Área por área
O que cada um promete
A nota mostra quanto a proposta combina com o ensino da Igreja. Toque numa área para ler as propostas e o trecho do plano.
Vida e abortoInegociável8030
O que a Igreja ensina
Quando a lei tira a proteção de uma categoria de seres humanos, “o Estado acaba por negar a igualdade de todos perante a lei”
Catecismo 2273
Por que essa nota: Põe “a vida desde a concepção” entre os valores inegociáveis do plano e promete indicar ao STF ministros contra o aborto. Mas o plano não traz nenhuma medida concreta.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Inclui entre os valores 'inegociáveis' do governo o respeito à vida desde a concepção (p. 9) e repete a vida entre os valores que 'não negociamos' na conclusão (p. 74). O plano não usa as palavras aborto, aborto legal, nascituro ou eutanásia e não traz medida legislativa específica sobre o tema.
o respeito à liberdade, à família, à vida desde a concepção, à propriedade privada, à democracia, à liberdade de expressão e à liberdade religiosa
Por quê: O plano assume o que a Igreja ensina: “A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção” (Catecismo 2270). Mas não traz medida concreta.
- A favor do ensino da Igreja: Promete indicar ao STF ministros contrários ao aborto e às drogas (fala em encontro com empresários na Mooca, São Paulo). Tema ausente do plano.
Eu já me comprometi, Ricardo [Nunes, prefeito de São Paulo], a indicar homens e mulheres que sejam contra o aborto, sejam contra as drogas, mas que respeitem a Constituição
Por quê: Para a Igreja, o direito à vida do inocente “é um elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação” (Catecismo 2273); juízes contra o aborto vão nessa linha.
Por que essa nota: Promete “garantir os direitos sexuais e reprodutivos”, expressão que o plano não define, e amplia a oferta de contraceptivos, o que a Igreja não aceita (Catecismo 2370). Não há proteção ao nascituro. Pontos bons: mais maternidades e a meta de reduzir a mortalidade materna. Um dirigente do PT disse que o debate sobre aborto está “superado” no partido, isto é, fora da pauta.
Propostas
- Ressalva: Compromisso de 'garantir os direitos sexuais e reprodutivos' das mulheres, no capítulo de combate às desigualdades. O plano não define o alcance da expressão e não usa as palavras aborto, aborto legal, nascituro ou eutanásia.
promover a autonomia econômica, assegurar igualdade de oportunidades e garantir os direitos sexuais e reprodutivos.
Por quê: A Igreja ensina que o aborto direto “é gravemente contrário à lei moral” (Catecismo 2271), mas o plano não diz o que inclui em “direitos sexuais e reprodutivos”. Sem saber o alcance, a doutrina não decide a frase: é ressalva.
- Contra o ensino da Igreja: Fortalecer o planejamento reprodutivo com distribuição gratuita de contraceptivos de longa duração no SUS.
Fortaleceremos o planejamento reprodutivo ampliando o acesso a métodos contraceptivos modernos e de longa duração, a serem distribuídos gratuitamente no SUS
Por quê: A Igreja chama de “intrinsecamente má” a ação que busca “tornar impossível a procriação” (Catecismo 2370) e pede aos governantes que não introduzam “práticas contrárias à lei natural e divina” (Humanae Vitae 23).
- A favor do ensino da Igreja: Manter a maternidade segura e a redução da mortalidade materna como compromisso central do SUS; o plano cita 39 maternidades cuja construção o Novo PAC apoiou.
A maternidade segura continuará sendo um compromisso central do SUS
Por quê: O cuidado da saúde “requer a ajuda da sociedade” (Catecismo 2288); proteger a mãe e o bebê no parto serve à vida.
- Ressalva: Sem fala de Lula sobre aborto localizada na campanha de 2026. O coordenador do setor inter-religioso do PT, Gutierres Barbosa, disse que o tema está 'superado' no partido (fala do partido, não do candidato).
Isso está superado dentro do PT. Não estamos nem tratando disso dentro do PT
Por quê: É fala de um dirigente do partido, não de Lula. Não há proposta para avaliar.
FonteO Globo, 01/07/2026
Família, gênero e escolaInegociável8045
O que a Igreja ensina
Cada pessoa “deve ser respeitada na sua dignidade”, independentemente da orientação sexual; mas a ideologia de gênero “esvazia a base antropológica da família”
Dignitas Infinita 55 e 59
Por que essa nota: Reconhece que os pais decidem os valores dos filhos, quer escola sem doutrinação e reserva o esporte feminino a mulheres. O ensino domiciliar, que tinha sido anunciado, ficou fora do plano. Também prevê creche, voucher-creche onde faltar vaga e uma Rede Nacional de Cuidado (p. 21 e 38).
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Educação 'livre de doutrinação político-partidária' e reconhecimento de que os pais decidem os valores transmitidos aos filhos. O plano não usa as expressões 'ideologia de gênero', 'educação sexual' ou 'Escola sem Partido'.
A educação será orientada pelo conhecimento e livre de doutrinação político-partidária, respeitando a liberdade de consciência e o papel das famílias. Escola é lugar de aprender a pensar, não de aprender o que pensar, e quem decide sobre os valores que o filho recebe são os pais.
Por quê: A Igreja ensina que os pais são os “primeiros e principais educadores” dos filhos (Gravissimum Educationis 3), e o plano reconhece que são eles que decidem os valores.
- Ressalva: Ampliar as escolas cívico-militares.
Vamos ampliar as Escolas Cívico-Militares, que uniram disciplina e bom desempenho onde foram implantadas
Por quê: A doutrina não trata de modelos de escola como esse; pede que os pais possam escolher uma escola “que corresponda às suas próprias convicções” (Catecismo 2229).
- A favor do ensino da Igreja: Restringir a categoria feminina do esporte, da base ao alto rendimento, a atletas do sexo feminino (pessoas trans nascidas do sexo masculino ficariam fora).
Vamos assegurar que a categoria feminina, da base ao alto rendimento, seja disputada por atletas do sexo feminino
Por quê: A Igreja pede que se rejeitem “todas aquelas tentativas de obscurecer a referência à insuprimível diferença sexual entre homem e mulher” (Dignitas Infinita 59); a categoria feminina por sexo segue isso.
- Ressalva: Declara respeito a 'todos os arranjos familiares' no programa para mulheres. Homeschooling (ensino domiciliar): o plano não trata do tema, embora interlocutores tenham dito em julho que ele seria incluído.
Este Plano respeita todos os arranjos familiares e a liberdade de cada mulher decidir o próprio caminho
Por quê: Para a Igreja, “um homem e uma mulher, unidos em matrimónio, formam com os seus filhos uma família” (Catecismo 2202); “todos os arranjos familiares” não diz o que inclui. E o ensino domiciliar ficou fora.
- A favor do ensino da Igreja: Ampliar as creches em período integral, desde a primeira infância (p. 21).
Vamos ampliar a oferta de creches para as crianças desde a primeira infância, em período integral, com alimentação digna e foco no desenvolvimento infantil.
Por quê: “A comunidade política tem o dever de honrar a família, de a assistir” (Catecismo 2211); creche em tempo integral ajuda as famílias que trabalham.
- A favor do ensino da Igreja: Voucher-creche onde faltar vaga na rede pública, até a vaga pública surgir (p. 21).
Onde não houver vaga na rede pública, a família receberá um voucher-creche para acesso à rede privada credenciada até a vaga pública surgir
Por quê: “A comunidade política tem o dever de honrar a família, de a assistir” (Catecismo 2211); o voucher garante a vaga enquanto a rede pública não a oferece.
- A favor do ensino da Igreja: Uma Rede Nacional de Cuidado para apoiar as famílias que cuidam de idosos e pessoas com deficiência, com centros-dia e atendimento domiciliar (p. 21).
Também estruturaremos uma Rede Nacional de Cuidado, ampliando o apoio a idosos e pessoas com deficiência, com centros-dia e atendimento domiciliar
Por quê: Entre os deveres da comunidade política com a família, o Catecismo põe “o direito aos cuidados médicos e à assistência aos idosos” (Catecismo 2211).
Por que essa nota: Leva as “dimensões de gênero, identidade, orientação sexual” às políticas públicas sem dizer o alcance, o que pode abrir espaço para a teoria de gênero que a Igreja critica (Dignitas Infinita 56 e 59). Pontos bons: proteção das crianças nas telas e a política de cuidados. O plano não trata do direito dos pais na escola.
Propostas
- Ressalva: Considerar dimensões de gênero, identidade e orientação sexual nas políticas públicas, com atenção à população LGBTQIAP+.
Continuaremos a planejar e construir políticas e ações levando em conta as dimensões de gênero, identidade, orientação sexual, étnico-raciais e classe social
Por quê: A Igreja pede respeito a toda pessoa, sem “discriminação injusta” (Catecismo 2358), e diz que sexo e gênero “podem-se distinguir, mas não separar” (Dignitas Infinita 59). O plano não diz o alcance, e a frase sozinha não decide: é ressalva.
- A favor do ensino da Igreja: Proteção de crianças no ambiente digital: aprimorar o ECA Digital e regulamentar o uso de telas por faixa etária (cita a proibição de celular nas escolas como medida já adotada).
Não recuaremos um passo sequer na proteção digital de crianças e adolescentes, com aprimoramento do ECA Digital, regulamentação do uso de telas por faixa etária
Por quê: Os poderes públicos devem cuidar “por que o mau uso dos média não venha a causar graves prejuízos aos costumes públicos” (Catecismo 2498); proteger as crianças nas telas faz isso.
- A favor do ensino da Igreja: Política Nacional de Cuidados: apoio a 'Cuidotecas' para crianças de 3 a 12 anos e a serviços de cuidado para famílias.
Apoiaremos as Cuidotecas, espaços de acolhida de crianças de 3 a 12 anos, que liberam o tempo das mulheres responsáveis pelo cuidado das crianças.
Por quê: “A comunidade política tem o dever de honrar a família, de a assistir” (Catecismo 2211); espaços que acolhem as crianças ajudam as famílias que cuidam delas.
- Ressalva: Educação sexual, 'ideologia de gênero', escola sem partido, homeschooling e direitos dos pais na escola: o plano não trata do tema. Nenhuma fala de Lula de 2026 sobre esses pontos foi localizada.
Por quê: Não há proposta sobre o direito dos pais na escola, que a Igreja chama de “direito fundamental” (Catecismo 2229).
Drogas e apostasDoutrina Social6060
O que a Igreja ensina
O uso de drogas, “a não ser por prescrições estritamente terapêuticas”, “é uma falta grave”; os jogos de azar e as apostas “não são, em si mesmos, contrários à justiça”, mas “tornam-se moralmente inaceitáveis, quando privam a pessoa do que lhe é necessário”
Catecismo 2291 e 2413
Por que essa nota: Mira o tráfico nos portos, proíbe usar dinheiro de programa social em apostas e promete acabar com os cassinos on-line. Mas quer manter as apostas esportivas e foi contra a proibição das bets.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Ocupar e monitorar portos e aeroportos com tropas da Marinha e da Aeronáutica contra o tráfico de cocaína. O plano não trata de consumo de drogas nem de descriminalização.
Nós vamos usar tropas especiais da Marinha e da Aeronáutica para ocupar e monitorar, de forma permanente, os portos e aeroportos brasileiros.
Por quê: A Igreja chama a produção clandestina e o tráfico de drogas de “práticas escandalosas” (Catecismo 2291); vigiar portos e aeroportos combate esse tráfico.
- A favor do ensino da Igreja: Proibir o uso de recursos de programas sociais em apostas e fazer campanhas sobre endividamento com jogos.
Vamos proibir o uso dos recursos dos programas sociais para apostas
Por quê: As apostas “tornam-se moralmente inaceitáveis, quando privam a pessoa do que lhe é necessário” (Catecismo 2413); a regra protege o dinheiro de quem mais precisa.
- Ressalva: Defende manter as apostas esportivas (transmissão ao vivo com Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes).
Sou contra jogos, de qualquer forma, mas aposta em jogos reais, no jogo de futebol, no jogo de vôlei, no jogo de tênis, você tem alguma forma de controle.
Por quê: As apostas “não são, em si mesmos, contrários à justiça”, mas a paixão do jogo “pode tornar-se uma grave servidão” (Catecismo 2413). Manter as apostas esportivas, com controle, é escolha que a doutrina não decide.
- A favor do ensino da Igreja: Promete acabar com os cassinos on-line, como o 'Jogo do Tigrinho' (mesma transmissão).
Por quê: Os jogos de azar “tornam-se moralmente inaceitáveis, quando privam a pessoa do que lhe é necessário”, e a paixão do jogo “pode tornar-se uma grave servidão” (Catecismo 2413); fechar os cassinos on-line protege quem se vicia.
- Ressalva: Chamou de “atitude populista, hipócrita, eleitoreira” a medida provisória de Lula que proibiu as bets (25/09/2026); quer manter as apostas esportivas e acabar só com os cassinos on-line.
É, mais uma vez, uma atitude populista, hipócrita, eleitoreira
Por quê: As apostas “não são, em si mesmos, contrários à justiça”, mas a paixão do jogo “pode tornar-se uma grave servidão” (Catecismo 2413). Criticar o momento e o alcance da proibição é juízo que a doutrina não decide.
Por que essa nota: Proibiu as bets por medida provisória e amplia o tratamento no SUS. Mas só fez isso a nove dias do voto, quando o próprio plano falava em apenas regular, e nas drogas fala em “redução de danos”.
Propostas
- Ressalva: Manter mecanismos de controle de gastos excessivos em apostas on-line (redação de agosto, anterior à proibição anunciada em setembro).
mantendo os mecanismos de controle de gastos excessivos em apostas on-line
- A favor do ensino da Igreja: Ampliar no SUS o atendimento a pessoas com problemas ligados a jogos de apostas.
Ampliaremos os profissionais e as estratégias voltadas às pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas.
Por quê: A paixão do jogo “pode tornar-se uma grave servidão” (Catecismo 2413); tratar quem caiu nela é cuidar da saúde, que “requer a ajuda da sociedade” (Catecismo 2288).
- A favor do ensino da Igreja: Assinou medida provisória proibindo as bets no país e enviou projeto de lei com penas para quem operar ou divulgar sites de apostas (anúncio em evento em São Paulo, nove dias antes do 1º turno).
Me lembrou um pouco do começo do crack. A bet está acontecendo exatamente a mesma coisa, num grau muito maior, porque é digital
Por quê: As apostas “tornam-se moralmente inaceitáveis, quando privam a pessoa do que lhe é necessário” (Catecismo 2413); a proibição mira o endividamento que as bets causaram.
- Ressalva: Drogas: o plano cita 'redução de danos' na política de saúde mental para jovens e combate financeiro ao tráfico; não trata de descriminalização.
com foco na Política Nacional de Atenção Psicossocial, na redução de danos e na desconstrução de preconceitos nas comunidades escolares e universitárias
Por quê: Para a Igreja, usar drogas fora de prescrição “é uma falta grave” (Catecismo 2291); “redução de danos” pode ser tratamento ou tolerância ao uso, e o plano não diz qual.
Contradições
- Mudança de Lula: o plano registrado em 08/08 falava em “manter os mecanismos de controle” das apostas (p. 49); em 25/09 ele assinou a proibição.FonteBBC News Brasil
Programas sociais e fomeDoutrina Social6575
O que a Igreja ensina
“Quando damos aos indigentes o que lhes é necessário, não lhes ofertamos o que é nosso: limitamos a restituir-lhes o que lhes pertence”
Catecismo 2446
Por que essa nota: Promete manter os programas, dar prioridade ao beneficiário nas vagas de emprego e criar o “Ganha-Ganha”. Mas o plano nem cita o Bolsa Família, e a equipe estudou corrigir o piso da Previdência e do BPC só pela inflação; depois a campanha disse que manterá a ligação com o salário mínimo.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Manter os programas sociais existentes, com correção de distorções e combate a fraudes. O plano não cita nominalmente o Bolsa Família nem o BPC.
vamos manter os programas sociais existentes, com aperfeiçoamento da gestão, correção de distorções e combate às fraudes.
Por quê: A autoridade “deve tornar acessível a cada qual aquilo de que precisa para levar uma vida verdadeiramente humana” (Catecismo 1908); manter os programas sociais faz isso.
- A favor do ensino da Igreja: Prioridade ao beneficiário em programas de emprego e retorno imediato ao benefício após o seguro-desemprego.
garantiremos o retorno imediato e sem fila ao benefício após o seguro-desemprego, mantidas as condições de elegibilidade
Por quê: A sociedade “deve, nas diversas circunstâncias, ajudar os cidadãos a conseguir um trabalho e um emprego” (Catecismo 2433); o plano liga o benefício a uma porta de saída pelo trabalho.
- A favor do ensino da Igreja: Programa 'Ganha-Ganha' pela CAIXA, de adesão voluntária, que converte atitudes (cursos, emprego, contas em dia) em crédito, juros menores e cashback.
atitudes como concluir um curso de qualificação, formalizar um negócio, conseguir um emprego ou manter as contas em dia formem um histórico positivo que trabalha a favor do cidadão: acesso a crédito, juros menores e cashback para quem hoje é invisível ao sistema financeiro
Por quê: A Igreja pede que os pobres “sejam ajudados a adquirir os conhecimentos, a entrar no círculo de relações, a desenvolver as suas aptidões” (Centesimus Annus 34); o programa premia curso, emprego e contas em dia.
- A favor do ensino da Igreja: Promete manter o Bolsa Família e o reajuste de 15% anunciado pelo governo (fala em live). Sobre o BPC, ver a contradição abaixo.
Comigo tá garantido o Bolsa Família. Vou manter esse reajuste [anunciado pelo governo Lula], só que vou fazer muito mais do que isso.
Por quê: A autoridade “deve tornar acessível a cada qual aquilo de que precisa para levar uma vida verdadeiramente humana” (Catecismo 1908); manter o Bolsa Família e o reajuste faz isso.
Por que essa nota: Amplia a proteção social, devolve tributo aos mais pobres e mantém cozinhas solidárias e compras da agricultura familiar. A dúvida é como pagar com a dívida em alta, e o plano não traz caminho de saída do Bolsa Família pelo trabalho. O reajuste do Bolsa Família, anunciado 17 dias antes do voto, conta contra na aba Fé (Benefícios na véspera do voto).
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Manter, aperfeiçoar e ampliar a proteção social e os programas de transferência de renda.
devemos manter, aperfeiçoar e ampliar as políticas de proteção social para quem mais necessita.
Por quê: A autoridade “deve tornar acessível a cada qual aquilo de que precisa para levar uma vida verdadeiramente humana” (Catecismo 1908); manter e ampliar a proteção social faz isso.
- A favor do ensino da Igreja: Cashback de tributos para os mais pobres e isenção da cesta básica, previstos na reforma tributária do consumo.
A cesta básica ficará isenta desses impostos e os mais pobres terão direito a um mecanismo de cashback
Por quê: A Igreja pede “racionalidade e eqüidade na imposição dos tributos” e “grande atenção a amparar as famílias” (Compêndio 355); devolver imposto aos mais pobres e isentar a cesta básica vão nessa linha.
- A favor do ensino da Igreja: Fomentar cozinhas solidárias, restaurantes populares e lavanderias públicas (p. 26).
Fomentaremos a construção de infraestruturas que ampliam os cuidados indiretos e comunitários, como as lavanderias públicas, as cozinhas solidárias e os restaurantes populares.
Por quê: A autoridade deve tornar acessível a cada um o que precisa para viver, a começar pelo “alimento” (Catecismo 1908); cozinhas solidárias e restaurantes populares servem a isso.
- A favor do ensino da Igreja: Manter a ampliação do PAA, que compra alimentos da agricultura familiar para equipamentos públicos e famílias vulneráveis (p. 59 e 60).
A ampliação do PAA será mantida, priorizando a compra de alimentos frescos e diversificados da agricultura familiar e da sociobiodiversidade para equipamentos públicos e famílias vulneráveis.
Por quê: A autoridade deve tornar acessível a cada um o que precisa para viver, a começar pelo “alimento” (Catecismo 1908); o PAA leva comida a quem precisa e ajuda o pequeno produtor.
- A favor do ensino da Igreja: Continuar apoiando estados e municípios a comprar da agricultura familiar ao menos 45% da merenda escolar (p. 59).
No próximo mandato, continuaremos apoiando estados e municípios para cumprirem estes percentuais
Por quê: A autoridade deve tornar acessível a cada um o que precisa para viver, a começar pelo “alimento” (Catecismo 1908); comprar a merenda do pequeno produtor alimenta as crianças e sustenta famílias do campo.
- A favor do ensino da Igreja: BPC e aposentadorias atrelados à valorização do salário mínimo (o plano descreve a regra como conquista e promete continuidade da valorização do mínimo, p. 74).
Reinstituímos a política de valorização do salário-mínimo, que assegurou ganhos reais para trabalhadores, aposentados e beneficiários do BPC.
Por quê: A Igreja pede “assistência aos idosos” (Catecismo 2211) e defende o “direito à pensão de aposentadoria” (Laborem Exercens 19); ligar BPC e aposentadorias ao mínimo protege os dois.
- Ressalva: Em 17/09/2026, às vésperas da eleição, o governo anunciou reajuste de 15,04% no Bolsa Família, para repor a inflação desde 2023; o piso passou de R$ 600 para R$ 691.
Por quê: É ato de governo, e não proposta. A data, a 17 dias do voto, conta na aba Fé, em Benefícios na véspera do voto, onde a Igreja reprova responder “a exigências populares, com o fim de ter garantido os votos ou o apoio do povo” (Fratelli Tutti 161).
- Ressalva: Fala em “inclusão produtiva” ao lado dos programas de transferência de renda (p. 18) e promete ampliar a qualificação profissional e a plataforma de empregos do Sine (p. 74), mas não traz meta nem caminho para as famílias saírem do Bolsa Família pelo trabalho.
O combate às desigualdades requer justiça tributária, fortalecimento do Estado de bem-estar social, valorização do salário-mínimo, inclusão produtiva, educação, saúde, programas eficientes de transferência de renda.
Por quê: A Igreja quer que a ajuda em dinheiro seja “um remédio provisório para enfrentar emergências” e que “o verdadeiro objetivo” seja “consentir-lhes uma vida digna através do trabalho” (Fratelli Tutti 162); o plano não diz como chegar lá.
Contradições
- Contradição de Flávio: a Folha relatou em abril que a equipe estudava corrigir pisos e benefícios só pela inflação; em 25/09 a campanha disse que a vinculação ao salário mínimo será mantida. O plano final não trata do tema.
Trabalho e salárioDoutrina Social4580
O que a Igreja ensina
O salário justo é “a verificação concreta da justiça” do sistema; e “os poderes públicos preocupar-se-ão em assegurar aos cidadãos um tempo destinado ao repouso e ao culto divino”
Laborem Exercens 19; Catecismo 2187
Por que essa nota: Reduz o custo do emprego formal e põe o negociado acima da lei, sem garantir ganho real do mínimo. A resposta à escala 6x1 é deixar o trabalhador montar a própria escala, mantidos os direitos da Constituição, sem garantir o segundo dia de folga.
Propostas
- Ressalva: Reduzir gradualmente o custo do trabalho formal, com contratos de menor custo para jovens de 18 a 24 anos e para desempregados com 50 anos ou mais (p. 43 e 44). O plano não trata de salário mínimo nem da escala 6x1.
Vamos reduzir gradualmente o custo do trabalho, sem retirar direitos, para que mais brasileiros tenham carteira assinada
Por quê: Mais carteira assinada é bom, e a Igreja pede salário justo (Laborem Exercens 19); o plano não diz o que fica mais barato, e o custo do emprego é escolha que a doutrina não decide.
- Ressalva: Prevalência do negociado sobre o legislado e jornada flexível.
Por isso defendemos o negociado sobre o legislado
Por quê: A Igreja quer que os conflitos de trabalho se resolvam por “negociação que respeite os direitos e deveres de todos os parceiros sociais” (Catecismo 2430), mas não decide se o acordo pode valer mais que a lei.
- Ressalva: Alternativa ao fim da 6x1: liberdade para o trabalhador escolher a escala e ser pago pelas horas trabalhadas (entrevista à Record TV).
Você vai ter todos os seus direitos trabalhistas garantidos como estando na Constituição Federal. Mas vai trabalhar quantas horas você quiser. Você vai montar a sua escala de trabalho
Por quê: Os poderes públicos devem assegurar “um tempo destinado ao repouso e ao culto divino” (Catecismo 2187). A proposta mantém a folga da Constituição, mas não garante o segundo dia; quantos dias, a doutrina não fixa.
- Ressalva: Aposentadorias: plano promete pacote antifraude no INSS (p. 72); na sabatina da Globo disse que não fará economia com salário mínimo nem com aposentados, sem responder diretamente se manterá a vinculação ao mínimo.
Não farei economia com quem ganha salário mínimo e não farei economia com aposentados
Por que essa nota: Fim da escala 6x1 sem redução de salário e valorização real do mínimo, em linha com o descanso e o salário justo. Falta dizer quanto isso custa a quem emprega.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Fim da escala 6x1 e jornada de 40 horas sem redução salarial (PEC em tramitação no Senado). Em 02/10/2026, disse estar 'convicto' de que o Senado aprovará a PEC.
Manteremos nossa ação junto ao Senado Federal para assegurar o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas, sem redução salarial, nos termos aprovados na Câmara dos Deputados.
Por quê: Os poderes públicos devem assegurar “um tempo destinado ao repouso e ao culto divino” (Catecismo 2187); dois dias de folga sem cortar salário dão mais tempo para a família e o domingo.
- A favor do ensino da Igreja: Continuidade da valorização real do salário mínimo (p. 74).
o novo mandato de Lula dará continuidade à política de valorização do salário mínimo como meio estratégico de distribuição de renda
Por quê: Para a Igreja, “o justo salário” é “a verificação concreta da justiça de cada sistema sócio-económico” (Laborem Exercens 19); aumentar o mínimo acima da inflação vai nessa linha.
- A favor do ensino da Igreja: Combater a pejotização espúria, com fiscalização e regras contra migrações fraudulentas (p. 74).
Vamos continuar combatendo a pejotização espúria, com fiscalização, regras que inibam migrações fraudulentas, equiparando responsabilidades administrativas e previdenciárias e fortalecendo a inspeção do trabalho.
Por quê: Para a Igreja, “o justo salário” é “a verificação concreta da justiça de cada sistema sócio-económico” (Laborem Exercens 19); impedir que o empregado seja disfarçado de empresa protege o salário e os direitos dele.
- A favor do ensino da Igreja: Regras para o trabalho por aplicativos e plataformas: relação de trabalho, remuneração, proteções e direitos (p. 74 e 75).
Queremos consolidar um sistema de proteção aos trabalhadores na economia digital e de plataformas
Por quê: Para a Igreja, “o justo salário” é “a verificação concreta da justiça de cada sistema sócio-económico” (Laborem Exercens 19); dar regras e proteção a quem trabalha por aplicativo vai nessa linha.
- Ressalva: Previdência: diversificar fontes de custeio, mecanismos contributivos mais flexíveis e cobertura previdenciária para trabalhadores de plataforma.
buscar reestruturar a base de financiamento da Previdência, buscando a diversidade das fontes de custeio.
Por quê: Como custear a Previdência é escolha técnica, que a doutrina não decide.
Economia e contas públicasDoutrina Social6050
O que a Igreja ensina
“Já não se pode falar de desenvolvimento sustentável sem uma solidariedade intergeneracional”
Laudato Si’ 159
Por que essa nota: Corte de gastos, regra focada em reduzir a dívida e privatizações. Responsável no papel, mas sem dizer onde corta, e já falou em suspender a reforma tributária por um ano.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: 'Tesouraço': corte amplo de gastos, com corte de no mínimo 10 ministérios, redução de cargos comissionados e combate a supersalários (p. 68 e 69).
Nossa bandeira é um grande TESOURAÇO: um corte profundo e por todos os lados, que enxuga a máquina, coloca as contas em ordem e reduz os impostos que pesam sobre quem produz.
Por quê: A Igreja pede “rigor e integridade na administração e na destinação dos recursos públicos” (Compêndio 355); cortar supersalários e cargos vai nessa linha. O plano não diz onde corta o resto.
- A favor do ensino da Igreja: Substituir as regras fiscais atuais (o plano critica o arcabouço) por regras focadas na redução da dívida, com superávits primários e limite aos gastos discricionários dos três Poderes.
Apresentaremos uma reformulação nas atuais regras fiscais, com regras claras focadas na estabilização e na redução da dívida pública conforme determina a Constituição.
Por quê: “A noção de bem comum engloba também as gerações futuras” (Laudato Si’ 159); uma regra para reduzir a dívida evita jogar a conta nos filhos e netos.
- Ressalva: Rever e redimensionar a reforma tributária do consumo para reduzir o IVA e as exceções. O plano não trata de Imposto de Renda. Em fala de 09/06/2026 prometeu suspender a reforma por um ano.
Vamos promover a revisão e o redimensionamento da reforma tributária em curso e da majoração de impostos efetuada pelo atual governo, com o objetivo de reduzir efetivamente a carga sobre a produção e o consumo.
Por quê: A Igreja pede “racionalidade e eqüidade na imposição dos tributos” (Compêndio 355), mas não decide o desenho do imposto, e o plano não diz o que muda para os mais pobres.
- Ressalva: Retomar o Programa Nacional de Desestatização, sem lista de empresas.
vamos retomar o Programa Nacional de Desestatização com critério, avaliando caso a caso onde a presença do Estado deixou de fazer sentido.
Por quê: A doutrina não decide se cada empresa deve ser pública ou privada; pede que a ação do Estado siga “critérios de eqüidade, racionalidade e eficiência” (Compêndio 354).
Por que essa nota: Mantém o arcabouço fiscal e as estatais no centro. Mas a dívida subiu de 71,7% para 82,9% do PIB no mandato atual, e o plano não diz como reverter. A reforma tributária e o papel das estatais são escolhas que a doutrina não decide.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Manter o arcabouço fiscal e buscar queda sustentada dos juros com inflação controlada.
manteremos o novo arcabouço fiscal, que controlou o crescimento das despesas sem prejudicar as políticas sociais e permitiu uma redução significativa do déficit primário.
Por quê: “A noção de bem comum engloba também as gerações futuras” (Laudato Si’ 159), e o Estado deve assegurar uma “moeda estável” (Catecismo 2431); limitar a despesa e controlar a inflação vão nessa linha.
- Ressalva: Consolidar a reforma tributária do consumo e usar o Imposto Seletivo contra produtos nocivos à saúde (p. 59). Sobre IR, o plano descreve como feito a isenção até R$ 5 mil (p. 19), sem nova mudança proposta.
consolidar os avanços promovidos pela reforma tributária e pelas políticas de desenvolvimento produtivo
Por quê: A Igreja pede “racionalidade e eqüidade na imposição dos tributos” (Compêndio 355), mas não decide o desenho do imposto nem quais produtos taxar mais. O alívio aos mais pobres conta em Programas sociais.
- Ressalva: Papel estratégico das estatais: Petrobras volta à distribuição de combustíveis e amplia refino. O plano não menciona privatizações.
A Petrobras deverá retornar ao segmento de distribuição de combustíveis, expandindo sua capacidade de refino
Por quê: A doutrina não decide se cada empresa deve ser pública ou privada; pede que a ação do Estado siga “critérios de eqüidade, racionalidade e eficiência” (Compêndio 354).
- Ressalva: Descarta privatizar os Correios (entrevista ao Jornal Nacional, citada pelo O Globo). Os Correios não aparecem no plano.
Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios
Por quê: A doutrina não decide se cada empresa deve ser pública ou privada; pede que a ação do Estado siga “critérios de eqüidade, racionalidade e eficiência” (Compêndio 354).
Contradições
- Flávio: o plano fala em “revisão e redimensionamento” da reforma tributária (p. 71), mas em junho ele disse “Vamos suspender a entrada em vigor dela por, pelo menos, um ano”. Também defendeu manter a isenção do IR até R$ 5 mil.
- Dívida bruta do governo geral no governo Lula 3, de dezembro de 2022 a agosto de 2026.
EmpreendedorismoDoutrina Social7065
O que a Igreja ensina
“Cada um tem o direito de iniciativa económica e usará legitimamente os seus talentos”
Catecismo 2429
Por que essa nota: Programa Minha Primeira Empresa, revogaço de normas e Liberdade Econômica em estados e municípios, na linha da subsidiariedade. Mas o plano não cita MEI nem Simples, e o crédito passa pela Caixa, um banco estatal.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Programa 'Minha Primeira Empresa': menos burocracia, capacitação pelo Sistema S e crédito da CAIXA.
vamos criar o Minha Primeira Empresa: menos burocracia para abrir e formalizar o negócio, capacitação e orientação pelo Sistema S
Por quê: “Cada um tem o direito de iniciativa económica” (Catecismo 2429); menos burocracia, curso e crédito para abrir a primeira empresa ajudam a exercê-lo.
- A favor do ensino da Igreja: 'Revogaço' regulatório e extensão da Lei de Liberdade Econômica a estados e municípios.
Vamos promover um amplo revogaço regulatório, revisando normas obsoletas e racionalizando procedimentos
Por quê: “Cada um tem o direito de iniciativa económica” (Catecismo 2429), e o Estado não deve “substituir a ação dos indivíduos” (Compêndio 354); rever normas velhas ajuda quem empreende.
- A favor do ensino da Igreja: Transformar a CAIXA em 'Banco da Prosperidade' (crédito, orientação financeira, apoio ao empreendedor).
A CAIXA deixará de ser apenas a operadora de benefícios para se tornar o Banco da Prosperidade.
Por quê: “Cada um tem o direito de iniciativa económica” (Catecismo 2429); crédito e orientação financeira para quem quer empreender ajudam a exercê-lo.
- A favor do ensino da Igreja: Apoio à internacionalização de pequenas e médias empresas via BNDES e Apex-Brasil. O plano não menciona MEI.
apoiar a internacionalização de pequenas e médias empresas via BNDES e Apex-Brasil
Por quê: “Cada um tem o direito de iniciativa económica” (Catecismo 2429); ajudar pequenas empresas a vender fora do país ajuda a exercê-lo.
Por que essa nota: Crédito com fundos garantidores, compras públicas de pequenas empresas, ambiente de negócios mais simples e limite maior do MEI. Ajuda o pequeno, mas o crédito continua passando pelo Estado.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Simplificar o ambiente de negócios, ampliar compras públicas de pequenas empresas e tratamento tributário justo na reforma.
vamos simplificar ainda mais o ambiente de negócios, ampliar o acesso das pequenas empresas às compras governamentais, assegurar tratamento tributário justo na implementação da reforma tributária
Por quê: “Cada um tem o direito de iniciativa económica” (Catecismo 2429); menos burocracia, compras públicas e imposto justo ajudam a pequena empresa.
- A favor do ensino da Igreja: Crédito a micro, pequenas e médias empresas por fundos garantidores e ampliação do Brasil Mais Produtivo.
Seguiremos potencializando o acesso a crédito para MPMEs por meio dos fundos garantidores.
Por quê: “Cada um tem o direito de iniciativa económica” (Catecismo 2429); crédito com garantia pública ajuda o pequeno empresário.
- A favor do ensino da Igreja: Políticas para autônomos e pequenos empreendedores, incluindo proteção previdenciária.
Vamos ampliar e aprimorar políticas para os trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores, com acesso ao crédito produtivo
Por quê: “Cada um tem o direito de iniciativa económica” (Catecismo 2429); crédito e proteção na Previdência ajudam quem trabalha por conta própria.
- A favor do ensino da Igreja: Promessa de campanha (programa de TV): elevar o limite de faturamento do MEI para até R$ 140 mil por ano, projeto já enviado ao Congresso. Não há fala literal de Lula sobre o MEI na matéria; o plano só cita a elevação passada da faixa (p. 76).
Por quê: “Cada um tem o direito de iniciativa económica” (Catecismo 2429); um limite maior do MEI deixa o pequeno crescer sem sair da formalização.
Saúde e educaçãoDoutrina Social7070
O que a Igreja ensina
O poder público deve conceder “subsídios públicos de tal modo que os pais possam escolher, segundo a própria consciência, com toda a liberdade, as escolas para os seus filhos”
Gravissimum Educationis 6
Por que essa nota: Corrige a tabela do SUS para santas casas, usa horários ociosos da rede privada e propõe voucher onde falta vaga: um passo, ainda limitado, na direção do subsídio que o Concílio defende para a escolha dos pais.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Correção efetiva da tabela SUS para hospitais, santas casas e clínicas; ampliar Saúde da Família.
Vamos garantir as condições para que seja possível a correção efetiva da tabela SUS.
Por quê: O cuidado da saúde “requer a ajuda da sociedade” (Catecismo 2288); pagar melhor santas casas e hospitais e ampliar a Saúde da Família faz isso.
- A favor do ensino da Igreja: Contratar exames e serviços da rede privada em horários ociosos; prontuário eletrônico único e telessaúde (p. 26 e 38).
vamos contratar serviços e exames na rede privada nos horários ociosos
Por quê: O cuidado da saúde “requer a ajuda da sociedade” (Catecismo 2288); usar a rede privada nas horas vagas e a telessaúde encurta a espera.
- Ressalva: Alfabetização pelo método fônico e Programa Acolher (aluno com bom desempenho remunerado para dar reforço).
Vamos priorizar o método fônico, que é o de melhor resultado comprovado pela ciência
Por quê: Método de alfabetização e reforço pago a alunos são escolhas técnicas, que a doutrina não decide.
- A favor do ensino da Igreja: Voucher educacional onde faltar vaga na rede pública (e voucher-creche, p. 21).
onde faltar vaga na rede pública, a família receberá um voucher educacional para matricular o filho em outra escola
Por quê: O poder público deve dar “subsídios públicos de tal modo que os pais possam escolher” a escola (Gravissimum Educationis 6); o voucher vai nessa direção, mas só onde falta vaga.
Por que essa nota: Farmácia Popular gratuita, mutirões de especialistas, escola em tempo integral e o Pé-de-Meia para segurar o aluno no ensino médio.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Ampliar o 'Agora Tem Especialistas' (terceiro turno, carretas, mutirões e parceria com hospitais privados).
As ações do Agora Tem Especialistas serão ainda mais impulsionadas.
Por quê: O cuidado da saúde “requer a ajuda da sociedade” (Catecismo 2288); mutirões e mais turnos encurtam a fila dos especialistas.
- A favor do ensino da Igreja: Manter o Farmácia Popular 100% gratuito e incluir exames laboratoriais para doenças crônicas.
O programa será mantido, 100% gratuito
Por quê: O cuidado da saúde “requer a ajuda da sociedade” (Catecismo 2288); remédio gratuito e exames para doenças crônicas fazem isso.
- A favor do ensino da Igreja: Prioridade absoluta à expansão da educação em tempo integral.
O fomento à expansão da educação em tempo integral terá absoluta prioridade no novo mandato.
Por quê: A sociedade deve ajudar a garantir o “ensino básico” (Catecismo 2288); mais escola em tempo integral amplia esse acesso.
- A favor do ensino da Igreja: Continuar e fortalecer o Pé-de-Meia (bolsa para permanência no ensino médio) e expandir institutos federais (p. 33).
Vamos dar continuidade e fortalecer o Pé-de-Meia.
Por quê: Todos têm “direito inalienável a uma educação” (Gravissimum Educationis 1); a bolsa para ficar no ensino médio ajuda o jovem pobre a não largar a escola.
Segurança públicaDoutrina Social5570
O que a Igreja ensina
“Defender o bem comum implica colocar o agressor injusto na impossibilidade de fazer mal”; e a autoridade deve infligir “penas proporcionadas à gravidade do delito”, que devem, “na medida do possível, contribuir para a emenda do culpado”
Catecismo 2265 e 2266
Por que essa nota: Enfrenta as facções com força e inteligência, segue o dinheiro do crime, cria tropa de elite nas fronteiras e põe tornozeleira em agressores de mulheres, o que cumpre o dever de proteger. As medidas duras (maioridade penal aos 16, fim da progressão de regime, presídios no modelo de El Salvador e o “bandido armado com fuzil na mão vai ser abatido”) são escolhas que a doutrina não decide, mas nenhuma ajuda a recuperar o preso, e ele disse que “prisão é lugar de punição”, não de ressocializar. Armas para civis estão em estudo.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Combater as facções com força, inteligência e integração para prender os chefes (p. 13).
Elas serão combatidas com força, inteligência e integração para que seus líderes sejam presos e seus negócios ilícitos, asfixiados.
Por quê: Desmontar as facções protege quem vive sob o domínio delas. Há “organizações criminosas ramificadas que os Estados têm o dever de desmantelar” (Papa Leão XIV, 26/06/2025).
- A favor do ensino da Igreja: Seguir o dinheiro do crime: bloquear bens e desmontar a lavagem que sustenta as facções (p. 13).
Vamos seguir o dinheiro do crime: bloquearemos ativos e desarticularemos a lavagem de dinheiro que sustenta as facções.
Por quê: Desmontar as facções protege quem vive sob o domínio delas. Há “organizações criminosas ramificadas que os Estados têm o dever de desmantelar” (Papa Leão XIV, 26/06/2025).
- A favor do ensino da Igreja: Retomar territórios junto com políticas públicas, em consórcios e convênios com estados e municípios (p. 13).
Vamos fazer consórcios e convênios com estados e municípios para investir em inteligência, retomada de territórios alinhada a políticas públicas estruturantes, tecnologia, armamentos de última geração e valorização do policial.
Por quê: Desmontar as facções protege quem vive sob o domínio delas. Há “organizações criminosas ramificadas que os Estados têm o dever de desmantelar” (Papa Leão XIV, 26/06/2025).
- A favor do ensino da Igreja: Criar uma tropa de elite das Forças Armadas nas fronteiras, para barrar armas e drogas (p. 13 e 14).
Vamos criar o Sistema Nacional de Fronteira, uma tropa de elite do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira
Por quê: Barrar as armas e as drogas que abastecem as facções protege a população: “Defender o bem comum implica colocar o agressor injusto na impossibilidade de fazer mal” (Catecismo 2265).
- Ressalva: Declarar PCC, CV, milícias e as outras facções organizações narcoterroristas (p. 13).
PCC, CV, milícias e todas as outras facções serão declaradas como organizações narcoterroristas.
Por quê: A Igreja condena o terrorismo, que “ameaça, fere e mata” (Catecismo 2297), mas a doutrina não diz se facções devem ter esse rótulo na lei. É escolha jurídica em que católicos divergem.
- Ressalva: Redução da maioridade penal para 16 anos e punição a maiores de 14 anos em crimes graves (p. 13).
O novo governo do Brasil vai apoiar e sancionar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.
Por quê: A Igreja pede “penas proporcionadas à gravidade do delito” (Catecismo 2266), e o Papa Francisco pediu que os Estados não punam penalmente “as crianças, que ainda não completaram o seu desenvolvimento para a maturidade” (2014). Mas a doutrina não fixa a idade penal.
- Ressalva: Cinco presídios de segurança máxima “no modelo adotado por El Salvador”, para isolar chefes de facção sem celular, sem visita íntima e com visitas monitoradas, e meio milhão de novas vagas em quatro anos (p. 14). Em El Salvador, segundo a Human Rights Watch, o regime de exceção prendeu mais de 90 mil pessoas, a maioria incomunicável e ainda sem julgamento; ao menos 458 presos morreram, segundo uma ONG local, e há relatos de tortura. Flávio disse que a experiência de lá “é possível ser inspiradora para nós aqui no Brasil”.
O Brasil terá 5 novos presídios de segurança máxima no modelo adotado por El Salvador.
Por quê: Isolar chefes de facção protege a população, e Lula propõe o mesmo. Mas o modelo citado tem relatos de tortura, que é “contrária ao respeito pela pessoa e pela dignidade humana” (Catecismo 2297). O plano não diz que vai copiar isso.
- Ressalva: Acabar com a progressão de regime para crimes hediondos (“Quem tirar uma vida vai cumprir integralmente sua condenação”) e obrigar assassinos e agressores de mulheres a cumprir a pena inteira (p. 14 a 16).
o novo Governo do Brasil vai usar toda a sua força para acabar com a progressão de regime de quem comete crimes hediondos.
Por quê: A pena protege a sociedade e deve também, “na medida do possível, contribuir para a emenda do culpado” (Catecismo 2266). A doutrina não diz como deve ser a progressão de regime: é escolha do legislador.
- A favor do ensino da Igreja: Monitorar com tornozeleira eletrônica os agressores das mulheres com medida protetiva (p. 14).
Os agressores das mais de meio milhão de mulheres com medida protetiva no Brasil serão monitorados pelas autoridades com o uso de tornozeleiras eletrônicas.
Por quê: Protege mulheres ameaçadas sem ferir direitos: a autoridade deve garantir, “por meios honestos, a segurança da sociedade e dos seus membros” (Catecismo 1909).
- Ressalva: Uso de força letal contra criminosos armados que enfrentarem o Estado.
Bandido armado com fuzil na mão vai ser abatido pelas forças de segurança.
Por quê: A polícia pode usar armas “para repelir os agressores” (Catecismo 2265), mas a Igreja condena execuções disfarçadas de “confrontos com delinquentes” (Fratelli Tutti 267). A frase não diz se o abate é só quando o bandido ataca.
- Ressalva: Armas para civis: o plano não trata do tema. Reportagem relata que a equipe de campanha estuda revogar o Estatuto do Desarmamento (proposta detalhada pelo deputado Marcos Pollon), sem fala literal de Flávio.
Por quê: As autoridades têm “o direito e o dever” de regulamentar o comércio de armas (Catecismo 2316), mas o plano não traz proposta: só há reportagem sobre estudos da equipe.
- Contra o ensino da Igreja: Ao lançar o pacote de segurança, disse que prisão é lugar de punição, e não de ressocializar.
Infelizmente, prisão não é lugar de ressocializar ninguém. Prisão é lugar de punição
Por quê: A Igreja ensina que a pena também tem “uma finalidade medicinal” e deve, “na medida do possível, contribuir para a emenda do culpado” (Catecismo 2266). A fala nega esse fim.
Por que essa nota: Asfixia financeira das facções, retomada de territórios com urbanização das periferias, isolamento dos chefes no sistema federal, controle de armas e as metas do Plano Pena Justa, com “redução da reincidência e a garantia de direitos”: protege a população e ajuda a recuperar o preso. Mas o Ministério da Segurança depende de a PEC passar, e o plano não trata da maioridade penal.
Propostas
- Ressalva: Criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC da Segurança.
Uma vez aprovada a PEC da Segurança Pública proposta pelo Executivo, criaremos o Ministério da Segurança Pública
Por quê: Criar um ministério é escolha de organização do governo, que a doutrina não decide. E depende de o Congresso aprovar a PEC.
- A favor do ensino da Igreja: Asfixia financeira de facções e milícias (Lei Antifacção, programa Brasil Contra o Crime Organizado) (p. 27).
Manteremos a estratégia de asfixia financeira do crime organizado por meio de ações articuladas
Por quê: Desmontar as facções protege quem vive sob o domínio delas. Há “organizações criminosas ramificadas que os Estados têm o dever de desmantelar” (Papa Leão XIV, 26/06/2025).
- A favor do ensino da Igreja: Retomada de territórios, com urbanização de favelas e periferias e acesso a serviços públicos (p. 27 e 28).
priorizaremos investimentos continuados na urbanização de favelas e periferias, na requalificação de espaços públicos e na ampliação do acesso a serviços públicos essenciais para estimular atividades econômicas lícitas e reduzir mercados explorados pelo crime organizado.
Por quê: Desmontar as facções protege quem vive sob o domínio delas. Há “organizações criminosas ramificadas que os Estados têm o dever de desmantelar” (Papa Leão XIV, 26/06/2025).
- A favor do ensino da Igreja: Manter o controle de armas e munições e reforçar a fiscalização de CACs.
manteremos uma política de controle de armas e munições
Por quê: Regular as armas é dever do Estado: as autoridades têm “o direito e o dever de os regulamentar” (Catecismo 2316). Manter o controle e fiscalizar os CACs é cumprir esse dever.
- A favor do ensino da Igreja: Fortalecer o sistema penitenciário federal para isolar lideranças e criar um protocolo nacional para classificar e transferir presos de alta periculosidade (p. 28).
Fortaleceremos o sistema penitenciário federal, ampliando sua capacidade operacional e de isolamento de lideranças criminosas
Por quê: Isolar os chefes impede que mandem no crime de dentro da cadeia: é “colocar o agressor injusto na impossibilidade de fazer mal” (Catecismo 2265).
- A favor do ensino da Igreja: Cumprir as metas do Plano Pena Justa e criar o Pacto Nacional de Execução Penal, com foco em reduzir a reincidência e garantir direitos no sistema prisional.
A gestão do sistema prisional é estratégica para o enfrentamento ao crime organizado, a redução da reincidência e a garantia de direitos. Cumpriremos as metas do Plano Pena Justa
Por quê: A Igreja pede que a pena ajude a “favorecer a reinserção das pessoas condenadas” (Compêndio 403), e o plano promete reduzir a reincidência e garantir direitos nas prisões.
- Ressalva: Maioridade penal: o plano não trata do tema e nenhuma fala de Lula de 2026 foi localizada.
Por quê: Não há proposta para avaliar. A doutrina não fixa a idade penal.
Contradições
- Facções na Amazônia: de 178 municípios em 2023 para 344 em 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.FonteFBSP
Meio ambiente e AmazôniaDoutrina Social3565
O que a Igreja ensina
Quando “as autoridades deixam mão livre a madeireiros, a projetos minerários ou petrolíferos e outras atividades que devastam as florestas”, as relações económicas “tornam-se um instrumento que mata”
Querida Amazônia 14
Por que essa nota: Meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029, mas promete não demarcar terras indígenas, aprovação tácita de licenças e o fim de “amarras ambientais”. Põe em dúvida a causa humana do aquecimento.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029, com fiscalização por satélite e inteligência artificial (p. 58). O plano não menciona mudança climática nem a Foz do Amazonas.
Teremos a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029
Por quê: A Igreja chama de “injustiça e crime” as operações que danificam a Amazônia (Querida Amazônia 14); zerar o desmatamento ilegal, com fiscalização, protege a floresta.
- Ressalva: Licenciamento ambiental com prazo: se o órgão não decidir dentro do prazo, a licença é concedida, inclusive para grandes obras e minas (p. 49 e 50).
Se não decidir nem se manifestar dentro desse prazo, a licença deve ser concedida
Por quê: A Igreja pede que o estudo de impacto ambiental não seja “posterior à elaboração dum projecto” (Laudato Si’ 183); a licença por prazo vencido pode sair sem análise concluída. Dar prazo ao Estado, em si, a doutrina não decide.
- Ressalva: Autonomia de indígenas e quilombolas para decidir atividades produtivas em suas terras, com indenização de restrições.
Será conferida autonomia aos povos indígenas e quilombolas para decidir sobre atividades produtivas em suas terras
Por quê: A Igreja defende a “autodeterminação” dos povos nativos (Querida Amazônia 14), e o plano fala em autonomia; mas não diz como evitar que as terras sejam abertas a atividades que as devastem.
- Contra o ensino da Igreja: Diz que não demarcará novas terras indígenas (feira Norte Show, Sinop, MT). Demarcação não aparece no plano.
Se depender do nosso governo nenhuma dessas reservas será demarcada
Por quê: A Igreja chama de “injustiça e crime” o que não respeita “o direito dos povos nativos ao território e sua demarcação” (Querida Amazônia 14). Recusar toda demarcação vai contra isso.
- Contra o ensino da Igreja: Promete acabar com 'amarras ambientais' para explorar terras raras no Norte (vídeo de campanha de agosto).
Vamos acabar com essas amarras ambientais, porque, do jeito que está, nem se preserva o meio ambiente, nem se transforma todo esse potencial em prosperidade
Por quê: A Igreja condena quando “as autoridades deixam mão livre” a “projetos minerários” que devastam as florestas (Querida Amazônia 14). Acabar com regras ambientais para minerar no Norte vai nessa direção.
Por que essa nota: Desmatamento líquido zero até 2030 e demarcações. Mas chama o petróleo da Foz do Amazonas de “passaporte para o futuro”, quando a Igreja pede trocar o petróleo “progressivamente e sem demora” (Laudato Si’ 165), ainda que aceite soluções de transição.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Desmatamento líquido zero até 2030.
continuaremos trabalhando para alcançar o desmatamento líquido zero até 2030
Por quê: A Igreja chama de “injustiça e crime” as operações que danificam a Amazônia (Querida Amazônia 14); zerar o desmatamento, descontado o que for replantado, protege a floresta.
- A favor do ensino da Igreja: Demarcação e desintrusão de terras indígenas quando necessárias.
Persistiremos, garantindo proteção a seus territórios, com ações para demarcação e desintrusão de terras sempre que necessárias.
Por quê: A Igreja defende “o direito dos povos nativos ao território e sua demarcação” (Querida Amazônia 14); demarcar e tirar invasores cumpre isso.
- Ressalva: Exploração de novas reservas de petróleo com cuidados socioambientais (o plano não nomeia a Foz do Amazonas nem a Margem Equatorial).
As novas reservas serão exploradas com cuidados socioambientais ainda maiores e visão estratégica.
Por quê: A Igreja pede trocar o petróleo por energia limpa “progressivamente e sem demora”, mas aceita “soluções transitórias” (Laudato Si’ 165). Explorar novas reservas com cuidado é escolha que a doutrina não decide.
- Ressalva: Chama a descoberta de petróleo na Foz do Amazonas de 'passaporte para o futuro' e diz manter compromisso ambiental (evento no Amapá).
Pode chamar isso (frasco de petróleo) de passaporte para o futuro desse país. E quando falo passaporte ao futuro, não estou negando a minha luta para que um dia a gente não precise utilizar combustível fóssil.
Por quê: A Igreja pede trocar o petróleo por energia limpa “progressivamente e sem demora”, mas aceita “soluções transitórias” (Laudato Si’ 165). Lula disse que não nega a luta para que “um dia” o país não precise de combustível fóssil, e o plano promete explorar as novas reservas com “cuidados socioambientais ainda maiores”, o que não é deixar “mão livre” (Querida Amazônia 14). A doutrina não decide este poço: é ressalva.
Contradições
- Tensão no lado de Flávio: o plano promete zerar o desmatamento ilegal (p. 58), mas um vídeo de campanha diz “Vamos acabar com essas amarras ambientais” para explorar terras raras.
Instituições e democraciaDoutrina Social3550
O que a Igreja ensina
O “Estado de direito”, “no qual é soberana a Lei, e não a vontade arbitrária dos homens”; e, no Jubileu, o pedido aos governos de “formas de amnistia ou de perdão da pena” para os presos
Catecismo 1904; Spes non confundit 10
Por que essa nota: Fim da reeleição e limites às decisões individuais no STF são debates legítimos. Ele promete anistia ou indulto a todos os condenados do 8 de janeiro, inclusive o pai, condenado como líder. A Igreja pediu clemência no Jubileu e pede penas proporcionais, e ministros do STF viram penas altas para quem não liderou; mas “também não estamos a falar de impunidade” (Fratelli Tutti 252), e no Estado de direito punir cabe aos juízes (Compêndio 402).
Propostas
- Ressalva: Reforma do STF: fim do foro criminal originário, limite a decisões monocráticas, quarentena de 1 ano para ministros de Estado indicados e veto a parentes advogando no tribunal (p. 65 e 66).
Limitação das decisões monocráticas do STF, privilegiando as decisões colegiadas
Por quê: Mudar regras do STF é desenho de instituição, que a doutrina não decide; ela pede um Estado de direito, “no qual é soberana a Lei, e não a vontade arbitrária dos homens” (Catecismo 1904).
- Ressalva: Fim da reeleição para presidente (PEC de sua autoria).
E propomos o fim da reeleição para o cargo de Presidente da República.
Por quê: A doutrina não decide regras de mandato; quer que “todo o poder seja equilibrado por outros poderes” (Catecismo 1904).
- Contra o ensino da Igreja: Anistia ou, se ela não for aprovada, indulto aos condenados do 8 de janeiro; na sabatina da Globo (28/08) repetiu que trabalhará pela anistia ainda na transição e, se não ocorrer, dará indulto. O plano não menciona anistia, indulto nem o 8 de janeiro.
Eu, como presidente da República, na transição, ainda a gente vai ter aprovado a anistia de verdade e, se não acontecer, vou dar indulto para todo mundo
Por quê: A Igreja pede clemência e até “formas de amnistia” (Spes non confundit 10), mas a pena deve “reparar a desordem introduzida pela culpa” (Catecismo 2266), e clemência não é impunidade: “Também não estamos a falar de impunidade” (Fratelli Tutti 252). Indulto “para todo mundo”, inclusive para quem liderou, apaga a pena de todos sem distinguir culpas.
- Ressalva: 'Tesouraço na Censura': extinguir estruturas estatais de combate à desinformação e revogar atos do atual governo.
vamos revogar todos os atos que o atual governo produziu para silenciar seus críticos
Por quê: Os poderes públicos devem “defender e proteger a verdadeira e justa liberdade de informação” e cuidar do “mau uso dos média” (Catecismo 2498); o plano não diz quais atos revoga.
- Ressalva: Assinou a PEC 17/2026, que restringe a escolha de ministros do STF a juízes de 60 a 70 anos, a partir de uma lista de três nomes feita pelos presidentes do STF, do STJ, do TST e do STM; a PEC aguarda despacho no Senado.
Por quê: Mudar regras do STF é desenho de instituição, que a doutrina não decide; ela pede um Estado de direito, “no qual é soberana a Lei, e não a vontade arbitrária dos homens” (Catecismo 1904).
Por que essa nota: Rever as emendas e o orçamento secreto é bom; regular as redes pede cuidado com a liberdade de expressão. Vetou por inteiro o projeto que reduzia as penas do 8 de janeiro, sem distinguir quem só esteve na multidão; o Congresso derrubou o veto, e a lei está suspensa no STF.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Rever o sistema de emendas parlamentares e o 'orçamento secreto', com debate com a sociedade (p. 15 e 16).
É preciso que o tema das emendas parlamentares seja debatido com a sociedade.
Por quê: A Igreja pede “rigor e integridade na administração e na destinação dos recursos públicos” (Compêndio 355); rever as emendas e o “orçamento secreto” vai nessa linha, mas o plano não diz como.
- Ressalva: Reforma política e eleitoral, que o plano chama de inadiável, sem dizer o que muda (p. 15).
A reforma política e eleitoral é inadiável para superar a dissociação entre a representação política e a composição real da sociedade brasileira
Por quê: O desenho do sistema político é escolha que a doutrina deixa aos cidadãos: “não cabe à Igreja formular soluções concretas [...] para questões temporais, que Deus deixou ao juízo livre e responsável de cada um” (Nota Doutrinal de 2002, n. 3).
- Ressalva: Regulação democrática das redes sociais e das plataformas digitais.
avançar ainda mais na regulação democrática das redes sociais e das plataformas digitais
Por quê: Os poderes públicos devem “defender e proteger a verdadeira e justa liberdade de informação” e cuidar do “mau uso dos média” (Catecismo 2498); o plano não diz o que vai regular.
- Ressalva: No Flow Podcast, defendeu discutir mandato para ministros do STF e um conselho da sociedade civil na escolha (paráfrase da CartaCapital); o plano não propõe mudanças no STF. Sobre Moraes e o caso Master, relatou ter dito ao ministro que ele:
deve uma explicação à sociedade brasileira
Por quê: Mudar regras do STF é desenho de instituição, que a doutrina não decide; ela pede um Estado de direito, “no qual é soberana a Lei, e não a vontade arbitrária dos homens” (Catecismo 1904).
- Ressalva: Vetou integralmente o PL da Dosimetria (redução de penas do 8 de janeiro, inclusive de Jair Bolsonaro). O plano chama o 8 de janeiro de 'tentativa golpista' (p. 8) e não trata de anistia ou indulto. O Congresso derrubou o veto em 30/04/2026 (Lei 15.402/2026), e Moraes suspendeu a aplicação da lei em 09/05/2026 até o plenário do STF julgar.
Não temos o direito de esquecer do passado. Por isso não aceitamos nem ditadura civil nem ditadura militar.
Por quê: A Igreja pede “penas proporcionadas à gravidade do delito” (Catecismo 2266) e clemência (Spes non confundit 10). Vetar a redução sem distinguir quem só esteve na multidão pesa contra a proporção, mas não deixa de punir: é ressalva.
Política externaSem notas/ns/n
O que a Igreja ensina
Leão XIV pediu respeito à “obrigação de proteger os civis, bem como a proibição da punição coletiva, do uso indiscriminado da força e das deslocações forçadas da população”
Angelus de 20/07/2025
Sem nota: a Igreja não tem bloco preferido, e a escolha de aliados é prudencial. Os pontos de atrito com a Santa Sé, dos dois lados, estão no texto.
Por que essa nota: Aproxima-se de EUA, Argentina e Israel e promete levar a embaixada a Jerusalém. Critica a recepção a Maduro e os navios iranianos e diz que a diplomacia será guiada pelo interesse de quem produz, “não a simpatia ou a antipatia por este ou aquele governo”. Chamou de “libertação” o ataque dos EUA à Venezuela. Não falou dos civis de Gaza.
Propostas
- Ressalva: Reaproximação com Argentina, EUA e Israel; critica a recepção a Maduro e a aproximação com o Irã (p. 61 e 62).
Nos últimos anos, as relações com países como Argentina, Estados Unidos e Israel foram levadas ao limite do rompimento. Vamos reverter esse quadro com profissionalismo e foco no interesse do Brasil.
- Ressalva: Diplomacia 'pragmática' com todos os parceiros, inclusive China, e retomada da adesão à OCDE (p. 63). O plano não menciona Cuba, Nicarágua nem Gaza.
Negociaremos com todos os que interessam ao Brasil, da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos
- Ressalva: Promete aderir ao 'Escudo das Américas', aliança liderada pelos EUA de Trump contra 'redes narcoterroristas' (transmissão ao vivo em 24/09). Tema ausente do plano.
O Brasil fará parte do Escudo das Américas a partir do ano que vem, porque eu vou colocar o Brasil para se unir com todos esses países para combater todos os narcoterroristas
FonteVEJA, 26/09/2026 - Ressalva: Promete restabelecer relações com Israel e, segundo o jornal, transferir a embaixada para Jerusalém (conferência da Israel Allies Foundation, Buenos Aires).
Em meu 1º dia como presidente receberei as credenciais do embaixador de Israel em Brasília
FontePoder360, 28/06/2026
Por que essa nota: Chamou de genocídio a ação de Israel em Gaza e condenou o Hamas na ONU. Condenou o ataque dos EUA à Venezuela em nome da soberania e trata como legítimo o governo de Delcy Rodríguez. Mantém laços com Rússia e Irã: foi ao desfile militar de Moscou em 2025, e, na repressão aos protestos do Irã em 2026, o Itamaraty lamentou as mortes e disse que “cabe apenas aos iranianos decidir” o futuro do país.
Propostas
- Ressalva: Integração sul-americana como prioridade, política externa 'universalista' e aproximação com BRICS e Sul Global (p. 80 e 81).
A integração sul-americana é o primeiro círculo de projeção estratégica do Brasil.
- Ressalva: Oposição a qualquer subordinação a interesses estrangeiros (o plano cita três 'ondas de tarifaços' do governo Trump, p. 12). O plano não menciona China, Venezuela, Cuba, Nicarágua, Israel ou Gaza nominalmente.
Faremos firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros
- Ressalva: Na abertura da Assembleia Geral da ONU, chamou de genocídio a ação do governo Netanyahu em Gaza; também condenou os ataques do Hamas a civis israelenses e defendeu dois Estados.
genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza
FontePoder360, 22/09/2026 - Ressalva: Sobre a Venezuela após a queda de Maduro: diz que o destino é dos venezuelanos e que a presidente Delcy Rodríguez está legitimamente no poder (entrevista coletiva em Barcelona).
A Venezuela é um destino dos venezuelanos.
Contradições
- Os dois e as ditaduras: Flávio critica as da esquerda, e o pai elogiou o paraguaio Stroessner; Lula critica a ditadura militar brasileira, mas foi brando com Venezuela e Nicarágua. Na Nicarágua, que persegue a Igreja, o governo Jair copatrocinou a condenação da OEA em 2022, e o governo Lula assinou outra em 2023, mas em 2026 votou sozinho contra uma reunião da OEA.
- Venezuela, Rússia e Irã: Flávio chamou de “libertação” o ataque dos EUA que capturou Maduro (2026); Lula disse que o ataque ultrapassa uma “linha inaceitável”. Lula assistiu ao desfile do Dia da Vitória em Moscou ao lado de Putin (2025), e o Itamaraty não condenou o regime iraniano pela repressão de 2026.
Religião e liberdade religiosaDoutrina Social6040
O que a Igreja ensina
“a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa”; e a ordenação reservada aos homens deve ser “considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”
Dignitatis Humanae 2; Ordinatio Sacerdotalis 4
Por que essa nota: Põe a liberdade religiosa e a fé entre os valores do plano e defendeu a autonomia da Igreja. Mas prometeu “decretar” que o Brasil é de Jesus Cristo, o que pode ser lido como uso do nome de Deus em campanha (depois virou “oração simbólica”, com respeito a todas as religiões), e atribuiu sem prova o boato de Nossa Senhora a “gente dentro da CNBB”, recuando no dia seguinte.
Propostas
- A favor do ensino da Igreja: Liberdade religiosa listada entre os valores do governo e 'a fé' entre os valores não negociáveis (p. 74). O plano não trata de imunidade tributária de igrejas nem de ensino religioso.
à liberdade de expressão e à liberdade religiosa
Por quê: “A pessoa humana tem direito à liberdade religiosa” (Dignitatis Humanae 2); o plano põe essa liberdade entre os valores do governo.
- Ressalva: Disse que um dos primeiros atos seria 'decretar' que o Brasil é de Jesus Cristo (vídeo para evangélicos, agosto); em 28/09 a campanha esclareceu que será uma oração simbólica na posse, com 'respeito a todas as religiões'.
quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo
Por quê: A Igreja ensina o “dever moral que os homens e as sociedades têm para com a verdadeira religião” (Catecismo 2105) e proíbe “todo o uso inconveniente do nome de Deus” (Catecismo 2146). Entre um e outro, a promessa de campanha fica como ressalva.
- A favor do ensino da Igreja: Em Chapecó (SC), chamou Lula de 'ameaça' à liberdade religiosa após a fala do presidente sobre celibato, e disse que políticos não devem determinar a organização interna das igrejas (paráfrase do veículo).
ameaça
Por quê: As comunidades religiosas têm direito de “regerem-se segundo as suas próprias normas” (Dignitatis Humanae 4); dizer que político não deve decidir a organização das igrejas defende isso.
- Ressalva: Nega preconceito contra católicos (entrevista ao SantoFlow Podcast), em meio à boataria sobre Nossa Senhora Aparecida, que ele desmentiu.
Se eu tivesse algum preconceito, não teria escolhido um vice católico
- Contra o ensino da Igreja: Em Goiânia, atribuiu o boato de Nossa Senhora ao PT “com a ajuda de gente dentro da CNBB”, sem apresentar nomes nem provas.
O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news e conseguiu, com a ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente.
Por quê: É “juízo temerário” admitir “como verdadeiro, sem prova suficiente, um defeito moral do próximo” (Catecismo 2477), a mesma régua usada para a fala de Lula sobre o boato.
Por que essa nota: O plano ignora a liberdade religiosa. Pediu à Igreja o fim do celibato, que é disciplina, e a ordenação de mulheres, que a Igreja declarou definitiva. E explorou o boato de Nossa Senhora (“ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida”).
Propostas
- Ressalva: O plano só menciona religião ao proibir discriminação por 'crença' e cita 'fé' na apresentação (p. 6). Não trata de liberdade religiosa, igrejas, imunidade tributária nem ensino religioso.
independentemente de origem, raça, etnia, gênero, orientação sexual, idade, crença ou condição social
Por quê: A Igreja põe a liberdade religiosa entre os direitos da pessoa (Dignitatis Humanae 2); o plano só proíbe discriminar por crença e não trata do resto.
- A favor do ensino da Igreja: Em encontro com a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito no Planalto, disse que não faz política dentro de igrejas e que a religião é 'uma coisa sagrada'.
Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja
Por quê: “Comunidade política e Igreja são independentes e autónomas” (Gaudium et Spes 76); não fazer comício dentro de igreja respeita essa separação.
- Contra o ensino da Igreja: No mesmo encontro, defendeu o fim do celibato e a ordenação de mulheres na Igreja Católica (há pequenas variações de redação entre veículos; versão do Poder360).
Enquanto a Igreja Católica não acabar com celibato e permitir que mulheres possam ser bispos, padres, a gente vai ver Igreja Católica passando dificuldade
Por quê: A Igreja declarou que a ordenação só de homens deve ser “considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja” (Ordinatio Sacerdotalis 4). O celibato é disciplina que a Igreja pode rever; a ordenação de mulheres, não.
- Contra o ensino da Igreja: Em agenda no Pará, prometeu proteger Nossa Senhora Aparecida, repetindo boato que o TSE considerou sem 'suporte fático mínimo' contra Flávio.
Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. Ninguém
Por quê: É “juízo temerário” admitir “como verdadeiro, sem prova suficiente, um defeito moral do próximo” (Catecismo 2477); o TSE disse que o boato não tinha “suporte fático mínimo”.
Contradições
- Boato de Nossa Senhora: o único projeto para tirar o título de padroeira é de 2007, de outro deputado. Mesmo assim, Lula falou do assunto no Pará em 28/09.
Como a nota das propostas é feita
Vida e Família contam como inegociáveis e as outras áreas como Doutrina Social, na mesma proporção da nota geral. Política externa não tem nota.
Cada proposta tem uma marca: a favor do ensino da Igreja, contra, ou ressalva quando a doutrina não decide a questão ou o texto é ambíguo. Cada marca a favor ou contra tem uma linha “Por quê” com o texto da Igreja (Catecismo, Compêndio da Doutrina Social, encíclicas ou documentos da Santa Sé). A nota da área parte dessas marcas e pesa mais o que é central no tema, com a mesma régua da aba Fé; por isso marcas parecidas podem dar notas diferentes, e o texto de cada lado diz por quê.
Com esses pesos: Flávio 71, Lula 47. Pela média simples das 12 áreas, sem hierarquia: Flávio 60, Lula 58.
Não entra na nota geral: promessa não é registro.
