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Família

Família ferida pode crescer: o que Leão XIV pediu às famílias

Internado, o Papa teve sua homilia sobre a família lida pelo cardeal Tagle: o amor se aprende em casa, e a oração à mesa precisa voltar.

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Imagem gerada por IA (Magnific): uma família brasileira simples (pai, mãe, avó e dois meninos) reza de mãos dadas e olhos fechados à mesa do jantar, na cozinha de casa, sob uma luminária; na parede, um crucifixo e um quadrinho de Nossa Senhora Aparecida.
Imagem gerada por IA (Magnific): Imagem gerada por IA: uma família reza junta antes do jantar, como pede a homilia de Leão XIV.

A notícia

Vatican News14/10/2026

Papa Leão: mesmo ferida, uma família pode sempre crescer a partir do amor

Na manhã de 14 de outubro de 2026, o cardeal Luis Antonio Tagle leu na Praça São Pedro a homilia que o Papa Leão XIV preparou para encerrar o encontro dos dez anos da exortação Amoris laetitia, já que o Papa está internado no Hospital Gemelli depois da cirurgia no pulmão. O texto pede educação para o amor desde a infância, uma Igreja que acolha sem julgamento as famílias em crise e a volta da oração em família, que o Papa diz ter enfraquecido muito. "Por mais ferida que uma família possa estar, ela pode sempre crescer a partir do amor", lembrou ele.

O mundo não tem futuro sem famílias sólidas, abertas ao dom dos filhos, atentas à sua educação e crescimento.

Papa Leão XIV, homilia de 14/10/2026
Ler na íntegra em Vatican News

O que a Igreja ensina

Lembremo-nos de que, «por mais ferida que uma família possa estar, ela pode sempre crescer a partir do amor».

Homilia do Papa Leão XIV na Missa dos dez anos da Amoris laetitia (14/10/2026), 14/10/2026

Aprender a amar alguém não é algo que se improvisa, nem pode ser o objectivo dum breve curso antes da celebração do matrimónio. Na realidade, cada pessoa prepara-se para o matrimónio, desde o seu nascimento.

Exortação apostólica Amoris laetitia (Papa Francisco), 208

A educação da fé por parte dos pais deve começar desde a mais tenra infância. Faz-se já quando os membros da família se ajudam mutuamente a crescer na fé pelo testemunho duma vida cristã, de acordo com o Evangelho.

Catecismo da Igreja Católica, 2226

A oração quotidiana e a leitura da Palavra de Deus fortalecem nela a caridade.

Catecismo da Igreja Católica, 2205

Reflexão

A escola que fica dentro de casa

O Papa não pôde estar na missa. Operado na véspera, ficou no hospital, e o cardeal Tagle leu na Praça São Pedro o texto que ele tinha preparado. Há algo de bonito nisso: num momento em que poderia falar de si, o Papa deixou palavras não sobre a própria doença, mas sobre a família dos outros. E o que ele disse cabe numa mesa de cozinha.

A ideia que atravessa a homilia é simples: o amor se aprende, e se aprende primeiro em casa. Leão XIV chamou a caridade doméstica, que tem seus momentos de cansaço, erros e tropeços, de "a primeira escola dos afetos". Retomou a frase do Papa Francisco que desmonta uma ilusão comum: "Aprender a amar alguém não é algo que se improvisa, nem pode ser o objectivo dum breve curso antes da celebração do matrimónio" (Amoris laetitia, 208). O curso de noivos ajuda. Mas quem chega ao altar já foi formado, para o bem ou para o mal, por tudo o que viu entre os pais, os avós e os irmãos.

Rezar junto é a aula que sumiu

Por isso o ponto mais concreto da homilia é também o mais exigente. O Papa reconheceu que, em muitas partes do mundo, o hábito de rezar juntos em casa, antes das refeições, no começo e no fim do dia, "enfraqueceu consideravelmente". E fez um pedido direto: redescobrir essa prática.

Não é um detalhe piedoso. O Catecismo ensina que "a oração quotidiana e a leitura da Palavra de Deus fortalecem" a caridade na família (n. 2205) e que a educação da fé dos filhos "deve começar desde a mais tenra infância", quando os membros da família se ajudam a crescer pelo testemunho (n. 2226). A criança que vê o pai fechar os olhos antes do arroz e feijão aprende, sem discurso, que existe alguém maior que a fome e o cansaço do dia. Aprende também que naquela mesa ninguém é dono de ninguém: todos estão diante do mesmo Pai.

Nenhuma casa está fora

O risco de falar assim é a família que já se partiu pensar que o recado não é para ela. A homilia antecipa isso. Pede uma Igreja que seja "família de famílias", onde quem vive crise encontre apoio "protegido de julgamentos e preconceitos". E lembra a frase do Sínodo: "por mais ferida que uma família possa estar, ela pode sempre crescer a partir do amor".

Isso não apaga o ideal. O mesmo texto diz que o mundo não tem futuro sem famílias sólidas e abertas aos filhos. Mas o ideal não é uma porta fechada; é um caminho, e caminho se começa de onde se está. A mãe que cria os filhos sozinha, o casal que voltou a se falar depois de uma briga longa, o avô que reza o terço com o neto pelo telefone: todos podem dar o primeiro passo hoje à noite, com uma oração curta antes do jantar.

Nesta semana, a Igreja reza pelo Papa doente. Ele, do leito, devolveu o gesto com palavras sobre as nossas casas. Talvez a melhor resposta seja a menor de todas: desligar a televisão por um minuto, dar as mãos e agradecer pelo pão. É ali, mais do que no papel, que a "alegria do amor" começa a existir.

Assinado por Filipe Lourenço.

Perguntas e respostas

O que é a Amoris laetitia?

É a exortação apostólica do Papa Francisco sobre o amor na família, assinada em 19 de março de 2016 e divulgada em 8 de abril, depois de dois Sínodos dos Bispos sobre a família. O nome quer dizer "A alegria do amor". Em outubro de 2026, a Santa Sé fez um encontro para marcar os dez anos do documento, encerrado com a missa de 14 de outubro.

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Por que o Papa Leão XIV não celebrou a missa de 14 de outubro de 2026?

Porque estava internado no Hospital Gemelli, em Roma, depois de ser operado no pulmão no dia 13. O cardeal Luis Antonio Tagle presidiu a missa e leu a homilia que o Papa tinha preparado; o texto oficial está no site da Santa Sé (vatican.va).

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A Igreja acolhe famílias feridas ou em crise?

Sim. Na homilia de 14 de outubro de 2026, Leão XIV pediu uma Igreja que seja "família de famílias", onde quem vive situações difíceis encontre apoio "protegido de julgamentos e preconceitos", e lembrou que "por mais ferida que uma família possa estar, ela pode sempre crescer a partir do amor". Acolher não muda o ensino sobre o matrimônio: é o caminho para viver esse ensino.

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Por que a Igreja insiste na oração em família?

Porque é em casa que a fé e o amor se aprendem primeiro. O Catecismo ensina que a oração diária fortalece a caridade na família (n. 2205) e que os pais têm a missão de ensinar os filhos a rezar (n. 2226). O Papa Leão XIV pediu que as famílias redescubram a oração em comum, por exemplo antes das refeições.

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Fontes

  1. Vatican NewsPapa Leão: mesmo ferida, uma família pode sempre crescer a partir do amor
  2. Santa Sé (vatican.va)Homilia do Papa Leão XIV na Missa dos dez anos da Amoris laetitia, 14 de outubro de 2026
  3. Vatican NewsPapa no Gemelli: cirurgia concluída com sucesso
  4. Agência EcclesiaVaticano: «O mundo não tem futuro sem famílias sólidas», alerta o Papa em homilia lida pelo cardeal Tagle
  5. Canção NovaPapa: "Mesmo ferida, uma família pode crescer a partir do amor"
  6. Vatican NewsAmoris laetitia, as famílias cristãs, comunidades profundas de vida e amor
  7. Santa Sé (vatican.va)Exortação apostólica Amoris laetitia, n. 208
  8. Santa Sé (vatican.va)Catecismo da Igreja Católica, n. 2205 e 2226

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