunta a Roma se há algum impedimento. Aberta a causa, a pessoa passa a ser chamada de Servo de Deus.

3. A investigação

Um tribunal da diocese ouve testemunhas, inclusive quem pode falar contra a causa (Normas, n. 10 e 21). Dois teólogos examinam tudo o que a pessoa publicou, peritos reúnem cartas e documentos, e o postulador é obrigado a não esconder o que for desfavorável. O bispo ainda confere que ninguém está prestando culto público antes da hora. Tudo é lacrado e enviado a Roma.

4. As virtudes heroicas, em Roma

Com a ajuda de um relator do Dicastério, prepara-se a Positio, o volume que reúne as provas. Ela é estudada por historiadores (quando preciso), por teólogos, com o Promotor da Fé, e depois por cardeais e bispos (Divinus Perfectionis Magister, n. 13). Se o papa aprova, publica-se o decreto de virtudes heroicas, de martírio ou, desde 2017, de oferta da vida. A pessoa passa a ser chamada de Venerável.

5. O milagre e a beatificação

Para ser Beato, quem não é mártir precisa de um milagre atribuído à sua intercessão. Em geral é uma cura completa, duradoura e sem explicação científica, examinada por uma comissão de médicos especialistas, crentes e não crentes, e depois por teólogos, cardeais e pelo papa. O mártir é beatificado sem milagre. Bento XVI lembrou que se exige um milagre físico, e não basta um "milagre moral". O beato recebe culto local: na sua diocese ou na sua família religiosa.

6. A canonização

Depois da beatificação, é preciso outro milagre. Então o papa declara, de forma definitiva e solene, que a pessoa é Santo e pode ser venerada por toda a Igreja. A canonização é sempre presidida pelo papa; a beatificação, em regra, é celebrada por um representante dele, normalmente na diocese da pessoa (comunicado da Congregação, 2005).

E as exceções?

O papa pode decidir de outro modo. Há a canonização "por equipolência", quando ele confirma um culto antigo sem esperar um milagre. Francisco canonizou João XXIII sem um segundo milagre, por causa da fama de santidade espalhada pelo mundo, e Bento XVI abriu a causa de João Paulo II poucas semanas depois da morte dele, sem esperar os cinco anos. Os dois foram canonizados juntos em 27 de abril de 2014.

E o dinheiro?

Uma causa tem custos reais: pesquisa, viagens, traduções, a impressão da Positio, a celebração. Normas aprovadas por Francisco em 2016, de início em caráter experimental, exigem um fundo próprio para cada causa, com contas separadas, relatórios anuais e auditoria. Na fase romana, a Santa Sé assume as despesas, com a contribuição de quem promove a causa, e mantém um fundo de solidariedade para ajudar causas que não têm recursos. O Dicastério vigia a aplicação dessas regras (Praedicate Evangelium, art. 100).

Imagem gerada por IA, em estilo de pintura a óleo: numa sala de palácio em Roma, um cardeal e padres de batina estudam volumes e cartas lacradas sobre uma mesa comprida, enquanto um notário escreve e um médico explica um documento.
Imagem gerada por IA: Estudo de uma causa de canonização em Roma, no século XVIII, em estilo de pintura barroca. Hoje o trabalho é feito pelo Dicastério das Causas dos Santos

Linha do tempo

Do martírio de Policarpo ao Dicastério, em datas

O processo foi ganhando regras cada vez mais precisas. Cada reforma quis evitar abusos e examinar melhor as provas; a de 1983 também quis torná-lo mais ágil, sem perder a solidez.

  1. c. 155 a 160O aniversário de PolicarpoA Igreja de Esmirna guarda os ossos do bispo mártir e combina celebrar o aniversário do martírio.
  2. c. 250Datas anotadasCipriano pede ao clero de Cartago que registre os dias da morte dos que morrem na prisão pela fé.
  3. século IVMártires reconhecidosNa África, um mártir só recebe culto depois de aprovado pelo bispo (vindicatio).
  4. 993Ulrico de AugsburgoO papa João XV canoniza o bispo Ulrico. É a primeira canonização papal documentada com segurança.
  5. c. 1170Alexandre IIINuma carta sobre um caso concreto, o papa proíbe venerar um homem como santo sem a autoridade da Igreja de Roma; a carta entra depois nas Decretais de Gregório IX (1234).
  6. 1588Congregação dos RitosSisto V cria a congregação que vai estudar as causas dos santos.
  7. 1625 e 1634Decretos de Urbano VIIIProíbem culto público antes da aprovação da Santa Sé e separam beatificação e canonização.
  8. 1969Congregação para as Causas dos SantosPaulo VI divide a Congregação dos Ritos e cria uma congregação só para as causas.
  9. 1983Divinus Perfectionis MagisterJoão Paulo II reforma o processo, que passa a ser instruído pelos bispos e estudado em Roma.
  10. 2007Sanctorum MaterInstrução que detalha a investigação nas dioceses.
  11. 2017A oferta da vidaCom a carta Maiorem hac dilectionem, Francisco abre um novo caminho para quem ofereceu a vida pelos outros.
  12. 2022Dicastério das Causas dos SantosCom a Praedicate Evangelium, a congregação passa a se chamar dicastério.

Lado a lado

A objeção e os documentos, lado a lado

O que se dizO que acontece de fatoOnde conferir
A Igreja fabrica santos.Ela declara que a pessoa é santa e está com Deus; quem santifica é Deus.Catecismo, n. 828; Divinus Perfectionis Magister
Só Deus justifica.A canonização não justifica ninguém; reconhece o que Deus fez numa vida.Rm 8,33; Mt 7,20
Todos os cristãos são santos.Sim, e a Igreja ensina isso. Os canonizados são exemplos, não uma casta.1Cor 1,2; Lumen Gentium 40
É decisão de um homem só.Passa por bispo, testemunhas a favor e contra, historiadores, teólogos, médicos, cardeais e, por fim, o papa.Normas de 1983; Sanctorum Mater
Qualquer coisa vira milagre.Exige-se um milagre físico, examinado por médicos crentes e não crentes.Bento XVI (2006); Dicastério das Causas dos Santos
É um negócio.Há custos reais; as contas são separadas, auditadas e há um fundo para causas sem recursos.Normas de 2016; Praedicate Evangelium, art. 100

Os frutos

Para que serve um santo canonizado?

Para mostrar que o Evangelho funciona na vida real. Os santos canonizados vêm de todos os estados de vida: mães e pais de família, padres, religiosas, jovens, operários, médicos, reis e mendigos. Cada um é uma prova de que a santidade a que todos são chamados não é teoria.

A canonização também protege os fiéis. Desde os bispos da África do século IV, a Igreja quer evitar que se venere como santo quem não foi, ou quem foi apresentado assim por engano ou interesse. Investigar antes de declarar é uma forma de respeito pelo povo de Deus.

Com um amigo evangélico, há um ponto de partida comum. Quem lê a biografia de um grande missionário para se animar na fé já entende a intuição da Carta aos Hebreus: olhar o fim da vida de alguém e imitar a sua fé (Hb 13,7). A Igreja Católica faz isso de forma pública, com provas, e acrescenta uma certeza: essa pessoa está viva junto de Deus e reza por nós.

Para guardar

A Igreja não faz santos: Deus faz. A Igreja investiga uma vida, pede um sinal de Deus e só então declara que aquela pessoa está com Ele e pode ser imitada por todos.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Segundo o Catecismo (n. 828), o que a Igreja faz ao canonizar alguém?

  2. 2. Pela regra comum, quanto tempo depois da morte pode ser pedida a abertura de uma causa?

  3. 3. Para beatificar um mártir, é preciso um milagre?

  4. 4. Qual é a primeira canonização papal documentada com segurança?

  5. 5. Qual é a diferença entre beatificação e canonização?

Perguntas frequentes

A canonização é infalível?

Não é um dogma definido como a Trindade. Mas a Congregação para a Doutrina da Fé (1998) a cita como exemplo das verdades que devem ser aceitas de modo definitivo, e desde Santo Tomás de Aquino a grande maioria dos teólogos ensina que a Igreja não erra ao canonizar. A beatificação não costuma ser considerada infalível.

Quem não foi canonizado pode estar no Céu?

Sim. A Igreja nunca disse que só os canonizados estão no Céu. O Apocalipse fala de uma multidão que ninguém podia contar (Ap 7,9), e a solenidade de Todos os Santos, em 1º de novembro, celebra também os santos desconhecidos.

O que é o "advogado do diabo"?

É o apelido popular do Promotor da Fé, o oficial do Dicastério que examina com rigor as provas de uma causa e preside a reunião dos teólogos. A função continua existindo nas normas de 1983 (Divinus Perfectionis Magister, n. 10); na diocese, papel parecido cabe ao promotor de justiça.

O que quer dizer Servo de Deus, Venerável, Beato e Santo?

Servo de Deus é quem tem a causa aberta. Venerável é quem teve as virtudes heroicas, o martírio ou a oferta da vida reconhecidos por decreto. Beato é quem foi beatificado e recebe culto local. Santo é quem foi canonizado e pode ser venerado por toda a Igreja.

Os santos canonizados nunca pecaram?

Pecaram, sim. Só Jesus e, por graça, Maria viveram sem pecado. O que a Igreja reconhece é que viveram as virtudes de modo heroico e na fidelidade à graça de Deus (Catecismo, n. 828). As normas mandam incluir na investigação até o que parece desfavorável à causa.

Quanto custa uma canonização?

Não há um preço fixo, e números que circulam sem fonte não devem ser repetidos. Uma causa tem custos de pesquisa, traduções e publicação. Pelas normas aprovadas por Francisco em 2016, cada causa tem um fundo próprio, com contas separadas e auditadas, e um fundo de solidariedade ajuda as causas sem recursos.

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 828
  2. VaticanoConcílio Vaticano II, Lumen Gentium, n. 40 e 50
  3. VaticanoJoão Paulo II, constituição apostólica Divinus Perfectionis Magister (25 de janeiro de 1983)
  4. VaticanoCongregação para as Causas dos Santos, Normas para a instrução diocesana das causas dos santos (7 de fevereiro de 1983)
  5. VaticanoInstrução Sanctorum Mater (2007)
  6. VaticanoComunicado da Congregação para as Causas dos Santos sobre os ritos de beatificação e canonização (29 de setembro de 2005)
  7. VaticanoBento XVI, carta à Sessão Plenária da Congregação para as Causas dos Santos (24 de abril de 2006)
  8. VaticanoFrancisco, carta apostólica Maiorem hac dilectionem, sobre a oferta da vida (11 de julho de 2017)
  9. VaticanoFrancisco, constituição apostólica Praedicate Evangelium (2022), art. 98 a 102
  10. VaticanoNormas sobre a administração dos bens das causas de beatificação e canonização (7 de março de 2016, em inglês)
  11. VaticanoCongregação para a Doutrina da Fé, Nota doutrinal sobre a fórmula conclusiva da Professio fidei (1998), n. 11
  12. VaticanoCódigo de Direito Canônico, cân. 1187
  13. VaticanoFrancisco, homilia na canonização de João XXIII e João Paulo II (27 de abril de 2014)
  14. Dicastério das Causas dos SantosI passi del cammino verso la santità: approfondimenti
  15. Corpus ThomisticumTomás de Aquino, Quodlibet IX, q. 8 (texto latino)
  16. BKV (Universidade de Friburgo)Martírio de Policarpo, 18 (texto grego, edição Loeb)
  17. New AdventCipriano de Cartago, Carta 36 da edição inglesa (12 na numeração de Oxford)
  18. Tertullian ProjectOptato de Milevi, Contra os donatistas, livro I, 16 (tradução inglesa)
  19. Catholic EncyclopediaBeatification and Canonization: história, fórmula e infalibilidade
  20. Catholic EncyclopediaSt. Ulrich: canonizado por João XV em 993
  21. WikisourceEncyclopaedia Britannica (1911), Canonization: Ulrico, Alexandre III e Urbano VIII
  22. Catholic EncyclopediaCorpus Juris Canonici: as Decretais de Gregório IX, em vigor desde 5 de setembro de 1234
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