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Imagem gerada por IA: Jesus lê um rolo na sinagoga de Nazaré, enquanto os moradores, sentados em bancos de pedra, cochicham entre si com ar de dúvida.

Jesus tinha irmãos? Maria teve outros filhos?

A Bíblia fala de irmãos de Jesus, mas os mesmos Evangelhos indicam que pelo menos dois deles eram filhos de outra Maria.

13 min de leitura

Imagem gerada por IA: Jesus lê as Escrituras na sinagoga de Nazaré, onde os conterrâneos se perguntam quem ele é e lembram a sua mãe e os seus irmãos (Mc 6,1-6; Lc 4,16-30), em estilo de pintura renascentista

A resposta curta

Os Evangelhos falam de "irmãos" de Jesus, mas não dizem que eram filhos de Maria. Na Bíblia, irmão também quer dizer parente próximo (Abraão chama o sobrinho Ló de irmão), e os próprios Evangelhos indicam que Tiago e José, dois dos irmãos citados em Marcos 6,3, eram filhos de outra Maria. A Igreja ensina que Maria não teve outros filhos; quanto ao parentesco exato, os cristãos antigos falavam em primos ou em filhos de um casamento anterior de José.

A objeção

O que se costuma dizer

A Bíblia é clara: Jesus tinha irmãos e irmãs. Em Nazaré, o povo perguntava: "Não é este o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E as suas irmãs não estão aqui conosco?" (Mc 6,3). Mateus repete a lista (Mt 13,55-56), Paulo fala de "Tiago, o irmão do Senhor" (Gl 1,19) e Mateus diz que José não teve relações com Maria "até que" ela deu à luz (Mt 1,25).

E mais: o grego tinha uma palavra para primo, anepsiós, que Paulo usa em Colossenses 4,10. Se os evangelistas quisessem dizer primos, teriam escrito primos. Maria teve outros filhos depois de Jesus, como qualquer mãe de família da Galileia. Dizer o contrário é forçar o texto para proteger uma doutrina.

De onde vem a pergunta

De onde vem essa leitura?

A pergunta é antiga. Por volta de 380, em Roma, um cristão chamado Helvídio escreveu um livro dizendo que Maria teve outros filhos com José depois de Jesus. Ele usava os mesmos versículos que se usam hoje e citava a seu favor escritores anteriores, como Tertuliano. Por volta de 383, Jerônimo, o grande tradutor da Bíblia para o latim, respondeu com um tratado que ficou conhecido como Contra Helvídio. É por esse livro que conhecemos as ideias de Helvídio.

Na Reforma, os primeiros reformadores não seguiram Helvídio. João Calvino, comentando Mateus 13 na sua Harmonia dos Evangelhos (1555), escreveu que, no modo de falar hebraico, "irmãos" serve para quaisquer parentes, e considerou um erro concluir, como Helvídio, que Maria teve muitos filhos.

Com o tempo, porém, a leitura de Helvídio se espalhou entre os protestantes. Em 1907, a Catholic Encyclopedia já registrava que ela era a opinião da maior parte dos estudiosos protestantes. Hoje é a leitura comum em muitas igrejas evangélicas, e quem a defende normalmente o faz de boa-fé: é o sentido que a palavra "irmão" tem para nós em português.

É aí que está o ponto. A palavra é a mesma, mas a língua e os costumes de quem a escreveu eram outros.

A pergunta certa

Qual é a pergunta honesta?

Ninguém discute que os Evangelhos falam de irmãos e irmãs de Jesus. A pergunta honesta tem duas partes: o que a palavra "irmão" queria dizer na Bíblia e entre os judeus do século I? E a própria Bíblia diz quem era a mãe desses irmãos?

Se a resposta à segunda pergunta fosse "Maria, a mãe de Jesus", o assunto estaria encerrado. Vamos ver o que os textos mostram, começando pelo Antigo Testamento, que era a Bíblia dos apóstolos.

O que diz a Bíblia

O que a Bíblia mostra sobre esses irmãos?

Na Bíblia, irmão também é sobrinho, primo e parente

Os judeus falavam hebraico e aramaico, línguas em que a mesma palavra (ah, em hebraico) quer dizer irmão e também parente próximo. Veja como a Bíblia fala de Ló, que era sobrinho de Abraão, filho do seu irmão Harã (Gn 11,27; 12,5):

Abrão disse a Ló: Que não haja briga entre mim e ti, nem entre os meus pastores e os teus, porque somos irmãos. (Gn 13,8)

Quando Abrão soube que o seu irmão tinha sido levado prisioneiro, reuniu os homens da sua casa e saiu em perseguição. (Gn 14,14)

Dois versículos antes, o mesmo capítulo diz com todas as letras que Ló era "filho do irmão de Abrão" (Gn 14,12). Há outros casos:

  • Labão chama de irmão o sobrinho Jacó, filho da sua irmã: "Por seres meu irmão, vais trabalhar para mim de graça?" (Gn 29,15).
  • Moisés pede a Misael e Elisafã, primos de Aarão, que levem embora os corpos de Nadab e Abiú, filhos de Aarão, e os chama de "vossos irmãos" (Lv 10,4).
  • As filhas de Eleazar se casam com os filhos de Cis, irmão do pai delas, e o texto chama esses primos de "irmãos delas" (1Cr 23,21-22).

Agora, o dado que interessa ao grego. A Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento feita antes de Cristo e lida pelos apóstolos, traduz esses casos com a mesma palavra que os Evangelhos usam para os irmãos de Jesus: adelphós. Em Gênesis 13,8 o grego diz literalmente "somos homens irmãos" (ánthrōpoi adelphoí). Ou seja, na linguagem da Bíblia a palavra irmão, sozinha, não decide se é irmão de sangue, meio-irmão ou primo. Quem decide é o contexto.

E o anepsiós de Colossenses 4,10? Ele mostra que a palavra existia, e Paulo a usa uma vez, ao falar de Marcos, primo de Barnabé. Mas os Evangelhos contam uma história que nasceu em aramaico, na Palestina, onde aqueles parentes eram conhecidos como "os irmãos do Senhor" (1Cor 9,5). É natural que os evangelistas guardassem a expressão.

Tiago e José, filhos de outra Maria

Agora o ponto mais importante. Dos quatro nomes de Marcos 6,3, os dois primeiros voltam a aparecer na Paixão. Marcos lista as mulheres que olhavam a crucifixão de longe:

Havia também umas mulheres olhando de longe; entre elas, Maria Madalena, Maria, a mãe de Tiago, o menor, e de Joset, e Salomé. (Mc 15,40)

Mateus conta a mesma cena:

Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, a mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. (Mt 27,56)

São os mesmos dois nomes, na mesma ordem. E cada evangelista escreve o segundo nome do mesmo jeito nas duas passagens: Marcos usa a forma Joset (no grego das edições críticas, em 6,3 e em 15,40), e Mateus, a forma José (em 13,55 e em 27,56). Essa mãe não é a mãe de Jesus: Mateus a chama logo depois de "a outra Maria" (Mt 27,61; 28,1). Se a mãe de Tiago e José fosse a própria Virgem Maria, seria muito estranho que, junto à cruz, os evangelistas a chamassem de "mãe de Tiago e de José", e não de mãe de Jesus.

João, que estava lá, dá mais um detalhe:

Junto à cruz de Jesus estavam a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria, a de Clopas, e Maria Madalena. (Jo 19,25)

O versículo pode ser lido de dois modos: três mulheres (e então a irmã da mãe de Jesus é Maria de Clopas) ou quatro (e a irmã é outra mulher). Na primeira leitura, como duas irmãs de sangue chamadas Maria seriam algo raro, irmã seria de novo parente, cunhada ou prima. Um escritor cristão do século II, Hegesipo, conta que Clopas era irmão de José (veja mais abaixo). Muitos estudiosos identificam essa Maria de Clopas com a mãe de Tiago e José, embora não haja certeza.

Tiago e José eram nomes comuns, e isso, sozinho, não prova tudo. Mas a coincidência do par, da ordem e da grafia leva o Catecismo a dizer que Tiago e José são filhos de uma Maria discípula de Cristo (n. 500). E, se dois dos quatro irmãos citados não são filhos da mãe de Jesus, Marcos 6,3 deixa de ser prova de que ela teve outros filhos.

"Eis a tua mãe"

Na cruz, Jesus faz um gesto difícil de entender se Maria tivesse outros filhos:

Jesus, vendo a mãe e, perto dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: Mulher, eis o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis a tua mãe. E daquela hora em diante o discípulo a recebeu em sua casa. (Jo 19,26-27)

Numa família judia, o cuidado da mãe viúva cabia aos filhos. Se Tiago, José, Judas e Simão fossem filhos dela, por que Jesus a entregaria a um discípulo de fora da casa? Jerônimo já fazia essa pergunta a Helvídio no século IV. Não é uma prova matemática: há quem lembre que os irmãos ainda não criam em Jesus (Jo 7,5). Mas pouco depois eles aparecem rezando com Maria e os apóstolos (At 1,14), e mesmo assim ela fica com o discípulo. O gesto combina bem com uma mãe que tinha um filho só.

"Até que" (Mt 1,25)

Resta o versículo que mais se cita:

E não a conheceu até que ela deu à luz um filho, e lhe pôs o nome de Jesus. (Mt 1,25)

"Conhecer" é o modo bíblico de falar da relação conjugal. E "até que" (no grego, héōs hoû) parece dizer que, depois do parto, tudo mudou. Mas, na Bíblia, a expressão diz o que aconteceu até um momento, sem dizer o que veio depois. Às vezes a situação muda; muitas vezes, não:

Mical, filha de Saul, não teve filhos até o dia da sua morte. (2Sm 6,23)

Não te abandonarei até cumprir o que te prometi. (Gn 28,15)

Eu estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos. (Mt 28,20)

Mical não teve filhos depois de morrer, Deus não abandonou Jacó depois de cumprir a promessa e Jesus não vai deixar os seus depois do fim dos tempos. Por outro lado, quando Jesus manda os discípulos não contarem a ninguém a Transfiguração "até que" ele ressuscite (Mt 17,9), fica claro que depois eles poderiam contar. Ou seja: a expressão, sozinha, não decide. Quem decide é o contexto, e o contexto de Mateus 1 é a concepção de Jesus. O evangelista quer deixar claro que José não é o pai de Jesus, e não contar como foi a vida do casal depois.

Calvino, que não era católico, chegou à mesma conclusão: para ele, destas palavras do evangelista não se pode tirar nenhuma conclusão justa e bem fundada sobre o que aconteceu depois do nascimento de Cristo. A palavra "primogênito" (Lc 2,7), que também se costuma citar, é explicada na aula Maria continuou virgem depois de Jesus?

Os versículos estão em tradução nossa, feita a partir do grego (Novo Testamento e Septuaginta) e do hebraico. Para ler cada capítulo inteiro numa tradução católica, veja a Bíblia Ave-Maria: Marcos 6, Marcos 15, Mateus 13, Mateus 27, João 19, Gênesis 13, Gênesis 14, Gênesis 29, Levítico 10, 1 Crônicas 23, 2 Samuel 6, Gênesis 28, Mateus 1 e Mateus 28.

Imagem gerada por IA: ao pé da cruz, Maria está de pé ao lado do jovem discípulo João, que a ampara; um pouco atrás, outras mulheres choram.
Imagem gerada por IA: Maria e o discípulo amado junto à cruz (Jo 19,25-27), com as outras mulheres, entre elas Maria de Clopas, em estilo de pintura barroca

O que diziam os primeiros cristãos

O que diziam os primeiros cristãos?

Entre os escritores antigos que trataram do assunto, quase todos viam nesses irmãos parentes de Jesus, e não filhos de Maria (a exceção mais conhecida é Tertuliano, que Helvídio citava a seu favor). Onde eles divergiam era em outra questão: quem eram, então, esses irmãos. Apareceram duas respostas, e as duas guardam a virgindade de Maria.

Hegesipo, por volta de 180. Cristão da Palestina, escreveu memórias que o historiador Eusébio de Cesareia copiou em parte, no começo do século IV. Ele conta que, depois da morte de Tiago, o irmão do Senhor, a Igreja de Jerusalém escolheu como bispo Simeão, filho de Clopas, por ser primo do Senhor, e que Clopas era irmão de José (História Eclesiástica III,11 e IV,22,4). Muitos identificam esse Simeão com o Simão de Marcos 6,3, mas não há certeza.

O Protoevangelho de Tiago, século II. É um livro apócrifo, quer dizer, um escrito que a Igreja nunca aceitou como Escritura, cheio de detalhes lendários sobre a infância de Maria. Mesmo assim, mostra o que muitos cristãos pensavam já naquela época. Quando os sacerdotes entregam Maria aos cuidados de José, ele responde:

Tenho filhos e sou velho, e ela é uma menina. (Protoevangelho de Tiago 9)

Ou seja, os irmãos de Jesus seriam filhos de um casamento anterior de José.

Orígenes, por volta de 245. Comentando Mateus 13,55, ele registra essa opinião: alguns dizem, apoiados no chamado Evangelho de Pedro ou no Livro de Tiago, que os irmãos de Jesus eram filhos de José com uma primeira esposa, com quem se casou antes de Maria. E acrescenta o que ele mesmo pensa:

Penso que é razoável que Jesus tenha sido, entre os homens, as primícias da pureza que está na castidade, e Maria, entre as mulheres. (Comentário a Mateus X,17)

Jerônimo, por volta de 383. Contra Helvídio, Jerônimo defendeu outra explicação: os irmãos eram primos de Jesus, filhos da outra Maria. E explicou o uso bíblico da palavra:

Na Sagrada Escritura há quatro modos de ser irmão: por natureza, por povo, por parentesco e por afeto. (Contra Helvídio 16, na numeração da tradução inglesa)

Por natureza são os filhos dos mesmos pais, como Esaú e Jacó. Por povo, todos os judeus são irmãos entre si. Por parentesco, os da mesma família, como Abraão e Ló. Por afeto, todos os que creem. Para Jerônimo, os irmãos de Jesus eram irmãos do terceiro modo.

Com o tempo, a explicação dos filhos de José ficou mais comum entre os cristãos de língua grega, e a dos primos, entre os latinos, como registra a Catholic Encyclopedia. As duas convivem até hoje.

As frases do Protoevangelho, de Orígenes e de Jerônimo estão em tradução nossa, a partir das versões inglesas indicadas nas fontes.

O que a Igreja ensina

O que a Igreja ensina sobre os irmãos de Jesus?

O Catecismo responde à objeção em poucas linhas, nos números 500 e 501:

A Igreja entendeu sempre estas passagens como não designando outros filhos da Virgem Maria.

Catecismo da Igreja Católica, n. 500

Trata-se de parentes próximos de Jesus, segundo uma expressão conhecida do Antigo Testamento

Catecismo da Igreja Católica, n. 500

Jesus é o filho único de Maria.

Catecismo da Igreja Católica, n. 501

Repare no que o Catecismo diz e no que ele não diz. Ele afirma que Maria não teve outros filhos: isso faz parte da fé na virgindade perpétua de Maria, que a Igreja professa desde os primeiros séculos e que é o assunto da próxima aula. Ele mostra de onde vêm Tiago e José e, na nota, remete a versículos como os que vimos acima: Gênesis 13,8; 14,16 (o mesmo episódio de 14,14) e 29,15.

Mas o Catecismo não decide se esses parentes eram primos, como pensava Jerônimo, ou filhos de um casamento anterior de José, como pensava boa parte dos cristãos do Oriente. Fala só em "parentes próximos". Nesse ponto, o católico é livre para preferir uma explicação ou outra. Os trechos são curtos; o texto inteiro está no link de cada um.

Lado a lado

As três explicações, lado a lado

ExplicaçãoQuem defendeuComo a Igreja vê
Primos de Jesus, filhos de outra MariaJerônimo (c. 383) e a maior parte dos escritores latinosCompatível com a fé; o Catecismo fala em parentes próximos (n. 500)
Filhos de José, de um casamento anteriorO Protoevangelho de Tiago (século II), a opinião que Orígenes registra (c. 245) e muitos cristãos do OrienteCompatível com a fé; a Igreja não escolhe entre esta e a anterior
Filhos de Maria e José, nascidos depois de JesusHelvídio (c. 380) e, hoje, muitos evangélicosContrária à fé da Igreja, que professa Maria sempre virgem e Jesus como seu filho único (n. 499 e 501)

Os frutos

Por que isso importa?

Os Evangelhos chamam Maria, sempre, de mãe de Jesus, e de ninguém mais. Quando falam dela junto com os irmãos, dizem "a mãe e os irmãos dele" (Mc 3,31; Jo 2,12; At 1,14), nunca "Maria e os seus filhos". Esse silêncio também é um dado.

Mas a questão não é só de parentesco. Quando avisaram Jesus de que a mãe e os irmãos o procuravam, ele respondeu: "Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe" (Mc 3,35). A família de Jesus se tornou uma família de discípulos. Tiago, o irmão do Senhor, foi uma das colunas da Igreja de Jerusalém (Gl 2,9), e Maria aparece rezando com os apóstolos à espera do Espírito Santo (At 1,14).

Com um amigo evangélico, vale começar pelo que é comum: os dois creem que Jesus nasceu de uma virgem, por obra do Espírito Santo. Depois, abrir juntos Marcos 6 e Marcos 15, Mateus 13 e Mateus 27, e perguntar com calma quem era a mãe de Tiago e José. É uma conversa sobre o texto, não uma disputa para ver quem ganha.

Para guardar

A Bíblia chama Tiago e José de irmãos de Jesus, mas os mesmos Evangelhos indicam que a mãe deles era outra Maria. Na língua da Bíblia, irmão também é sobrinho, primo e parente.

Teste

Teste o que você aprendeu

5 perguntas. A resposta aparece assim que você escolhe.

  1. 1. Em Gênesis 13,8, Abraão chama Ló de irmão. Qual era o parentesco real entre os dois?

  2. 2. Segundo Mateus 27,56, quem era a mãe de Tiago e José?

  3. 3. O que a expressão "até que" de Mateus 1,25 afirma, sozinha?

  4. 4. A quem Jesus confiou a sua mãe na cruz?

  5. 5. O que a Igreja ensina sobre os irmãos de Jesus?

Perguntas frequentes

Jesus tinha irmãos de sangue?

Não, segundo a fé da Igreja. Os Evangelhos falam de irmãos de Jesus, mas, na Bíblia, irmão também quer dizer parente próximo, e os Evangelhos indicam que Tiago e José, dois dos irmãos citados em Marcos 6,3, eram filhos de outra Maria (Mc 15,40; Mt 27,56; Catecismo, n. 500).

Por que os evangelistas não escreveram "primo"?

Porque contavam uma história que nasceu em hebraico e aramaico, línguas em que a mesma palavra serve para irmão e para parente. A Septuaginta, a Bíblia grega lida pelos apóstolos, já traduzia assim: Ló, sobrinho de Abraão, é chamado de irmão (Gn 13,8; 14,14).

Quem era Tiago, o irmão do Senhor?

Foi um dos chefes da Igreja de Jerusalém, citado por Paulo (Gl 1,19; 2,9). Para a tradição latina, era primo de Jesus, filho da outra Maria; para muitos cristãos do Oriente, filho de José de um casamento anterior. Em nenhuma das duas explicações era filho da Virgem Maria.

Mateus 1,25 prova que Maria teve relações com José depois do parto?

Não. "Até que" diz o que aconteceu até o nascimento de Jesus, sem dizer o que veio depois, como em 2 Samuel 6,23 e Mateus 28,20. Até o reformador João Calvino escreveu que não se pode tirar desse versículo conclusão sobre o que veio depois.

O católico precisa crer que os irmãos de Jesus eram primos?

Não. A Igreja ensina que Maria não teve outros filhos, mas não decide se os irmãos eram primos ou filhos de um casamento anterior de José. O Catecismo fala só em "parentes próximos" (n. 500).

Para ir mais fundo

Fontes

  1. VaticanoCatecismo da Igreja Católica, n. 499 a 501 (e as notas com Gn 13,8; 14,16; 29,15 e Mt 27,56)
  2. Bible HubTexto grego de Marcos 6,3
  3. Bible HubTexto grego de Marcos 15,40
  4. Bible HubTexto grego de Mateus 27,56
  5. Bible HubTexto grego de João 19,25
  6. Bible HubTexto grego de Mateus 1,25
  7. Bible HubTexto hebraico de Gênesis 14,14
  8. Blue Letter BibleSeptuaginta, Gênesis 13 (ánthrōpoi adelphoí em 13,8)
  9. Blue Letter BibleSeptuaginta, Gênesis 14 (Ló chamado de adelphós em 14,14 e 14,16)
  10. New AdventJerônimo, Contra Helvídio (c. 383), cap. 15 e 16 (tradução inglesa)
  11. New AdventOrígenes, Comentário a Mateus, X,17 (tradução inglesa)
  12. New AdventProtoevangelho de Tiago, cap. 9 (tradução inglesa)
  13. New AdventEusébio, História Eclesiástica, livro III, 11 (Hegesipo sobre Clopas e Simeão)
  14. New AdventEusébio, História Eclesiástica, livro IV, 22,4 (Hegesipo)
  15. Catholic EncyclopediaThe Brethren of the Lord (1907)
  16. Catholic EncyclopediaApocrypha: o Protoevangelho de Tiago e a sua data
  17. CCELJoão Calvino, Harmonia dos Evangelhos, sobre Mateus 1,25 (tradução inglesa)
  18. CCELJoão Calvino, Harmonia dos Evangelhos, sobre Mateus 13,55 (tradução inglesa)
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