A resposta curta
Não, quando é rezado como a Igreja pede. Em Mateus 6,7, Jesus condena o falatório de quem pensa que será ouvido "por causa do excesso de palavras", e não toda repetição: ele mesmo, no Getsêmani, orou três vezes, repetindo as mesmas palavras (Mt 26,44; Mc 14,39). O Rosário é a meditação da vida de Cristo ao ritmo da Ave-Maria, e a Igreja avisa que, sem essa meditação, ele corre o risco de virar a repetição mecânica que Jesus condena.
A objeção
O que se costuma dizer
Jesus foi claro: "Orando, não useis de vãs repetições, como os gentios" (Mt 6,7). E o que é o terço? Cinquenta Ave-Marias seguidas, com Pai-Nossos e Glórias no meio, contadas numa corrente de contas; o rosário inteiro tem quatro vezes isso. Se Deus ouve da primeira vez, para que repetir cinquenta? E a maior parte das palavras é dirigida a Maria, não a Deus. É exatamente o tipo de oração que Jesus mandou não fazer.
Quem fala assim quer rezar do jeito que Jesus ensinou, e essa vontade é boa. A objeção merece uma resposta que comece pelo próprio versículo.
De onde vem a pergunta
De onde vem essa objeção?
A expressão "vãs repetições" ficou conhecida pelas traduções protestantes clássicas (e aparece até na tradução portuguesa da exortação Marialis Cultus, n. 47, no site do Vaticano). A inglesa King James, de 1611, diz vain repetitions, e a tradução de João Ferreira de Almeida, comum entre os evangélicos brasileiros, diz "não useis de vãs repetições". A Bíblia Ave-Maria traduz de outro jeito: "não multipliqueis as palavras". A diferença não é detalhe: uma tradução fala em repetir, a outra em falar demais. A palavra grega permite discutir as duas coisas, como se verá abaixo.
A crítica pesa sobre o terço porque ele é, de fato, uma oração de repetição, contada nas contas. A Enciclopédia Católica, em 1912, já registrava que a objeção das "vãs repetições" era muito comum. Do lado católico, o cuidado também é antigo: em 1974, o papa Paulo VI usou o próprio versículo de Mateus 6,7 para avisar quem reza o terço sem meditar, e João Paulo II repetiu o aviso em 2002. A Igreja não acha que o risco é inventado. Acha que ele existe quando o terço é rezado do jeito errado.
A origem da Ave-Maria e a pergunta sobre rezar a Maria estão na aula Por que rezar a Maria se Jesus é o único mediador?. Aqui o assunto é a repetição.
A pergunta certa
Qual é a pergunta que importa?
A pergunta honesta é sobre o versículo: o que exatamente Jesus condena em Mateus 6,7: repetir palavras, ou achar que Deus se convence pela quantidade delas? Se for toda repetição, a Bíblia teria de condenar também alguns dos seus próprios salmos. Se for a ideia de vencer Deus pelo cansaço, a pergunta muda: o terço, rezado como a Igreja pede, é isso?
Uma comparação ajuda. A criança que repete "mãe, mãe, mãe" não acha que a mãe é surda; repete porque ama e porque confia. Quem repete uma fórmula achando que o efeito depende de dizê-la um certo número de vezes está fazendo outra coisa. Os dois repetem; só um confia.
O que diz a Bíblia
O que diz Mateus 6,7, no grego e no contexto?
Primeiro, o trecho inteiro:
Quando orardes, não fiqueis tagarelando como os pagãos, pois eles pensam que serão ouvidos por causa do excesso de palavras. Não sejais como eles, porque o vosso Pai sabe do que precisais antes que lho peçais. Vós, portanto, orai assim: Pai nosso, que estais nos céus... (Mt 6,7-9)
A palavra que Jesus usa é battalogéō, que só aparece aqui em todo o Novo Testamento. Os dicionários dão sentidos como gaguejar, repetir as mesmas coisas sem parar, falar palavras vazias, tagarelar. A origem é incerta, e o léxico de Thayer considera mais provável que ela imite o som de quem fala sem pensar, como o nosso "blá-blá-blá". É honesto reconhecer que a ideia de repetição pode estar dentro da palavra. Mas o próprio Jesus explica o que quer dizer: os pagãos acham que serão ouvidos "por causa do excesso de palavras" (polylogía, o muito falar). E dá o motivo para não imitá-los: o Pai já sabe do que precisamos. O que ele condena é a ideia de que Deus se convence pela quantidade.
A Bíblia mostra um exemplo dessa oração. No monte Carmelo, os profetas de Baal gritaram "Baal, responde-nos!" da manhã até o meio-dia, fizeram cortes no corpo "segundo o seu costume" e continuaram até a hora da oferta da tarde, "mas não houve voz, nem resposta, nem atenção" (1Rs 18,26-29). Era um esforço para obrigar um deus a ouvir.
No mesmo Sermão da Montanha, logo em seguida, Jesus ensina uma oração com palavras fixas: "orai assim" (Mt 6,9). Em Lucas, é ainda mais direto: "Quando orardes, dizei: Pai..." (Lc 11,2). E a Bíblia usa a repetição no louvor:
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom: porque eterno é o seu amor. (Sl 136,1)
Os 26 versículos desse salmo terminam com a mesma frase, ki leolam hasdô, "porque eterno é o seu amor". No céu, segundo o Apocalipse, a repetição não para:
Os quatro seres vivos [...] não têm descanso, dia e noite, dizendo: Santo, santo, santo, Senhor Deus, o Todo-poderoso, aquele que era, que é e que vem. (Ap 4,8)
E o próprio Jesus, na noite em que foi preso, repetiu a mesma oração:
Deixando-os, afastou-se de novo e orou pela terceira vez, dizendo outra vez as mesmas palavras. (Mt 26,44)
Marcos conta o mesmo: Jesus "orou dizendo as mesmas palavras" (Mc 14,39). Por fim, Jesus contou uma parábola justamente sobre "a necessidade de orar sempre, sem desanimar": a da viúva que voltava sempre ao juiz até ser atendida. E concluiu: "E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite?" (Lc 18,1.7).
O que Jesus condena, então, não é repetir. É a oração que confia no próprio volume, como a dos profetas de Baal. A viúva insiste, mas não acha que as palavras dela são mágicas: confia que vai ser ouvida.
Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego e do hebraico. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Mateus 6, 1 Reis 18, Lucas 11, Salmo 136 (135 na numeração da Ave-Maria), Apocalipse 4, Mateus 26, Marcos 14 e Lucas 18.
O que diziam os primeiros cristãos
Como os primeiros cristãos entenderam isso?
Agostinho, em 412. Uma viúva nobre e rica, chamada Proba, pediu-lhe que escrevesse sobre a oração. Na resposta, Agostinho junta Mateus 6,7 com a parábola da viúva de Lucas 18 e mostra que os dois textos não se contradizem:
Longe de nós, na oração, o muito falar; mas também não deixemos de rezar longamente, se a atenção fervorosa da alma continuar. Falar muito na oração é gastar palavras demais para pedir uma coisa necessária; rezar longamente é ter o coração movido, sem parar, por um afeto piedoso por aquele a quem rezamos. (Carta 130,10,20)
Na mesma carta, ele conta que os monges do Egito faziam orações muito frequentes, mas muito breves, como que disparadas de repente, para que a atenção não se cansasse.
João Cassiano, nos anos 420. Monge que passou anos no deserto de Escete, no Egito, e por volta de 415 fundou dois mosteiros em Marselha, ele registra o conselho do abade Isaac: ter sempre na boca e no coração um único versículo, repetido em todas as situações, na tentação, no cansaço, na alegria e na tristeza. O versículo é o começo do Salmo 70, na forma latina que ele conhecia:
Ó Deus, vem em meu auxílio; Senhor, apressa-te em me socorrer. (Conferências X,10)
Os monges que contavam orações. O historiador Sozomeno, no século V, conta que no tempo do imperador Valente (364 a 378) um monge chamado Paulo, que vivia no deserto de Escete, rezava trezentas orações por dia. Para não perder a conta, guardava trezentas pedrinhas na dobra da roupa e tirava uma a cada oração (História Eclesiástica VI,29). A Enciclopédia Católica cita esse caso ao contar a história das contas de oração.
Nenhum deles achava que repetir era o problema. O problema, para Agostinho, era trocar a atenção do coração pelo número de palavras.
As frases de Agostinho e de Cassiano e o relato de Sozomeno estão em tradução nossa, feita a partir das versões inglesas indicadas nas fontes. Para ler o Salmo 70 inteiro, veja a Bíblia Ave-Maria (Salmo 69 na sua numeração).

O que a Igreja ensina
O que a Igreja diz sobre a repetição e o Rosário?
A Igreja conhece o risco de que fala Mateus 6,7 e usa o próprio versículo como aviso. Em 2002, ao escrever sobre o Rosário, João Paulo II retomou uma advertência que Paulo VI tinha feito em 1974:
Sem contemplação, o Rosário é um corpo sem alma e a sua recitação corre o perigo de tornar-se uma repetição mecânica de fórmulas […]
[…] o Terço como expressão daquele amor que não se cansa de voltar à pessoa amada […]
Muitas vezes repetida por um coração humildemente atento, não se dispersa num «mar de palavras» (Mt 6, 7) […]
«Que a nossa oração seja atendida não depende da quantidade de palavras, mas do fervor das nossas almas».
No número 26, João Paulo II lembra a cena em que Jesus ressuscitado pergunta três vezes a Pedro "tu me amas?" e Pedro responde três vezes (Jo 21,15-17), e é difícil chamar essa repetição de vazia. E acrescenta que, embora a Ave-Maria se dirija a Maria, "com Ela e por Ela é para Jesus que, em última análise, vai o acto de amor". Por isso o centro de cada Ave-Maria é o nome de Jesus (n. 33).
O número 2668 do Catecismo fala da invocação do nome de Jesus, a oração repetida que os monges do Oriente transmitiram ("Jesus, Cristo, Filho de Deus, Senhor, tende piedade de nós, pecadores", n. 2667), e diz que essa repetição, feita com atenção, "guarda a Palavra e produz fruto pela constância": não é o falatório de Mateus 6,7. O número 2700 cita São João Crisóstomo. O Catecismo inclui o Rosário entre as formas de meditar os mistérios de Cristo (n. 2708) e o chama de "resumo de todo o Evangelho" (n. 971).
Vale distinguir os níveis: o Rosário não é dogma nem obrigação. O Diretório sobre a piedade popular e a liturgia, de 2001, pede que, ao recomendar o terço, não se desvalorizem as outras formas de oração e não se faça ninguém se sentir culpado por não rezá-lo: os fiéis devem sentir-se livres para rezá-lo pela sua beleza (n. 202). Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.
O que a história mostra
De onde vem o Rosário: o que é certo e o que é tradição?
A história do Rosário mistura fatos bem documentados e uma tradição piedosa que os documentos não confirmam. É bom separar, como faz a Enciclopédia Católica, uma obra católica que lembra que discutir a origem histórica dessa devoção não toca em nenhum ponto de doutrina.
O que é certo. Contar orações é costume antigo, como mostra o monge Paulo com as suas pedrinhas. Na Idade Média, os mosteiros pediam orações simples a quem não rezava os salmos: em 1096, os costumes da abadia de Cluny mandavam que, pela morte de um irmão, cada monge que não fosse padre rezasse cinquenta salmos ou cinquenta Pai-Nossos. Os cordões de contas usados para contar ficaram conhecidos como "pai-nossos", e em 1268 os fabricantes desses cordões já formavam corporações de ofício em Paris. Quando a Ave-Maria se espalhou, no século XII, surgiu o costume de rezá-la cinquenta ou cento e cinquenta vezes, à imitação dos 150 salmos; daí o nome "saltério de Nossa Senhora". A meditação dos mistérios de Cristo durante as Ave-Marias, que é a alma do Rosário, segundo os estudos citados pela enciclopédia, surgiu no começo do século XV, com um cartuxo, Domingos da Prússia.
O que é tradição. Segundo uma tradição muito difundida, Nossa Senhora teria entregue o Rosário a São Domingos de Gusmão (morto em 1221) para combater a heresia albigense, e vários papas repetiram essa história. Mas as primeiras biografias de São Domingos, os depoimentos do seu processo de canonização e os documentos dominicanos dos dois séculos seguintes não ligam o Rosário a São Domingos nem lhe dão destaque. A história aparece com o pregador dominicano Alano de la Roche, por volta de 1470 a 1475, que fundou confrarias do Rosário com grande sucesso. A mais antiga das bulas que atribuem o Rosário a São Domingos, de Leão X, em 1520, ainda fala com cautela: "segundo se lê nas histórias". Hoje, a própria Igreja usa palavras prudentes: João Paulo II escreve que o Rosário se foi formando gradualmente no segundo milênio e que foi usado especialmente pelos dominicanos num momento difícil para a Igreja (Rosarium Virginis Mariae, n. 1 e 17). O que é certo é que os filhos de São Domingos foram, a partir do século XV, os grandes divulgadores do Rosário.
Lepanto e o 7 de outubro. Em 7 de outubro de 1571, primeiro domingo do mês, a frota cristã venceu a frota otomana em Lepanto, no mesmo dia em que as confrarias do Rosário faziam procissões em Roma. O papa Pio V mandou lembrar o Rosário nesse dia; Gregório XIII, em 1573, permitiu a festa nas igrejas que tinham altar do Rosário, e Clemente XI a estendeu a toda a Igreja em 1716. É a festa de Nossa Senhora do Rosário, celebrada em 7 de outubro.
2002: os mistérios da luz. O Rosário tinha 150 Ave-Marias, como os 150 salmos, em três grupos de mistérios. João Paulo II propôs, deixando à livre escolha de cada um, um quarto grupo, os mistérios da luz, da vida pública de Jesus: o Batismo no Jordão, as bodas de Caná, o anúncio do Reino, a Transfiguração e a instituição da Eucaristia (n. 19 e 21). Em português, "terço" lembra a terça parte do antigo rosário de 150; o Diretório de 2001 fala justamente dos que rezam um terço do Rosário (n. 200).
Lado a lado
O falatório de Mateus 6,7 e o Rosário que a Igreja pede, lado a lado
| O falatório que Jesus condena | O Rosário como a Igreja pede | |
|---|---|---|
| Em que confia | Na quantidade de palavras | No Pai, que já sabe do que precisamos (Mt 6,8) |
| Onde está a atenção | Em cumprir a fórmula | No mistério de Cristo que se medita (Catecismo, n. 2708) |
| Ritmo | Pressa e volume | Ritmo tranquilo, com leitura da Bíblia e silêncio (Rosarium Virginis Mariae, n. 12, 30 e 31) |
| Exemplo bíblico | Os profetas de Baal no Carmelo (1Rs 18,26-29) | Jesus no Getsêmani (Mt 26,44); Salmo 136; Ap 4,8 |
| Quando um vira o outro | Sempre que se confia no número de palavras | Quando se reza sem meditar: é a própria Igreja que avisa (Marialis Cultus, n. 47) |
Os frutos
Como rezar o terço sem cair no falatório?
A carta de João Paulo II dá um caminho simples. Anunciar o mistério e, se possível, ler a passagem do Evangelho que ele recorda (n. 30). Fazer um momento de silêncio antes de começar (n. 31). Rezar o Pai-Nosso e as dez Ave-Marias sem pressa, pondo o peso no nome de Jesus, que é o centro de cada uma (n. 33); quem quiser pode acrescentar depois do nome uma frase curta sobre o mistério, costume antigo que o Diretório de 2001 recomenda (n. 201). Melhor uma dezena rezada assim do que cinco rezadas correndo.
Com um irmão evangélico, há um ponto de partida comum: dificilmente alguém dirá que o Pai-Nosso fica vazio por ser rezado todos os dias, ou que um refrão cantado várias vezes no culto é falatório, se o coração está nele. O critério de Jesus serve para os dois lados: o que importa é confiar no Pai, e não no número de palavras.
E quem não reza o terço não é menos católico por isso. A Igreja o recomenda como uma escola de oração centrada em Cristo, mas pede que ele seja rezado com liberdade, pela sua beleza (Diretório, n. 202).
Para guardar
Jesus não condenou a repetição: condenou achar que Deus ouve pelo excesso de palavras, e ele mesmo repetiu a mesma oração no Getsêmani. O terço rezado com meditação é o amor que volta à mesma frase; sem meditação, a própria Igreja diz que corre o risco de virar falatório.
Teste
Teste o que você aprendeu
5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.
1. Que palavra grega Jesus usa em Mateus 6,7?
Battalogéō só aparece aqui no Novo Testamento. Jesus a explica logo em seguida: os pagãos pensam que serão ouvidos pelo excesso de palavras (polylogía).
2. Segundo Mateus 6,7, por que os pagãos falavam tanto na oração?
É o próprio versículo que dá o motivo, e o seguinte responde: o Pai sabe do que precisamos antes que lhe peçamos (Mt 6,8).
3. O que Jesus fez no Getsêmani, segundo Mateus 26,44?
Mateus conta que Jesus orou pela terceira vez, "dizendo outra vez as mesmas palavras", e Marcos diz o mesmo (Mc 14,39).
4. Quantos versículos do Salmo 136 terminam com "porque eterno é o seu amor"?
Os 26 versículos do salmo terminam com o mesmo refrão hebraico, ki leolam hasdô. É uma oração inspirada feita de repetição. Na numeração da Ave-Maria, é o Salmo 135.
5. O que João Paulo II, citando Paulo VI, diz do Rosário rezado sem contemplação?
Na carta Rosarium Virginis Mariae (n. 12), citando Marialis Cultus (n. 47), o papa lembra justamente a advertência de Mateus 6,7.
Perguntas frequentes
Jesus proibiu repetir orações?
Não. Em Mateus 6,7, ele condena quem pensa que será ouvido pelo excesso de palavras. No mesmo trecho, ensina o Pai-Nosso para ser rezado com as mesmas palavras (Mt 6,9; Lc 11,2), e no Getsêmani orou três vezes, repetindo as mesmas palavras (Mt 26,44; Mc 14,39). O Salmo 136 repete o mesmo refrão nos seus 26 versículos.
São Domingos recebeu o Rosário de Nossa Senhora?
É uma tradição piedosa, repetida por vários papas, mas os documentos do tempo de São Domingos (morto em 1221) não falam disso. A história aparece com o dominicano Alano de la Roche, por volta de 1470. O certo é que as Ave-Marias repetidas são anteriores a São Domingos, que a meditação dos mistérios, segundo os estudos citados pela Enciclopédia Católica, surgiu no século XV e que os dominicanos foram os grandes divulgadores do Rosário.
Qual é a diferença entre terço e rosário?
O rosário antigo tinha 150 Ave-Marias, em quinze dezenas, como os 150 salmos. O terço é a terça parte dele: cinco dezenas, com cinco mistérios. Desde 2002, para quem adota os mistérios da luz, que o papa deixou à livre escolha, o rosário completo tem vinte mistérios, e cada dia costuma-se rezar um terço.
Por que tantas Ave-Marias e só um Pai-Nosso em cada dezena?
Porque a Ave-Maria funciona como fundo para meditar o mistério de Cristo. Paulo VI e João Paulo II explicam que a repetição da Ave-Maria é a trama sobre a qual se desenrola a contemplação, e que o centro de cada uma é o nome de Jesus (Marialis Cultus, n. 46; Rosarium Virginis Mariae, n. 18 e 33).
O católico é obrigado a rezar o terço?
Não. O Rosário é uma devoção muito recomendada pela Igreja, mas não é dogma nem obrigação. O Diretório sobre a piedade popular, de 2001, pede que ninguém seja levado a se sentir culpado por não rezá-lo e que os fiéis o rezem livremente, pela sua beleza (n. 202).
Para ir mais fundo
Fontes
- VaticanoJoão Paulo II, carta apostólica Rosarium Virginis Mariae (16 de outubro de 2002), n. 1, 12, 17, 19, 21, 26, 30, 31 e 33
- VaticanoPaulo VI, exortação apostólica Marialis Cultus (2 de fevereiro de 1974), n. 46 e 47
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2667, 2668 e 2678
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 2700 e 2708
- VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 971
- VaticanoCongregação para o Culto Divino, Diretório sobre a piedade popular e a liturgia (2001), n. 200 a 202
- VaticanoBento XVI, Angelus de 1º de outubro de 2006 (a festa do Rosário em 7 de outubro)
- VaticanoNova Vulgata, Evangelho de Mateus (Mt 6,7: multum loqui)
- Bible HubMateus 6,7 no grego (battalogéō, polylogía)
- Bible HubLéxico de Thayer, verbete βατταλογέω (Strong 945)
- Bible HubMateus 26,44 e Marcos 14,39 no grego (ton auton logon)
- Bible HubSalmo 136 no hebraico (o refrão nos 26 versículos)
- Bíblia OnlineMateus 6,7 na tradução de Almeida ("vãs repetições")
- New AdventAgostinho, Carta 130, a Proba (ano 412), cap. 10 (tradução inglesa)
- New AdventJoão Cassiano, Conferências, X,10 (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaJohn Cassian: o deserto de Escete e os mosteiros de Marselha (c. 415)
- New AdventSozomeno, História Eclesiástica, VI,29 (tradução inglesa)
- Catholic EncyclopediaRosary: as contas de oração, o saltério de Nossa Senhora, Domingos da Prússia, Alano de la Roche e a bula de Leão X
- Catholic EncyclopediaFeast of the Holy Rosary: Lepanto (1571), Gregório XIII (1573) e Clemente XI (1716)

