
A notícia
Agência Câmara14/10/2026
Câmara aprova novo limite de enquadramento para microempreendedor individual e inclui perdão de dívidas
Em 14/10/2026, a Câmara dos Deputados aprovou, por 461 votos a 4, o projeto do governo Lula que sobe o teto de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, permite contratar até dois empregados e perdoa as dívidas de MEIs inscritas na Dívida Ativa da União até 13/10/2026. O texto ainda vai ao Senado. Na véspera, Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno, criticou o pacote anunciado pelo governo para os MEIs, em especial o PixMEI (que não está neste projeto), como tentativa de enganar o eleitor perto da eleição.
Ler na íntegra em Agência CâmaraHoje o MEI às vezes dispensa um contrato para não extrapolar a faixa
A avaliação
- Fiel·Doutrina SocialA Câmara dos Deputados aprovou, em 14/10/2026, subir o teto de faturamento do MEI para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028 e permitir até dois empregados com salário mínimo ou o piso da categoria.
- Prudencial·Doutrina SocialO mesmo projeto, aprovado pela Câmara em 14/10/2026, perdoa as dívidas de MEIs inscritas na Dívida Ativa da União até 13/10/2026, desde que o microempreendedor pague em dia os seis meses seguintes e desista de ações na Justiça.
- Contra·CondutaO governo Lula anunciou o pacote para os MEIs em 13/10/2026, a 12 dias do segundo turno, e no mesmo dia o adversário Flávio Bolsonaro disse que Lula quer enganar o eleitor com o PixMEI e prometeu cortar impostos e burocracia.
A nota do Olhar vai de 0 a 100: fiel vale 100 e contra vale 0, pesando mais o que é inegociável. Prudencial fica fora da conta. Como a nota é feita
O que a Igreja ensina
O trabalho nas pequenas e médias empresas, o trabalho artesanal e o trabalho independente podem constituir uma ocasião para tornar mais humana a experiência do trabalho, tanto pela possibilidade de estabelecer positivas relações interpessoais em comunidades de pequenas dimensões, quanto pelas oportunidades oferecidas por uma maior iniciativa e empreendimento
As finanças públicas se orientam para o bem comum quando se atêm a alguns princípios fundamentais: o pagamento dos impostos como especificação do dever de solidariedade; racionalidade e eqüidade na imposição dos tributos; rigor e integridade na administração e na destinação dos recursos públicos.
A submissão à autoridade e a corresponsabilidade pelo bem comum exigem moralmente o pagamento dos impostos, o exercício do direito de voto, a defesa do país
Reflexão
O teto que encolhe sem ninguém mexer
Um limite de faturamento que fica parado por anos encolhe sozinho. O preço do pão sobe, a conta de luz sobe, e quem vende o mesmo tanto de bolo passa a faturar mais em reais sem ter crescido nada. O relator resumiu o efeito numa frase: o MEI às vezes deixa de fechar um contrato para não estourar a faixa. É uma regra que acaba punindo o pequeno por crescer.
A Igreja olha para esse pequeno com carinho particular. O Compêndio da Doutrina Social diz que o trabalho nas pequenas empresas e o trabalho independente "podem constituir uma ocasião para tornar mais humana a experiência do trabalho" (n. 315). E chama a liberdade da pessoa no campo econômico de "um valor fundamental e um direito inalienável a ser promovido e tutelado" (n. 336). A costureira, o eletricista e a dona da lanchonete não são números da Receita: são famílias que arriscam o próprio sustento. Subir o teto e deixar contratar mais um empregado com carteira, ganhando ao menos o salário mínimo ou o piso, vai na direção desse ensino. Por isso a marca de acordo nesse ponto.
Perdoar também é ensinar a pagar
O perdão das dívidas pede mais cuidado. A Igreja não manda perdoar nem proíbe perdoar dívida de imposto: é decisão prudencial, que depende de quanto custa, de quem recebe e do que ensina. De um lado está a misericórdia com quem quebrou na pandemia, na crise ou na doença, e não tem como sair do buraco. Do outro está o vizinho que apertou o orçamento e pagou tudo em dia. O Catecismo lembra que a corresponsabilidade pelo bem comum exige "moralmente o pagamento dos impostos" (n. 2240), e o Compêndio pede "racionalidade e eqüidade na imposição dos tributos" (n. 355).
O texto aprovado tenta juntar as duas coisas: só fica com o perdão quem voltar a pagar em dia nos seis meses seguintes. É um perdão que pede conversão, não um prêmio pelo atraso. Se vai funcionar assim, ou se vai ensinar que sempre vale a pena esperar o próximo perdão, só o tempo mostra. Católicos fiéis podem pensar diferente aqui, e está tudo bem.
A mesma régua para os dois lados
O pacote foi anunciado a 12 dias do segundo turno (o projeto do teto estava no Congresso desde junho; o do perdão chegou nesta semana), e a votação veio a 11. Flávio Bolsonaro disse que Lula quer enganar o eleitor e, no mesmo discurso, prometeu cortar impostos e burocracia desde o primeiro dia. As duas coisas merecem a mesma pergunta: quem paga a conta e quem sai mais justo no fim? Medida boa não fica ruim por sair em outubro, e promessa de corte não fica boa por ser corte. O que vale para o perdão de Lula vale para o alívio prometido por Flávio. O presidente da Câmara ligou esta votação ao fim da escala 6x1 aprovado no Senado, e a pergunta é a mesma lá.
No fim, a Câmara votou 461 a 4, um raro momento em que quase ninguém viu motivo para ser contra. Talvez porque, por baixo da briga, todo mundo conhece um MEI: uma tia que vende marmita, um primo que conserta celular. A política pode usar essa gente como cabo eleitoral ou pode servir a ela. A diferença não aparece no anúncio, aparece no que fica de pé depois da eleição.
Assinado por Filipe Lourenço.
Perguntas e respostas
O que a Câmara aprovou para o MEI em 14/10/2026?
Por 461 votos a 4, a Câmara aprovou o projeto do governo que sobe o teto de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, permite até dois empregados com salário mínimo ou piso da categoria e perdoa as dívidas de MEIs na Dívida Ativa da União até 13/10/2026. O texto ainda precisa passar pelo Senado.
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A Igreja apoia o pequeno empreendedor?
Sim. O Compêndio da Doutrina Social chama a liberdade da pessoa no campo econômico de direito inalienável (n. 336) e diz que o trabalho nas pequenas empresas e o trabalho independente podem tornar mais humana a experiência do trabalho (n. 315).
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Perdoar dívida de imposto é justo segundo a Igreja?
A doutrina não decide: é questão prudencial. Pagar impostos é dever moral (Catecismo 2240) e os tributos pedem equidade (Compêndio 355). O perdão pode ser misericórdia com quem quebrou, mas precisa ser justo com quem pagou e não pode ensinar que atrasar compensa.
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O novo teto do MEI já está valendo?
Não. Em 15/10/2026 o projeto ainda dependia do Senado e da sanção. Pelo texto aprovado, o novo teto começaria em 2027.
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Fontes
- Agência CâmaraCâmara aprova novo limite de enquadramento para microempreendedor individual e inclui perdão de dívidas
- Agência CâmaraHugo Motta destaca aprovação quase unânime de novo limite para enquadramento de MEI
- PB AgoraHugo Motta comemora aprovação quase unânime de novo limite para o MEI: "Esta conquista dialoga com o fim da escala 6x1"
- Agência Brasil (Tribuna de Minas)Câmara aprova aumento do limite de faturamento do MEI para R$ 140 mil e perdão de dívidas
- Congresso em FocoProspera MEI: Lula propõe perdão de dívidas e repasses de até R$ 5 mil
- ExameFlávio Bolsonaro critica Pix para MEI anunciado por Lula: 'Ele acha que o povo é otário'
- Brasil em FolhasCâmara aprova pacote de Lula com benefícios para MEIs a 11 dias do 2º turno
- VaticanoCompêndio da Doutrina Social da Igreja
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, terceira parte, segunda seção
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