
A notícia
NC News13/10/2026
Fim da escala 6x1 volta ao Senado nesta terça; votação está prevista para quarta (14)
O Senado retoma em 13 de outubro de 2026 a discussão da PEC 221/2019, aprovada pela Câmara em maio por 461 votos a 19, que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais sem corte de salário e garante dois dias de descanso por semana, um deles preferencialmente no domingo; a votação em primeiro turno está marcada para 14 de outubro. O governo Lula tenta concluir a votação antes do segundo turno da eleição, e a oposição, com Flávio Bolsonaro, critica a pressa e defende outra proposta, a PEC 12/2026, de jornada flexível por hora.
Ler na íntegra em NC NewsA avaliação
- Fiel·Doutrina SocialA PEC 221/2019 (fim da escala 6x1), aprovada pela Câmara em 27 de maio de 2026 por 461 votos a 19 no segundo turno e com votação em primeiro turno marcada no Senado para 14 de outubro, põe na Constituição dois dias de descanso por semana, um deles preferencialmente no domingo, sem redução de salário.
- Prudencial·Doutrina SocialA PEC 221/2019 fixa a jornada máxima em 40 horas semanais, com transição de 14 meses (42 horas dois meses depois da promulgação e 40 horas doze meses depois disso). A doutrina da Igreja pede descanso suficiente e salário justo sem pôr em risco o emprego, mas não diz se o limite certo é 40 ou 44 horas, nem em quanto tempo mudar: é questão de prudência, em que católicos fiéis podem divergir.
- Prudencial·Doutrina SocialA PEC 12/2026, do líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), assinada por 40 senadores, entre eles todos os do PL, partido de Flávio Bolsonaro, mantém a escala 6x1 e as 44 horas e cria um regime flexível por hora, com salário proporcional e acordo individual podendo valer mais que a convenção coletiva. Flávio a defende como a "liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária". Escolher a jornada é legítimo; o alerta da Igreja é que o contrato, sozinho, não basta para dizer o que é justo.
O que a Igreja ensina
O repouso festivo é um direito. Deus « repousou de toda a obra que fizera » ( Gên 2, 2): também os homens, criados à Sua imagem, devem gozar de suficiente repouso e tempo livre que lhes permita cuidar da vida familiar, cultural, social e religiosa.
Não obstante as pressões de ordem económica, os poderes públicos preocupar-se-ão em assegurar aos cidadãos um tempo destinado ao repouso e ao culto divino. Os patrões têm obrigação análoga para com os seus empregados.
Um outro sector respeitante às subvenções é o daquilo que anda ligado ao direito ao repouso; trata-se aqui, antes de mais nada, do repouso semanal regular, compreendendo pelo menos o domingo, e além disso de um repouso mais longo, as chamadas férias
O simples acordo entre empregado e empregador acerca do montante da remuneração não basta para qualificar como « justa » a remuneração concordada, porque ela « não deve ser inferior ao sustento » do trabalhador: a justiça natural é anterior e superior à liberdade do contrato.
A consideração das implicações morais que a questão do trabalho comporta na vida social induz a Igreja a qualificar o desemprego como uma « verdadeira calamidade social »
Reflexão
O descanso não é sobra do trabalho
A escala 6x1 é a rotina de quem trabalha seis dias e folga um. Na Câmara, a deputada Dandara (PT-MG), que foi caixa de loja nessa escala, lembrou o ônibus lotado às cinco da manhã e o pé inchado depois de horas em pé. Quando a única folga cai num dia de semana, os filhos estão na escola e o resto da casa está no trabalho. Quando o domingo vira dia de expediente, a missa, se der, fica para depois.
A Igreja não olha para isso como um detalhe de contrato. O Catecismo lembra que a vida humana é "ritmada pelo trabalho e pelo repouso" e que o Dia do Senhor existe para que todos tenham tempo de "cultivar a vida familiar, cultural, social e religiosa" (2184). O Compêndio da Doutrina Social diz sem rodeios: "O repouso festivo é um direito" (284). E João Paulo II, ao listar os direitos de quem trabalha, pôs entre eles "o repouso semanal regular, compreendendo pelo menos o domingo" (Laborem Exercens 19).
Por isso a parte central da PEC 221 recebe aqui a marca de fiel: dois dias de descanso por semana, um deles de preferência no domingo, sem tirar do salário. É o que o Catecismo pede ao poder público: assegurar tempo de repouso e de culto "não obstante as pressões de ordem económica" (2187).
A conta das horas é outra conversa
O ensino da Igreja dá o fim, não a planilha. Ele não diz se o limite certo é 40 ou 44 horas, nem se a mudança deve levar catorze meses ou cinco anos. E pede, ao mesmo tempo, que não se esqueça o outro lado: o desemprego é uma "verdadeira calamidade social" (Compêndio 287). O dono de uma padaria que não consegue fechar a escala sem contratar alguém tem uma preocupação legítima, e o texto aprovado pela Câmara reconhece isso em parte, ao mandar para uma lei própria as regras das micro e pequenas empresas. Quem defende uma transição mais lenta não está, só por isso, contra o trabalhador. Essa parte é prudencial, e católicos fiéis podem pesar de modo diferente.
A proposta da oposição também merece ser lida pelo que diz. A PEC 12/2026, de Rogério Marinho, mantém a escala 6x1 e cria um regime por hora em que o acordo individual pode valer mais que a convenção coletiva. Flávio Bolsonaro a apresenta como "liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária". Liberdade de escolher a jornada é um bem. Mas a Igreja tem um alerta antigo: entre patrão e empregado, a força nem sempre é igual, e por isso "a justiça natural é anterior e superior à liberdade do contrato" (Compêndio 302). Um modelo flexível só é justo se o descanso e o salário digno continuarem garantidos para quem não tem como negociar.
Um direito não é bandeira de campanha
A votação cai no meio do segundo turno, e os dois lados sabem disso. O governo quer concluir tudo antes de 25 de outubro e cobra que Flávio diga como vai votar; Flávio chama a pressa de "oportunista" e lembra que Lula não fez a mudança em quatro anos de governo. O eleitor católico pode deixar o barulho de lado e fazer uma pergunta só, às duas propostas: no fim do mês, esse trabalhador terá salário para sustentar a casa, emprego para continuar e tempo de verdade para estar com a família e com Deus?
O sétimo dia não foi inventado por sindicato nem por partido. Está nas primeiras linhas da Bíblia, quando o próprio Deus descansa. Venha de que lado vier, uma lei sobre jornada será medida por isso: se garante a quem trabalha um descanso que já era dele, e não um favor.
Veja outros Olhares sobre a vida em sociedade.
Assinado por Filipe Lourenço.
Perguntas e respostas
A Igreja Católica é a favor do fim da escala 6x1?
A Igreja defende o direito ao descanso semanal suficiente, de preferência no domingo, e o salário justo: "O repouso festivo é um direito" (Compêndio da Doutrina Social 284). Garantir dois dias de folga sem cortar salário está de acordo com esse ensino. Já o número exato de horas (40 ou 44) e o ritmo da mudança são questões de prudência, em que católicos fiéis podem divergir, pesando também o risco de desemprego.
Enviar esta pergunta
Trabalhar no domingo é pecado?
Não necessariamente. O Catecismo diz que necessidades familiares ou uma grande utilidade social justificam o trabalho no domingo (2185), e quem trabalha nesse dia fica com a responsabilidade de um tempo suficiente de descanso (2187). O que a Igreja pede é que o domingo não seja tirado sem necessidade e que o poder público e os patrões assegurem tempo para o repouso e o culto.
Enviar esta pergunta
O que muda com a PEC 221/2019 se for aprovada no Senado?
Segundo a Agência Brasil, a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais dois meses depois da promulgação, com escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso, e chega a 40 horas doze meses depois disso, sem redução de salário. Pelo rito do Senado, a PEC precisa de pelo menos 49 votos em cada um dos dois turnos; se o texto for o mesmo aprovado pela Câmara, a emenda é promulgada pelo próprio Congresso.
Enviar esta pergunta
O que propõe a PEC 12/2026, alternativa da oposição à escala 6x1?
Apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), ela mantém a jornada de 44 horas e a escala 6x1 e permite que o trabalhador escolha um regime flexível por hora, com salário proporcional às horas trabalhadas, respeitado proporcionalmente o salário mínimo ou o piso, e com o acordo individual podendo valer mais que a convenção coletiva. Flávio Bolsonaro defende esse caminho.
Enviar esta pergunta
Fontes
- NC NewsFim da escala 6x1 volta ao Senado nesta terça; votação está prevista para quarta (14)
- Agência SenadoFim da escala 6x1: Davi marca votação em 1º turno para quarta
- Agência BrasilCâmara aprova, em dois turnos, PEC pelo fim da escala 6x1
- Congresso em Foco40 senadores assinam PEC alternativa ao fim da escala 6x1; veja lista
- TerraFlávio Bolsonaro é contra ou a favor o fim da escala 6x1? Veja o que ele disse
- ImiranteFim da escala 6x1: Senado vota PEC nesta quarta-feira
olh-0007


